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e TV Câmara Campinas. Boa noite pra mim é uma grande honra tá aqui em mais essa reunião da Frente Parlamentar de Enfrentamento HIV AIDS, hepatites virais e outras ISTs e E hoje com uma temática tão importante, simbólica, que mais do que simplesmente, vou colocar simplesmente, a comemoração de 40 anos do Núcleo Nacional de Cidadãs Positivas, 21, olha, já dobrei, já. É isso mesmo? Mais do que os 21 anos, hoje a gente vai focar na temática a partir do que são as mulheres que vivem com HIV hoje. E acho que é muito importante a gente falar sobre os estigmas, sobre acesso a tratamento, como que são as vulnerabilidades, os preconceitos. E para isso, para me ajudar nesse diálogo, vamos começar hoje com a Lilian Mussi, que é do Fórum de ONGs de AIDS do Estado de São Paulo. Além disso, o Josué Lima, que está representando o Centro de Referência em ST HIV AIDS. E também a Fabiana de Oliveira, que está representante do MNCP, Movimento Nacional das Cidadãs Positivas. E antes de a gente começar, de fato, eu não poderia deixar de agradecer a Ana Lúcia, maravilhosa, a nossa violinista, que fez essa apresentação para nos acolher, para chamar a nossa atenção e aquecer também essa noite fria. E, gente, eu acho que é muito significativo a gente estar aqui nessa noite, porque muitas vezes, quando a gente pensa em mulheres vivendo com HIV, a gente tem muita dificuldade de encontrar pesquisas sobre isso. Quais seriam os métodos contraceptivos para além da camisinha? Existem estigmas? Como que fica a questão das gestantes, da amamentação? E acho que tem várias coisas que muitas vezes a gente lida no dia a dia quando a gente fala das mulheres, mas quando a gente pensa de mulheres com HIV, a gente não consegue pensar sobre isso. E um dado que tem chegado muito para a gente é de como muitas mulheres são infectadas, mesmo tendo relacionamentos longos e duradouros, e que isso vem justamente dos seus parceiros. Até mesmo a população idosa hoje, ela tem sofrido com as ISTs. E para a gente poder dialogar sobre isso, eu acho que seria significativo. Tem alguém que quer começar? Então é com você mesma. Então aqui a Fabiana, que está representando o MNCP. Eu acho que seria muito significativo contar um pouquinho do que é essa organização, do que é esse movimento, como ele começou. e também trazer um pouquinho sobre esses dados e como tem sido nesses 21 anos de enfrentamento e acolhimento, principalmente, de mulheres. Eu sei que vocês estão aqui não só para essa atividade, então, se quiser divulgar também a atividade, pode também fazer essa divulgação. Posso fazer uma sugestão? Posso fazer uma sugestão? Eu acho que, como essa mesa... Quebrando protocolos já. É uma mesa de boas-vindas mesmo para todos Eu acho que seria legal a gente ouvir o pessoal do CR, o fórum de ONGs Porque depois a gente tem uma apresentação também Talvez tomaria um pouco mais de tempo, tudo bem? Fechado Vamos começar então com o nosso grande conhecedor municipal aqui, o Josué Que ele foi coordenador do Centro de Referência durante muitos anos e atualmente é o nosso coordenador de política de HIV AIDS aqui do município, que hoje está representando também o centro de referência de STs aqui do nosso município. Josué, quero mais uma vez agradecer a sua presença aqui conosco. Acho que é sempre valoroso e que a gente possa cada vez mais construir, estabelecer essa parceria com o centro de referência, principalmente de fortalecimento das políticas. Muitíssimo obrigada. A palavra está com você. queria agradecer essa oportunidade na verdade eu achei que ia mais sentar aqui ficar quietinho, falar boa noite mas foi o que me falaram mas de qualquer maneira acho que a gente fica bem à vontade aqui com todo mundo eu tenho o privilégio de conhecer muitas pessoas aqui e há muito tempo então a gente se conversa muito agora só ajustando eu sou coordenador do programa municipal de Infecções Sexualmente Transmissíveis, HIV e Hepatitis, que é uma questão que está dentro da Secretaria de Saúde, mas, na verdade, a nossa responsabilidade é para o município todo. O centro de referência é uma unidade, é a nossa principal unidade, a grande, a famosa, que existe há muitos e muitos anos e que, como o nome diz, é a nossa referência em todos os sentidos, porque não é só referência para paciente, mas é referência para tudo o que acontece. Então, é lá que a gente sempre fica, além de ficar na Secretaria de Saúde. O Sidney responde pelo Centro de Referência, ele tem um papel técnico, e a gente, infelizmente, não pôde vir, pediu para eu transmitir as desculpas a vocês, ele tinha que dar uma aula que foi agendada há muito tempo. Mas, o que eu poderia dizer? Eu acho que a questão da mulher sempre existiu muito desde o início do HIV AIDS, do início da década de 80. A proporção de mulheres com HIV homem no Brasil é atualmente de 3 para 1. Então, para 3 homens com HIV, uma é mulher. Isso é muito diferente de outros países. Naqueles países de altíssima prevalência, como são os países africanos, que chegam a ter 12% de prevalência, o Brasil tem 0,5% da população do Brasil é HIV positivo. E tem essa proporção, essa relação homem-mulher. Três homens para uma mulher. Países africanos se inverte. 60% nos países africanos são mulheres e 40% homens. Mas são formas de epidemia diferentes, relações diferentes e não tem, apesar da altíssima vulnerabilidade, a questão de transmissão é muito diferente nesses outros países. Agora, no Brasil, não é porque as mulheres são em número menor que a questão é menor nelas. Pelo contrário, até acaba sendo muito maior, porque elas se apresentam de maneiras diferentes. O HIV nas mulheres tem um comportamento diferenciado em alguns aspectos, pelo feminino em si. a mulher, ela sabe mais tardiamente do seu HIV e o que é muito mais assustador, a Paola falou as mulheres acabam sabendo que são infectadas depois que o marido faleceu ou o parceiro, ou um parceiro anterior faleceu do HIV então isso é uma, são situações que a gente viu isso a vida toda então quando eu vi esse tema hoje eu fiquei lembrando dos meus 40 anos trabalhando com HIV e tentando lembrar cada situação focando nas mulheres. E o que mais nos choca é isso. Ela é um conhecimento tardio, é uma não-crença que ela pode se infectar. É assim, não, isso não acontece com mulheres, isso não acontece comigo, eu sou mãe de família, eu trabalho, eu cuido de criança, eu sou mãe solo. Então, tudo isso, essa conjuntura, de certa forma, vulnerabiliza as mulheres em relação a se infectar. Então, isso é muito triste para a gente ver. Por isso que iniciativas como Cidadãs Positivas e outras várias que têm, elas têm um papel imenso em alertar as mulheres como um todo e acolher aquelas que já são positivas. E é um acolhimento muito especial, muito carinhoso, como são as mulheres de uma maneira geral. São acolhedoras, são maternais. Então, isso é muito bonito de a gente ver. Eu tive o privilégio também de ver desde o começo da formação da Cidadãs Positivas. A Genícia é uma parceira de muitos e muitos anos. E a gente acompanhar. A Tida, acho que a gente vai falar um pouco depois. Não está na hora de falar da Tida ainda, não. Mas eu incluo a Tida nesse grupo também de mulheres batalhadoras para a questão do HIV. Mas isso a gente pode falar depois, se vocês me deixarem um pouquinho. Mas, de qualquer maneira, há essa preocupação. As mulheres têm que ser olhadas em outra perspectiva, não só do ponto de vista clínico, mas também do ponto de vista do contexto