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Giro Ambiental | Racismo ambiental: a verdade por trás da desigualdade climática
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Giro Ambiental | Racismo ambiental: a verdade por trás da desigualdade climática

106 views Publicado 27/11/2025 HD · 17:27

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No Giro Ambiental de hoje, recebemos a pesquisadora Natália Oliveira, especialista em florestas urbanas, saúde ambiental e desigualdades socioambientais, para uma conversa profunda e urgente sobre racismo ambiental — um termo que, apesar de ainda pouco disseminado, revela realidades históricas, sociais e territoriais que afetam milhões de brasileiros. O racismo ambiental descreve como grupos racializados e comunidades vulneráveis são impactados de forma desproporcional pela degradação ambiental, pela falta de saneamento básico, pela ausência de políticas públicas e pelos efeitos cada vez mais severos das mudanças climáticas. Favelas, periferias e comunidades tradicionais — muitas vezes majoritariamente negras, indígenas ou quilombolas — enfrentam, há décadas, riscos ampliados de enchentes, deslizamentos, contaminação do solo, insegurança habitacional e doenças associadas ao meio ambiente negligenciado. Durante a entrevista, Natália explica como esse fenômeno opera na prática: desde a falta de infraestrutura nos centros urbanos até a ocupação irregular estimulada pela ausência de políticas habitacionais; desde a invisibilidade histórica das populações negras após a escravidão até o despejo de resíduos tóxicos em áreas de maior vulnerabilidade social. Ela também traz referências fundamentais, como a pensadora Tania Pacheco e o ativista Benjamin Chavis Jr., mostrando como o conceito nasceu nos movimentos de direitos civis e se expandiu para compreender desigualdades persistentes em diversos países. O programa aprofunda ainda os impactos das injustiças socioambientais sobre a saúde, a qualidade de vida e as oportunidades econômicas dessas populações. A falta de saneamento básico, água potável e moradia adequada agrava quadros de doenças crônicas, amplia vulnerabilidades e intensifica os efeitos de eventos climáticos extremos — um cenário que exige respostas urgentes e integradas. Ao longo da entrevista, discutimos: 🌱 O que é racismo ambiental e por que ele não depende de intenção racista 🏚️ Como enchentes, deslizamentos e ilhas de calor afetam mais periferias 💧 Por que saneamento básico é um dos pilares da justiça socioambiental 🌎 A relação entre mudanças climáticas e desigualdade urbana 🧬 Como essas desigualdades afetam diretamente a saúde das comunidades 📚 O papel das políticas públicas, educação ambiental e legislação 👥 A importância da participação das comunidades nas tomadas de decisão 🏞️ Como o conhecimento tradicional e local pode transformar territórios ⚖️ Medidas essenciais para combater o racismo ambiental no Brasil Natália também compartilha resultados de suas pesquisas no Brasil, Itália e Portugal, analisando a relação entre florestas urbanas, cidades sustentáveis, doenças crônicas não transmissíveis e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (especialmente ODS 3 e 11). Seu trabalho evidencia como saúde, meio ambiente e desigualdade estão profundamente conectados — e por que o desenvolvimento urbano precisa ser pensado de forma inclusiva, justa e sustentável. O Giro Ambiental traz uma conversa necessária para quem se preocupa com clima, cidades, direitos humanos e o futuro das próximas gerações. Assista ao episódio completo e participe desse debate. A mudança começa com informação, consciência e ação coletiva. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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A falta de acesso a serviços básicos, como água potável e saneamento, de estrutura urbana e de condições de moradia digna, afetam a saúde e a qualidade de vida dos moradores e agrava ainda mais os impactos das mudanças climáticas, ocasionando enchentes e deslizamentos. Nesse contexto, nós vamos falar no gir ambiental de hoje sobre racismo ambiental, que não se configura apenas como ações que tenham uma intenção racista, mas também através de ações que tenham impacto racial, não obstante a intenção que lhes tenha dado origem. Só que pra gente entender melhor esse contexto, o giro de hoje tá conectado com a pesquisadora