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Olá, [música] [música] o setor editorial e livreiro está em franca expansão no país. Para se ter uma ideia, o CBL, a CBL, na verdade, que é a Câmara Brasileira do Livro, realizou um mapeamento que aponta o seguinte: no ano passado, nós tivemos mais de 54.000 1000 empresas nesse segmento, um crescimento acumulado de 13% em relação a 2023. Então, a gente vai falar agora com quem atua nesse setor. O negócio é novo, aberto agora em 2026, mas essa história não é tão nova assim, não. Por isso que eu vou começar a entrevista de hoje falando com a Cristiane. Cristiane, antes da gente falar especificamente da atual editora, me fala da sua experiência nesse mercado editorial. Quando foi a primeira vez que você eh empreendeu com esse segmento? Com esse segmento? Bom, eu sou jornalista por formação e editora por paixão. Eu trabalhava num jornal na capital que publicava, era uma editora, mas publicava um jornal de empregos. Então, eu era apaixonada já por essa área da comunicação. Saindo desse jornal, eu fui trabalhar numa editora e lá eu me apaixonei pelo universo literário, que é a pegar um um livro bruto, né, um diamante, como a gente diz, um livro que muitas vezes vem através de manuscrito e a gente transformar em algo publicado. Então, foi aí que eu me apaixonei, gente. A Karina, ela entra nessa história um pouquinho mais à frente, que eu já tenho aqui um resumo enviado pela produção, mas antes, quanto tempo você teve uma outra editora que inclusive não era em Campinas, nem na nossa região aqui e o que aconteceu na sua vida? Porque gente, sempre essas histórias de empreendedorismo acaba meio que a gente ela permeia pela vida pessoal e a vida profissional. O que aconteceu quando eu tava nessa editora, que foi o meu primeiro trabalho, eh, no setor editorial, eu comecei a ficar de certa forma descontente lá, porque era uma editora extremamente comercial e eu vi muita gente indo embora com o sonho debaixo do braço e eu, a gente que gosta de ler, a gente falava: "Puxa, esse livro merecia uma chance de ser publicado". Eh, quando eu eu tive essa fase de descontentamento, eu coloquei o meu currículo no mercado e eu fui convidada por uma gráfica para abrir uma editora dentro da gráfica. E eu me preparei, eu aceitei a proposta, eu me preparei para ser uma editora dentro dessa gráfica e e eu recebi um aporte do meu marido que falou na época isso em 2017, por que que você não abre a sua própria editora? E eu não tinha pensado nessa possibilidade. Ele viu em mim um potencial que tava muito adormecido e eu topei. A gente tinha acabado de comprar uma propriedade que tinha uma casa muito antiga que ele inclusive estava pensando em demolir. E a gente usou essa casa como a a sede da Sou nasceu como Sou editora. E lá a gente começou em 2017 publicando todos os gêneros literários. Nós atuamos com a Sou por quase 8 anos. Em 2025, meu marido faleceu e aí a empresa estava no nome dele, automaticamente foi baixado o CNPJ e eu e a minha prima decidimos montar a Duales. Então, recomeçar. Recomeçar. Mas e aí, Carina? Como foi essa história de pensar, né, essa questão? Olha, vou entrar num negócio. De que forma você se viu no mercado editorial? Você já tem experiência nesse mercado? Fala um pouquinho da sua trajetória profissional para você chegar hoje e dizer: "Eu sou sócia de uma editora". Não, eu não tinha experiência na editora, sempre tive experiência no empreendedorismo. Eu tenho empreendimento com meu marido, um autocenter em Paulíia. Eh, faz 10 anos que nós temos esse empreendimento, mas sempre fui apaixonada por livros, né? Eh, por incentivo do meu pai, ele sempre leu e e eu sempre tive paixão por leitura, por ler e conheci a Cris. Aí desde que eu conheci ela, eu falei: "Nossa, eu sou apaixonada por livros. Eu gosto muito de ler". E nós criamos uma amizade, só que ela ainda em São Paulo, seguindo a a vida dela, eu a minha. Quando aconteceu tudo isso na vida dela, que ela veio para cá, ela me convidou, falou: "Cá, eu quero recomeçar. Que