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[Música] No giro ambiental de hoje, vamos repercutir e tentar compreender o que provocou o encalhe em massa dos pinguins de Magalhães no litoral de São Paulo e eles foram encontrado em avançado estado de decomposição. O Instituto de Pesquisas Cananéia, o IPEC, registrou 880 animais em Cananéia, Ilha Comprida e cidades do litoral sul de São Paulo até o dia 26 de agosto. E para conversar sobre esse assunto, nós convidamos o biólogo Vittor Filipe, que é mais conhecido nas redes sociais como Pido. Muito obrigada por aceitar o nosso convite, Pido. Tudo bem? Obrigado pelo convite. Eu que agradeço. A gente precisa falar desse assunto triste, né? A gente sabe que acontece esses encalhes ou aparecimento de alguns pinguins no nosso litoral. Eu mesma tive a oportunidade de conhecer um pinguim pessoalmente no litoral de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, há mais de 20 anos atrás. Ele estava vivo. E aí eu fui saber que acontecia esses desvios de rota, né, Pido. Mas essa quantidade de pinguins, o que será que tá acontecendo? Bom, eh, o que acontece é que realmente eh o nosso litoral ele acaba fazendo parte da rota de migração, só que principalmente de pinguins que acabam vindo da região da Patagônia. Só que a hora que eles chegam aqui na nossa região, né, principalmente eh eh os registros foram feitos, apesar do Instituto Canéia ter eh registrado mais de 800 mortes, se a gente pegar todo o litoral desde o Santa Catarina até o Rio de Janeiro, já são mais de 3.300 mortes registradas até esse mês, agora só em 2025. Então o que acontece é que quando eles vão chegando aqui no nosso litoral, eles vão se deparando com situações que eles naturalmente eles não estariam acostumados das mais diversas possíveis e isso acaba levando ao encale. Eu lembro que na época eu fiquei curiosa, fui pesquisar um pouquinho e descobri que eles até tinham pneumonia, né, por causa da mudança climática e tal, mas nesse caso o que chamou atenção foram as características, né? Parece que são mais jovens os pinguins encontrados. Isso eh uma da uma das dos principais fatores que acabam levando eles a a isso é que quando eles chegam aqui no nosso litoral, eles estão muito cansados e a primeira coisa que eles sofrem em termos fisiológicos é com hipotermia. Então eles já estão cansados, estão sem energia, mudança de temperatura, leva um quadro de hipotermia e essa hipotermia pode levar, por exemplo, ao desenvolvimento de infecções que até então o sistema imunológico deles estava conseguindo combater. Só que essa mudança acaba desfavorecendo isso. Então o quadro de pneumonia é um dos quadros que pode acontecer por conta dessa mudança climática que eles enfrentam. Esse número expressivo é a primeira vez que se encontra de uma vez só, né? Porque de uma vez só assim, né, ao longo de 15, 20 dias, né, esse número ao longo do ano já existe uma estimativa, mas eu acho que foi uma quantidade maior do que esperado, não é? É, realmente esse ano virou notícia porque foi um número muito grande num período muito curto de tempo. Eh, se a gente pegar 2024, por exemplo, o ano todo registrou um número alto também, mas ao longo do ano todo. Só que esse ano, esse número, por exemplo, se a gente pegar só em Ilha Comprida, que foi aonde eh gerou a principal notícia, foram mais de 330 animais somente num trecho de praia, que foi o trecho de Ilha de Ilha Comprida no período de uma semana, eh, na verdade quase que um dia praticamente que foi quando eles chegaram lá. Então, por isso que foi um número que foi meio impressionante por conta de ser um período muito curto de tempo, né? Sim. muito maior do que o esperado pro período, né? Eu sei que ainda é uma especulação porque a gente não tem os dados, eh, parece que as pesquisas estão sendo feitas com aqueles que ainda têm alguma, preservaram alguma condição também, porque não dá para pesquisar quando já tá muito decomposto, né? Mas o que