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Conexão cultural, pessoal. E olha, hoje um assunto super legal, bem bacana. Pois é, a gente vai falar sobre a arte da palhaçaria. É um tema certamente que interessa muita gente, como a gente tá acostumado aqui no Conexão Cultural, sempre assuntos bem bacanas. Conosco aqui o Marcos Devono que é diretor também, é ator, vai falar sobre a peça Grande Estreia. Como vai? Tudo bem, Marcos? Prazer tê-lo conosco aqui. Prazer, eu que agradeço o espaço. Eh, a gente tá um pouco na correria que daqui menos de uma hora nós vamos realmente ter a grande estreia da grande estreia, né? É exatamente a grande estreia da grande estreia. Então bora falar um pouquinho sobre essa peça aí. A galera em casa tá Claro, claro. Eh, bom, eu sou formado aqui no Conservatório Carlos Gomes. Eu vou dar uma um um contexto sobre quem eu sou. Depois eu falo da peça rapidamente. Então, eu sou formado no Conservatório Carlos Gomes aqui na cidade de Campinas. Fui isso em mais ou menos, acho que foi em 2004, 2005, né? faz já um tempinho. Aí fui para São Paulo trabalhar, trabalhei com grandes nomes lá, Renato Borg, eh trabalhei no no com o grupo gato, com Eloía Vit, enfim, um pessoal bem bacana em São Paulo como ator. E na época do conservatório, eu meio que com o Hugo Vidal, que foi meu professor de circo, eu trabalhei com palhaço. Foi assim que eu desenvolvi o meu palhaço. Eh, nós tivemos noções básicas de palhaçaria e fomos pra rua, fomos para fazer espetáculos e rodamos. Fui para São Paulo, voltei. Quando eu voltei, eu voltei refazendo as conexões, eh eh voltando a trabalhar com teatro aqui da cidade, fazendo paixão de Cristo, enfim, trabalhando como ator, como artista na cidade. Recebi um convite para para substituir um antigo palhaço num outro espetáculo. Olha aí. E aceitei esse convite, retomei a palhaçaria e foi assim que a palhaçaria voltou pra minha vida. Fiquei ao longo de 10 anos viajando com esse espetáculo, apresentando todos os lugares e desenvolvendo o palhaço, né? Porque o palhaço é é que nem treino. Se você se você não faz, é que nem andar bicicleta, se você não anda, você vai pegar a bicicleta e vai ficar meio, né? Você lembra, mas aí você precisa é a prática. Exatamente. E o palhaço ele é muito improviso, é muito o que tá acontecendo ali na hora, né? O o a resposta do público. Então, o tempo todo você tá ali pronto para jogar. E bom, e é isso aí mesmo, né? Você tem que estar de olho na plateia, né? A reação do público pronto para jogar, como você disse, né? Exatamente. E assim, eh, o palhaço, eu fiz muito tempo espetáculo na rua, então a gente montava em em praças, em, eh, pátios de escola, em eventos culturais abertos, né? Então, uma vez a gente teve que correr porque ch, começou a chover, a gente recolheu tudo e acabou a peça. Foi assim, mas faz parte. E hoje nós estamos aqui no Centro de Convivência, o melhor teatro do interior do Brasil, sem dúvida nenhuma, recém inaugurado, recém inaugurado. Então assim, e é a estreia do espetáculo, né, dessa, por isso que nós decidimos colocar o nome de A Grande Estreia. Eh, eu saí desse espetáculo de de circo que eu falei para você de palhaços e e eu continuei. Eu tô com um jogo da realidade, meu monólogo, tem uma peça eh cômica, mas eu eu tava sentindo um pouco falta dessa desse jogo com a plateia, né, dessa coisa viva, porque o se eu fizer a peça agora é uma plateia, se eu fizer à noite vai ser outra plateia. Os estímulos são diferentes. E cada pessoa ali reage de uma maneira, né? E isso que é muito gostoso na palhaçaria. E então eu acabei escrevendo esse texto, né? Ele é dividido por blocos. É, são várias são tem nós fazemos muitos sketes clássicos de palhaço. Eh, um pouco adaptado, claro, porque somos só dois