que você acha de Mas aí, Cris, esse recomeçar? Quando você vem aqui paraa região de Campinas, nós estamos especificamente em Sumaré, você já vem com a ideia de abrir uma nova editora ou você se reorganizou emocionalmente e depois falou: "É isso que eu quero fazer?" Não, na verdade eu tinha pensado em encerrar a minha atividade enquanto editora. Eu não não estava em condições. Com o falecimento do meu marido, eu fiquei meio amortecida, né? Só que caiu em minhas mãos um livro chamado Não é permitido desistir. E aí com esse livro em mãos eu entendi como um recado, sabe? é um livro que que foi muito importante de um de um comandante dos bombeiros que fez toda a diferença nessa trajetória. Estando aqui, eu e a Karina, a gente se conectou muito, então nasceu dessa conexão, dessa parceria, eh, dos nossos gostos em comum e nós pensamos em montar a editora juntos e, e recomeçar com novo nome e que fizesse sentido para nós, né, Car? Isso, que tivesse a nossa. Qual é o investimento para se montar uma editora? Como a gente já tinha, né, uma bagagem, a gente começou com R$ 30.000 com criação de logomarca, eh, estruturação de site, tudo mais. Identidade visual. Isso. Identade visual. E a editora, para quem tá em casa entender, ela tem que ter um maquinário ou ela quando vai fazer os livros, ela contrata uma gráfica para imprimir aqueles livros? Como funciona? Nós temos toda uma equipe por trás, né? à frente do negócio, estamos eu e, mas nós temos revisores, diagramadores, capistas e uma qualidade eh de impressão de ponta. Os nossos livros são lindos. Então, quando o nosso livro está exposto numa livraria, ele não deixa desejar em nenhum momento as grandes editoras. Mas as máquinas são suas máquinas? usa esse hoje o mercado também permite que vocês contratem uma gráfica que faça esse trabalho. Ex. Contratamos uma gráfica para desenvolver esse trabalho. Exatamente. Mas e aí, Karina, você trouxe essa expertise de um outro segmento, mas já com esse olhar do ponto de vista do negócio, o que que você trouxe de lá que dá para ser usada aqui na editora? Olha, eu acredito que a experiência com o empreendedorismo, né, e a parte burocrática, financeira, administrativa, de marketing, essa parte acaba que fica a crise vai mais pra parte editorial, né? E eu, essa parte mais administrativa mesmo da empresa. Essa dupla, então deu certo, hein? Sim, trabalho também, tenho contato com os clientes, faço as entrevistas também, mas a minha parte é mais a administrativo, financeiro, comercial, essa esse lado. Agora da em antiga empresa vocês lançaram muitos livros. Pela S, a gente lançou mais de 300 livros. E agora nesse novo negócio, quais são os livros? Já tem algum lançamento? Tem alguns em projeto? E como nasce um projeto de um livro? Bom, pela dois, a gente tá com quatro livros em andamento. A gente tem essa média e em breve, né, teremos o primeiro a ser lançado, que já tá em fase final. A gente já fez os bonecos, estamos eh aguardando a aprovação da autora. [roncando] Bom, o projeto ele ele chega para nós muito bruto, né? A gente chama de original. Então, ele tem todo um processo internamente, né, de revisão, diagramação, tirar os registros. você mencionou a CBL, o ISBN, que é o registro do livro, a gente tira através da CBL, né? Então o registro do do conteúdo do livro, que é o registro de direito autoral, a gente também é é obrigatório. O registro de direito autoral não tanto, mas o ISBN sim, sem ele inclusive a gente não gera um código de barras que possibilita consignar numa numa livraria, por exemplo. Então o livro vem pra gente como um diamante. E aqui a gente faz todo a lapidação, né? e deixa o livro prontinho para que o autor lance numa sessão de de autógrafos. E quando o livro tem ilustração, o autor mesmo é quem traz o ilustrador? São vocês que oferecem esse ilustrador para o autor? Como funciona? Então, [limpando a garganta] é, é, se o autor já tem as ilustrações, tem autores que que querem as próprias ilustrações. Aí nós eh respeitamos. Se ele não tem, ele manda a ideia