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Olá, mais um na Casa do Povo no ar. O podcast que traz toda semana um bate-papo com os vereadores da Câmara Municipal de Campinas, temporada 2026. E hoje quem conversa com a gente é a vereadora Guida Calisto. Seja bem-vinda, Guida. E como é de prá, gente, vou fazer a minha áudio desescrição. O meu nome é Mirna Breu. Eu sou mulher negra de pele clara. Tenho os cabelos cacheados na altura dos ombros, com mechas loiras, olhos castanhos. Eu estou sentada aqui no estúdio onde a gente tem tudo em preto, um televisor escrito em azul e branco na casa do povo. Eu estou com um blazer por cima de uma blusa preta. Ele é rosa, bem pink, tá pessoal? Guida, seja bem-vinda novamente. Já convido também a fazer a sua audiodescrição. Olá, Mirna. Quero agradecer a oportunidade mais uma vez a gente estar aqui na casa do povo. Eh, eu sou a Guida, sou servidora pública, monitora de educação infantil, advogada e estou afastada para assumir a tarefa de vereadora da cidade de Campinas. Estou sentada aqui na frente da Mirna. É visto uma blusa de cor azul marinho. Meu cabelo é castanho escuro, cachado. Sou uma mulher negra de pele parda e tenho 55 anos de idade. Agora, Guida, a gente vai falar um pouquinho. A gente já conversou aqui com a Guida sobre como ela entrou na política, a vida pessoal. Não esqueci a cocada. É verdade. Verdade. Tem a cocada. É. E agora a gente vai falar um pouquinho mais sobre atuação parlamentar, até porque recentemente, inclusive durante todo o ano de 2025, Guida, uma das questões que você trabalha, até por conta da sua atuação, como você disse, você é da educação, é a questão da equiparação, inclusive da questão das monitoras, a progressão e a carreira na educação. Queria que você falasse um pouquinho, atualizar para quem te acompanha ou para quem não entende do assunto o que que tá acontecendo e hoje quais são os avanços dessa luta. Bom, vamos lá. Bastante bastante coisa, né? Não, uma pergunta só engloba uma resposta bastante eh densa, né? Vamos lá. Eu sou monitora de educação infantil. Esse é o nome do cargo para as profissionais que atuam na educação infantil. Educação infantil é uma etapa especializada da educação básica que atende as crianças de zero até 5 6 anos. Antes era até seis, agora até 5, 6 anos, né? Antes era era até sete, na verdade, e agora até cinco, seis. Eh, a educação infantil, principalmente de 0 a 3 anos, ela é ela é ofertada junto com vários profissionais, porque você imagina uma sala que tem bastante bebês, então não dá para se ter somente uma profissional dentro da sala, tem que ter vários profissionais para atender uma sala, por exemplo, com 24 bebês. Pois bem, essas profissionais é, como é uma etapa especializada da educação, é um espaço educacional. Quando a LDB, que é a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, foi implementada no país desde o começo, entende-se que a educação infantil é cuidar e educar. Ela é indissociável, por isso que ela é uma etapa especializada, né? Então, não tem como eu colocar um monte de bebê enfileirado. Agora nós vamos estudar, por exemplo, sobre a gramática portuguesa. Eu vou estudar sobre eh teorema de Pitágoras. Não tem como você falar isso para um bebê. Então, eh, essa etapa é uma etapa em que o cuidar também é educar. Quando você tá dentro de uma sala de aula, que você tá ali com as crianças participando de todo o processo político pedagógico, você tá eh cuidando, você ajuda a criança a cuidar do seu corpo, a se higienizar, alimentar, estimular a andar, estimular a participar, as brincadeiras, as cantigas, o teatro, a contação de história, tudo é um ato de educar na educação infantil. Então, quando eu tô ali com a criança, que eu tô ensinando a criança a pegar na colher para começar a comer, por exemplo, uma criança de um aninho e pouco, eh, eu estou educando também. Acho que isso veio bem ao encontro daquela mudança que já faz tempo, mas ainda tem gente que pensa assim, né, Guida, que a educação infantil antes era ligada à assistência social, por exemplo, que era preciso ter um lugar para deixar. É porque assim, a educação infantil realmente ela vem ela nasce aí, né? Ela nasce na perspectiva de que é um espaço, um serviço público para atender as mães que trabalham, tá? Nós avançamos disso porque educação infantil não é agora um direito da mãe que trabalha. Obviamente que ela vai atender também essa questão, mas é o direito do aluno, dos nossos filhos, né? Então não é um direito da mãe. Então independente se a mãe tá trabalhando, se a mãe fora, porque dentro a gente sempre trabalha dentro de casa, né? Se a mãe tá trabalhando fora, se a mãe tá trabalhando dentro de casa, se a mãe não tá trabalhando, o que que a mãe tá fazendo? A criança tem o direito na a vaga na educação infantil, tá? Então pacificamos isso, pacificamos. E aí veja, a educação ela tem que ser ministrada por profissionais especializados, educadores, certo? Certo? O que que a maioria dos municípios fizeram, inclusive Campinas, a maioria eles revestiram apenas um profissional da docência, porque docência é é é a prática do professor, né? Eles eles revestiram apenas de de um profissional, então eles reconhecem apenas um profissional e os demais profissionais que estão ali são eles não são reconhecidos, foram precarizados. Então eles costumam dizer que os demais, os monitores, no meu caso, agentes, nós temos mais de 46 nomenclaturas no país. Tem até cidades que chamam de