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Algumas histórias começam com uma ideia e se tornam realidade quando encontram quem acredite nelas. Em Campinas, foi assim que começou a trajetória do Conservatório Carlos Gomes em 1927. Observatório surgiu da iniciativa da [música] minha família, né, a vontade da cidade de ter uma escola, um conservatório. [música] E por sorte minha bisavó era engajada, né, na na cultura de Campinas, no crescimento da cidade e incentivou um filho a pegar e e abrir essa escola junto com mais dois italianos. E ele se manteve até hoje, passou pela minha mãe, né, muito tempo. Meu tio ficou 35 anos, então, e faz 6 anos que eu tô à frente dele, né? Do sonho de um compositor campineiro, nasceu uma escola que atravessa gerações e que há quase um século continua escrevendo novos capítulos. 27 fazia uns 30 anos que Carlos Gomes havia morrido e ele já era considerado um gênio e um orgulho, né, para pra cidade, [música] que ele foi o primeiro brasileiro a ter uma repercussão internacional, né, fazer sucesso na Itália com ópera. Então ele era um nome muito forte. Então, fazer um conservatório, o primeiro conservatório da cidade, não levar o nome dele, eu acho que não teria sido possível, né? Então, acho que [música] a época deve ter sido o primeiro nome, a cabeça que veio [música] e a família lutou e luta até hoje. A gente tá lutando para para dar continuidade a ao nome dele. A primeira sede ficava na rua Regente Feijó, na Casa de Chocolate. Depois o Conservatório passou por outros endereços, como a Rua José de Alencar, até chegar ao local onde funciona hoje, no bairro Jardim Santa Cândida. Quem conhece Campinas conhece o Conservatório Carlos Gómes. Eu acho assim, o campineiro, quem nasceu aqui, eh, tem de alguma forma o conservatório tá ligado com a vida dele, ou avós ou tios, ou irmãos, ou ele próprio estudou, porque o número de pessoas formadas aqui, né, pelo pelos cursos técnicos e profissionalizantes e pelos cursos livres, muito maior ainda. Então, a memória realmente está na vida de cada uma dessas pessoas. Atualmente, música, teatro e dança fazem parte da formação oferecida pela instituição. A gente começa desde, se se a criança quiser vir com um ano de idade, ela já tem o curso de bebês, né? E, e a gente fica cheio de de alegria assim de ver que já tem vários bebês que já tão frequentando o curso de iniciação, que daí já começa com 4 anos. Então, como esse curso já tem desde que já tem uns 2, 3 anos, né, eu peguei a a direção faz uns seis, então elas vão passando paraa iniciação. Da iniciação vão indo pro pré-teórico. Iniciação artística tem os três cursos, então tem [música] teatro e circo, artes plásticas e música. Então eles já vão conhecendo o universo da arte, né, como se expressar. Então, é uma coisa que que dá muito certo, né? Foi uma uma descoberta, alguma coisa que minha mãe recebeu há muito tempo atrás, desde ela pegou em 61, em 64 ela já montou um curso infantil completíssimo, [música] né, como esse de agora, juntando todas as áreas para buscar a sensibilidade da criança, né? [música] Depois disso, então daí tem os cursos livres, a criança começa a pegar um instrumento para para estudar, fazer uma teoria um pouco mais elaborada e e no próprio instrumento ela já vai crescendo. E depois a gente tem os cursos técnicos, né, que da nas três áreas que é de dança, música e teatro. Muita gente sai já meio que encaminhado porque às vezes eles entram e falam: "Nossa, será que dá para para eu viver disso?" professores, traz exalunos que virar profissionais, que vivem da música, vivem do teatro, vivem da dança para encorajá-los. Se realmente essa forção, você pode, você consegue. Que bacana. E você falou que tem alunos de diferentes idades, que eles começam ali criancinhas e podem seguir até terceira idade, quem sabe, não é? Porque o como tem o curso livre de instrumento, a gente pode dar aula de qualquer instrumento aqui. Então você chega, nossa, Lara, eu vi que eu eu sempre achei que eu tive jeito para canto, posso começar agora? Pode, entendeu? Então, a gente tem alunos aqui, tem uma aluno de com mais de 80 anos que faz aula de canto. Eu tiver uma donila que começou também com 78 anos fazendo aula de violino. Então, sabe, não importa a idade, pr pra arte é sempre vai tá sensibilizando quem tiver começando. Não importa a idade. A história do conservatório [música] não está apenas nos espaços que ele ocupa, mas também nas pessoas que passaram por ele e seguiram diferentes caminhos. [música] Nesses anos de trajetória, né, do conservatório, tem alguma e história de aluno que você vê que seguiu na carreira, que se destacou? [música] Muitos, muitos. Isso tudo a gente quer contar no livro. Tem muitos professores de universidade, tanto no Brasil como fora do Brasil, de todas as áreas. Na dança tem no Rio de Janeiro, tem em Curitiba, [música] tem no Rio Grande do Sul, tem na em em ai como é que é o nome? O Paulo Stinberg que tá lá nos Estados Unidos. Tem a Daniele Gugelmo que tá na Bélgica. Tem o o ex-aluno meu do Veloncelo Guilherme que tá na orquestra de Bamberg. Tem Luís Gustavo Mascaro, que é violinista popular na Holanda. Maravilhoso também. Gabriel Marim na viola. Gente, é muita gente assim, eu vou até parar de falar porque tem muita gente. Sim. E e que tudo isso eu quero tá colocando no livro, né, para Sim. E ver também [limpando a garganta] esses alunos que seguiram a carreira, o seu próprio caminho. Você sente