pra gente. Nós temos a nossa ilustradora e ela desenvolve, faz os desenhos de acordo com o que o autor quer. Ele fala: "Ah, eu quero um traço dessa, nesse formato, eu quero colorido, eu quero preto e branco". Aí nós desenvolvemos, mandamos para ele aprovar e funcionando assim. Agora, do ponto de vista do mercado, eu inclusive abri o programa falando da expansão de acordo com esse mapeamento. No entanto, a gente está em um momento que a internet ela também em numa velocidade muito maior, ela tá aí conectando todo mundo e a gente sabe que os ebooks hoje também são aí um grande sucesso. Vocês pensaram também alguma forma de atingir esse público ou não? Ainda é o físico? É aquela pessoa que quer ter o contato ali com o livro físico na mão, ler, ver ilustração, ter ele guardado. Como é isso para vocês? Nós pensamos nos dois públicos. Nós temos tanto o livro físico quanto o ebook. Então, quando o editor eh manda o livro pra gente, nós desenvolvemos ele físico e já está no projeto o ebook também. Então, apego os dois públicos, tanto quem gosta de eu sou da que gosta de pegar o livro na mão, ler. Eu também não tô acostumada com ebook, não. A minha filha já é mais ebook, mas eu não também. E eu gosto de ter, né? Eh, expor na minha casa. Minha casa é cheia de livros. Eu gosto de ter. Mesmo que eu já li, eu quero livro. Guard livro lá. do livro, mas tem pessoas que já são mais online, né, prefere, então já sai com os dois, tanto físico quanto o ebook. Mas é preciso pensar do ponto de vista de marketing para atingir todo esse público, para não dizer: "Olha, tem que pensar, tem que divulgar, tem que explicar". Porque o livro hoje em dia ele é algo é muito precioso, né? para o autor, quem produz um livro é como se fosse um filho mesmo, é muito precioso. Então, nós trabalhamos com todo esse carinho e queremos atingir para ele tanto esse público do livro quanto o público da internet também. Aí é esse aí nós fazemos, é, o autor faz a divulgação, mas nós sempre explicamos, né, que ele tem essa opção de subir pras grandes plataformas, né, pros marketplace e também como um e-book. E esse não desistir, Cris? essa nova fase hoje com apoio da sua prima, de outros amigos, você tendo uma nova equipe aqui na região. O que que isso tem feito com que você também tenha um recomeço na sua vida pessoal? Eu encaro como vários sinais, né? Eu fiz aniversário recentemente, dia 25 de julho. Dia 25 de julho é o dia do escritor. Quer sinal maior que esse da mulher negra pan-americana? Então é um conjunto de coisas. Quando eu vejo esse livro não é permitido desistir, eu já encarei como um cutucãozinho ali, né? Vamos adiante. E com uma parceria como a da cá, né? Tudo ficou mais fácil, mais leve. Ela é uma pessoa que mesmo não estando, né, eh, no mercado editorial há tanto tempo, ela assimilou tudo tão grandemente que hoje ela me dá assim toques, porque a visão de fora muitas vezes é importante, né? porque ela já tem a visão do negócio, do ponto de vista empreendedor e a paixão pelo livro, né? A paixão pelo livro. Então, quando uniu essa essa parte que eu já tinha do editorial, com essa parte de lidar com o financeiro, com marketing, com o público, deu muito certo. Deu agora um um detalhe, por exemplo, você eh para quem tá em casa pensar, lançou um livro, qual é o próximo passo? é oferecer nas livrarias, oferecer na internet, fazer uma noite de autógrafos. Qual é a parte que é da responsabilidade de uma editora, por exemplo? A gente vai até o final. Então, por exemplo, o livro ficou pronto, a gente agenda numa livraria, caso o autor queira. Já tem que ter algumas livrarias parceiras ou não precisa? Não necessariamente, porque vai de acordo de onde o autor está. Nós pegamos livros até de outros países. A gente tá fazendo um livro que o autor está na Irlanda, então, automaticamente ele não vai lançar nesse momento aqui. Todos os gêneros. Todos os gêneros. Todos. Então se ele tá numa outra cidade, ele pode passar pra gente a livraria da sua preferência e a gente conseguind lá. Então a gente entrega