babá. Olha, você ter uma ideia, babá que absurdo. Não existe hoje em nível federal, por exemplo, um quiná específico para essa profissão ou ainda não. Ainda não. Nós somos nessa nessa discussão, inclusive. E aí, eh, então o que que o que que as prefeituras fizeram? Ah, eu coloco um professor que tem pedagogia ou magistério e os demais são apoio, tá? Só que veja, não tem como você separar isso. Quando eu tô ali no ato, né, da da higienização, da alimentação, da cantiga, da roda, da troca de fralda, do parquinho, eu tô cuidando e educando. Não tem como separar, não existe isso. Muitas vezes as monitoras falam assim: "Ai, também não vou mais participar das atividades eh pedagógicas das cantigas". Não tem como. Quando só o fato dela trocar, dela cuidar, dela auxiliar, dela ajudar, dela apoiar, dela carregar no colo, ofertar carinho, não tem como não. Não existe essa possibilidade. E aí o que que avançou? Então, por isso que a gente a gente sempre falou, nós somos professoras, somos todas professoras. E o que que avançou? Eh, nesse o o ano passado o Congresso Nacional votou de forma unânime. Unânime. Então, volto a dizer, eh todos, né, todos os partidos, partidos de direita, partidos de esquerda, todos votaram de forma unânime a, eh, uma lei que reconhece a docência na educação infantil. Se você tá dentro da sala de aula, se você ainda tá tá no chão da escola todos os dias atendendo os alunos, enfim, você não tem como você ser apoio, né? Obviamente que os profissionais de apoio são extremamente importantes. Se não tiver, esses profissionais não têm uma boa aula, mas não tem como a gente sair da sala de aula e deixar o professor sozinho com 24 bebês. Então a gente não é apoio, nós somos professores, né? Então o apoio é aquele que entra em determinados momentos e dá o suporte para que uma boa aula seja executada. Então tem o pessoal da limpeza, tem o pessoal da cozinha, tem o pessoal da manutenção, né? Mas nós não somos esse pessoal que sai, faz o serviço e vai embora. a gente, enquanto a criança está dentro da escola, a gente tem que estar junto, a gente não pode sair. Exatamente. É ativo. Bom, então nesse sentido, eh, o presidente Lula reconhece, sancionou a lei, somos todas professoras, né? A lei 15.326 de 2026. 2000 é de 2026. sanciona essa lei esse ano e eh reconhece a docência da nossa profissão. Bom, nesse sentido, essa luta nacionalmente avança, né? Avança para que todas sejam revestidas. Só que a lei ela tem alguns requisitos. Primeiro, esse profissional tem que ter tem que tem que ter acessado o serviço público a partir de concurso público. Então, não é um cargo comissionado, não é um cargo indicado, é concurso público. Independente da da capacitação exigida. a a sua capacitação, no meu mesmo, né, monitora, era ensino fundamental a exigência, mas independente disso, então tem que ser concurso público. Segundo, eu tenho que ter formação, porque professor na RDB é quem fez magistério ou pedagogia, então eu tenho que ter essa formação, tá? E se eu tô o dia a dia ali todos os dias dentro da sala de aula. Então, nesse sentido, eh, nós estamos nessa batalha, é uma lei na federal, mas não tem como a união regulamentar, porque a educação infantil de competência dos municípios, né? A educação como como um todo é de competência compartilhada e nos municípios a competência da educação infantil é dos municípios. Então não pode o o presidente, enfim, regulamentar para todo mundo. Então ele apresenta a lei federal com um parecer do MEC, inclusive, né, validado pelo MEC. E aí os municípios regulamentam. E por que que os municípios têm que regulamentar além deles serem competentes da área? Porque cada município tem uma situação. Por exemplo, Campinas tem essa situação de ter uma professora e demais profissionais monitora. Tem municípios que não tem professora. Tem municípios que só tem professora. Essa realidade foi apresentada inclusive num debate que você trouxe aqui na Câmara. Não foi isso? Exatamente. Exatamente. Então, por isso nós discutimos aqui e aí acabou que e o movimento aqui em Campinas entendeu eh que seria importante que nós aqui do parlamento apresentássemos uma lei para ser instrumento de luta, porque veja, é de competência do do município. Então, a iniciativa tem que partir do prefeito. Então, nesse sentido que aí você vai perguntar, mas se tem que partir do prefeito, como que você apresentou? Porque foi uma discussão que o município fez com que o movimento fez conosco para que a gente possa ter um uma um paradigma, na verdade, né? Algo que vai ser eh um norte do que a gente quer, menos que isso não dá. Então, eu e a vereadora Mariana Conte apresentamos um projeto de lei aqui em Campinas que regulamenta a educação infantil aqui, né, que enquadra do enquadramento municipal, que enquadra as o as monitoras e agentes de educação infantil no na carreira do magistério, né? E apresentamos ali pelo menos quatro elementos. Primeiro, essa questão do do enquadramento já, né, a mudança do cargo, porque não dá mais para ser monitora ou ser agente, tem que ser um novo cargo, né? Agora, quem fori enquadrado tem que ser professor de desenvolvimento infantil. O nome desse cargo foi discutido com movimento. Eh, terceiro, que possa que possamos ter um tempo, por exemplo, tem muita gente que não que não se formou, não se capacitou, né? Exatamente. Tem um período para que essas pessoas possam se formar, inclusive que e que posteriormente possam ser enquadradas. e também eh autorizando