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Olá, mais um giro ambiental no ar e desta vez nós vamos falar sobre diversidade das aves em ambientes urbanos, especialmente aqui na cidade de Campinas, que é onde foi feita uma pesquisa pela Pâmela Braga, que é bióloga, mestre em ecologia pela Unicamp, que está agora conectada com a gente. Seja bem-vinda, Pâmela, fala primeiro o que a motivou a fazer essa pesquisa e como que foi a escolha dos territórios para que vocês fizessem essa análise. Sim, obrigada pelo convite Nós resolvemos, pensamos nessa pesquisa Principalmente por compreender que a urbanização é um fator de mudança do ambiente relevante E que pode causar impactos ou alterações para a biodiversidade Então nós queríamos entender como isso influencia a diversidade das aves, sendo as aves um grupo muito diverso e de relativa facilidade de observação que estão nas cidades e podem nos informar sobre como esse processo de urbanização influencia a biodiversidade. e isso pode gerar algumas informações que podem ser úteis para o planejamento urbano. Então, nós selecionamos áreas verdes e a nossa pesquisa foi focada nas áreas verdes. E é importante pensar isso porque o ambiente urbano é bem heterogêneo e temos diversos outros ambientes dentro disso. Então, nas áreas verdes, nós selecionamos... Essas áreas verdes que você fala, é, por exemplo, Barão Geraldo, Sousas, lugares mais arborizados da nossa cidade, é isso? Ou são as áreas, por exemplo, de APP ou APA? Então, as áreas verdes, elas incluem tanto parques, bosques, praças e também áreas protegidas. Então, no nosso estudo, nós temos essa variação, essa variabilidade de áreas verdes selecionadas para pesquisa. E a partir disso, então, o que vocês puderam constatar com essa pesquisa? O que está acontecendo, especialmente aqui na nossa cidade de Campinas, quando se trata dessa diversidade? Sim. Então, de modo geral, nós vimos que há uma queda da diversidade à medida que aumenta a intensidade de urbanização. Então, nós vimos isso de duas formas distintas, com duas abordagens, mas de modo geral, ela indica que áreas verdes que estão sob menor influência da urbanização possuem maior riqueza e maior diversidade de espécies de aves, enquanto as áreas que são áreas verdes, que estão dentro do núcleo urbano, elas apresentam menor riqueza e menor diversidade. Quando no estudo você aponta a existência de um filtro urbano semipermeável com menos espécies que conseguem atravessá-lo e perdurar no ambiente, O que é exatamente isso, Pâmela? O conceito de filtro urbano na ecologia pode ser entendido como um filtro comum. Pense num filtro que algumas partículas são capazes de ultrapassar esse filtro e outras ficam retidas no filtro. Então, essa ideia que é um conceito para nós explicarmos por que algumas áreas têm menor diversidade, menor riqueza e outras mais, a riqueza é maior. Então, algumas aves são capazes de passar por esses filtros, enquanto outras não são capazes de passar e colonizar esses ambientes urbanos e estabelecerem suas populações. Então, é a ideia de que as aves possuem diferentes características ecológicas da sua biologia e isso facilita ou não permite com que elas ocupem os núcleos mais urbanizados da cidade. Aqui você aponta que, inclusive, principais filtros, olha só, alimento e abrigo. O que dá para a gente pensar, por exemplo, de uma área que fica mais na região central de Campinas e uma área que fica, por exemplo, mais perto de uma área de proteção ambiental, de uma APA aqui da nossa cidade? Bom, nós podemos pensar, por exemplo, na disponibilidade de frutos. Algumas aves se alimentam exclusivamente ou majoritariamente de frutos nativos, então esse é um fator relevante para determinar a capacidade dessa espécie de se estabelecer num local ou não. Então, nesse exemplo que você colocou, uma área mais dentro da área urbanizada, ela pode estar mais degradada ou não ter essa disponibilidade de alimento e de outros recursos que as aves utilizam, por exemplo, para construir o seu ninho. Então, a ausência ou a baixa disponibilidade desses recursos vão influenciar nesse processo. De estabelecimento ou não nas áreas verdes. Com isso, acontece, eu vou chamar aqui como uma leiga de migração dentro do próprio município, mas pode ser que tenha um nome específico para isso. Por exemplo, uma ave que até então, em tempos atrás, ela se reproduzia numa área, por exemplo, no centro, ela pode mudar para uma outra região aqui da nossa cidade para dar continuidade à espécie ou não? Sim, esses processos de colonização e extinção nos locais são dinâmicos e estão ocorrendo neste momento, ocorrem ao longo do tempo e do espaço. Então, a distribuição das espécies e das populações, dos indivíduos, ela varia ao longo do tempo. Então, no caso do nosso estudo, é importante pensar que ele representa um recorte, uma fotografia do presente, dessa mostragem que nós fizemos, mas ao longo do tempo ecológico e evolutivo, que é amplo, Esse padrão pode se alterar e pode ser que algumas espécies