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Olá, [música] [música] começa agora mais uma edição do programa Mãos Solidárias e hoje vamos conhecer o projeto Docilar, que tem o objetivo de reformar casas de famílias em situação de vulner vulnerabilidade. [música] Mas para entender melhor sobre esse projeto, vamos conversar com o Fernando Ferreira. [música] Ele que é vice-presidente da OSC, idealizador do projeto. Seja muito bem-vindo. Muito obrigado. Um prazer participar e contar um pouco dessa história. [música] E que história, né, Fernando? Como que você pensou nisso? Como que foi o pontapé inicial desse projeto? Na verdade, eh, eu sou engenheiro civil de formação e eu, eu sempre participei de projetos sociais diferentes desse. E eu queria fazer algo dentro da minha área, usar, né, a habilidade que eu que eu adquiri com a engenharia para poder ajudar outras pessoas. E eu conheci um projeto parecido em Bragança Paulista, chama Reparação, caiu no meu WhatsApp um dia lá, [música] eu falei: "Nossa, é isso daqui". E aí fui atrás, fui conhecer, participei como voluntário lá, entendi [música] um pouco essa dinâmica aí do projeto, foi é isso, eu vou vou levar isso para Campinas. Campinas não tem, tem, então [música] não conhecia nenhum projeto pareito. Falei: "Vou levar para Campinas sozinho". E aí vim para cá e falei: [música] "E agora como é que a gente começa a fazer isso? Você e o sonho do projeto, né?" Eu e o sonho do projeto. Tive ajuda do pessoal lá de Bragança. Falei: "Não, Fernando, a gente ajuda no primeiro para você começar". Aí algumas pessoas que foram conhecendo, chegaram até mim, queriam ajudar também e fomos em busca de uma família para fazer o primeiro. Acho que o primeiro sempre é o mais difícil, né? Uhum. E aí conversando com um, conversando com o outro, eh aí um pessoal lá da onde eu participo da igreja indicou uma família e aí nós fomos visitar e enfim, deu certo a primeira, selecionamos sem muita experiência. Isso foi em que ano? 2018, eu conheci o projeto em meados 2018, 201 Bragança e em dezembro 2018 nós estamos fazendo o primeiro docilarm. Foi super rápido, foi muito rápido, entendeu? Tinha que começar porque se demora muito não acontece, não acontece. E deu tudo certo, sim, deu tudo certo. Nós começamos, né, eh, [música] sem experiência nenhuma e foi um desafio muito grande. Para você ter uma ideia, uma semana antes de fazer a [música] de executar a primeira reforma, né, doar um, nós não tínhamos dinheiro, voluntário e material. Como foi então? Já não dormia, né? [risadas] E aí foi foi [música] pedindo para um e amigo e ajuda. Fui na igreja lá, falei pro padre, eu falei: "Puta, posso pedir ajuda?" Pode. Aí fui lá pedi ajuda e aí começaram a chegar as pessoas que se tocaram, né, acho que com com um projeto, mesmo pessoas que nunca tinham me visto, [música] conhecido. Uhum. Inclusive algumas delas estão até hoje no projeto, começaram [música] e engajaram e e conseguimos. Acho que eu falo que esse projeto é um projeto abençoado, né? Um projeto de Deus. Quando você faz o bem pras pessoas, [música] Deus vai colocando tudo no lugar para que realmente aconteça. E aconteceu o docelar um. Muita [música] alegria, muita emoção, algo que assim, desde o docilar um eu falo que a família ganha uma casa reformada, uma estrutura, mas eu sou o [música] que mais ganho com tudo isso daí como pessoa, como ser humano, né, como vida, né? Eu acho que fazer o bem pras pessoas é algo inexplicável. Só quem faz e sente mesmo. Uhum. E estamos aí indo aí para fizemos o docelar [música] 15 agora, né? Teve uma pandemia no meio do caminho, a gente teve que parar. Atrapalhou bastante, né? Atrapalhou, né? Mas [música] conseguimos passar por isso e estamos aí rumo ao docilar [música] 100. E quais nesse nesse nessa sua trajetória, né, desse sonho que [música] foi realizado? Teve algum momento assim, principalmente na pandemia que teve [música] mais dificuldade, algum momento que você pensou assim que não ia dar certo porque sem ajuda, porque é difícil, né, conseguir [música] também pessoas ali para investir, para ajudar e é uma responsabilidade que vocês têm, [música] porque não é, é, você tem essa responsabilidade que vai transformar a sua vida também como a pessoa que ajuda, [música] mas mais do que isso pra família que necessita, né? Sem dúvida, sem dúvida. Eh, eu não, sendo muito sincero, eu nunca, [música] por mais que surgiram algumas dificuldades, mas eu nunca pensei em desistir. Uhum. Porque como eu falei, acho que algo foi colocado assim e, né, me é um chamado. Eu falei: "Bom, se é um chamado, vai acontecer. Mesmo com dificuldade [música] vai acontecer". Então assim, eu nunca pensei em desistir, mas sempre tivemos dificuldades porque conseguir recu ainda mais quando você é novo num projeto [música] desse, é um projeto que tá começando. Uhum. existe uma certa eh falta de de das pessoas não conhecerem, né? Uma desconfiança. Será que é sério? Será que não é sério, vou ajudar? vai entregar, vamos investir. Então assim, isso é é é um um, né, um paradigma que nós conseguimos [música] quebrar aí junto as pessoas, tanto voluntários como patrocinadores. Isso só veio crescendo, as pessoas nos conhecendo, entendendo que realmente nós somos sérios. Uhum. eh que nós entregamos o que a gente se compromete. Então isso ajudou a minimizar um pouco essa dificuldade. Então a gente é um pouco mais