que a Prefeitura de Campinas possa estabelecer convênios com instituições e universidades de excelência para formar essas profissionais enquanto pedagogas. Então é isso. E esse projeto, como que tá isso? Bom, ele acabou de nós acabamos de protocolar ele, né? Acho que faz, bom, faz menos de um mês início, né? que o ano legislativo foi no início de fevereiro. Eh, nós eh no no primeiro dia do início do ano legislativo, a gente apresentou, protocolamos e aí no dia 26 agora de fevereiro, nós vamos fazer um um debate público sobre essa lei. Já fizemos o ano passado quando teve aprovação no Congresso Nacional da lei. Agora nós vamos fazer no âmbito aqui do município a a lei que nós apresentamos, né, no ano passado. a gente discutiu a lei federal e esse ano, no dia 26, nós vamos discutir a lei municipal. Ainda falando um pouquinho sobre essas questões trabalhistas, vereador, uma outra luta que é uma luta que tem a ver também com aquilo que acontece em âmbito federal é o fim da escala 6. Vamos lembrar quem tá em casa o que é essa proposta, em que pés isso está lá no Congresso e porque é importante que a gente também discuta isso aqui no Legislativo de Campinas. É bom, essa é uma bandeira de luta de muitos anos do movimento sindical. Na verdade, a bandeira de luta do movimento sindical é redução de jornada sem reduzir salário, porque a gente também não quer reduzir o salário, até porque nosso, o salário, a massa salarial da classe trabalhadora brasileira é muito baixa, né? A nossa luta é para melhorar benefício, melhorar trabalho, para que a gente possa ter uma melhoria nas condições de vida, né, da da população de forma geral. Eh, a deputada federal Érica Hilton, ela apresentou essa PEC, que é um projeto de emenda constitucional, ou seja, coloca na Constituição Federal que o trabalhador brasileiro, a a a jornada aceitável, a jornada eh normativa, eh não pode ser a escala 61. Ou seja, a maioria dos trabalhadores brasileiros só tem um dia de folga. Sim, porque a própria CLT fala que tem que ter um dia de folga e preferencialmente no domingo, né? O que naquela época foi considerado um avanço. Um avanço, sim. Porque se você vê em 1917, que foi a primeira grande greve dos trabalhadores brasileiros, a luta era redução de jornada, porque ali, principalmente as mulheres e as crianças trabalhavam de forma extenuante, de forma absurda, eh, direto, sem sem direito, n, sem direito, sem folga, sem férias, sem nada, né? Então, houve um um período de muita luta. Todas as lutas, principalmente com redução de jornada, é do movimento sindical, do movimento do operariado brasileiro. Então, eh, o que acontece? A jornada de trabalho brasileira hoje é 44 horas semanais. Sim. A luta mais recente era para reduzir para 40 horas semanais, né? Só que qual que é a ideia de 40 horas semanais? A ideia era que fosse mesmo de segunda a sexta. No entanto, quando a deputada apresenta o fim da escala 6 por1, né, ou seja, seis dias de trabalho, apenas um de folga, isso ganha uma repercussão muito grande, principalmente porque isso colou naquelas categorias mais precarizadas, que na sua ampla maioria são quem? juventude, né, os jovens, a juventude trabalhadora, que muitas vezes ainda tá no início, né, da sua vida profissional, profissional de trabalho, eh, as mulheres, as mulheres mais pobres, vulnerabilizada e a que são a maioria das mulheres negras, né, que são mãe solo, que trabalham, né, em postos mais precários. Então, nesse sentido, eh, que é a ampla massa dos trabalhadores. Então, se você pegar hoje as mulheres negras, que muitas delas estão na área de empresas terceirizadas, empresas de limpeza, elas trabalham seis por um. Sim, né? Eh, enfim, os trabalhadores vigilantes, porteiros, zelador, trabalham seis por um, só tem um dia de folga. Isso, se você for analisar a vida desses trabalhadores, é é desumano, porque só tem apenas um dia para descansar, para cuidar da família ou para ter o mínimo de lazer. é muito pouco. A gente sempre nas nossas análises, a gente tem falado que o capitalismo ou a grande a elite capitalista, uma das formas que ela tem eh para e enriquecer mais é explorar mais a força de trabalho. Então você vê essa massa de trabalhadores trabalhando seis dias por semana e com salário muito precarizado. Muitos ganham um salário mínimo. Sim. Então, então pra gente essa luta, o fim da escala 6 por1 é extremamente importante. Presidente Lula, ele reconhece a importância disso. Ele acabou acolhendo essa agenda como uma agenda prioritária e tem pautado isso dentro do congresso. A gente tá num num congresso muito difícil. É um congresso muito representativo do ponto de vista de setores médios e da elite brasileira. lá tem representação, né, ruralista, empresarial, do agronegócio, enfim, e que tem uma resistência muito grande em reconhecer direito dos trabalhadores, né, ou minimamente flexibilizar, porque é nessa área que eles avançam a exploração e que eles lucram mais. Só que como ganhou as massas, os corações e mentes, né, da nossa juventude, isso tá na boca do povo pelo fim da escala 6 por1. Agora o Congresso essa semana o presidente Hugo Mota entendeu, né? Obviamente que isso não não entendeu porque ele é bonzinho, pelo contrário, mas foi por luta popular mesmo. Eh, ele ele acabou sendo convencido da necessidade de de tocar essa agenda. Eu tô muito, eu estou muito confiante porque eh eu sou servidora pública, trabalho, venho, né, dessa área da educação, da educação infantil, uma