[Música] No giro ambiental de hoje, a gente vai falar da importância de pensar o ciclo de vida dos materiais para contribuir tanto pra sustentabilidade quanto pra economia circular. E para falar sobre isso, a gente convidou o Caio Gomidotone, que é pesquisador do Instituto de Química da Unicamp e docente também. Muito obrigado, Caio, por nos receber, aliás, por aceitar o nosso convite, né? Eu que agradeço pela oportunidade e parabenizo por pautarem um assunto tão relevante, tão eh contemporâneo assim. E eu queria saber de você se é possível substituir os polímeros por que são os derivados de petróleo, né, por materiais que são resíduos de plantas da agroindústria, que foi a base da sua pesquisa, né? Sim, sim. Essa é uma vertente que a gente aborda muito no nosso grupo de pesquisa junto com colaboradores também de outras instituições. Eh, a gente, eh, como que eu posso dizer? a gente confia muito no papel dos polímeros na sociedade moderna, né? Os plásticos eles têm papel relevante e positivo em várias das aplicações, porém tem algumas, e essas são problemáticas, eh, em que a gente tem uma discrepância muito grande nos tempos, né? Uma questão temporal, tá? Como que eu posso te explicar isso, Alexandra? Os plásticos oriúndos do petróleo, né, eles demoram milhares de anos para serem obtidos a partir do precursor petróleo, né? uma fonte fóssil, tá? E muitos desses plásticos, né, a maioria poderia dizer, quando eles são destinados, né, jogados ao solo, eles levam mais alguns séculos para se decompor, certo? Então, a gente tá falando de milhares de anos no que eu vou chamar de berço, centenas de anos no que eu vou chamar de túmulo, tá? É uma nomenclatura que a gente usa, né? A gente aportuguou eh o termo cradeograve, que é economia linear, vamos dizer assim. Só que essas aplicações elas são utilizadas por segundos, por exemplo, para você abrir uma embalagem, certo? Então você consome aquele material por alguns segundos, às vezes alguns dias para manter um alimento ou algum produto embalado. Ora, se a gente tá falando de milênios, depois séculos, mas depois a gente muda a escala de tempo para segundos dias, né, começa a ter uma discrepância que ela é preocupante. Então, eh, essa linha de pesquisa, ela engloba justamente a substituição de alguns desses plásticos, tá? para as aplicações que a gente diz de curto ciclo de vida, não para todos, porque os plásticos são mesmo os petroquímicos são muito úteis para diferentes outras aplicações, tá? É, até porque revolucionou a questão do transporte, da logística de alimentos, dos farmacos também, né? É um é um é um jogo assim terrível, né, pra humanidade, porque a gente tá muito dependente dos plásticos, mas tem que ter algumas alternativas, né? E quando foi que vocês entenderam que poderia ser substituído então por materiais mais eh biossolúveis e tal? Olha, faz mais ou menos 15 anos que a gente vem fazendo pesquisa nessa temática, né? Eh, Alexandre, tem uma questão que a gente não toca, que é a competição por alimentos, tá? Toda biomassa, né, que ela é destinada a alimentar a população, não tem aplicação mais nobre, né, no mundo que tem muita gente passando fome, a gente aplicação mais nobre possível de destinar para alimentos. Só que biomassa também é fonte de moléculas, de partículas, de materiais, blocos constituintes, vamos chamar assim, de forma geral, blocos constituintes para fazer eh plástico, tá? Então lá atrás a gente falou: "Ora, se tem muito material que me interessa, mas eu não posso competir com alimento, vamos pegar o que sobra da cadeia de produção de alimentos, certo? Então tirou uma biomassa da natureza, processou, transformou, nutriu a população, tudo que sobra, aí a gente vai lá e extrai polissacarídeos, proteínas, tá? Alguns orgânicos também. Então é essa abordagem do grupo. Muito legal, já mandou o conceito aí, né? primeiro as primeiras coisas e aí o que seria o resíduo disso, dessa prioridade, aí vira uma solução, né, Caio? E você tem exemplos práticos para falar pra gente de tipos de embalagens que vocês utilizaram esses resíduos? Claro, claro. Antes de dar os exemplos, eu vou só tocar num outro ponto, Alexandra, que é a questão eh quando a gente fala de sustentabilidade, a gente tem um tripé, né? tem o tripé, tem o pé ambiental, mas tem também o social