o livro pronto pro lançamento, para uma sessão de autógrafos. Mas eh essa parte de cadastro a gente deixa muito a critério do autor para que ele mesmo, a gente entrega o livro prontinho para que ele cadastre e os royals caiam direto na conta dele. Então é tudo muito transparente para que ele tenha essa facilidade de controlar as próprias vendas. Qual o próximo passo, meninas? E aí, quem vai falar [risadas] para mim? Ai, são muitos projetos, né, cara? Olha, nós temos, vamos falar então, 2026. A gente tá no segundo semestre de 2026. Vamos falar pro fechamento desse ano. Olha, para o fechamento desse ano, nós estamos planejando mudar, né? Nós estamos com a nossa sala eh reformando, né? É mudar. Tem o nosso escritório aqui em Sumaré. Tem tem os dois lá em São Paulo ainda, mas tem um escritório escritório tem um ponto físico lá. Tá, temos um ponto físico lá e e o escritório fica aqui e fazer a doales acender, né? Uá. Eu acho que esse é o projeto para 2026, é já estar no nosso espaço mesmo, na nossa sala para receber os clientes com maior qualidade, né? Eu acho que é isso, né? Exatamente. E dá voz aos autores das regiões aqui. Sumaré, Campinas, Hortolândia, tem um potencial muito grande de escritores por aqui. Nós temos um desejo de criar um movimento literário aqui na região também. Sumaré literária. Literá. Ah, então teremos feiras por aí. Teremos feiras. Isso. Temos projetos de feiras também. Eventos important raízes mesmo, né? Eu acho que o livro ele muda a vida. Ele muda tanto a vida do adulto quanto a vida de uma criança. E se não tiver o incentivo, tem que ter o incentivo à leitura, porque como você falou hoje em dia com a internet, com o celular, está se perdendo. Então eu acredito que movimentos literários, quem quem tem a paixão pelo livro consegue passar isso para pros adultos, para as crianças. Quantos livros às vezes você lê, você tá passando por uma situação difícil na sua vida? Uma leitura de um livro muda a sua forma de pensar, muda o seu estado emocional. Uma criança que pega um livro como do o Marília, que a que a que a Cris escreveu, se identifica, olha pro livro, vê uma criança igual a ela no livro. Olha, gente, tem esse detalhe, viu? Que eu nem falei ainda. Ela não é só a dona da editora. Quantos livros você já escreveu, Cris? Eu tenho publicado 11 livros. Mas qual é o gênero? Eu eu gosto muito do público infantil. Então é uma literatura é infanto juvenil ou é infantil mesmo? Infantil e infanto juvenil, porque eu penso que se eu eu gosto muito de de uma literatura inclusiva. Eu gosto que as crianças se vejam representadas. Então eu trabalho muito com temas que que a gente não vê normalmente. Então eu trabalho com a criança ruiva, com a criança negra, com a criança que tem vtiligo, com a criança fofinha, com uma criança que encara o luto. Então a gente trabalha com temas que a criança possa entender, né, trazer aquela mensagem e de repente entender uma situação pela qual ela esteja passando. Então, digamos que esse novo projeto te traz aí duas alegrias como escritora e como empresária. Sim, exatamente. Exatamente. Você definiu muito bem isso. Isso mesmo. Gente, o ser empreendedor fica por aqui. Nós vamos para um breve intervalo, mas olha só, a gente ainda vai trazer aí na sequência dicas de livros sobre empreendedorismo. E voltamos já já. [música] Aprenda a empreender. Da ideia a ação. Este livro é um manual inestimável para aqueles que desejam aventurar-se na jornada do empreendedorismo. recebido e inscrito por um profissional dedicado, advogado com mais de 8 anos de experiência e formação acadêmica notável, mescla conhecimentos práticos e teóricos para uma compreensão holística do mundo dos negócios. Gestão editorial, o livro do autor ao leitor. A obra é essencial para quem deseja compreender o universo da publicação. Escrito por profissionais com extensa experiência no assunto, o livro desvenda os bastidores do processo editorial desde a criação do conteúdo até a chegada do livro ao leitor com uma abordagem prática e direta. Inquietação