[Música] E no giro ambiental de hoje, vamos falar sobre como as mudanças climáticas impactam na dispersão das sementes e, obviamente, em todo o sistema ecológico. E para falar sobre isso, a gente convidou o Eduardo Rigace, que é doutor em ecologia, e vai explicar pra gente o estudo dele, que foi justamente pensando nisso tudo, em como é que isso pode ser mitigado, né, Eduardo? Muito obrigada pela sua presença aqui no Giro. Eu que agradeço, Eduardo. Queria que você falasse um pouquinho da sua pesquisa, eh, baseado em que e por você resolveu pesquisar esse assunto. Legal. Então, eh, essa pesquisa, ela é o meu doutorado em ecologia pela Unicamp e a gente queria entender como que as mudanças climáticas, que são hoje um dos maiores problemas que a humanidade eh enfrenta, pode afetar essa que é uma das interações ecológicas mais importantes para as regiões neotropicais, que são essa que onde o Brasil tá incluído, né, que são as regiões próximas ou ah adjacente aos trópicos, né? Então, por que que essa interação é tão importante, né? Porque cerca de 90% ah das plantas que produzem madeira dependem dos animais para dispersarem as suas sementes, né? E como as plantas são organismos céceis, para elas expandirem a sua distribuição, elas precisam que esses animais levem essas sementes para outros locais, né? Então ela tem uma função muito importante. Esses animais que dispersam as sementes, que são chamados de frugívos, eles podem ser considerados os jardineiros naturais, né? Então eles fornecem essa, eles plantam as florestas pra gente de forma gratuita, né? E o que a gente conseguiu ver na tese, na dissertação, ao longo eh desse tempo foi que um dos principais efeitos das mudanças climáticas vão ser desacoplar, né? Então, animais e plantas podem não interagir da mesma maneira como eles acontecem hoje, porque a distribuição das espécies elas podem se alterar, né? Porque veja, para uma interação ocorrer, animais e plantas precisam estar no mesmo espaço, precisam cocorrer. E o que a gente verificou é que as mudanças climáticas vão alterar a distribuição dos animais e das plantas, fazendo com que eles não cocorram no mesmo espaço e no mesmo tempo, né? E aí vão precisar existir outros mecanismos para dispersar essas sementes? É, infelizmente o que a gente tem é que não há substitutos, né, a aos animais nesse caso, né, porque o papel que os animais fazem na dispersão das sementes vai muito além só de levar as plantas para outros ah lugares, né, ampliar a distribuição. Eles também aumentam a germinabilidade. Então, existem muitas plantas que elas só germinam se elas passarem pelo trato digestório dos animais. Mas isso a gente verificou na tese, porque a minha tese teve um componente de campo. Então eu fui a campo olhar quem são os animais que consomem esses frutos, quanto que eles consomem e quais os efeitos que esses animais têm ao ingerirem os frutos, né? Então eles eh fazem o trabalho de despoupar o fruto. E existem alguns eh componentes mecânicos e químicos que ocorrem no durante a digestão do animal, que dá sinais para aquelas sementes que ela tá na hora de dispersar, né? Então, o grande problema é que nem nós vamos conseguir atuar de maneira tão eficaz quanto os animais, porque muitas dessas sementes elas precisam necessariamente passar pelo trato digestório dos animais. Alg, uma informação relevante que a gente viu é que para as duas plantas foco que nós utilizamos para entender essas interações que foi a Imbaúba Prateada e a Palmeira Jussara, existe uma uma diferença de cerca de oito vezes ah chance a aumento de chance desses frutos serem desses dessas sementes germinarem se elas passarem pelo trato digestório dos animais comparado a uma semente que cai no chão sem passar pelo trato digestório, cai no chão ali embaixo da árvore com a polpa, né? Nossa, isso é isso é muito mais sério então do que a gente imagina, né? Porque então precisa desse trato digestório para tirar a latência que a gente fala da semente, né? não é simplesmente um lugar úmido, eh, precisa de muito mais às vezes. E esse olhar ecológico, né, Eduardo, que a gente precisa eh potencializar nas crianças, principalmente, entendendo que o meio ambiente ele caminha