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Histórias de Vida | Eliana Zagui
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Histórias de Vida | Eliana Zagui

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Resumo editorial

Eliana Zagui é uma artista plástica e escritora que contraiu poliomielite aos dois anos de idade durante a epidemia da doença no Brasil na década de 1970. Após passar 45 anos internada no Hospital das Clínicas de São Paulo, saiu da instituição há 6 anos para viver em comunidade. Através da pintura e da escrita, desenvolveu seu trabalho artístico e mantém a mensagem de resiliência e não desistência mesmo diante de dificuldades.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

Eliana Zagui contraiu poliomielite aos um ano e nove meses, durante a epidemia da doença no Brasil na década de 1970, e ficou dependente de ventilação mecânica. Viveu 45 anos no Hospital das Clínicas de São Paulo, onde formou uma espécie de família com outros pacientes, entre eles o irmão Paulo, falecido em 2020. No hospital aprendeu a ler, escrever e pintar: a escrita e a pintura se tornaram seus instrumentos de autonomia, e hoje ela é reconhecida como escritora e pintora.

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Aos dois anos, ela contraiu poliomielite durante a epidemia da doença no Brasil na década de 70. Por conta da infecção, ela perdeu os movimentos e ficou dependente de ventilação mecânica. Mas, em vez de deixar que isso definisse completamente a sua história, Eliana Zag encontrou na escrita e na pintura uma forma de conquistar um pouco de autonomia. E no programa de hoje, vamos conhecer a trajetória dessa artista e escritora. Eliana, seja muito bem-vinda ao Histórias de Vida e muito obrigada por nos receber e nos atender. Muito obrigada a vocês. Para começar, como eu falei no início, você contraiu ali a poliomielite com apenas dois anos, um ano e nove meses, para ser mais específica. Você se lembra, tem alguma recordação? O que seus pais te contaram naquela época também? Bom, meu pai sempre conta diversas, se eu fosse escrever outros livros, eu faria várias versões por causa da fala do meu pai. Mas, assim, eu não lembro de nada, né, que eu saí de lá muito pequena. Mas o meu pai falava que eu andava, que eu não gostava de ficar no colo. Queria andar pela casa, corredor, essas coisas assim, quintal, e é isso, e assim foi, até chegar a doença, né, era uma vida normal, né, de qualquer criança, qualquer pai e mãe, Mas aí a doença foi tomando conta e até chegar o diagnóstico final, né, de que eu tinha poliomielite, demorou muito, né, essa correria de hospital, hospital, ninguém sabia o que fazer, ninguém sabia diagnosticar, assim, dar o diagnóstico total. E aí foi que, no exame do líquor espinhal, que constatou poliomielite. E daí eu já estava comprometida bastante e foi toda a correria de ir para o Hospital das Clínicas de São Paulo, no qual morei 45 anos. Sim, você passou praticamente a boa parte da sua vida dentro de um hospital, né? Cresceu no hospital, passou adolescência, juventude. Como que foi pra você, essa rotina dentro de hospital, passar a vida dentro de um hospital? Bom, gente, não era só eu, eram mais seis, né? Que infelizmente faleceu, né? Cada um em anos diferentes. O último foi o Paulo, né? Que é meu verdadeiro irmão e família. Ele partiu em 2020. Nós éramos uma família lá, né? E por mais que foi uma vida toda no HC, a gente tentava fazer da melhor forma possível, mais leve, sabe, irmão? Pintar, por mais que houvesse dificuldades, revoltas, aquela coisa de sair ou não do hospital, a gente estudou, a gente aprendeu a ler, escrever, aprendi a pintar. Todos ali tinham um projeto, né, de vida, né, e o Paulo era o designer, né, era YouTube, adorava