Em 1901, o grupo de artistas, cientistas e intelectuais se uniu para criar um espaço dedicado à promoção e preservação da cultura e conhecimento em Campinas. Estamos falando do CCLA, o Centro de Cultura, Letras e Artes aqui de Campinas. Um trabalho que atravessa as orações e neste ano completa 125 anos. Estamos chegando aqui nesse espaço no centro de Campinas para conhecer mais desse trabalho no Campinas que deu certo. E para conhecer um pouco mais desses quase 125 anos de história do CCLA, a gente conversa agora com Asios aqui ao meu lado. Ele que é presidente do CCLA. Além disso, também é jornalista, advogado e tenor lírico envolvido já há muitos anos com esse trabalho. Aíos, muito obrigada por nos receber aqui e queria que você contasse um pouquinho da história de fundação, né, do CCLA, um trabalho já centenário, como é que começou essa iniciativa em Campinas. Eh, eu que agradeço a a TV Câmara por essa oportunidade de nós divulgarmos aí o Centro de Ciências, Letras e Artes, né, uma instituição de 125 anos de existência. né? e também falar sobre o Carlos Gomes, que é o nós somos praticamente guardiães, né, da da memória do Carlos Gomes, das obras de Carlos Gomes, né, e enfim, eh nós queremos aproveitar bem esta oportunidade, mas o Centro de Ciências eh ele nasceu no avorecer do século XX, 1901, eh professores do culto à ciência, eh também eh os botânicos que trabalhavam no Instituto Agronômico de Campinas, né, que era chamada na época a estação agronômica, a estação imperial agronômica, né? Eh, que precisavam eh de um local para trocarem as suas eh opiniões e eh se atualizarem daquilo que estava acontecendo na ciência. na literatura, nas artes, né? Porque já o século XVII havia sido de muita efervescência eh em todos os campos, né? E então esses eh intelectuais, né? Eh, careciam de um local para se reunirem, para fazerem esta troca de de ideias, né? E eles costumavam se reunir no Lago do Rosário, né? ali era bastante, era um totalmente diferente de hoje, era muito arborizado, tinha chafaris, tinha eh uma uma eh um local muito aprasível, né? E eles então aproveitavam lá os bancos para ficarem eh eh conversando. Eh, então surgiu a ideia de fazerem um grêmio, né, um grêmio de ciências, né? Aí foram feitas várias reuniões e não vamos fazer tal, né? E nesse nesse grupo estava o professor Coelho Neto, né, Henrique Maximiliano de Coelho Neto, que era professor de literatura e português na na no culto à ciência, o César Brenback, que era professor de história universal, né, história geral, eh, e também José de Campos Novais, que era um botânico polimata, né, que também era entusiasta dessa essa ideia, né? E então, eh, reuniram mais outros eh intelectuais e eh resolveram fazer este Centro de Ciências, Letras e Artes, né? Eh, esta denominação, inclusive é do próprio Coelho Neto, que sugeriu, eles princípio queriam fazer só um centro de ciências, né? Aí o próprio Cho Neto que falou: "Nós vamos fazer ciências, eh, letras e artes, né?" Então está essa denominação desde desde então, eh, cresceu muito, né, a a ideia, né? teve uma grande sede construída na esquina da rua Conceição com a a Fran Glicério, que foi preciso demolir para alargar tanto a glico como a a própria rua Conceição, né? E de lá, uma vez derrubado aquele prédio, né, que era muito bonito, eh, e nós sentimos muito tê-lo perdido, né, foi comprado esta uma casa que existia aqui nessa esquina da Glicério com Bernardino de Campo e Lix da Cunha, né, foi contratado como o construtor deste edifício, né, que foi inaugurado em 1942, né, então lá se vão mais 80 e tantos anos, né, da construção deste prédio, né, e a gente tem eh passado por várias eh inovações, várias eh eh restaurações, né, eh já houve uma distribuição muito diferente dos dos ambientes, né, que hoje nós temos e aqui mantemos então e não só uma galeria de artes, como também, né, o o nosso museu Carlos Gomes. a reserva técnica dele, a biblioteca César Brenback, com mais de 130, 140.000 livros, né? Mais do que um espaço para a difusão cultural, o Centro de Ciências, Letras e Artes tem papel fundamental na preservação da memória de um dos maiores nomes da música brasileira. Ao manter o Museu Carlos Gomes e conservar parte do acervo do maestro, a instituição ajuda a manter vivo o legado do compositor campineiro para as novas gerações. E o Museu Carlos Gomes reúne parte desse grande acervo do CCLA. A gente tá aqui para conhecer esse espaço. Estou aqui com a Lenita, ela que é curadora aqui do Museu Carlos Gomes, vai apresentar um pouquinho