que elas vivem e como elas recebem essa situação de HIV. Agora, aos negativos, a gente tem que destacar as jovens. Infelizmente, na América Latina, para a faixa etária mais jovem, o controle do HIV ainda não está se destacando. Ainda há aumento de incidência em população jovem na América Latina. Isso destoa de muitos outros países. E entre esse aumento de incidência, aumento de casos na população jovem, estão as mulheres também, que naturalmente sempre têm a impressão equivocada que estão mais protegidas, não é a verdade. Eu acho que as políticas públicas podem melhorar, elas podem se aprofundar, têm iniciativas. Quando a gente vê na mandala da prevenção combinada, o que a gente vê especificamente de mulher mais focada é o pré-natal, que felizmente nós temos tecnologia para evitar que uma mulher não se infecte, mas uma vez infectada ela não transmita durante a gestação, no momento do parto ou no aleitamento materno. mas a gente se assusta, porque os dois últimos casos detectados de transmissão vertical em Campinas no ano passado foi por aleitamento materno. Então, isso é um exemplo que acho que é bastante impactante, que ainda hoje as mulheres se sentem protegidas, fez o pré-natal, foi negativo, mas, de repente, quando deu à luz, acabou tendo um parceiro ou outro, se infectou e infectou a criança com a amamentação. Então, são questões que é importante a gente destacar para que a gente também consiga aprofundar algumas estratégias, ampliar, ter mais abertura, ter mais visão. Eu acho que tem muitas outras coisas que a gente poderia falar, mas eu queria mais dar essa introdução. Estou falando meio de improviso, mas estou tentando cobrir algumas coisas que me chamam a atenção, pessoalmente, inclusive. Muitíssimo obrigada, Josué. E acho que o Josué traz, de fato, um panorama do que a gente consegue perceber aqui na cidade de Campinas. E acho que também é muito valoroso trazer essa reflexão, porque a gente consegue observar onde a gente está falhando no processo de conscientização, na construção de políticas públicas, onde a gente está falhando de chegar, de acessar, mas é no posto de saúde, deveria ser na UPA. A gente tem algumas reflexões sobre isso. E, antes de passar para a Liliana, vou fazer aqui a citar o pessoal que veio até aqui hoje, O Gustavo Córdova, que é coordenador do Imprepe, em Campinas, que é uma referência. Quero citar também a Suzy Santos, que é da Casa Sem Preconceito. O Alexandre, que está aqui representando a Terra das Andorinhas, juntamente com a Juliana. Quero aqui citar o Danilo Alves Que é conselheiro do IST Do Conselho de IST do Distrito Norte Assim como a Carolina Que também é membro do Conselho Local do CR E temos aqui também o Paulo Mariante Nosso presidente do Conselho de Saúde Para a gente é uma grande honra Estar aqui, quem quiser ser citado Também, se eu esqueci de alguém Pode falar com a Cris Ou com a Cecília Que está ali E Liliana Você que está representando O Fórum de ONG AIDS Do Estado de São Paulo E também, eu sei Que trabalha na Casa das Andorinhas há bastante tempo e acaba sendo responsável por fazer uma parte da testagem nos espaços, principalmente nas atividades LGBTs, eu queria que você trouxesse um pouquinho essa reflexão do que é se chegam mais mulheres, se não chegam, se nessas atividades a gente consegue acessar também o público feminino e na Casa das Andorinhas também, se elas chegam até lá, se há um diálogo, se tem uma dificuldade de acesso. Queria muito agradecer a sua presença aqui hoje. A palavra está com você. Muito obrigada. Primeiro, eu quero parabenizar a vereadora Paola por essa iniciativa tão importante de a gente reconhecer aqui nessa noite uma luta, uma história, um movimento tão importante como o Movimento Nacional das Cidadãs. Quando a gente fala, vereadora, de mulheres, A gente já está falando de tantas vulnerabilidades. Nós vivemos em um país ainda, em um mundo e em um país onde as mulheres ainda sofrem tantas violências, violência física, violência emocional. Onde ser mulher, primeiro, a gente já precisa nascer guerreira para conquistar espaços, para conquistar lugares. E quanto é difícil para a mulher ser cuidada, ter atenção. Muitas vezes nós somos aquela que representamos quem cuida Quem dá atenção A gente cuida da família, cuida do lar Em todos os espaços a gente cuida Mas quantas vezes é difícil a gente ter o cuidado para nós Às vezes nós mesmos Tanta responsabilidade Nós nos sentimos na obrigação de cuidar de todo mundo E não sobra tempo, não sobra às vezes nem mesmo para a gente se cuidar E eu vejo que o Movimento Nacional das Cidadãs nasceu muito disso Quanto hoje é difícil a gente falar A gente pegar um diagnóstico, receber um diagnóstico de HIV Mas há 21 anos atrás, quando nós falávamos de estigma, de discriminação O quanto era tudo mais difícil ainda E nesse momento, nesta luta, neste lugar Essas mulheres surgiram com coragem De levantar um movimento hoje nacional tão potente para olhar para as mulheres, para cuidar das mulheres. Porque falar de saúde, a gente luta por saúde, por políticas públicas de saúde, mas quanto é mais difícil as políticas públicas de saúde para as mulheres? Quanto é difícil para uma mulher, muitas vezes, ir em uma consulta ginecológica, chegar em um médico, se expor? Há 21 anos, isso era muito mais difícil ainda. Então, eu quero, primeiramente, antes de fazer a colocação aqui, a provocação da vereadora, trazer meus parabéns, em nome do Fórum de Onguiaides do Estado de São Paulo, em nome também da Terra das Andorinhas, para essas mulheres, que tiveram coragem, primeiro, de se expor, de colocar a sua cara, de dar visibilidade, de lutar, acima de tudo, por enfrentamento a estigma, a quebra de preconceito, a quebra de barreiras, Então, parabéns a cada uma de vocês, algumas aqui é a maioria, eu conheço, algumas não, mas parabéns a cada uma de vocês que tem construído esses 21 anos de história na luta e no enfrentamento à epidemia da HIV AIDS. Então, aqui, primeiramente, quero desejar parabéns para vocês, dizer que estou muito feliz de ter a oportunidade de estar aqui, participando desse momento, e trazendo um pouco essa questão vereadora. Quando as mulheres chegam para fazer um teste Muitas mulheres vêm fazer o teste Ou às vezes nos vê em uma campanha, em uma ação de rua Fazendo uma ação de testagem e chegam ali Um pouco com essa visão que o Dr. Josué já trouxe aqui essa noite Eu vou fazer o teste, mas eu não preciso, eu sou casada E muitas vezes, infelizmente, são surpreendidas e quanto é mais difícil para essa mulher nesse espaço de cuidar. Muitas vezes ela se preocupa com ela, com o filho, com a família, e aquela coisa, como vai ser a minha vida agora, como vai ser a vida dos meus filhos. E muitas vezes essas mulheres, quando chegam, já chegam em várias situações de vulnerabilidade socioeconômica, cultural e tudo mais. Como é difícil para uma mulher ainda pegar um resultado, um diagnóstico de HIV positivo E quanto a gente vive em uma sociedade ainda que julga muito a mulher E quanto essa mulher muitas vezes teme ser julgada quando ela pega esse resultado Quanto é um medo, muitas vezes, de chegar em casa e olhar para a própria família Então, nesta noite Que a gente comemora 21 anos De um movimento tão importante Acho que nós precisamos também Trazer esta reflexão O quanto nós Ainda Ainda, quanto sociedade Ainda somos Injustos e erramos Com essas mulheres, porque ainda é uma sociedade Que julga, ainda é uma sociedade Que julga as pessoas, é uma sociedade Que discrimina E