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[Música] Olá, Giro Ambiental no ar e o assunto dessa semana é sobre um estudo que foi feito lá na USP chamado Além das Cidades Verdes, indicadores socioambientais em territórios com desigualdades socioeconômicas. E quem vai conversar com a gente sobre esse tema é um dos pesquisadores, o professor Maurício Lamano Ferreira, que é docente do Departamento de Ciências Básicas e Ambientais da USP. Professor, seja bem-vindo aqui. E a minha primeira pergunta é: Quais foram os territórios pertencentes a esse estudo quando vocês pensam nessas chamadas cidades verdes? E qual foi o objetivo para depois a gente chegar e falar, né, no que foi concluído dessa dessa tese, dessa dessa pesquisa? Obrigado. Em primeiro lugar, é um prazer estar aqui na TV Câmera. Queria saudar a todos os ouvintes, todos os telespectadores e um prazer estar aqui com vocês. Eh, bom, ah, respondendo a sua pergunta, a primeira parte dela, eh, as cidades que fazem parte deste eh, estudo, elas são 12 cidades. Eh, em cada cidade nós separamos dois territórios. um território eh com população em alta vulnerabilidade socioeconômica e perdão, eh um território com população em vulnerabilidade socioeconômica e outro território com a população, né, eh em situação, eh, eh, socioeconômica mais elevada. Bom, eh, com isso nós totalizamos 24 territórios em todo o território nacional. Ah, temos cidades nas cinco regiões do país, sendo eh eh Santarém na região norte, Campo Grande, na região Centro-Oeste, Arapiraca e Maceió, na região Nordeste, Maringá na região sul e na região Sudeste nós temos diversas cidades no estado de São Paulo, uma vez que esse estudo ele é financiado predominantemente pela FAPESP, que é a Fundação de Amparo a Pesquisa no estado de São Paulo. Dentre essas cidades, eu destacaria São Paulo, Cubatão, São José dos Campos, Lorena, São Carlos, Campinas, dentre outras. Muitas dessas cidades hoje inclusive tem o selo de cidade verde. Isso tem a ver com essa nomenclatura. E o que que a gente precisa pensar quando de fato a gente eh tem essa cidade verde dentro dos parâmetros exigidos? Olha só, existem diversos selos, existem diversas nomenclaturas para prestigiar, homenagear as cidades que cumprem o seu papel ambiental. Um deles é o selo treits of the World, que é um selo, um reconhecimento pela Fundação Harbor Day e também pela agência da ONU AFAL, né? No entanto, esse estudo ele não necessariamente trabalha com as cidades que são reconhecidas nesse programa obrigatoriamente, embora muitas delas sejam, como a própria cidade de São Paulo, São José dos Campos, a cidade de Lorena, a cidade de Cubatão, no Irapiraca, no Nordeste. No entanto, a a o o o o grande e mote da dessa pesquisa é que é uma parceria junto com o Ministério de Meio Ambiente e nós vamos testar a as melhores estratégias de arborização urbana, considerando diversos indicadores socioambientais, dentre eles poluição atmosférica, riscos geológicos de movimentos de massa ou de enchentes, ilhas de calor urbana, eh, prevalência de doenças crônicas não transmissíveis como hipertensão, diabetes, DPOC. Então a gente, nós queremos entender nesses territórios como é que a urbanização urbana se comporta e pode se comportar para atenuar os impactos, seja das altas temperaturas, seja da ocorrência de doenças crônicas, seja dos altos níveis de poluição. Então, a gente quer entender como algumas normas de arborização podem e mitigar esses efeitos e isso vai servir como instrumento pra revisão do Plano Nacional de Arborização Urbana que vai ser eh realizado em 2030. Então, eh, respondendo a sua pergunta, não necessariamente tem uma relação com as cidades que já são verdes, mas nós queremos também testar cientificamente esse essas nossas métricas em cidades que também não são verdes. por exemplo, entender um pouco melhor quando a gente fala de indicadores socioambientais que leva, por exemplo, em consideração florestas urbanas e outros. Qual é o momento em que esse item, né, que esse indicador ele passa pela questão da desigualdade socioeconômica nos municípios? Muito