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Uma nova espécie de ave foi vista pela primeira vez na borda da mata Santa Genebra, no distrito de Barão Geraldo, em Campinas, perto da divisa com a área particular de plantil. Trata-se do acau o registro da ave na Ari, que é uma área de relevante interesse ecológico, causou surpresa e alegria à equipe que trabalha no local, já que na lista de aves ainda não constava por ali nenhum registro dessa espécie. E para entender melhor o que representa aí a presença ou a passagem do Acuan nesta região, nós vamos conversar com o biólogo da Fundação José Pedro de Oliveira, que é a gestora da Mata Santa Genebra, Tomás Henrique Barreira, que tá aqui conectado no Giro Ambiental com a gente. Tomás, seja bem-vindo. Primeiro vão, eu queria que você contextualizasse em que momento, em que situação, o que que estava acontecendo que vocês conseguiram aí fazer esse flagrante, digamos assim. Olá, tudo bem? Então, a tinha marcado com um observador que é parceiro aqui da fundação, que a gente periodicamente procura fazer, né, o que a gente chama de passarinhada, uma saída para observação de aves, justamente pra gente saber que espécies estão ocorrendo naquele momento, que, né, se tem alguma novidade, que foi o caso, né, pra gente ter uma noção de como que tá a saúde aqui da população de aves da mata. E a gente era cedinho já, a gente já tinha caminhado um pouco, fazia cerca de uma hora que a gente tava fazendo a observação, né? A gente escutou um canto que não é o normal, né? A gente não tinha escutado por aqui ainda. Nós dois já conhecíamos o o Auan, já eu já havia feito registro dessa ave em outro local de Campinas, né? Mas ao escutar a gente parou e era um ponto que da onde vinha o canto já a gente já tinha até passado. A gente resolveu voltar para trás para tentar localizar o animal, né? A princípio a gente escutava nitidamente, mas não conseguia avistar ele. Então a gente fez uso de um recurso que é legal, mas precisa ser feito de forma muito comedida, que é o uso do que a gente chama de playback, onde a gente coloca o som daquela ave, né, para que ela fala: "Opa, tem mais alguém aqui". e ela se aproxima. E ele veio e pousou numa árvore bem perto da gente, numa área onde estava limpinho pra visualização e foto, né? Pra gente inclusive confirmar a identidade do bichinho, né? Aí ele ficou um tempo lá pra gente conseguir registrar ele. Depois ele virou de ele primeiro pousou de costas, depois virou de frente. Ele acho que ele queria fazer um book, né, da da ocorrência dele. Então ele cooperou muito com a gente para para esse registro. Agora, ô Tomás, a gente, inclusive, eu já entrevistei tanto você quanto Dionísio nesse trabalho importante de registrar as aves que passam ali pela Mata Santa Genebra. E a gente percebe, quando a gente tinha aqui a o programa Meu Ambiente, que ela tem um significado, não é só um aparecimento simples que a gente ele traz algumas informações quando uma ave, quando há esse registro da biodiversidade numa em qualquer área, principalmente numa área como a Mata Santa Genebra. Nesse caso do akauan, qual é a mensagem quando você eh percebe que eh ele tá circulando por essas paragens, digamos assim? É, o Akauan, ele é um, né, um falcãozinho bem especialista, né? Ele tem uma preferência muito grande por serpentes, né? é o hábito alimentar dele. Então, o fato dele tá buscando aqui a mata, né, mostra que tanto a mata como o entorno dela tá dando condições para que ele consiga alimento e abrigo, né? em si ele tá chegando até aqui, porque dois cenários, ou a gente teve um aumento da população e aonde esses animais estavam, tá com bastante ocupante, então ele precisou procurar um novo lugar ou um cenário mais triste, que é aonde ele ocupava, não tem mais condições dele ficar, ele precisa de uma nova área que seja segura, né, e que possa fornecer o que ele precisa. E aqui ele acabou encontrando isso. Então, geralmente o Acau ele é ele não é encontrado, por exemplo, em áreas urbanas da nossa cidade, mas em áreas rurais é que tem aí uma certa quantidade de de florestas, digamos assim. É esse para quem tá lá em casa, entender mais ou menos esse conceito. Isso. O Akauan, pela especialidade dele, ele vai procurar lugares mais naturais, não necessariamente uma floresta fechada, porque as serpentes também estão presentes em áreas de campo, né? Mas num local onde ele possa encontrar esse alimento, né? Então, dentro da cidade é basicamente impossível que ele consiga esse tipo de alimento. Ele teria que partir para outras alternativas elementares que não são a preferência dele. Então, não é o animal que a gente vá ver, por exemplo, dentro da cidade, como ocorre com alguns outros gaviões que já são mais flexíveis quanto a alimentação. Eh, no total aqui, de acordo com o material que eu recebi, a lista do plano de manejo atualizado agora tem 249 espécies de aves que estão ou estiveram em algum momento presentes na mata. Significa que quando há, por exemplo, esse registro do akacau no caso, não significa que ele está morando na mata. Ele pode, ele tem a mata como um lugar de referência, mas não necessariamente que ele está naquela na todo o tempo por ali. É isso. Isso. Essa lista ela contempla estudos de mais de 20, 30 anos. Então, algumas aves que eram presentes, por exemplo, aqui há 30, 40 anos atrás, hoje podem não estar mais, assim como outras que não estavam podem chegar. E aí esse chegar é o que você falou, ele pode se estabelecer e ficar por aqui ou usar somente como um ponto de passagem. Mas de qualquer maneira mostra que se ele parou aqui é porque algo interessante para ele tava aqui, né? E nesse sentido, como fica então esse trabalho de vocês biólogos na Mata Santa Genebra? A gente sabe