parabenizar vocês essa noite aqui significa muito, porque vocês estão à frente lutando para o enfrentamento a essa discriminação, a esse preconceito e por melhoria na qualidade de atendimento à saúde. Se hoje, nesses 21 anos, ainda tem muita coisa para melhorar, mas muita coisa já melhorou, também foi por luta. Nada se chegou, nada se conquistou por acaso. Eu estive recentemente em um diálogo com a rede de jovens, a rede de jovens com a HIV AIDS, e uma das coisas que eu quis ressaltar para eles é o quanto é importante a gente conhecer a história, conhecer que, para eles, às vezes, o acesso ao tratamento está aí, é gratuito, é de fácil acesso, o tratamento é eficaz, as pessoas têm qualidade de vida, mas, para tudo isso, o quanto teve história de pessoas que lutaram. O MNCP nasceu nessa história de luta, nessa história de enfrentamento. Muita coisa tem que melhorar ainda. Mas muita coisa as políticas públicas se devem também a essas valorosas mulheres que foram à luta e foram buscar melhoria no atendimento. A Liliana traz uma reflexão não só do que estar vivendo com HIV mas o que é o ser mulher que muitas vezes a gente se coloca em segundo plano que a gente não olha para nós mesmos, que a gente tem uma dificuldade de reconhecer que a gente também precisa de cuidado e por isso que E muitas vezes a gente vê como o HIV e outras ESTs acabam nos atingindo e a gente pensa em tudo. Quando a gente pensa, por exemplo, se tem um adolescente, um filho, a gente já vai, já cuida, se tem um companheiro, uma companheira que a gente está se relacionando, a gente também entra nesse processo de cuidado, mas muitas vezes a gente se negligencia. Então, até para que a gente consiga acessar as políticas públicas, a gente precisa trazer a reflexão. Quem cuida de quem cuida? Tem uma coisinha antes de passar para a Fabiana. Que o MNCP é o primeiro movimento do Brasil voltado especificamente para mulheres vivendo com HIV. Trazendo para o centro do debate a inserção do HIV entre gênero, feminismo, raça e direitos humanos. Em 2025, eu já antecipei um pouco, os 40 anos, mas são completa 21 anos de luta e resistência, sendo uma referência na defesa da vida e na construção de políticas inclusivas para mulheres vivendo com HIV. E ninguém mais do que a Fabiana de Oliveira, que está representando aqui o movimento para trazer como que essa história começou. E eu sei que tem uma história inclusive de um ônibus que foi onde vocês se conheceram, algumas de vocês se conheceram, que eu acho que é uma reflexão de como o movimento se organizava antes e principalmente como ele está agora. Como que a gente chega nesses 21 anos valorizando, priorizando as mulheres. Muitíssimo obrigada pela sua presença aqui, é uma grande honra. poder contar um pouquinho dessa história através da Câmara, que a gente deixe essa eternização. A palavra está com você. Muitíssimo obrigada. Obrigada. Boa noite a todos. Está ligado aqui? Está, não é? Está. Bom, ouvir os companheiros da mesa aqui, eu posso dizer que é um misto de emoção, de alegria, Porque para o movimento das cidadãs positivas Estar comemorando 21 anos Celebrando os 21 anos do movimento É realmente uma grande alegria É um orgulho, digamos Porque realmente foi uma trajetória de muita luta De muito enfrentamento de quebrar paradigmas. Então, realmente, é bem bacana hoje a gente estar aqui com vocês e comemorando esses 21 anos do MNCP. Mas, apesar de 21 anos, a história de luta das mulheres vivendo com HIV AIDS não começou em 2004. A história deste movimento começou em 1996, quando uma cidadã positiva, uma mulher resolve enfrentar o Estado em busca do direito à vida, de ter acesso aos antirretrovirais, o que naquela época se chamava de coquetel, que era a única esperança de vida. Nós temos a Nair Brito, que é uma grande referência dentro deste movimento, é uma grande referência na luta e no enfrentamento contra o HIV AIDS e nesse direito à vida. Eu quero mais uma vez aqui, estou sempre quebrando, desculpe, mas eu quero pedir para vocês um aplauso, a Nair Brito. Não dá para falar de políticas públicas se nós não contarmos essa história da Nair Brito, porque se muitas pessoas hoje estão aqui bem, vivas, juntas, livres e vivas, é porque nós tivemos a coragem de uma mulher num período em que falar de AIDS era o extremo de preconceito, de discriminação, de julgamento, mas a Nair deu a cara nas revistas, na televisão, nos jornais, pela vida. Então, realmente, não dá para falar de 21 anos, celebrar 21 anos, sem lembrar dessa mulher que fez muito por todas nós. Então, em 1996, a Nair fez esse feito por todas as pessoas que vivem com HIV AIDS. E em 1999, enquanto no Brasil o quadro da epidemia de AIDS crescia entre as mulheres na América Latina e no Caribe, as mulheres estavam se organizando para realizar o primeiro seminário regional de HIV AIDS, de mulheres vivendo com HIV AIDS. E esse seminário foi um marco, porque Nair Brito e outras duas cidadãs positivas estiveram lá. E a partir disso, quando ela volta para o Brasil, caramba, quanta coisa nós podemos fazer, né? A gente só precisa reunir essas mulheres. E assim começa um trabalhinho de formiguinha, falando com uma, com outra, com outra. E no ano 2000, houve aqui no Rio de Janeiro, nós começamos o ano de transformar desejo em realidade. Porque no fórum 2000, no fórum latino-americano de DST AIDS, que naquela época era DST ainda, várias mulheres de todo o Brasil, todas as regiões estavam presentes. E ali nós começamos a nos reunir, a nos organizar, a fazer transformar tudo isso que estava só assim na mente, no coração, em realidade. Ali nós começamos a articular com o governo federal e começou a nascer o Movimento Nacional das Cidadãs Positivas. É claro que teve todo um processo, até 2004, realizamos os nossos encontros nacionais de pessoas, de mulheres, vivendo com HIV AIDS, que são os encontros das cidadãs positivas. Nós estamos agora no 11º Encontro Nacional das Cidadãs Positivas. E ali, a partir disso, começa a fortalecer o que é o MNCP hoje, um movimento com expressão, com visibilidade própria, garantindo o respeito a todas as mulheres, a diversidade de mulheres. Esse é o MNCP. Ele é um movimento que dá voz às mulheres, dá voz àquelas que infelizmente ainda estão nas suas casas, infelizmente têm muito medo, Infelizmente tem medo de enfrentar o estigma, o preconceito, a discriminação Tem medo da violência que pode sofrer Tem medo do desprezo, às vezes familiar, às vezes do próprio parceiro, às vezes dos próprios filhos Então o medo ainda é muito presente na vida das mulheres vivendo com HIV AIDS E o MNCP é isso é dar visibilidade às especificidades das mulheres, combater o estigma e a discriminação, promover os direitos e a busca por políticas públicas que venham de encontro às necessidades das mulheres. E que essas políticas públicas considerem não apenas a vulnerabilidade às questões físicas, à doença, mas também considerem as questões de gênero, o contexto sociocultural em que vivem essas mulheres, e é isso que o MNCP faz, é a isso que estamos. Então, essa trajetória de conquista do movimento, ela perpassa por um caminho árduo, um caminho de choro, de lágrimas, um caminho também de dores, mas também perpassa por um caminho de alegria, um caminho de descoberta, porque tem muitas mulheres que se descobriram dentro do movimento, descobriram o poder que ela tem, o direito que ela tem. Muitas mulheres, foi dentro do MNCP que descobriu que ela pode ser uma mulher empoderada, que ela pode receber de outras, com a história de