trabalhadora de base. Sim. Sempre trabalhei como servidora pública de segunda a sexta. E eu sei o quanto é necessário eh uma mulher como eu, né, pobre, negra, mãe, a importância que nós temos de ter pelo menos dois dias de descanso para cuidar da nossa vida, cuidar dos nossos filhos, ter um pouco de dignidade. Então, nesse sentido, eu tô bastante feliz que a gente tá avançando, mas eu volto a dizer, foi luta popular. Agora, Guida, paraa gente pensar em âmbito municipal, a exemplo do projeto anterior que você eh citou da educação infantil, se isso se tornar uma lei federal, os serviços públicos também que t essa escala 6 por1 deverão ser enquadrados com aí com uma normatização própria, com uma lei própria e tudo mais. Sim. Aí tem várias formas de fazer isso, né? Tem a forma de fazer escala, tem formas de pagar em hora extra, né? Se se ele tiver que trabalhar seis por um, esse sexto dia vai ser um dia de hora extra, que tem um adicional maior de de pagamento, mas tem outras formas de de adequar, né? e principalmente vai obrigar o serviço público a contratar mais profissionais, ou seja, abrir mais postos de trabalho. A nossa luta também é essa, porque os os empresários eles lucram muito reduzindo o número de trabalhadores e a nossa ideia é aumentar para que se tenha mais emprego, mas também empregos dignos, né? Sim. Falando em outra luta, é a saúde pública da nossa cidade. Você eh frequentemente usa inclusive a tribuna para falar de algumas questões e eu queria que você mencionasse quais são essas lutas e nesse sentido, por exemplo, se tem a ver, por exemplo, com alguma emenda impositiva que você tenha destinado justamente para tentar suprir aquilo que você tem apontado como falha na nossa saúde pública. Olha, eu acho que o principal problema da nossa saúde pública é a gestão. Eu eu vejo dessa forma e não é problema por falta de competência, não é uma é uma é uma forma deliberada de olhar a o serviço de saúde. A a nossa a saúde pública no município, ela é vista como uma mercadoria. Saúde não pode ser vista dessa forma. a gente tem um sistema Único de Saúde, um dos maiores sistemas de saúde pública, referência mundial inclusive, né, que tem uma abrangência e gigantesca. Não tem como hoje no no Brasil, mesmo se uma pessoa tem convênio médico, ela não usar em algum momento o SUS, não tem como, né? Por exemplo, a vacinação, convênio médico não dá vacina, só se você pagar, né? Então, quem quem precisa de qualquer vacina, vacina de COVID, tem que ir no centro de saúde tomar vacina de COVID. Mas o que a gente tem visto é um modelo de gestão que privatiza a educação, a saúde, de privatização, serviços estratégicos dentro da saúde, eles são privatizados e muitas vezes usando como justificativa para resolver, por exemplo, o tempo de espera. Então eu tô cansada de escutar aqui dos gestores centrais da saúde dizer que olha nós vamos terceirizar o serviço da UPA, por exemplo, porque a gente tem problema com os médicos. Porque quando fala de terceirizar é desde o atendimento na recepção até o médico. É isso. É tudo sim também. Mas só que muitos falam assim: "Ah, nós vamos ter só que as muitas vezes qual que é a estratégia deles, né, a tática deles? Eu vou terceirizando aos poucos. Então, terceirizo primeiro a farmácia, eu terceirizo depois a recepção, terceirizo. Isso, isso é um problema sério. Por quê? Eu vou explicar porque toma. Ah, mas o povo quer ser atendido. Realmente, o povo quer ser atendido, só que o povo não quer morrer. O povo quer ser atendido e quer ter a garantia de ser bem atendido, que é um direito. Então, nós estamos falando, por exemplo, de um centro de saúde na região do Campo Grande. É uma região precária, uma região vulnerável, uma região que apresenta eh, enfim, uma uma realidade social, econômica, que merece ter um olhar atento. Logicamente que essa população dessa região vai apresentar patologias, doenças muito diferentes de um da população que mora no Cambuí, que come bem, que tem acesso, né, a a lazer, que tem acesso a serviços que vão garantir uma saúde melhor, uma qualidade de vida melhor. Então, quando você tem um profissional eh competente, capacitado, não é um profissional recémformado, não é um profissional mal pago, esses serviços de terceirizados, né, de empresas terceirizadas, eles pagam muito mal os profissionais e aí tem um rodiziamento constante. Esse rodío de profissionais, eles prejudicam muito o atendimento na saúde. Então, por exemplo, um profissional novo que vai atender uma pessoa lá do Campo Grande que não conhece a realidade social, econômica daquele lugar, né, como que a cultura daquele povo, enfim, os tipos de doença que ele pode, que ele vai ter mais eh vai se deparar com maior frequência ali nos atendimentos. Isso tudo impacta muito, assim como recepção, porque a grande briga nossa que é do serviço público é ter o vínculo tanto com o usuário como com os alunos, enfim, é ter esse vínculo direto. Na saúde é a mesma coisa. Na saúde a gente precisa ter profissionais dentro do centro de saúde que conhece que a dona Maria da rua 10 do Parque da Floresta, ela ela já teve um AVC, ela tem uma situação complicada com o filho e eh que ela é que ela fica doente, que ela fica nervosa, que ela fica com com a pressão alta, que ela tem diabétices, que ela não pode comer não sei o quê. Então assim, isso daí pra gente é extremamente importante para que possa ter um bom atendimento, atendimento acompanhado, né? Enfim, quando você tem um processo de