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Olá! O mercado de café artesanal e especial no Brasil está em franca expansão. O segmento cresce cerca de 15% ao ano e já representa entre 5 e 10% do consumo nacional impulsionado por um público exigente que valoriza sustentabilidade, rastreabilidade e os métodos de preparo diferenciados. Para se ter uma ideia, o setor de café especiais movimenta parte significativa dos 114 bilhões de reais do VBP, que é o valor bruto da produção nacional do café aqui em nosso país. Esse é o tema do ser empreendedor de hoje. Para isso, eu confesso que eu já experimentei o café produzido aqui pela Camila, que vai contar sobre essa trajetória empreendedora, por empreender com café especial. Camila, seja bem-vinda. Obrigada. Antes da gente falar especificamente do café, eu bati um papo com a Camila enquanto tomava o meu cafezinho. Você já tem uma veendedora nata, trabalhou muito tempo de CLT e já teve outros negócios antes de partir pro café. Já. Eh, eu acho que o dia que o o bichinho do empreendedor do empreendedorismo te alcança, é difícil você deixar para trás, né? A gente já não sossega mais. Eu eu brinco que eu passo na rua, eu vejo uma placa de alugas e eu já fico assim: "Nossa, daria para fazer isso, isso, isso isso". Então, a gente eh em começa por esse caminho que não tem volta mais. Mas a gente já empreendeu na área da marcenaria, já tivemos eh spá de pés e mãos também. E agora a gente tá coisas bem diferentes, né? Bem diferentes. A gente teve sociedade, né? Eh, e agora no café a gente tá só como proprietário. Isso. Mas como começou então essa história, esse amor pelo café e partir para ter um negócio voltado ao café especial? Legal. O meu pai tava procurando uma área para comprar, né? eh, uma área rural para comprar e ele tinha os planos dele. E aí a gente acabou meio que por acaso conhecendo esse espaço que eh na cidade que a minha avó nasceu, que é em São Sebastião da Grama, estado de São Paulo, estado de São Paulo, é a última cidade no estado de São Paulo, eh, que é na base da Mantiqueira, da Serra da Mantiqueira ali. E e nessa área tinha lá 32.000 pés de café. Então aí eu que já sou curiosa, já empreendo, já fiquei olhando, falei assim: "Hum, nossa, 32.000 pés de cafés". E aí a primeira safra a gente terceirizou, vendeu pro próprio proprietário que tinha vendido as terras pra gente, né? Sim. Mas depois daí eu fui conhecendo os vizinhos, fui conhecendo os processos, fui chegando mais perto do café. E mas você já tinha essa coisa do café de pensar em saborear um café especial ou não? Até então não tinha essa ideia. A gente saboreava café especial nas cafeterias, mas eu não tinha um grande conhecimento para para admirar, para saber diferenciar. Não, a gente ia só nas cafeterias mesmo. A veio a partir daí mesmo dessa dessa mudança eh pra área rural que daí a gente começou a se interessar pelo processo do café. Você foi estudar? Eu estudei muito. Eh, a gente teve alguns amigos que abriram as portas pra gente. Eu falo, eu já trabalhei com TI, trabalhei 15 anos como administradora de banco de dados, eu trabalhei com marcenaria, a gente trabalhou com sociedade na área da beleza e eu te na área do café eu nunca conheci alguém chato. Nunca conheci alguém chato. Nunca conheci um chato. tiver, eu ainda não passei por lá, mas todo mundo que eu conheci foi muito legal, abriram portas, me receberam super bem, eu era uma novata, né? Sim. Então, isso foi quando Isso foi 5 anos atrás, 2021, mais ou menos. É, recente, pós- pandemia. Pós pandemia, do meio pra frente da pandemia. Sim. E daí a gente conheceu pessoas maravilhosas, a Lívia, que é jornalista, que me indicou o Fant que é agrônomo, especialista em Torra, que trabalhava com a Tuca, que é dona da Santa Lina, que tem lá na equipe a Lúcia, que é uma outra pessoa maravilhosa. E aí me apresentaram a Torra, me apresentaram cafés, me apresentaram grãos. Daí a gente foi conhecendo mais gente ali da região, eh o pessoal da Gran Cerre que faz o beneficiamento, pessoal do sindicato, eh, da Associação dos Caféicutores. E aí a rede vai expandindo de uma maneira assim que a gente tá sempre em contato com alguém da área, os fazendeiros ali em volta também a gente acabou conhecendo, né? E da a partir daí então eu falei, eu vou ter que estudar para eu entender o que tá acontecendo