passem a ocorrer em locais onde elas não ocorriam antes, ou o contrário também. Então, é sim um processo bem dinâmico. Agora, nesse processo, a sua sensibilidade auditiva foi amplamente utilizada nesse estudo. Conta para nós um pouquinho dessa experiência, Pâmela. Sim, foi muito legal ter feito este campo, essa pesquisa, porque acontece isso, muitas vezes nós vamos para um bosque, para uma praça, e nós não percebemos a diversidade de sons que nós estamos ouvindo naquele momento. Então, nós estamos preocupados com outras informações, né? E foi um exercício de muito aprendizado, poder estar nos locais e simplesmente observar e ouvir. Então, assim a gente, no fim, percebe que há muito mais espécies do que previamente você esperaria numa área verde, num local urbanizado. Mas em comparação com os locais que estão fora, essa riqueza é menor. Então foi muito interessante, a gente percebe quanto essa paisagem sonora é heterogênea e diversa nos diferentes ambientes. Pamela, esse estudo aponta o quê? Um alerta quando a gente pensa na biodiversidade das aves aqui em Campinas? ou, na verdade, um alento quando a gente pensa agora principalmente em sustentabilidade, meio ambiente e também, inclusive, as questões climáticas que permeiam todos os municípios, principalmente os mais urbanizados como da nossa cidade? Sim. Bom, eu entendo que é tanto um alerta quanto um alento, porque, primeiro, é um alerta porque, sim, a diversidade é reduzida, ela é influenciada pelas atividades humanas, pela impermeabilização do solo, construções e todo esse tecido urbano. Mas, por outro lado, as áreas verdes, elas são, sim, capazes de suportar uma diversidade de aves relativamente alta, mas menor do que se comparado às áreas que não estão sob influência desses fatores. Então, é importante a gente entender isso para pensar no futuro, né? Qual tipo de cidade nós queremos ter no futuro, né? E é possível que as cidades sejam mais amigáveis para a fauna e para as aves, especialmente. E você, Pamela, como pesquisadora, pretende dar aqui um tempo, estar de volta a esse laboratório natural que a gente tem aqui, para ver o que aconteceu nesse meio período, digamos que entre esse primeiro estudo, que foi inclusive a sua tese de mestrado, até um próximo trabalho? existe isso no seu planejamento como pesquisadora? Com certeza, acho que o interesse pelas aves e pela cidade é algo que permanece na minha carreira e ainda há muitas coisas para a gente compreender, sim, tanto relacionado às formas de manejo das áreas verdes, como também outros fatores que nós sabemos que podem influenciar a diversidade e que merecem ser investigados também. Então, há ainda muitas coisas para serem pesquisadas aqui em Campinas, que é uma cidade muito importante, é uma cidade extensa e, ao mesmo tempo, que está incluída em uma área de mata estacional semidecidual, que é uma das mais ameaçadas da Mata Atlântica, então nós temos aqui um cenário complexo e muito interessante para pesquisas em ecologia urbana. Muito obrigada, Pâmela, e até uma próxima oportunidade, a gente está aqui sempre abertos para trazer esses trabalhos, esses importantes trabalhos que enriquecem esse tema aqui na nossa cidade, até uma próxima, viu? Muito obrigada, obrigada pela oportunidade de falar sobre essa pesquisa E olha só, o giro ambiental, ele não acabou não Porque a partir de agora, nós vamos aí dar uma volta nas informações E curiosidades sobre meio ambiente e sustentabilidade Ilhas brasileiras como Fernando de Noronha e o arquipélago de São Pedro e São Paulo São verdadeiros tesouros da biodiversidade Um novo estudo as coloca entre os ecossistemas mais importantes do planeta Por sua alta concentração de espécies únicas Um fenômeno conhecido como endemismo A pesquisa publicada em uma revista norte-americana analisou mais de 7 mil espécies de peixes em 87 ilhas, introduzindo um novo conceito científico para entender a biodiversidade insular. O Brasil se destacou no estudo, com suas ilhas abrigando uma porcentagem significativa das espécies endêmicas globais. Cerca de 12,2% da biodiversidade mundial de peixes de Recife é exclusiva de ilhas oceânicas. O dado reforça a importância de ilhas brasileiras como Trindade na conservação marinha global, abrigando espécies que não são encontradas em nenhum outro lugar do mundo. E uma onça pintada foi flagrada no interior do estado do Rio de Janeiro, um registro inédito em quase 50 anos. O animal, um macho adulto, foi capturado por uma armadilha fotográfica instalada no Parque Estadual da Serra da Concórdia, em Valença. A imagem é resultado de um monitoramento iniciado em dezembro de 2024 em uma parceria com o INEA e o projeto Aventura Animal. O reaparecimento do felino é um sinal positivo para a preservação da fauna local. A onça-pintada não era vista no estado desde 1977 e sua ausência era atribuída ao desmatamento e a ocupação urbana que causaram a perda de seu habitat. A volta da espécie reforça a importância das unidades de conservação. Legenda Adriana Zanotto