conhecido, [música] mas mesmo assim a gente depende 100% de doação. Toda a diretoria, todas as pessoas que ajudam, são todos [música] voluntários, ninguém recebe nada. E a gente depende muito de doação, de empresas, de pessoas físicas, [música] eh, que queiram, né, realmente contribuir com a gente. Voluntário hoje acho que não é tanto problema, porque teve um engajamento muito bom e uma ideia em [música] questão de 10 minutos encerra a inscrição quando a gente abre. Nossa, é muito rápido. Aí muitos ficam fora fal: "Nossa, eu queria". A gente tem um limite [música] de pessoas para para fazer mesmo por muita gente, senão a pessoa acaba ficando ansiosa. [música] Eh, mas ainda nós temos um desafio grande de conseguir realmente mais recursos, [música] recursos recorrentes, né? Que nos de uma tranquilidade, que hoje a gente faz uma obra, aí vamos tentar que arrecadar novamente para conseguir fazer a outra. Então, a gente tá sempre buscando e a gente não tem aí uma estabilidade que a gente gostaria [música] de ter. Estamos em busca dele. Eh, né, vamos tentar buscar alguma ajuda aí junto ao poder público com recursos que são [música] destinados a OS, né, que a gente pode utilizar. [música] a gente tem que se adequar em documentação. Estamos aprendendo ainda a lidar com essa questão de [música] documentação do poder público, mas acho que é um caminho também que a gente vai começar a trabalhar [música] em cima disso, aprender e continuar buscando as empresas, continuar buscando pessoas aí para que a gente possa levar o docilar mais longe, ajudar mais famílias até hoje nós só fazemos em Campinas, quem sabe [música] começar expandir, né, divulgar isso para outras pessoas e outras pessoas aderirem a isso e e criarem um braço em outras cidades, enfim, é aumentar realmente a o trabalho nosso aí. [música] E Fernando, e você participa também ativamente assim da tem a triagem das famílias e você também faz todo [música] esse acompanhamento, ajuda na na diretoria para fazer esse bater o martelo, né, para escolher [música] a família e também vai fazer a entrega. Como que é essa sua participação [música] ativa dentro do projeto também? É, nós nós temos uma participação como diretoria, né? O Edson [música] que faz todo esse trabalho inicial de triagem, documentação, as visitas, traz paraa diretoria as as [música] famílias, né? E a gente num colegiado ali toma decisão dentro dos critérios [música] que a gente tem definido, né? Ah, qual que é a família que realmente mais precisa naquele momento. Uhum. que tem um merecimento, que tá batalhando e que sozinha não vai conseguir ser daquela situação. Então, a gente participa dessa forma, eh, como um todo aí, validando uma família para para ser beneficiada. E aí depois nós temos todo acompanhamento durante a pré-obra, né, ajudando um, ajudando o outro e na durante o final de semana, né, que é os voluntários, a gente participa [música] coordenando o pessoal da diretoria e todos os voluntários. Só tem entrega da casa, que eu falo que é o ápice do projeto entrega da casa, porque a gente tira a família da casa, ela não sabe o [música] que vai acontecer e a transformação é é da água pro vinho, mesmo a gente que tá acostumado, é muito [música] impactante essa transformação. E não tem como não se emocionar, porque as famílias realmente se emocionam muito, os voluntários se emocionam muito. É, então assim, os voluntários dois dias se dedicando, né, das 7 da manhã às 6 da tarde trabalhando e fazendo de tudo. E aí quando eles vêem tudo pronto, né, aquela transformação, [música] a família recebendo, então não tem como se não se emocionar. Isso daí é muito gratificante. Sim. E a transformação não só é na casa, né, mas acontece também na vida da pessoa, no pessoal, né? muitas delas eh mudam assim de comportamento, né, que a gente até tem relato sobre isso, né? Sem dúvida. As pessoas, esse é é a proposta [música] nossa, né? Transformar vidas. Eh, a gente ajuda com essa estrutura da [música] casa, mas eh com objetivo de que as pessoas saiam daquela situação, criem aí uma nova mentalidade, uma nova cultura, [música] eh tire uma preocupação que seria a casa para se preocupar com outras coisas, educação e tudo mais. E a gente tem relatos bacanas aí que realmente de sucesso. São [música] alguns cases aí que a gente pode num outro momento falar com mais detalhes. Com certeza. Então agora para você, o que representa esse projeto que foi um sonho e hoje é realidade? Eh, é um propósito, propósito de vida isso daí, um projeto que enquanto tiver [música] condições, saúde, capacidade, né, quero participar. Estou deixando ser legado com meus filhos. Meus três filhos já participaram e participam. Uhum. mostrar para eles que existe uma outra realidade. E é o que eu falo pro pessoal novo que tá chegando, gente, vocês que vão dar continuidade nisso. Um dia eu vou parar, não estarei mais por algum motivo, mas o docilar tem que continuar independente das pessoas. [música] Então é um legado que a gente deixa pro mundo aí. E ao todo, quantas pessoas participam desse projeto que estão envolvidas no docilar? Então, nós temos uma diretoria, né, com cinco pessoas, temos um grupo de apoio, umas 15 pessoas [música] que que nos apoiam e em média de 60, 70 voluntários que participam no final de semana foraiteiro, pessoal que trabalha na pré-obra, enfim. Então, vamos falar aí [música] em torno de 100 pessoas aí, se