aqui, né? Então, a gente vai fazer vários cursos de torra. A gente fez em São Paulo, em Belo Horizonte, em Varginha, tiramos várias certificações. Mas eu vou dizer uma coisa, nada como a prática. Nada como a prática. Os cursos são legais, mas assim, a gente torrar café todo dia é que vai te levando para melhorar o seu caminho, a sua assinatura, o que você quer daquele café, o jeitinho que você torna. E as pessoas acabam que vão reconhecendo isso no produto final quando a gente entrega, né? Ô Camila, mas você contou que essa primeira colheita foi do café que já estava plantado. Uhum. Você daqui a pouco inclusive vai dar aqui uma para quem tá em casa até a gente tem aqui vários, né, variedades de café. Como foi que você foi então adaptando aquela plantação que já existia para esse seu modelo de negócio? Deu para utilizar os grãos que já estavam plantados? Você teve que fazer uma mudança radical ali? Como foi também isso do ponto de vista lá da terra, do plantil? Tá aí lá da terra e do plantil a gente explora. A gente tem um nanolote muito pequeno que é que ele é plantado com outras frutíferas em volta. Esse nanolote ele foi teve uma poda radical. Essa poda radical, ela teve uma rebrotação dos pés e daí começou dos como que tivesse começado do zero de novo. Sim. Então, a partir de do anos, a gente conseguiu colher alguma coisa, fazer um lote fermentado. No terceiro ano a gente colheu. E o café você cole muito num ano, no outro ano não cole tanto. A árvore ela pede um intervalo assim, tá? Então é é separado em talhões, né? Hoje o nosso negócio é assim, esse ano é desse canto aqui para quem tá em casa. O ano que vem vai ser do canto de lá. Isso. Exatamente. Então você tem uma super produção aqui. O ano que vem já não vai produzir tanto produz. Mas nesses talhões, cada talhão é um tipo de grão ou os grãos são os mesmos? E o manejo é que é diferente para mudar o gostinho do café. Como é isso? Tanto um como o outro. Você pode colher o mesmo café e dar tratamentos pós colheita diferente para esse mesmo café. Sim. Você pode fermentar, secar em terreiro suspenso, secar em terreiro comum, você pode deixar ele natural, não fazer nenhum processo de fermentação nem nada. Então o mesmo grão você pode dar destinos diferentes para ele. Sim. Mas você pode ter grãos específicos também, onde você quer um resultado específico daquele talhão e e plantar e separar também por variedade, tá? Você usa que tipo de grão? A gente tem burbom amarelo e burbom vermelho lá hoje. E é o é arábica que fala ou não? É arábica. O que que é arábica? Arábica é uma é uma variedade. E debaixo do arábica você tem as espécies diferentes. Não sei se tô usando exatamente o termo biológico, certo? É, mas eh o Arabica é um café mais doce. Ele é um café que pode ter notas frutadas, notas cítricas dentro do das notas do café é um sabor, tem vários lugares para onde o café pode ir. Inclusive você comentou que ele é plantado em meio a outras, é, esses talhões que a gente tem lá hoje, eh, ele é ele é uma agrofloresta, então ele é plantado com outras variedades no meio. Outras variedades influenciam no sabor desse café ou não? Não tem nada a ver, não. Ele influencia mais eh na terra, no manejo e na como você mantém umidade, a gente usa uma forrageira no entre os canteiros. Então isso daí sim eh diferencia, mas hoje a Café Selection ela trabalha com vários produtores da região. Então eu tenho o meu pequeno lote que a gente faz um nano lote muito pequeno, mas eu também tenho lotes que eu trago dos meus vizinhos. Então, o que a gente faz eh como coffee hunter eh você buscar outros grãos ali na região que trazem qualidade acima de tudo, trazem um um bom beneficiamento, um bom póscolheita, um bom uma boa separação do café depois. Mas aí voltando só um pouquinho, quando que você percebeu que todo esse processo de estudar, de conhecer as variedades, você poderia ter uma marca como você tem hoje, trabalhando com algumas variedades e também alcançar um outro público que é este que procura, que é mais exigente. Como foi formatar tudo isso do ponto de vista do negócio, Camila? Bom, começou assim, né? Quando a gente foi para lá, não tinha nada a ver com a indústria do café ainda, a gente só tinha os pés de café lá. Mas aí, eh, a gente tem um nosso vizinho que produz já café especial há muito tempo. Então, eu