palhaços. Somos eu, Marcos Devono e o César Póvero, que é o outro palhaço. É o palhaço Catraca e o palhaço Caneloni, né? Inclusive é a estreia do do César. Depois ele vai falar acho que um pouco com vocês. Ele vai contar qual como tá sendo essa preparação e e normal também, né? Ele tá lá no camarin se trocando. Coração bate mais forte, não tem como. É. E nós assim, nesse último mês, nós levantamos o espetáculo, ensaiamos exaustivamente. Aí chamamos o Jonas Ago, que é um parceiro e amigo nosso também. ele criou toda a trilha sonora do espetáculo. Ela é 100% original, tirando algumas pequenas surpresas ali que que acontecerão, que eu também não vou falar, que a gente brinca muito, nós chamamos muito a plateia pro pro palco e e é isso também que dá. Ah, isso é fantástico, né? É, a brincadeira é é e a plateia geralmente ela é muito aberta a a as piadas, as brincadeiras e e assim a gente não tira sarro da pessoa, a gente tira sarro com a pessoa, né? Então, a gente brinca, eh, coloca essas pessoas, crianças, adultos, homens, mulheres em cena. E isso é é uma parte essencial do do nosso espetáculo, é trazer o público pra cena. Bom, e até em cima disso, Marcos, eh, gente de todas as idades. Todas as idades. A gente tem cena com crianças, com com senhoras, já já trabalhei com senhoras. A plateia também, uma diversão abessa, né? Total. Eu falo que o espetáculo de palhaço geralmente, no nosso caso é, mas geralmente o espetáculo de palhaço ele é para todas as idades. Claro que existem palhaços um pouco mais adultos, um pouco mais ácidos, né? Eh, com um pouco mais de crítica social. E é legal. Eu acho que a palhaçaria, assim como a arte, ela engloba absolutamente tudo. Exato. Só que o nosso, ele é ele só pode eh nós, o espetáculo que nós fazemos é só de zero a 99 anos. Ah, entendi. Essência 101 já complica. Exato. É 101 já fica um pouco complicado, mas a gente pode abrir uma exceção também. Boa. Boa. Qual é o desafio dessa profissão, cara? Porque muita gente certamente tem essa curiosidade, né, que não é uma profissão fácil e tudo mais. O maior desafio que você pode contar pra gente? Nós estamos num país, né, o Brasil com essa turbulência, efervescência cultural, ao mesmo tempo, um povo muito acolhedor, muito quente, mas ao mesmo tempo muito preocupado com viver, com comer, com estudar, com segurança, enfim, tem tanta preocupação que para nós artistas nós temos muito a dizer, sabe? Eu, enquanto artista, o meu grupo, enfim, o César, o Jonas, todo mundo tem algo a dizer. Só que às vezes as pessoas não estão aptas ou não estão eh prontas para ouvir, porque acima da arte tem muitas outras preocupações que é a vida, né? a nossa vida é uma luta diária. Então eu digo que ser artista no Brasil eh ser artista em qualquer lugar do mundo é gratificante, porém dependendo se se eu for artista da Suécia, eu não vou ter os problemas que eu tenho aqui. Provavelmente eu vou ter outros problemas lá, mas eh eu posso dizer que a profissão no Brasil é fazer teatro no Brasil, fazer a palhaçaria, qualquer tipo de arte, é resistência, né? Nós estamos aqui porque nós amamos completamente o que fazemos, né? Eu posso falar isso tranquilamente por todos os artistas. Todo artista faz o que gosta, porque senão não seria artista, né? Ele poderia ser engenheiro, poderia mecânico, poderia ser eh bombeiro, enfim, podia ser qualquer coisa. Claro que essas pessoas que fazem outras profissões, elas também amam o que fazem, acredito eu. Mas nós trabalhamos, o artista é muito passional, né? Nós nos entregamos 100% aquilo. Eh, perto de estreia passa a não dormir. É, o tempo todo pensando, é 24 horas, né? E e o processo criativo também é interessante porque da ideia a execução, então a ideia que eu tive lá atrás que era não tava nem no papel, né? Era