pensar aí num montante, [música] quanto mais gente melhor, né, Fernando? Melhor alivia para todo mundo. É verdade. [risadas] Bom, a gente vai para um rápido intervalo, Fernando, porque a gente vai [música] mostrar também um pouquinho do trabalho de vocês, como que é realizado. Inclusive, a gente tem outras entrevistas [música] também. Então, não saia daí que o Mão Solidárias volta já já. [música] O Mão Solidárias veio conhecer [música] uma das casas reformada pelo projeto Docilar. Vamos conhecer. [música] [música] [música] [música] Gabriela, como que você conheceu o projeto Docilar? Foi através de uma reportagem na TV e na época eu fiquei meio eh fiquei meio assim com medo, né? porque eram eh quando aparece na TV muitas pessoas se inscrevem, né? E aí eu eu mandei as fotos e aí eles fizeram um eu acredito que eles fizeram alguma avaliação, né? Porque deve ser uma volume muito grande de pessoas, né? Na época eh essa casa, ela não passava por uma reforma há 50 anos, né? A gente nunca, na verdade, teve condições de fazer uma reforma na casa em si. E aí a gente mandou as fotos e aí eles fizeram uma apuração. Eh, foi tudo feito com muito cuidado. Eles vieram aqui, teve uma sente social que acompanhou minha mãe, o processo foi muito, muito bacana, muito bem feito. E aí eles vieram, conversaram com a gente, foram fazendo isso de uma forma muito respeitosa, muito profissional mesmo. Nós fomos muito bem acolhidos desde o início. E aí eles vieram aqui, conheceram a casa pessoalmente, porque por fotos é uma coisa, quando vem pessoalmente é outra, né? E assim, era uma casa que realmente não tinha estrutura nenhuma, ela já apresentava algum risco, né, pr para estrutural até quando eles vieram que eles falaram. E aí quando eles vieram, eu ainda assim achei que não não conseguiríamos, porque quando aparece na TV muita muita gente deve ter se inscrito. Aí demorou algum tempinho e aí eles chamaram a gente novamente, falaram que nós nós havíamos conseguido aí a reforma da casa. E como que foi nesse momento, né, para você, pra sua mãe, receber essa notícia? Nós ficamos muito emocionados. Eu quase nem acreditei que a gente tinha conseguido. E aí eles falaram que eles iam começar então todo o processo. É um processo muito muito assim detalhado. Eles têm muito cuidado, né, com a gente enquanto família, né, até porque a minha mãe é idosa e como que ia funcionar, tudo certinho. e foi nos acompanhando durante esse período em que eles ficaram aqui reformando a casa, né, que eu achei que seria uma reforma assim bem é simples, né? Não do jeito que vocês estão vendo hoje. Para mim, achei como chovia muito aqui dentro, a casa era muito velha, escura e eu achei que seria uma reforma mais no telhado, vou ser bem sincera. Eu até fiquei muito feliz, até falei para eles se conseguisse reformar só o telhado ou o quarto da minha da minha sobrinha, eu já ficaria muito feliz. Mas aí nós fomos, é, agraciados com tudo isso que vocês vão ver aqui hoje. [música] A minha mãe ficou, é, a princípio, na casa do meu irmão e minha sobrinha ficou comigo e a gente ficou aí todo esse período juntos, né? Foi muito bacana até que a gente até que fosse feita a reforma. A reforma levou um bom tempo, né? Mais ou menos eh uns uns 30 dias para acontecer, né? [música] Eh, até porque eles falaram que quando começaram a mexer na estrutura da casa, eles precisaram fazer mais coisas. Porque eh a estrutura tava muito ruim mesmo. E aí reforma é isso, né? Começa a mexer, começa a aparecer mais coisas, mas no final deu tudo certo. [música] Eles transformam vidas, é muito mais do que o trabalho, né? Eh, eu fiquei assim muito feliz porque realmente eu não esperava. Foi uma mudança de vida para nós, foi um recomeço mesmo. Eles entendem eh muito sobre pessoas, eles eles têm esse cuidado com a gente durante esse processo. [música] Foi incrível. Eu fiquei assim até em choque quando recebi a casa, porque não fazia ideia, né, de que eles faziam, praticamente fizeram uma nova casa. Gente, se você pegar a foto de dia anterior, você vai ver que é uma outra casa, né? Nós ficamos muito felizes. A gente entendeu isso como recomeço. [música] A minha mãe, por ser idosinha, né? Ela ficou muito feliz, a Laura também, eles fizeram um quartinho incrível [música] paraas duas, realização de um sonho, né, de uma vida, porque quantas pessoas gostariam de ter, né, [música] eh, uma casa aí boa para morar, de qualidade. Então, para mim superou expectativa, com certeza. E Gabriel, isso para você também e transformou a sua vida, porque você participou também como voluntária, não é isso? Sim. Depois de tudo isso, eu falei para eles que eu gostaria muito de ser voluntária e eu me fiz, me ofereci para ser voluntária do próximo projeto que era a próxima casa. Foi incrível porque eu pude ver o quanto essas pessoas se dedicam, né, nesse trabalho voluntário que é só amor mesmo, o quanto eles são, né, eu já sabia, comprometidos e sérios e o quanto há uma preocupação eh com a vida mesmo, com as pessoas, eh o os detalhes, né? É trabalho duro mesmo, a gente põe a mão na massa, é cansativo, mas as pessoas fazem com tanto amor, com tanta vontade, é incrível, de verdade. [música] O que representa para você o projeto docilar? tudo assim. Hoje eu falo que eu sou voluntária, eu falo pode me chamar para o que eles quiserem que eu vou. Eu acho assim que a possibilidade de poder ajudar o outro, fazer [música] algo pelo outro, né? Eh, só por por amor mesmo, por vontade, eu acho transformador. Eu acho que quando a gente pode, né, acredito quando a gente pode dar o seu melhor para fazer algo pro outro, [música] isso além de transformar vidas, né, torna isso tudo muito maior, né, feliz. Nossa, mas Deus p a mão e vocês também ajudar. E o que representa o projeto docilar, dona Rosa? Olha uma coisa muito bondosa, que o povo ainda tem coração, homem bom, né? Na terra quando a senhora entrou aqui e viu que tava tudo modificado, foi uma emoção. Era muito aqui [limpando a garganta] tava precisando, gente, filha, mas vocês fizeram muito bem. Obrigada. [música] [música] [música] [música] Vamos conversar agora com Edson Rogério Vassoleri, ele que é presidente e também é o responsável ável pela seleção das famílias, né, Edson? Muito obrigada por participar aqui do mão [música] Solidárias. Conta pra gente um pouco então sobre a sua trajetória dentro do projeto docilar. Primeiramente, bom dia. Eh, eu fico agradecido. Então, o projeto do do [música] projeto docilar, a gente se reuniu. Uhum. E a [música] gente procura ajudar as pessoas que têm muita dificuldade eh financeira, moradia, essas coisas, certo? Eu sou mais responsável paraa seleção da família. Uhum. Tá. Eu pego a as famílias chegam até mim através do site [música] eh de indicações de ele se inscreve por telefone [música] do próprio da própria do projeto. Sei quando esse chega para mim essas famílias eu faço uma pré-seleção, certo? Avalio se tem alguns [música] requisitos que já passa na primeira triagem. Quais são esses requisitos da primeira triagem? A a prioridade é que a casa [música] esteja no nome da pessoa, tá certo? Não necessariamente. Ah, regularizadinha, mas [música] eles têm que me provar que a casa é deles. Entendi. Por vários fatores, porque não adianta nada eu pegar e aprovar uma casa, levar pra diretoria aprovar uma casa e depois que a casa aprovar, vem um familiar, vem um outra pessoa. A gente não pega a casa alugada, tá? e tirar família, porque daí não tem não tem sentido. Aham. Então essa é a primeira parte que pesa. Ah, tem documentação. Ah, eu a gente [música] tem contato na COAB, então eu entro em contato com as [música] pessoas da com os amigos da COAB e a gente analisa. Ah, tem documentação. Ah, tá atrasado, não tá? Mas tem, já passa a primeira triagem. Aí eu vou até a casa sozinho. Uhum. e dou uma olhada na casa, converso. É o primeiro contato que eu tenho com a família. Aiação. Passou. Beleza. [música] Aí eu a gente tem uma assistente social que ela chama Lúcia, certo? Eu mando assistente social, eu mando, não, eu peço paraa assistente social chegar nela. Aí ela faz um uma ela verifica melhor, porque a assistente [música] social tem outra visão, né? É um outro olhar, né? Aí ela ela passa para mim [música] todos a os requisitos, tal. passou pela assistente social, eu faço, [música] a gente pega a diretoria e a gente vai fazer uma visita na casa. Uhum. Aí [música] a gente vê a pessoa se ela merece, se ela precisa, eh, qual é [música] a situação da casa, porque tem gente que acha que precisa, mas a casa não é, não é assim. A gente mexe com as pessoas [música] e que eh necessariamente precisa real. A gente mexe com pessoas com muito baixa renda. Baixa renda depende da quantidade de pessoas, né? É, não necessariamente a quantidade de pessoas, porque a gente já fez [música] eh uma casa que é o DL13, era uma senhora só, só que ela morava num em situação muito precária, um barraco que tava caindo, ah, precisou descer derrubado a [música] o barraco dela. Eu fui, não tive coragem de entrar no barraco, tava caindo, realmente. Uhum. Levei a pra diretoria e a gente viu que merecia, [música] porque não é só precisar, tem que merecer. Entendi. Certo. Primeiro a gente precisa, precisa, merece. Aí a gente vai analisar os fatores, [música] se ela merece, se trabalha, eh, se não trabalha, como é a vida dela. A gente analisa esse levantamento mesmo, faz um levantamento, é bem detalhado, tudo documentado, tá? A gente tem a documentação, [música] eu faço tudo com eh um fichário, certo? [música] E a gente deixa tudo guardado, porque se precisar pra gente ter onde mexer, certo? E essa [música] moça, se eu não me engano, ela tinha 71 anos, se eu não me engano, porque é muita família, às vezes a gente se perde. Uhum. E ela não tinha ninguém aqui em Campinas. Ela foi lá do Parque Oziel, a gente decidiu fazer ela. Fizemos, foi a primeira casa que a gente [música] fizemos do zero. E ela ficou aonde nesse período? Então, assistente social, como derrubaram o barraquinho dela? Ela não tinha, não tem família aqui, né? Não tem família. A prefeitura eh cedeu [música] é como que não sei se eu te falo o nome certo, é um auxílio aluguel, certo? Então o período que a gente ficou, ela ficou numa num cômodo alugada auxílio moradia, né? Isso. Auxílio moradia. E ela ficou até a gente terminar, mas ela não sabia que ia fazer a [música] casa inteira, porque eu não passo, não deixo passar. Eu sou até mentiroso, tá? [risadas] Dá uma enganadinha ali, né? Que é uma surpresa, né? É porque eu falo pras pessoas que eu vou apenas dar uma ajeitada. E nessa última mesmo a a moça até eles até cobra: "Nossa, mas você não falou isso para mim". Porque é a [música] surpresa, é a surpresa pra gente. E a emoção de ver eles nessa última foi uma das das casas que eu mais vi