passava lá e trazia os pacotes para casa para o meu consumo próprio. Só que toda vez que vinha um amigo aqui em casa tomar café, ele levava o café com ele. Então eu falava: "Não, esse aqui eu vou levar". Então eu falava: "Gente, mas aqui vocês acham café?" Não, mas eu quero esse, eu quero esse, eu quero esse. A nossa região lá é uma região, é a única região do Brasil que tem um solo vulcânico. Então é um café muito específico, né? Ele traz um de terroes específicos, ele traz um gostinho característico que é da nossa região, que você não acha no resto do Brasil inteiro. Então eu falei: "Olha, isso é muito legal. Eu vi uma oportunidade de negócio, né, e falei: "Vamos trabalhar, vamos ver se a gente consegue trabalhar com isso." Então, por que que o pessoal lá não tá recebendo esse café? Qual que é a dificuldade? E aí eu percebi que entre o café sair do produtor e chegar na prateleheira do supermercado, ele passa por muitas mãos. Sim, muitas mãos. E cada vez que entra alguém no caminho, eh, sobe o custo e sobe o custo e sobe o custo. Então, eh, a pessoa vende o café verde assim que como tá armazenado, aí ele passa por uma torrefação, aí a torrefação coloca o custo dela e daí da torrefação às vezes tem um vendedor, o vendedor coloca o custo dele, aí o vendedor entrega pros pontos comerciais e o ponto comercial coloca o custo dele e daí o consumidor final vai lá e compra. Então o café especial ele acaba saindo muito caro pro brasileiro. E desde que a Café Selection nasceu, eh, o meu objetivo e a gente faz muita conta para ficar nesse lugar é não passar de um determinado valor, porque a gente quer muito que o brasileiro beba o café melhor que tem no Brasil. Muita gente fala inclusive que os melhores grãos vão paraa exportação e o brasileiro acaba ficando com o que resta disso. Tem que ser o contrário na sua opinião. Não é porque é um produto nosso, mas a gente desconhece, sabe? Eh, aí eu não vou botar o culpa na indústria e também não vou botar porque assim, é o mercado, é o mercado, mas a gente tá com hábito já eh enraizado de tomar um café preto. Sim. que por vários motivos eh não faz bem pra saúde, é um café misturado, é um café carbonizado, é um café que às vezes não é nem apropriado para consumo humano, correto? Então, mas a gente tem esse gosto na memória da infância, na casa da avó, a gente tem esse enraizado. Então, um pouco é tradição, né, de tá com esse café em casa, muito também pelo preço, porque realmente você pagar um café especial para você tomar todo dia acaba que é inviável pra grande maioria da população. Sim. Então a gente tem esse objetivo de encurtar esse caminho e quanto mais a gente consegue eliminar os atravessadores, né, do do desse até o consumidor final, mas a gente consegue melhorar o preço também pro consumidor final, alcançar o café especial. Agora, Camila, você disse que pensou em encurtar esse caminho até o consumidor. Como então você conseguiu fazer isso e conquistar esse consumidor? Porque daí você traz essa produção hoje pra região de Campinas, para outros lugares. Como foi? Como é isso? Olha, o melhor indicador de do do meu café são as pessoas. Assim, a gente tem, por exemplo, eh, clientes comerciais, como a gente trabalha com cafeterias, padarias, agências e sempre, sempre 100% dos casos da Café Selection foi alguém que indicou, tá? Então, a gente tem, por exemplo, a Nicole, ela foi na padaria que ela vai toda semana eh trabalhar, fazer reunião e tal, e ela falou assim: "Amiga, eu vou querer comprar dois pacotes hoje". Aí eu, tá bom. Um pacote ela foi lá e levou pro dono da cafeteria e falou assim: "Seu café é, ele é bom, mas esse café aqui você precisa experimentar". Então aí aí ele ligou para você. Aí ele ligou para mim, é nosso cliente até hoje. A gente tá trabalhando agora com café expresso dele também. 