terceirização, isso não acontece. Isso é interrompido. Cada hora aparece um médico novo. Cada hora e cada hora a o paciente tem que falar: "Ó, eu tive isso, tive isso, eu já tomei tal remédio, já fiz tal intervenção cirúrgica". Enfim, então isso eh complica muito e nas UPAs não é diferente. Ah, eu tenho a mais absoluta certeza e falo isso com muita convicção, o profissional do SUS, ele tem um acúmulo de conhecimento muito grande. Ali é uma escola gigantesca de aprendizado. Quando você pega empresas que pagam mal e que tm esse rodízio constante, você não pega profissionais preparados para atender aquela população tão vulnerável e que precisa desse atendimento específico de qualidade. E não resolve a fila. A fila continua. Hoje as UPAs de Campinas estão terceirizadas. A fila, o tempo de espera continua, a população continua reclamando e nada disso é resolvido. Pois bem, como que a gente tem feito essa questão das nossas emendas, Mirna? Eh, para quem não sabe, o vereador de todo vereador de Campinas, eles ele pode destinar, né, 1,2% do de do recursos das do orçamento, né, do orçamento municipal. E 50% desse 1,2% é obrigatório destinar para a saúde. O nosso mandato faz o seguinte, nós conversamos com, nós dialogamos com o Conselho Municipal de Saúde, que tem um olhar, um mapeamento da saúde como um todo, da cidade como um todo, e ele sabe onde que que precisa ir esse esse recurso. É porque essa essa sempre foi uma uma preocupação nossa de parlamentares, políticos que usam a emenda impositiva para alimentar os seus curral eleitoral, né? Então, ah, eu só vou mandar pro bairro tal porque é onde eu tenho meus votos, né? sendo que a saúde ela tá em toda a cidade. Obviamente que o a pessoa do bairro aonde o vereador mora, eh em algum momento ela vai frequentar UPA de ela vai ela vai pro Marugate, ele acaba tendo mais acesso ali, né? Exatamente. Só que a saúde, por exemplo, exame, muitas vezes ele tem que sair daqui para fazer exame lá no no Hospital Ouro Verde. Eh, quem mora, por exemplo, no Jardim São Fernando, se tem problema eh no dente, uma dor de dente num domingo, ele tem que sair lá de São Fernando para ir lá no Ouro Verde. Então você tem que olhar a saúde como um todo, né? Tá? Então o como que a gente faz? Nós dialogamos com o Conselho Municipal de Saúde e junto também com o movimento popular de saúde, o MOPS, que acompanha isso. E a gente abre um um diálogo com esses segmentos para que eles conversem com cada conselheiro local e esses conselheiros locais dialoguem dentro do centro de saúde para que a gente possa destinar o do bairro pro municipal. É, veja, exatamente, por exemplo, o Conselho Municipal de Saúde procura o conselheiro local de saúde. Então, o conselho, o conselheiro local de saúde lá do do Parque da Figueira vai falar lá no com a coordenação do posto, com o pessoal lá, qual é o o lugar que a vereadora tem que colocar recurso. Ah, tá precisando de uma cadeira de ginecologia. Aí eles trazem essa demanda pra gente, a gente vai e destina. precisa comprar uma cadeira para as mulheres fazerem exame de ginecologista, entendeu? Então assim a gente tem feito e aí o que acaba acontecendo? O os nossos recursos tá indo pra cidade inteira, certo? Cidade inteira e até projetos, por exemplo, tem projetos que eu vi bem de perto que eu fiquei bastante feliz, foi a questão de eh da terceira idade, de garantir, tem centros de saúde que fazem trabalho com idosos, que é uma área que é um olhar que todo mundo tem que ter, né? população tá envelhecendo muito, né? E aí eles têm um projeto de tirar essa população de dentro de casa, garantir mobilidade, saúde mental. É um trabalho na área da saúde mental, do acolhimento, tirar esses idosos da situação de de violência, de confinamento que eles vivem. A gente destinou também recursos. eles eh conseguiram alugar ônibus, passeio, enfim, tem isso. Agora também teve nessa última agora eh a bancada de esquerda como um todo destinou recursos para comprar um tomógrafo lá pro hospital Ouro Verde. Só tem um agora. Então se ele quebra não tem mais exame. Não tem mais exame, né? E a lista de espera é gigantesca. Então, a gente também destinou recurso para para essa política pública. Enfim, a saúde é uma é um é uma área eh que a gente tem bastante respeito, cuidado e compromisso, porque a gente sabe que recurso público da saúde é o recurso certo, mas tem muita gente de olho nesse recurso, muita gente, muito, muito empresário, inclusive empresário picareta de olho nesse recurso. E a gente não pode deixar que a saúde seja um serviço ruim, porque é para a população mais pobre, pelo contrário, tem que ser um serviço eh importante, adequado, para garantir a vida da nossa população. Outras duas pautas importantes também, que inclusive você usa muito a tribuna para isso, vereadora, questões de violência contra a mulher e também as questões em relação ao racismo como um todo, especialmente na nossa cidade. Fala um pouquinho desse posicionamento e hoje como que tá lutar por isso aqui em Campinas quando a gente fala aqui em usar o parlamento, em ter essas ferramentas para isso. A violência contra a mulher é uma hoje tem sido uma epidemia, né? Eh, assim, eu até tava falando esses dias, tava tá tava difícil até de abrir a rede social. Cada hora que você abre, você vê a a denúncia, a informação chegando de que uma mulher morreu, né? E na sua ampla maioria essa morte acontece pelo companheiro, companheiro ou ex-companheiro dessa mulher. Muitas dessas