games, né, os outros também, era cada um numa área. Então a gente Como brinca Botava fogo no parquinho Porque Crianças Por mais que eram Todas crianças Aquela coisa Deixaram de brincar Não, a gente brincava A nossa maneira Eu tinha as minhas bonecas Brincava de casinha Os meninos, os jogos carrinho, essas coisas assim então a gente fazia a nossa bagunça deixava o povo de cabelo em pé, ficava de escudo escudo tinha os comparsas da gente funcionários e tal que colaboravam algumas vezes então a gente viveu dentro do HC mas com aquela Coisa de não deixar Tão pesado Por mais que as vezes A gente se sentia revoltado Queria mudar de vida Mas a gente fazia o nosso A nossa Vida De uma forma Gratificada Sabe gente, era muito grato Como eu sou até hoje Sou grato a tudo que eu vivi Por mais que haja dificuldades. De certa maneira, vocês conseguiram transformar ali a realidade mesmo, tendo em vista toda a perspectiva que vocês tinham dentro de um hospital. Sim, tanto é que o nosso quarto, você entrava lá, você não dizia que estava no hospital. O Paulo, parecia que tinha uma linha invisível, dividindo. O Paulo, o universo dele era games, cinema, e do meu lado, bonecas, artesanatos, Tudo que envolvia arte Então era assim E você passou mais de 40 anos dentro do hospital Você tem alguma lembrança marcante Desse tempo que você passou lá dentro Alguma lembrança boa, inclusive Ah, muitas Ixi, tem muitas lembranças boas Sim As nossas manusas, conversas As visitas Alguns funcionários Que a gente acabava adotando Como mãe, pai A maioria aceitia, né E os médicos, assim, o que eu sinto falta, né, era a conversa de cada um, né, isso me faz falta até hoje, todos eles, né, porque éramos uma família, né, o Paulo vai fazer seis anos que partiu, mês que vem, então ainda dói, dói muito. Mas eu me recordo de, assim, situações inusitadas, sabe? De brincadeiras, de conversas, assim, de peso. De conversa, de apoio, de descoberta, sabe? É isso. E também, você concluiu o ensino médio ali dentro do hospital, aprendeu outros idiomas também, inclusive. Você não teve essa vontade de aprender? Sim, como até hoje. Tenho vontade de aprender, descobrir novas coisas do mundo da arte, principalmente, que é a minha área. Estou em busca. E como que a pintura entrou na sua vida? A pintura entrou na minha vida quando eu tinha... Tudo começou quando eu tinha oito anos. Descobri o que fazer. Porque os meninos mexiam os braços A Tânia Tinha o movimento da mão Mas ainda era difícil Mas ela conseguia fazer tudo direitinho Pintar, escrever Uma letra linda, por sinal E aí a terapia ocupacional Que foi investindo Descobrir o que fazer com a boca então eu experimentei vários materiais né e assim eu fui me aperfeiçoando tanto na escrita quanto na pintura né claro que no início era revolto porque como que você que faz com a mão sabe que vai dar certo fazer com a boca você nunca fez então era a minha questão chorei muitas vezes de revolta, mas eu agradeço muito a Deus por ter passado por essa fase, superado e hoje é uma artista. Faço parte da Associação dos Pintores com a Boca e os Pés, que os quadros são enviados pra Suíça e lá eles avaliam tudo, eu recebo uma bolsa por isso. E eles saem com cartão de Natal ou calendário. Nossa, que bacana. Então, a gente tem um grupo muito grande no mundo inteiro. Não é só Brasil, é no mundo inteiro. E você mencionou um pouquinho antes sobre o seu livro. Eu queria entender como foi esse processo para escrever esse livro. O que te deu um start para a escrita? Bom, eu sempre gostei de escrever. Gostei de escrever, de ler. E o livro, tudo começou com cadernos de desabafo, né, escrevendo, escrevendo, assim, não tinha aquele compromisso, ah, eu vou fazer um livro, não. Comecei a escrever, cheguei até a perguntar para algumas