100% do café especial que ele serve é da café cel. O boca boca então ainda é alma do negócio. Boca boca é infalível e pra gente é a alma do negócio, sabe? Porque eu acho que hoje em dia tem tanta coisa sendo oferecida nas redes sociais. O marketing ele tá ele tá inundando todo mundo de coisas a todo momento que a indicação boca a boca ela tem um valor muito especial hoje em dia. É real, sabe? É uma coisa assim, eu indico porque eu provei, eu gostei de verdade, não é verdade? Hoje o seu café ele vai para as cafeterias e você chega a vender em gôndolas de comércio ou não? A gente vende nas próprias cafeterias. Eh, a gente vende, tem alguns pontos comerciais que tem o nosso café também, mas o que é muito interessante é que as pessoas lembram da gente também quando vai dar um presente para alguém, fala: "Ai, eu vou te dar um café". E é super legal porque um café gostoso que eu gosto, eu tô te dando um pouquinho do que da minha vivência. Sim. E acaba que é um presente muito legal e super acessível. Então, ao mesmo tempo que você ai, a pessoa vai lá e lembra do nosso café e dá de presente. Olha, o nosso café já foi pro Brasil, vários lugares do Brasil, mas ontem eu recebi e fotos do nosso café na Polônia. Polônia. Na Polônia. Cracovia é o nome da cidade, eu acho, sabe? Mas foi o brasileiro que encomendou. Foi um amigo nosso cliente que falou: "Vou viajar, encontrar um amigo meu, vou levar o seu café". Então, muita gente faz isso. Então, ele tá em Michigan, tá no Texas, tá no México. Eh, pessoal passa no Brasil, fala: "Ai, eu quero levar o seu café". E leva para lá. Ontem também uma amiga nossa foi paraa Mendar um pessoal lá que faz um evento de café. já levou duas amostras no nosso café também, que inclusive ela já me contou que gente tem um ranking todo do café. Quem gosta de café e entende sabe que existe aí um ranking que você tá super alta, esse café tá super em alta no ranking. É isso, né? Eh, a gente tem esse café que a gente produziu no ano passado com essa fermentação, a gente conseguiu 88 pela SCA, que é uma pontuação bem boa para um café especial, né? São pouquíssimos cafés que chegam a 90 pontos, por exemplo. E isso também agrega muito valor. Agrega muito valor. Agrega valor, agrega reconhecimento. Porque no ramo do empreendedorismo, Mirna, vou te falar bem a verdade, nem todo mundo aplaude seu caminho. Então, tem muita gente te observando, mas não é em forma de apoio, de incentivo, mas tem muita gente te observando. Mas quando dá certo, aí vem um reconhecimentozinho, né? Então, mas é, pessoalmente, receber esse resultado foi muito importante pra gente. Qual foi o seu maior desafio desde que você resolveu empreender com café? Olha, como empreendedora, às vezes o desafio é a gente mesmo, porque como mulher empreendedora, nem sempre a gente é acreditada, sabe? E eu acho que vencer esses obstáculos, esses questionamentos, porque muita gente vai, mercado do café ainda é muito masculino, não é? masculino, né? A gente tem excelentes referências femininas no mercado hoje, na Torra, na produção. E é lindo de ver esse movimento. É lindo, é lindo. Eh, no jornalismo, eh, fazendeiras e eu eu sou muito abençoada quando eu tenho essas referências muito perto de mim. Mas eu acho que vencer esses desafios, esses preconceitos, toda vez que você quer empreender em alguma coisa nova, eh eh é um desafio assim você encontrar forças às vezes em você mesmo para começar tudo de novo, empreendendo um negócio novo. E e quando dá certo, sabe, é uma força extra. E eu gosto muito de usar essa força para dividir com outras mulheres, porque no mundo masculino eu acho que já existe esse movimento. Então, cara, eu te ajudo, vamos lá, indicação. Parece que eles navegam mais fácil por esse lugar. No mundo feminino a gente tem mais dificuldade. E eu gosto muito de dividir isso com outras mulheres, porque quando dá certo, aí você olha paraa outra pessoa e fala assim: "Vai dar certo, depende muito de você. Continua, vai. Repete o resultado. Deu certo. Repete que uma hora dá certo. Planos para longo prazo tem. Opa. Eh, a gente não para, né? Eu acabei de comprar um tuk. O que é isso? Ah, um tuk é um motocar. É uma moto puxando um cargozinho e a gente tá transformando em cafeteria para ir em todos os lugares. Cafeteria itinerante. Cafetaria itinerante. Logo menos em Campinas. Em Campinas. Olha, gente, olha, sempre é importante sempre se reinventar. É muito importante em todos os mercados. Eu aprendi isso em TI. Eh, a gente trabalhou 15 anos lá. E assim, você tem que tirar uma certificação duas, três por ano, porque a tecnologia ela não para, ela se reinvuenta em todo momento. Na área do café é importante e a gente eh observar os desafios. Então, o que que eu vi em Campinas? As cafeterias abriam e fechavam. Abriam e fechavam. E quando eu vou paraa Poste de Caldas, porque é nosso vizinho ali, por