bem, excelente pergunta, muito obrigado. É assim, a a as pessoas em maior situação de vulnerabilidade social são pessoas que ocupam territórios com baixo valor imobiliário, com alto risco geológico, seja de deslizamento, seja de enchentes recorrentes, seja lugares que t pouca atenção dos equipamentos urbanos de infraestrutura verde, pouco arborizados e com altos índices de poluição atmosférica. Então, quando a gente associa no projeto duas perspectivas socioeconômicas para entender os indicadores, é que nós temos uma história de urbanização que favoreceu sempre as elites. E o que nós entendemos é que além de custar muito caro aos cofres públicos, a população de baixa renda merece a equidade verde, ou seja, territórios que promovam saúde pública. Por isso que o nosso estudo pega essa amplitude de escopo, de histórico, de urbanização. E claro, pessoas mais pobre estão mais expostas ao risco, seja o risco geológico, seja das altas temperaturas, seja, por exemplo, da péssima qualidade das calçadas, enfim. E é justamente sobre isso que a nossa proposta vem ser consubstanciada. Sim, nós estamos aí num momento em que a primavera começa e a gente sabe que esse período, por exemplo, ele é um período de calor intenso. Geralmente a gente tá aguardando aí que muita coisa vem em relação às mudanças climáticas, mas calor intenso e muita chuva. Em que ponto essas questões das desigualdades socioeconômicas podem inclusive aprofundar ainda essa problemática nesse período? Olha só, e é esse é um período super sensível. Nós sabemos, né, que a época de chuvas, ela vem acompanhada de fortes rajadas de ventos. Ela vem com a derrubada, queda de árvore que impacta a distribuição de energia elétrica e até mesmo causam acidentes. Infelizmente em alguns casos já tivemos situações fatais. Então, a ideia da da proposta do desse projeto e que nós queremos entregar paraa gestão pública também, fazer políticas públicas que resolvam os problemas, por exemplo, eh eh dessa vulnerabilidade à queda de árvores, principalmente na estação chuvosa. O plantil adequado da árvore certa no lugar certo, sendo plantada na forma correta e manejada adequadamente, ela oferece pouquíssimo risco. Então, o sucesso de ter uma arborização eficiente e que tenha mínimo de conflito com os equipamentos urbanos é um dos produtos que nós queremos entregar também com essa pesquisa. E isso é totalmente possível. A gente só precisa trazer e queremos trazer uma lente científica para ser testada na gestão pública. E isso não é para cidades grandes apenas, é para 5.570 cidades do nosso Brasil. Professor Maurício, partindo inclusive da realidade de Campinas, que é onde fica a TV Câmara Campinas e a maior parte dos nossos telespectadores e Campinas faz parte desse estudo. Eu queria que o senhor falasse um pouquinho desse ponto de vista. O senhor mencionou inclusive o plantil da árvore correta. Então nós tivemos aí, principalmente em 2023, 2024, uma questão de quedas de árvores muito antigas na cidade. Na ocasião, o poder público decidiu, até foi feito um estudo sobre o perigo dessa dessas árvores. Nós tivemos inclusive a morte de uma garota no importante, no mais importante parque público aqui da cidade. E desde então nós tivemos aí a retirada, né, a extração de muitas delas. E esse ano Campinas começou com um plano de microflorestas. Esse é o caminho quando a gente pensa nessa troca da arborização pelo modelo correto, pela espécie correta, desculpe, para que a gente possa ter uma cidade arborizada e também segura. Sim. Eh, veja bem, é fundamental, né? Eh, a gente acho que é importante a gente trazer as a as devidas responsabilidades, né, para todas as pessoas. Claro que o poder público ele é responsável pela pelo plantil, manutenção e cuidado das árvores urbanas, mas também eh é é importante considerar que às vezes muitas pessoas bem intencionadas eh e e com, né, e coletivos que são muito bem intencionados, resolvem fazer campanhas de doação de muda e nem sempre é acompanhada de informações técnicas para isso. Muitas vezes o munícipe também muito muito bem intencionado vai plantar, mas