só uma ideia, algo etéreo. E eu consegui trazer isso pro papel depois de muito pensar, porque você tá 24 horas ali pensando na na no que é eh fazer o espetáculo, o que que eu quero falar, o que que precisa ter. Então você escreve, passa pro papel, aí vai, conversa, discute, lê, muda e tudo isso para começar a ensaiar. Depois você ensaia, aí tem figurina, aí tem produção, cenografia, luz, som e aí vai embora. É muito. Bom, tô dando uma olhadinha aqui, Marcos, o que fazer quando está tudo pronto para um grande espetáculo, mas a equipe, os equipamentos simplesmente não aparecem, que é mais ou menos isso que que vai acontecer aqui na peça. É, o enredo do espetáculo é o seguinte, é um grande espetáculo que tá pronto para começar e quando as cortinas se abrem, o palhaço se vê completamente sozinho. Não tem ninguém. Olha para cá, olha para lá e nada. Tudo que é toda a equipe dele simplesmente não tá aqui. E aí você descobre no espetáculo o por que ela não tá aqui. E como diria o o poeta, o espetáculo não pode parar. E o que que o palhaço faz? Ele improvisa. Então ele vai nas coxias do teatro e eh aborda um funcionário do teatro e pede para ele o ajudá-lo. Aí ah, o que que tem ali da as outras produções e tal? E ele vai trazendo esses elementos pra cena. e transforma este funcionário do teatro em palhaço, porque ele não pode fazer o espetáculo sozinho, ele precisa de um palhaço, de um parceiro. E aí ele transforma o funcionário do teatro em palhaço e aí é que a mágica acontece. Bom, olha só, pessoal, que legal. A proposta também aborda de forma bem humorada um medo de errar também a necessidade de encontrar caminhos quando as coisas não saem como o esperado, né? Essa é a pegada. É o que você falou agora. dizer a vida do artista. Puxa, olhou para lá, para cá, não tem ninguém. E agora? Que que eu faço? Uma galera enorme aqui. Público já tá lá, eu já tô aqui, não tem absolutamente nada. O que que eu faço? Improvisa. E aí você vai buscando esses elementos, traz pra cena e e a mágica acontece, inclusive com a ajuda da plateia. Boa. Pra gente finalizar, quais as dicas aí pro pessoal que quer começar nessa área? É, olha, eh, é uma área, independente do que você vai seguir na arte, você precisa de muita dedicação, muita persistência e, principalmente muita resiliência, né? Porque a a a arte, como qualquer eh eh parte da vida, ela também frustra de vez em quando. Então, você idealiza algo, vai tentar e não dá certo. Ou dá certo, mas de uma outra maneira que você não era aquela que exatamente que você queria. A arte ela é muito viva, né? eh, tanto roteiro de cinema, quanto peça, quanto, enfim, música, acredito eu, você pensa em algo, mas às vezes aquela aquela arte ela começa a te levar para um outro caminho. Então, vai do artista falar: "Bom, vou deixar a arte seguir para onde ela tem que ir, que nem uma água." Você joga à na calçada, às vezes você não sabe para onde vai aquela água, mas ela tá em movimento, ela tá, ela tá andando, ela tá É. E aí eu acho que o espetáculo acaba, ele acaba mostrando um pouco que é a vida do artista, né? A gente tá apresentando sempre aqui pela cidade. Então @gupocão donono no Instagram, lá vocês vão seguir eh e vão est a parte da rol onde nós estaremos num futuro muito próximo, em algum lugar. Obrigado, Marcos. Valeu. Show de bola. Bom, pessoal, e a gente segue por aqui no Conexão Cultural agora com César Póvero, que é o palhaço Canelone. Pois é, olha aí, tá todo caracterizado para conversar conosco aqui no Conexão Cultural. Tudo bem, Sérgio? Beleza? Tudo bem, tudo bom? Como você tá? Bem aqui. Ansioso pra estreia. É, pois é. Fiquei sabendo. Tá o coração batendo um pouco mais for. A grande estreia é uma grande estreia. Não tem como, né, cara? da da ansiedade. É, fale