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[Música] No Giro Ambiental de hoje, vamos falar sobre uma pesquisa de doutorado que estudou a segurança microbiológica das fontes subterrâneas de água, de onde são retiradas a água mineral comercializada. E quem traz mais informações pra gente é o Danilo Vilas Boas, que é o realizador dessa pesquisa aqui pela Unicamp e ele já tá aqui com a gente. Muito obrigada pela sua participação aqui no Giro. Danilo, bom dia. Eu de Danilo, uma pesquisa muito interessante. gostaria que você começasse falando sobre essa segurança microbiológica, porque a gente não imagina que é todo um processo, né, para conseguir a outorga do estado para comercializar essa água. É feita uma pesquisa de segurança microbiológica para que a empresa consiga comercializar essa água. com burocracia traz é a comercialização da extração, comercialização da água mineral e as despesas elas precisam seguir todo esse protocolo até conseguirem a autorização para fazer essa extração e posteriormente a comercialização. Então, no momento que o poço é identificado, existem uma série de análises que precisam ser realizadas, tanto para caracterizar aquela água mineral, né, com as as propriedades minerais que aquela água vai ter, como para verificar a segurança microbiológica daquela água. E mesmo assim, depois que esse esse posto é liberado, que a empresa tem autorização por lei, ela é obrigada a fazer periodicamente análises de monitoramento dessa qualidade da água. E você sendo farmacêutico, né, realizou essa pesquisa pela Engenharia de Alimentos da Unicamp? E o que que te motivou aí para para essa para esse tema, Danilo? Então, o nosso grupo de pesquisa ali, que é coordenado pelo professor Anderson, já havia feito uma pesquisa anterior em que eles consideraram a água mineral como produto já pronto pro consumo, né, produto final, como a gente vê nas prateleiras dos supermercados. Então essa pesquisa evidenciou que ali haviam contaminações microbiológicas, muitas vezes por microorganismos que não são preconizados pela legislação vigente. Então, como a água mineral é uma água que não passa por nenhum tipo de tratamento até o momento do consumo, nós ficamos curiosos de descobrir se essa contaminação vem desde a fonte ou se seria uma coisa de vida de prateleira ou do processo industrial do do envazamento da água. Então, a nossa ideia foi investigar a qualidade dessa água direto da fonte. E aí vocês fizeram uma amostragem, né, de 10 poços. Isso foi só numa cidade. Como vocês pensaram isso, Danilo? Então, como vocês podem imaginar, existe uma dificuldade em acessar essas indústrias, né? Eh, elas não não é um processo fácil, até porque eles preservam bastante essas pontes de água. existe todo um cuidado em torno dessas fontes. Então, nós conseguimos essa parceria com essa essa empresa que nos permitiu acesso a 10 poços. Esses 10 poços estão localizados no estado, localizados em São Paulo e em Minas Gerais. Duas cidades de São Paulo e uma de Minas Gerais. Os microorganismos, né, eles foram comuns em todos os poços? Não, isso é um ponto muito interessante sobre a água mineral. H, como a gente sabe, existem diversos tipos de água mineral, né? Porque a água ela vai adquirir as suas características de acordo com a geologia da da do poço, né, de onde ela está sendo extraída. E isso também eh está intimamente relacionado com a qualidade microbiológica dela. Como ela não existe nenhuma barreira física que separe a água ali no subterrâneo do ambiente entorno, ã, a comunidade microbiana de um poço pro outro é bastante diversa. Então nós encontramos diferentes gêneros de microrganismos a depender do poço que a gente estava considerando. E a novidade, o que nos chamou atenção é que muitos desses gêneros podem abrigar espécies patogênicas e essas espécies ainda não são preconizadas na legislação vigente. E vocês identificaram eh uma possibilidade de prevenir isso ou de remediar essas contaminações no protótipo que vocês desenvolveram? Sim. Então, uma outra parte do estudo, né, a primeira parte foi fazer esse diagnóstico, verificar o que é que a gente encontrava nessas fontes. E as outras partes do estudo for eh elas foram conduzidas para propor medidas, verificar como que nós podemos prevenir essas contaminações, né? Então, nós utilizamos eh da metodologia de microbiologia preditiva para que nós pudéssemos prever, né, como o próprio nome diz, prever como certos microrganismos se comportariam a determinadas temperaturas e de alguma forma pensar em como manipular isso nos poços, né, de forma a evitar essa o desenvolvimento dessas bactérias. E também desenvolvemos ali um projeto de um protótipo de poço, que é justamente para eh conseguir simular mais situações, porque imagina que a gente não tem acesso, a gente não pode, por exemplo, fazer testes direto na fonte, né, porque existe um risco muito