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Giro Ambiental | Brasileira ganha maior prêmio mundial de alimentação sustentável
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Giro Ambiental | Brasileira ganha maior prêmio mundial de alimentação sustentável

18 views Publicado 26/06/2025 HD · 16:18

Descrição do vídeo

Você sabia que o maior prêmio internacional dedicado à alimentação sustentável agora tem uma vencedora brasileira? No Giro Ambiental de hoje, celebramos a engenheira agrônoma Mariângela Hungria, vencedora do World Food Prize, considerado o Nobel da Alimentação. Com mais de 40 anos de dedicação à ciência, Mariângela se tornou referência global em agricultura biológica, uma alternativa sustentável que dispensa fertilizantes químicos, melhora a fertilidade do solo, reduz impactos ambientais e ainda ajuda no sequestro de carbono da atmosfera. Seu trabalho representa um avanço essencial para o futuro da agricultura e da segurança alimentar mundial, ao mesmo tempo que combate a crise climática. No programa, a cientista detalha como sua pesquisa transformou a forma como o Brasil — e o mundo — olha para a produção de alimentos. A agricultura biológica promove interações benéficas entre microrganismos e plantas, reduzindo custos para o produtor rural, protegendo a biodiversidade e aumentando a produtividade de forma ecológica. 🎙️ Nesta entrevista especial, Mariângela Hungria compartilha os desafios enfrentados, os impactos reais de sua atuação e o orgulho de representar o Brasil no cenário mundial da ciência e sustentabilidade. Um conteúdo imperdível para quem se interessa por: Inovação no campo 🌾 Biotecnologia e meio ambiente 🌍 Alimentação saudável e sustentável 🍽️ Desenvolvimento rural e futuro do planeta 🌎 📌 Se você quer entender como a ciência brasileira está mudando o mundo, este vídeo é para você. Assista até o fim, compartilhe com quem se interessa por meio ambiente, agronomia e alimentação saudável, e deixe seu comentário sobre o impacto desse prêmio para o Brasil! Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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[Música] No giro ambiental de hoje, a gente vai falar sobre o trabalho da engenheira agrônoma Mariângela Hungria, que ganhou o prêmio mundial da alimentação, Word Food Prize, equivalente ao Nobel da alimentação. Quem recebe esse prêmio é porque contribuiu qualitativamente, quantitativamente e também pra disponibilidade dos alimentos no mundo. Muito obrigada pela sua participação aqui com a gente, Maria Ângela. Ah, eu que agradeço essa oportunidade de poder falar um pouco sobre o nosso trabalho. MariaÂngela, são três décadas aí debruçadas sobre a produção de bioinsumos, que foi uma coisa muito nova quando com você, quando você começou, né? Eu queria saber se você encontrou resistências e o que que te fez persistir nesse caminho. Ó, na verdade sou até mais velhinha, tá? São quatro décadas, um pouquinho mais que quatro décadas. E aí, eh, olha, é uma coisa, sabe, isso que é uma coisa de vocação desde criança. Eu realmente adorava a parte de eh biológicos. E quando eu tinha 8 anos, eu li um livro que minha avó me deu sobre eh sobre vida dos microbiologistas e resolvi ser uma microbiologista. Logo depois ela me deu um livro sobre a Madame Kirri e eu falei: "Nossa, então mulher pode ser cientista". Mas eu queria eh eu ficava muito triste assim quando eu vi uma pessoa passando fome na rua e daí eu falava assim: "Não, eu quero fazer alguma coisa para eh contribuir para que não exista uma pessoa passando fome." Então, naturalmente, eu fui fazer o curso de engenharia agronômica. Só que eu fui numa época que era metade da década de 1970, onde a gente tava no auge da Revolução Verde, que era que foi muito importante, que até tirou o Brasil eh da posição de