outras, com a luta de outras, com a experiência de outras, ela ser também uma mulher fortalecida e enfrentar todas as adversidades da vida sem desistir. Então, é isso que nós buscamos e essas conquistas são marcadas por essa coletividade das mulheres vivendo com HIV AIDS, Superando barreiras, enfrentando os desafios Somos vozes, somos vozes de todas essas mulheres Que estão nos campos, que estão na cidade Que estão em ribeirinhas, que estão nas aldeias indígenas Todas as mulheres, as brancas, as pretas, as lésbicas As cis, as trans, enfim, todas nós juntas fazemos o que é hoje o Movimento Nacional das Cidadãs Positivas. E é um movimento que não se cala, não se cala. Apesar do machismo ainda muito presente na sociedade, um machismo que o tempo todo tenta abafar a nossa voz, nós estamos sempre nos reerguendo e nos colocando, porque nós somos mulheres, nós somos protagonistas da nossa história. Ninguém vai falar por nós. Nós falamos por nós. E é isso que é o movimento. Então, eu trouxe aqui para vocês um vídeo. E esse vídeo, ele é um portfólio que está no site do movimento das cidadãs positivas. Mas só para mostrar bem rapidamente para vocês que nós somos um movimento organizado, um movimento com missão, um movimento com estratégias de ação, um movimento que está muito bem estruturado e somos isso, somos essas mulheres que não se calam, que se reinventam todos os dias, porque o estigma é muito presente, a discriminação está muito presente, a violência está muito presente contra as mulheres e nós estamos aqui para fortalecer umas às outras e enfrentar o HIV como tem que ser. Pode soltar aqui o vídeo? Se inscreva no canal. Vamos lá. Legenda por Sônia Ruberti Legenda Adriana Zanotto É isso. Nada sobre nós sem nós. E nós nos queremos juntas, livres e vivas. Obrigada. Muitíssimo obrigada, Fabiana. Juntas, livres e vivas. Esse também é o nosso desafio aqui na Câmara. Principalmente no processo de conscientização Eu acho que a Fabiana traz várias reflexões Sobre a questão da mulher empoderada Da mulher fortalecida Eu acho que esses 21 anos O MNCP tem feito justamente isso Tem cada vez mais acolhido mulheres Conscientizado Tem conseguido fazer com que a pauta de políticas públicas, chegue até as pessoas, tem trazido formação de quais são os direitos, de como que cada uma dessas mulheres, no momento de desespero, muitas vezes, elas podem buscar um espaço que não seja somente para que você tenha acesso a um medicamento, mas que você tenha acesso a uma forma de você ressignificar a sua vida e entender que a gente precisa viver. Então, muitíssimo obrigada, Fabiana, essa história que é de tantas pessoas, principalmente mulheres, que muitas vezes têm um processo de saúde de si mesmo negligenciado. Eu acho que vocês trazem a possibilidade desse olhar cuidadoso. E agora a gente vai ter uma mudança de mesa, né? Certo. Então, a gente vai desfazer essa mesa. Muitíssimo obrigada, Josué. Muitíssimo obrigada, Eliana. Muitíssimo obrigada, Fabiana. E, para essa mesa, a gente tem uma das representantes mais famosas do MNCP, pelo menos aqui para a cidade de Campinas. No Brasil, que é a Janice Pizão, Secretária Política do MNCT. E também vamos ter aqui uma pessoa que me conhece há pouquinho tempo. Vou colocar como Tida. A Tida, que é diretora executiva de Direitos Humanos da Unicamp. Tida. A nossa referência, nós nos encontramos ali na atividade sexta-feira com o Padilha, mas a gente pode... Ele foi lá na atividade da Unicamp, a gente se encontrou, e a gente se encontrou também na atividade da PUC, sobre saúde de pessoas negras, se não estou enganada. Uma grande referência que tem discutido saúde, construção. E, para começar essa mesa, vamos começar com a Tida, que vai trazer um pouquinho dessas reflexões a partir da saúde e também do local dela, que é a perspectiva de direitos humanos. Sempre. Não tem como desassociar. Tida, muitíssimo obrigada pela sua presença. Sempre uma honra te ter aqui. A casa sempre estará aberta para o que você quiser, precisar. E o que a gente puder fazer, a gente vai fazer também. Tida, a palavra está com você. Obrigada. Muito obrigada, Paola. Paola, que eu conheço desde pequenininha, né? E que está na minha vida, assim, de uma forma espiritualizada Na qual eu tenho um carinho enorme Fico muito feliz Pelo papel que ela assume hoje Essa representatividade Jovem aí dentro do parlamento Que é uma coisa maravilhosa Quero já aproveitar Para agradecer também Esse movimento Intenso, enorme Do Brasil Mas que o coração é maior que do Brasil Na pessoa da Genice Que me convidou e fico muito feliz e emocionada mesmo De estar aqui porque a questão do HIV faz parte também da minha trajetória de vida profissional A gente teve os piores momentos, que quando começa a doença E fizemos todo um caminho, um percurso para chegar onde nós estamos Então, poder estar aqui com vocês e poder falar um pouco sobre essa história me deixa muito emocionada Hoje eu estou na Diretoria Executiva de Direitos Humanos da Unicamp Trabalhando a questão de denúncias de racismo dentro da universidade Mas há cinco meses só Então eu tenho aí 40 anos de Unicamp e trabalhando sempre e eternamente com a questão de HIV AIDS. Josué, um companheiro, ele não falou de mim, mas vou falar dele também, um companheiro de luta. Josué foi nosso residente na infectologia. Conheci Josué menino ainda, se preparando aí. Menino, agora ele é moço, gente. Eu conheci ele menino, nosso residente, um residente querido, extremamente comprometido com essa história e com essa trajetória, como nós. Alguns não, muitos profissionais ali na Unicamp. Então, assim, estou tão emocionada que eu falei, vou ter que levar escrito, não consigo. Mas, assim, então, mais uma vez, boa noite a todos e todas. nesta noite de homenagem de 21 anos do Movimento Nacional de Cidadãs Positivas a partir do tema que nos trouxe que nos moveu estar aqui também, que é sobre as desigualdades e vulnerabilidades enfrentadas por mulheres no acesso ao tratamento de HIV nos faz refletir sobre a história do avanço conquistados os desafios que ainda persistem e as lutas que seguem vivas. O HIV não é apenas uma questão de saúde, é também um espelho das desigualdades sociais de gênero e de raça. Mulheres vivendo com HIV enfrentam barreiras que vão muito além do diagnóstico. É sobre essas barreiras e como superá-las que eu preciso falar agora para vocês. A trajetória das mulheres vivendo com HIV é marcada por avanços significativos, mas também por persistentes desigualdades e vulnerabilidades, que dificultam o acesso pleno ao tratamento e à dignidade até hoje. No Brasil e no mundo, o enfrentamento da epidemia de HIV e AIDS revela como questões de gênero, de raça, classe, orientação sexual, e eles se entrelaçam, criando barreiras que vão além do sistema de saúde. E aí, para falar então dessas vulnerabilidades, a gente fala dessa vulnerabilidade do lugar de gênero e de mulheres. Então, as mulheres, especialmente as negras, periféricas, mulheres trans e travestis, enfrentam múltiplas camadas de discriminação. Segundo o índice do estigma de 2025, do boletim do Ministério da Saúde, 52% das pessoas vivendo com HIV já sofreram discriminação por sua sorologia. 