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Olá! De acordo com o censo, o Brasil recebe milhares de imigrantes anualmente. E na região metropolitana de Campinas isso não é diferente. No caso, os espanhóis estão no grupo de do quarto país que mais vem pra nossa região. E eu conheci aqui alguém que não chegou tão já, chegou há quase 50 anos na nossa região e resolveu empreender, trazendo o que tinha de melhor da Espanha para cá. Eu estou na cidade de Vinhedo, que é bem ao lado de Campinas. E quem eu encontrei? O Paco. Paco, me conta dessa história primeiro de sair do seu país e vir pro Brasil. Bom, essa história começa com meu pai. Meu pai veio ao Brasil e ele se apaixonou pelo Brasil e me disse: "Paco, você amaria o Brasil? Você precisa conhecer?" Tá. Aí eu fiquei com isso na minha cabeça. Alguns poucos anos depois, cresci e precisei servir o exército na Espanha. Você tinha quantos anos? 19. anos. Só que eu fui destinado a um local que eu não queria ir. Fui destinado aos Marrocos que estavam pedindo uma independência pela pela terra deles. Eu achava que eles estavam certos e eu não concordei com isso e lim pro Brasil. Eu tá meio quase que fugiu de lá, né? Eu quase desertei. Eu não cheguei a desertar porque eu vi para cá 15 dias antes de ser convocado oficialmente. E já estava convocado, mas tinha data para me apresentar. Ah, então, mas eu cheguei aqui então na na anteriormente e fui ao consulado espanhol e consegui junto ao consulado regularizar minha situação. Então não cheguei a ser desertor. Entendi. Mas no começo você veio sozinho ou seu pai, sua família também veio? Não, eu vim junto com uma irmã. Junto com irmã com uma irmã. Viemos para conhecer o Brasil e ficar por aqui e empreender na área txtil. Mas já veio com essa ideia de empreender na área ttil. que era o que vocês faziam lá ou não? Sim, era, eu era, era, apesar de muito jovem e era um grande especialista e falei: "Olha, eu vou ao Brasil, vou ficar 5 anos, vou ficar rico em 5 anos e volto e volto e me aposento." Essa foi a minha Mas e aí? Esse foi a meu sonho. E essa questão de chegar no Brasil, área têil já um plano na cabeça, mas hoje você é dono de um restaurante. Como que foi isso? Essa mudança aí. São coisas da vida. Na verdade eu cheguei e quando cheguei que era na área teste, conhecia o BRZ, o bairro do BRZ, bem conhecido aqui para nós, principalmente no interior de São Paulo. E eu fiquei louco, falei: "Não, eu quero ficar aqui". Aí eu tinha um pouquinho de dinheiro, comprei uma máquina de costura. Você é costureiro? Eu sou modelista de roupa, gente. Por isso que eu cheguei aqui. Daqui a pouco vocês vão ver essas imagens. Tem uma tesoura enorme com alguns inclusive diplomas. São diplomas seus? Diplomas espanhóis de de modelista de roupa. Você então é modelista formado? Formado. E foi trabalhar no braço. Abriu sua empresa. Comprei uma máquina de costura. trabalhava mais de 24 horas por dia. Hum. Começamos com uma pequena empresa, bem pequena empresa, eu minha irmã, o marido, e eu cheguei a ter 150 funcionários. 150 lá no Brás? Não, no BR menos. Aí f no Brás 10. Aí do Brás mudei pra Vila Maria, da Vila Maria mudei para Tatuapé, 10. Tudo na área tê, tudo na área têxtil. Do Tatuapé mudei para o interior e Garatá, em São Paulo. E chegamos a ter 150 empregados, tá? Até um até um até que aconteceu o quê? Fernando Henrique Cardoso liberou importação da China. As empresas como eu que trabalhavam para magazines quebraram todas porque os magazines suspenderam todos os pedidos. Sim. E eu caí, mas caí de pé. Falei: "Vou agora, vou virar ficha". E passei a trabalhar na área comercial. trabalhou na área comercial, mas até então não era o chefe Paco. Quando que você era o chefe Paco enrustido? Enrustido porque fazia comida pro pessoal ali da família. Eu fazia paelha. Eu fazia paelha sempre grandes paelhas em eventos, principalmente eventos beneficientes. Ah, você já então já exercia isso? Sim. Depois você pode mostrar aquelas paheiras enormes ali, fazia naquelas grandes naquelas pailhas grandes sempre para 50 pessoas. Foi