poderia causar, já que eles não têm a presença de óleo, por exemplo, que é uma contaminação visível e que a gente consegue associar já a algum desastre ambiental, alguma coisa assim? É. Então assim, eh, é bem o que você disse mesmo, que por conta do estado avançado de decomposição é difícil determinar, mas o próprio instituto recolheu algumas amostras e agora a gente tem que esperar o resultado dos estudos. Eh, mas assim, na base da da das hipóteses, né, eh, o encontro com águas poluídas pode aconte essa mortalidade alta, porque pode levar eh, não exatamente no local que eles morreram, mas o início do contato com água, águas mais poluídas, pode levar processos de infecções, eh pode levar o desenvolvimento de parasitoses. Então, pensando em fatores internos, né? Ao desenvolvimento de parasitos e infecções bacterianas mesmo, virais e tal, com que são agentes que eles não tinham contato até então onde eles estavam, pode ter o quadro de poluição e não necessariamente a poluição por óleo, eh, que é a seria a poluição visível, né? Então, pode ter esse esse desenvolvimento e pode ser que pelo longo período de viagem, a distância muito grande, o esforço, dependendo aonde eles chegaram, se eles não tiverem disponibilidade de comida suficiente para fazer essa reposição de energia, eh, a mortalidade pode acontecer por fome também, porque eles chegam muito cansados e eles têm que fazer essa reposição alimentar muito rápido também. E aí por conta da situação do local, se não oferecer essa quantidade de comida suficiente, acaba levando essa mortalidade de algum alguns indivíduos do grupo, né? E eu tinha visto também a questão da pesca. Isso é possível de acontecer, já que eles não têm interesse comercial, terem sido pescado por acidente e descartados? Olha, eh, a interação com a atividade pesqueira pode levar sim a isso, mas não necessariamente deles, eu acredito deles serem pescados e descartados daquela forma, eh, talvez até pela quantidade, mas nada é descartado, tá? Nada é nenhuma hipótese é descartada. O que eles entendem como interação com a atividade pesqueira é que, na verdade, a atividade pesqueira vai est no mesmo ambiente que esses pinguins usariam para se alimentar. E aí essa competição com a atividade pesqueira pode levar isso. Mas assim, a a interação com parte de redes de pesca e tudo mais também é uma uma hipótese e uma possibilidade que não pode ser descartada. Tudo a gente vai só ficar sabendo quando saírem os resultados finais das análises aí. seria uma competição por comida quase desleal, né? Porque a rede consegue ali capturar muitos peixes e como era um bando grande, de repente ficaram sem alimentação. Ou seja, são muitas hipóteses, muitas hipóteses. E como é que são feitos esses exames? Eh, eh, na parte gastroalimentar, gastrointestinal, a parte alimentar é sanguíneo? Você tem conhecimento dos testes? É paraa identificação, por exemplo, se existiu algum tipo de poluente na água que levou a isso, o próprio a própria análise no tecido, tecidos que ainda t condiç condições, né, que não tão em decomposição muito avançada, apesar do dos corpos de maneira geral estarem em estado avançado de decomposição, a análise desses tecidos pode ajudar na identificação de possíveis materiais poluentes que poderiam ter levado a isso. Mas se for na parte de ingestão e e presença de vermes, por exemplo, que pode ter levado o grupo à morte por conta de uma verminose eh ou parasitose de maneira geral, não necessariamente vermes, mas uma parasitose de maneira geral, eh seria trato gastrointestinal mesmo e tentar identificar naqueles que ainda tinham algum trato gastrointestinal para apresentar para para uma análise, né, preservado, né, e para alguma pergunta eh que eu cheguei a a pensar, mas não sei se tem sentido, eh a questão das mudanças climáticas e o aumento da temperatura dos oceanos, isso também pode impactar ou nesse momento tá descartado? Não pode impactar, porque toda essa alteração