importador de alimentos, mas era filosofia de adobação química muito pesada para aumentar a produtividade das culturas. E eu tinha essa vocação pros biológicos e acreditava muito que a dubação química podia ser importante, mas que devia ter um lugar para os biológicos na agricultura. Então eu terminei a agronomia, era uma profissão majoritariamente masculina e querendo trabalhar com biológicos numa época que as pessoas só pensavam em químicos. Então foi assim um começo de carreira difícil, porque quando você tá no início da carreira, né, nossa, você tá com todo aquele gás cheio de sonhos, quer realizar muita coisa. E eu estava decidindo por uma área que as pessoas nem achavam que ia ser importante um dia. Mas engraçado, por isso que eu falo que a divocação que tava definido lá desde criança, apesar de ter muito mais dificuldades e de me oferecerem outras áreas, eu nunca nunca pensei em mudar. Eu nunca desviei 1 cm daquilo que eu acreditava. E acho até que esse prêmio que eu também jamais imaginei na vida que poderia ganhar, eh, foi por resistência, persistência, resiliência, sabe? Por realmente ter acreditado numa época em que ninguém acreditava. E fico muito feliz que nessas quatro décadas eh a gente pode contribuir. Trabalhei intensivamente e hoje acho que tem essa contribuição do Brasil. eh ser o maior eh utilizador de tecnologias de bioinsumos na agricultura, eh, e e de receber esses benefícios pelo uso dos microrganismos da agricultura. Maravilhoso, muito inspirador. Mas para quem tá assistindo, eu só queria que a gente fizesse um pequeno, uma pequena legenda aqui para entender o que que é o bioinsumo. Ele substitui o químico tanto na fertilização do solo quanto na defesa eh também biológica, né? Em vez de usar um um defensivo químico, você usa um defensivo biológico. Teria como resumidamente falar pras pessoas qual é essa diferença? Sim. Olha, então os biológicos, conforme você falou, existem essas duas utilizações dele. A minha carreira, eu dediquei aos biológicos que poderiam substituir total ou parcialmente os fertilizantes químicos. E eu vou dar um exemplo, né, porque existem vários exemplos, mas um exemplo que eu vou dar eh do processo de microrganismos que eu que eu mais eh estudei toda a minha vida, que chama fixação biológica do nitrogênio, com a cultura aqui, que é o carro chefe, eu trabalho na rapa soja, com a cultura da soja, mas ele é aplicável para várias culturas. O que que acontece aqui no ar que a gente respira? 80% quase é de N2. E a gente precisa muito de nitrogênio porque ele tá DNA, RNA, aminoácidos, proteínas. Então, as plantas precisam muito nitrogênio. E olha só que coisa, a gente respira 80% de N2 e a gente não consegue usar esse N2 porque ele tem uma ligação muito forte entre os átomos de nitrogênio. E pra planta aproveitar teria que ser só N, não? Então lá na indústria eles desenvolveram um processo que gasta muita energia para quebrar essa ligação tripla que é muito forte. uma média de seis barris de petróleo para fazer uma tonelada de amônia. E o que que acontece? Algumas bactérias, antes até que tivesse qualquer planta na face da Terra, elas evoluíram para ter uma enzima que faz a mesma coisa que precisa ser barris de petróleo. E surgiram as plantas na evolução, elas passaram a se associar às diferentes plantas com diferentes graus de especificidade. Daí ela fica pertinho da planta, pega o nitrogênio do ar, transforma em noo planta. aqui ele é sem poluir o ambiente, porque o fertilizante nitrogenado, nesse caso, ele não é uma coisa natural que evoluiu com a planta, então ele não é eficiente como processo biológico. Então a gente perde esse nitrogênio muito eh poluição que vai para pras águas, pros rios. Às vezes a gente vê até, como resultado disso, proliferação de plantas nos rios que consomem o