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Olá, a ONU declarou que 2025 é o ano internacional da preservação das geleiras. Esse é um apelo para um pedido global de atenção para as ações com derretimento acelerado. No entanto, você já ouviu falar sobre isso? Você sabe o que está acontecendo e qual é a relação das geleiras, inclusive com a gente que está aqui no Brasil para falar sobre isso. Hoje o Giro Ambiental recebe, olha, a bióloga especialista em ecologia antártica, Francine Elias Pieira. Francine, seja bem-vinda mais uma vez aqui ao Giro Ambiental. E já de pronto eu pergunto, qual foi a sua inquietação quando, apesar dessa declaração de do ano da geleira, a gente ainda tem muita coisa acontecendo, muitos problemas e que grande parte da população nem imagina. Olá, muito obrigada novamente por estar aqui. E sim, a minha inquietação, na verdade, eh, que colocaram, né, instituíram o ano internacional das geleiras e muita gente nem sabe que as geleiras existem, nem sabem para que elas servem, onde onde estão, né? Por exemplo, as geleiras da Antártica, né, que é o meu que é o local do meu objeto de estudo, ele fica, parece longe, mas não é longe. E é onde a gente tem mais de 70% da água doce do planeta congelada nas geleiras de lá. E as pessoas não têm noção disso, né? Então essa foi a minha maior inquietação no começo de 2025. E a partir dessa inquietação e o que que tá acontecendo hoje com essa reserva de água doce que nós temos no planeta? Bom, essa reserva de água doce, ela está derretendo, né? A gente sabe que tem tem geleiras não só na Antártica. Na Antártica é esse essa maior porcentagem, né? Mas a gente tem as geleiras no Ártico, a gente tem as geleiras nas montanhas, a cordilheira dos andes aqui, que a gente também não pensa nisso, que se derreter a cordilheira dos andes, nós estamos na América Latina junto com elas, na América do Sul junto com a cordilheira, né? Então, quando se fala em degelo, se pensa só lá na Antártica, no urso polar, lá no Ártico. Mas a gente tem também as geleiras aqui próximas. a gente não vê, mas elas estão próximas e elas estão se perdendo. A gente tá vendo acontecer, né, esse derretimento. Tem estudos mostrando mesmo eh a quantidade de gelo que tá sendo perdido. Tanto que eu fiz um pósdoc na Coreia 2017, 2018 e eu fui pra Antártica com os coreanos e lá perto da estação coreana existe uma geleira que eles têm dados desde 1956 com fotos e tudo. E a gente consegue ver nitidamente uns 3 km de gelo que já foram perdidos. Então, se a gente pensar que não existe só essa geleira perto da estação, existem muito mais geleiras, a gente fica preocupado, muito preocupado, porque as geleiras quando elas derretem, como elas estão em cima da terra, elas começam, né, a água começa a escorrer para dentro do oceano. Aí é a mesma coisa da gente ter um copo com água e vai colocando mais água. Uma hora ele aumenta o nível e derrama. E é o que tá acontecendo com a gente hoje em dia aqui na no planeta Terra. Agora, Francine, como uma pessoa, né, da que tem o senso comum, a gente começa a perceber, olha, muito se fala disso. Eh, é quando a gente ouve, por exemplo, dizer que com esse derretimento e o aumento do nível do mar, por exemplo, muitas cidades e algumas populações poderiam ficar embaixo d'água na prática. É isso. Exatamente isso. Eh, porque como eu falei, né, a gente tem dois polos, o Ártico, que é oceano congelado, e a Antártica, que é um continente com gelo. O Ártico, como o gelo já está em cima da água ali, é a mesma coisa da gente ter um copo com gelo. Aquele gelo derrete e vai ficar ali na dentro da do copo já. Antártica. É o que eu falei, é como você colocar, como se você colocasse água de fora até aumentar. E o pior que como os oceanos todos, né, ali eles estão com uma temperatura mais elevada, a gente tem também um aumento no volume da água, que a água mais quente ela se expande. E isso já está fazendo muitas ilhas perderem terras. Então, a gente já tem ilhas que já estão com problemas paraas populações ali que vivem, né, no entorno da ilha. Eh, se a gente prestar atenção, até muitas praias nossas aqui, elas já estão perdendo faixa de areia, né? Então isso vai ser muito importante saber para ter como prevenir, né? Não só essa parte do aumento de de temperatura, tudo que a gente precisa, né, saber mais sobre isso, mas também como prevenir de não estar ali na beira da praia quando começar a encher, que já está enchendo. Então, eh, era uma verdade, sim. Antigamente se falava em 2010 por aí, que a gente ia ficar sem as casas ali no litoral, mas isso tá mudando e tá ficando cada vez mais próximo, né? Os anos estão se aproximando e a gente Mas Significa, Francine, significa que esse processo está acelerado? Sim, está bem acelerado, porque a gente viu que o a temperatura ela tá se elevando muito mais rápido do que até os estudos mostravam. Então, o ano passado a gente teve alguns dias que bateram 1 e meio, né, 1,5 a mais do normal, que era o o topo assim de se chegar e parar, mas os estudos estão mostrando que jeito que a gente tá