aí que surgiu então essa ideia. Por que não transformar isso num negócio? Não, não, não, não. Eu fazia paelhas por prazer e para ajudar realmente as as entidades beneficentes que precisavam de de de fundos, né? Então eu fazia gratuitamente e todo o dinheiro era revertido para essas entidades. Isso foi até a pandemia. Até a pandemia. Mas você já estava aqui em Vinhedo, já te Já morava em Vinheiro fazia 25 anos, mas não tinha ainda um negócio voltado à gastronomia? Não, não. Mas como surgiu então? Vou trabalhar com gastronomia. Isso não. Aí foi a pandemia. Mas na pandemia os restaurantes fecharam. Mas eu não tinha restaurante, eu abri. É justamente o contrário. O que que aconteceu? Eu eu tinha uma área gourm em casa, né? E meus amigos começaram a me pedir paelha delivery, que eu não fazia, eu só fazia eventos. OK. Eu comecei a servir aos meus amigos as paelhas delivery na casa deles. Comprei uma dúia de paelheira pequena e começamos a servir as paelhas em casa, eu e minha esposa. E um foi falando pro outro, outro foi falando pro outro e a coisa foi se multiplicando. Quando a pandemia acabou, nós tínhamos uma freguesia enorme e aí fomos obrigados a abrir o restaurante, porque aí a gente tinha uma tinha conquistado uma freguesia justamente quando os restaurantes que estavam estabelecidos tinha muitos encargos, problemas e tal e eles não aguentaram, mas comigo foi o contrário. Eu estava em casa parado, sem fazer nada, eu já tinha pintado as cadeiras de casa, os móveis de jardim, já tinha feito, não tinha mais o que fazer. E a paelha para nós foi um desafogo assim, uma uma coisa muito legal. Você disse que trabalhava na área comercial, você fazia o quê? Aí eu aí eu virei aí eu virei representante e vendedor. Eu conhecia muito do mundo, eu tinha viajado o mundo, conhecia muito do Brasil e tinha algumas técnicas de confecção realmente muito boas. Que que eu fiz? Fui buscar fornecedores internacionais que não estivessem no Brasil, empresas estrangeiras que não estiv. Esse negócio foi um negócio que na pandemia ele deu uma fechou, fechou, parou, parou por três meses totalmente. E aí a paha veio, aí surgiu a paha como uma outra atividade que não era. E aí depois eu levei em paralelo, aí eu fiquei depois da acabar a pandemia, eu fiquei, montei um pequeno restaurante e começamos a trabalhar e mantivem a minha sociedade na empresa. Até que chegou o momento que eu decidi abandonar a sociedade, conversei com o meu sócio, sim. e fiquei exclusivamente na Hoje você tá fora da área texo? Hoje estou fora. Quando alguém precisa alguma coisa, eu dou uma assessoria, mas de mas não comercialmente, mas alguma ajuda, algum amigo, estou fora. Mas como então? Após essa oportunidade, como você disse, era um momento que os restaurantes estavam fechando, um momento que as pessoas estavam muito, muitos inclusive não reabriram. Claro, muitos era normal porque eles tinham muita despesa fixa, foram pegos com a calça curta. Sim. E como você transformou aquele momento que foi de dor para grande parte das pessoas em uma oportunidade? Então foi sem querer, foi as pessoas que transformaram para mim, porque eu não planejei aquilo. E aí inclusive ainda teve uma grande sacada, éramos eu e minha esposa e no final de semana a gente vendia muitas paelhas. Nós não qu Era o kit que vocês mandavam pra casa das pessoas? Aí eu criei o kit. Ah, você mandava para elha pronta pr eu mandava paelha pronta. E como eu não conseguia mandar todas as parelhas prontas, então falei: "Pera aí, eu que como é que eu posso fazer? Vou fazer um kit que que eu congelo ele e entrego pra pessoa finalizar a paha na casa dela". Inclusive é um kit que vem com manual, com tudo. Você que fez todo aquele manual? Tudo, tudo o processo, todo o processo. Isso me deu bastante trabalho pra gente desenvolver. Não sabíamos como íamos fazer. Até naquela época eu recebia a visita de um cozinheiro, de um mestre de cozinheiros, amigo meu, espanhol. Ele me ajudou um pouco, mas as ideias dele não funcionaram porque eram ideias da Espanha. No Brasil a coisa é