exemplo, eu consigo sentar numa cafeteria e tomar uma xícara de café por R$ 8. Uma xícara de um bom café, de um café honesto por R$ 8. Aqui a gente não consegue. Aqui não existe Campinas. Você nunca vai chegar numa cafeteria e tomar uma xícara do café do dia por R$ 8. Sim. Por que não? O Tuque Tuque vai fazer isso. O Tuque Tuque vai fazer isso, tá? Então aí com certeza bem vai ser ainda esse ano, se Deus quiser. A gente tá já tá na oficina, já tá eh eh fazendo o projeto mecânico e aí depois é parte estética e da cafeteria mesmo em si. A gente já tá com as licenças aí a caminho, já tá o processo já tá em andamento. Se Deus quiser, esse ano ainda sai. Então quem empreende não pode parar nunca. Nunca. É isso. E é uma delícia. E é isso aí. Parabéns pelo seu trabalho. E olha só, o ser empreendedor vai para um próximo bloco. Nós vamos mostrar também uma outra história com o café artesanal e especial. Mas antes você fica aí com as dicas de livros sobre empreendedorismo e já já a gente tá de volta. A gente começa com o livro de derriçador de café a empresário, que conta a história de Adão de Almeida, um menino pobre das serras mineiras que sempre sonhou em ter os seus próprios negócios e mesmo falindo três vezes, chegou à sua tão sonhada aposentadoria como fazendeiro. Café, consultoria e negócios. No livro Mariana Becker Silva apresenta sua história de apreço pelo café. alinhando suas competências técnicas na atuação dentro das empresas, desmistificando alguns conceitos de consultoria e gestão, compartilhando técnicas no mundo dos negócios. Cafésiais da Tanvas, a jornalista, pesquisadora, escritora e estrategista de marcas brasileiras faz um mergulho na história, nos terroar e nas pessoas que fazem do nosso café um dos melhores do mundo. Além disso, aborda técnicas de cultivo, processamento e preparo, tudo de forma acessível e inspiradora. A obra independente foi finalista do renomado prêmio Jabuti em 2023 na categoria gastronomia. Segundo bloco do Serreedor e a gente continua falando sobre cafés especiais. E olha só, o Brasil caminha para registrar a maior safra de café da sua história. De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento, há uma estimativa de 66.7 7 milhões de sacas beneficiadas na safra de 2026. E nesse contexto a gente tem a produção também de cafés especiais. Por isso que a gente vai falar ainda, claro que não, ainda dessa desse boom quando a gente fala nesse mercado, mas como a gente mencionou no bloco anterior, isso também reflete em quem decide fazer esse tipo de manejo. Por isso que nós vamos conversar agora com a Jaqueline, que ela também decidiu a partir de uma história de família investir no café. Jaqueline, conta pra gente primeiro qual é o contexto e em que momento você e sua família chegaram e disseram: "Vamos fazer disso um negócio, me conta". Bom, eh, a minha família, eles sempre produziram café. Meu vô, ele nasceu, ele veio da Itália com os pais e aí eles começaram a plantar café desde criança. E aí ele conheceu a minha avó, casaram, fez todo aquele processo e aí meus bisavós morreram e aí eles começaram esse plantio. É um sítio pequeno, mas eles queriam ter esse plantio para que a sua família tivesse um alimento e eles tivessem um negócio à parte. E aí o começou a a produzir, veio as crianças, que são meus tios, são 10 tios. E aí eles começaram essa esse plantio, essa colheita. E mas até então já era um empreendimento, não como é hoje, mas já é algo. E onde é esse plantil? É em Cabo Verde, sul de Minas. Sul de Minas. Isso. Então, eh, eles têm todo esse plantil, mas eles tinham arroz também, plantavam arroz, tinha um rebanho também de de gado, tinha ovelha. Então, meu meu avô, de certa maneira, ele tentava ter algum alimento, mandioca, batata. E aí ele viu que o café era um era bom para eles e ele começou a produzir mais. E naquela terra que é um solo vulcânico, começou a se ter o café. E eles produziram por muito tempo. Eles vendem pra cooperativa em Guachupé, que é o negócio deles lá. E eu vim para cá, né, com 17 anos para Campinas. Não tinha um propósito de ficar na minha família para ter esse negócio. Eu tinha um propósito de viajar o mundo, de explorar o mundo. E cá estou eu novamente a a a essa produção, a fazer voltando origens, voltando à origens e fazendo aquele aquele retrospecção de voltar à minha