um pouquinho sobre o seu trabalho aí. Eh, é o palhaço, na verdade que quem já existia é o Marcos Devono com palhaço catraca, que faz há mais de 10 anos palhaço. Eu tô estreando o o esse palhaço Canelone e redecidiu fazer um grande espetáculo, uma grande estreia. não pagou as pessoas, o cenário não chegou, nem o figurino. Ele cata um funcionário que tá passando, que pode ser de uma praça, se for na praça, na rua, n, e transforma o rapaz em palhaço. Convence que é um sucesso, as luzes, o glamur e convence. Aí batiza de catraca e vai. E aí vai um espetáculo de gagas de palhaço. Eu tava inclusive conversando com o Marcos, que também faz, como você disse, o palhaço catraca. E ele tava me falando que esse justamente é o maior desafio da peça, né? Porque é você olha, de repente olha para cá, para lá e não vê ninguém. E aí tem que dar algum jeito, tem que encontrar alguma alternativa. Esse é o grande X da questão, né? É, eles é uma brincadeira que estão montando uma grande estreia que não ia acontecer porque nada chegou, né? É o brincar com o improviso, né? Fazer do improviso espetáculo. Como você se interessou por essa área? Conta um pouquinho sobre a sua carreira. Ah, eu sou um ator e autor, escritor campineiro, professor de teatro, diretor, já assim como Marcos há mais de 30 anos. Boa. Mas eu queria muito, né? Eu fiz aquele filme à noite dos palhaços mudos do Juliano Lucas. Ele falou assim: "Você é um palhaço". Eu falei: "Peciso botar esse palhaço para fora qualquer hora, né? É um palhaço meio sarcástico assim, um palhaço mais eh é um outro tipo do catraca. É o mais o tipo do branco, o estereótipo do palhaço que chamam de branco. Ele é mais refinado, mais antipático, mais mitidão, um pouco mais sério que os outros. E eu falei: "Então pôr esse palhaço para fora". Qual o maior desafio, a maior dificuldade de ser um palhaço? Não é muito ritmo, né? meio que você vira um desenho animado, não tem muito respiro, tem que ter uma sacação, uma reação, tudo que acontece o tempo todo, né? É vocês, um desenho animado, tem que reagir a tudo que acontece, não tem silêncio, cara. E assim, e a reação da plateia, a galera que tá assistindo a peça e tudo mais, eu acho que isso contagia vocês também, né? Mas é muito importante, né? É muito importante. Acho que pro pro espetáculo infantil, pro palhaço, que é um infanto juvenil, eh, é mais importante público até do que num adulto, né? Mas sempre é muito importante. Boa. E a arte da palhaçaria é algo certamente faz parte da sua vida, também pode fazer da vida de muita gente, né? Tem muitas pessoas assistindo ao Conexão Cultural e certamente alguns se interessam por essa profissão. Sim. Sim. como você é o que você diria a essas pessoas que t interesse, né, e de iniciar nessa área? Olha, no o artista de modo geral tem que est preparado para muito trabalho, né? Muito trabalho, muito soá, muita, muita pesquisa. É, não pense no glamour, que é o final da linha, pense no esforço, no suense no momento da entrevista, né? Tem que ler, tem que estudar, tem que trabalhar corpo, tem que se cuidar como se fosse para um jogo de futebol. Não tem de de sair na véspera. Tem que se cuidar, tem que ter um preparo físico, tem que se concentrar, né? Dedicação, tem que querer muito, né? Bom, por exemplo, hoje vai ter a peça e tudo mais. Como que que é o seu dia? Assim, também tem questão de alimentação. Eu procuro alimentação leve, vistar bem alimentado, bem hidratado, não sair nas vésperas, né? não beber nem nas vésperas para poupar o seu corpo que é muita energia, ainda mais no infanto juvenil, no infantil é muita energia mais que um adulto. O corpo vira um desenho animado também. Bom, César, estamos aqui no Cambuí, no centro de convivência e ficou legal para caramba, né, cara? Ficou, tá