empreendedora. A jornada de quem cria impacto por um mundo melhor. O livro é baseado na experiência prática do autor com altos e baixos do ecossistema de inovação, incluindo bastidores e aprendizados de empresas como iFood, a Móvel e a Play Kids para demonstrar que o crescimento de um negócio deve ser alinhado a um objetivo de impacto real na sociedade. [música] [música] [música] A gente continua falando sobre mercado editorial neste segundo bloco do ser empreendedor. E olha, antes eu vou dar uns números aqui, porque de acordo com a CBL que tem um mapeamento do mercado em 2025, em comparação ao ano anterior, as editoras venderam 6,5% mais exemplares e atingiram um faturamento de 4.5 bilhões de reais. E olha só, quando ela faz inclusive sobre alguns gêneros, os maiores avanços ocorreram nos livros didáticos e ficção adulto, ambos com alta de 12%, seguidos por religioso, uma alta de 7%, infantil e juvenil, com alta de 5.3% e não ficção adulto de 2.6%. A gente vai falar agora com a Magda Kraus, ela que também é dona de uma editora, mas ela vem do mercado de livros um pouco mais amplo, né? Inclusive a família dela tem outros negócios voltados a esse setor e ela vai conversar com a gente justamente, Magda, você que tem essa experiência há cerca de 30 anos nesse mercado de livros, por você entendeu que em determinado momento dessa jornada você queria ter uma editora, você queria se dedicar a esse negócio no mercado editorial. E quando foi essa decisão? Qual foi o segmento escolhido? Conta pra gente. Então, por estar muito tempo no mercado e tá, eu comecei com uma distribuidora de livros e eu gostava muito de fazer feiras de livros. Eu fazia umas feiras muito diferente e eu gostava de cuidar da agenda cultural das feiras. Então, contato com o autor, trazer os autores, aí os alunos gostavam de estar fazer aquele encontro e eu comecei a perceber assim que que era muitos autores, a gente não tinha muito acesso, né? outros já estavam com as agendas lotadas, as grandes editoras às vezes já não tinham mais eh no calendário um espaço para tá atendendo as pequenas livrarias e e a coisa foi assim de de uma certa forma, como eu tinha muito contato com o autor, trabalhava com o autor e vendia livro pras outras editoras, eu percebi que era o momento de ter a própria editora, sabe? Aí eu escolhi o livro infantil. Isso foi quando? Olha, deve fazer uns 18 anos. A primeira só com a editora. Com a primeira editora. É, a primeira editora. Tá. Que hoje você já passou pra sua filha? Pra minha filha que hoje 90 80% do mercado dela é tradução, tá? Aí passou aqui mais uns 6 anos. Aí eu quis ter a própria editora mais focada para autor nacional, tá? Porque era o que eu percebia que o mercado pedia, porque eu eu sempre trabalhei na na na divulgação, eu sempre fiz o trabalho de rua, sabe? Eh, a linguagem de rua, visitas. E eu percebi a carência que as que as os alunos das escolas tinham de ter contato com esses autores. Sim. Sabe? E aí você escolheu gênero? Infantil. O infantil. É, né? Nós estamos então, inclusive aqui atrás de nós são os livros da sua editora. Isso. E como você percebeu que esse gênero é um gênero, apesar da gente tá aí falando de internet, é um gênero que tem esse público, que precisa desse olhar? Como foi isso? Porque o meu olhar para para pro livro infantil, eu sempre quis, assim, eu sempre gostei de ter um plus na na na divulgação do livro infantil. Então, eu sempre gostava da contação de história, do contato com o autor, o teatro, sabe? E e as redação. Às vezes eu fazia uma alguns eventos de doação de livro, onde eles fazia a doação de um livro lido. Então, quando ele lia o livro, ele contava a história e dedicava a uma outra criança. Então, eu sempre gostei dessa dessa arte, certo, do teatro junto com os livros. E foi aí que eu percebi que era era o o nicho que eu saberia atuar. Sim. Mas até então você até mencionou essa questão de ter o contato com os autores, essa questão de fazer os lançamentos, como você então fez uma espécie de parceria ou fez como que é essa