afetam os filhos também, porque a criança acaba sendo uma vítima secundária ali também. Exatamente. Tem uns que matam inclusive os filhos, né? Tem uns que matam os filhos pra mulher ver que ele matou o filho dela. Ah, inclusive hoje a gente teve isso numa rede social que na rede social não, um caso desse que apareceu noticiado que era o castigo para ela. Para ela. Tudo porque o homem acha que ele é dono da mulher, né? Então, se a mulher não pode ter opinião própria, a mulher não pode ter vontade, né? Ele ele ele acha que ele tem posse e propriedade, né, do corpo da mulher, né, daquela pessoa. Eh, e isso tem avançado assim de forma avacaladora. Eu tenho uma opinião e digo isso com muita tranquilidade, que é essa política de ódio, essa política machista, misógena, que é ódio às mulheres, né, que tem se ampliado muito na sociedade brasileira, não só na, mas na sociedade mundial. A gente, eu tava uma vez acompanhando uma entrevista da ministra das mulheres dizendo o quanto que eles têm que perseguir na internet aquelas páginas, né, de de macho de de machistas ali e o quanto eles destilam. Olha, hoje o que a gente eu tava até conversando hoje com com uma amiga que ela falou assim: "Ah, eles acham que a gente é burra". Tipo assim, o marido acha que eh a sua esposa não consegue pensar por si, não pode ter opinião, tem que seguir toda a regra que ele quer, que não pode discordar, enfim. Então isso tem sido algo eh extremamente preocupante. Então, por conta, né, desse ódio eh e dessa e também dessa desigualdade de gênero, a gente tem avançado muito nessa questão da violência. A violência ela não chega eh de na maioria das vezes o cara vai e já te mata, ela vai dando sinais, né? Então no no relacionamento, relacionamento tóxico, um um relacionamento abusivo, muitas mulheres acham que tem que continuar naquele relacionamento porque Deus quis, porque é assim mesmo, porque o homem é assim mesmo, não é assim mesmo, né? Que tem que ter paciência, tem que ter paciência que um dia ele vai mudar, ele não vai mudar, né? Só vai piorar. E aí, e muitas vezes a gente até demora para entender que a gente tá sofrendo violência, a gente tá tão acostumado, né? É uma é um é um comportamento meio que já vem as muito, né, de descendência. Quantas mulheres já nasceram num lar violento, né, que viu o pai sendo violento, machista com a mãe e acha que é assim mesmo, né? É, hoje meu pai tá velho lá quietinho, então um dia vai acontecer isso, tá tudo bem. É, passa pano, né? a gente vai passando o pano e não é bem assim que que tá acontecendo hoje. Eles estão tendo uma uma liberalidade, uma aprovação para cometer esse tipo de absurdo que que a gente tá vendo. Então essa é uma política, essa é uma área de muita importância para nós e que a gente tem que continuar perseguindo, denunciando, apoiando estabelecendo redes de proteção, redes de apoio para que essa mulher saia daquela condição de violência, alertando as mulheres, dialogando mais com elas, falar: "Isso não é comum se o cara ficar eh reparando qual é a roupa que você veste, o que que você fez hoje, exigindo que você tenha tal comportamento, né? enfim, que você não tenha vida própria, que você não trabalhe, enfim, isso não é um comportamento normal, né? Isso não é um comportamento normal. Então, isso é algo que a gente precisa buscar muito. E na política, eh, nós que somos mulheres, a gente tem a obrigação dessa agenda. Obviamente que nós somos, não só somos nós, é todo mundo, qualquer qualquer parlamentar, homem, qualquer autoridade tem a obrigação de eh colocar essa agenda como uma agenda de prioridade. Mas nós mulheres também temos que, porque a gente sabe que muitas vezes nós somos referência para muitas mulheres e por isso que a gente tem que que brigar muito para que a gente possa ter mais política pública, mais investimento, mais financiamento, porque isso a gente não combate isso sem financiamento, sem recurso. Então, a gente precisamos ter mais casa de abrigo, mais políticas públicas, eh segurança para essas mulheres. Isso, isso tem que entrar na agenda da pauta da segurança pública. Até por conta disso, Guida, só um adendo. Eh, outro dia eu tava vendo uma discussão inclusive em torno de efetiva eh eficiência, por exemplo, da medida protetiva. Mas não é a medida protetiva, é o que acontece a partir da medida protetiva. Se você não tem ali um programa que vai proteger aquela mulher, que o se ela acionar em poucos minutos a guarda ou a polícia vai chegar na casa dela onde ela estiver, dentre outras coisas, aí o papel no caso ele acaba sendo uma medida e e você vê é uma é algo tão tão assim, né? Eh, sacana, perverso mesmo, falar assim: "Olha, não adianta você fazer medida protetiva porque não vai te ajudar em nada. Vai até piorar o quanto de mulher que morre." Mentira. Primeiro que não é os dados não revelam isso. Os dados dizem que realmente que a mulher eh as que mais morrem são as mulheres que não fizeram nenhuma denúncia não ter medida protetiva. Primeiro, mas é óbvio que a medida protetiva, o papel só não vai resolver. A gente precisa ter políticas públicas, precisa ter agentes públicos destinados para essa agenda, para essa pauta. Exatamente isso que você diz. Aqui em Campinas, eu acho que a gente tem um programa legal que é o guarda amigo, amiga, amigo da mulher, né? Sim, a gente tem isso, mas obviamente que isso também é pouco, né? Diante tem uma casa abrigo em Campinas, é, tem uma casa e a gente precisa, nós precisamos ampliar