junto, nada é isolado, né? Exatamente. Eu acho que essa importância de levar paraas novas gerações também, qual a importância dos animais, né, para além deles serem fofinhos, legais, eles têm funções dentro do ambiente e que nos mantém vivos, né? Então, acho que a uma área importante da conservação tem ganhado força nas discussões, enfim, vamos ter a COP também agora do clima. é entender que os animais têm funções ecológicas importantes paraa manutenção da vida, então da nossa vida principalmente, né? Então, conservar a natureza, conservar um espaço ecologicamente equilibrado, eh, com todas as a as proteções que essas plantas e animais, enfim, esses ambientes merecem, é algo bastante relevante para o nosso bem-estar, né? Então, algo que a minha tese também tem para entender é qual que é o valor individual dessas espécies, né? Porque a gente verificou eh o papel que nós chamamos de papel funcional, né? Que é entender mais do que quantas espécies estão no ambiente, mas o que essas espécies fazem no ambiente, né? O quanto de semente elas conseguem ingerir, qual o efeito dessas espécies na germinação, né? Aí o que a gente viu é que entre as espécies de frugíferos também a gente tem muitas diferenças entre a o papel, né? Então espécies colaboram mais, espécies colaboram menos, né? Então, esse papel do valor individual das espécies, né, que todas as espécies têm a sua importância, é algo que a gente precisa eh ressaltar também já no ensino básico, né, para as crianças, né, trazer o olhar também de que é eh a presença dessas espécies garante também a presença do ser humano na Terra, né? Sim. É essa visão eh é uma palavra funcional do todo, né? E não não necessariamente isso seja uma isso não seja uma causa da mudança climática. Aliás, isso é uma causa da mudança climática e não uma consequência. A questão das monoculturas que mexem também no regime de alimentação dos animais, eles acabam migrando de solo. Eh, e a gente vê assim grandes áreas de florestas sendo transformadas em plantações de soja, de grãos. Isso também além de impactar nas mudanças climáticas, também impacta nisso que você tá dizendo, não é? Queria que você confirmasse, porque os animais acabam saindo em busca de alimentos ou se concentrando em áreas que antes eles não ocupavam. E isso também impacta na dispersão das sementes? Com certeza. Isso é um fator bastante grave assim, né? O que a gente chama dessa transformação, mudança do uso da terra, né? Porque hoje que nós temos são pequenos fragmentos de floresta envoltos por uma matriz, né? Então são paisagens inóspicas para alguns desses animais que ficam dentro desses fragmentos de floresta, né? Eh, uma das áreas que eu fiz os as observações de campo foi a mata de Santa Genebra aqui em Campinas, próximo até da Unicamp. E ela é um bom exemplo de uma mata que tá envolta já por uma matriz periurbana, né, que é uma matriz parte rural, mas também já bastante urbanizada, né? É importante ressaltar que o tamanho dessa desses fragmentos de mata é bastante importante, porque alguns animais eles têm o que nós chamamos de área de vida. Então eles precisam necessariamente para desenvolver essas atividades básicas um certo tamanho de área. Isso a gente já tem definido por muitas pesquisas, né? Então, por exemplo, a anta, que é um importante dispersor de sementes, um dos maiores dispersores de sementes das Américas, ela hoje é quase extinta nessas formações de mata de interior, que nós chamamos de mata semidecídua, porque os fragmentos de mata já não comportam ter uma uma espécie de anta lá dentro, né? E muitas vezes e o que acontece é em fragmentos muito pequenos essas antas elas saem então daquele espaço. Daí ou elas são atropeladas ou elas são caçadas, né? Então tem toda uma complexidade nisso que é bastante bastante relevante, né? Então essas áreas de agricultura elas oferecem uma forma de alimento só, por exemplo, né? E isso impacta bastante também na dieta eh desses bichos, né? que acabam ficando bastante restrito aqueles fragmentos de mata, né? Por isso que tem essa essa conta que quando a gente encontra uma onça num lugar é porque geralmente esse ambiente está mais equilibrado, né? porque ela tá lá no topo da