34% relataram esse preconceito dentro da própria família. Para as mulheres, esse estigma é agravado por normas sociais que a responsabilizam pela saúde da família, mas frequentemente as excluem das decisões sobre seu próprio corpo. Além disso, muitas mulheres enfrentam violências domésticas, dependência econômica e a falta de acesso à educação sexual, o que limita sua autonomia para buscar diagnóstico, tratamento e apoio psicológico. Mas há avanços também. E esses avanços na resposta do HIV, apesar de serem desafios, nós tivemos na trajetória conquistas importantes. E para um pouco de ler para dizer o quanto a gente caminhou Josué testemunha de como é que a gente começa a atender os casos de HIV No hospital das clínicas da Unicamp E o que foram aqueles corredores cheios de macas E naquele momento a gente tinha historicamente o AZT que surgiu como uma grande conquista, mas que a resposta foi muito diminuta e pequena. Mas era ali o fio de esperança que as pessoas tinham pela vida. E nós percorríamos aqueles corredores e a gente sofria e chorava muitas vezes com o índice de mortalidade das pessoas por falta de tratamento no país, pelo desconhecimento e aprofundamento do que era esse diagnóstico. Mas a ampliação, dentro das conquistas importantes, houve a ampliação de acesso ao tratamento antirretrovirais, as TARVs, a inclusão de mulheres em redes de apoio e o fortalecimento dos movimentos sociais, como o Movimento Nacional de Cidadãs Positivas, têm sido fundamentais para garantir direitos e visibilidade a todas as mulheres. E cada vez mais elas ocupam espaços de decisão e pesquisa, trazendo suas vivências para o centro do debate. O Brasil tem se destacado por políticas públicas que oferecem tratamento gratuito e universal, além de campanhas de prevenção voltadas e pensando nessa população vulnerável e nesta população mais frágil, mas que de frágil é só no dizer, porque a gente sabe que é a grande fortaleza na luta contra o HIV. E os desafios são persistentes, ainda assim os obstáculos são muitos, o estigma nos serviços de saúde continua forte, e aí os dados vêm trazendo novamente, 13% das pessoas ainda relatam o tratamento discriminatório em unidade de saúde nos últimos 12 meses. Além disso, 46% não tem certeza se o seu estado sorológico é mantido em sigilo, o que compromete a confiança no sistema de saúde. E aí nós estamos falando da questão do respeito do sigilo e deste trabalho profissional que tem que ser envolvente e que tem que ser respeitoso com todos e todas. O preconceito nos serviços de saúde ainda é uma realidade. Muitas mulheres não confiam que seu diagnóstico será mantido em sigilo. E ainda os impactos na saúde mental são profundos. Depressão, ansiedade e medo fazem parte da rotina de muitas delas. Eu conversava com o Josué antes de a gente começar O quanto a juventude hoje está vulnerável na questão da saúde mental O quanto a depressão atravessa a vida dessa juventude E que a gente, que é um pouquinho mais velho, que agora já somos mocinhos Ficamos o tempo inteiro pensando nessa questão Dessa interseccionalidade que além de ser de gênero ainda atravessa, faz esse atravessamento na questão da saúde mental. O quanto isso tem nos preocupado no sentido de a gente perder mesmo muitos jovens e muitas jovens pela questão da saúde mental e muitas delas transitando nesse campo ainda de serem pessoas soropositivas. A saúde mental também é uma preocupação crescente. Dentro dos dados, 29% demonstraram sintomas de depressão E 41% relataram ansiedades relacionadas ao estigma A pandemia de Covid e as crises climáticas agravaram essas vulnerabilidades Dificultando acessos a medicamentos e serviços essenciais E ainda existe uma luta, a gente tem atualmente uma luta e que elas remetem a gente a olhar para o caminho que é o futuro. As lutas atuais passam pela garantia de direitos humanos, combate ao estigma, fortalecimento das redes de apoio e inclusão de mulheres em todas as etapas e respostas ao HIV. É essencial investir em educação, é essencial política de equidade de gênero, É essencial ações afirmativas que reconheçam as especificidades das mulheres vivendo com HIV. A agenda de 2030 da ONU, por meio do objetivo de desenvolvimento sustentável, que está dentro do quadro 3, olhando para a saúde e bem-estar, estabelece como meta acabar com a epidemia de AIDS até 2030. Mas, para isso, é preciso enfrentar as desigualdades, essas desigualdades que são estruturais e que bloqueiam o acesso ao tratamento e à prevenção. Precisamos de políticas interseccionais que enxerguem as mulheres em sua diversidade, e que é um movimento que as cidadãs positivas vêm fazendo. Esses 21 anos elas vêm dizendo que existe uma diversidade de mulheres, não somos todas iguais, não estamos todas na mesma classe, não somos todas da mesma raça, porém somos mulheres. E é preciso que exija respeito nessa diversidade que está aí. E para ir finalizando, digo que enfrentar o HIV é também enfrentar o machismo, o racismo, a transfobia. As mulheres vivendo com HIV não são vítimas passivas, são protagonistas da resistência, cuidado e transformação. Da luta por dignidade e da construção de um futuro mais justo E aí, com isso, com muito respeito e carinho Aqui rendo uma homenagem a todas vocês Mulheres vivendo com HIV Especialmente dedicadas hoje, na atualidade, neste trabalho E no Movimento Nacional de Cidadãs Positivas Vocês são força em movimento, são coragem que resiste ao silêncio, ao estigma e à exclusão. Cada passo que vocês dão, seja buscando tratamento, criando redes de apoio ou simplesmente existindo com dignidade, é um ato de revolução. Não deixem que o preconceito defina quem vocês são. Vocês são mães, vocês são filhas, são líderes, trabalhadoras, ativistas, sonhadoras. E acima de tudo, são humanas, merecedoras de respeito, cuidado e amor. A luta é dura, mas vocês não estão sozinhas. Há uma rede de solidariedade que cresce a cada dia, feita por outras mulheres. feita por profissionais comprometidos, como eu, me enquadro, me incluo, como vejo Josué e incluo, porque conheço a história e a realidade do Josué, como vejo a equipe que trabalha na infectologia, com todos os seus defeitos e seus percursos, mas com respeito às pessoas dentro da sua dignidade e portadoras, e vivendo com HIV. E também por movimentos que reconhecem a potência de cada uma de vocês. Como disse o Bertinho, a solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana. E eu encerro dizendo que esta solidariedade continua sendo abrigo, colo, impulso e esperança. Vocês são luz, e o mundo precisa da luz que vocês carregam. A Tida sempre precisa, e ela falou aqui sobre as barreiras, de que 52% das pessoas que vivem com HIV já sofreram, com discriminação, a falta de confiança no sistema. Eu estava até conversando com algumas aqui no começo, que a gente visitou centros de referências nas cidades próximas, Valinhos, Hortolândia, Sumaré, e eles relataram que muitas pessoas dessas cidades vêm até Campinas, e que pessoas que estão na divisa daqui de Campinas vão para outras cidades, porque elas têm medo de serem reconhecidas no posto de saúde, tem medo de que alguém possa vê-las no centro de referência. Então, essa falta de confiança é um dos enormes desafios que a gente tem. A questão de saúde mental, que eu acho que é uma das grandes... O pós-pandemia trouxe para a gente inúmeros desafios para lidar, não que não existisse antes, mas eu acho que o pós-pandemia a gente começa a ter um olhar a mais para isso. A gente começa a perceber que as pessoas, de fato, elas precisam ter um atendimento voltado para a saúde mental e principalmente as pessoas que são mais vulnerabilizadas que são as mulheres a população negra, a periferia a comunidade LGBTQIAPN+, que tem dificuldade até mesmo de contar para os seus familiares que testaram positivo para o HIV falou de como enfrentar