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[Música] No giro ambiental de hoje, vamos falar sobre os rios voadores, o mecanismo do regime de chuvas proveniente da floresta amazônica, que foi descoberto em 1979 pelo agrônomo e pesquisador Eneia Salati. Esse termo foi popularizado pelo cientista do IMP em 2006, José Marengo, e o ambientalista Gerard Boss, que se juntou a ele para sobrevoar o caminho dos fios voadores, coletando dados e monitorando o percurso. Muita gente trabalhando para entender a importância desse fenômeno tão relevante pra manutenção da vida, principalmente nas regiões oeste, suleste do Brasil. Mas afinal, o que são os rios voadores? Para explicar pra gente o que é e a sua importância, convidamos o meteorologista do Cepagre da Unicamp, Bruno Baine. Muito obrigada, Bruno, por receber o nosso convite. Olá, eu que agradeço o convite. Sempre uma satisfação conversar com você da TV Câmera. Bruno, então explica pra gente, para quem tá assistindo, o que são os seus voadores. Bom, bom, eh, vem dessa dessa analogia, né? rios literais. O que que eles são? Eles são esses grandes canais que conduzem quantidades enormes de água, né, de forma organizada e canalizada. Então, os rios voadores eles eh empregam essa analogia para expressar eh esse transporte organizado e canalizado de grandes quantidades de vapor de água pela atmosfera acima de nós. Então, uma altitude aí de aproximadamente 100 m acima do nível médio do mar, é onde esses rios costumam eh circular. E esses rios eles eh eles podem conter tanto ou até mais água do que os rios eh físicos, né? Então a gente tem essas comparações com o rio Amazonas, com o rio Mississippi, que é um dos maiores rios dos Estados Unidos. E esses rios voadores, eles não são uma exclusividade aqui do Brasil, da América do Sul, mas eles ocorrem em várias partes do do planeta. frequentemente estão associados a regiões mais litorâneas e oceânicas, eh, e estão muito importantes pro regime de chuvas dessas dessas regiões, embora também estejam atrelados à ocorrência de extremos meteorológicos, hidrometeorológicos e também eh desastres, né, hidrogeometeorológicos. E aqui então no Brasil tudo começa ali com os ventos elíse, a floresta amazônica, ela tem essa esse efeito de puxar eh a umidade e jogar pro ar. Exatamente. A gente tem uma combinação de fatores ali, né? A gente tem esses fatores geográficos, a gente tem fatores eh ambientais também que favorecem a ocorrência desses fios aqui na América do Sul. Então, a gente tem tanto a parte da floresta amazônica como sendo esse mecanismo que que bombeia vapor de água paraa atmosfera através da evapor transpiração. Então essa grande floresta ela retira essa umidade do solo, né? Eh, utiliza para paraa sua subsistência, mas ela também ela transpira e evapora água para pra atmosfera. E além disso, a gente tem esses ventos que que se juntam nessa região equatorial, né? né? Então, no norte ali da região amazônica, que são os ventos alíse e todo esse fluxo de umidade que se aglomera ali na região amazônica é transportado em uma corrente que começa ali de norte para sul paralela à cordilheira dos Andes. Então, sem a cordilheira dos Andes, também nós não teríamos a possibilidade desse rio voador que é tão fundamental pro regime de chuvas na América do Sul, inclusive áreas da América do Sul. eh e eh e que estão em latitudes em que outras partes do do planeta do hemisfério sul a gente tem grandes desertos. E aqui a gente não tem esses desertos por conta desses fios voadores que proporcionam eh favorecem a ocorrência das chuvas. Ou seja, é um é uma combinação de fatores e uma colaboração, né, de das cordilheiras que nem são brasileiras, ou seja, o meio ambiente ele não entende essa coisa de fronteira. de nacionalidade, é uma coisa só, né? Então, esses ventos eles batem ali na cordilheira e vem aqui para dentro do país, trazendo então essa massa úmida pro Centro-Oeste, pro Sul e pro Sudeste. Exatamente. E até ali região central da Argentina também, né? Eh, no caso do da América do Sul, eh, esse mecanismo ele frequentemente tá associado também com a passagem de frentes frias, é, é o desenvolvimento de frentes quentes. Então, eh, esse, esse escoamento ele vem organizado ali de norte pro sul, mas à medida em que a gente tem um avanço de frentes frias, elas ajudam a defletir esse escoamento. Então, ele muitas vezes ele chega a partes aqui do sudeste também. E quando a gente, né, na meteorologia tá monitorando e fazendo a previsão e percebe que a gente tem essa deflexão desses fios voadores aqui pra região, a gente já acende o o o alerta paraa possibilidade de chuvas bastante volumosas. Ao contrário, eh, quando a gente vê essa situação oposta, né, e acaba que essa frente fria não conduz esse esse rio voador pra nossa direção, a gente já tem uma expectativa bem baixa de chuvas, pelo menos chuvas volumosas, né? chuvas acabam sendo muitas vezes mais ocasionais, esporádicas e e isoladas. Ô Bruno, e uma mostra desses voadores, uma questão ficou muito clara, esse exemplo dessas correntes, acho que foram os incêndios do ano passado intensos, né, que acabaram trazendo as partículas que ficaram suspensas no ar. Exatamente. Naquelas naquela situação a gente teve esse transporte de poluição, né, desde aquela região da amazônica, pegando serrado, Pantanal e avançou para boa parte da da América do Sul. Isso foi eh um fenômeno bastante interessante e mostrou o potencial de transporte desses fios voadores, porque eles eh de fato eles percorrem eh às vezes até milhares de quilômetros, né? Transportando então esse material. Eh, em outras ocasiões a gente teve também a precipitação com fuligem. Então, o vapor de água veio através desses rios e também fuligem, esse material