diferente. E conseguimos desenvolver um kit que você leva para casa, coloca água, somente água e mais nada. E quando a água acabar, a paha está pronta. Super fácil. Super fácil. E com isso aumentou muito minha minha renda, porque eu e minha esposa conseguíamos fazer algumas pailhas, agora conseguíamos preparar durante a semana o kit e no final de semana a gente entregava o kit para o cliente. E como depois com a a solução aí, olha, além de mandar o kit, eu vou abrir um restaurante, como vocês se dividem hoje? Porque você mantém o modelo de negócio do envio do delivery. Sim, sim. Mas também tem pessoas que vem até aqui para saborear os pratos. Isso. Isso. E sim. E temos e não é mais só para elha. Tem, mas sempre especializado em frutas do mar, tá? Poucas coisas que não sejam frutas do mar, poucas carnes ou qualquer outras coisas. E tapas, né? Que tapas são aquelas típicos petiscos espanhóis. Sim. Temos umas tapas maravilhosas que a gente faz com as entradinhas, né? E aí, como foi para você conquistar esse cliente que pensa muitas vezes que ai é muito difícil fazer esse prato espanhol, eu preciso de tempo, de não tenho muito tempo, mas quero fazer uma coisa com Olha aí, gente, chegou. Vou abrir, inclusive, deiem uma olhadinha aí. Olha, olha, bem quentinho. Depois eu a gente vai mostrar mais detalhes, hein? Vamos mostrar. Mas como foi então adaptar ao gosto desse cliente? justamente. É, foi na verdade muito fácil porque as primeiras paelhas que eu fazia, eu demorava umas 4, cé 6 horas para fazer uma paelha, independentemente da do tamanho da paelha, que o processo é muito longo. E eu percebi que muitas partes desses processos a gente podia adiantar para na hora de fazer a paelha simplesmente executar, correto? Então foi muito simples. Depois que eu entendi, o que você vende, na verdade é a execução. A execução. Então, e o grande a paha também, eu aqui te ensinei alguns truques, né, no pão. Na paelha também não tem segredo, mas tem truques. O principal truque, principal de todos, produtos de primeira linha, de primeira qualidade, ingredientes bons. E como vocês fazem hoje? A sua mulher continua trabalhando com você? Minha mulher continua trabalhando na parte administrativa. E você quem faz, por exemplo, a compra? Você já tem fornecedor ou você vai num lugar? A dona Edna que faz. Já tem ela, a minha esposa, ela que faz. Temos, nós compramos, nós hoje somos uns grandes distribuidores. Ah, porque temos outros restaurantes, temos empreos que Ah, vocês fornecem para restaurantes, inclusive, não só pro seu restaurante. Forne, Sim, também. E temos outro restaurante, né? Mas como foi desenvolver? Você acha que toda essa sua trajetória empreendedora lá no comércio, no mercado têxil, te deu esse molejo, digamos assim, bagagem, muito bem, bagagem para pensar. Eu não vou só produzir um kit para mim, tem restaurantes que tem essa mesma dor que demora para produzir, eu mando pronto, ele só executa quando um cliente chega e fala: "Eu quero uma para ele". Eu eu sempre fui na área industrial e sempre pensei em solução eh racionalizada, facilitar a vida do usuário. Sempre pensei nisso. Então foi exatamente essa a nossa dica. vou preparar a coisa de uma forma que ele consiga executar muito fácil, que qualquer criança consiga executar com custo. Como hoje nós compramos muito produto, tenho um preço de compra muito bom, o que me permite vender num preço justo para a pessoa que poderia ser meu concorrente, não é? Ele na verdade é meu distribuidor. Quanto custa cada kit hoje? O kit hoje para que comem duas pessoas, o kit de uma pessoa, de uma que comem dois, porque é muito, muito bem servido. Aqui é o kit de uma pessoa, tá? Aqui é o kit de uma pessoa. Custa o kit R$ 90. Tá. Você vende quanto kit por mês? Não tenho bem esse número não. Uns 500 por aí. Vendo muito mais ou menos. Mas prefiro não falar. Prefere não falar. Mas então, se não é só pra sua loja, hoje você é um distribuidor. Sim, vendemos muitos. Valeu a pena dar essa guinada na sua trajetória empreendedora? Tudo que eu fiz na minha vida valeu a