lindo, né? Eu vim só como espectador no convivência. É. E agora só me apresentei aqui muito antes da pandemia e agora vai tá do outro lado, né? É, é. Tá bem bonito. Boa. Obrigado. Sucesso. E que a peça, não é? Ob, eh, seja um verdadeiro sucesso, uma grande estreia. Uma grande estreia. E vocês acompanharam aqui as imagens aqui no Conexão Cultural e vão ver mais um pouquinho, um clipezinho. Olha só. เ Conexão Cultural. Estamos de volta aqui para falar sobre a arte da palhaçaria. Vocês acompanharam aí o primeiro bloco. Bem legal, bem bacana. Continuamos aqui agora para conversar com o Vittor Tess, que é ator e palhaço, não é? Ele administra oficinas aí de palhaçaria eh em Campinas, tá conosco aqui no Conexão. Tudo bem, Vittor? Beleza, tudo bem? Beleza, tranquilo. E aí, tudo bom? Como que você tá? Firme e forte. Pessoal em casa já tá vendo esse rapazinho aí. Quem que é esse esse brother aí? Esse aqui é o parceiro do Ibaô. É o Biriba. Biri guardião. Biriba. É. E ele curte aí acompanhar seus shows aí ou não curte? Ele a gente ensaia aqui no Baô, né? E ele vira amigo dos atores, dos palhaços. É mais um palhacinho aí. E ele, ele faz capoeira também aqui, né? Porque aqui tem capoeira, ele faz é mestre ainda por cima, né? É, ele e o mestre Davi aqui que coordena. Que bacana. Bom, bora falar então sobre essas oficinas de palhaçaria, como funciona, que que você pode falar pra galerinha que tá em casa. Então, né, a gente ministra umas oficinas aqui pela companhia Escancara Coletiva, que é um grupo de ciclo teatro fundado aqui na Vila Padre Manuel da Nóbrega. E a gente tem uma missão que é a formação de plateia e artistas na periferia, né? Muito da região da Anguera para cá. Se você traçar uma linha da Anguera assim, eh, para esse lado, a região oeste é uma região pouco assistida de cultura, sabe? E a gente tem essa missão de trazer apresentações para cá, oficinas, formar plateia. E essa oficina aconteceu a primeira, né, em 2025, chamada Palhaçadas Malabarísticas. Ela aconteceu ao longo da do ano de 2025 aqui no Pon de Cultura e Baú e a gente formou alguns palhaços da região do Dick de Hortolândia e ao final a gente apresentou na praça aqui, chama praça Mã Coragem, onde tem a pista de skate aqui do Nobre. Te apresentou e passou o chapéu pra galera e a galera colaborou. Colaborou. Quando a, isso é uma coisa que a gente aprende na arte de rua, né? Quando as pessoas gostam do que vem, eles sentem a necessidade de ajudar. E não é ajudar, né? É pagar pelo que você consumiu. É, agora você falou tudo. Eh, não, não é bem uma ajuda, né? Vou isso tá pagando aí por por um trabalho muito bem feito, super profissional, né? Só lembrando aqui que eu esqueci o microfone. Eita. Ah, então vamos continuar. Ué, continuar. Já que estamos na palessanda, a ideia. Então, gostei, galerinha. A gente ia parar, a gente ia parar, mas o Valdecir Saraiva, nosso repórter cinematográfico, é, deu essa boa ideia. Cadê o nariz? Tá, cadê o nariz? Cadê o nariz? É, ó, deixa eu ver. Gostei, carioca. Gostei. Gostei. Vamos manter assim. Vai pro ar assim, tá? Eita, rapaz. É meu nariz. Ah. Ah, aqui. Aê. Vamos entrar no clima da palhaçada, então, né? Boa. Tudo bom? Prazer. Tudo bem. Prazer. André. O Spider. Eu sou o Jacaré Latino. Jacaré Latino? É. Por quê? Por quê? Porque quando eu era pequenininho, eu ficava em casa e fazia assim, ó. Aí meu time olhava e falava: "Ô jacaré, para de chorar. E eu tô na América Latina, né? Então aí ficou o jacaré latindo. Foi aí que você se interessou, ô jacaré, pela palhaçaria? Não foi na faculdade. Faculdade de de teatro. É. É que o rapaz que você fez artes cênicas foi teatro na Federal da Paraíba. Olha só, rapaz. Mas você é campineiro? Sou campineiro, nascido e criado no Nóbrega. Campineiro. Ponte Pretano. Tava