esses desafios é também enfrentar o machismo o racismo, a transfobia falou e principalmente falou o que o MNCPE que é a luz muitas vezes vocês mulheres são um farol de esperança para várias outras mulheres que tem uma dificuldade de quando recebem o diagnóstico e para falar sobre isso nada, ninguém melhor do que a nossa ilustre e mais famosa representante aqui a Janice que tem uma linda história de construção e diversas mulheres já me trouxeram inclusive Janice, referência a você de como você foi importante para a trajetória, para a caminhada e para a mudança de perspectiva daquelas mulheres, de quando elas acharam que a vida delas tinha acabado, você veio com toda a sua luz e trouxe para elas uma nova possibilidade Então, muitíssimo obrigada pela sua presença. A palavra está com você. É interessante, não é? Está ligado. Porque, assim, quando a gente tem... Quando a gente tem 35 anos de diagnóstico, e também toda essa época que a gente andava nos corredores da Unicamp, as pessoas iam morrendo. Então, você imagina, nossa, será que na próxima vez que eu vier, eu também já não vou estar? deitadinha na cama, esperando a morte chegar. Então, a agonia era muito grande. Josué foi meu médico naquela época. Eu não posso deixar de registrar a Tida, porque a Tida acolheu muitas mulheres, muitas mulheres. Então, Tida, eu ouço muito falar de você. Quem me acolheu foi a Tida. Ela me deu um abraço. Gente, como é importante a gente receber esse abraço Quando você pega aquele dia E fala assim, o que eu faço? Minha vida acabou, meu mundo ruiu E não é no samba, é na realidade Aí ela sai com aquele papelzinho na mão Com aquela porrada de remédio Para ela tomar Para onde eu vou? Aí passa no serviço social E a tida dá um abraço Eu só espero, acho legal você estar onde você foi parar Acho bem legal Porque isso é importante direitos humanos, quando a gente enfrenta o racismo, quando a gente nossa, é fundamental, nossos direitos mas assim, eu espero sinceramente, do fundo do coração que quem tenha ficado no seu lugar tenha também essa sensibilidade, essa empatia, para poder abraçar outras mulheres, falar assim, olha, estamos juntos vamos seguir juntos então assim, tomara, vou lá conhecer ainda vou dar meus palpites então gente, o que eu vou falar, na verdade eu não vou falar, ninguém descobre a roda a roda já está aí, a gente vai mudando a roda eu vou complementar o que Josué disse o que Lia disse o que você disse e o que minha parceira de luta de trabalho disse que é a Fabiana então assim, para você é famosa a gente é famosa porque a gente tem bastante idade não só por isso e também porque a gente com outras mulheres nós fundamos o Cidadãs Positivas Então, em 2004 A fundação do Cidadão Positivo A gente estava lá no cartório Registrando, não sei o que Aquela coisa bem antiga Nem lembro bem, porque 2004 Faz ter 21 anos 40 anos já era demais Porque aí eu já era uma Octogenária Mas tudo bem, eu espero Ai, amado Então é isso O que eu quero falar é o seguinte Todo mundo aqui, senhoras, senhores Camaradas, companheiros, companheiras De luta, de vida, de enfrentamento É uma imensa honra para o MNCP A gente estar aqui e receber essa homenagem Principalmente em uma reunião de uma frente parlamentar De ST, HIV e AIDS da cidade de Campinas Que Paola corajosamente fez questão de fundar Então isso é histórico Isso é muito importante E para nós, cidadãs positivas, receber essa homenagem, Paola, você não sabe como foi legal e como está sendo legal. São 21 anos de trajetória do movimento das cidadãs positivas. Foi fundado em agosto de 2004. Ele surge, como que surge? Como a resposta à invisibilidade das mulheres vivendo com HIV AIDS. Porque, historicamente, foram excluídas dos espaços de decisão e das políticas públicas. Então, a gente tinha que levantar a nossa voz. Não precisávamos que ninguém falasse por nós. Éramos nós que falávamos por nós. Mulheres que ousaram transformar a dor em força, estigma em mobilização e silêncio em voz coletiva. Porque sozinhas não fazemos nada. Ao longo desses 21 anos, o MNCP foi protagonista de inúmeros avanços. Avançamos bastante coisa. Garantimos presença qualificada nos conselhos e conferências de saúde Temos representantes no Conselho Nacional de Saúde Que é a nossa querida Renata Estamos no Conselho Municipal de Saúde Estamos no Conselho Local de Saúde do Centro de Referência Em outros conselhos também, do Idoso, Conselho Nacional e por aí vamos Pautamos a saúde integral de mulheres vivendo com HIV AIDS Com olhar sobre a maternidade Sobre a violência de gênero, de raça, de etnia E os direitos sexuais reprodutivos são pautas de nossa luta Nós construímos uma ponte entre ciências, ativismos e políticas públicas Chamamos para começar a discutir, atualmente a questão do aleitamento de mulheres vivendo com HIV AIDS, que é uma coisa que arrepia. Mas temos que parar para discutir, temos que chamar a ciência para discutir isso, porque, senão, quem vai discutir? Ninguém. Vamos continuar enfaixando mulher, como fazíamos na Idade Média, enfaixando a boca das mulheres e queimando em praça pública? É isso que queremos? Não, vamos ter que parar para discutir isso. Denunciamos o estigma, a discriminação, afirmando que viver com HIV não é crime, não é pecado, não é culpa. É um direito à vida plena e digna. Foram décadas de resistência e conquistas que não se deram sem lutas duras contra o preconceito, o machismo, o racismo e a desigualdade social. Mas é preciso dizer, nós avançamos, avançamos sim, Mas os desafios permanecem. Ainda enfrentamos os preconceitos, a violência contra mulheres vivendo com HIV AIDS, o desmonte de nossas políticas públicas e sociais, além do estigma persistente que continua atravessando nossas vidas. Tivemos um período sombrio, onde o presidente da República dizia É que viver com HIV é despesa. Ainda bem que isso passou. E que ele não volte nunca mais. E que vá para a prisão. Ainda enfrentamos... Tinha que falar isso, né? Jamais. Anistia nunca. Ainda enfrentamos o preconceito, a violência. E é por isso que seguimos mobilizadas, para defender o SUS, a política de AIDS, os direitos humanos e para dizer em alto e bom tom, nós, mulheres que vivemos com HIV e AIDS, não aceitamos retrocessos. Celebrar 21 anos do MNCP é celebrar a força da vida, da solidariedade e da organização coletiva. É reafirmar que mulheres vivendo com HIV e AIDS são sujeitos políticos, construtores de sua própria história, de seus direitos e do futuro. Agradeço à vereadora Paola e aos demais membros da frente parlamentar pelo apoio para esta pauta que ainda é invisível e continua matando mulheres e homens que vivem com HIV e AIDS. E se são negros, pobres, periféricos, morrem ainda mais. Não podemos perder esse tom. Que essa frente parlamentar seja mais um espaço de compromisso real com a nossa luta. que o Estado, em todas as suas instâncias, reconheça, apoie e fortaleça o protagonismo de nossas mulheres com HIV. E falando em protagonismo, temos aqui, por favor, uma cidadã que enfrentou o estigma, a discriminação, sem medo de se mostrar, e foi eleita a Miss HIV. Silvinha! Que linda! Silvinha, por favor, explique para nós se você conseguiu alcançar. Eu não consigo alcançar. Sim? Não. Eu prefiro falar daqui. A mão treme menos. Bom, pessoal, eu não vou ficar falando tudo o que já foi dito nessas mesas, tudo o que o Movimento Nacional de Cidadãs Positivas representa para a gente. Eu tenho hoje essa coroa, durante esse ano, sou Miss Mulher Vivendo com HIV, não sou a Silvia Miss. Eu sou a pessoa