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Olá, começa agora mais uma edição do Mão Solidárias. E nessa jornada de conhecer histórias inspiradoras, vamos conhecer a história da Associação Terapêutica Cristã aqui da cidade de Campinas, com a fundadora da Associação Luzia Chagas e também consequentemente vamos conhecer a história dela. Seja muito bem-vinda ao programa e obrigada também por nos receber. Obada. Eu que agradeço. Bom, primeiramente fala pra gente um pouquinho sobre a história da fundação, como que ela foi fundada e é claro que houve uma dor, né, por trás disso tudo. Conta um pouquinho pra gente. É uma história de amor essa associação. Eh, eu sempre trabalhei com com retiros, sou católica, né? E eu sempre gostei de trabalhar com retiros, eh, com jovens, casais. retiro aberto, sabe? Era conforme a demanda que as pessoas traziam para mim, era o trabalho que eu desenvolvia. E aí chegou um tempo que a gente começou a fazer muitos muitos, muitos encontros. E aí, num desses encontros, eh, eh, eu tive uma experiência, eu tinha um programa de rádio na época e eu sempre contava meu testemunho. Não vou te contar o começo do meu testemunho porque ele é bem pesado. Contar daqui pra frente. Sim. E aí eu fui, nós estivemos no encontro de casais e nesse encontro de casais tinha muitos casais com muita dificuldade de relacionamento, problema de alcoolismo, problema de adultério, separação, tava assim terrível. E aí a gente foi para esse encontro, é, que foi o meu último encontro antes do acidente. Aí terminou o encontro, tudo. Eh, na segunda-feira, na terça-feira eu fui pra rádio eh ter o programa, que o programa era só em Deus que a gente fazia. É, tinha uma audiência boa, tudo. E aí chegando na rádio, eu terminei eh o programa de rádio dando meu testemunho. Eu dizia assim: "Aconteço o que acontecer, eu jamais vou deixar de servir a Deus, fazer o que eu sempre fiz. Saí dali, fui pra casa da minha mãe e eu estava muito cansada, um tempo assim bem agitado na minha vida. Eu sou agitada, né? Dá para perceber. Hum. E e foi um tempo assim bastante agitado, loucura mesmo. E aí eu eu fui tinha que levar meu filho para buscar meu esposo que trabalhava na TV século XX. E aí meu filho fazia muitos desenhos, né? E nesses desenhos que ele fazia, eh, como ele tinha tinha ficado desempregada, eu falei: "Vamos buscar seu pai e de lá a gente passa no Carrefur pra gente poder comprar eh a como é que fala? mesmo quadro para colocar os quadros dele, os desenhos que ele fazia os desenhos dele. E quando a gente foi, eu senti muito sono no caminho e cheguei a entrar dentro do Carrefur antes de de pegar meu esposo lá em Valinhos, mas meu filho não deixou eu ficar, falou que que ele conversava comigo e aí nós fomos pra associação. Quando chegou ali, nós passamos em frente a Santa Casa de Misericórdia ali de de Vale, passando embaixo da ponte. Eu eu não sei eu não sei falar até hoje, sabe? Se eu desmaiei, se eu realmente eu dormi ou se eu tive um apagão. Eu sei que eu fui com o carro, minha sobrinha atrás, meu filho do lado, fui com o carro a andando com o carro, só Deus sabe como eu fui parar a hora que eu bati numa árvore e da árvore saiu uma lasquinha assim. E dessa árvore custou a vida do meu filho. Agora pensa mamãe dá a vida, depois com a minha atitude ali, você acaba tirando a vida do teu filho. Foi muito triste para mim, sabe? Muito mesmo. Eu quebrei a bacia, ele triturou quase tudo no corpo dele. Até hoje a gente não consegue entender. Enfim, ele foi pro hospital, ficou internado, ficou em coma e eu também fui pro hospital. Aí assim, eu não sabia que ele estava tão mal assim, sabe? E um determinado momento eu fiquei sabendo que ele tava com as medas dilatadas, né? Aí eu desejei morrer, desejei do fundo do meu coração morrer. Aquele momento para você acabou. Mom, acabou. Acabou. Aí, eh, isso foi numa terça-feira, eu entrei num coma, eu tive uma parada respiratória, eu entrei no coma. E nesse período que eu entrei no coma, eh, minha família tava todo mundo lá, né, no hospital. Uhum. E eu não consegui ver meu filho direito, sabe? Eu sei que no período que eu entrei em coma, foi o período que Deus recolheu ele, sabe? Ele, eu entrei em coma numa