com sorteano da ponte. Com certeza. É, tem que torcer pro time da cidade mesmo, né, cara? Eu sou 100% a favor também, né? Campinas ou bugrino ou Ponte Pretano, né, para assistir, né, para poder ver o time no estádio, né, lógico, né? Eu acho. É, é bem por aí mesmo, cara. Como que funciona essa essas oficinas aí? É o seguinte, a gente abre inscrição, a gente a faz oficinas aqui no Ibaô, né? A de 2025 a gente foi contemplado por um edital que foi um edital da Prefeitura de Campinas que chamava edital de credenciamento. E a prefeitura ela financiava por mês. Aí a gente financiava meu trabalho contra professor, né? que artista precisa trabalhar também, precisa de colocar a comida na mesa e a gente fazia as oficinas aqui no Ibaú, eh, com exercício de palhaçaria, exercício de comicidade, improviso. E a gente tinha uma ideia assim sempre de ir pra rua, né? Porque o palhaço mesmo ele ele nasce muito da interação com o público, entende? Aí depois dessas oficinas a gente começou a frequentar feiras noturnas, né, Biriba? A gente foi numa feira noturna lá no Jardim Nova América, sabe? Do lado do Viracopos. Sim. Um beijo pra galera da Nova América. Aí foi a primeira feira que a gente foi. A gente apresentou numa a feira coordenada pelo Luciano. Luciano. E é isso. A gente apresentou lá umas esquetes de palhaço que existe, né? A palhaçaria é muito antiga. Então ela tem vários números registrados, sabe? Por exemplo, já foi algum circo? Já. Claro, claro. E, e sempre tem umas que o palhaço com box, por exemplo. É, ou que o palhaço que casa com alguém da plateia sempre tem, sempre tem umas batidas, né? Aí a gente tem um compêndio de números que a gente estuda e pronto, a gente vai estudando o número, né? Como fazer ele, a triangulação, né? Com a plateia, como que envolver a plateia, como envolver a plateia. Muito legal isso aí que você falou, porque, cara, eu vou te falar um negócio, você tem que eh ir de acordo com a plateia, né? Exatamente. Ah, conforme a reação da plateia. Como que é isso? Assim, você tá você tá na na apresentação e daí você sente, né? Tem plateia que evidentemente que é mais calorosa, né? E outras não. Como que é isso para vocês assim profissionais? Cara, eh, você tem que estar atento, eh, atenção o tempo todo, olhos atentos com a plateia e ouvidos. Teve, a gente teve um caso que a gente faz uma disputa de talentos. A gente foi apresentar no Santa Lúcia, aqui ao lado, né, no condomínio. E é um número que a gente apresenta que a gente faz uma disputa de talento. Eu faço malabares e o outro palhaço faz é piada, piada ruim. Era isso que a gente que fazia o número. Só que quando a gente falou que ia fazer a disputa, a criançada pediu batalha de rap e pediram batalha, batalha. Aí o outro palhaço ficou se olhando, vixe, agora vamos ter que batalhar. Aí pronto, a gente foi rimar, rimou e fizemos a batalha. Isso, total improviso. Total improviso, porque a galera pediu, né? Aí, ó, quando você vai apresentando, você vai vendo o que a galera gosta, sabe? Isso seja aqui no Santa Lúcia, no Nóbrega, no Nova América. Batalha de rima é uma delas, né, que tá em alta. Aí a gente já colocou no espetáculo já, cara. E assim, e a galera contrata vocês, como que funciona? Então, a gente, primeiro de tudo, usa o chapéu, né? O chapéu é a nossa forma de emancipação e corta artista, né? O chapéu vai passando o chapéu, né? É. E tem uma ciência esse chapéu, não é? Acabou o espetáculo. Vou deixar o chapéu aqui na para vocês ajudarem. Como é essa ciência? Você tem que criar expectativa. Você chegou no momento do seu espetáculo que vai acontecer coisas absurdas. Você vai jogar três girafas fazendo malabares. Só que antes disso você passa o chapéu para poder acontecer. Ah, entendeu? Você cria uma promessa do que vai