grande de contaminar aquela fonte. Então, fazendo, construindo esse protótipo, preservando o maior número de características possíveis do poço original, a gente conseguiria fazer em laboratório novos testes e e tentar desenvolver mesmo estratégias para evitar essa contaminação. E a temperatura, ela é determinante nessa questão do desenvolvimento dos patógenos, porque tem esse mito de que a água dos Alpes é uma água muito mais pura. Isso é verdade? Ou é porque o aquío dos Alpos tá mais preservado, né? Olha, eu não sei com relação aos Alpes, mas a temperatura ela é diretamente relacionada ao desenvolvimento bacteriano. A bactéria precisa, a depender da espécie de temperaturas mais baixas ou temperaturas mais altas para se desenvolver. tem a ideia de que vão poder impactar eh essas fontes a partir do entorno ou existe alguma ideia de que em em num solo mais profundo vocês consigam alterar, por exemplo, a temperatura? Então isso é uma conversa muito inicial ainda. A gente não sabe qual tipo de tecnologia poderia ser utilizada para, por exemplo, alterar a temperatura ou se ã a temperatura do poço, a temperatura da água vai ser a partir de um determinado momento pré-requisito paraa perfuração daquele poço. Ou seja, se o poço tem uma faixa de temperatura que é muito propícia ao desenvolvimento de certas bactérias, aquela autorização não vai ser dada devido ao risco de contaminação posterior. Então isso tudo são conversas muito iniciais. As conversas mais desenvolvidas atualmente são os materiais que compõem esses poços. Hoje em dia já existem materiais que são menos suscetíveis à contaminação microbiológica e também formas de eliminar bactérias uma vez que elas são identificadas, tanto por método CIP, teste de outros sanitizantes que não provoquem danos à saúde do consumidor eh e metodologias mais modernas como ozônio, eh, são coisas que a gente tem conversado assim com mais com mais frequência, né? a gente, eu digo, a ciência tem conversado com mais frequência, realizado mais testes. Então tem muito trabalho pela frente, por isso que você já vai engatar um pósdoc aí, né, Danilo? Sim, sim. A gente tem muita coisa para descobrir ainda e o pós-doutorado vai por esse caminho, com certeza. Maravilhoso, super interessante esse estudo, né? Já quero agradecer demais a sua presença em trazer essas informações pra gente. Com certeza vai impactar a saúde pública, né, ao longo dos anos. E eu queria que você deixasse um arroba pra gente acompanhar os trabalhos, o seu trabalho. Claro, quem tiver qualquer interesse em conversar, eu tô disponível. Pode me chamar ali no Instagram que é o @danilomvb. Danilo, mais uma vez então muito obrigada e sucesso aí na pesquisa. Eu que agradeço a oportunidade. Um bom dia para vocês. Muito obrigada. E para você que nos assiste, continue com a gente, porque agora é hora daquele giro ambiental pelas curiosidades do Brasil e do mundo. [Música] O Brasil sediará a 15ª conferência da Convenção sobre a conservação de espécies migratórias de animais silvestres COP 15 em Campo Grande, no Mato Grosso, de 23 a 29 de março de 2026. Líderes globais discutirão a revisão do tratado de conservação da vida selvagem e irão propor soluções para proteger espécies migratórias ameaçadas, como baleias, tubarões, aves e tartarugas, e melhorar a conectividade ecológica. Amy Frankel do Penuma ressalta a importância do evento ocorrer em um país mega diverso como o Brasil para fortalecer a cooperação internacional e implementar ações transformadoras em face das pressões sem precedentes sobre esses animais. [Música] Um estudo da Universidade Federal do Pará, o FPA, revela um impacto alarmante da poluição plástica no litoral paraense. O Japu Preto, uma ave local, agora incorpora fibras e cordas plásticas descartadas em seus ninhos. A oceanógrafa Adriele Caroline Lopes, mestre e pesquisadora da UFPA, destaca que essa adaptação do pássaro serve como indicador biológico da intensa poluição na área, evidenciando o acúmulo de resíduos. A pesquisa iniciada em 2022 na Costa do Pará partiu da observação de ninhos de japô preto com coloração azulada, resultado da utilização de materiais de pesca plásticos como fibras e cordas abandonados principalmente em áreas de manguezal. Os dados do estudo apontam que impressionantes 97% dos ninhos dessa espécie na região contém esse tipo de material descartado. [Música] No zoológico da Filadélphia, um evento extraordinário desafiou as expectativas. Momy, uma tartaruga de 97 anos, alcançou um feito inédito ao se tornar a mãe primípara, ou seja, mãe pela primeira vez mais velha de sua espécie. Ela deu a luz a quatro filhotes da rara tartaruga das Galápagos de Santa Cruz Ocidental. Esse acontecimento representa não só um triunfo individual para MOME, como também um avanço significativo nos esforços de conservação de uma das espécies mais vulneráveis do mundo. [Música]