vida anterior e fazer com que os meus meus primos, meus sobrinhos tenham essa visão. Então assim, para mim é muito importante. Você fez essa retrospectiva, digamos assim, vem para Campinas com uma vida, vou ter uma vida urbana, vou viajar. O que que tava acontecendo na sua vida, Jaqueline, que você falou: "Poxa, tem a plantação de café lá da minha família, hoje eles vendem para uma cooperativa em Guachupé. Por que não transformar isso num negócio nosso? E como foi que você conversou com a sua família? Como foi essa história? Primeiramente, eu amo atividade física, né? Então eu tô em todas, adoro. E aí um certo dia, eu fui tomar café com uma amiga e aí eu já fiz de tudo. Além de trabalhar normal, eu sempre tô, eu sou uma, eu falo que eu sou igual meu vô, comerciante, sempre tá fazendo alguma coisa. E um certo dia ela falou assim: "Amiga, você sempre traz esse café para todo mundo". Ah, então você já tinha o hábito de presentear as pessoas com café, com os grãos? Tinha, exato. Eu tinha hábito de presentear, só que eu não tinha uma noção de quão era significativo isso no no mercado que tá hoje. E aí ela falou assim: "Traz esse, ela já é uma empresária." Ela falou assim: "Traz esse café para eu experimentar". E a gente lá em Minas é simples, então a gente traz aquele pacotinho simples da cooperativa mesmo, saquinho mesmo. E eu trouxe para ela e normalmente a gente dá um saco grande, dá 1 kg assim, a gente mineiro gosta de, né, de dar sem tá redicando. E aí eu dei e ela amou. Ela falou: "Amiga, você tá com faca, a faca e o queijo na mão, por que que você não eh você não explora esse mundo do café?" Ela só falou isso para mim e eu fiquei aquilo na cabeça depois da pós bike, né? Fui embora, conversei com o meu marido, falou: "Olha, uma amiga minha falou: "Por que que eu não eu não sigo eh a origem no meu voo? Por que que eu não exploro mais o café? E eu não entendo nada. Eu nasci no meio, mas eu não tinha uma noção de quão era especial o café. Como a minha família chegou a morar no campo também cheguei. Eu cheguei a colher, cheguei a a ficar num terreiro para ajudar a secar o café. E eu via meu tio, meu tio exporta por um por terceiros e eu não tinha uma noção. Eu fiz relações internacionais, mas eu achava que eu não ia entrar no meio do grão, eu ia ficar na outra parte. Sim. E aí nem ligava e quando vê deu um instalo em mim, falei: "Opa, como assim?" E aí eu fui pesquisar sobre o café e pesquisei, pesquisei. Meu marido ama café, ele tem vários métodos em casa. Eu queria até jogar fora, eu falava para ele, a gente mora no apartamento, não tem como ter tanto método assim. Ele é barista. Ele é, ele é barista ti, então ele gosta de café. E eu não tinha noção. E aí eu comecei e eu sempre falava para ele desde quando eu via, Mirna, para que que você coloca açúcar no café? O café já é bom sem açúcar? Porque eu já tinha uma noção, eu tinha aquela origem, só que eu nunca nunca passou pela minha cabeça que ia ser um negócio. E aí eu trouxe, aí eu peguei, pensei, coloquei tudo num papel, fui para Minas no fim de semana ver os meus avós que são de idade e aí eles pegaram e falaram assim para mim. Aí eu peguei e falei: "Vô, eu conversei com uma amiga, minha amiga falou isso, o que que o senhor acha?" Aí ele não falou nada, ele deu uma risada porque meu avô é sábio, né, gente? Quando é sábio, não adianta. E ninguém da família ali tem 30 netos, ninguém, tipo assim, maioria lá mora lá, já tem filhos, trabalha na roça, mas ninguém teve essa visão de vender o café para fora. E ele deu uma risadinha, ele falou assim: "Ó, vou te dar, vou te dar 10 saquinhos para você levar para você fazer um teste". Naquele saquinho transparente ainda, naquele saquinho transparente não me deu, né? E eu falei: "Não, o senhor quiser eu pago, vai ficar sem, porque lá é o alimento deles." Ele falou: "Não, leva". E aí eu trouxe esse saquinho morrendo de medo, porque assim, né? Eh, divisa com Minas tem polícia rodoviária, você tem que entregar nota. Eu não tinha nada. Trouxe, gente, na mesma semana eu vendi todos os saquinhos e eu não sabia nem falar se qual o tipo de torra, se era grão ou moído. Não, era moído já, né? Mas assim, se a torre era média, se a torre era clara, quais as notas sensoriais do café. Então eu não sabia falar, não sabia expressar pra pessoa, mas eu vendi aquele café que foi