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Na Casa do Povo | Mariana conti: gaza, mudanças climáticas e violência contra mulheres
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Na Casa do Povo | Mariana conti: gaza, mudanças climáticas e violência contra mulheres

43 views Publicado 10/04/2026 HD · 49:49
Resumo editorial

O podcast Na Casa do Povo recebe uma vereadora campineira para conversa ampla que percorre da geopolítica internacional aos projetos locais. A entrevista abre com audiodescrição feita pela apresentadora e pela convidada, prática de acessibilidade que o programa adota em todas as edições. A parlamentar aparece com a tradicional kuffiyeh palestina e fala sobre seu posicionamento público em relação ao conflito em Gaza, sobre a importância de Campinas se manifestar diante de questões internacionais com impacto humanitário e sobre o papel do legislativo municipal como caixa de ressonância de pautas globais. A conversa também aborda mudanças climáticas e a urgência de medidas locais de adaptação e mitigação, além de detalhar o pacote Mulheres e Meninas Vivas, Campinas Contra a Misoginia, com projetos de lei sobre red pill, machoesfera e infrações administrativas em casos de discriminação no atendimento ao público. O programa oferece visão ampla de uma atuação parlamentar que combina pauta internacional, ambiental e de gênero.

Descrição do vídeo

Bem-vindo ao Na Casa do Povo 🎙️, podcast semanal da TV Câmara Campinas que entrevista vereadores sobre suas atuações e pautas urgentes da cidade. Nesta edição impactante, a vereadora Mariana Conti compartilha experiências exclusivas, posicionamentos firmes e projetos legislativos. Destaque internacional: Missão em Gaza 🌍: Mariana relata sua participação na Freedom Flotilla Coalition, frota humanitária de 44 países interceptada por Israel em águas internacionais. Objetivo era levar remédios, próteses infantis e alimentos a Gaza sob bloqueio genocida. Sequestrada com delegação brasileira (13 ativistas), presa no deserto de Quis e deportada pela Jordânia sem bagagem nem passaporte. "Genocídio televisionado: crianças amputadas, fome como arma de guerra". Missão evitou invasão terrestre de Netanyahu/Trump, mas cessar-fogo é farsa – ataques persistem no Líbano, Jordânia e Irã (170 meninas mortas em escola primária). Paralelo com Holocausto: "Como a humanidade permite isso?". Solidariedade global freia projeto "Grande Israel" imperialista pelo controle do petróleo. Mudanças climáticas em Campinas 🌡️: "Emergência climática é presente: ondas de calor, chuvas torrenciais, risco iminente de crise hídrica". Rio Atibaia, única fonte de água potável, depende de matas ciliares – expansão imobiliária (Lei 208/2018) impermeabiliza solo, agrava enchentes em Cambuí, Paulicéia e Nova Paulista. Críticas às podas drásticas da CPFL e remoção de raízes (Praça Sílvio Reggio). Projetos apresentados: drone para Defesa Civil, manutenção do Parque Linear Santa Genebra, auxílio emergencial para baixa renda afetada, sujeitos de direitos para rios Atibaia/Capivari, proibição de expansão urbana em áreas rurais. Microflorestas são paliativo, mas exigem manejo especializado – árvores fixam água, refrescam ilhas de calor e salvam vidas em ondas de calor. Violência no trabalho e fim da escala 6x1 ⚖️: PL municipal proíbe 6x1 em contratos públicos para dar exemplo. "Escala adoecedora: sem tempo para viver, família ou saúde mental". Redução de jornada gera empregos contra avanço da inteligência artificial; promove sociabilidade contra escalada de violência urbana. Na Comissão da Mulher, cobra estrutura: Delegacia da Mulher 24h, CREM itinerante, guardas para medidas protetivas, auxílio-aluguel ampliado. Epidemia de feminicídios 👊: Estupros coletivos, crimes com requinte de crueldade, mulheres arrastadas na marginal. Misoginia online (Redpill) treina homens a tratar "não" feminino como ofensa mortal – algoritmos monetizam ódio (ligação Epstein). Lei Maria da Penha salva, mas falta investimento público. PL federal barra candidaturas de agressores; formação escolar contra discriminação de gênero. Outras bandeiras verdes: CPI da Lei 208 negada – Comissão Popular Água/Clima monitora impactos. Arborização urbana essencial: manejo correto evita quedas, garante conforto térmico para motoboys, carteiros e pontos de ônibus. "Cuidar do rio é cuidar de nós mesmos – água não surge na torneira". Na Casa do Povo promove transparência total do legislativo campineiro. Curta ❤️, compartilhe para debater Gaza, clima ou feminicídios em Campinas e ative 🔔 para novas edições: quartas 9h nas redes, 21h na TV. Qual projeto de Mariana Conti você apoia mais? Deixe nos comentários e engaje no diálogo público! #NaCasaDoPovo #MarianaConti #FreedomFlotilla #ClimaCampinas #Fim6x1 #MulheresNaPolitica #CamaraCampinas Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 🎙️ Spotify: https://creators.spotify.com/pod/show/tvcamaracampinas

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Olá, pessoal. Mais um na Casa do Povo no ar, o podcast da Câmara Municipal de Campinas, que toda semana bate um papo aqui com o vereador e vereadora do legislativo da nossa cidade. Hoje a nossa convidada é a vereadora Mariana Conte. E como é de prá, antes de começarmos, eu vou fazer a minha audiodescrição. O meu nome é Mirna Bru, eu sou mulher negra de pele clara, tenho os cabelos cacheados na altura dos ombros com mechas loiras. Hoje eu estou com uma blusa bege, uma camiseta bege, que ela é sem manga. Eu estou com uma saia que é marrom, quase é ocre, na verdade, que se fala assim, a correta. Tô com os brincos claros que combinam com a blusa e tô com um batom vermelho. Ao meu fundo, nós temos aqui o estúdio do Na Casa do Povo, todo em preto, um televisor em azul e branco escrito Na Casa do Povo, que é o nome do nosso podcast. Vereadora, seja