terça-feira e ele faleceu numa quinta-feira. Eu vejo assim que Deus foi tão bom para mim que ele permitiu que eu entrasse naquele corpo para poder tirar meu filho, porque eu não ia suportar. Porque você nem viu esse momento acontecer, né? Não vi. Aí eu sei que ele entrou, ele faleceu. Aí foi assim o período da minha família. Cuidado de todo velório, cuidado inteiro, cuidado de tudo. Ninguém precisava ficar comigo, né? Porque eu tava na UTI em coma. E aí, enfim, foi assim o maior trauma da minha vida, né? E que eu não desejaria que ninguém passasse pelo que eu passei. Fiquei com muita culpa, muita mesmo. Fiquei depressiva, andei passando muito mal. Eh, tentei contra a minha vida, acho que umas três vezes, sabe? Porque era a dor era imensa, ninguém ninguém suportaria mesmo, né? E ninguém consegue, né, imaginar o tamanho dessa dor, né? E aí depois de 33 dias, eu saí do hospital, que eu tive aquela doença que chama síndrome de barrier, que você fica com o corpo todo paralisado. Eu saí do hospital, carrego por quatro homens num lençol, me levaram para casa, eu só chorava. Enfim, foi em consequência do acidente mesmo. Foi em consequência do acidente. Aí, eh, aí eu, eu continuei com meus encontros, mesmo sem andar de cadeira de roda, o pessoal me levando, eu continuei indo pros encontros fazendo que não mais como eu fazia antigamente, né? Aí quando foi um dia, eu resolvi confessar, já tinha confessado várias vezes, eu fui confessar com um padre amigo nosso e esse padre ouvindo todo o meu choro, que eu só chorava, né? ouvi todo o meu choro, todo aquilo que eu que eu tava sofrendo. Acabei a confissão, ele pegou, saiu de trás da mesa, veio e me pegou assim pelo ombro e falou para mim: "Luia, olha bem pro meu rosto, olha bem para mim". Eu olhei, ele falou: "Se você desejou alguma vez a morte do teu filho que se chama Juninho? Você desejou? Não, você premeditou". Então assim, ele ele me prensou naquela hora. Ele me deu um choque de realidade. Então, para, pelo amor de Deus, para. Você ainda tem a e você tem o Paulo para você cuidar. O lugar do Juninho tá vazio. Vai procurar um jeito de preencher esse lugar. Você tem muito amor para dar. Uhum. Eu saí de lá assim, não tava lá muito bem e a gente tinha uma casa de herdeiros que hoje ainda é o escritório da TC, né? E a gente tinha uma casa na Vila Teixeira. Nós reformamos toda a casa, cuidamos da casa. E um dia eu estava num grupo de oração e uma pessoa ligou para mim, Luzia, foi o nosso primeiro interno. João Batista tá querendo falar com você. Ele tá saindo da PUC agora. Ele disse que não vai mais para casa. Ele quer ir onde você tá. Falei: "Jesus amado, como é que faz isso, né?" Eu falei: "Faz o seguinte, leva ele então pra Fixeira que eu tô indo para lá". E na hora um dos meninos que hoje faz parte da diretoria até hoje, o Luiz Pais foi comigo e o João ficou lá na casa. A casa não tinha nada, a casa tava limpa. Nós saímos nos vizinhos pedindo as coisas, a mesa, panela, fogão, as coisas que eu tinha na minha casa, levei tudo da test. Mas foi sem pretensão ali naquele momento, né? Foi só uma conversa, tentar ajudar de alguma forma. É, não, mas a intenção era ficar com ele. Ele já era ficar com ele. J E eu sempre gostei muito de trabalhar nessa área de dependência química. sempre, sempre levei o João. Passados uns dias, quando eu abri meus olhos, eu já estava com nove homens dentro de uma casa que a cozinha era pequenininha, a sala o a a sala também era pequena, os quartos era dois quartos pequenos também. Eu tinha nove homens pendurados nas belías que eles mesmo faziam, sabe? E aí foi acontecendo, aí a gente começou ali a comunidade terapêutica. Uhum. Eh, dali nós fomos pro Jardim Aurélia, uma casa onde a gente conseguiu ter homem, 11 homens. Depois nós fomos para uma chácara em em Montemor. Uhum. Eh, de lá nós fomos para uma outra chácara, estado Rio Acima. Eh, ali era um sítio mesmo, sabe? E foi assim os momentos mais gostosos da minha vida. E a gente tinha esses homens lá e eu cuidava deles com muito carinho, sabe? Foi um momento que você ressignificou a sua vida, a sua história, né? E e assim, se eu falar para você que era difícil aqueles homens não se recuperar, porque ali a gente trabalhava a