desse acervo pra gente. Lenita, primeiro, obrigada por nos receber. queria que você contasse um pouquinho do que tem por aqui. Então, só para situar museu, ele foi ele começa a existir como arquivo Carlos Gomes em 1905 por aí, através de uma iniciativa do Crimbarque que começa a juntar materiais de Carlos Bom, que havia morrido em 1896 e somente em 54 ou 56, agora não tô me lembrando, o o jornalista José de Castro Mendes resolve fazer um museu, né? Então, reunir mais coisas, ter um espaço. Naquele tempo era antes era uma caixa só, umas caixas, então ele resolve fazer um museu, né? Então, nessa época que é fundado propriamente o museu. Primeiro foi um arquío e depois o museu, né? E uma das grandes batalhas para manter o museu foi justamente eh no fim dos anos da década de 20 ah o piano da Cars, né? Que foi uma batalha estava em Belém do Pará, né? e foi foi disputado inclusive por outras instituições. Todo mundo queria o o piano, mas ele veio, né, aqui pro Museu Carlos Gomes, que é uma das peças mais importantes aqui do do nosso assim, né? Então acho que eh a coisa mais eh marcante desse acermo é esse piano que provavelmente ele usou nos seus últimos anos eh de vida, né? Bom, então assim, a gente tem aqui outra arpa. Arpa foi um presente dado a ele. Quer dizer, ele nunca tocou arpa, mas foi um presente foi dado a ele, um presente de amigos ali, é do Rio de Janeiro, né? Uhum. E aqui é o lado piano, né, que já marca bem o início desse circuito por aqui. O principal, sim. A peça mais todo espaço, né? E aqui a gente vai contando um pouco da história, né? Da história do do Carlos Gomes. Então essa seria a casa aqui ao lado na rua Regente Feijó, onde ele teria onde ele nasceu, né? já foi demolida há muito tempo. Enfim, algumas coisas. Importante também destacar esse irmão, Zé Pedro Santana Gomes, que era músico também e foi um sustentáculo pro Carlos Gomes, certos momentos difíceis da vida. E o pai dele que era mestre de capela, que é aquela pessoa responsável pela música na igreja, não era padre, não era era alegre, mas foi uma pessoa que tinha muito é muito trabalho, né, de copiar música, escrever, reger. E ali que o Carlos Ges começou a trabalhar com o pai, né, os dois, alianças né, começam a trabalhar com o pai, né, enfim. Então essa é a família, né, ele tem a esposa que ele se casou, né? E aqui a gente tem alguns objetos que pertenceram a ele. Um tinteiro, um dois tinteiros, aliás, né? Esse aqui é muito bonito com o instrumento musical, né? Aqui isso, esse material teria vindo de Belém do Pará, que ele morreu em Belém do Pará 1896. Então esse material teria vindo lá do Rio de Janeiro, né? Por isso que o piano também houve essa briga, né, com Belém do Pará para ver quem ia ficar com com a peça. É, exatamente, porque ele faleceu lá, não tinha família era longe, imagina Belê do Pará era no século Xéculo XIX, né? E aí então por isso que vai essa disputa pelo piano, né? Eh, isso também aproveito para chamar a atenção da importância que vocês centro de ciências, Letras e Artes tinha naquele momento, porque não foi briga, brigou pro museu histórico nacional, enfim, que eram outras instituições importantes, né? Então, bem importante. Bom, aqui são partituras até para destacar essas duas aqui. Essa aqui seria a famosa música, quem sabe que tão longe de mim, distante que todo mundo canta, né? Que ele compôs, muito jovem ainda, eh, quando ele passou, passou, ele o irmão, passaram um tempo em São Paulo na República dos Estudantes de Direito do Largo São Francisco, né? Então, foi dessa, é dessa época. E esse na moidade acadêmica, justamente ele escreveu pros estudantes do Largo São Francisco, que eu acho que até hoje ainda é o hino lá em São Paulo, né? Tá, então que é um um hino interessante, né? Na outra sala a gente tem a as partituras, documentos, fotos, né, que conta um pouco dessa história, né? O Carlos Gomes, na verdade, ele não tem um museu, ele tem vários, vários no Rio de Janeiro, em Petrópolis, enfim. E a gente tem uma parte desse dessa dessa história, né, mais relativa à juventude, a infância dele e a relação dele com a família. Então tem cartas que ele manda pra família, tal, que são bem bonitas, aliás, né? Ele lembra sempre da uma carta que ele escreveu para um para um amigo que ele lembra da da rua das casinhas, a água, a água descendo pela rua das casinhas, com sapo morto, com tudo que vinha junto, que é justamente a rua né? Então, era rua das Casilhas. Então, ele, essa lembrança que ele tinha de Campinas, ele eh embora não tenha voltado