bem-vinda novamente. Também peço que a senhora faça sua audiodescrição. Obrigada, Mina. Obrigada a todo mundo que tá acompanhando esse podcast na Casa do Povo. É um prazer sempre estar com vocês. Bom, eu sou Mariana Conte, sou uma mulher amarela de origem japonesa, tô com tenho um cabelo curto, desigual, mais comprido de um lado do que de outro. Eu estou vestindo uma camisa verde e brincos verdes também. E estou com uma cufia por cima, que é um pano palestino com desenhos eh quadriculados em branco e preto e no meu fundo também o estúdio aqui da Casa do Povo também toda de preto. Vereadora, a gente tem muita coisa para falar, até porque, né, a senhora recentemente teve alguns posicionamentos, lembrou aí a questão das mulheres, mas antes de eu entrar nesse tema específico, aproveitando aqui na sua audiodção, você explicou sobre, né, esse alguns chamam de chalhe, outros de mantos, mas tem um nome correto pessoal para que a senhora falasse um pouquinho da sua experiência, né? O ano passado a gente teve aquela eh aquela viagem que foi feita, que na verdade quando a gente fala que é uma a Global Sumod, é isso, Global Sumlotilha, isso que era uma flotilha internacional de ajuda humanitária e que a missão na ocasião foi interceptada pela Maria Israelense em Águas Internacionais, resultando naquele momento na prisão e posterior deportação dos ativistas. a senhora estava entre aquelas pessoas. Eu queria que a senhora explicasse eh o o que a levou primeiramente a participar. A senhora já tinha tido alguns posicionamentos inclusive na tribuna a esse respeito e hoje inclusive fez questão de vir, né, com eh para justamente para mostrar todo esse simbolismo e essa preocupação que pelo jeito continua, né? Claro. Bom, primeiro que o motivo pelo qual eu decidi aceitar o convite de participar da Global Sumo de Flotilha, foi porque assim como tantas pessoas, mina, a gente vê que o genocídio televisionado e mostrado nas redes sociais, a gente viagens de pessoas sendo bombardeadas, crianças amputadas, pessoas passando fome extrema, inclusive usando, né, uma coisa que a gente via muito, eh, e que a distribuição de comida estava sendo usada como isca para assassinar mulheres, crianças, idosos. Então, essa sensação que é uma sensação de vergonha da humanidade, sabe? Eh, eu também compartilhou, compartilhei com tanta gente de ficar vendo essas cenas e e uma sensação assim, nossa, como assim? Como é que a humanidade vai permitir que isso aconteça? O paralelo que eu te fazia é quando a gente estuda na escola a Segunda Guerra Mundial e a gente vê o a o registro do holocausto e a gente pergunta assim: "Como que ninguém fez nada?" Sim. E a gente vê também pelo prolongamento da dessa situação de que a os governos falharam nesse processo. A gente sempre fala, não era para ser os ativistas fazer essa ação. Os governos falharam nesse processo. Eh, existem muitas muitas práticas ali do Estado de Israel que contrariam o direito internacional. H, por exemplo, a morte de civis, a o ataque deliberado sobre os hospitais, a morte de jornalistas, a morte de médicos, né, mesmo a o ataque sistemático às crianças, quase como como a a criança é vista como ameaça demográfica. Então, o bloqueio que se instalou sobre a Palestina é ilegal. você não pode permitir eh restringir a ajuda humanitária, ainda que, né, num cenário de guerra, isso não é violo, direito internacional. Então, nesse sentido, quando eu recebi o convite, eu me senti convocada a ser parte dessa missão humanitária. Eh, eh, então eu entrei com afastamento aqui na casa, né? Eu acho que é importante porque houve uma polêmica, né? Eu fui muito atacada pela extrema direita. Eu acho que é importante dizer que eu entrei com pedido de afastamento autorizado pela presença na Câmara. Fui paguei a paguei a minha viagem, fui sem receber salário, ou seja, foi tudo regulamentado, mas eu entendia que a minha participação lá representando o Brasil nessa missão, que foi uma missão que reuniu 44 países, né, brasileiros tinham quantos? Tinham 13, amiga, representando o Brasil. Então, eu estar como parte da delegação brasileira era muito importante, porque nós queríamos levar ajuda humanitária, né? Então, no meu barco sírios, por exemplo, eu fiz parte do grupo que fez toda a vistoria da ajuda humanitária e nós protocolamos tudo, fizemos inventário, protocolamos nos os governos na ONU. Então, tinha muito remédio porque a crise deliberada do sistema de saúde também é uma é uma forma de de matar as pessoas, né? Porque o ataque nos hospitais, a falta de remédios, tinham próteses infantis, tinham várias coisas, né? E além disso, nós queríamos colocar os olhos do mundo sobre o que tá acontecendo lá. Eh, nós não conseguimos chegar com os nossos barcos porque nós fomos sequestrados em águas internacionais. Eu acho que é importante dizer que o estado de Israel eh tomou conta dos nossos barcos. Nós tínhamos mais ou menos naquele final 44, 45 barcos, né? eh a tomou conta dos nossos barcos em águas internacionais, o que seria já seria eh uma um crime internacional, além do que o próprio bloqueio também é um crime internacional. Nós fomos sequestrados em águas internacionais, fomos levados por uma prisão no deserto de Quis eh eh na Palestina ocupada e fomos eh ficamos lá alguns dias até que fomos deportados e pela Jordânia. Então eu pude retornar. Eu assim, mas a senhora disse inclusive para quem tá em casa, essa interceptação representou o quê? Que esse todo aquilo que vocês inclusive estavam levando, nada chegou até quem deveria chegar. Não chegou. Não chegou. Israel tomou conta de tudo, inclusive da nossa própria bagagem. Eu saí da prisão com a roupa do corpo, sem meu passaporte, inclusive, porque eles perderam meu passaporte para você ter ideia. Mas depois conseguiu tê-lo de volta ou não? Não, eu vim com autorização. Eu