fazendo, daqui poucos anos, nós vamos chegar a 2,5, 3º acima do normal. Então isso faz as geleiras derreterem muito mais rápido. Agora, na sua opinião e nesse estudo, é possível agora, digamos que rapidamente que cada um de nós tenhamos um posicionamento diferente, façamos de uma forma diferente para tentar minimizar esse impacto ou de certa forma desacelerar esse processo. Sim, a gente pode contribuir, que é o que eu falo, né? Uma ação individual, ela ajuda muito, não só pela ação em si, mas pelo exemplo que você tá dando paraas outras pessoas. Então, aquela simples, aquela simples atitude de não usar um copinho plástico já faz muito, porque para se produzir um copinho plástico são toneladas de gases do efeito estufa que são liberados. E aí você utiliza aquele copinho por alguns segundos e joga no lixo. É muito raro aquele copinho ser reciclado, porque o plástico é muito leve, não traz tanto retorno para quem recicla e tudo isso. E aí ele vai parar na no meio ambiente e a partir do momento que ele começa a se degradar, o plástico é feito de petróleo e aí ele começa a liberar gases do efeito estufa também. Então, uma atitude você vê que já modifica muita coisa. E aquela velha história, uma pessoa não usando copinho plástico, mas 7 bilhões de pessoas também deixaram de usar o copinho plástico. Então, deixar de usar o copinho, ter a sua garrafinha para não ficar comprando garrafinhas, eh, o máximo possível andar a pé, né? Não pegar o carro para ir até a esquina. Então, tudo isso vai ajudando aos poucos. a não acontecer coisas piores. A gente ainda tem esperança. A gente tá encerrando por aqui, Francine. Nós estamos num momento bem importante no nosso país. COP 30 começando, né? Apesar de estar falando das geleiras, é um tema que diz muito também sobre esse evento global. É, a COP 30 ela é muito importante, né? Tanto que a conferência das partes para discussão das mudanças climáticas, ela é sempre muito importante para trazer novas ideias e e novas atitudes do que se pode fazer pelos países para que isso não avance e para que os países que já estão sofrendo, como a gente falou, né, do do aumento do nível do mar e tudo, como que elas podem se adaptar ao que tá acontecendo. Então, a COP 30 vai ser lá na Amazônia, porém o pessoal que estuda oceano tá muito mobilizado para ir pra COP 30. Eu irei como delegada, né, representando aí o Brasil, levando também a minha ONG, né, o gelo na bagagem, que eu trabalho com essa parte de educação ambiental. E aí a gente vai trazer essa discussão que o que a gente faz aqui afeta a Antártica e sem a Antártica e o que tá acontecendo ali vai afetar a gente aqui no Brasil. É, esse acho que seria aí o recado mais importante, porque a gente pensa, poxa, eu tô no Brasil aqui, eu não tenho nada a ver lá com Antártico, não, mas a gente tem é tudo interligado, Francine. Isso mesmo. É o que eu sempre falo, tudo está conectado desde as correntes atmosféricas, as correntes marinhas. Então é isso. A Antártica é o coração gelado do planeta. Se ele derrete, se ele para de bater, é como o nosso coração. Parou de bater, acabou. Mas é o que eu falei, a gente ainda tem esperança, tá certo? Então, Francine, muito obrigada pela sua participação e a gente espera que depois possamos ter novos novas conversas aqui com o resultado, com aquilo que foi definido, decidido e com as colaborações também na COP 30. Muito obrigada. Com certeza. Eu que agradeço e venho mesmo contar como foi a COP, tá certo? Então, olha, o giro ambiental fica por aqui, mas continue ligado porque a partir de agora a gente tem informações, curiosidades sobre meio ambiente e sustentabilidade. Uma rara formação geológica, as chamadas chaminés de fada, foi identificado pela primeira vez no Brasil, em Campos Belos. Nordeste de Goiás. A descoberta feita por pesquisadores da Universidade Federal de Goiás, em uma área particular, ainda não está aberta à visitação pública. Essas curiosas torres rochosas, algumas com mais de 3 m de altura, são resultado de um processo geológico conhecido como erosão diferencial. Uma camada de rocha mais dura no topo protege a base mais frágil que foi escavada pela ação de um antigo rio. Segundo a geóloga Joana Paula Sanchez, o que torna a descoberta inédita no país é a dimensão e o bom estado de preservação da área. Estruturas em Goiás são as maiores e mais extensas já descritas oficialmente no Brasil. A Terra pode ter cruzado o seu primeiro ponto de não retorno climático, um alarmante branqueamento dos Recifes de Corais causado pelo aquecimento dos oceanos. é o que indica o relatório Global Tipping Points de 2025, elaborado por 160 cientistas de mais de 20 países. O documento alerta que caso esses limites sejam de fato ultrapassados, a humanidade já vive uma nova realidade. A morte dos Recifes é o sinal mais grave de uma mudança que pode não ter mais volta. Os corais registram os piores níveis de branqueamento da história entre 2023 e 2025. Esses Recifes considerados um dos ecossistemas mais vulneráveis abrigam cerca de quarto de todas as espécies marinhas do mundo.