vir. Aí as pessoas não quero ver. Aí você cria expectativa nelas, elas topam financiar o espetáculo. Rapaz, que legal, entendeu? Essa é a ciência que a gente usa. E o chapéu é isso, né? essa forma de emancipação, de enquanto artistas mesmo. E através do chapéu que a gente faz na rua, a gente consegue contatos, contatos de animação de festa, a gente trabalha com animação, faz mágica, balões de mascotes, mascotes de balões e bolhas de sabão. Também existe todo um aparato assim mercadológico que é o circo, né? E o teatro ele possibilita pra gente. Ô Víor, me fala uma coisa aqui. Eh, como que é? É dom ou é treino? Eu não diria dom, existe predisposição, mas eu acho que treino é para todos. E é isso. O sol nasce para todos. Se você quer mesmo fazer palhaçaria, teatro, qualquer outra coisa, digamos que você não tem uma predisposição alta, né? ser me envergonhado com muito treino e entender e estudar, a gente chega lá. Mas assim, tem eh no seu caso, a gente percebe, você é bem desenvolto e tudo mais. Você não acha que o dom Você não acha que o dom ajuda também? Pô, esse cara nasceu para isso, esse cara é bom no que faz. Claro, eu entendi o que você falou. Eh, se o cara se esforçar e tudo mais, a repetição, a persistência quiser, ele ele vai chegar lá. Mas tem também essa questão do de ter uma facilidade, ter tem claro, é essa pr disposição que eu disse, né? Mas é isso, a quanto mais você vai se se colocando em situações que que estimulem a sua criatividade, seu improviso, vai acontecendo, né? Existe um, acho importante até citar, existe um grupo de improviso aqui em Campinas que a gente se organiza na Estação Cultura, chama Improletares. É um grupo que se encontra toda quarta-feira lá na estação para fazer jogos de improviso e não são atores, só chegar chegando, só chegar chegando, são pessoas que querem improvisar. Teve uma onda de improvisos por causa dos barbicha, né, recentemente, recentemente não, 2015, né, enfim, já que e já denunciei minha idade, né? Mas essa onda de improviso meio que se alastrou pro pros não atores e quanto mais você vai fazendo jogos e improvisos é um exemplo disso, mais a sua eloquência melhora, mais a sua capacidade de raciocinar rápido, sua atenção, o que tá acontecendo, entende? E você queria dar um recado aí de algo bem legal que vai rolar aí até outubro do ano que vem? Quero. Aí galerinha, fica atento agora. A escancara coletiva, ela foi contemplada pelo edital 18/25 da PINAB, que é um sobre projetos de cultura periférica. E o que que vai acontecer aqui no Ibaô? Vai rolar uma residência artística com bolsa ainda mensal para os alunos. Opa. Eh, a gente vai selecionar dois alunos, além dos que já estão com a escancara, para fazer parte dessa residência. Ela vai durar 9 meses com três módulos de três meses cada. E cada um desses módulos a gente vai ter um palhaço mestre convidado. Opa, que legal, cara. O primeiro é o Samirin, que vai trabalhar sobre palhaçaria e rua e mágica em adereços. O segundo é o Tchungo Malungo, que é um palhaço da Venezuela, que ele vai trabalhar com a gente palhaçaria e malabares e equilibrismo acrobacia. E a terceira é a palhaça TT, por exemplo. Tê, por exemplo. Tê, por exemplo, um uma mineira que mora em São Paulo e vai trabalhar palhaçaria em música com a gente. Bom, galerinha, nós estamos aqui na Casa de Cultura Ibaô, né, que fica eh na Vila Padre Manuel de Nóbrega em Campinas. E aqui além de palhaçaria tem capoeira. Que mais que tem aqui? Tem Zumba, aulas de zumba. Tem aulas de teatro também com a oficina Retumba. Ah, que legal. Legal. É cultura pura mesmo, né? Tem é a estação Samba Roque também rola aqui. Samba Rock, pô. Show de bola. E capoeira também é muito cultura, né? Sim. E arte marcial. Eu adoro arte marcial, cara. Então, e ela