Natália Oliveira. Seja bem-vinda aqui com a gente. E eu já peço a você, por favor, esclarecer para quem tá em casa, para que a gente entenda um pouquinho essa origem do racismo ambiental. Natália, olá. O termo racismo ambiental, ele surgiu no começo da década de 80 nos Estados Unidos, quando queriam instalar um aterro de lixo contaminado industrial próximo a uma comunidade onde moravam bastante pessoas pretas e padas. Então, o termo surgiu dentro desse contexto. De lá para cá, a gente vem usando o termo racismo ambiental para dizer que ele ele ele representa eh uma estrutura social que mostra quem é que vai respirar o ar mais poluído, morar nos locais com menos condições ambientais e ter menos acesso às áreas verdes, ao saneamento básico, estar nas áreas que mais alagam. Então ele não é frescura. Mimimi, ele é um termo sério e que precisa ser tratado dessa forma pela nossa sociedade. Natália, historicamente, quando a gente pensa no nosso país, sabemos que após a abolição da escravatura, pretos e exescravizados foram para áreas como morros, eles não tiveram direito à terra sem nenhum direito a saneamento básico. Na época a gente sabe que era precáve, mas minimamente não tinha condição. E essas comunidades e favelas, elas foram constituídas principalmente pelo povo preto, que teve que ocupar esses lugares porque não tinha condição alguma. Isso influencia hoje diretamente no modo de vida. E nessa questão quando a gente pensa nesse direito a um ar que se fosse em outro lugar teria o esgoto, teria um ar menos poluído e tudo mais. Com certeza essas pessoas não foram morar em regiões periféricas porque elas quiseram. Elas foram levadas a habitar esses locais por uma série de desigualdades históricas que acompanham o povo preto e pardo do nosso país e de vários outros países também, tá? Agora, eh, conforme outros locais que foram sendo ocupados por pessoas também foram recebendo saneamento básico, serviço de saúde, escola, essas pessoas foram sendo deixadas em segundo plano. Então, o racismo ambiental é uma forma eh é uma dimensão racial da injustiça ambiental, tá? Então, eh, essas pessoas que habitam esses locais, geralmente regiões mais periféricas, elas também merecem os mesmos direitos a saúde, ao meio ambiente saudável que todas as outras pessoas que habitam quaisquer outras regiões do nosso país. Quando a gente pensa também nesse contexto, uma população que vive em área de risco, por exemplo, quais são os impactos disso? É verdade. Eh, a gente tem várias dimensões, né, do racismo ambiental. Então, áreas mais poluídas são habitadas por pessoas que moram em regiões periféricas, por pretos e pardos. Áreas de encostas também são habitadas. A gente vê isso muito na cidade de São Paulo, Rio de Janeiro, em várias outras cidades, eh, áreas, eh, que estão próximas a aterros sanitários ou outros riscos, áreas de ilhas de calor, onde há muita pavimentação do solo e pouco verde. Então, essas pessoas sofrem um cenário bastante injusto de forma ambiental e isso tem eh repercussões em várias outras questões, incluindo na saúde dessa população, por conta de um meio ambiente insalubre que elas acabam habitando e que recebe pouco ou nenhuma atenção do poder público. Inclusive, a gente tem dados do censo de 2022, pessoal. Olha, quando a gente pensa nessa questão de áreas de risco, de acordo com o estudo, o relatório aponta que 66.58% de população residente em áreas de risco é a população negra. Um impacto bem importante, Natália. É verdade. A gente tem dados também dos Estados Unidos que eu imagino não sejam muito diferentes aqui. Lá comunidades negras são expostas a 56% mais poluição do que a que a média que elas mesmos geram, enquanto as comunidades brancas são expostas a 17% menos poluição ambiental do que elas mesmas geram. Então é um cenário bastante injusto. Ela mesma tá gerando e ela tá sendo beneficiada se for branca com menos do que essa poluição que ela gera ou prejudicada se ela for negra, né? É um cenário extremamente injusto que coloca as pessoas pretas e pardas indígenas também e quilombolas em uma condição de racismo ambiental e injustiça ambiental. Sim. E quando a gente fala dessa injustiça, nós estamos aí primavera, logo começa o verão, tempo de ondas de calor, muita chuva. Tivemos recentemente, claro que foi lá no Sul, mas quando a gente pensa nessas eh nesses eventos climáticos acontecendo e