laborterapia, a gente trabalhava os 12 passos, a gente trabalhava espiritualidade, trabalhava, fazia terapia de grupo, fazia terapia individual, tinha um médico acompanha a gente até hoje, Dr. Rocha, que fazia trabalho com eles. E a gente tinha bastante gente, todo voluntário, que a gente não tinha dinheiro para nada. A gente conseguiu uma verba prefeitura para pagar aluguel. O restante dos profissionais era tudo era tudo eh eh voluntário que nos ajudava. E a gente ficou lá durante um bom tempo. Depois em 2005 a gente veio paraa Hortolândia. Uhum. Numa chácara que o bispo de Campinas, que faleceu, o Dom Bruno Damerini, doou para nós uma chácara ali em frente ao presídio a Taliba, sabe? uma chára com um lugar com três chá do jeito que ele for escolhe do jeito que vocês querem porque ele viu o trabalho, né, que era bom. Muitas pessoas se recuperaram, famílias que a gente muitas pessoas acreditaram, né, no trabalho. Sim. E a gente não fazia só o trabalho com os meninos, a gente fazia também com os pais, com as esposas, sabe? Quando os filhos entravam de féria, eles iam eles iam ficar com a com os com os pais para não perder o vínculo, sabe? e também ensinar os pais a ser pai, tudo isso a gente fazia lá. E foi um momento muito bom, muito bom mesmo. Aí passou o tempo, bastante tempo, né? Quando foi em 2017, final de 2016, eu tava muito cansada. Meu esposo já tava dando sinais que tava eh não estava bem de saúde. 2017 a gente eu voltei paraa minha casa, eh fechei a comunidade e voltei para casa. Só que aí eu eu tava insatisfeita, sabe? Veio o vazio novamente, né? O vazio novamente. Falei: "Não, não é possível, né?" Aí quando foi em 2017, em março de 2017, eu voltei a abrir de novo a mesma casa que eu comecei. Nós abrimos lá, começamos a fazer atendimento. Eh, aí as psicólogas, muitas psicólogas, amiga minha, sabe, que sempre conheceu o nosso trabalho e iam lá para atender as pessoas. E nós ficamos lá um bom tempo atendendo dependentes que eu lá, até que surgiu eh um eh como é que fala mesmo? A a prefeitura soltou um edital para poder pegar o abrigo. Aí a gente não tava com com a comunidade, né? Aí a gente resolveu pegar o abrigo. Aí fizemos o edital, tudo regulamentou tudo certinho, né? Sim. tudo direitinho. E aí a gente começou a abrir o abrigo e tanto que esse abrigo hoje o nome que leva é Juninho, é do meu filho, eh, casa Juninho. Então assim, eu fico muito feliz, sabe? Aí há pouco tempo atrás eu eu perdi meu esposo, eu tive que parar com tudo, né? Que meu esposo faleceu e foi um bac muito grande para mim até hoje o bac. Mas a gente tem que continuar, né? Porque essa essa associação, o abrigo, tudo, eh, tem um significado muito grande para mim, sabe? Muito mesmo, sabe? Hoje eu tô um pouco afastada porque eh eu tô me refazendo ainda de tudo que eu vivi, né? Ainda tá se recuperando de tudo, mas ainda com o propósito de ajudar outras pessoas que de alguma forma passa por alguma situação, né, de vulnerabilidade mesmo ou de alguma perda. E é isso que você tenta resgatar, né, com essas pessoas mesmo na dor, mas tem o amor também por trás de tudo isso, né? Tem o amor. E hoje a gente, a minha luta maior hoje é para nós reabrirmos a comunidade terapêutica. Uhum. Porque a redução de danos tem sucesso, claro que tem, mas a recuperação não é difícil, não substitui, sabe? A recuperação é é muito boa, porque é 9 meses de internação e você fazendo todo esse tratamento com ele, sabe? Então assim, vale muito a pena. Então agora que que a gente tá fazendo? Estamos fazendo eventos agora mesmo. A gente vai ter um jantar aí 12 de setembro nós vamos ter um jantar beneficente que vai ser lá no no clube da Vila Marieta, né? R$ 100 por pessoa. Por que que a gente tá fazendo esse jantar? Porque a nossa esperança é conseguir abrir uma comunidade terapêutica, reabrir de novo, reabrir. Isso precisa de de profissionais, né? Uma equipe multidisciplinar. Seria mais ou menos dinheiro também, né? E de dinheiro também. A gente precisa hoje nos tempos que a gente tá vivendo, precisa ter pessoas que olhem para essa situação que o mundo tá hoje, né? Que hoje tá assim terrível. A questão da dependência química tá assim tomando conta de tudo. Você anda pela cidade, é só o