cheguei na embaixada da Jordânia, embaixada Jordânia, embaixada brasileira na Jordânia, me deu uma autorização de retorno. Compreendo. Eh, então, eh, eles ficaram com tudo, tudo que a gente tava levando. E apesar da gente não conseguir levar ajuda humanitária, eu acho que a nossa missão foi bem sucedida em nos termos de que colocou os olhos do mundo sobre o que tava acontecendo. Foram atos simultâneos no mundo todo. Sim. Exatamente. Naquele momento quando a gente estava no período crítico, que é da Grécia, né? Porque nós saímos de Barcelona, passamos pelo pela por Menorca, fomos até a Tunísia, da Tunísia até a Itália e depois da Itália até a Grécia. E nesse processo os barcos foram se juntando. Uma flotilha é uma frota pequena de barcos, né? Então nós saímos com alguns barcos de Barcelona e aí outros barcos da Tunísia se juntaram a nós e mais depois na Itália e na Grécia também. ao todo, é, no cerca de 500 pessoas do mundo todo, tá? Eh, então quando a a gente esse processo, essa ação internacional, né, com muitas pessoas, com várias delegações, criou uma pressão enorme sobre o mundo todo, né? Inclusive isso reverberou quando a gente estava na Grécia, tava tendo a conferência da ONU e foi momento em que muitos governos se posicionaram contra o genocídio, eh, e na verdade obrigou o governo, porque o governo Netaniu e o Donald Trump tinham decidido invadir a Palestina Gaza por terra. Isso significava mais centenas de milhares de pessoas mortas. Se tivesse acontecido essa invasão, seria assim uma carnificina. Eh, eles deram um passo atrás nisso. O, inclusive o próprio ministro das finanças de Israel disse que ia tomar Gaza por terra para construir um resort ali para você ver como eh é uma é uma ação desumanizada e com vistas a ao ganho financeiro. Sim. Sim. Né? quer dizer, você expulsar todo um povo para criar um resorte para eh a elite poder passar as férias nas praias de Gaza. Eh, eles recuaram dessa dessa invasão por terra, mas o cessar fogo é uma farsa, porque aí foi acordado um cessar fogo, é uma farsa. A gente vê o desdobramento desde que foi a a eh decretado cessar fogo. Gaza continua sob ataque, as pessoas perderam tudo, existe uma limitação de ajuda humanitária lá, então é uma situação dramática do ponto de vista humano. Eh, também se começou Israel eh tem o eh Israel tem ocupado espaços que são ocupado territórios que pelos acordos são territórios palestinos. Então, na Si Jordânia você tem um avanço de de territórios, ocupação ilegal de territórios pelo estado israelense na Jordânia e também em Jerusalém. E agora o que tá acontecendo? Logo depois, no começo desse ano, Israel atacou o Irã, né? eh, que também faz parte do mesmo conjunto de ações, atacou Irande, matou a aquela inclusive MI naquela escola primária que mais agora são 170 meninas confirmadas, mortas e tem atacado o Líbano. Então o que a gente tá vendo é que, na verdade existe um projeto, né, do governo israelense apoiado por Donald Trump, que tem feito uma ofensiva imperialista em nível mundial da construção do que eles chamam da grande Israel, que na verdade significa o desalojamento de vários povos e territórios ali para controle do petróleo. E aí às vezes as pessoas me perguntam: "Ah, mas você o que que isso tem a ver com o Brasil?" Eu acho que tem a ver com o Brasil em vários sentidos. Primeiro que é uma vergonha pra humanidade. E aí o que, se isso é permitido fazer isso, se se o mundo se cala frente esse genocídio, então é quase como tudo está autorizado. E o Brasil tá na na linha, né, tá na na mira do imperialismo norte-americano depois da invasão da Venezuela e do sequestro do do Maduro. O Donald Trump tem feito várias ameaças sobre os governos e sobre os países latino-americanos, dizendo que ele tem, entende que a América Latina está deve deve se render ao domínio e a a do próprio Donald Trump. E a gente sabe que tem um interesse muito grande sobre as nossas terras raras, sobre os nossos recursos minerais. Esse é um motivo que eu acho que é muito importante, porque para parar esse processo é a solidariedade internacional. Tem um outro fato de que a gente sabe que Israel ele é um exportador de armas para mundo todo. Então, boa parte das armas que são exportadas pelos territórios e armas que são utilizadas sejam na pela segurança pública ou seja no próprio crime organizado que entra depois pela segurança pública, a parte das armas que são compradas paraa segurança pública, elas são desviadas pro crime organizado. Eh, Israel é um laboratório de teste de armas. E essa teste de armas é feita contra o povo palestino. Quando a gente fala assim, né, que quer dizer, a interessa também essa violência contra os pobres ou a ou morte de jovens negros nas nossas periferias, o escalada da violência do estado e também do para estado, essa cenário de guerra tem como um dos fundamentos o teste sobre o povo palestino, teste de armas. E é um laboratório político, porque um laboratório político de um autoritarismo fascista que baseado na discriminação racial. Porque hoje sobre as regras que na no território, se você é árabe e palestino, você não tem uma série de direitos. A menoridade penal é menor para os árabes palestinos. Os árabes palestinos não podem ingressar em vários territórios. Você tem, por exemplo, uma diáspora palestina muito grande pelo mundo também aqui no Brasil, uma parcela dessas pessoas não pode voltar pro seu território. Existe um genocídio que a gente fala que é um genocídio também ambiental, porque você tá tendo a destruição das oliveiras e das produções da da Palestina. Então, a gente vê que é um laboratório pro mundo. A humanidade tem que, eu acho que a humanidade tem que manter uma capacidade de indignação com relação a isso, porque a gente vai vendo que as coisas vão sendo naturalizadas, vão sendo quase como sendo normais. A gente vê que