muitos deles, claro, a maioria, inclusive em função de tudo que tá acontecendo, é como que é possível a gente pensar em tentar proteger essas pessoas que hoje minimamente conseguem morar nesses locais? Olha, a gente tem exposição a várias vários cenários, né, de injustiça ambiental. Então, desde falta de saneamento até maior eh probabilidade de enchente, deslizamento, morar em ilhas de calor, lugares lugares com pouco verde, mas em qualquer um desses cenários, a gente tem três passos para pensar em combater o racismo ambiental e viver em uma sociedade mais justa. O primeiro deles é reconhecer, reconhecer que isso existe e que essas pessoas, principalmente pretas, pardas indígenas e que habitam as periferias, elas sofrem com eh a falta de estrutura ambiental que afeta a vida delas em vários setores. O segundo passo, depois de reconhecer, é avaliar e disseminar esses dados, né? Então, a gente precisa avaliar o que está acontecendo em cada uma das cidades, o que está acontecendo com a população preta, com a população branca, com a população periférica, com a população central, ver a que riscos elas estão sendo expostas e divulgar essas informações para que a gente chegue no passo três, tomar ações, principalmente na forma de políticas públicas. Uma vez que a gente reconhece isso, o que é que pode ser feito? Melhora, por exemplo, da infraestrutura urbana? melhora criação de praças, parques, porque quando a gente aumenta a área verde numa região periférica, a gente não tá simplesmente plantando árvores, a gente tá plantando equidade ambiental para todo mundo que mora nessa cidade. Inclusive, importante salientar que quando a gente fala de racismo ambiental também tem, claro, a uma influência importante na população indígena, nos povos originários aqui do nosso país, né, Natália? É verdade. E as essas comunidades tém algo que pesa muito, que é o fato de que os locais onde eles habitavam originalmente tá sendo cada vez mais reduzido, né? né? Então tem uma questão sim de injustiça ambiental, de racismo ambiental, e tem também uma questão que afeta a sobrevivência dessas pessoas que dependem da natureza e do meio ambiente que antes era todo delas e agora cada vez menos não eh eh cada vez menos terra pertence a esse pessoal indígena, que sofre bastante também com o racismo ambiental. Inclusive o tema foi um dos painéis na COP 30. Se fala justamente dessa questão da justiça climática e combate ao racismo ambiental. No seu ponto de vista, Natália, quais são os caminhos pra gente buscar então essa justiça climática, tanto para o povo negro, quilombola e os indígenas, que são os que mais sofrem com essa questão? Então, tudo começa com reconhecer o problema, avaliar o problema e tomar ações, atitudes práticas e concretas que possam atingir diretamente as pessoas que são mais injustiçadas ambientalmente. Um exemplo disso foi o que nós estudo que nós fizemos na cidade de Lorena, que fica no Vale do Paraíba, onde nós mapeamos toda a cidade, vimos onde a gente tem ilhas de calor, onde tem mais e menos vegetação na cidade e também vimos a prevalência de doenças crônicas não transmissíveis. Aonde é que estão as pessoas no mapa da cidade que sofrem com essas doenças? E quem são essas pessoas? São pretas? São pardas? São indígenas? em que condições elas estão morando, eh como é que é a renda dessa população. Então, nós fizemos um mapeamento da cidade em relação a essa questão do racismo ambiental. Os resultados que a gente encontrou foram alarmantes. A maior parte das da população preta e parda mora longe deas áreas verdes em locais mais quentes da cidade. E entre essas pessoas a gente tem uma maior prevalência de doenças crônicas. Tendo esse panorama, a gente tá fornecendo dados para que a gestão pública tome providências na área de saúde, de meio ambiente e de infraestrutura. Nós acreditamos que as políticas públicas elas têm que ser intersetoriais, porque só assim a gente consegue atacar de forma equitativa os grandes problemas da nossa sociedade. Inclusive, na COP 30, olha só, o Brasil assinou uma declaração conjunta contra o racismo ambiental, enfatizando a centralidade dos povos afrodescendentes indígenas na agenda climática. É um importante passo. É um importantíssimo passo. A gente tá com isso reconhecendo que esses povos são importantíssimos pro nosso país, pra nossa cultura, pro nosso desenvolvimento e que eles merecem uma atenção especial. Isso é o mínimo que o país pode fazer perante um povo que nos deu origem e que desde lá de trás sofre com grandes injustiças e que hoje em dia a nossa sociedade não os trata da forma como eles mereciam. Então todos nós temos uma dívida histórica com os nossos povos originários, com o povo preto, com o povo indígena. E o mínimo que pode ser feito é que isso comece a ser reparado na forma de a gente fornecer um ambiente um pouquinho mais justo para essas pessoas. Agora, Natália, nesse estudo que vocês fizeram em Lorena, que é uma cidade, eh, elá tem quantos mil habitantes em média? 