não faz um berço ou cova, que é chamado lugar onde nós encaixamos a muda, não faz no tamanho apropriado, ou usam técnicas inadequadas que daqui 10 anos essa árvore oferece risco. Então é importante que a coletividade entenda a importância das aplicações e dos usos técnicos na arborização urbana. Eu não quero em hipótese alguma culpar a vítima, mas é importante que haja um esforço do poder público em atuar com a sociedade civil nas informações corretas, na forma correta. E essas minifilorestas, desde que elas sejam organizadas pelo poder público, eu acho uma ótima iniciativa. O problema é que muitos coletivos promovem esses plantios e depois fica uma responsabilidade para o poder público fazer o manejo, o cuidado com os equipamentos urbanos e muitas vezes não tem recurso financeiro para isso. Por isso que eu trago mais uma vez e ressalto a importância do diálogo do estreito e diálogo entre coletivos urbanos, sociedade civil e poder público municipal. O poder público ele tem que protagonizar esse plantil, essa distribuição da arborização no tecido urbano. Sim, professor, eu agradeço a sua participação e faço uma última pergunta. a partir de agora, então, dessa experiência que o senhor fala bastante desse diálogo entre poder público e sociedade civil, qual o caminho paraa gente pensar a fazer de fato que cada cidade tenha minimize a desigualdade socioeconômica em busca dessa sustentabilidade de uma cidade verde mesmo? Perfeito. Eh, eu tenho batido numa tecla constantemente que os planos de arborização urbana, nós estamos agora trabalhando com algumas cidades, nós estamos instruindo as cidades. Eh, os planos de arborização urbana, eles não devem ser planos puramente agronômicos que visam a espécie, o local e a interação do solo com a planta. Tem uma pergunta que antecede, isso é importante, o poder público estar atento a isso. Para quem serão plantadas essas árvores? E depois respondo as perguntas, como será plantada? Qual espécie será plantada? Como será o manejo? E tudo mais. Então, é fundamental, é importantíssimo que haja eh eh essa leitura socioambiental, socioeconômica, para saber aonde a árvore será plantada. E aí com isso, claro, um conjunto de mapeamentos e cartografias certamente entenderá no tecido urbano, né, os lugares onde a desigualdade histórica no processo de urbanização merece dedicar então um foco especial, né, arborizando, trazendo a equidade verde pra sua cidade. Então eu entendo que os planos de arborização bem elaborados, tendo as lentes socioeconômicas de saúde pública e de outras pastas municipais é a melhor ferramenta para se ter um planejamento verde municipal, tá certo? Então, muito obrigada, professor. A gente fica por aqui. Até uma próxima oportunidade. Eu que agradeço. Muito obrigado. Olha, a gente lembra que o Giro Ambiental de hoje conversou com o professor pós-doutor pelo Departamento de Geociências, Ambiente e Ordenamento Territorial da Universidade de Porto em Portugal. também é pós-doutor pela USP e atualmente é docente no Departamento de Ciências Básicas e Ambientais da Universidade de São Paulo, que fez essa importante pesquisa. Mas o giro ambiental não acaba por aqui, porque agora nós vamos sim dar um giro em mais informações a respeito de sustentabilidade e meio ambiente. Um estudo da revista Science aponta que a pressão humana e a crise climática podem duplicar o impacto nos oceanos até o ano de 2050. A pesquisa liderada por Ben Hpert alerta que as atividades de pesca e o turismo estão acelerando a degradação dos ecossistemas marinhos. O levantamento realizado por universidades da Califórnia e da África do Sul mapeou impactos em 20 habitates diferentes em dois cenários climáticos. O aquecimento dos oceanos e a perda de espécies pela pesca são os principais fatores de risco identificados no futuro. Apesar de os trópicos já sofrerem os efeitos, as regiões polares são as mais afetadas atualmente e a tendência é piorar. Os cientistas reforçam a necessidade de ações políticas urgentes para controlar a atividade pesqueira e as mudanças climáticas, protegendo os ecossistemas marinhos. [Música]