que representa cada uma dessas mulheres Que foram citadas aqui Todas as que tem voz, as que não tem As que às vezes nem tem HIV Mas está um passo de ter porque vive numa violência Vive numa situação sem informação Sem conseguir se libertar E sem conseguir se empoderar Que é a coisa que a gente mais fala A única coisa que deve dar medo na gente é aquilo que a gente não conhece. A gente conhece o HIV. A gente sabe que o HIV não vai tirar as nossas vidas se a gente fizer o tratamento direitinho. Então, eu vivo há 31 anos com HIV. E essa coroa faz parte de um projeto de uma ONG da Zona Leste de São Paulo, o Instituto Vida Nova. Foi um projeto desenvolvido pelo Américo Nunes Que queria trazer visibilidade Não só as mulheres, mas as pessoas que vivem com HIV Então eu sou a Miss, mas tem um Mister Que é um chuchuzinho Uma graça E a gente não quer mostrar beleza A gente quer mostrar vida A possibilidade de viver a partir do HIV apesar dos estigmas, dos preconceitos então a gente precisa se fortalecer tem orgulho de ter HIV? não, não tem orgulho de ter HIV mas tem orgulho de ser a pessoa que sou a partir e após o HIV de ter encontrado mulheres que juntas vamos mais longe então é com muito orgulho que eu represento hoje as mulheres que vivem com HIV. E é com um pedido aqui, sabe? A gente fala muito pela cura do HIV. E eu sempre falo, eu quero a cura do preconceito e do estigma também. É uma linda, não é? É uma linda. Nossa, linda! E, olha, vou terminar, juro. É interessante a gente mostrar a Silvia Porque a nossa história não é só de resistência Não é só de luta É de esperança E como sempre afirmamos Nada sobre nós sem a gente estar junto Estamos aqui juntas, livres e vivas E Nair Brito está presente Presente Gratidão A Janice trouxe uma reflexão, que viver com HIV não é crime, não é pecado, ele é direito à vida plena. E a Silvinha, sem dúvida nenhuma, ela representa essa mudança, essa vitória, de entender que todas nós somos e que isso não foi jogado fora e que a gente precisa também ressignificar. E essa coroa, esse título, tem uma frase que ficou muito famosa, que é uma frase que levanta a cabeça princesa porque senão a coroa cai. E é justamente isso que o MNCP faz. Todos os dias faz com que as mulheres levantem a cabeça, não tenham medo, não tenham vergonha, e que elas saibam que a coroa está ali, que a coroa ainda existe e que a gente precisa estar com a cabeça erguida para isso. Então, para mim é uma grande honra estar aqui nesse compromisso de fazer com que a gente tenha cada vez mais políticas públicas, construções, transformações e que vocês também vão ser nossos aliados, nossos aliados aqui dentro da Câmara, para que a gente possa pensar como diminuir essas lacunas de políticas públicas que acontecem. E, nesse momento, a gente vai abrir rapidamente para perguntas, intervenções, para a gente fazer um rápido debate aqui, antes de a gente chamar a nossa Ana Lúcia novamente. Então, alguém tem alguma pergunta, alguma intervenção? Bom, boa noite a todas, todos e todes. Sou Paulo Mariani, presidente do Conselho Municipal de Saúde e do Movimento Popular de Saúde. Eu sou do Conselho Local do Centro de Referência ST, HIV, AIDS e hepatites. e lá sou dirigido com muito orgulho pela Genice acho que quanto mais a gente consegue ter a perspectiva de que as mulheres são mais protagonistas a gente tem mais esperança da revolução eu quero dizer isso e queria me colocar que acho que essa noção a gente sempre tem mas o próprio Conselho Municipal de Saúde com todas as dificuldades que a gente enfrenta ele tem A força do conselho está exatamente Nos movimentos e nas pessoas usuárias Os trabalhadores e as trabalhadoras São super importantes Mas a gente percebe Que essa força De movimento social, de usuários e usuárias organizados Que consegue balançar um pouco E tirar A coisa do lugar comum E é o que a gente precisa Principalmente porque Só queria reforçar isso Hoje, o sistema único de saúde vive um processo de ataque muito grave, apesar de a gente ter conseguido retirar o genocida de lá. As ideias, porque é preciso ter o seguinte, discutir, ser contra o neoliberalismo, não é, eu acho que é uma questão de esquerda, mas qualquer pessoa que se diga defensora dos direitos humanos tem que ser contra o neoliberalismo. Porque quando se reduz uma política social, qualquer que seja, por razões fiscais, a gente está enterrando os direitos humanos. Então, a gente não pode deixar isso acontecer. Todos e todas nós temos que saber que a nossa grande batalha para garantir os direitos humanos é derrotar essas ideias de responsabilidade fiscal, de equilíbrio de contas. Equilíbrio de contas não garante vidas. E as pessoas deviam entender isso aí e acabar com esse discurso horroroso. Porque a gente vive num país super rico, com riqueza concentrada, e a gente não consegue aprovar no Congresso isenção do imposto de renda para quem ganha até 5 mil. Então, queria saudar mais uma vez, dizer que vocês, nessa militância, são referência para a gente, e vão sempre ser. e que a gente precisa reforçar o nosso compromisso como conselhos, como movimentos, nessas pautas cada vez mais. E entender que essa é uma pauta da humanidade, é isso que está em jogo. Ou a gente resolve isso, não vai adiantar a gente conseguir superar os efeitos da crise climática se o racismo e o machismo continuarem matando. Não vai resolver. Então, parabéns e principalmente dizer para a vereadora Paola que, nesta Câmara, com tanto fascista, com tanta gente escroque, a gente tem que reconhecer demais o mandato que tem a coragem de fazer esse e outros debates, porque, pelo menos, ainda que seja uma bancada de esquerda minoritária, ela nunca se cala e, frequentemente, ela põe os fascistas para correr, o que é lindo de ver. Então, parabéns ao movimento nacional das cidadãs positivas e que a gente consiga fortalecer cada vez mais essa luta, que é a luta pela humanidade, que não pode parar jamais. Obrigado. Boa noite. Bom, o mandato e a frente, de novo, de parabéns com essas iniciativas. Vocês não fazem ideia do quanto isso é importante. Eu queria fazer uma pergunta um pouco, pegando o gancho do que o Mariante disse, que tem a ver com a importância do movimento social na resposta nossa, aqui no Brasil, ao HIV. Eu concordo com o Mariante de que, tal qual para o movimento de transformação social, da mudança social, o movimento de mulheres o movimento feminista foi e é muito importante faz a roda da transformação social impulsionar junto com a luta de classe, etc eu acho que eu sou apaixonado pela história da resposta HIV, dos movimentos sociais enfim, sou apaixonado pelas histórias que todos vocês contam e eu acho que no movimento de pessoas vivendo com HIV e AIDS, é um movimento de mulheres que também impulsionam muitas coisas. Eu não me esqueço da primeira reunião que eu fui sobre PrEP aqui em Campinas, que, enfim, é uma discussão sobre protocolo, como que toma, aquela discussão mais clínica, né? E a hora que abre pra pergunta, a Janice levanta, tá, mas e as mulheres? Elas não transam, não? Não tem PrEP pras mulheres, né? Não tinha, né? Pois é, naquele momento, né? Naquele momento não tinha. População prioritária, chave naquele momento, etc. E aí a Fabiana bem contou a história da Naí enfrentando o Estado na garantia do antirretroviral para todos não é só para ela, não era só para era uma luta coletiva e a TIDA escuto histórias da TIDA desde que eu me conheço desde que eu comecei a atuar enfim, sempre a TIDA é sempre uma referência para a história da