que você vê. Agora você vai para os bairros, a mesma coisa. Tudo bem que uma casa não vai salvar campinha. Tem crescido demais, né, essa questão da situação de rua, né? Moradores em situação de rua de vulnerabilidade e precisa braços, né? Pessoas que realmente acreditam na transformação e que dão, né, essa oportunidade para essas pessoas, né Luzia? hoje, eh, como que é feito esse atendimento, né? Você comentou que tem esse prazo de 9 meses, eles permanecem aqui, eles moram aqui, né, de fato, alguns têm trabalhos ou não. Como que funciona essa questão mesmo para essas pessoas? Eles conseguem de fato se recolocar no mercado também de trabalho com ajuda de vocês? Sim, que a gente tem uma equipe, né, de de técnicas aqui e elas fazem todo um trabalho com eles. Uhum. De conscientização, eh, ajuda eles a arrumar emprego, ajuda eles eh rever os documentos deles. Tem uns até que eh que vai pra escola, não sei se tem alguém aqui hoje que vai pra escola. Então assim, elas tentam e a a equipe tenta dar toda essa assistência para eles. Tem uns que estão na mão amiga que lá eles aprende também a trabalhar. E também tem toda uma parte que depois acho que a Elane vai est explicando para você melhor, né? Mas assim, o trabalho do abrigo também ele não é não é ruim, é bom, sabe? Mas tem muitos que não conseguem ficar só na na redução de danos. Tem muitos que quando sai acaba recaindo. Uhum. E é muito frustrante pra gente quando a gente percebe que eh porque você tem que trabalhar o cara inteiro, você tem que trabalhar a família, você tem que trabalhar todas as partes, né? Todas as partes. Ele é um todo, né? Uhum. Então, é a minha indignação de de não tá conseguindo hoje eh eh ter essa comunidade para colher aqueles que precisam, que tem uns que vem para cá e pede ajuda, que quer entrar na abstinência mesmo. Tem muitos, acho que as meninas vão convidar para você, tem muitos que vem para cá e querem entrar na abstinência, né? E abstinência só é internado mesmo, né? Então, a nossa vontade hoje, principalmente minha como fundadora, eu vejo que que não acabou ainda, que Deus não precisa muito de mim. Eu vejo que que não encerrou meu legado aqui ainda, sabe? E hoje até quando eu cheguei aqui escutando as meninas falarem, a Thaís, a Ilane contando um pouco, eh, falando um pouco de mim, né? Eu falei: "Nossa, Thaís, você levantou o meu autoestima". Você falou tanta coisa e eu me senti um pouco mais poderosa de novo, que tem hora que a gente fica lá embaixo, né? Fica com autoestima lá embaixo, tenta as coisas, não consegue. Mas aí quando alguém vem e te dá um elogio, ajuda para cá, ajuda muito, né? Você vê que realmente tem importância aí muito, né? não só para as meninas que trabalham aqui, mas também pros moradores que estão vindo aqui. E a gente até percebe, né, como que é gratificante para eles esse acolhimento. Talvez eu vou, você comentou que esse é um dos desafios, né, ter um voltar a ter a parte da comunidade, mas é só o começo, né? Muita coisa ainda tá por vir. E a gente vai conhecer um pouquinho mais da história, então aqui da associação com a Elane, né? A gente é no segundo bloco a gente vai conversar um pouquinho com ela, que ela vai trazer informações sobre o projeto, sobre toda a parte da coordenação. E também a gente conversou com alguns moradores, né, que fazem aqui todo um tratamento também. Então não saia daí que o mão solidárias volta já já. Natanaëlel tinha um emprego fixo, casa e família, mas os vícios falaram mais alto. Por conta da dependência, ele abandonou tudo e passou seis meses morando nas ruas. Mas hoje ele vê o mundo com outro olhar e está pronto para recomeçar. Basicamente porque eu tive uma pequena controversa na minha vida, né? Aí no passado acabei caindo na rua. Como eu falei antes, eu sou profissional, tenho várias profissões, sou motorista, mas enfim, foi algo que aconteceu comigo e eu não conhecia esses programas aqui, não conhecia Centro Pop, eu não conhecia eh SOS Rua. Através do SS Rua que eu fui conhecer o Centro Pop, que é o Pop 2, onde eu frequentava antes, que agora não posso, como eu tô no abrigo, né? tem que ir no abrigo. E o que acontece? Fui pro Santa Dú, agora me transferiram para cá. E para mim tá sendo, nossa, um