isso porque a gente precisa chegar nessa mulher porque veja, a maioria das nossas mulheres estão apanhando dentro de casa, estão sofrendo dentro de casa. Umas não sabem que isso é violência, acha que isso o homem tem autoridade para fazer isso, né? e outras têm medo até de denunciar e dessa denúncia depois vir, né, a morrer. E a e e a questão econômica também. Sim, nós temos ainda mulheres que têm medo porque acham que não vão conseguir nem se sobreviver e nem garantir a sobrevivência dos filhos. Então, eh, a gente, nós precisamos estar mais atentos a isso. No estado de São Paulo, por exemplo, esse ano, primeiro que o orçamento de 24 para 25 não foi o orçamento público paraa Secretaria da Mulher, não foi totalmente investido, foi o que foi aplicado foi muito pouco, né? O recurso da Secretaria da Mulher foi usado para outros outros fins e e o orçamento de 25 para 26, ele reduziu ainda em 50% disso e e o estado de São Paulo registrou um número altíssimo de feminicídio, né? o governador do estado eh comemora dizendo que teve uma melhoria na questão de furtos, de roubos de celular, mas ele não fala nada do número de de feminicídio. O governo federal também eh teve muita dificuldade nessa nessa pauta, nessa agenda. No entanto, o presidente Lula duas semanas apresentou um programa nacional que é o Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. E esse pacto ele tem, ele faz com que as diversas áreas, né, sejam transversais nesse tema. Ou seja, tá todo mundo obrigado agora a acompanhar isso. Educação, saúde. Exatamente. Obrigação. Por exemplo, a gente tem um um problema sério na educação, que eu sempre falo, a gente vê muitas vezes a criança sendo vítima de violência. A gente vê que a mãe muitas vezes leva a criança lá com a cara quebrada e a gente finge que não vê. Tá tudo ah, tá, né? A às vezes, ai caiu bati na pia. Mentira. A gente sabe que é mentira. Que essa é é a desculpa clássica. Ah, caí bati na quina da pia. É clássico isso. Então, e aí muitas vezes a gente não faz nada. Eu, a sociedade tem que começar a se responsabilizar coletivamente por isso. Não dá mais pra gente pra gente se silenciar. aquela história de briga de marido, mulher, ninguém mete a colher, isso é para continuar a perpetuar essa violência e os homens continuarem matando as mulheres. Então, é importantíssimo eh que nós vereadoras, vereadores, enfim, estejamos atentos, fiscalizando o executivo se de fato está priorizando essa pauta e já emendando com racismo. A luta racial também é racial é grande, né? É, é absurdo que a gente viu eh essa semana na cidade de Campinas. Na verdade, o caso aconteceu final de dezembro ali, no mês de dezembro, né? Sim. Mas só veio à tona da grande mídia essa semana e causou bastante impacto, né? Que foi a história do do Rodnei, né? Que um trabalhador porteiro de uma escola particular na escola objetivo. Ele foi vítima de racismo dos alunos. quando ele foi procurar a escola, enfim, e reclamou sobre o que aconteceu com ele, a escola como medida demitiu. Eh, isso é uma é uma demissão eh discriminatória, né? É uma demissão eh autoritária absurda, que a gente não pode aceitar de forma nenhuma. E teve todo um levante. Hoje, inclusive, teve um ato que foi um ato bastante bonito na cidade. O nosso mandato, nós fizemos, eu a vereadora Paola, uma moção, uma moção de protestos contra o que aconteceu com o Rodney. Ofertamos ajuda, inclusive ajuda jurídica para ele. já tá sendo assessorado por um advogado e a gente a gente continua aqui, né, enfim, disponibilizando apoio jurídico para poder acompanhar, enfim, né, ser também um canal ali de eh de consulta e acompanhamento. Eh, e é uma pauta que a gente precisa ainda continuar apostando na na cidade de Campinas. A cidade de Campinas é uma cidade maravilhosa, que a gente ama, né, que a gente luta para que ela seja mais humana, mas infelizmente quando a gente vai ver o inventário da nossa cidade é um inventário muito racista, né? Sim. E mas aqui também, apesar de ter sido muito racista, né, dizem que foi a última cidade abolir a escravidão. Eh, os negros tinham que andar num lado da rua e os brancos tinham que andar no outro, né? E enfim, mas ao mesmo tempo foi uma cidade que teve muito apagamento contra os negros, mas também foi uma cidade que forjou muitos lutadores e lutadoras negras, né? e muita coisa que tem na cidade que talvez muita gente não saiba, justamente devido a esse trabalho dos negros que nos antecederam aqui. Exatamente. Por exemplo, eh, nós temos uma referência mundial que é Laudelina de Campos Melo. Laudelina não nasceu em Campinas, mas a grande trajetória dela de mulher militante, sindicalista, ela se faz em Campinas, né? Então, Laudelina, ela tem uma história com Campinas assim, né? É muito interessante. É daqui que essa mulher é forjada para o mundo, né? Laudelina é mas ela eu acho interessante justamente quando a gente fala de laudelina porque a gente tem até eh antecessores, não tirando o mérito de cada um, mas antigamente tinha uma coisa que, principalmente na história, quando a gente fala dos homens, apesar de serem afrodescendentes, eles escondiam um pouco em função daquela. Ela não, ela, olha, ela se reafirmava. É, é totalmente oposto. E ela tinha uma uma atividade que ela fazia. Primeiro, ela, gente, eu conto de Laudelina, eu eu fico emocionada. Ela ela tinha um um baile que ela fazia, é o baile Pérola Negra, né? Bainha Pérola Negra, que era um baile para eh potencializar a autoestima da mulher, porque