na cycle ainda, cycle club, que eu que eu sempre vou lá, né? E aí aí deu um estalo, falei: "Opa, tem alguma coisa aí". Aí meu marido viu isso, ele falou: "Ele já entende mais, ele é mais analítico, eu já sou mais expansiva". Ele falou: "Não, vamos sentar, vamos ver isso daí que tá que tá dando bom". E aí a gente começou a estudar sobre café, ele já estudava mais que eu. E aí eu falei: "Não, vamos começar um café e eu quero ver assim, eu quero ir por eu quero pé por pé para eu não tentar fazer com que eh a minha família se motiva muito, porque querendo ou não, para eles é um sonho." Sim. E e aí simplesmente eu acabar com esse sonho, porque assim, café especial é muito diferente, você tem que entender muito, você tem que estudar muito e assim para ser um café de primeira você tem que, né, ter uma linha bem clean. Sim. E aí a gente foi estudando, foi estudando, foi fazendo cursos e e aí eu fui avaliando, porque eu também tenho uma parceria com a baristando, né? E eles fazem também que o grader, tem o Fernando que me ajuda. E aí a gente chegou num ponto top e aí eu comecei a fazer grãos e moído. Eu trazia grão verde, né, do meu vô, falava: "Vô, me vende o grão verde conforme tá a cotação, porque eu não queria que ele vendesse conforme ele vendesse para a cooperativa, porque desvaloriza o trabalho deles na roça. Ninguém dá valor." E aí eu falava para ele, me dá o valor que tá hoje no mercado e aí ele ficava com o olho cheio de lágrima. Ele falava: "Como assim?" Aí eu não contei ainda. Fui lá, contei pro tinha contado. Aí ele achava que você trazia pros seus amigos aí. Exato. Isso. E aí eu comprei meio saco de grão verde, né? E aí a gente trouxe para fazer um teste. Fez o teste, não tinha esse saquinho ainda, não tinha essas embalagens. Maravilhos. o nome sim, porque eu queria alguma coisa simbólica do meu vô, tá? Então é Zico, é o o apelido dele, porque ele gosta muito do Zico, o jogador. Então assim, ficou ficou sendo chamado Z, o meu vô ele chama João Rafael, então eu queria uma coisa mais simbólica, só que na minha cabeça eu queria colocar o nome da minha avó. Por quê? Porque eu queria mulheres fortes. Sim. Só que assim, o meu vô também fazia parte disso. Então eu queria colocar os dois. E aí eu falei, não, vamos colocar o nome do bozino. Foi, foi, então bem sofrido até tomar essa decisão, hein? Foi bem, foi bem. Só que aí eu falava assim, quando eu trazia, o pessoal falava assim para mim: "Jaque, você trouxe o café do seu vô para bebê? E café do seu vô café do seu vô." Aí eu falei: "Pronto, gente, café do vô. Por que não café do vô?" Porque é uma coisa simbólica, é um nome simbólico que você lembra do vô, é simples e aí eu só acrescento o café do Vozico e aí ficou. E aí eu falei, aí eu queria tentar incrementar a Jax café, não, não vou. Eu vou colocar uma coisa simples, mineira, simbólica, que todo mundo vai lembrar. E aí eu, a gente abriu a empresa, fez a marca, graças a Deus. E aí eu fui lá contar pro meu vô. Nossa, ele ele é um leon. Quando você contou já tinha marca, já tinha tudo, já tinha. Ele é leonino, né? Então assim, aquele leonino, o olho dele brilhou. Minha avó, eles ficaram dando risada, né? Eles falaram: "Nossa, que delícia!" E meu e um dos meus tios que eles são todos, né? Eles gostam de são todos cafcultores. Ele, ele até falou assim para mim, ele falou: "Nossa, eu falei para todos os primos de você, eh, todos os primos da família para alguém seguir a seguir a árvore genealógica, seguir a carreira e ninguém quis e justo você que eu não dava nada, você simplesmente tá fazendo." Mas e aí, como foi então você sair daquele ambiente que até então eram uns amigos, era academia que você frequentava, mas conquistar então parceiros e outros clientes para então falar: "Olha, eu tenho uma marca de café especial e eu quero que você venha trabalhar com a minha marca". Como foi esse processo? Foi desafiador, mas eu falo que a gente tem Deus, né? Deus é tudo na vida. E assim, eu sou uma pessoa que eu gosto de, eu sou uma pessoa que gosto de fazer muita amizade. Hum. Então, em todo lugar que eu vou, eu gosto de fazer amizade. Eu gosto de de chegar com alegria, levar simpatia, porque tem que levar leveza paraas pessoas. Sim. E aí, através de dessa dessa comunicação, dessas amizades que eu tinha, uma foi indicando pra outra. Uma amiga minha que eu