cadeia alimentar, então significa que aquele ambiente ainda tá ecologicamente mais equilibrado. É exatamente quando a gente tem onças naqueles locais, como a onça ela tá no topo da cadeia alimentar, eh a gente tem todo um um grupo de animais que antecede, né, a ela para que ela ocorra e se mantenha saudável naquele lugar, né? Então, eh, diz que ali nós temos diversas, eh, componentes tróficos de animais ali, né, que vão, eh, fazendo a ciclagem dos nutrientes, mas também se alimentando um dos outros e aquilo vai chegando a níveis tróficos que nós chamamos bastante elevados, que são, por exemplo, o dos predadores de topo, né? Eh, mas algo que a gente tem visto inclusive com as oncesas, acho que a onça parda sido uma das grandes eh questões que nós temos vistos visto na região aqui metropolitana de Campinas, né, nas cidades mais interior. É justamente por isso que eu tava explicando da da área de vida, né? Então nós temos onças pardas em algum desses fragmentos, mas a o tamanho desses fragmentos de mato tem cada vez diminuído tanto por diversas eh causas, né? Então, especulação imobiliária, aumento das áreas agrícolas, expansação urbana e que esses animais eles já acabam não conseguindo ficar dentro desses espaços de mata que estão ficando cada vez mais empobrecidos desses outros animais que formam essas essa cadeia, né? essa cadeia trófica. Então, o que a gente tem visto é que muito desse tem aumentado a taxa de encontro, né, nossa, com esses animais. Isso não é o ideal. Esses animais não são feitos para pra gente ficar encontrando eles. Esses animais são animais que são próprios de mata. Eles têm que ficar lá dentro exercendo, ah, enfim, as suas atividades, o seu modo de vida ali, né? Então acho que é tem todo uma uma questão que vai esbarrando um pouco na outra também, né, em termos ecológicos. Sim, tudo se comunicando sempre, né, Eduardo, eu queria que você deixasse seus canais de contato para quem quiser tirar dúvidas, te acompanhar. Sim. Eh, eu tenho o meu meu e-mail que as pessoas podem entrar em contato, que é o
[email protected]. E então é um é um ambiente que a gente pode trocar informações, né, sobre sobre a ecologia e também sobre a interação de dispersão de sementes, né? Eu trabalhei durante trabalhei não, eu trabalhei fazendo observações de campo pro meu doutorado, pro meu mestrado também, que foi em ecologia na Mata Santa Genebra. Então, tenho um contato bastante importante aqui com a região, né? Santa Genebra, né, da importância que tem a Mata Santa Genebra também pra gente. Sim, Eduardo, agradeço demais a sua participação aqui com a gente no Giro, uma pesquisa fundamental, muito importante aí pra gente pensar os próximos passos, né? Muito obrigada. Obrigado, Alexandra. Eu que agradeço pela oportunidade de falar um pouco mais sobre a pesquisa. Muito obrigada mais uma vez e para você que nos acompanha e continue com a gente porque agora é hora daquele giro ambiental pelas curiosidades do Brasil e do mundo. A crise climática já impacta a educação e ameaça o futuro de nossas crianças, prejudicando a educação no Brasil, um dos pilares do desenvolvimento do país. Um dos impactos já visíveis é o não cumprimento da meta nacional de alfabetização de crianças do segundo ano do ensino fundamental. A meta de 60%, ou seja, seis em cada 10 crianças de 7 anos, não foi alcançada em 2024. Apenas 59% dos alunos demonstraram habilidades mínimas de leitura e escrita, conforme dados do Ministério da Educação. O ministro da educação, Camilo Santana, justificou o resultado com as enchentes do Rio Grande do Sul. O estado, de fato, teve uma queda expressiva no índice de alfabetização, caindo de 63 para 45%, o que afetou a média nacional. No entanto, o texto argumenta que esses eventos climáticos extremos não podem mais ser vistos como atípicos ou excepcionais. A crítica é que enquanto o Brasil e outros países continuam a apostar em combustíveis fósseis, a transição energética avança lentamente. O aquecimento global causa interrupções na educação infantil com escolas fechadas por inundações ou calor extremo, desorganização do calendário escolar, aumento da evasão e impactos na saúde física e mental de alunos e professores. [Música]