das meninas, das meninas, né? Das meninas negras. Por quê? Porque a gente vem de uma trajetória que ser menina negra, mulher negra, a gente não tava no padrão, né? Porque o nosso cabelo é é era ruim, né? Uma menina negra vestida de princesa, como né? Como, né? Então o cabelo nosso é ruim, então já tem esse estigma, né? De cabelo ruim, como se tivesse um cabelo bom. Então o cabelo do negro é ruim, então era um cabelo feio. As nossas marcas é feia, né? Então as marcas que a gente carrega, né? que que chegam sempre primeiro. Então o o nosso nariz alargado, a nossa boca, o nosso cabelo é tudo feio, né? Então era tudo feio. E Laudina não, ela trabalhava autoestima porque ela sabia que a questão da autoestima é fundamental para nos trazer enquanto meninas e mulheres autoestima, confiança, condições. Não. E naquela época fazer aquele baile em clubes da cidade que a maioria fechava as portas. Era uma provocação pra elite, né? Sim, Laudelina também potencializava e valorizava a questão da educação. Ela falava: "A as uma menina, uma mulher tem que estudar, não pode, tem tem que se alfabetizar, tem que estudar, não pode abrir mão desse direito." Laudelina era maravilhosa, né? Eh, então, veja, Laudelina sempre orientava as trabalhadoras domésticas, porque veja, ela, a Laudelina, ela organizava greve de trabalhadora doméstica. Você imagina uma trabalhadora que trabalha numa casa aqui, outra casa aqui, outra casa aqui, uma trabalhadora naquela época não tinha carteira assinada como não tinha legislação para isso. Não, de jeito nenhum. Isso veio só com a Constituição de 88 e até hoje não tem e até hoje não, né? Muitos não assinam as carteiras. Depois e Laudelina conseguia fazer greve de trabalhador. A gente muitas vezes sindicalista não consegue parar uma escola inteira. Laudelina fazia, conseguia as trabalhadoras fazerem greve, né? E Laudelina sempre orientava: "Não assinem nenhum papel em branco, não acreditem qualquer coisa, vem aqui no sindicato conversar com a gente, nós somos referência para orientar vocês." Então, quer dizer, essa mulher, né, é uma, sabe, é é muito à frente do do seu tempo. Eu tava ouvindo outro dia um podcast que passa uma entrevista dela, né? É, assim, sabe? E era firme, era na linha justa assim e era respeitada. um exemplo pra gente nessa pauta. Muito. Então quer dizer, então apesar da gente estar nessa cidade que carrega tudo isso, a gente tem uma laudelina, a gente tem Armando Gomes, que foi um sindicalista anaros sindindicalista negro, que comandou aqui uma ação na batalha da porteira do capivara na nossa cidade. Eh, a gente tem aqui Campinas, teve a passagem de Luiz Gama, que teve uma uma intervção na cidade importantíssima. Enfim, nós temos vários, né, lutadores, nós temos várias famílias tradicionais aqui, por exemplo, a família dos Baltazar, né, dos Pompeu, dos Lourenos, que são famílias tradicionais negras, né? Nós temos aqui eh a história da escola eh do do Antônio Cesarino e da sua da sua esposa Balbina, que foi os primeiros que permitiram que meninas negras pudessem ser alfabetizadas, que elas não podiam sentar no banco de escola, né? E elas permiti, e eles permitiram, eles eram uma escola para atender, né, a elite ali no Cambuí, mas eles abriam uma sala para atender meninas negras para poder ser alfabetizado. Então assim, é uma história rica, né, de luta, de resistência e a gente continua ainda nesse processo. Então, para nós, essa é uma pauta também é extremamente é importante, uma pauta central, porque eh em tempos de ódio, em tempos de avanço da extrema direita, vai ter sempre aquele que vai que vai falar que o racismo não existe. E existe sim, vai sempre querer eh apagar a nossa importância, né? vai sempre querer nos diminuir. Eu tava vendo que esses dias eu tava vendo também uma reportagem, a primeira mulher negra a acessar a como que chama? O o Instituto Brasileiro, né, de ah, esqueci agora, gente. Academia Brasileira de Letras, né, Nacional. Foi agora, foi o ano passado, né, que a gente teve a primeira mulher que acessou, sendo que foi um espaço inaugurado por Machado de Assis. E o próprio Machado de Assis era um homem negro que passou por um processo de branqueamento, né? Eu vim, eu vi, eu vim saber também, eh, lendo que na própria certidão do Machado de Assis, ele tá registrado como pardo, um homem negro. E quando ele morre, ele tá registrado como um homem branco. Olha só. Por quê? Imagina como assim. que os negros têm um Machado de Assis. Teve um escritor, um autor, né, do tamanho de Machado de Assis, não pode ser, só pode ser um homem branco. Então, quer dizer, o racismo existe sim e a e a e a origem dele é na origem institucional, é institucionalizado, né? Ou seja, nosso tempo, infelizmente, acabou, Guida, mas tem muita coisa para fazer, muita coisa para fazer, muita coisa para conversar, muita coisa para discutir, muita coisa para avançar, mas a gente vai continuar, tá certo? Então, muito obrigada e eu já deixo um convite aqui para uma próxima oportunidade, Guida. Eu agradeço, agradeço a equipe toda de vocês aqui da TV Câmara a oportunidade da gente ocupar esse espaço e e conversar, né? Tá certo? Então, obrigada. Óleo na Casa do Povo fica por aqui. Lembrando que você pode acessar lá na playlist do youtube.com/tvâiracampinas as outras temporadas, inclusive com a participação da Guida, falando de outras histórias, seu início na política, sua vida pessoal e tudo mais. Então a gente te espera até um próximo na Casa do Povo.