e o econômico. Então a gente agregando valor a a valorizando resíduos, né, tem também um aspecto de uso integral da biomassa, mas também de geração de emprego e renda paraa população, tá? Então, por exemplo, a gente trabalhou com comunidades, não diretamente, mas com materiais obtidos de comunidades ribeirinhas que processavam a mandioca, né, e sobrava todo um resíduo que é chamado de croeira, né? Então, daquele resíduo que ele ia jogar fora, ia fazer eh um adubo de solo, uma nutrição animal, no máximo, né, aplicações de baixo valor agregado, a gente conseguia extrair dali, por exemplo, o amido para fazer embalagens, tá? Então, também foi uma forma de agregar renda para essa população, tá? Mas além desse exemplo, a gente tem eh filmes, né, filmes flexíveis, que a gente diz, embalagens flexíveis, que a gente obteve a partir dos resíduos da filetagem de peixes lá no Alasca. né? Então, a indústria pesqueira lá, eles pegavam eh os peixes, né, faziam a filetagem, aquele filé ia paraa população, para consumo, né, com bom valor agregado e todas aquelas escamas, né, as aparas, aquilo ia ser jogado de volta no oceano, né? Então, desse material a gente extraiu eh colágeno, gelatina para fazer filmes flexíveis. Um outro exemplo também é são os resíduos do processamento de tomate, né? tomate e quando você faz a prensagem, azeitona também, então para a prensagem para extrair o óleo ou o processamento do tomate para fazer os produtos automatados, né? Isso gera um volume muito grande de resíduo. Então a gente vai lá nas indústrias, né? A gente tá trabalhando muito perto das indústrias porque a gente quer aplicações eh do mundo real, né? Eh, não só na bancada do laboratório, mas aí a gente extrai dali alguns componentes para fazer essas embalagens e outros materiais também. Não é só limitado à, mas como eu te disse, elas são hoje as grandes vilãs da poluição plástica, as embalagens de uso único. Sim, é maravilhoso, porque a partir da observação você consegue eh não ter um limite para isso, né? Você vai pesquisando e vocês também utilizaram a casca de árvores, né? Exato. Eh, a gente pensa nos resíduos, né? Mas, eh, por exemplo, o que acontece ali dentro da fábrica, né? Só que a gente se esquece do que acontece lá na fazenda, dentro da porteira, né? Então, muitas culturas elas são podadas, né? E e isso geram galhos, geram aparas, né? Que a gente pode usar também. E algumas espécies que eu acho que essa que você tá mencionando, elas têm uma molécula que ela é chamada tanino, tá? Tanino, esse mesmo que tem no vinho, que tem na uva, né? Que tem no café. Esse tanino, na casca dessas árvores, eles têm uma ação que a gente diz que é antichamas. Você já viu aquelas fogo naquelas florestas americanas que ficam as árvores todas pretas mais de pé? Muitas delas é por causa do tanino. Então a gente entendendo, né, a gente tenta se inspirar muito na natureza, né, o que a natureza tem, a gente tenta se espelhar. Então a gente coletou essa molécula e colocou em espumas que então ficaram antichamas, tá? Então, também foi um exemplo de material antichamas e junto com isso, eh, tem uma questão de barreira também, que é muito importante, eh, e também de atividade antioxidante, barreira à luz, tá? Pro cliente é muito importante, Alexandra, que ele enxergue o que tá dentro do da da embalagem, o alimento que ele tá consumindo. Porém, a luz é um inimigo de alguns tipos de alimentos, tá? Porque ele promove oxidação, principalmente se for no comprimento do de onda da região do ultravioleta. Então, esses filmes contaninos, eles eram capazes de filtrar essa radiação que era problemática, mas na região do visível, que é aquela que a gente enxerga, deixar a luz passar. Então o consumidor podia ver o que tava dentro da embalagem, tudo usando resíduo. Caramba, muito legal. E vocês já chegaram a patentear inclusive alguns materiais, né? É, alguns a gente tem proteção da propriedade intelectual, outras, né, algumas indústrias preferem eh ficar como segredo, né, a gente faz o que a gente chama de transferência de knowow. São diferentes formatos de interação aí com o setor eh com o terceiro setor, né, de transferência de tecnologia e de eh transferência de conhecimento. E para finalizar, então, fala pra gente se qual é se existe, né, e qual é o maior desafio para