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Campinas não tinha um serviço estruturado para atender pessoas que sofriam com transtornos mentais graves. Foi quando um grupo da cidade decidiu se unir. O Cândido Ferreira, ele surgiu por uma questão da cidade. Há mais de um século, Campinas não tinha um local adequado para o tratamento das pessoas com transtornos mentais. E na cidade, 21 campineiros estava no porão da cadeia pública. Essa situação vinha sendo denunciada por dois jornalistas [música] que estavam aqui eh através do jornal Estado de São Paulo. Então, o Cândido, ele nasce de uma mobilização da sociedade campineira. Bom, e houve uma evolução muito grande de lá para cá, né? Porque ele foi, a história começou em 1917. Exatamente. Essa reportagem ocorre em 17. Uma mulher, uma campineira, [música] a dona Silvia Ferreira de Barros, ela leu a reportagem e escreveu uma carta pro jornal e nessa carta ela convoca a sociedade campineira e ela faz uma doação de dois contos de réis. Se formos transformar esse valor hoje, é um valor [música] bastante significativo, em média 800.000. e outros campineiros se mobilizaram e em 6 de julho de 1919 fundou-se a associação. De lá para cá, toda a cidade se mobiliza. Eh, essa história enfrentou uma pandemia que foi a pandemia da [música] gripe espanhola. As obras desse local ficaram paralisadas, retomaram e a inauguração foi 24 de abril de 1924 [música] e os 21 campineiros que lá estavam vieram para cá. Isso demonstra [música] a preocupação da sociedade em dar condições adequadas, embora a política de [música] cuidado era nos moldes de um modelo fechado, né? [música] Inclusive o nome do Cândido, o primeiro nome foi hospício para dementes pobres do Arraial de Souzas. [música] Nossa, mudou inclusive a forma de se expressar, de pensar, né? até de Exatamente. [música] E é nesse sentido que eu penso na riqueza, na importância do Cândido pra cidade. Ele caminhou, né, como [música] um hospital tradicional, isolamento, eletrochoque e a filantropia ela foi diminuindo ao longo dos anos. No final da década de 80, [música] o Cândido, ele já trazia uma abertura muito importante pra cidade, né? [música] Eh, a Unicamp, a PUCAMP, adentra os espaços para trazer [música] novas ferramentas de cuidado. Bom, eh, como que a questão de recursos, [música] assim, como que funciona aqui, eh, doação, como que é? É perfeito. Eh, na década de [música] 90, o hospital ele enfrenta uma grande crise eh da sociedade que para de dar esse apoio. A filantropia ela tem [música] um enfraquecimento. É, neste momento o Cândido busca o poder público municipal [música] e desde 1990 temos [música] uma parceria com a Secretaria Municipal de Saúde. Então, os recursos paraa gestão [música] dos serviços de saúde mental são oriundos desta [música] parceria. Além disso, como o Cândido é uma instituição filantrópica, nós temos o aluguel desse espaço, que é o [música] casarão Cândido, que foi ressignificado. Aqui era um espaço, né, de isolamento, eh, de abandono das famílias. E hoje é um espaço de arte, de cultura, de [música] música. Também trabalhamos com a nota fiscal paulista, com eventos. Acabamos de ter uma trilha. A trilha do Candinho foi uma trilha à noite, mobilizou pessoas que vieram, [música] né, circular por esse espaço, né, de natureza. A história do Cândido Ferreira não ficou parada no tempo. O serviço do Cândido Ferreira é um serviço [música] de saúde que faz gestão de diversos outros serviços que estão espalhados pelo território de Campinas. Eh, basicamente o que [música] a gente faz hoje é ser responsável por uma grande parcela do atendimento público de saúde mental do município. Isso se traduz em são 28 unidades no total. Eh, dentre elas a gente tem CAPS, que é uma unidade assistencial [música] de atenção psicossocial mesmo. E ali tem profissionais de diversas frentes, eh, médico, enfermeiro, terapeuta ocupacional, psicólogo, professor de educação física, eh, técnico de enfermagem. Esses são os CAPS. [música] E a gente tem também dois serviços de geração de renda, que não são serviços assistenciais por si só, mas eles acolhem eh pessoas dessa rede de atendimentos, usuários dessa rede, para que eles tenham a chance de desenvolver um trabalho, receber dinheiro por isso, se ressocializar. [música] E a gente tem também o serviço de residências terapêuticas, as SRTs, que [música] são unidades que acolhem pessoas que são egressas de internação psiquiátrica. pessoas que passaram por período de internação psiquiátrica longos, períodos longos e aí eles vão para essas [música] unidades, principalmente quando eles não têm família para acolher rede e assim por diante. São oito unidades. Bom, e dando uma volta por 18 unidades, perdão, 18. 