para viver aqui, mas ele ficou com muito marcante para ele. Is quando ele escreveu essa carta, dois anos antes de falecer, ele escreve essa carta, né? E que que ele jogaria to jogaria fora toda a minha papelada de música para voltar aqueles tempos e tal, né? Então é aqui a gente tem um pouco dessa história, né, dessa dessa ligação emocional dele com Campinas, né? Campinas, né? Bom, e nessa nesses mais de 100 anos, na verdade, né, de história, o CCLE acabou reunindo grande parte da produção cultural aqui da cidade, né? Inclusive esse espaço em que estamos agora é onde foi aberto o primeiro cineclube de Campinas lá na década de 50. É isso. Exatamente. Isso. Exatamente. Aqui nós temos uma tela, temos o palco piano, né? E fazíamos fazemos projeções. Aqui já houve projeções em 16 mm. né? Hoje nós temos um data show, né? Tá tudo mais prático, mas continuamos projetando aí filmes de eh cineastas que estão eh surgindo, que estão fazendo experimentações. Então eles vêm procurar aqui um espaço e também teatro. Nós estamos agora com uma eh colaboração do da companhia Cão Semono, do Marcos Devono e nós vamos ter eh peças de teatro agora no mês de julho, inclusive. Bom, e para esse ano também, pro segundo semestre, tem um novo espaço que deve ser inaugurado aqui. É isso, sim. Como sempre, nós estamos e eh em atividade e nós recebemos por uma deferência da família da Nisa de Castro Tanque o seu acervo. Então, para 11 de julho, como parte 11 de julho, 11 de setembro, como parte das comemorações do mês de Carlos Gomes, né, nós teremos aqui a inauguração de um memorial da Nisa de Castro Tanque com todos os seus eh troféus, medalhas e toda a sua história, inclusive trajes que ela usou em ópera. a Nisa de Castro Tanque é muito conhecida não só dos campineiros como de São Paulo e de todo o Brasil. Ela cantou no muitos teatros e brasileiros e também no exterior, né? e muita coisa de Carlos Gomes. Ela foi uma pesquisadora das canções de Carlos Gomes. Eh, editou uma obra chamada Minhas Pobres Canções, né, que ela gravou os 40 eh canções que Carlos Gomes compôs, né, e foi professora da Unicamp na no Instituto de Artes, né, falecida mais ou menos há 2 anos, se eu não me engano, 2 anos. E então nós vamos inaugurar, né, desse dia 11 de setembro com um recital inclusive de exalunos dela esta eh este memorial de Nisa de Castro Tante. Bom, para as pessoas que nos assistem, quiserem conhecer esse trabalho do CCLA, todo esse acervo também que é mantido, como entrar em contato com vocês e como também conhecer todo esse espaço. É, hoje nós temos uma colaboração do professor Cinei Rocha e que promove aqui eh visitações e palestras e também da própria Secretaria de Cultura e Turismo, através do diretor de cultura, né, o diretor de turismo, o EOS Visel, que nos inclui nas caminhadas de Carlos Gomes, né, nas caminhadas históricas, né, e em no mês de setembro, eh, todos os sábados haverá uma caminhada que sairá lá do Centro de Convivência, passando pelos principais pontos aí onde Carlos Gomes eh eh viveu algum tipo de atividade ou de aventura e como o seu monumento, o túmulo também, né? E terminando sempre aqui no Centro de Ciências com a visitação ao museu de Carlos Gomes, né? Então, haverá essa, mas também nós eh recebemos eh visitações de pessoas que eh através da dos números de contato do Centro de Ciências pedem para fazer visitações, né? E isso também ocorre em relação ao próprio a própria biblioteca, né, César Bembacque, para fazer pesquisas, né, e também na reserva técnica, que nós temos todos os eh muitos manuscritos do Manuel José Gomes, do José Pedro Santana Gomes e do próprio Carlos Gomes, né, e partituras manuscritas por eles, né, eh, muito bem conservadas, né, que já foram em grande parte digitalizadas e que estão também na plataforma, né, uma plataforma do música Brasilis, né, enfim, eh, essa é a nossa disponibilidade. É só entrar em contato conosco através do
[email protected] do BR para solicitar a sua visitação. Nós temos também um registro no Google, né, e atendemos a todas essas visitas vindo aqui pessoalmente para servir de guia, né, para contar sobre o Carlos Gomes e mostrar o museu Carlos Gomes. Aí, muito obrigada por nos receber aqui, por ajudar a contar também um pouco dessa história para quem nos assiste em casa. Nós é que ficamos agradecidos aí a TV Câmara, né, e você também tá lá. pela gentileza desta entrevista. Muito obrigada. Agradeço também a você que nos acompanha em casa pela TV Câmara. Te espero no próximo Campinas que deu certo. Até lá. เ