pontapé inicial da minha vida novamente, né? Porque como eu falei antes, eu tive boas coisas na minha vida e aí aconteceu de ter abandonei minha casa. Você ter uma ideia para parar com composividade. Mas esse lugar aqui para mim é aqui eu tenho tudo que eu preciso, né? Eh, comida. café da manhã, é uma cama quentinha para dormir. O cuidado de das psicólogas, da ciência social, que eu falo que é é mais que uma família para mim, tipo, eu acho que nem minha família me trata como os artes centratam, as pessoas educadoras, se falando da Zia, a nossa educadora, que para mim é uma das melhores, então não tô puxando o saco, não, mas é verdade. E o que acontece? Eu tô andando devagar, espaços curtos, mas se Deus quiser, vou chegar lá onde eu quero novamente. Tô pretendendo voltar a estudar, né? Que como eu parei no primeiro ano, para mim acho que vai ser um pouquinho mais fácil. Tem vontade de fazer o Enem, né? Seria bom se ficar com cabecinha careca. Mas enfim, é isso, cara. Minha vida tá, eu, eu sou um cara que, tipo, como eu posso dizer, eu sou meio emocionado. Primeiramente, ficar na rua, eu tive que abandonar a minha casa para poder e fui pra rua por consequência de que eu tava com o uso muito compulsivamente dentro de casa. Eu trabalhava registrado e para mim foi um uma saída, abandonar a minha casa e ir pra rua. Tanto é que eu passei na rua seis meses dormindo, dormindo ali no na catedral em frente o Itaú. Eu dormia lá passei seis meses limpo, tinha minha vendinha, aí eu falhei, né? O que aconteceu? Fui morar numa pensão, na pensão eu recaí de novo. Aí foi quando eu eu comecei eh a ir frequentar o Centro Pop, já tava trabalhando no Bom Prato. Trabalhei no Bom Prato um ano, quase um ano. Saí por causa devidamente est aqui no tratamento, né? Mas aqui tá sendo muito bom para mim. Minha mãe se aproximou de novo de mim. Então isso tá sendo sem palavras. E qual que é o seu plano daqui paraa frente? Ah, são tantos, são tantos planos, cara. Eu vou dizer que tem um tempo, quando eu morava no Rio de Janeiro, eu pedi para Deus me dar uma família. Deus me me colocou uma uma ex-namorada de muitos tempos de novo na minha vida. A gente voltou, sou do Pará, né? E que acontece? Não dei valor, perdi. E a minha meta é ter uma vida, situação financeira melhor, eh conseguir colocar na prática os projetos que eu tenho e poder, não que eu não gosto de estar no abrigo, mas eu gosto de ter minha liberdade, eu gosto de pegar, sentar no meu sofá, assistir minha TV, sabe? Eh, são pequenas coisas que fazem a diferença para mim na minha vida. Então, é isso que eu almejo, sabe? daqui pra frente você vai levar todo esse conhecimento, todo esse tratamento que você teve aqui, mas em um outro lugar, né? uma transformação na minha casa, se Deus quiser, logo logo, logo logo. Mas eu sempre falo pros pessoal assim que eu sempre vou voltar para estar perturbando eles um pouco, porque, tipo assim, é gratificante. Mas, enfim, é o que eu quero, é o melhor daqui pra frente. Eu espero um, se eu tropeçar novamente, eu espero que seja um tropeção rápido, que eu possa me levantar de novo e continuar a caminhada. O que me trouxe devidamente foi tava vulabilidade social e percebi que meu não na rua seria mais, né, caótico para mim devidamente a situação a qual nós se encontra. E graças a Deus aí encontrei essas pessoas maravilhosas aí, esses profissionais aí que se dedica bastante, né, que eu não podia estar na casa deles, mas porém aí tá se dedicando, tirando um pouco do tempo deles aí para conosco, né? E para mim é muito gratificante se encontrar aqui. Eu já tive outras casas de passagem antes, eh, por tive várias oportunidades de empregos. Atuei em Campinas, tive um uma oportunidade de fazer uma peça de teatro e hoje eu me encontro bem, graças a Deus, cada dia melhor e é isso. E melhorando cada dia mais. Autonomia, né, é a grande perspectiva da minha parte. e profissionalmente, né, também constituir uma família. E eu fizo isso aí, né, para me tornar um ser humano melhor a cada dia. E é isso aí o meu propósito em primeira instância. Mas vamos devagar, né, que é tudo um passo de cada vez. E qual foi a talvez maior transformação ou até um desafio nesse processo que você está