18. Perfeito. E dando uma volta por aqui, eu percebo que de fato a estrutura é muito legal, né? Ah, a estrutura daqui você fala. É, então onde a gente tá hoje é um antigo hospital psiquiátrico desativado, né? Sim. Sim. [música] Que acabou se transformando pela reforma psiquiátrica, né? Não fazia mais sentido ficar acolhendo essas pessoas eh nesse nesse regime, nesse [música] modelo de internação. E acabou que houve uma migração, né, desse modelo para um modelo mais territorial, que é o que a gente preza hoje, é o que a gente acredita hoje, né, pós-reforma, né? Acho que o Cândido Ferreira [música] tem essa eh esse protagonismo no desenvolvimento desse tipo de política pública, né? O Cândido Ferreira atende mais de 5.000 pessoas por mês com transtornos mentais graves e consumo problemático de álcool e de drogas. Em 1990, a instituição começou uma das maiores transformações da sua história. O modelo de hospital psiquiátrico fechado foi deixado para trás. Acho que a reforma é o que rege a nossa conduta hoje, né, de atendimento em saúde mental, especificamente [música] dessa instituição. A reforma não começa em 1990, ela é do século passado e ela vem eh acontecendo de maneira gradual assim no mundo, né? [música] Ela tem seu início lá na Itália, a primeira reforma, a grande reforma que teve. E a gente acabou importando esse modelo. [música] 1990 foi quando o Cândido começou a fazer essa transição, né? Perfeito. Então aí a gente eh já marca aí o Cândido como bem pioneiro mesmo nessa transição de um modelo [música] eh assistencial que é mais manicomialista para um modelo de cuidado em liberdade, de cuidado no território, de reganhar as dignidades humanas, né? Então, o nosso propósito é esse. Então, a reforma é justamente esse processo de sair de um modelo de de tratamento fechado, de internação, [música] que a gente acredita eh que não é terapêutico por si só, né? Até até com [música] com todo o respeito ao molde, né? Eh, existem ainda internações psiquiátricas que elas devem ser feitas de forma breve, só para resolver o problema, de preferência [música] eh em enfermarias de psiquiatria dentro de Hospital Geral. Então ela sai desse modelo e vai para o modelo de lógica mais territorial do atendimento do paciente, do usuário, que a gente fala em liberdade, né? Eh, no território da onde ele da onde ele veio mesmo, né? Então, a ideia é essa, ser uma lógica mais territorial. A instituição tem um bloco de carnaval Unidos do Candinho que desfila todos os anos no pré-carnaval da cidade. Cerca de 200 usuários participam de atividades do núcleo de oficinas de trabalho e da casa das oficinas. Conversamos com alguns deles. Um lugar de atendimento psicossocial, né, de retregação à sociedade. Eu fico o dia inteiro aqui das 7:30 às 3:30 todos os dias. Só quando eu tenho que ir no CAPS que eu não venho aqui ou quando eu tenho que ir alto custo ou algum atendimento médico. Eu já tô aqui desde 2008, comecei na loja Centro Coronel Quirino. Aí viemos para cá, pro Cândido, chamado Vitral Prano. Hoje estou fazendo um treinamento no Vitral Religioso. Como que é a oficina que te ajuda? ajuda no desenvolvimento psicossocial no rendimento de bolsa, auxílio, né? Bolsa, alimentação. O que que você faz exatamente na oficina? Eu sou vitralista. Ah, é? Hã? E gosta do trabalho? Gosto. Aprende bastante coisa também, né? Aprendo. Vale a pena. Vale a pena. E o que que você pode falar sobre o trabalho aqui no Cândido Ferreira? É um trabalho que depois que você entra, você faz o treinamento, tem o monitor, a coordenadora que passa o serviço, né? Cada um tem seu estágio de dificuldade para fazer o serviço e vale super a pena, né? Valeu a pena. Parabéns aí. Obrigado. Como que é seu trabalho aqui no Cândido Ferreira? Eu adoro meu trabalho. Eu [música] sou ajudante de cozinha garçom. Sempre quis trabalhar nessa área. Como que funcionou? Como que funciona? É, como que se interessou? Aí eu deixei o serviço que eu trabalhava para vir aqui para complementar meu tratamento e aqui me ajuda [música] bastante. E como tá o tratamento? Tá legal? Tá bacana? Eu tô aprendendo muito. O que que você tá aprendendo? a ser ajudante de [música] cozinha, garçom. E você pode falar o que sobre o Cândido Ferreira? O que o Cândido eh representa na sua [música] vida? Ah, eu posso falar que eu deixei de trabalhar num serviço que eu ganhava bem para trabalhar aqui para continuar meu tratamento que é vinculado com o CAPS. E tá valendo a pena. Com [música] certeza. Eu tenho ajudado os serviços gerais, faço o tratamento no CAP Sul e aqui eu tenho aprendido muitas coisas a qual eu não sabia. O qu, por exemplo, eh, como preparar uma salada, preparar uma carne, eh ajudar na limpeza geral, quando chega os produto, ah, tem um produto que já tá vencendo, você tem que jogar fora uma fruta, uma verdura, tá estragando, né? Então é assim, [música] o nosso restaurante ele funciona de segunda a sábado, das 11:30 às 14:30. [música] Na quarta e no sábado temos três tipos de feijoada. Opa. A light, a tradicional e a vegana. Hoje em dia eu iria na light, viu? Então é assim, mas sempre gostei mais da tradicional. Eu eu aprendi fazer no cozimo coquimento ali, né? Junto com as [música] cozinheiras que elas estão orientando ali, porque a tradicional ela vai com a banha do porco, tudo, né? A light é tirada toda a gordura e a vegana é apenas com vegetais. Então, tem sido importante o seu trabalho aqui no Cândido Ferreira? Tem sido importante para mim, porque eu vim de uma situação que eu estava morando na rua, fui morar em abrigo e para mim aqui tem sido um um braço forte na minha vida. Então, essa porta que Deus abriu aqui. Espero que Deus [música] continue abençoando todos que trabalham comigo. Tenho feito minhas orações todos os dias. Boa. E pedindo a Deus que conserva a harmonia sempre, que venha novos clientes experimentar nossas iguarias. Muita coisa mudou. O hospital fechado deu lugar ao cuidado e liberdade. O isolamento deu lugar à convivência. O Cândido Ferreira é Campinas que deu certo. O Cândido é Campinas que deu certo porque ao longo dos anos as pessoas foram transformando o modelo de cuidado e hoje o Cândido [música] representa a referência no cuidado humanizado, [música] no respeito às diferenças e principalmente na inclusão social. [música] [música]