conhecia, que ela conheceu o meu café, que ela falou: "Nossa, que café é esse?" Ela conhecia o Léo, né, que é um dos meus parceiros da Catique. Ah, hoje a gente tá aqui no café Catiqu, no Catiquê. Ela é uma amiga dela, falou assim: "Amiga, ele tem que conhecer o seu café e ele tá abrindo, então para ele vai ser perfeito". E aí foi através de indicações, né? que eu fui almejando, que eu fui crescendo, graças a Deus que eu ainda tô crescendo. Você participa de eventos também? Participo do eventos. Eu conheci da Musas também, que é muito importante para mim, que foi através de uma amiga também que é da academia. Então, assim, academia, gente, é uma conexão muito forte que a gente tem e leva pra vida. Então, eu acredito em energias, acredito nas pessoas, acredito que através dessa empatia, dessa troca, nossa, é, é assim, eu cresci, eu dobrei, né? E e eu falo que a minha família, ela fala: "Qual a quantidade de café que você tá vendendo hoje?" Olha, em torno de dois, três sacas, assim, por dois, três sacas para quem tá em casa vale quanto? Olha, eh, hoje a a safra hoje tá 2400, então dá praticamente o quê? Dá bastante café, viu? Dá bastante. Entendi. Dá bastante café. Agora, quando a gente fala desse processo, há quanto tempo você está no negócio desde que você formatou ele dessa forma? um ano, um ano, ou seja, ainda tá no período de validação. Ah, ele é neném ainda, eh, é jovenzinho, mas a gente tá aprendendo, tá crescendo, tá tá pedindo ajuda, porque assim, eh, a gente que é da área do café, a gente sempre gosta de tá em equipe, tá em todo mundo, todo mundo que é do dos cafés especiais, eh, não tem aquilo de você, ah, é concorrente, não, é todo mundo junto. E quando eu conheço uma pessoa que já vende café especial, para mim é muito importante, porque eu levo valor, eu levo experiência, aprendizado e sempre mais eu consigo crescer, entendeu? Inclusive seu marido trabalha com você? Ele trabalha, ele é de TI, mas ele também trabalha. Então ele é barista nas horas vagas, motoboy quando ajuda nos eventos. aí na parte de falar sou eu porque ele não gosta muito de comunicar, mas ele me ajuda para caramba e eu acredito que se você ainda não tomou o nosso café, por favor experimente, porque ele é impecável, é maravilhoso. Agora falando um pouquinho mais sobre negócios, qual é a próxima fase? Qual quais os planos? Então, Jaque, futuramente a gente quer fazer eh a gente quer fazer um drip coffee, porque todo mundo tá pedindo, ah, a gente quer pra viagem e também a gente tá querendo fazer em cápsula, que todo mundo tá pedindo em casa, né? E é isso, a gente quer evoluir, tá certo? Então, olha, Jaque, muito obrigada pela sua entrevista pra gente entender um pouco desse universo empreendedor. E agora e a família tá com moral na família agora, hein? Nossa, agora meu meu aniversário do meu vô em agosto, né? Então eu já vou preparar aquele bolo do café do vô pro meu vô e aí a gente já vai comemorar junto, porque assim, a família é mais de 100 pessoas, então é churrasco o dia inteiro e o bolo do café do vô e com café, lógico. É mais uma pergunta, a marca Café do Vô é hoje só você ou também você acabou fazendo com que seus tios ou até primos falam: "Não, a gente mora lá naquela região". A gente vai vender o café por lá. Como que tá isso? Sim, eles também vendem. Eu deixo, todo mundo começou a ser envolvido. Isso eu deixo para eles lá também, para eles venderem. Eles também tm o bonezinho, a camiseta. Então eles encorparam no café do vô, viu que é um negócio e futuramente a gente também quer crescer com eles, quer ajudá-los a entender mais sobre café especial, ajudar eles também trazer as dores deles do da roça que eles têm para que a gente consiga sanar isso. Lógico que a gente ainda não tem condições, mas eu quero sanar, eu quero fazer com que a gente ajuda eles a melhorar o processo de colheita, de secagem, para que a gente tenha um café mais top ainda. Tá certo? Então, muito obrigada. Olha só, o ser empreendedor fica por aqui. Lembrando que todo domingo, 5:15 da tarde a gente conta em nosso programa histórias inspiradoras e de superação, assim como a da Jaque, também como a da Camila, que nós falamos no primeiro bloco. E todos esses programas ficam lá disponíveis no youtube.com/tvcâmara e também no portal da TV Câmara Campinas. Até um próximo ser empreendedor. Agora เฮ