aqui? Então, o maior desafio, né, é nós, tipo assim, eu falo por mim, né, é nós visualizar qual que nós precisa de ajuda, né? Muita da gente estão na rua, às vezes quer na mesma situação do que nós, mas, porém, eles não enxergam que eles precisam de ajuda, né? Então essa aí é uma das minhas melhores, tipo assim, foi uma das minhas decisões assim que mudou eu eu, né, praticamente me encontrar aqui. Então tive que visualizar que eu precisava, né, e que daquele jeito ali eu não ia ter nenhuma perspectiva de vida a qual o ideal que eu quero, que é uma família e profissionalmente me sentir em se tornar um cidadão melhor. E hoje você tá focado então em conquistar tudo isso? Sim, hoje, graças a Deus, eu consigo ter, né, essa perspectiva de vida e tô focado nisso. Primeiramente, aí vou, tentei o Enem, só que devidamente uma circunstância qual que faltou um detalhe ali o que era, mas não fiz, mas provavelmente se mês que ano que vem eu vou me emprestar, me dar essa oportunidade de vida, né? E profissionalmente eu gostaria de fazer teatro, mas decorrendo os anos que passaram aí vai vir oportunidade, né? Eu gosto de desenhar também, gostaria também de fazer com futuramente uma arquitetura paisagística. E é isso que eu tenho assim em mente no momento. Primeiro eu fui procurado por uma médica, né, do posto de saúde lá que cuidava de mim e e essa médica trouxe um assistente social também. E eles me viram a situação, né? Eu tava muito bebendo demais, tava bêbado, né? Tava muito ruim e eles perguntaram se eu queria mudar. Aí eu tava meio assim, meia confusão mental, né, do álcool e querendo, não querendo, mas eu resolvi aceitar mudança de vida. Eu fui trazido pra casa Juninho ainda quando era outra casa ainda de baixo. lá. Eu fui bem acolhido, né, por esse povo que tá aí, que eu não tenho nem desculpa, eu não tenho nem sei como falar desse pessoal que tá aí, que realmente me trataram como alguém assim que fosse da família ou bem melhor. Uhum. E eu também, né, tive vontade, né, de de me ajudar mesmo. Eu tava muito ruim, né? Eu achava que eu não ia sobreviver, que além de dar hemodiar, eu tava ingerindo muita bebida alcólica e fumando demais. E com a ajuda deles, eu cheguei em 2024 e tive uma recaída só, né, que mas mesmo assim eu fui apoiado por eles e graças a Deus eu comecei a ter contato com a minha família lá de volta. Olha, se eu tivesse que que falar sobre a casa Juninho, eu ia passar aqui o resto da minha vida falando sobre a casa Juninho, falando sobre as pessoas que me acolheram e não ia terminar. Então, que falar da casa Juninho, né, e das pessoas que estão aqui, porque foi assim, foi muito, até eles mesmos acharam que eu não ia, que eu não ia conseguir, mas eu tive força de vontade, eles foram me apoiando. Hoje eu moro com a minha filha, moro com o neto, né? Eu não bebo, não fumo. Já faz 1 ano e 7 meses. 1 ano e 8 meses que eu não fumo e 2 anos e meio que eu não bebo. E passei a cuidar do meu neto especial, né, porque ele é especial. E apesar de eu da minha filha cuidar um pouco de mim, eu cuido também um pouco dela, né? Então a gente divide. Para mim foi uma aprendizagem muito grande ter passado pela Casa Juninho, ter aproveitado a oportunidade que eu tive na Casa Juninho. E isso me levou a a não a cura da hemodiálise, que a imodiálise agora é o voo ainda tem um outro passo que é o transplante, mas então tenho outra outra vida, né? Eu tenho vida eu tenho uma vida social muito importante de respeito que eu construí novamente com a minha família. E e é isso, né? Eu acho que a gente perde o respeito muito fácil, né? O homem quando ele desce lá dele, ele desce mesmo de verdade, mas se ele tiver um pouquinho de força de vontade também ele volta. E ele volta por cima, não volta. E Deus também, né? Deus se que tá sempre em primeiro lugar na nossa vida. A Zalia é um dos braços da Casa Juninho. Há 5 anos, ela desenvolve um trabalho de acolhimento, identificando as reais necessidades de cada morador. Na assistência eu trabalho há 8 anos. Eu comecei trabalhando em um abrigo feminino de mulheres. Essas essas mulheres elas tinham alguns filhos, então era um abrigo tanto feminino quanto de criança. E de lá eu vim para cá e trabalho aqui com público masculino