pessoas [música] chorar. Os voluntários choram muito na entrega, muito, muito. Teve um amigo nosso lá que eu vi, falei: "E aí, Miltão, o que que tá acontecendo?" Não, eu tô com cisco. A cara dele tava até inchada de tanto chorar, já conseguiu nem disfarçar. É, então a gente passa por esse [música] essa seleção para chegar numa família que realmente eh precise e mereça, certo? E o processo é longo. Eu fico nesse nesse meio termo, acho que uns dois meses até chegar a aprovação da casa, entendeu? Porque precisa também desse detalhe, né, minucioso de vocês [música] na escolha da família, como você mesmo mencionou, a família que precisa e a família que merece. Exatamente. Então, leva um tempo para você ter certeza que é aquela família escolhida, né? Sim. É porque o pilar do docilar é isso, é precisar e merecer, certo? A a gente da diretoria, a gente é só um meio para para organizar. Uhum. Se não tiver os patrocinadores e os voluntários, [música] a gente não consegue fazer nada, certo? Ah, teve uma casa e satélite, [música] se eu não me engano, a gente foi, pegou fogo na casa. [música] É só para você entender o por precisa dessas documentação e precisa ser uma coisa meio longa. Tinha sete, sete irmãos, a casa pegou [música] fogo e era herança do pai. Tem documentação, tem. E a gente tem que se precaver. Quando é assim, a gente pega, a gente faz uma documentação, todos os irmãos assinam, não quer dizer que tá passando a casa pra pessoa. E sim a gente dá um um direito de moradia. Entendi. Tipo assim, se tem criança de 8, 10 anos, a gente dá um direito de 10 anos de uso da casa. Quer dizer, eles não podem vender a casa, não pode tirar na porque o foco é dar um alicerce pr as crianças crescerem e seguir a vida. Exatamente. E eu trabalhando e conversando com a família, tal, tal, tal, tal. Um dia a casa aprovada, [música] a gente não tinha começado mexer na casa, certo? Um dia liga uma irmã dela para mim, que no projeto todo mundo me conhece como Gardenal. Gardenal. Gardenal. É, ninguém me conhece como Edson. É, é uma longa história. É, daí é uma outra história. Aí a moça ligou para mim, o seu gardinal, tudo bem? Eu sou irmã da aí eu esqueci o nome dela e eu queria saber quando a casa vai ficar pronta. Eu falei, mas a gente [música] nem começou ainda não porque eu preciso saber como a gente é em sete irmãos e para quando a casa tiver pronta pra gente vender para dividir o dinheiro. Não acredito. Eu peguei e falei: "Não, eu vou ver com a diretoria, depois te falo". Eu liguei pro Fernando Uhum. Certo. Ah, que é o elaborador do do projeto. Ah, [música] falei, "Fernando, aconteceu isso, isso, isso, vamos cortar." E a gente teve que cortar porque não é o foco, não é esse objetivo, né? Agora imagina, a gente tem patrocinadores, investe dinheiro e depois ele vê [música] uma situação dessa, não dá. Então é por isso que a gente precisa ser detalhado na escolha, que que é a gente tem dois, eu falo que tem dois gargalos no no docilar. [música] Primeiro que é o financeiro, que é difícil, você não consegue fazer nada sem dinheiro. O segundo [música] é família. É muito difícil você conseguir casa. Não par. Ah, mas tem tanta casa. Não é tão simples [música] assim. É difícil. É difícil. É difícil. Todo mundo quer, quer casa, [música] mas que se encaixe na nas diretrizes do docilar é difícil. Com documentação. É difícil. É muito difícil. E esse e esse processo todo, Edson, [música] vocês têm essa ajuda dos patrocinadores e não tem nenhuma ajuda de nenhum órgão público. No caso, assim, a prefeitura ela sabe, né, dessa situação, como você disse, tem [música] que ter toda a documentação. A primeira documentação é da família, que tem que tá no nome dela, e depois tem esse contato também com a prefeitura, porque tem que ter esse essa ajuda, principalmente [música] se essa família precisa do auxílio moradia, por exemplo, nesse período de 20 dias que a casa está sendo reformada ou construída, né? Então, no momento, diretamente [música] com a prefeitura, com algum órgão, a gente não tem, tá? a gente tá em busca, tá tá vendo porque [música] tem precisa de certas documentações, tal. Então a gente não tem, mas como eu falei da Lúcia, que é [música] assistente social, ela tem eh certos contatos que ela leva o chefe dela e até consegue quando é urgência. Uhum. [música] a gente tem essas regalias. Falando em números, você tem mais ou menos assim esse essa demanda, né, de famílias [música] que procuram por vocês através das redes sociais, do site, porque é uma triagem, como você disse, longa, que você [música] precisa avaliar se realmente essa família precisa ou não, quantas mais ou menos chegam até você, porque tem aquela questão também do boca a boca, né? Muita gente vai falando um pro outro: "Olha, existe esse projeto assim, assim." E como que é essa demanda que chega para vocês? Toda semana tá chegando uma, duas, uma, duas e eu fazendo a triagem, mas de 10 casas, uma olhe lá passa porque [música] a não tem documentação. Eh, chegou uma com uma necessidade agora para mim, eh, inclusive foi até um político que me [música] mandou, um assessor, só que não tem documento. [música] Aí fica eu vou primeira coisa, a casa é da pessoa. Ah, não, não tem documentação que prova [música] nada, que era da do tio, que era da tia, mas não tem documentação de nada. Aí eu não consigo [música] fazer. Então, mas a demanda é grande, a procura é