aproximação de conquistar o autor para fazer a publicação na sua editora? Como é esse processo? foi no foi no dia a dia do meu trabalho, durante o meu trabalho, porque eu tinha muito contatos, porque eu eu todas as vezes que eu fazia uma divulgação ou uma adoção ou uma venda de um livro, sempre era vinculado à vinda de um autor. Então eu tinha muito contato com os autores, então eles já sabiam de como eu trabalhava, sabe? Então eu tenho uma autora que ela fala: "Ah, a Marga é uma livreira fazedora". Porque assim, eu trabalho muito o autor, sabe? A presença do autor, o gênero do autor, sabe? E eu acho que no no infantil, porque normalmente as feiras de livro a gente percebe que o interesse maior é do infantil. E eu gosto muito desse trabalho de base, sabe? O incentivo à leitura, começando pela infância, pela educação infantil, sabe? Agora tem a a o berço, né? bem, a gente faz essas feiras voltadas pras creches, pros bebês e e eu acho é isso. Eu acho que o trabalho de base, sabe, eu não tinha assim uma propriedade não de fazer um livro adulto, então não era meu nicho. Sim. Hoje você tem mais ou menos quantos quantos livros publicados pela sua editora? Olha, deve dar uns 100 títulos já. sem títulos em pouco tempo, porque foi média uns 20 autores ou um pouco mais. Ai, devo ter uns 20 autores. Eu tenho a minha nora que trabalha com todos esses números, né? Mas são autores assim tudo já premiados aqui. Temos João DCB, Fernando Vilela, não sei se convém falar os nomes. Sim, mas é é o investimento para abrir uma editora é muito alto ou não? É alto? é alto e e é bem arriscado pra gente que é pequeno, que tá começando. Não é não é fácil, né? Não, não, não foi fácil, sim. Mas as às vezes o que aconteceu, acho que pela qualidade do livro, a gente conseguiu fazer vendas em clubes de leitura, atender prefeitura, que onde o volume é maior, porque não é no a venda maior. É, mas então prefeituras, eh, aqueles livros até então a gente sabe que tem as editoras de livros didáticos, ela também tem esse interesse nos livros infantis, por exemplo. Tem tem livros infantis que são comprados pelo governo e são livros infantis que são comprados pela própria prefeitura para ser de biblioteca, né? E às vezes até para pra biblioteca pessoal do aluno, correto? Tem prefeitura que ela doa um livro por aluno. Sim. Sabe para ele ter a biblioteca pessoal dele. Sim. Então é onde a gente faz as visitas da prefeitura e consegue, né, colocar as obras. E como editora e como divulgadora, então já tinha alguns contatos, né? Sim. Você já leva uma cartela para esse cliente? Já, já. A gente leva, eu continuo levando, mesmo tendo editora, eu continuo levando eh representando várias editoras. Por exemplo, quando você faz essa escolha e a gente tá falando dessa aproximação com o cliente, vou falar da da feira do livro lá de Paratí, que é hoje a mais popular, a mais conhecida, mas a gente sabe que há outras feiras no país também. Qual a importância de quando há uma feira? A gente tem eh mais recentemente, inclusive quando se fala lá da Bienal em São Paulo, participar desses eventos ajuda de que forma quando a gente pensa nessa formatação do negócio e até mesmo nessa conquista desse cliente, desse mercado? É assim, a gente é pequeno para tá dando esses eh tá participando efetivamente de uma Bienal. Então, a gente vai através de um distribuidor quando consegue, tá? A dificuldade de uma de uma de uma livraria, de uma editora pequena, é simplesmente além de de a gente conta mais com o nosso trabalho do do dia a dia. Sim. Sim, porque assim, mesmo para você entrar numa rede de de de de livraria, para você entrar numa numa livraria grande, sabe, para ter os seus livros na vitrine, não é não é fácil, não. Não, tá? Então, quem vai na feira, você faz uma parceria com uma distribuidora ou com uma grande livraria para entrar nessas feiras. É isso. É isso. Normal, eu acho que a feira de Parati, não sei se mudou, é lá tem uma livraria exclusiva, né? uma única livraria que que que leva os livros. E o que a gente consegue