há 5 anos. Mas a minha experiência na assistência tem 8 anos. E o que te motivou a trabalhar por esse público específico nessas situações, né, e nesse cenário? Na minha vida, eu sempre fiz trabalhos voluntários, então eu sempre ajudei, ia mais para uma questão de assistencialismo. E aí quando eu começo a trabalhar na assistência eu percebo que é uma outra perspectiva. Então aqui enquanto educador a gente trabalha a questão da autonomia, de poder ajudar os meninos a ter um pensamento crítico, né? enquanto eles estão aqui, ele conta com com os nossos com o nosso apoio, meu e de outros profissionais aqui, porém quando eles saírem daqui, eles terem condições de fazerem boas escolhas pra vida deles. Para você é realmente assim invisível ver essa transformação e participar também, né, dessa modificação deles, desse cenário. Sim, com certeza. por menor que seja a conquista deles, isso é muito edificante, muito gratificante enquanto profissional e também enquanto pessoa. Por isso que a gente tenta aqui no abrigo caso Juninho fazer um trabalho bem humanizado. Quais são as suas atribuições especificamente com essas pessoas? É, enquanto educadora, né, a gente faz todo um acompanhamento. Eu trabalhei aqui 12 horas, então todo um cuidado. A gente faz o os atendimentos, eh, quando eles precisam de de alguma documentação, a gente faz a solicitação, essa ponte com a equipe técnica, dentre várias outras coisas que, né, cada um tem uma especificidade e aí de acordo com as demandas a gente vai seguindo o nosso trabalho. O que representa para você então esse trabalho aqui na sessão? Eu sempre digo que eu sou muito privilegiada, né? Porque a gente trabalha porque a gente precisa, né, financeiramente. Porém, eu tenho privilégio de, além de ter um salário, trabalhar com aquilo que eu amo fazer. Olá, mãos solidárias de volta. Agora nós vamos conversar com a Elane Cordeiro. Ela que é coordenadora, vai explicar um pouquinho pra gente como que funciona toda essa associação, os programas. Seja muito bem-vinda. Obrigada. Boa tarde. Bom, Elane, conta pra gente então sobre os acolhidas, né? Primeiramente os moradores, quantos tem aqui na casa Juninho e como que é feito esse trabalho com eles aqui durante o dia, né? Quais são as atividades? Sim, é um serviço da proteção social especial, né, da alta complexidade do município de Campinas, né, nós somos um serviço hoje cofinanciado e a nossa capacidade é de para acolher 20 moradores, 20 e do sexo masculino de 18 a 59 anos. E como que funciona esse mapeamento, né? Como que vocês acolhem? Tem essa busca ativa, como que é na prática? Ah, não é uma buscativa, tá? eles que procuram os serviços de referenciamento. Aí toda segunda-feira eu participo de uma reunião eh com a rede POP Rua, aonde é distribuída as vagas de acordo com a procura, certo? E durante o dia, quais são essas atividades que que eles fazem, né, para essa transformação, para essa questão da vulnerabilidade? Qual é o a principal missão de vocês? Tá, hoje a nossa principal missão eh no abrigo é acolher sem julgamentos, né? olhar paraa subjetividade de cada um, de cada um dos nossos usuários, dos nossos acolhidos e ajudar a colocá-los de novo na sociedade, né, de uma forma digna, porque assim, cada um tem a sua história, o seu sofrimento, tem aquilo que carrega, né? E nós só estamos aqui hoje para ajudá-los tanto na parte e na documentação com a escola e voltar pro mercado de trabalho e tem esse olhar humanizado mesmo, né? de fato é isso que é o diferencial de vocês. O que que vocês podem dizer de diferencial em relação às outras, né, instituições e o que que vocês passam para eles nesse sentido? É, nós aqui a gente acolhe literalmente com muito amor, né? E as pessoas confundem isso, eh, ah, porque tem que ser muito rígido, muito duro. Não, a gente acolhe, a gente é bem clara, direta e objetiva no nossos princípios aqui para ajudar mesmo, porque não adianta a gente florear pros moradores romantizar o mundo que não existe lá fora, porque as pessoas mais estigmatizadas são eles, né? Então hoje o nosso serviço, né, a o nosso diferencial para o que os demais serviços é isso, é acolher com amor e respeitando cada um no singularidade. Elane, isso é nítido, né, quando