oxigênio, matam os peixes e muito eh eh também gases de efeito estufa. Então, para ter uma ideia de como essas bactérias são maravilhosas pra gente, só no caso da soja, a gente não colocando fertilizante químico e sim o biológico, que foram essas tecnologias que eu passei minha vida, eh, dedicando a esse estudo, desenvolvimento tecnológico e e explicando pros agricultores. Só na última safra a gente economizou 25 bilhões de dólares, deixando de comprar fertilizante nitrogenado. E tão importante quanto isso, não emitimos 230 milhões de tonelados CO2 equivalente. Então eu posso garantir para você, sem dúvida nenhuma, que se não fosse essas bactérias, o custo da soja no Brasil para produzir a ser tão elevado que nós não produziríamos soja e não seríamos o que somos hoje, o maior produtor e exportador de soja do mundo. Maravilhoso. E eu queria saber se existe a possibilidade da transição, então do químico para o biológico, se essa transição é tranquila. E também queria que você falasse agora desse acesso aos pequenos agricultores que estão sendo promovidos pela cooperativa, né? É exato. Eh, hoje a gente e olha que eu dedico, né, mais de 40 anos a pesquisa com biológicos. Hoje, para essa agricultura de larga escala que a gente tem no Brasil, nós somos, já somos o terceiro maior produtor de grãos do mundo. A gente ainda não tem o conhecimento, a tecnologia para fazer 100% biológico. Então, a gente precisa dos químicos. Mas qual que é a importância dos biológicos? a gente todas as possibilidades que tiver de substituir o químico por biológicos, a gente substitui e a gente pode aumentar muito, porque a gente pode aumentar hoje, por exemplo, na no caso da soja, essas bactérias que eh que eu trabalho, já de toda a área com soja no Brasil, que são hoje 47 milhões de hectares, já usa esses biológicos. Mas a gente pode avançar muito em outras culturas, em outros microrganismos, porque eh 10 a 15% hoje da nossa agricultura é com biológicos. Então eu eu acredito que com o conhecimento que a gente já tem hoje, a gente pode subir aí para 50, 60%. E o resto vai ter que ser tipo de tecnologias disruptivas, investimento de pesquisa pra gente avançar além dos 60%. E o que que é maravilhoso desses biológicos, né, que eu falo assim que realmente a vida me presenteou com uma tecnologia que é tão maravilhosa de de trabalhar. Por quê? Porque ela serve para pequeno, serve para grande, serve para todo tipo de agricultura e agricultores. Um exemplo aqui no eu sou aqui do Paraná, de Londrina. O Paraná é um país, é um estado fantástico de agricultura e são, a grande maioria são pequenos e médios agricultores. Então, nós fizemos aqui um, a gente tem um trabalho de 7 anos já de extensão, onde a gente vai, mostra esses biológicos, faz parcelas demonstrativas, faz dias de campo e em 5 anos eh eu fiz uma compilação dos primeiros 5 anos, olha, são agricultores de no máximo 50 haar de soja. são agricultores, pequenos agricultores. E o que que deu em 5 anos de de 3.000 agricultores que nós atendemos, deu que não só eh melhorou o solo dele, porque é vida no solo, né? E a vida do solo é muito importante, como muito importante para esses pequenos agricultores, é que eles tiveram um ganho econômico médio de 11$11 por hectare. Então 111 por um agricultor de 50 ha é é nessa cultura que demora 4 5 meses, tá? é o dinheiro que ele vai poder comprar um novo trator, colocar uma internet melhor na casa, pro filho não ir paraa cidade e e essas coisas. Então, é a possibilidade dele eh melhorar a vida dele e assim conseguir ficar no campo. E também além disso, né, ele vai ter mais sete meses para pôr as outras culturas que ele precisa, como arroz, feijão, frutas. Então, é um ganho muito importante que ele tem com o uso desses biológicos, sustentabilidade ambiental e financeira, né? Isso não não