tem gente que aplaude isso, que é o que é uma vergonha. Quer dizer, eh, e eu acho que a Global Sumo de Flotilha, essa ação de de organização internacional mostrou que a maior parte da população do mundo é generosa. A maior parte da população do mundo não quer as guerras, não quer o genocídio, é contra a morte como a fome, como instrumento de de matança, de de guerra. Então, eu acho que foi uma ação muito importante. Eh, pessoalmente, eu me sinto muito, claro, teve suas dificuldades, né? Você estar como uma presa política. Eh, passamos por momentos assim que a gente pode classificar como tortura, né? Privação de sono. Eh, tem uma diferença em relação ao a ao que é feito com os homens e as mulheres ou não? A gente Sim, sim. Eu acho que o os homens foram mais violentamente eh atacados ali, mas é sobretudo uma diferença racial. Entendi. Porque as pessoas de origem palestina eram foram muito mais eh confrontadas, pessoas negras foram muito confrontadas. Nós, a nossa missão, a gente carregava muito, né, era de uma missão pacífica. E essa a questão da missão pacífica, por quê? Porque a gente sabe que a provocação, porque uma coisa é a gente dizer que é missão pacífica, uma outra, o grande desafio disso é manter, você se manter pacífico diante de um monte de provocação. Entendi. E e muitas vezes a reação, quando a violência contra você, a reação é maior quando você vê a a outro sendo violentado, a pessoa que tá do seu lado. Então essa foi, a gente passou por todo o treinamento para para garantir que era uma uma missão pacífica e essas provocações, uma questão mental muito importante ali para ter um controle muito importante minimamente possível dentro de uma situação daquela. Mariana, olha, eu quero dizer assim que para mim foi um teste de bastante teste de de eh foco. Mas você teve medo em algum momento? Não dá, não dá medo. Não dá medo. A gente porque coragem é um sentimento coletivo. Nós estávamos Eu fui muito consciente dos riscos, sabia dos riscos, não foi uma aventura, fui muito consciente dos riscos. Eh, mas também ao mesmo tempo passa, nós passamos por todo o treinamento, nós passamos por tempestades, ficamos ali, mas tivemos enfrentamos uma tempestade na saída de Barcelona, depois passamos por uma tempestade na Itália. Eh, esse também foi um momento que o, né, passar dois dias com o barco balançando também foi uma uma treino de mental. nossos nossos barcos foram atacados na Tunísia por artefato incendiário e depois na Grécia com arma química. Eh, também foi um treinamento mental e nesse processo todo a gente foi fazendo muito, muito, muito tanto o diálogo com as nas pessoas no barco, nós estávamos muito fortalecidos, muito juntos e fomos fazendo o treinamento eh com relação a como reagir nessa cenário. Então eu tava muito focada de que eu precisava cumprir essa missão e para mim foi assim uma experiência, uma experiência eu sinto que eu voltei mais forte, mais experiente e com muito orgulho de ter sido parte desse processo, certo, Mariana? E aqui a gente ficava eh acompanhando tudo, né, entre a questão do claro, de olha que dê tudo certo, mas foi um momento bem bem peculiar. Agora, Mariana, eu queria que você falasse um pouquinho sobre a sua atuação em relação às mudanças climáticas. Você, inclusive, eu lembro que sempre acaba usando a tribuna com algumas coisas. A gente teve um tempo passado, aquela questão das árvores, quando você se pronunciou, quando a gente começou com aquele movimento que era retirada, de acordo com o executivo em Campinas, a retirada das árvores por conta dos do dos perigos que elas ofereciam por serem velhas. Tivemos inclusive uma questão de morte aqui quando a gente fala de Campinas especificamente, mas você já falou também em em questões relacionadas ao rio Atibaia, né? Hoje, quando a gente pensa no macro, você inclusive falou: "Olha, a gente tem aqui no Brasil eh áreas, né, raras, terras raras, mas quando a gente fala um pouquinho para para cá, pra nossa cidade, qual hoje é sua maior preocupação quando a gente pensa nas mudanças climáticas e os efeitos que já ocorrem na nossa região?" Olha, as mudanças climáticas não é uma questão do futuro, é uma questão do presente. Nós estamos vivendo sob a emergência climática. Eh, e como você bem disse, isso é um projeto que afeta o mundo, o Brasil e Campinas também estão sentindo essa os efeitos disso. Basta ver as ondas de calor, basta ver as chuvas torrenciais, ventos. A gente ainda não teve uma cenário que é um cenário possível de crise de abastecimento, que já tá acontecendo em alguns lugares e é um cenário possível que a gente precisa se preparar. Mesmo com essa construção da barragem aqui em Amparo, você acredita? Porque a barragem ela não se não produz água. A barragem se você tem um balde, se você tem um balde, um balde que reserva a água, se aquele balde não enche, o balde seca. Não adianta, não adianta ter o balde. Não adianta ter o balde. Em 2015, quando a gente teve a crise hídrica, a crise de abastecimento de água, todos os reservatórios do estado de São Paulo ficaram vazios. Sim. a gente chegou no volume morto. Então, eh, essa é uma realidade. Como que eu entendo que Campinas a gente Campinas tem dois nós temos que lidar sobre os efeitos das da emergência climática e nos preparar para isso. E significa, por exemplo, eu atribuí emenda parlamentar paraa compra de um drone da Defesa Civil para fazer o mapeamento e atuação de emergência em cenário de crise. Isso eu acho que é muito importante. Ao mesmo tempo, nós precisamos recuperar é áreas que foram degradadas, né? A gente teve junto com a SAMIA Bonfim, a Sha também apresentou uma emenda para uma plantação, uma área de recuperação ali no entorno do Atibaia. Nós estamos com, eu destinei emenda parlamentar paraa manutenção do parque linear, por exemplo, no Santa Genebra, porque a prefeitura