que ele é um fragmento importante de Mata Atlântica. justamente nesse sentido de cada vez mais trabalhar pela preservação desse espaço para que ele possa não apenas abrigar como a gente tem aí geralmente vocês mandam pra gente algum flagrante daquelas câmeras noturnas, né, de espécies de que a gente conhece com onças e tudo mais, mas também a biodiversidade das aves e tantos outros animais que podem ter a mata como referência. Pois é, a gente trabalha bastante no sentido de trazer a mata para uma estabilidade maior possível dentro do contexto onde ela tá, né? é que ela tenha um ecossistema completo que possa oferecer justamente a fauna do entorno e da região como um todo, que alguns animais como a onça Jaguatilica, eles podem viajar bastante, eles podem andar bastante, mas que eles possam sentir aqui que eles têm alimento, que eles têm abrigo e segurança. Então, que eles possam usar a mata que seja como uma passagem, mas que seja uma passagem segura para eles, né? Então, o fato da gente ter essas essas aparições, né, que não necessariamente significa que o animal se estabeleceu aqui, mas todo animal que passa por aqui, alguma coisa favorável ele encontrou. E pra gente isso é um sinal de que o nosso trabalho tá sendo o suficiente para manter aquilo que precisa para eles, que é um ecossistema equilibrado e estável, onde ele encontre tudo que ele precisa. E nesse contexto, Tomás, qual que é a importância de a gente falou aqui no início, inclusive nesse flagrante você estava com o José Dionísio, qual que é a importância dos observadores de aves, por exemplo, que sempre usam aí, sempre estão na mata colaborando, fazendo esses registros? É que de certa forma é um trabalho voluntário também, né? Sim. os fotógrafos e os observadores, eles frequentam a mata e eles acabam dedicando um tempo que muitas vezes os técnicos aqui não têm para fazer essas observações, né? Então eles contribuem com a parte científica e contribuem com a gestão da unidade, porque todo registro, independente se é de uma ave, de um mamífero ou de um inseto pequenininho, de um de um outro invertebrado, mas que seja muito relevante, direciona a gente para saber que legal que essa fauna tá aqui, que legal que esses animais estão conseguindo se manter aqui, né? E ou então, puxa vida, tem gente nova no pedaço. Vamos prestar atenção ao que essa o que esse animal precisa, se já tem ou o que a gente precisa complementar e melhorar para que ele escolha ficar com a gente aqui, tá certo? Então, olha, vou fazer o seguinte, Tomás, o nosso tempo do giro ambiental aqui tá acabando, mas já fica o convite. Quando você tiver novidade, digamos, apareceu um novo animal, uma nova ave também, uma nova espécie, o giro ambiental está aqui à disposição pra gente mostrar para quem tá lá em casa qual que é a importância da Mata Santa Genebra, que fica aqui no coração de Campinas, aqui no distrito de Barão Geraldo e a importância dessa preservação. Inclusive, eu vou aproveitar o finalzinho, a mata pode até ser visitada por todos também, né? Primeiro eu queria agradecer o convite para est aqui e essa parceria que já não é de hoje que a gente tem, né, na no auxílio de vocês a divulgar o trabalho que a gente faz e a importância da mata. E para todos que quiserem vir conhecer, que ainda não conheceram, a gente tem um programa de visitação que a pessoa acessa o nosso site e ele vai lá, tem lá informações, eh, inscrições e eventos. Aí tem a modalidade visita autoguiada, aonde vão estar as datas e os horários. Nessa modalidade a pessoa se inscreve, chega aqui na mata, a gente passa uma orientação e é liberado o acesso a um trecho da mata. Não é a mata inteira, mas é um trecho bastante significativo que envolve o borboletário, envolve o riacho, nosso meliponário, né? Então a pessoa já vai ter uma boa visão do que é a floresta aqui, né? E a gente tem a modalidade de visita monitorada para grupos, onde é possível a contratação de um condutor. O serviço do condutor é pago, eles cobram pelo serviço deles, porém o acesso à mata é todo gratuito e eles podem passar mais informações e levar as pessoas em áreas aonde a autoguiada não permite, né? Então, uma opção para um conhecimento além do que já é liberado aqui para eles. E a gente, eu vou pedir para repetir, a gente já colocou aí o endereço do site para que você possa ver como funciona essas visitas. Eu peço aqui pro pessoal repetir. Muito obrigada, Tomás. E, ó, não saia daí que o giro ambiental continua. Agora a gente traz informações e curiosidades sobre o meio ambiente e a sustentabilidade. O Guigó da Kaatinga, um macaco exclusivo do Brasil e classificado como criticamente em perigo de extinção está sob ameaça devido à perda de habitar. Um estudo na revista regional Envy Romington Change aponta que o bioma Catinga perdeu 17% de suas florestas entre 1985 e 2021. Aproximadamente 54% da área de ocorrência do Guigó já foi convertida em agricultura ou áreas sem vegetação. A expansão agrícola e a degradação florestal dificultam a sobrevivência e a dispersão desses macacos que vivem em pequenos grupos monogâmicos. Cientistas estão estudando a cobra vaso de flor, um pequeno répti conjuntos de cromossomos, algo único entre as cobras e uma notável capacidade de reparar o seu DNA e prevenir mutações. As descobertas publicadas na revista Science Advences mostram que o animal utiliza um mecanismo chamado endorreplicação premiiótica. Segundo Mateu Fugita, da Universidade do Texas, esse processo permite que a cobra duplique os seus cromossomos antes da divisão, eliminando a necessidade de reprodução sexuada. Dessa forma, a cobra, vaso, flor consegue gerar descendentes que são clones genéticos exatos de si mesma, aprofundando a compreensão entre a evolução dos genes.