precisa nem de legenda, né? E eu não podia deixar de falar, de te perguntar da importância das grandes mulheres que te marcaram. Você já falou da sua avó, teve a pesquisadora também e da sua fala, né, de que as mulheres cientistas precisam de apoio também, principalmente no período da maternidade, para que possam continuar sua carreira sem interromper e muitas vezes até desistir eventualmente, né? É verdade. Infelizmente, ainda hoje eu vejo muito preconceito, eh, principalmente em relação à maternidade, sabe? E isso é realmente, eh, eu tenho procurado falar isso. Eu fui mãe muito jovem, sabe? perfume de duas na faculdade. Eh, tive muito preconceito com isso e e minha meu depoimento é o seguinte. Eu jamais acho que eu seria uma cientista que chegou onde eh chegou hoje, que jamais esperaria chegar nisso se eu não fosse mãe, porque eu não ia ser feliz. E é muito importante ser feliz para você desenvolver o seu trabalho bem também. E eu jamais seria uma boa mãe se eu não tivesse podido ser uma cientista eh feliz e realizada. Então, a gente não deve ser pressionado ou sentir medo de ser tudo que a gente quer. E isso inclui ser mulher, ser mãe, ser pesquisadora. É claro que na vida eh tem épocas, por exemplo, que eu realmente tive que dedicar mais à família porque tinha algum problema de saúde. Teve épocas que eu tive eh que me dedicar mais ao trabalho porque o trabalho tava mais puxado, mas no balanço a gente consegue o equilíbrio e consegue chegar longe. Então não é para se apavorar se de repente uma época você tem que se dedicar mais à família, entendeu? ou se você tem que se dedicar mais ao trabalho. A família, se não, a família me inspirou a fazer o trabalho de sustentabilidade que eu sempre quis, porque eu quero uma um mundo melhor paraa minha família. Eu quero que minha família tenha orgulho de eu trabalhar tentando fazer um mundo melhor, sustentabilidade, entendeu? e do mesmo modo, né, eh, no trabalho. Então, eh, a preconceito que as pessoas têm, eu acho assim, maternidade dá muito foco, tá? A gente, quando a gente é mãe, eu era super dispersiva, eh, passei a ser mãe, tive mais foco, porque a gente sabe que quer trabalhar naquele tempo para poder depois e ficar com os cílios. minhas alunas, sempre incentivei minhas alunas falando assim: "Não, não fica planejando muito, que você planeja muito, você não tem filho, quer ter filho, tenha e as coisas se ajeitam, né?" E eu vejo também nessas alunas que eu tive um aumento na capacidade de focar, de resolver mais problemas. Eu acho que é uma coisa que a maternidade nos traz. Então, quem tem preconceito contra a mulher, eh, porque a mãe principalmente, não tem nada a ver, tá maravilhoso. Maria Ângela. Maria Ângela Hungria, é um grande prazer te receber e você é uma grande inspiração para todas nós mulheres, para que a gente não desista em momento algum. Eu queria saber se você tem rede social para que a gente possa te acompanhar. Sim, eu tenho o LinkedIn, né, tenho Facebook e sabe, minha filha é jornalista moderna e ela fala: "Eu não uso muito o Instagram porque eu falo: "É muita foto e pouco texto". Mas eu também tenho Instagram, eu vou ter vou procurar me modernizar. Minha filha falou que eu tenho que me modernizar, que hoje é Instagram que eu tenho que usar mais. Tá bom? Mas eu gosto muito do LinkedIn, né? o Liding pra gente eh de carreira eh de pesquisa, de trabalho, de tudo, eu acho um veículo excepcional. A gente vai colocar aqui então para que o pessoal possa acompanhar os seus artigos, as suas publicações. Eu quero agradecer mais uma vez pela sua presença aqui com a gente. Eu que agradeço essa oportunidade. E para você que nos assiste, muito obrigada pela companhia. Na semana que vem a gente volta com mais giro ambiental. [Música]
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