pena. Sempre. Eu digo que que eu só ando para frente. Eh, às vezes posso dar a volta, mas ando para frente. Então, tudo que nós fizemos valeu a pena sempre. Agora, o Paco, naquele momento lá da pandemia, que o negócio que você trabalhava, né, aí no mercado texto, fazendo a parte comercial, você falou em três meses aquilo acabou. E de repente você diz: "Eu recebi como presente essa questão da paíelha porque não era planejado." Como que você analisa tudo isso quando você pensa na sua trajetória? É, eu penso que tudo tem um destino, né? E você tem que aproveitar o destino. O o cavalo, ele vai passar selado para você. Você tem que montar no cavalo. Se você tiver medo de montar no cavalo, não vai cair do cavalo, mas não vai a lugar nenhum. Mas nessa trajetória, que nem você falou, eu às vezes dou maior volta, mas eu continuo indo em frente. Tem desafios também? Não, só tem desafios. Você só tem desafios, né? Eh, mas eu particularmente adoro aceitar desafios e quebrar paradigmas. Na minha vida quebrei muitos paradigmas, muitos. E uma coisa que você faz questão, olha, a gente tá aqui, a gente tá gravando essa trajetória empreendedora com Paco, porque a gente foi fazer uma reportagem a respeito do final da Copa do Mundo e ele trouxe algumas coisas da tradição, por exemplo, essa bandana. O que significa isso? Isso é, isso seria quase um amuleto para mim. Eh, porque porque você poderia cozinhar com uma touca na cabeça. Sim, sim, sim. Mas desde a primeira paelha que eu fiz, na primeiríssima paelha que eu fiz, eu coloquei uma bandana para eu sentir o espírito, o espírito da minha terra. Essa bandana chama-se cachirulo e não é uma bandana. Eh, eh, é muito mais do que isso. É uma tradição de centenas de anos. Eu me atreveria a falar milhares de anos do povo da minha terra, de Aragon. Aragon. Aragon. Eu sou aragonês. Tá. E isto eles utilizam, talvez eles amarram de uma forma um pouco diferente ou a brasileira, eu a brasileira, digamos, né? Se algum aragonês v falar: "Ah, você não sabe amarrar o não, eu amarro do meu jeito e pronto." O que me interessa é utilizar o cachirulo, né? E me traz muita confiança, me traz muita firmeza assim. e meus ancestrais, as minhas terras, as minhas origens, os meus princípios, que que é o mais importante de tudo, que aprendi com o meu pai a fazer as coisas direito, sempre correto, da melhor forma possível. Quando eu ponho isso na cabeça, tem que fazer daquele jeito. É isso. E hoje Espanha, você falou lá no início, ó, eu vou trabalhar, ficar rico em 5 anos e vou voltar. E hoje como fica oração? Espanha para passear ou ainda pretende voltar? Eu quero ficar nos dois. Mas você tem ido à Espanha às vezes? Sim, sim. E eu quero agora começar uma trajetória com a minha esposa. Nós trabalhamos muito. Na verdade eu comecei a trabalhar com 9 anos de idade. Nove pode parecer duro, mas com 9 anos eu trabalhava na roça com meu pai. Hoje eu tenho 67, então vai fazer 60 anos que eu estou trabalhando. Não estou cansado, mas quero curtir. Sim, queremos curtir um pouco a vida. Então a gente está pensando em passar uma temporada na Espanha, outra temporada no Brasil. Na Espanha, não, na Europa, na verdade, na parte sul da Europa. Hoje tem a internet para administrar tudo. Exatamente. E esse esse é o nosso o nosso propósito. Essa é a forma que a gente tem cara a atualidade e o futuro. A gente abriu inclusive o programa de hoje falando de estrangeiros que vêm buscar uma nova vida no Brasil. E eu queria que você falasse, inclusive para quem tá em casa, para quem às vezes é estrangeiro, acabou de chegar, tá fugindo, muitas vezes as pessoas estão fugindo de situações humanitárias nos seus países de origem. O Brasil é um país que a gente pode dizer que acolhe e que sim, dá para empreender e ter sucesso aqui. Olha, eh, é incrível, realmente assim, é isso. Desde o primeiro dia que eu cheguei aqui, eu nunca me senti rejeitado por ninguém. Eu sempre fui muito bem aceito, mas muito mesmo. E agora tem uma coisa também, eu sempre tentei me adaptar ao Brasil. A paha, eu mudei ao gosto do brasileiro. Não, não