a gente conversa com eles, né, inclusive a gente mostrou agora na volta do segundo bloco, né, essa entrevista com eles, eles falando um pouquinho sobre os planos que eles têm também depois que sair daqui. Então eles já têm essa essa visão diferenciada, né? Eles já conseguem enxergar para além, né, do horizonte. Então é perceptível mesmo o momento que eles chegam e até onde eles querem ir. Sim. É. E aí, e ainda quando eles terminam, né, que nem nós temos o projeto mão amiga, né, que ajuda na parte de capacitação e, né, e depois para um para uma profissão, né, eles profissionalizam, eles recebem uma bolsa para isso, né, e após, né, eles que eles saem, a gente ajuda ele nessa organização, eh, tem o serviço de pós-casa, que é onde eles vêm aqui, aí ele passa com a equipe técnica, eles passam até muitas vezes o dia aqui com a gente, aí participa das refeições, da atividade diária. É uma forma de ajudar a mantê-los nesse nesse projeto de vida deles. E tem aquele acolhimento também com as famílias, alguns ainda têm contato com os familiares, vocês fazem também essa ponte, como que funciona? Então, a gente deixa bem à vontade a critério de cada usuário, de cada morador, né? Então, assim, se eles têm esse desejo, né, de ressignificar a história com a família, nós fazemos esse trabalho, sim. Mas a partir da da da autorização deles. E há quanto tempo que você tá aqui nessa função de coordenar, né? Como que você chegou até aqui, eu já passei pela Associação Terapêutica Cristã lá atrás no administrativo, né? E aí depois eu acabei saindo e depois quando a Luzia já estava aqui com o abrigo, aí depois ela me fez o convite para voltar a trabalhar aqui. Então eu iniciei no RH e financeiro, né? E depois a nossa coordenação saiu. Aí foi feito o pedido, o foi feita a oferta para para aceitar a coordenação. Fica muito você. Ah, é desafiador, né? Desafiador porque a gente tem que ter, né? A gente tem um serviço de muita transparência, a gente procura manter assim tudo bonitinho, tudo certinho, não é fácil, é um desafio tanto para com a equipe para quanto os moradores, né? Mas assim, é gratificante. Eu amo o que eu faço, gente. É verdade. Que bom. Dá para perceber essa emoção quando vocês falam e deles também, né? Quando eles remetem as atividades e a vocês também o quanto que isso é transformador, né? Isso talvez é realmente o resultado, né, desse trabalho incrível que vocês realizam. Sim, sim. Eh, eh, eu falo que a gente aprende muito com eles, a gente aprende muito com a história de vida, a gente aprende com cada um e às vezes a dar importância pro mínimo, pro mínimo a gente olha, a gente acaba dando valor, fala assim: "Não, não é possível, é, é transformador mesmo." E hoje como coordenadora, né, qual que é o principal desafio, de repente o maior obstáculo que vocês enfrentam hoje nesse cenário? o que precisa melhorar daqui paraa frente? Olha, hoje eh gostaríamos de ter mais dinheiro, na verdade, para poder capacitar melhor os funcionários, principalmente em questão da saúde mental, né, pra gente poder qualificar mais e e oferecer cada vez mais um serviço de qualidade, né, nesse acolhimento. Então, assim, esse é o nosso maior desafio hoje. E hoje vocês eh recebem doações, a essa ajuda, né, de alguém que deseja participar de alguma forma ou voluntários paraa associação ou para casa, né, para que tem alguma habilidade. Vocês têm também esse trabalho de voluntariado? Sim, sim, nós temos, né? Inclusive, quem quiser participar, só entrar no site da Associação Terapêutica Cristã, que lá tem o nosso contato. E sim, a gente conta muito com essas doações, né? a gente participa de um projeto que que a gente faz arrecadação de alimento. Nosso último evento, nós conseguimos arrecadar mais ou menos uma tonelada de alimentos. Então aí a é o nosso algo a mais, né? Aí a gente arruma uma equipe e a gente vai ser prestar um serviço de staff, né? E fora os outros as outras ações que a gente toma. Toda ajuda é bem-vinda. Toda ajuda é sempre tem vida. Muito obrigada pela sua participação aqui no Mã Solidárias, compartilhar todo o seu conhecimento e deixar essa mensagem para quem está assistindo. Eu quero agradecer novamente. Muito obrigada. Obada. Obrigada. Ciao ciao.