escalar isso, né? Eh, existem desafios claros, tá? Principal deles é o econômico, né? Então, a gente tá, como você abriu sua fala, né? Não é que a gente tá eh competindo com o petróleo, mas a gente tá para algumas aplicações tentando substituí-lo ou tentando criar alternativas, né, para para esse tipo de material. Só que o petróleo é muito barato. Além de ser muito barato, ele é uma indústria, ele vende uma indústria muito subsidiada, tá? Então fica muito fácil, muito barato produzir plástico a partir do petróleo, tá? Quando a gente vai paraas biomassas, tem questões relacionadas ao custo, né? Porque o custo ambiental ele não tá computado, tá? Ele não tá ali, é só o custo do material, mas não o custo do fim do ciclo de vida, né? Não, o custo do da de esgotamento de recursos naturais não renováveis, né? Tudo isso ainda tá em modelos econômicos que estão evoluindo, tá? Mas tem também a biomassa, ela é muito variável, né? Você vê a manga no verão a gente tem muita manga, ela tá molinha, tá docinha, em novembro, ali em outubro não tanto, né? Então, não é todo ano que a gente consegue ter ter essa biomassa com a mesma eh propriedade, com as mesmas características que me permita eh explorar de forma homogênea ao longo do ano. Isso é muito importante pra indústria, essa constância, tá? Porém, Alexandra, eh o que tá em discussão hoje é o tratado global da poluição plástica, tá? E é no âmbito das organizações da das Nações Unidas, né? E tem vários países signatários eh eh advogando a favor de um tratado eh robusto, né, que traga inclusive alguns banimentos ou sobretações. Lembra que eu falei que o custo ambiental ele não tá computado ou que passa a se computar isso para ficar uma concorrência mais leal, né? Eh, quando essas ações legislatórias eh, né, de punho mandatório, elas entrarem em vigor, aí a gente entende que os países, né, sociedades que tiverem essas tecnologias já desenvolvidas, elas saem na frente, elas largam na frente. Então, é para isso que isso motiva boa parte da nossa pesquisa, né? É, não necessariamente colocar na prateleira agora, mas ter a tecnologia, dominar a tecnologia para quando ela for convidativa a gente já conseguir agir de imediato. Perfeito, Caio. Muito interessante. Eu ficaria aqui horas te perguntando coisas, mas hoje o nosso tempo é curto. Eu agradeço demais. Queria que você deixasse o canal pra gente entrar em contato para quem tá assistindo, se tiver interesse, curiosidade de falar com vocês. Meu e-mail é c de caio g de gomidotone, meu último
[email protected]. Estamos à disposição. Eu li e falei, é um trucadilho científico, achei sensacional. Muito obrigado mais uma vez, Caio. Eu que agradeço. Boa tarde. E para você que nos assiste, continue com a gente porque agora é hora daquele giro ambiental pelas curiosidades do Brasil e do mundo. [Música] Você sabia que existem diversas fobias relacionadas ao clima? É o que diz a Farmers Almanak, um compêndio de conhecimento sobre o clima, a astrofobia. é definido como medo de trovões e relâmpagos. Trata-se de um temor bastante comum. Além dos seres humanos, os animais de estimação também podem sofrer dessa fobia. Lilapsofobia se refere ao medo de tornados e furacões. Muitas pessoas que sofrem de astrofobia também tem um medo intenso de fenômenos graves, o que pode causar pavor paralisante em situações de tempestade. Antrafobia não é tão relacionado ao medo de tempestade em si, mas sim das condições climáticas geradas por ela. A transição entre lobos e cães domésticos é um processo complexo, obscurecido por intercruzamentos contínuos ao longo do tempo. Para desvendar essa história, os cientistas analisam fósseis caninos, comparando características como tamanho e disposição dos dentes, formato do crânio e dimensões do focinho com cães e lobos modernos e antigos. Essa análise meticulosa busca identificar os primeiros ancestrais dos cães domésticos que se assemelham a híbridos de lobo e cão. O fóssil mais antigo conhecido, um crânio descoberto na Bélgica em 1860, data de quase 36.000 anos atrás. Essa descoberta crucial fornece evidências de um período em que a distinção entre lobos e cães era tênue. A análise de fósseis como esse lança a luz sobre a evolução gradual dos cães domésticos. Um processo que continua a intrigar os cientistas. [Música]