pessoas, né, quando dava, e aí foi transformado, né, esse diário em livro, né, eu falo que Deus que me deu a editora, no fundo não corri atrás de nada então a Ana, da editora que foi até o hospital se interessou por causa de uma entrevista que eu dei e comentei que estava escrevendo sobre a minha vida aí ela se interessou e foi até o hospital me conhecer e aí a gente deu continuação, ela fez a pesquisa de campo e tudo mais e lançamos em 2012 foi um sucesso? foi foi um sucesso, foi uma correria mas foi muito legal muita gente veio conhecer né, aí você descobre que as pessoas elas se identificam com a história né e algumas a gente percebe que o mundo tá louco, né? Sim, exatamente. É, aí você vê que o mundo tá mais doente do que a própria pessoa que contraiu tudo e tudo mais. Mas assim, tirei de letra tudo, não foi fácil, porque cada um é... tem a sua carência, né? Tem o seu pedido de socorro, né? E que a minha história ajudou bastante. Graças a Deus. Que bacana. A gente mencionou sobre o hospital, depois de mais de 40 anos lá, você saiu do hospital. Como que foi para você conseguir esse feito? Sempre tive vontade de ir embora, mas assim, meus pais nunca tiveram condições de me levar. E assim, por mais que eu atirasse para todos os lados A maneira de ir embora E teve uma pessoa que pôde fazer isso Sou muito grata a ele Onde ele mora, eu morei com ele Quatro anos e meio E felizmente ele foi para cuidar dos pais Lá na Quara, vim para cá, para Campinas Sou muito grata à família que nos acolheu A situação foi um achado, vamos dizer assim. Mas eu sou muito grata a essa pessoa que fez todo o processo de transição HC, casa. Fiquei indo e vindo muitas vezes até fixar na pandemia. Porque eu tinha saído para comemorar o aniversário, passar o mês de aniversário fora. E aí, aí o juiz, perante o AVC, falou, ela não volta, porque se ela não voltar, ela pode, né, ficar, morrer. Sim. Né? Então, já faz seis anos, né, que eu estou fora, né, que eu sou muito grata a tudo que eu tenho vivido, sabe? sou grata pelas saídas que às vezes eu faço descobertas, já fui conseguir conhecer o Cobra o grafiteiro fui no ateliê dele aí depois eu e meus colegas de pintura fizemos uma exposição lá foi muito legal e olhando pra sua trajetória assim Helena, o que você mais se orgulha de tudo que você passou? O que eu mais me orgulho é não desistir e ter presença no que eu quero. Sim. E ainda existem sonhos a realizar? Sim, com certeza. Quero poder viajar, quero conhecer um pouco do Brasil, afora. Um dia, quem sabe, fora do Brasil. Mas para enquanto o Brasil, né? Quero conhecer o Sul. perfeito, e você a gente mencionou sobre o seu livro, eu queria que você deixasse uma mensagem pra quem tá nos assistindo aqui no Histórias de Vida pra conhecer um pouquinho sobre o seu livro sobre a sua trajetória também, além do que já contamos aqui bom, quem se interessar pelo livro, não sai entrar no Instagram conversar comigo meliana.zag tem facebook porque a minha mensagem é que as pessoas não desistam, por mais que seja difícil a caminhada, é não esquecer que, acima de tudo, Deus está com cada um de nós, nos protegendo, nos orientando, e que Ele é a nossa força. Por mais que a gente procure do outro, a gente tem essa sede não que o outro não seja importante mas o outro é falho como todo mundo então Deus está sempre ao nosso lado e é isso que me sustenta a seguir em frente até hoje perfeito Eliana, muito obrigada pela participação aqui conosco no Histórias de Vida você que está em casa, espero que tenha gostado e entenda a mensagem que a Eliana acabou de passar aqui de não desistir mesmo em meio a qualquer tipo de dificuldade que você esteja enfrentando até o próximo programa Legenda por Sônia Ruberti
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