grande, mas [música] eu preciso que venha mais. Uhum. para para que eu possa fazer uma triagem maior para poder tipo assimudar mais gente, né? O foco a gente não consegue fazer muito porque não tem não tem verba, mas o foco nosso é a gente conseguir fazer umas quatro casas no ano, certo? [música] A gente tem vontade de fazer até mais. Sim. Mas, infelizmente, por enquanto a gente não consegue. É, é três, já conseguimos fazer quatro, mas tá tá ali, tá, tá indo. Mas vem umas duas [música] casas por semana para mim, contatos que vem de boca a boca. Outro outra outra situação que eu tenho que tomar cuidado Uhum. que eu não posso mexer [música] com casa de parentes. Entendi. Certo. Tipo assim, ah, [música] eu tenho um tio meu que indicou a casa de um outro, porque aí fica complicado, porque daí dá da é favorecimento. [música] Eu não posso favorecer ninguém, eu tenho que ser neutro. Entend como tanto eu como qualquer um da [música] diretoria que dá a palavra final, porque não sou eu que dou a palavra final, tá? É uma responsabilidade, [música] né? É, eu não sou eu que dou a palavra final. Uhum. Eu escolho, faço a triagem, levo paraa diretoria, o pessoal é assim, assim, assim, a [música] gente fez. Aí a gente decide num conjunto acordo isso, num conjunto. A gente decide e fala: "Ó, essa casa tá [música] é a pior de todas. Pior é o modo de falar, é a que mais necessita e a que mais encaixa." Eu anunciei, aí eu dou um tempo pra família sair da casa, porque ela tem que sair, [música] certo? Ela a responsabilidade ficar na casa de um parente. Quando não tem, a gente a gente ajuda, mas a gente precisa que a família também se mova um pouco, que não seja [música] tão fácil, né? Aí no mais no máximo um mês e meio já tá com a casa de volta no no E eu falar: "Tomei sua casa, agora só vou te devolver daqui um um mês e meio, mês aí quando aí quando tá pronto a família chega, é aquela emoção, né? [música] É, é assim, é uma, é um sentimento meio meio meio difícil de se de se explicar. Nessa última casa, o Márcio era a a dona Maria Helena e o Márcio. Uhum. Geralmente é a mulher que se emociona, certo? Ela a mulher e eu achei que essa mulher ia dar trabalho, ela tem um problema de audição, tal. Não, mulher foi firme, né? falou direitinho, ficou firme. E eu fiquei quando geralmente quem entrega a casa é o Fernando, que ele fala mais bonito, tal. Aí ele entrega a casa para pra mulher e eu fiquei, eu fiquei dentro da casa, fiquei pro lado de dentro do muro. Aí ficou uma engenheira junto comigo. Aham. E ficou mais uma [música] mocinha. Aí fiz entregaram a casa e eu tava abrindo a janela. A dona Maria Helena saiu para falar com o Fernando, agradecer os voluntários, que eles ficam tudo na frente da casa. Sim. E o Márcio ficou lá dentro. [música] Ele ficou emocionado. Olha, eu nunca vi na em em 14 docilar que eu fiz, eu nunca vi um homem se emocionar daquele jeito. [música] Ele olhava todos os detalhes. Ele tava chorando. Ó, ó. Não é difícil. Então é uma emoção meio meio complicada da gente falar. É e passar. Já chorei bastante. Hoje a gente tá mais [música] eh, vamos dizer, calejado, vamos dizer assim, mas é emocionante ver que o que o docilar faz transforma a vida e transforma para valer. Transforma, porque não é só, a gente não tá falando da construção de [música] uma parede, de um teto, é muito mais que isso, né? Vai além do que simplesmente [música] um teto. É muito mais. É muito mais. a gente tá mexendo no no na no ego da pessoa, na autoestima da pessoa, porque [música] no fundo no fundo a gente muda isso. Teve uma casa número seis, se eu não me engano, era do é o pai e a mãe e uma menina. Uhum. A menina, se eu não me engano, tinha 18 anos. Se olhava no no no no Instagram dela, uma menina [música] fechada, não sorria para ninguém, não conversava com ninguém, só tinha coisa de suicídio. Nossa, no Instagram dela só era depressiva, né? Ela é ela é muito depressiva. E a gente tem umas mulheradas no docilar que é top, certo? Muito. Ficaram sabendo tal, conforme foi construído, compraram batom, compraram um monte de coisa. [música] Resumindo, depois da obra a gente foram foram ver os o Instagram dela, já não tinha mais nada de suicídio, já era uma coisa, voltou a estudar, ela não ia não ia pra escola, [música] voltou a estudar. Então, quer dizer, o docilar ele, ele mexe com a família. E e Edson, depois vocês fazem esse acompanhamento, vocês ainda continuam visitando para saber como que tá [música] essa família, porque tem esse acompanhamento depois, né? Porque fica uma amizade. [música] É, então aí é o seguinte, ó. O docilar ele vai até um ponto, certo? Entregou projeto docilar, ele vai entrega a fam. Uhum. A gente não volta mais, tá? [música] E a gente tá com tentando fazer um projeto de ter uma assistente social que faz um pós, entendi. É obra, entendeu? Para dar, porque queira ou não queira, as pessoas [música] são cumulativa, elas eh t medo de perder e ficar sem nada, começa a acumular, porque a arquiteta tem hora que vai lá, ela ela fala: "Meu Deus, quanta [música] coisa!" E as pessoas têm esse medo. Sim. E a gente tá com projeto aí de colocar um assistente social e ir além que a gente entregou a casa a beleza para ter esse [música] outro suporte, né? É. Agora aí o que que vai acontecer? A assistente social vai dar uma eh uma estrutura pra pessoa e ensinar ela que ela mudou de vida. Ela tem que entender que ela