90.000 habitantes. 90.000 habitantes, uma cidade considerada pequena. Quando a gente pensa em grandes metrópoles, por exemplo, eu estou falando aqui de Campinas com cerca de 1.200.000 habitantes, isso é maior nos nas grandes cidades, quanto maior a cidade, parece que o problema fica ainda maior. As desigualdades elas crescem. Eu falo com você daqui de São Paulo e acho que o o pior exemplo pro nosso país em termos de injustiça ambiental é a cidade de São Paulo. Eh, Campinas não tá tão longe também. é uma cidade muito grande, né, que dá nome a uma grande região metropolitana também. Então, quanto maior a cidade, maiores os problemas, maior a desigualdade e maior a necessidade de ações para que esse problema possa ser amenizado e que essa injustiça possa ser reparada aos poucos. Mas como eu disse, tudo começa com reconhecer que o problema existe. Depois vamos mapear pra gente poder tomar ação. E eu acho que tanto São Paulo quanto Campinas estão começando nesse caminho. Então esse primeiro passo é o mais importante, reconhecer que a cidade está sendo injusta para com grupos de pessoas e então a gente poder tomar ações que melhorem um pouco a vida dessas pessoas, tá certo? Então, olha, a gente acaba de conversar com a Natália, que é especialista, mestrado, doutorado em ciências médicas, ciências médicas, pesquisadora. Nós temos aí ela uma pesquisa que ela fez sobre os efeitos de florestas urbanas na saúde humana, pós-doutora da Escola de Engenharia de Lorena, onde estudou a relação justamente das florestas urbanas e determinantes socioambientais da saúde, entre tantas outras colaborações através da pesquisa. Eu queria inclusive aproveitar e parabenizá-la por essa pesquisa que traz esses recortes tão importante dessa relação que às vezes quem tá em casa não tem essa ideia, né, da questão do clima do meio ambiente com a saúde e o quanto é importante a gente passar a olhar eh com carinho para isso, né, Natália? É verdade. O ambiente em que a gente vive, tanto dentro da nossa própria casa, como o ambiente que nos cerca, a comunidade onde a gente mora, os locaisonde a gente circula para trabalho, para lazer, são os locais onde a gente passa a maior parte do nosso tempo. Então eles interferem na nossa vida, na nossa mobilidade e na nossa saúde. A gente sabe que pessoas que moram em áreas menos verdes, mais cinzas, estão sujeitas a mais poluição e a maior incidência de algumas doenças importantes e muito prevalentes, como obesidade, pressão alta, diabetes. Eh, essas exposições no longo prazo levam a esse quadro que, uma vez instalada a doença, ele é um quadro irreversível. Por isso a gente precisa pensar nas nossas cidades, nas nossas comunidades como um todo, para que a gente forneça uma cidade ambientalmente justa para todos, para que todos possam ter uma melhor saúde, habitar num lugar agradável e saudável, tá certo? Então, muito obrigada, Natália. E olha só, não saia daí porque agora o giro ambiental vai mostrar curiosidades e mais informações sobre sustentabilidade e meio ambiente. Um estudo inédito publicado na revista New Fitologist mapeou a localização das maiores árvores da Amazônia [música] que ultrapassam 60 m de altura. Liderada pela Universidade do Estado do Amapá, a pesquisa [música] mapeando a densidade de árvores gigantes na Amazônia utilizou o sensoreamento remoto por Lidar, [música] que é Light Detection and Ranging. Os dados foram coletados entre 2016 e 2018 em 900 áreas [música] da floresta. Essas árvores gigantes são cruciais para o ecossistema, pois armazenam carbono, mantém o equilíbrio da floresta e são vitais para a biodiversidade. [música] A maior árvore conhecida na Amazônia atualmente é um angelim vermelho descoberto em 2019. เฮ
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