estou tentando mudar, por exemplo, o brasileiro para gostar minha paelha. Eu sempre me senti muito aceito. Eu depois no com passados anos trabalhei muitas vezes em prol da sociedade e quando comecei a fazer as paelhas que eu fazia beneficientes, era justamente para tentar retribuir tudo aquilo que o Brasil me deu e que me dá, porque eu não nasci aqui. Mas é daqui. Sou. Tá certo? Então gente, o ser empreendedor vai para um breve intervalo, mas antes acompanha aí as dicas de livros sobre empreendedorismo. Até mais. A gente começa com negócios na gastronomia. Um guia prático. Com mais de 120 cases de sucesso nacionais e internacionais, o livro foi cuidadosamente elaborado para oferecer a você leitor um guia abrangente sobre como iniciar, gerenciar e ter sucesso em um empreendimento gastronômico. 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E o Mohamed começou como meia aqui também na cidade há mais de 3 anos. Hoje ele já está em uma outra categoria e vai falar pra gente um pouquinho dessa história. Vamos falar um pouquinho, Mohammedes, um pouco antes de você abrir o seu negócio. Por que você veio para Campinas? Ah, eu morava no estrangeiro e aí eh, depois de bastante tempo morando lá fora, como minha família, uma grande parte dela é brasileira, a gente decidiu voltar pro Brasil. Eh, chegando no Brasil, eh, eu comecei a trabalhar, eh, com turismo até o momento da pandemia. Com a pandemia, fechamento de aeroportos, falta de viajar, viagem turística, eu sempre gostava de culinária árabe, por ser árabe, claro. E o Advent, mas quando você trabalhava no turismo, você era CLT ou você já era empresa? Eu era CLT. Era CLT. Tá. Eh, com a pandemia, eu pensei em empreender aqui no eh em Campinas, né? Campinas um grande mercado. Eh, e aí pensei na culinária árabe, fiz alguns cursos e comecei a empreender mesmo, fazer uns pratos da minha região e comecei a oferecer paraas pessoas aqui para ver eh o nível de aceitação e realmente tive uma resposta muito positiva. E inicialmente, quem foram essas pessoas, amigos? vizinhos vizinhos foram foram vizinhos. Coloquei no grupo do condomínio que eu tô preparando alguns pratos gratuitos e muita gente se interessou e fui levar até os apartamentos deles e minha esposa. E aí eles realmente a partir do dia seguinte eles começaram a pedir mais, a gente quer mais pratos querendo daquilo. E aí eu preparei um menu pequeno de seis itens. Você fez um mini cardápio? É, Minicardio, eu comecei a divulgar, claro, comprei alguns aparelhos pequenos, elétricos no apartamento para começar trabalhar e comecei ali mesmo no apartamento, na cozinha da minha casa. E aí comecei a vender, comecei a trabalhar eh sete dias por semana, dias dia e noite. Qual seu país de origem? Egito. E aí você trouxe então a comida do Egito para cá. Isso, isso mesmo. Eu fiz todos os pratos remetendo o Egito, eh, e comecei ali mesmo. E realmente sempre foi uma resposta positiva, foi sempre comentários construtivos, comecei mudanças e até o momento que eu senti que eu tenho que tomar uma decisão para ampelear o negócio. E aí saí da minha casa, cozinhando da minha casa e fui, aluguei uma casa pequena e comecei coisas simples, coisa de casa também, tá? Você só mudou a cozinha, mas você ainda não tinha aberto um lugar para comer nesse local. Era delivery. Isso. Apenas delivery para a questão de logística. acabou não quero conseguir chegar, levar o pedido e e era muito difícil fazer isso dentro de um condomínio. Sim, eu comecei a fazer isso lá e chegou o momento que eu tenho que sair para fazer isso de uma maneira mais profissional. E aí aluguei uma casa e saí eu cozinhando, a minha esposa, atendendo o público no celular, nos aplicativos de de venda de refeições e começamos ali mesmo. E aí realmente fui também um salto que ouvimos muitos comentários positivos dos clientes, o próprios clientes chamando a gente para abrir salão para eles sentarem para comer. Não tem como almoçar aí, não tem como jantar aí. Pois é. É, aí com esses comentários, com essas respostas positivas, com pedidos eh sempre