mudou de vida. E mas esse é um projeto que a gente não tem ainda. [música] A gente tá caminhando devagarzinho, devagarzinho, mas a gente vai chegar lá. Vai chegar lá. Muita coisa ainda está por muita coisa. É muita coisa pra gente [música] vai vir uma extensão aí do docilar. Ah, a gente tem tem vários projetos aí que a gente [música] tem que devagar, não adianta, senão a gente atropela tudo. Mas devagar chega lá, né? Chega lá, com certeza. Obrigada [música] pela participação, parabéns pelo trabalho, viu? Ob. Obrigado. Vamos conversar agora com a Ana Paula Sanchez. [música] Ela que é arquiteta e responsável pelos projetos do Docilar Lar. Seja muito bem-vinda, [música] Ana Paula. Muito obrigada ao programa Mão Solidárias. Bom, pra gente entender melhor um pouquinho, né, do seu papel dentro desse projeto. Há quanto tempo você faz parte do projeto docilar? Eh, eu tô desde o segundo [música] projeto, né, da segunda casa. Eu sou arquiteta e eu o meu papel principal é ter um olhar sobre a casa, né, e ver o que que aquela casa precisa. né? Porque a gente vai individualmente na casa, olha, ah, essa casa dá pra [música] gente fazer isso, vamos melhorar aqui, vamos melhorar ali ou não dá, como [música] as últimas não tinha como fazer, então tive que fazer um projeto novo. Isso tem tudo dentro assim dos recursos que a gente tem naquele momento, né? Uhum. E e o tempo que a gente tem. E por que que você decidiu fazer parte desse projeto? Como que você conheceu o docilar? Eu conheci por uma amiga que ela conheceu, na verdade na igreja, porque o Fernando, [música] que é o nosso diretor também, ele foi paraa Bragança, descobriu um projeto lá e trouxe para Campinas. E na igreja ele pediu ajuda de alguém assim e ela foi, ela participou no final de semana e daí ela chegou no escritório, falou: "Paula, você tem que conhecer isso que é Harum". E daí eu peguei e falei: "Não, vou ver o que que é isso". E na verdade eu sentia que a arquitetura para mim era um pouco vazia em alguns momentos. Eu falava assim: "Nossa, um médico tem como ajudar, um dentista tem como ajudar e eu como arquiteta, que eu vou fazer, que eu posso fazer além, né, com tudo isso que eu aprendi, né? E daí o projeto caiu assim para mim, eu falei: "Daqui eu [limpando a garganta] não saio". [risadas] Foi onde tudo começou. Foi onde tudo começou. [música] Como que é na prática, Ana? como que você faz todo o planejamento, a [música] escolha dos materiais, eh essa prospecção também, né, com os patrocinadores, [música] com uma ajuda, né, porque vocês precisam de braços, né? Depois da casa escolhida, a gente vai [música] ver as necessidades daquela casa em específico, né? Tudo que ela precisa. Eu vou ver os móveis [música] que a casa tem, eu vou ver se aquela casa vai precisar eh de um ambiente a mais, que muitas vezes é só um cômodo, às vezes a gente amplia só, né? Daí eu vou olhar tudo que precisa na casa, tanto de móveis [música] como de estrutura física. E daí eu vou começar a ir atrás de patrocinadores [música] específicos para aquilo, né? De materiais específicos para aquilo. A gente [música] tenta até aproveitar alguma coisa da casa, porque eu acho que existe uma coisa chamada pertencimento, né? Eles gostam de ter, se a gente vê que ele tem um móvel que ele gosta, a gente recupera, a gente melhora. Tem isso também, né? E a gente conversa muito com a família também, que muita casa é acumuladora. Entendi. Então a gente conversa com eles para [música] eles eh quando a gente faz uma pré-obra, eles saem uns 20 dias antes e a gente é tudo com esse tem esse planejamento, porque eles precisam ficar em algum outro lugar, né? Eles precisam [música] ficar em algum outro lugar. Então geralmente é família deles, alguma coisa assim. E a gente conversa para eles tirarem tudo da casa. E nessa conversa deles tirarem tudo, a gente já fala para eles para eles doarem o que eles não usam, ficarem só com o que eles usam, né? E eles não sabem o que a gente vai fazer, entende? É uma surpresa. A gente pede carta branca e e eu vejo as coisas que eles têm carinho, [música] que eles gostam e recupero também, né? E tem uma pré-obra e depois a obra no final de semana com todos os voluntários. E daí com isso, com os meus parceiros, principalmente meus parceiros profissionais, sabe, muita loja assim, [música] sabe que eu participo e se disponibilizam a ajudar, né? Então eu consigo muito [música] parceiro dessa forma. Um parceiro nosso grande foi um cliente meu. Sim. Então [música] a gente vai conseguindo conversando e com a nossa credibilidade, né? Eh, que eles sabem quem a gente é, né? Que tá tudo certinho, a gente [música] é todo regularizado, né? E daí eu vou conseguindo o que eu preciso para cada obra. E nesse momento, né, dessa escolha, dessa ajuda dos parceiros, tem uma certa dificuldade e um desafio pela frente, né? O que que você enxerga nesse nesse período, né, desde o momento que você entrou no projeto, qual que é a parte mais [música] desafiadora, Ana, para você como arquiteto? Olha, eu acho que o mais difícil pro docilar é conseguir recurso financeiro, [música] né? Porque voluntários, graças a Deus, a gente põe no Instagram [música] e sempre vem vem sobrando, sabe? Então, a gente vê que as pessoas estão dispostas a ajudar quando acham um lugar que elas gostam de ajudar. Então isso não é um problema pra gente. Agora o financeiro, porque a [música] gente consegue