muito é porque como lá tem 40 casas de de encontros culturais, o que que acontece? Eles estão convidando os autores. Então os autores levam nossas obras para divulgar. E uma Bienal, por exemplo, como a de São Paulo, uma Bienal de São Paulo é a mesma coisa. Por exemplo, quando a gente vai, quando os nossos livros foram para uma para uma para uma exposição, para um estante, foi através de de um distribuidor, sabe? Então é muito difícil. A gente é pequeno, então a gente não consegue ter um stand próprio, correto? Então é muito caro, a gente não tem esse retorno, então a gente não tem ainda esse capital para para est investindo numa numa Bienal. Sim. mais um distribuidor, a gente vai através de um distribuidor e normalmente o autor quando ele está lá, ele menciona todas as obras dele. É onde a gente pega o gancho e e entra numa divulgação dessa. Sim. Aquela divulgação que você fazia há 30 anos, o que mudou daquele início para atualmente ou não mudou muito no mercado editorial? Mudou tudo. Mudou tudo, tudo. Porque todas as todas as editoras que eu comecei assim, ela tinha um um um divulgador. Então, ela tinha dó, por exemplo, tinha editora de livros didáticos que aqui em Campinas tinha cinco divulgadores, uma pra região tal, outra pra região tal, outra pra região tal. E eles rodavam escola, era atendido por escola. Agora hoje as editoras fazem esse contato direto com a escola. Então hoje veio esse lance de plataforma, então que é um um um um um um um assunto que eu não domino, que eu sou e os ebooks, Magda, como que você vê essa questão hoje também que muita gente quer ler ali numa tela? Como que fica o posicionamento de uma editora quando você pensa, principalmente no segmento infantil? O o infantil eu acho que é menos, sabe? Por isso que eu ainda percebo que como eu não tenho assim essa propriedade de ter uma grande tutora com grandes títulos de adulto para adolescente, então o infantil acho que é é menos provável da gente sofrer tanto com os ebooks. Eu tenho, por exemplo, o pessoal que cuida do editorial, a Janis, por exemplo, ela que teria toda a propriedade para falar do retorno do ebooks, como funciona, porque Mas você ainda não investiu nesse mercado? Não, não, não. Eu tô, tô. Você tá no papel. Eu tô no papel, eu tô no tete a tete, eu tô ali. Tanto é que eu faço uma uma um evento lá na prefeitura de de Atibaia, que é o encontro que eles fazem, tem abre uma licitação e eu tô sempre faz uns que vai para 17 anos que eu tô lá, passa vira gestão, eu tô lá. Agora, esse mercado que a gente chama no mundo corporativo de B2C, que é vender direto pro cliente, é aqui nessa livraria. É. Ou você deixa também em outras livrarias? Não, em outras livrarias tem. Tem, tem no nosso site, tem outras livrarias. Os nossos distribuidores, por exemplo, às vezes eles têm livraria, sim. Sabe? Então assim, normalmente tem. Sim. Normalmente os distribuidores têm uma livraria. Eu abri inclusive esse bloco, a gente já abriu o bloco anterior falando do aumento de número de editoras no país. Vou abrir agora falando de valores, de acordo inclusive com o mapeamento feito aqui pela associação, né, que é a CBL, na verdade é a Câmara Brasileira do Livro, ela anualmente ela divulga esse mapeamento e quando ela fala do mapeamento da produção do setor editorial brasileiro, eu trouxe aqui alguns números falando desse aumento do crescimento aí de seis pontos Deixa eu ver aqui, vou confirmar, ó. 6,5% de 4,5 bilhões no total. Vocês também sentiram que, apesar de internet, uma série de coisas, o faturamento cresceu? Cresceu, cresceu. Não, a gente e eh a nossa métrica não é assim eh exemplo, né, de alguém que tá bem na comparia das letras, por exemplo, uma editora que são grandes, que são grandes, né? Mas pegando carona no mercado, a gente tá tá crescendo, sabe? Tá numa numa proporção menor, mas mas tá mas tá crescendo também o número de de de editoras cada dia eh são nomes diferentes, são novas editoras. É sim. Você acredita que esse mercado democrático fomenta ainda mais o setor? Ah, fomenta. Eu