repetitivos, clientes sempre pedindo com a gente, comecei a contratar auxiliar de cozinha, comecei a contratar cozinha. Aí, só um minuto, eu abri o programa dizendo que você era meio. Sim. Foi aí que você falou: "Vou ter que mudar de categoria". ele consegue colocar até um colaborador. E aí eu coloquei um, trabalhou comigo, batalhamos junto, tá? Mas e depois tem que depois tem que colocar mais gente e aí claro que procurei um contador, mudei o tipo de empresa para ser empresa nacional, eh, tudo dentro dos limites, tudo certinho. Eh, e agora a gente tá com a mesma equipe que começou ampliando mais gente. Sua equipe é de quantas pessoas agora? A gente tá com um prestador de serviço, outro CLT, a gente tá quase 9, 10 pessoas. Quer dizer, você está também promovendo emprego de outras pessoas? Claro, a gente tem que dar oportunidade ensinando as pessoas e dar oportunidade para aquelas pessoas que começaram com a gente. Todo mundo tem trabalhando com você. Ela cuida do setor da logística, ela cuida da recepção. Isso. Nós que cuidamos da parte mais técnica da na cozinha mesmo. Só que nós estamos aqui, inclusive vocês estão vendo esse cenário que é uma parte do restaurante, vão ver imagens aí de um pouco dessa comida árabe que ele traz para cá. Essa comida tem comida árabe, só a gente quer lego quer entender, viu, Mohamed? Comida árabe, ela é toda igual, por exemplo, independente de que seja do Egito, que seja do Líbano ou outro lugar, ou não tem algumas peculiaridades. É totalmente diferente. Eu eu o escuto muito o cliente vem e pede comida. Por exemplo, tem cliente que chega no Zato da Culinária Árabe e pede esfirra. A gente explica que nossa cozinha é uma cozinha egípcia. E no Egito, por incrível que apareça, a gente não come esfirra. Hum. Hum. Olha só, tem que também entender o explica que a gente tem outros pratos, charutos, kibes, cafta, muita coisa. Mas o esfia, como não é uma coisa do Egito, a gente não vende. As pessoas estranham isso porque E o que vende aqui que é do Egito que os outros árabes não tm, por exemplo, eh, por exemplo, a gente tem bolinho de pato, que não existe em outras culinárias. A gente, bolinho de pato, o que que seria um salgadinho? de pato. Carne de pato. A gente compra o pato, desfia, tempera, faz, monta o bolinho, depois empana. Sim. Eh, esses pratos não têm outros países árabe, apenas no Egito. O Egito consome bastante pato. Eh, o nosso faláfel é diferente. Falafel, ele é diferente dos países árabes. A gente usa bastante ervas, nos falafel é bastante verde. Nos países árabes, como Síria e Líbano, apesar de ser muito gostoso também, mas a cor dele é diferente. Sim. Outro tipo de faláfel, que é uma comida bastante vegetariana e totalmente vegetariana, é muito famoso no mundo árabe também. até a salada de tabule, ela feita no Egito de uma maneira diferente. Eh, então eu digo assim que 60% tem diferença. E até porque como a gente acha que é tudo igual, é importante você falar de como você então se propôs do ponto de vista do negócio, trazer essa experiência pro cliente e entender que quando ele tá aqui, ele não tá simplesmente experimentando um prato árabe, porque não é tudo igual. Ele está experimentando um prato da cozinha egípcia. É isso. Isso mesmo. A gente sempre tem orgulho do que a gente apresenta, porque eu não apresento apenas uma comida. Eu apresento uma cultura. Egito é um país eh que existe na Terra quase 7.000 anos atrás. Tem muitas civilizações e tem muitas histórias para contar. Então a gente tenta contar um pouco da nossa cultura através dos pratos. Então eu quis trazer isso. Eu quis fazer um menu que como falei eh que eu eu comecei com seis itens. Hoje no cardábio tem mais de 40 itens. Nossa, incluindo doces e salgados. Incluindo doces salgados. E tudo isso vem da cozinha árabe. Vem da cozinha árabe, especificamente a cozinha egípcia. Mas e aí quando você pensou lá na pandemia, olha, eu preciso ter uma renda porque o turismo naquele momento foi inclusive um dos setores mais prejudicados. você já cozinhava pra família e só levou aquilo para