está criando novos parques lineares. Eu tenho questionado que não basta criar, tem que ter manutenção, porque o Parque Linear é um parque que já existe há muito tempo e há 20 anos. Tá falando daquela área um pouco abaixo do shopping, perto do shopping Dom Pedro. O parque linear ali foi uma contrapartida da criação do shopping e não foi criado, mas foi abandonado. E a prefeitura não tem estrutura especializada, a a secretaria de serviços públicos não tem equipe especializada para fazer o manejo do parque, né, do parque linear. Então essa é uma preocupação, não basta criar, tem que ter a o manejo especializado. Eh, essa é uma questão. Então, a gente precisa ir lidando ou mesmo, por exemplo, que a gente sabe que a emergência climática não afeta todo mundo igual. Os pobres são mais atingidos pelos pela por enchentes, por exemplo. Nós criamos um auxílio emergencial para os atingidos. criamos, apresentei um projeto para criação de um auxílio emergencial para as pessoas atingidas, pessoas de baixa renda, atingidas pelos efeitos da emergência climática. Para além disso, eu entendo que assim, nós estamos vendo também que essa é uma dinâmica das cidades e Campinas tá muito acelerado a destruição ambiental em nome do avanço da especulação imobiliária. Eu apresentei um projeto de lei da lei de emergência climática que revogava a expansão urbana sobre as áreas rurais. Tá? Porque a expansão urbana sobre as áreas rurais significa eh a retirada de fragmentos de mata que vão sendo cada vez mais pressionados. significa impermeabilização do solo e, ou seja, o aumento do nível das enchentes. as pessoas podem ver na cidade, quer dizer, você tem prédio em tudo quanto é lugar e esses a a a o aumento dos prédios, das áreas do do desses condomínios, que não necessariamente resolve o problema da moradia pros pobres, da pra população em geral, porque o custo da moradia não diminuiu, muito pelo contrário, aqueceu o mercado e o mercado tá você tem um aumento do custo do aluguel, o aumento de PTU que os proprietários pagam, Mas quem paga aluguel também paga IPTU, né? E, ou seja, o custo da moradia sobe. Ao mesmo tempo você tem um a criação desse monte de empreendimento agrava o cenário das do efeitos clim dos dos eventos climáticos extremos, né? O as os efeitos desses eventos extremos. Então, recentemente áreas que que tinham histórico antigo, mas que teve um agravamento, por exemplo, a Nipal Sururama, né? Aquele monte de prédio ali naquela região agravou a situação da enchente ali em Palsurama, o Cambuí, né? Eu tenho ouvido pessoas falando: "Ah, mas porque o Cambui nunca viveu isso, né? Agora toda vez que chove sobe a água mesmo no aqui no centro". Ou seja, a gente vê que assim vai se agravando o cenário de enchentes. Então o que eu o que eu entendo assim, você precisa, nós precisamos tomar uma decisão de que se a cidade é a cidade voltada para o mercado financeiro da especulação imobiliária ou a cidade voltada para as pessoas. As pessoas precisam, a gente precisa de uma proteção das pessoas e a expansão urbana deixa a cidade mais vulnerável para os efeitos climáticos e os eventos climáticos extremos. Os efeitos dos eventos climáticos extremos. Tem um outro ponto, essa questão das árvores, porque eu sei que assim, às vezes as pessoas falam: "Ah, a gente precisa retirar a árvore e retirar árvore". É verdade. Muitas vezes a árvore representa o risco, mas em grande medida as árvores elas estão sendo eh elas estão sendo o manejo inadequado coloca as árvores eh provoca mais instabilidade e aí as árvores se tornam um risco. Sim. Vou dar um exemplo. Por exemplo, a gente falou muito sobre as podas drásticas que a CPFL vem fazendo. Quem anda pela cidade vê isso aumenta o risco de queda. Você deixa as árvores instáveis ou É, às vezes você olha de um lado, não tem galho nenhum. Os galhos estão todos de um outro lado. Todos do outro lado. Essa e assim a você acabar com a copa da árvore, se eh você deixa aquela árvore mais refém de doenças, mais refém, quer dizer, você agrava a situação da possibilidade daquela árvore vir a se tornar uma árvore que precisa ser removida. Sim. Também a gente viu numa praça recente que a Secretaria de Serviços Públicos fez uma uma coisa assim que eu eu juro para você assim, eu não consigo entender qual que é qual que é o sentido, que era uma remoção de raízes na Praça Silva Rego, uma remoção de raízes, quer dizer, para ampliar a eles estavam fazendo um concreto, um piso de concreto, mas para fazer um piso de concreto você pega árvores antigas, árvores, né, com 30, 40 anos, árvores enormes que fazem uma sombra muito boa paraa feira, inclusive que funciona ali, né? Você vai remover raiz. A remoção das raízes aumenta o risco de queda. E essa é uma questão que quer dizer você tem uma uma arborização urbana, ela é fundamental para evitar o aquecimento. Basta a gente ver em áreas que que são mais arborizadas, nas áreas mais arborizadas, as o sensação, o conforto térmico é é maior. é maior nesse contexto. Foi por isso que lá em 2024 você já discuti essa questão com aquela comissão popular da água, do clima. Porque eu quando teve a a aprovação aqui da da lei da da lei 208, que foi a lei que permitiu a expansão imobiliária, eu eu propus que se abrisse uma CPI, né, para acompanhar os efeitos da lei de 2018, porque assim, essa lei foi aprovada com várias se f v promessas em torno dessa lei de que a lei ia ia diminuir o custo do aluguel, de que era necessário e tudo mais. E eu e eu propus que se abrisse uma CPI aqui para avaliar o impacto dessa lei. Não consegui maioria porque a maioria aqui não quis abrir essa comissão, essa comissão. Então nós criamos a comissão popular, que é para nós, enquanto população, fazermos o acompanhamento daquele processo que tem se organizado. da comissão tem atuado, tem atuado em muito em em além da da do