que a gente tem climática de maneira geral, que acaba impactando em temperatura de água, pode impactar também em corrente marítima, alteração, mesmo que leve, mas em porque esses animais eles usam as correntes marítimas como se fossem estradas no oceano. E se essas estradas por algum motivo, mudam a rota, é, por conta, principalmente de temperatura, por exemplo, e elas alteram a rota natural, acontece que aí esses grupos pegam caminhos diferentes do que eles deveriam pegar e muitas vezes são levados a locais ou que aumentam a distância do processo de migração e isso aumenta o cansaço e leva a todos os outros problemas. ou pode realmente alterar a rota, levando a rota até áreas de de litoral que eles não estão acostumados e que realmente aí não é por conta de mudanças, mas que aquela área, por exemplo, já naturalmente não apresentaria os recursos que eles precisariam. Então sim, as mudanças podem acarretar nessa mudança de rota deles e levar todo o resto dos problemas aí, ou seja, o nosso equilíbrio delicado, né? Infelizmente a gente tá sujeito a tudo isso e a gente espera então que as investigações consigam trazer alguma luz nesse sentido, né? Pido, eu queria que você deixasse seu canal de contato para quem tiver dúvidas ou quiser seguir os seus conteúdos sobre biologia. Ó, em todas as redes, no YouTube, no Instagram e no TikTok é Pido Biologia. Eh, e na nas próprias redes vai ter lá de contato, no Instagram, na na Bill tem o e-mail de contato. Então, fiquem à vontade, entra em contato e a sigam os conteúdos porque tem muita biologia todos os dias a gente tem um pouquinho de conteúdo de biologia para e ciência de maneira geral para oferecer para vocês aí. né? E o conhecimento é essencial para que a gente consiga também eh defender aquilo que é tão precioso, né? Queria agradecer demais a sua presença aqui com a gente, Pedo. Muito obrigado. Eu que agradeço o convite e agradeço a oportunidade de falar do assunto. Toda oportunidade que a gente tiver de conscientizar e falar sobre ciência é bem-vinda. Obrigadão. Obrigado mais uma vez. E para você que nos assiste, continue com a gente porque agora é hora daquele giro ambiental. pelas curiosidades do Brasil e do mundo. A cidade de Cabu, capital do Afeganistão, enfrenta uma crise hídrica alarmante e pode ficar completamente sem água até 2030. A previsão feita em um relatório recente da ONG Mercy Corps aponta para consequências humanitárias econômicas e ambientais catastróficas. A escassez de água não é um problema novo, mas foi agravada pelo resultado de uma combinação de fatores, como mudanças climáticas, má gestão de recursos, crescimento populacional acelerado e planejamento urbano deficiente. Nas últimas três décadas, a população da cidade também saltou de menos de 2 milhões para cerca de 6 milhões de pessoas, o que causou uma drenagem excessiva dos aquíos locais. Segundo o relatório, o déficit anual de água em Cabu é de 44 milhões de meticos. A Mercy Corps alerta que sem mudanças significativas na gestão hídrica, a cidade pode enfrentar um desastre humanitário sem precedentes na próxima década, cujos efeitos já começam a ser sentidos pela população. [Música] [Aplausos] [Música] O Brasil precisa ampliar produção de combustível sustentável para a aviação se quiser cumprir a meta. climática do setor até 2037 Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a Firan. Somente assim, o país cumprirá a meta de reduzir em 10% as emissões de gases do efeito estufa em voos domésticos até 2037. Para isso, será preciso produzir pelo menos 1.1 bilhão de litros de combustível sustentável de aviação, o SAF. A estimativa feita pela Firan destaca os desafios para o setor aéreo. Atualmente, o Brasil não produz, um combustível crucial para a descarbonização da aviação, principalmente em rotas longas, onde a eletrificação não é viável. Existem apenas seis projetos em desenvolvimento no país, sendo a maioria ainda em fase inicial de estudos. [Música]