doação de móveis, a gente consegue às vezes doação de iluminação, a gente consegue doação dessas coisas, mas o financeiro é uma coisa mais pesada, porque a gente tem que pagar um pedreiro. Não pode um pedreiro largar de trabalhar por 20 dias para fazer uma pré-obra pra gente, né, que é a obra mais bruta, eh, é a obra [música] de de ter que fazer um encanamento que não dá para fazer no final de semana, porque tudo que a gente puder fazer no final de semana a gente faz. [música] Então, o patrocínio financeiro é o mais difícil pra gente. E Ana, eh, vocês também executam a obra do zero. Tem situações de famílias que não tem nada ou que perdeu em algum momento da vida e vocês [música] precisam começar do zero mesmo? Sim. A gente sempre teve pra gente que do zero a gente não faria, era a reforma, tá? Uhum. Mas começou a surgir situações [música] que a casa estava lá, não é um terreno que chega pra gente, a casa estava lá e a gente foi com o propósito de reformar e a gente chegou [música] e não tinha condições de reformar. Então essas casas nós optamos a fazer do zero. Até agora foram duas [música] casas, né? E é assim, foi uma realização, né? Porque acho que é uma surpresa maior ainda pra família, né? Sim, com certeza. Então, foram duas casas que a gente teve uma préobra também de 20 dias. Essa obra [música] aconteceu em 20 dias. É uma coisa rápida e é um tempo assim, né, que é fora do normal, completamente fora normal. O do zero que a gente, [música] quando a gente faz, a gente levanta, faz a fundação, levanta as paredes, coloca a janela, quando muito telhado [música] e deixa os caminhos pra elétrica acontecer, né? E daí no final de semana realmente a gente faz a casa toda, porque daí faz [música] a parte elétrica inteira da casa, faz muita parte de civil, instalação sanitária, [música] pintura, eh termina todas as partes de civil que ainda não conseguiram [música] ser terminadas. A gente faz toda a parte de decoração, de mobiliar a casa, faz uma faxina também grande para entregar a casa, né? [música] Então, no final de semana na dozera também é bem puxado. E são mais ou menos quantos voluntários? [música] Esse último a gente estava com 64 voluntários. Depende também da do projeto, né? Depende do projeto, mas geralmente nunca baixo de 50. Muita gente, né? Bastante gente para [música] para coordenar, mas a gente se coordena bem. 20 dias, então, né? o tempo da obra e depois como que é a ver, né, a pessoa ali olhando a a casa. É o é outro mundo para ela, né? Uma outra uma realidade bem diferente, [música] né? É. Ah, é uma emoção, porque a gente, principalmente a gente, né, que vê como a pessoa vivia [música] antes, que a gente às vezes não imagina que tem pessoas tão próximas da gente, em bairros tão próximos da gente, [música] vivendo nessa situação, tá? A gente já teve casas que foi do lado de Guatemi, então quer dizer, não tá tão longe. É, né? E a hora que a gente vê que a gente fez [música] missão cumprida, que a gente entregou a casa e assim deu certo. Mais uma. [risadas] E hoje para você como arquiteta, né? Como que você enxerga isso? Hoje preencheu aquilo que faltava para você? Preencheu, preencheu, preencheu. Mas eu quero preencher mais. [risadas] Quero fazer mais. preencheu. [música] Eu acho que eu eu devolvo um pouquinho para pra sociedade tudo aquilo que [música] eu aprendi, né? E se cada um puder fazer um pouquinho disso que sabe, do que sabe e devolver um pouquinho, eu [música] acho que a gente vai viver numa situação muito melhor, sabe? Sem esperar muito de poder público, de isso acontecer, disso, aquilo. Se a gente fizer, dá certo, a gente consegue, sabe? E eu acho que o docilar tem uma coisa legal também. que muitos voluntários é primeiro voluntariado deles. Uhum. Então, [música] forma-se uma família e eles veem que não é difícil ser voluntário, é prazeroso, é gostoso, eles se divertem, então a gente vê que depois eles se voluntariam [música] em outros lugares também. Então eu acho que essa parte também é importante. A gente trata nossos voluntários com muito carinho. Então você acha que o projeto ele [música] para ele continuar vivo, né, para manter precisa dessa ajuda de mais voluntários e também o [música] recurso, né, que você disse, o recurso financeiro. Sim. Eh, o docilário é [música] feito de voluntários e de patrocinadores, né? A gente é só um meio para fazer a coisa acontecer. A gente tendo os voluntários e os patrocínios, [música] a gente vai embora com o docilar. Qual que é a sua visão daqui pra frente então Ana, com esse projeto e você como arquiteta continuar aí nesse sonho de tantas famílias, né? [música] A gente quer que o docilar cada vez faça mais casa, ajude mais famílias e a gente tem um legado aí que a gente quer deixar que o dia que a gente não puder fazer mais, que outra pessoa assuma e vá também, sabe? a gente brinca que a gente já tá mais velho, então que a gente quer que o pessoal novinho, que é o voluntário novo, que a gente valoriza muito, que eles fiquem com a gente, que depois siga o docilar, [música] né? A gente não quer, independente de quem esteja na diretoria, que o auxiliar acabe. A gente quer que ele continue. É isso. Obrigada pela participação. Obada [música] [música] foi o mão solidárias de hoje. Espero que você tenha gostado e você pode acompanhar na íntegra pelo portal tvcamaracampinas.com.br. Te vejo na próxima edição. Até lá. เฮ [música]