fazer o levantamento, acompanhamento, também tem atuado na mobilização climática, que é é necessário, porque nós precisamos que a população, precisamos que a população esteja educada para isso, né? Precisamos que a população esteja empoderada para lutar contra esses esse essa destruição ambiental. Na verdade, quando quando a gente fala aqui fazer o manejo correto, cuidar das árvores, é cuidar da gente mesmo, né? Quando a gente vai para esse territórios que não tem árvore em ondas, em em em momentos de ondas de calor, é insuportável. É, a pessoa fala: "Ai, não aguento ficar aqui". Esse tipo de coisa, né? E e as ondas de calor elas criam também elas quando as ondas de calor elas são responsáveis pelas tempestades. Então quanto mais ilhas de calor a gente tiver, mais a sensação térmica do calor extremo e mais tempestade vai ter. Então você simplesmente ir retirando as árvores, na verdade você vai agravando a situação, porque as tempestades acontecem, é claro, o risco de maior de queda de árvore é quando tem as tempestades. Sim. Mas assim, se você retira todas as árvores e você cria ilhas de calor, você agrava o risco de tempestade quando vem a chuva e você aumenta a sensação térmica de calor. Então é, e a gente sabe quem pega ônibus, quem fica em em ponto de ônibus, quem trabalha na rua, carteiro, motoboy, sabe? Eh, a gente sabe que não não são todos. Uma coisa é quem quem trabalha dentro do escritório com ar condicionado, outra coisa é quem tá na rua vivendo aquilo. Não, a gente quando vai na rua gravar uma reportagem já volta sempre. Exato. Fala, olha, tá muito quente hoje, tem a briga do ar condicionado e aí vai. As escolas, por exemplo, a gente vi teve a gente teve uma um levante de estudantes, professores, eh, no ano passado, o ano passado, no começo do ano, porque você assim é impossível estudar com uma sensação térmica de 40º. As crianças chegavam a desmaiar na sala de aula. Sim, eu vi relato de professoras falando que professoras de educação infantil que falavam pros alunos deitar no chão para ver se dava uma aliviada. É, então quer dizer, é uma situação que a gente precisa reavaliar a atuação também de cada um de nós para para pensar em tudo isso, nessa questão das políticas públicas, inclusive em relação ao clima na nossa cidade. E precisa ter equipe, a prefeitura precisa fazer a fiscalização das podas drásticas da CPFL. Sim. A microfloresta ajuda em alguma coisa. A microfloresta eu acho que foi uma resposta, tá? Porque o Dário Motosserra pegou, a gente pegou a a o apelido do Dario Motosserra e pegou porque as pessoas estão vendo na realidade a microfloresta foi uma resposta a essa pressão. Qual é o problema? O problema é que assim, não hã primeiro, né, você tem um um problema do do tempo, do cuidado que se você não tem equipe na Secretaria de Serviços Públicos para fazer o manejo também, né, você precisa ter manejo correto para as microflorestas. Agora, ao mesmo tempo, as microflorestas não substituem, não pode ser um álibe para ir sair destruindo árvore ou para fazer a a supressão de fragmentos de mata. Sim, até porque tem uma coisa muito importante, Mina, que eu acho que é importante dizer aqui. O rio Atibaia. O rio Atibaia é a única fonte de abastecimento de água da cidade de Campinas. Às vezes as pessoas, elas abrem a torneira e elas acham que a água surge ali, né? Ena. surgi ali não. A água pra água sair na torneira, ela teve que ter uma captação no rio. E hoje só temos um rio, porque o capivari ele é impróprio para consumo. Tem um conhecimento antigo que água se planta. Se você não tem fragmento, as a quando vem a chuva, a chuva você tem você não tem a fixação daquela da água da água da chuva nos reservatórios subterrâneos. A região de Souzas, APA de Souza, Joaquim Gídio, APA de Campinas, é uma região de recarga hídrica muito importante, muito importante pela característica do solo, mas ao mesmo tempo que é muito importante também é muito frágil. Então você precisa ter os fragmentos de mata para que você tenha recarga hídrica. Sem os fragmentos não tem recarga. Então, por isso também eu apresentei um projeto tornando o rio Atibaia, o rio Capivari, sujeitos de direito, que é uma tendência que tá acontecendo no mundo de entender que o rio ele é ele ele é um que o cuidado do rio não é só um cuidado do rio em relação a nós, mas que tem é o cuidado do rio em relação a nós, porque nós bebemos daquela água, mas para que ela seja cuidado, o rio também não pode passar por eh, por exemplo, barragens que façam que façam a retirada de fragmentos, né? Muito. Você vai construir um reservatório, você devasta a a os fragmentos no entorno, você vai ter o problema de que aquele reservatório não vai ser abastecido. Sim, você muda o regime de chuvas, né? Entendi. Mariana, eu vou correr um pouquinho porque senão daqui a pouco a gente não consegue, tem bastante coisa ainda para conversar. É, inclusive você tem eh trabalhado e falado se posicionado. Eu lembro que você trabalhou numa comissão em relação à questão de situações de no trabalho, violências no trabalho e bem naquele período entrou o projeto lá em Brasília da do fim da escala 6 por1. E você acabava sempre até discutindo junto, porque essa questão também do 6x1, você até me disse uma vez: "Olha, como não ter violência numa escala como essa? Sim, queria que você falasse um pouquinho desse trabalho também. Olha, o fim da escala 6 por1 é uma medida necessária no Brasil. Uma porque eh redução da jornada sem redução de salários vai gerar emprego. E nós estamos no momento com a inteligência artificial eh ameaçando postos de trabalho massivamente no mundo. O Brasil, a a melhor respostas que o Brasil pode dar é reduzindo a jornada paraa geração de mais empregos. Esse é o primeiro ponto. Segundo ponto é uma medida de saúde mental, porque a escala 61 é adoecedora. As pessoas