faz muito parte da vivência das pessoas na periferia, né? Ah, sem dúvida. de trazer autoestima pros jovens, cerminação, enfim. Com certeza. Bom, vamos lá, Víor. Eu fiz inclusive essa pergunta também no primeiro bloco pros nossos entrevistados e farei para você também eh quais as dicas que você deixa aí pra galerinha que se interessa por isso, né, que está assistindo ao Conexão Cultural e tem de repente a ideia, o objetivo eh de seguir nessa carreira, essa profissão tão legal, né, cara? tão tão bacana que faz alegria de muita gente. Cara, eu eu recomendo se aproximar de quem tá perto. Boa, né? Se você é aqui da região do Nóbrega, Santa Lúcia, do Dick, fala com Escancar. Se você é da região do centro, tem a galera que faz palhaçaria lá também, a galera em Barão Geraldo, que é muito forte, né? A gente bastante, já fui lá também fazer matéria lá, a galera é é muito forte, tem para quem estuda, tá nos livros Barão Geraldo, se você chutar uma árvore, cai um palhaço. É, é, é uma, dizem que é o bairro que mais tem palhaço do Brasil. E é isso, é se aproximar uma árvore e cai um palhaço. Essa foi boa madura ainda. E é isso, se aproxime, se aproxime dos seus, de quem tá perto, faça, porque a gente entende também que às vezes é um privilégio, né, poder estudar isso. Eh, às vezes as oficinas são escassas, mas busque, busque que tem. A prefeitura de Campinas financia muita coisa interessante, oficinas. Então é só ir atrás, se aproximar com quem tá fazendo, né, e quem é parecido com com o lugar que você vive, né? Basicamente essa é a minha dica more assim. Aí ao longo você vai vendo, você vai conhecendo as pessoas, você vai se inserindo, quero fazer um curso em São Paulo, quero fazer um curso no Rio de Janeiro, que eu fiz. Você fez algum curso fora ou não? Você fez faculdade fora, né? É, eu fiz na Paraíba faculdade de teatro, mas o curso mesmo de palhaço que eu fiz chama Slipa, que é a escola Livre de Palhaços do Rio de Janeiro. Ela dura 9 meses e eu fico lá no Rio de Janeiro uma uma semana por mês desses ve meses, hospedado no antigo hospício Dom Pedro I, que é um hospício da Nice da Silveira, que hoje virou um CAPS. E a gente tem aula na Escola Nacional de Circo, que é a na Praça da Bandeira, no centro. Como chama? Eh, escola livre de palhaços. E ela foi fundada por um campineiro, inclusive. Ah, é Richard Riget, um campineiro aí, Ponte Pretando, e tá lá no Rio fazendo teatro há muito tempo. E ele fundou essa escola lá. É, eu gosto mesmo da ponte, hein? Sim, claro. É, tá certo. Eu sou bugrino, viu? Entendi. Tudo bem, não tem problema não, cara. Vittor, sensacional seu trabalho. Parabéns, cara. Muito legal. E principalmente porque eh o trabalho é feito na periferia de Campinas, né, cara, fazendo eh alegria de tanta gente, cultura pura, né, fomentando a cultura, fomentando a arte, cara, muito bacana. E passando o chapéu e tendo o retorno, né, o reconhecimento do público, que eu acho que isso não tem preço, né, viver, sobreviver e viver do que você ama é a melhor coisa. Então é isso, vamos fomentar a cultura campineira sempre, né? Exato. E fomentar os artistas de Campinas, que quando você valorizar os artistas daqui, eu acho que isso é quando você vai assistir uma peça no seu bairro de pessoas próximas, você tem a chance de abraçar essa pessoa depois e se encantar. Quando você vai num cinema assistir filme de Hollywood, você não tem essa possibilidade. Você não vai ver o Robert Petson depois do filme, né? Mas os palhaços você vai ver, você pode dar um um abraço e quem sabe convidar pra festa, né? Valeu, Vittor. And parabéns, cara. Obrigado. Tamo junto. É isso aí, galerinha. Até a próxima, sempre aqui no Conexão Cultural. Tchau. Sensacional, cara. Você é show de bola. Valeu, galera. Bom, valeuamos junto.