orgulho também desse? Muito orgulho. Muito orgulho. [música] Sim. Eu eu tem muitos que assim eram meus colegas, alguns foram que alguns já, né, já foram alunos e estão todos profissionais agora. Então imagine minha mãe, né, que ficou muito décadas aqui e foi vendo tudo isso também. É, é um orgulho grande, né, pra gente, porque você se se eh ah você se realiza também através de [canto] de quem você, porque eu, por exemplo, criança, eu recebi muito da minha mãe, eu entendi o que era arte, eu via muita peça do teatro, eu via [música] muito espetáculo, eu recebi toda essa informação, quem foi Carlos Gomes? não é simplesmente uma estátua que tá na praça. Eu ouvia a música dele, eu tocava na bandinha a música dele. Então eu recebi muita coisa, né? E tudo isso eu assimilei, guardei e eu acho que esse negócio feio na hora certa, essa coisa de pegar o conservatório agora, depois já bem mais madura, que é a hora que eu sinto que eu tenho que entregar para esses alunos, né? Olha, o conservatório é uma é uma vida que a gente não pode nem explicar porque ele forma, ele informa transforma. Uhum. Então eu aprendi [música] música no conservatório e para viver da música até o final da vida. Uhum. E então eu me orgulho muito do Conservatório Carlos Gomes. É um nome que eu carrego com carinho, com amor. Fui colega da Leia como diretora. Ela era estudante [música] também do conservatório, então tive oportunidade de viver com ela e conviver. Uhum. É isso aí. E você ingressou para estudar aqui com 14 anos da piano. É isso. Piano. Eu entrei no quarto ano de piano. E como que era o conservatório? Ele mudou muito de lá para cá. Como que era aquela época? É, cara, era completamente diferente. Nós estávamos ah no quarto ano de piano, era o quarto, quinto, então a gente a gente frequentava o conservatório durante quase toda a semana, porque um dia era para teoria, um dia era para harmonia, história da música, pedagogia, cantor, orfeão naquele tempo, né? E de a cidade também era diferente. A gente vinha de bonde, tomava o bonde na cidade. Então, e depois com a legislação estadual, o conservatório foi mudando. Ele mudou de curso técnico de piano para instrumento musical, depois instrumento musical e canto, depois foi criado o curso de teatro, depois o curso de dança pelo estado de São Paulo. Uhum. E assim a legislação foi mudando. E para você que conhece o Conservatório já há bastante tempo, [música] eh, estudou aqui e agora retornou para trabalhar, para você, na sua opinião, o conservatório é Campinas que deu certo, faz parte da cidade, do Brasil? Faz, faz parte do mundo. O conservatório é universal. Uhum. Ele é uma é uma coisa que ele está plantando vidas artísticas no mundo inteiro. Al, a Lara acho que já falou, nossos ex-alunos estão viajando. O último agora que nós tivemos notícia está como eh regente auxiliar da Orquestra Sinfônica de Natal, representando o Brasil na China. Então é uma coisa fantástica o conservatório, onde você fala, acho que no mundo inteiro sabe quem é o conservatório, o que é o conservatório. O tempo ampliou as possibilidades e trouxe novas gerações para dentro da escola. Agora estou aqui com o Luís Fabiano Nascimento, de 10 anos, que estuda aqui no Conservatório Carlos Gomes. Quando que você começou a estudar aqui? Você toca qual instrumento? Eu tô com piano e eu comecei em [música] 2023. Uhum. tr anos tr anos atrás, né? Atualmente você tem 10 anos, então você começou mais novinho. Como que foi para você essa experiência de aprender a tocar um instrumento? Você gosta também de aprender? Eu gosto de aprender. Antes eu falava muito na aula. Uhum. Agora eu tô menos falo menos, né? Uhum. Mas você já percebeu que desenvolveu bastante assim sua aprendizada? Hoje em dia você acha que você toca bem? Eu acho que desenvolviu. Uhum. Desde a primeira vez que eu vi. É. E você gosta também de de aprender aqui no conservatório? Eu gosto. [música] [música] Eitor, qual instrumento você toca? Violino. Você gosta também de aprender aqui no conservatório? Tem muito tempo que você estuda aqui? Não. Quando que você começou a estudar aqui? um ano, né? Uhum. E que que você já sentiu que aprendeu assim? Você começou aqui do zero, não sabia nada sobre o instrumento? Não. E você sentiu que nesse um ano você conseguiu aprender bastante? Senti. Que que você espera pro futuro? Você quer seguir na carreira como músico? Quero seguir na carreira como músico e se tornando um grande violinista. Que bom. Perfeito. Muito obrigada. [música] E o que foi construído até aqui também abre espaço para o que ainda está por vir. Sou atropelada pelo futuro. O futuro tá é essa vivência do dia a dia, né? Ei. Por isso que eu tenho que sempre confiar em quem tá olhando pro futuro para mim, porque às vezes eu fico, opa, deixa olhar. Mas por isso que é bom o Silas tá aqui para ele ficar, não, vamos olhar, vamos, vamos pra frente, mas pra frente carregando essa bagagem. Por isso que eu acho assim, 100 anos para mim é um marco assim que eu vou organizar. Uhum. O fato de estar tudo num livro foi uma coisa que minha mãe nunca fez, de organizar, ver quantos alunos tivemos, como como que onde estão os alunos até aqui. Pronto, organizado isso, a gente põe todo esse material num acevo ou aqui dentro ou na Unicamp ou em algum lugar e pronto, está organizado. A partir daí é futuro. Exatamente. Conservatório Carlos Gomes. Uma história que continua viva e é Campinas que deu certo. [música] [música] [música] [música]