não têm tempo, não tem tempo para para para viver. Para viver. Exatamente. Para as mulheres, então, que acumulam cuidado das crianças, cuidado dos idosos, cuidado dos mães de crianças com deficiência ou trabalho doméstico, isso assim é uma é uma, né? E não é toa que tá todo mundo adoecido, não é toa que doenças mentais, suicídio, enfim, batendo recordes em todos em todas as faixas etárias. Então assim, é uma uma medida de saúde mental e é uma medida de sociabilidade, porque às vezes você fala assim: "Eu vejo muita cobrança, porque a mãe não ai tá vendo o filho fez isso e a mãe não não deu uma resposta." Mas me fala assim, eh, você não tem tempo para ficar com a sua família, você não tem tempo para educar, você não tem tempo para ir na igreja, você não tem tempo para fazer um lazer, você chega em casa, você tá morta, você não consegue, você, você não consegue nem passear, você não consegue dar tensão. Então, é uma medida de sociabilidade. E se a gente tá num cenário de violência, de escalada de violência, as medidas de sociabilidade são necessárias. Sim. E nesse contexto, falando um pouco de violência, inclusive você, recentemente a gente teve a no mês de março, o mês da mulher, esse programa tá indo no ar em abril, mas a gente falou da importância de comemorar e de lutar diante de números e até de situações. Você inclusive citou a sua preocupação em relação à internet, a redes sociais em que homens estão treinando como responder ao não das mulheres e tudo mais. Você que é presidente da comissão da mulher da câmara, como analisa a atual situação e essa escalada de violência? Só uma uma um elemento para vocês por um que eu acho que vale a pena registrar. Eu apresentei um projeto para reduzir, para proibir a escala 61 em contratos da prefeitura, prefeitura e poder público aqui em Campinas para para que a prefeitura e o poder público dê o exemplo. Projeto tá tramitando na casa. Tá tramitando na casa. Eu acho que é uma desdobramento em nível municipal da reivindicação federal, mas que eu acho que é importante a gente também a partir das nossa realidade buscando saídas e cenários para resolver essa situação, correto? Sobre a questão da violência, a gente tá vivendo um feminicídio, assim, um feminicídio, uma epidemia de feminicídio. Sim. Eh, a violência doméstica, a violência contra mulheres é um cenário assim aterrorizador. A gente viu estúpido coletivo, a gente viu eh feminicídios com requinte de crueldade. Recentemente faleceu aquela moça que foi arrastada pela marginal, perdeu as duas pernas. Ou seja, assim, a gente tá num cenário muito crítico do ponto de vista da violência doméstica e da violência contra a mulher. Isso tem alguns algumas explicações. Uma explicação é o que a gente já fala há muito tempo, que é não ter o investimento necessário para proteger a vida das mulheres. Isso segue sendo uma pauta. A gente ter equipamentos, delegacia da mulher, centro de referência da mulher para que a Milia Maria da Penha seja uma realidade. Isso quer falar agora. Às vezes as pessoas até questionam a Lei Maria da Penha, então na verdade não é o papel. Na verdade são os instrumentos que não tem para garantir o que está escrito no papel, porque a lei a lei é um papel. É assim, hoje é uma é um é uma um é um hoje é uma página na internet. Entendi. É importante porque dá um respaldo. A Lei Maria da Penha fala que todos os governos, estadual, municipal e federal devem ser responsáveis. Todos, todos os governos e todas as instituições são corresponsáveis para proteger a vida das mulheres. Isso é um ganho importantíssimo. A Lei Maria da Penha salva muitas vidas, mas não consegue salvar todas. Para que possa salvar mais vida, você precisa ter investimento, você precisa ter equipe. O seamo aqui em Campinas precisa ter equipe, precisa ter um seo itinerante, você precisa ter mais vagas na casa abrigo, você precisa ter uma casa de passagem, você precisa ter mais eh mais investimento e mais delegacias da mulher. Você precisa ter uma política inclusive de formação e treinamento dos profissionais. você precisa que ter mais guardas municipais acompanhando medida protetiva. Tudo isso é uma realidade cada vez mais importante nesse cenário. Eu inclusive apresentei um projeto para o auxílio o auxílio aluguel para as vítimas de violência doméstica e hoje existe um auxílio da Secretaria de Assistência, mas é muito demorado e é só pros caso das mulheres em risco de vida. Mas a pergunta é, como que você define o que se uma mulher está sobre risco de vida ou não? Muitas mulheres, né, eh, a muitas vezes você não supõe que pode chegar naquele momento, num cenário de uma morte, né? Eh, você, as mulheres nunca pensam que isso pode acontecer. Sim. E muitas mulheres morrem não sabendo que estavam correndo risco de vida. Então, eh, eu entendo que é preciso mudar os critérios e ampliar a abrangência desse programa. Isso é uma coisa. Agora, também tem uma outra coisa que é o fato de que nós estamos nesse momento, né, das de ampliação das redes sociais, a gente tem visto um movimento muito articulado, deliberado, de propagação de conteúdos redpill. Para quem não sabe, Redpill é todo um uma um conjunto de ideias que que são propagandeadas na internet, que colocam as mulheres como as mulheres são, basicamente as mulheres são responsáveis por todas as frustrações dos homens. As mulheres elas têm que ser submissa, as mulheres elas estão é um tem variações, mas na prática, na prática é uma um conteúdo que voltado para os homens, colocando as mulheres como inimigas, como responsáveis, como eh como tudo aquilo que eles isso, ã, todas essas essas caracterizações machistas e misógenas que podem, ou seja, eh, responsabilizando a mulher por tudo que acontece aos homens quando eles são são frustrados na vida e tudo mais. Na vida. Exatamente. E aí o que nós temos feito, discutido