um, digamos, para uma escala maior ou você teve que mãe ou parente, tia, avó, alguém, eh, sabe aquela receita antiga que a que eu comia aí na sua casa? Como que foi essa história de virar chefe de cozinha? Eu sou amigo das panelas da minha casa, eu que cozinho, né? Então, sempre cozinhava pr pra família, para amigos. Então eu falei assim, eu vou investir naquela coisa que eu amo. Como eu amava turismo, também eu tenho que trabalhar com alguma coisa que eu amo. Então eu fui fazer um curso de chefe de cozinha e e fazendo o curso comecei já a empreender, comecei já a fazer os pratos e trabalhar com aquilo que eu amo, né, que eu posso contar, porque eu gosto, quando trabalhava do turismo, eu explicava templos, explicava monumentos. Então agora eu explico pratos. Então você tem que contar a história, mas você aproveita essa bagagem do turismo, então, né? Porque a pessoa via prato ela vai entrar naquele mundo. Claro. Por aqui aqui nos atra culinária áb a gente apresenta prato bonito. A gente investe na na na na imagem do prato. A gente não apresenta apenas comida. O prato tem que contar uma história. Sim. Então eu e a minha equipe eles contam isso. O o nosso chefe de cozinha ele chega para as pessoas aqui durante a refeição e pergunta: "Você sabe de onde vem essa comida? também não. Eles são daqui do Brasil. Brasileiro. Mas você passou todo esse conhecimento para eles? Claro, eles estão trabalhando comigo desde que eram auxiliar de cozinha comigo. Eles foram crescendo lá na sua casa. Sim. Quando você decidiu eh passar a cozinhar e fazer aquela primeira experiência, quanto você investiu naquele momento? Você lembra? Ah, foi quase R$ 900 aparelhos, coisas assim. E aí depois você deu um upgrade, saindo de lá. Uhum. Foi para um imóvel. Teve que investir de novo. Claro. Tem quanto mais ou menos? Você lembra? Para entrar numa casa pequena e montar uma cozinha, vamos dizer assim, de madeira, não é coisa de inox e tal, foi mais uns 5000, 4.000, coisa simples. E há 3 anos você veio para cá. Outro upgrade. É, a gente juntou mais uma área daquela casa, tá? E e reformamos a casa. Tudo agora tá em revestimento, tudo mesa de inox, aparelhos. Sim. mais sofisticados, tal. E quanto você teve que investir em média? E aí tem uns três, quatro zeros aí do lado dos números. Sim. E já teve esse investimento de volta, já conseguiu tê-lo de volta? Sim, ao longo dos anos, sim, tivemos um retorno bom aí, porque realmente a gente não para para, a gente tá naquele tempo ainda que a gente precisa decolar, então e a gente precisa sentido de pagar contas e pagar o investimento, pagar contas, pagar o pessoal, pagar nossas energias, nossas questões, agradar os clientes, isso que importa para mim. Conseguiu fidelizar clientes aí nesse tempo? Eh, a gente tem clientes que como é aqui toda terça-feira, toda quarta-feira, a gente sabe quem vai pedir agora, quem vai pedir amanhã, a gente prepara os pratos para eles. Eh, temos até nos aplicativos de pedidos clientes que pede mais de 50 vezes, mais de 70 vezes, porque aparece mensurar isso. Isso, porque ele manda para você, esse cliente pediu 60 vezes na sua loja. Então, temos orgulho disso. Sim. O recepcionista ele já chama a gente, gente, olha aqui esse cliente que já pediu 60 vezes. Uau! E a gente cabeça mais para ele continuar pedindo. Sim, essa é a nossa a nossa meta. Com essa proposta de ter o local de atendimento, você conseguiu o quê? Dobrar, triplicar a clientela. Como foi? É, sempre temos uma uma a o nosso cálculo sempre para cima. a gente sempre olha eh essas metas e e conseguimos ver que os clientes estão se não estão dublicando, estão triblicando, porque realmente hoje o forte é o delivery ou presencial. Continuamos ainda com o delivery mais forte, mas aí eu espero nos próximos anos eh o salão eh adquir mais gente, mais cliente, porque realmente o nosso salão lá fora, externo interno, e a gente também pretende abrir mais uma sala lá dentro, eh, ainda recente. Tem cliente que acostumava levar o quê? Retirar o pedido. Então ele chega aqui e fica surpreso que a gente