articulado. E quando houve a formação dessas nuvens de chuva, elas estavam carregadas desse desse material eh oriundo das Queimadas. E aí a gente recorre mais uma vez a questão da importância das árvores e da vegetação. Uma única árvore de 10 m de copa pode evaporanspirar 300 L de água, que é mais do que uma pessoa precisa diariamente, né, Bruno? Lembrando que não somos só nós que utilizamos eh a água, todo o ecossistema precisa disso, mas a gente sempre consegue entender quando aperta no nosso calo, né? Exatamente, né? E aí é uma grande preocupação com relação à preservação da floresta amazônica, não só quanto ao desmatamento, mas até mesmo quanto às mudanças climáticas. Existem estudos, inclusive com participação de pesquisadores eh aqui do do CEPAGR, da Unicamp, que apontam que uma elevação eh das temperaturas nível global e sobretudo ali na região da Amazônia pode ocasionar o fechamento dos dos estômatos, da das folhas e inibir então essa evaporranspiração. E o impacto disso pra questão desses fios voadores é é equivalente, né, muito próximo a um desmatamento em massa. Então, mesmo que a gente ainda tenham parte da floresta, temperaturas extremas muito elevadas podem inibir por uma questão de de autopreservação das árvores que ocorra evap transpiração. E aí isso a carretaria é um prejuízo muito grande eh para para toda a América do Sul, né? Como você falou, a gente não tem fronteiras na atmosfera, no meio ambiente, né? As fronteiras elas são políticas. Eh, então isso eh causaria um impacto muito grande, ao contrário de outras partes do planeta em que a o o que se tem de eh de pressuposto em função das das mudanças climáticas é que esses rios voadores eles venham a se intensificar. Temperaturas mais elevadas favorecem maior concentração de vapor de água na atmosfera. Então isso impactaria na frequência de eventos extremos, né, associados a essesadores. Mas aqui na América do Sul, nessa parte mais do do interior do continente, o impacto provavelmente seria o oposto, né? Menor frequência, menor umidade. E isso eh hipactaria eh geração de energia, eh produção agrícola, eh abastecimento de água, sem dúvida nenhuma. todos os usos que a gente pode pensar desse bem tão tão precioso, né, que é a água. É uma informação impactante e deixa um alerta ainda maior aceso aí pra gente, porque é um equilíbrio muito delicado e a sociedade se organiza em cima desses ciclos, das estações da primavera, dos regimes de chuva que já conhece aí pelo menos nos últimos 100 anos, né? De repente, se isso muda, é um impacto muito agressivo e a gente, de repente não tem pernas para conter essa mudança, né? E e essa importância, por exemplo, da não do não avanço das áreas de pastagem em área de floresta, né? Eh, então a a sociedade como um todo e a os os tomadores de decisão, né, os os governantes, eles precisam estar atentos aos avisos da ciência que faz eh esses estudos justamente para prover informações que sirvam de base para mitigar impactos que já existem, para antecipar impactos futuros e para auxiliar a a meios alternativos que a gente tenha para para eh inibir, né, esses eh esses cenários futuros eh pessimistas, né, negativos, que a gente não quer que eles ocorram. Então, é fundamental que a ciência e a sociedade andem de mãos dadas, que haja essa compreensão, né, e que as ações sejam tomadas de fato em em virtude dessa conversa. Muito obrigada, Bruno, por compartilhar essas informações importantes com a gente e expandir aí nossos horizontes para tudo que é possível ainda ser feito para mitigar essas mudanças e esses impactos. Eu que agradeço mais uma vez e contem sempre conosco. Muito obrigada, Bruno. E para você que nos assiste, continue com a gente porque agora é hora daquele giro ambiental pelas curiosidades do Brasil e do mundo. Monstro de Gila que inspirou o Zenpi, que pode desaparecer com as mudanças climáticas. O monstro de Gila, Eloderma Suspectum, um lagarto nativo dos desertos do sudoeste dos Estados Unidos e do Norte do México, é um animal de grande importância biológica e medicinal. Sua toxina serviu como base para a criação da semaglutida, o princípio ativo de medicamentos amplamente conhecidos como Ozenique, Wegov e Ribelsus. Apesar de suas notáveis características, a espécie enfrenta uma grande ameaça, as mudanças climáticas. Um estudo recente publicado na revista Eccolou que o monstro de Gila pode não conseguir se adaptar ao aquecimento de o seu habitate natural. Para chegar a essa conclusão, pesquisadores liderados por Steve Aromada analisaram dados de observação do lagarto em quatro estados americanos. Eles criaram um mapa dos habitates preferidos pela espécie e usando modelos de previsão climática, simularam como a distribuição desses locais mudaria nas próximas décadas. Os resultados foram preocupantes. Em um cenário de altas emissões de gases de efeito estufa, o habitate ideal para o monstro de Gila poderia ser reduzido em 2/3 até 2082. Em contrapartida, em um cenário de menores emissões, as mudanças seriam bem menos drásticas. Apesar da crescente preocupação ambiental, os brasileiros desconfiam das elegações de sustentabilidades nos rótulos. Uma pesquisa recente da Market Analyses e do Instituto Acatu revela que seis em cada 10 consumidores não confiam nas promessas ambientais das empresas, especialmente em setores como limpeza e eletroeletrônicos, onde o green washing é mais perceptível. No entanto, essa desconfiança não se traduz em indiferença. O estudo aponta que 73% dos entrevistados acreditam que empresas enganosas devem ser punidas, enquanto 65% defendem recompensas para as transparentes. Além disso, 58% dos consumidores exigem informações claras sobre a origem, o descarte e a durabilidade dos produtos. [Música]