é esses conteúdos de propagação redill precisam ser tirados da internet, porque esses conteúdos eles têm muitas eh tem sido muito consumido por homens em geral, mas sobretudo por homens muito jovens, meninos muito jovens. Então tem uma formação da subjetividade dessa juventude que é uma uma uma subjetividade permeada do ódio, o desprezo, a objetificação das mulheres. Então nós precisamos que regulamentação das redes sociais. Nós temos feito isso, Sami Bonfim, que a nossa deputada apresentou um projeto para que a misogenia seja eh crime também, né? o a apologia ao feminicídio, a violência contra a mulher seja crime eh no Código Penal, para que você tenha inclusive regulamentação das redes sociais. Nesse sentido, eh aqui na cidade de Campinas nós temos feito algumas iniciativas nesse sentido, né? por exemplo, a iniciativa de formação nas escolas, porque a gente sabe que se o se o a o conteúdo é voltado principalmente paraa juventude, a escola precisa responder a isso. Nós estamos num cenário novo, não é mais suficiente aquelas ferramentas que nós pensávamos antes. Então, os professores, os educadores, as professoras precisam ter formação específica de como lidar com esse cenário, que é o cenário novo, relativamente novo, mas que tá mostrando todo o quão é degradante, né? O quanto o quanto é sério, o quanto o quanto isso isso tem resultado concretamente no aumento da violência. a gente precisa dessa formação e educação é o melhor caminho. É o melhor caminho, é para que a gente possa então e regulamentar as redes sociais, né? É porque a gente sabe que virou terra sem lei. Viol, a violência contra a mulher, a apologia explícita do feminicídio tem sido utilizado como ativo econômico, porque tem muita gente que monetiza, ganha dinheiro nas redes sociais com isso. e tem como ativo político, porque você tem muitos e muitos eh a pessoas que são ess eh que fazem conteúdo misógeno na internet com uma forma de inclusive de ganhar de ganhar repercussão na sociedade e muitos deles têm disputado eleições. E como você vê nesse contexto quando às vezes inclusive mulheres se posicionam dessa forma? Olha assim, nós mulheres, eu acho que que assim as mulheres nós somos diversas. Sim. Reconhecer a nossa humanidade também significa reconhecer que nós somos diversas. Muitas mulheres são convencidas desse processo, estão convencidas disso. Muitas mudam de posição quando sofrem, quando elas sofrem na pele a violência. A gente lembra de uma influência que era uma influência que fazia conteúdo misógeno contra antifeminista e ela sofreu uma violência e as feministas foram quem deram suporte, deram apoio para ela. Então ela mudou de posição. Então quando sente na pele muda de posição. Mas eu acho que também tem aí uma questão que talvez seja uma coisa mais pragmática, porque conteúdos misógenos dão tem mais visualizações pelo algoritmo. Os algoritmos das redes sociais valorizam conteúdos misógenos de homens e mulheres e e isso faz com que você tenha mais alcance de rede e desdobramento disso, monetização, voto. Então, por isso que a gente precisa atacar o algoritmo. Eu quero, acho que é importante, mina, quando a gente fala de algoritmo das redes sociais, a gente fala que o algoritmo não é um, a as redes sociais não são uma uma terra, não são uma ferramenta imparcial. Se a gente olha o caso Epstein, as pessoas podem devem estar acompanhando o caso Epstein, que foram os inúmeros arquivos de denúncia do Epstein, que era um sujeito que tinha relações com grande parte da elite norte-americana, da elite mundial e também com com muitas figuras da política, sobretudo a política norte-americana. E tem vazado esses documentos, têm sido publicado documentos, por exemplo, da forma sistemática, de tráfico de meninas, de pedofilia, enfim, de práticas assim completamente desumanizadoras, né? Até difícil ter adjetivo para dizer o que acontecia lá. Mas quando a gente vê quem que aparece no caso El Musk, Bill Gates, todos essas esses caras, esses grandes CEOs e eh donos dessas bigtechs que que são as responsáveis pelas redes sociais estavam envolvidas no caso do do caso Epstein. A misogenia ela está intrínseca as redes sociais. Isso não significa que eu acho que eu uso rede social. Temos que usar rede social. Agora é um ato de soberania no Brasil fazer a regulamentação é o caminho. É o caminho, porque senão nós vamos ter, nós vamos estar refém dessa formação da subjetividade cada vez mais violenta e cada vez mais as mulheres são afetadas por isso, são atacadas, atingidas. E esses caras tão usam dessas milhares de visualizações que o algoritmo permite para ganhar dinheiro e para ganhar voto. Então você tem um monte de gente que misógeno, agressor que tem eh se candidatado nas eleições. A gente derrotou a PEC da bandidagem. Sim. Para não permitir que pessoas que tenham sido condenadas possam ser possam ser candidatas. Agora a Sâmia e a Fernanda Melquiona do PSOL também, nossas deputadas feministas, apresentaram um projeto para barrar a candidatura de agressores de mulheres. Eu acho que isso é super importante, porque não dá para que esses caras continuem entrando nos parlamentos para prometer violência política de gênero e para atacar as mulheres. Vereadora, infelizmente o nosso tempo acabou. já recebi aqui eh a orientação da direção, mas é um tema bem importante que a gente volta com certeza a falar em breve. Muito obrigada pela sua participação e até uma próxima. Obrigada, Mina, obrigada a todo mundo. Tô à disposição. E olha só, o na Casa do Povo fica por aqui. Lembrando que toda semana, 9 horas da manhã, a gente tem estreia nas redes sociais e 9 da noite na tela da TV Câmara Campinas. E você também encontra os podcasts, os bate-papos lá no youtube.com/tvcâmaracampinas. Até um próximo na Casa do Povo. เฮ
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