Serviço Cândido Ferreira atende 5,2 mil pessoas por mês em Campinas
Fundado em 1919 por mobilização popular, o serviço de saúde mental soma hoje 850 funcionários e substituiu o antigo modelo hospitalar fechado em Campinas.
O Serviço de Saúde Dr. Cândido Ferreira atende atualmente cerca de 5.200 pessoas por mês em Campinas, entre pessoas com transtornos mentais graves e consumo problemático de álcool e outras drogas. A instituição conta com 850 funcionários e administra unidades distribuídas pelo território do município. A trajetória do serviço é tema do episódio Cândido Ferreira, do programa Campinas que Deu Certo, publicado em 11 de setembro de 2026.
Há mais de um século Campinas não tinha um local adequado para o tratamento de pessoas com transtornos mentais. Em 1917, uma reportagem do jornal Estado de São Paulo denunciou que 21 campineiros estavam no porão da cadeia pública da cidade. A publicação levou Silvia Ferreira de Barros, moradora de Campinas, a escrever uma carta ao jornal convocando a sociedade e doando dois contos de réis, valor equivalente hoje a cerca de 800 mil reais. A mobilização resultou na fundação da associação em 6 de julho de 1919.
As obras do local foram paralisadas durante a pandemia de gripe espanhola e retomadas depois. A inauguração ocorreu em 24 de abril de 1924, quando os 21 campineiros que estavam na cadeia foram transferidos para a nova unidade. O primeiro nome da instituição foi Hospício para Dementes Pobres do Arraial de Souzas.
Nas primeiras décadas, o cuidado seguia o modelo de hospital psiquiátrico fechado, com isolamento e eletrochoque, sustentado pela filantropia. No final da década de 1980, a Unicamp e a PUC-Campinas passaram a atuar dentro da instituição, trazendo novas ferramentas de cuidado. Na década de 1990 a filantropia perdeu força e o Cândido Ferreira passou a buscar apoio do poder público. Desde 1990 a instituição mantém parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Campinas, que sustenta a gestão dos serviços de saúde mental.
Parte dos recursos também vem do aluguel do Casarão Cândido, hoje usado para eventos de arte, cultura e música, além da nota fiscal paulista. Um exemplo recente é a Trilha do Candinho, caminhada noturna realizada no espaço.
O serviço hoje administra unidades como os CAPS, que reúnem equipes de médicos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, psicólogos, professores de educação física e técnicos de enfermagem. Há também dois serviços de geração de renda, voltados à ressocialização de usuários da rede, e oito Serviços Residenciais Terapêuticos, que acolhem pessoas egressas de internações psiquiátricas longas sem rede familiar de apoio.
O local onde funciona a sede foi um hospital psiquiátrico desativado que deixou de fazer sentido no modelo de internação após a reforma psiquiátrica.
A mudança reflete a reforma psiquiátrica, movimento iniciado na Itália e adotado no Brasil, que substituiu a lógica hospitalar fechada por um modelo territorial de atendimento. Segundo a instituição, essa reforma orienta a conduta do Cândido Ferreira na saúde mental de Campinas até hoje.
Assista à íntegra
A matéria completa foi ao ar no CAMPINAS QUE DEU CERTO da TV Câmara Campinas. Assista ao vídeo original: Campinas que Deu Certo | Cândido Ferreira.
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