acho que ainda tem, a gente ainda tem uns bons anos aí. Apesar dessa dessa pressão que toda vez que a gente tem um encontro, né, que tem a Convenção Nacional das Livrarias, que fala que o livro de papel vai acabar, que o pessoal não gosta de ler, que não sei o quê, sabe? A gente tem que acreditar que só vai parar quando a gente quiser mesmo, sabe? Porque se a gente ficar com esse medo do mercado, a gente já teria parado há há tempos a sabe? E essa e essa e essa já depois da da da pandemia, eu achei até que nossa, é o fim, é o nosso fim. Na pandemia, então deu aquele medo. Ah, deu porque de uma hora para outra a editora era aqui junto, fechamos tudo. Então a gente tinha feito vendas pra escola que também não recebia, todo mundo parou. Então foi um negócio assim, não era? Mas grande parte das escolas naquele período, eu lembro porque isso aconteceu comigo, a gente pegava os livros e levava para casa pras para pras crianças lerem. Chegou a ter esse momento com os livros da sua editora ou não? Naquele momento, olha, não vamos mais comprar o livro. Não, não vamos mais comprar. E e foi complicado porque assim, a gente atuava junto aqui no varejo com a com o escritório da da da da editora da editora ainda era junto, então a gente publicava e ainda atendia. Não, foi foi sofrido. Foi muito sofrido. Parou, parou, parou, parou e e parou não só a venda, parou o recebimento que a gente tinha vendido, porque a gente foi foi praticamente perto de uma volta às aulas. Sim, foi no final de uma volta alas. Então a gente tinha feito um monte de venda pra escola. Como a escola parou e as editoras ficou todo mundo cobrando, todo mundo. Sim. Porque parou e o pessoal precisava receber, precisava pagar os funcionários e virou uma assim uma engrenagem, perdeu um dente e o trem degrigingolou. Mas e aí, Magda, como você, do ponto de vista do negócio, conseguiu lidar com isso e retomar a editora? O que que vocês fizeram? Qual foi a estratégia? Olha, primeiro foi rezar, né? Porque a gente não sabia que que a gente ia fazer. A gente saiu do da condição de pessoa jurídica e caiu na na pessoa física só com cartão de crédito na mão. E porque a família era toda do livro. Ah, entendi. Porque sua filha tem a outra editora. Aqui é a livraria de uma de um outro filho seu. Todo mundo veio perto do livro. Isso com a nora junto, com dois filhos e tinha escola, todo mundo parou, sabe? Então deu aí a a minha, essa minha filha mais velha tava tava grávida e ficamos assim com aposentadoria e o cartão de crédito na mão. Só foi horrível. Eu me lembro que a Associação Nacional das Livrarias é uma é uma gratidão que eu tenho, sabe, que eu vou levar pro resto da vida. Eles fizeram porque eles eram tinham mais café no bully, né? Sim. Então eles tinham de onde tirar e eles já tinham um e-commerce formado e eu não tinha, eu tava gatinhando. Sim. Aí a a NL ela fez uma uma campanha com as outras editoras de de arrecadar os valores para ajudar algumas as pequenas editoras. É, as pequenas. E eu me lembro que na época eu fui contemplada com R$ 10.000 pela Câmara. E aquilo te salvou? Aquilo me deu assim um fôlego, né? Não dava, mas aí foi, mas graças a Deus eu conseguirar e por incrível que pareça, do nada me aparece uma venda pra prefeitura, sabe? Do nada aí eu consegui fazer umas vendas, aí eu consegui salvar uma dívida que era enorme e parar para respirar e esperar o tempo retomar. Empreender com a editora. Você até tinha a questão, né, da do livro, da livraria. Quando você passou a dizer, eu vou ter uma editora também, tá valendo a pena? Tá, tá valendo a pena. Muito obrigada então pela entrevista. E olha só, o ser empreendedor fica por aqui. Lembrando que todo domingo, 5:15 da tarde a gente tem a estreia de um novo episódio do nosso programa, contando histórias inspiradoras como as de hoje. Até um próximo programa. Lembrando que você também pode curtir lá no youtube.com/tvcâmaracampinas. Vai lá na playlist do Ser empreendedor e confira todas as histórias que nós trazemos aqui. Até um próximo programa. [música]