tem uma sala, não sabia isso. Então, eh, a gente tá indo para esse caminho. Sim. E hoje quando você vê essa trajetória, essa troca, digamos que de profissão, de trabalhar com turismo para trabalhar com a gastronomia, o que que você sente, Moham? Eu sinto orgulho, realmente, mas eu primeiro agradeço o povo brasileiro por gostar da nossa comida, entender a nossa história. Ele escuta o que a gente conta. Eh, realmente eu fico muito feliz, muito contente do que a gente chegou, eu aqui com a minha esposa, a nossa equipe toda, eh, sabe porque eu sempre digo, o povo brasileiro é um povo hospitaleiro, ele recebe você com o braço aberto. Ele abraça a nossa cultura, nossos pratos, ele quer, ele quer sempre experimentar aquele prato novo. Sim. Quando a gente coloca alguma coisa nova no cardápio, ele quer experimentar. Então, e essa questão de escolher Campinas, você poderia ter escolhido a capital paulista ou uma outra cidade também, esse contexto de Campinas, ser interior, mas ao mesmo tempo ter um um pouquinho de da correria de uma metrópole, tanto que nós somos considerados metrópole, eu falo porque eu sou campineira e por conta do número de habitantes, mas o que que encantou mais vocês quando vocês pensam na nossa cidade? Eu me abracionei por Campeãs quando cheguei aqui, andei pela cidade, vi a verde, vi o povo, vi. Eu me apaixonei. Eu considero aqui, se não é minha primeira cidade, é a segunda. Minha cidade Cairo, então Cairo também Cairo, capitão. Então, verde, flores, eh predios bonitos, ruas largas e silêncio também. Sim. E nível baixo de poluição. Eu gosto muito de Campinas. E aqui no restaurante, qual é o prato chefe? A gente tem eh o kit individual que as pessoas come fica satisfeito. Experimenta quatro itens da culinária árabe, que conta com duas pastas árabes coalhada babaganu rom pastas feitas com bastante tempero, gostosos, macios, servidos com pão árabe feito aqui em casa. A gente não compra o nosso pão, a gente prepara aqui. E também eh serve dois lados. o o vegetariano e quem gosta de carne. Vegetariano servido com faláfel e eh quem come carne e é com kibe. Eu não sou ki recheado com carne moída, não é uma massa só, é duas massas. Então esse prato que agrada muita gente, porque ele é suficiente para um almoço ou jantar e ele experimenta quatro, cinco itens da culinária ao mesmo tempo. Agora, e o futuro dá para pensar onde esse negócio que traz não só o alimento, mas a experiência? Sim. Onde vocês querem chegar? Ah, eu quero chegar muito longe, mas sempre apresentando a nossa culinária para as pessoas, nossa cultura para as pessoas e as pessoas que vão ajudar a gente, porque as pessoas que vão dricionar. Quando você vê e clientes novos entrando no local, cliente eh satisfeitos, você sempre tem mais sonhos. Então, nosso futuro é esse. A gente vai criar mais salas para atender, mais pessoas para trabalhar, novos pratos para agradar as pessoas e sempre com aquela qualidade que a gente sempre coloca no nossos pratos e amor também. Eu perguntei no primeiro bloco pro Paco sobre a comida espanhola. Ele que está erradicado no Brasil há 40, 42 anos. se ele tinha vontade de voltar paraa Espanha. Ele falou que ele volta para passear, mas para morar ele não se vê morando mais lá. E você também eh, eu volto pro Egito bastante bastante vezes por ano, muitas vezes por ano, para visitar minha família, meus amigos, eh, porque a gente sente saudade do nosso país de nascimento, mas também a gente considera aqui o nosso país, nossa cidade. A gente sente saudade, quando eu passo mais tempo lá, eu sinto saudade de Campinas, tá? Eh, onde eu tomo café, onde eu almoço. Eh, então eu me vejo também na no mesmo cenário, morando aqui e visitando lá. Tá certo? Então, olha, o ser empreendedor fica por aqui. Lembrando que todo domingo, 5:15 da tarde, a gente tem a estreia de um novo programa. E essa história inspiradora desses dois estrangeiros que moram aqui na região metropolitana de Campinas, elas ficam sempre lá no youtube.com/tvcâmaracampinas ou no portal da nossa TV. Até um próximo ser empreendedor.