resposta HIV em Campinas, não só institucional mas junto com as pessoas mesmo, e se é que dá para dividir um pouco o que é parte do movimento social, o que é parte da ciência e o que é parte institucional, porque todas elas caminharam de alguma maneira juntos, o que eu acho, e aí caminhando para a pergunta, eu queria que vocês me conseguissem fazer um panorama de como, acho que a gente tem um momento muito difícil nos últimos anos para os movimentos sociais em geral, acho que o movimento das cidadãs positivas É um movimento que puxa o próprio movimento HIV AIDS com frequência, com a pauta da cura. Eu tenho a impressão que até dentro da RNP a pauta da cura é puxada pelas mulheres, pelas histórias que eu escuto e que eu acompanho desde então. Eu queria que vocês me dessem um pouco do panorama de como é agora, em 2025, com tanta tecnologia, mas também com tanto desafio, com recursos escassos, Como é fazer atuação na Resposta HIV depois de 21 anos? Não é fácil, não. É tirar a lei de pedra. E quem pode falar isso são as nossas lideranças, que a gente está na ponta, porque é um movimento que não tem dinheiro para sobreviver. Então, ele vive através de projetos. E aqui em São Paulo A gente agora conseguimos um CNPJ Para tentar participar Das seleções Tanto do Estado Na cidade, Campinas não tem mais isso Acabou O projeto em Campinas Mas isso não é Campinas Faz parte de uma coisa maior E a gente vai Tentando sensibilizar parceiros Parceiros da iniciativa privada Tem alguns fundos que apoia as iniciativas e é isso que a gente tem feito agora a gente sente que esse colapso dos últimos anos no enfrentamento não só de AIDS, mas todos os movimentos sociais sofreram é uma coisa que impacta todo mundo você pode ver, você pega o movimento de AIDS de 15 anos atrás de 20 anos atrás para agora foram reduzindo essa questão Esse avanço do neoliberalismo nas políticas públicas, a gente conseguiu destruí-las. A gente está batalhando para fortalecer as pessoas envolvidas para conseguir caminhar, mas não está sendo fácil. E a gente do movimento, é isso que a gente fala mesmo, não é porque eu sou do movimento da cidadania, mas a gente sente que a gente puxa. Quem começou a falar de cura foram as cidadãs no encontro. Semana depois, o outro movimento, a RNP, começou a falar de cura também. Que legal, porque todo mundo quer cura. Não é só as bonitas aqui. Todo mundo quer cura. Mas a gente puxou isso. Me lembro da Fórmula Láctea, por exemplo, que virou uma política pública. A gente começou a falar disso antes. A mulherada não pode amamentar. em faixa mulher, quem tem grana tinha leite. Algumas instituições disponibilizavam a forma, outras não. Então, para se tornar uma política pública, a gente teve que falar muito, berrar muito. Eu me lembro de Nair berrando por aí, falando que é absurdo. Então, são coisas que a gente avançou numa época que dava para avançar. Hoje em dia, a gente fica... Não é, Fabi? Fabi que pode falar disso. disso, e a gente no movimento social, uma grande parcela de nós o nosso meio de sobrevivência são os projetos, se você não tem projetos, você vai viver de quê? eu sou aposentada, mas eu sou uma minoria que é aposentada, outros estão trabalhando, não conseguem trabalhar faz projeto, acaba o projeto aí fica aquele tempo, aquele ato sem nenhum investimento então, não está sendo fácil, mas a gente não desiste, a gente nunca achou que ia ser fácil a gente tem que lutar como Silvinha falou, a gente tem que acabar com o preconceito e o estigma, agora não é num passo de mágica, tem que acabar com educação, tem que acabar com informação porque a gente percebe a pessoa fala uma bobagem tão grande por aí, sobre o viver com HIV, não é porque ele é mal é porque a besta não tem informação correta desculpe, a pessoa não tem informação correta então a pessoa fala qualquer coisa, e esse qualquer coisa é cruel, porque ele está dando um tiro no pé dele. Porque, quando você estigmatiza, você não está estigmatizando o outro. Na verdade, é você mesmo, porque no futuro a gente não sabe o que vai rolar. Então, temos que avançar bastante. Educação é a solução. As políticas públicas, a parceria com os nossos legisladores são fundamentais para a gente Os nossos legisladores são fundamentais Eu sempre falo Tem uma frente parlamentar Numa cidade como Campinas É um avanço A gente não pode deixar essa mulher sozinha Nunca, porque ela não está sozinha Ela está com a gente E agora Eu deixo Desculpa Imagina, imagina, sem problemas. Ela falou rapidinho. O microfone. A Renata quer falar um pouquinho? A Renata, aqui, olha. Renata. Nossa, perdão. Que é a nossa conselheira do Conselho Nacional de Saúde. Obrigada. Isso, além de estar Conselheira Nacional de Saúde Que muito me honra, representando O Movimento Nacional das Cidadãs Positivas Naquele espaço Eu também sou uma mulher Vivendo com HIV há 26 anos Já passei por Diversos problemas Mas também passei por diversas Alegrias dentro desse movimento E eu falo que hoje as meninas são como se fossem Minhas irmãs E eu queria, nessa minha fala, lembrar as colegas que já se foram, ou por doenças oportunistas, por abandono de tratamento, por estigma, por discriminação, e também falar da importância de abrir portas para outras que estão chegando. Eu não queria que elas chegassem, mas o HIV, a AIDS está aí. Nós temos sete pessoas que foram curadas e eu agradeço a ciência, porque é com base na ciência que essas pessoas, homens, foram curados. A gente quer mais pessoas sendo curadas. A gente quer saber onde é que está esse segredo. E a gente entende, Paola, que vocês que estão nas posições de comando, você, o Mariante, o colega que está aqui na direção, na coordenação do HIV, vocês podem nos dar as mãos e ajudar a gente a descobrir onde é que está a tão sonhada cura, que é o que a gente busca. O nosso presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ele pegou na mão do movimento social e subiu a rampa. Então, o que eu venho trazer, o que eu venho pedir é que vocês também peguem na mão da sociedade civil. A sociedade civil vai trazer a resposta. A sociedade civil vai dizer onde é que está o problema. E é ali que vocês vão ter que atuar. Porque ficar sentado dentro do gabinete, no ar-condicionado, é legal. Mas ir para a rua, ouvir essa sociedade e o que ela clama é muito importante. Podem ter certeza que o mandato de vocês vai ser um mandato de excelência se vocês caminharem e se colocarem a mulher no centro da política. Então, é isso que eu tenho a dizer. Mariante, é um prazer ter você aqui. Quantos anos, não é? Então, é isso, gente. Obrigada. E agora, e agora, e agora? Agora! Agora nós temos um momento único, que são as homenagens. Uhul! Fabi! Você não tem que pegar e dar para alguém? Você não tem que pegar alguma coisa e dar para alguém? É você, Fabi. É só eu mesmo? Não, eu acho que não. Você não. O HIV meio que corrói o cérebro da gente. Na verdade, a paola é a... A paola vai... Desculpa. Olha, exatamente. quem sabe faz ao vivo então eu vou chamar aqui à frente a Fabi, Fabiana para que a gente possa fazer essa singela homenagem a esses 21 anos desse movimento que tem acolhido abraçado e transformado a vida de tantas mulheres então uma salva de palmas Obrigada, gente. Vereadora Paola Miguel e a Frente Parlamentar de HIV AIDS em Campinas Parabenizo o Movimento Nacional das Cidadãs Positivas, MNCP pelos seus 21 anos de luta e resistência uma história de coragem e protagonismo das mulheres vivendo com HIV AIDS que inspira e fortalece a defesa da vida e dos direitos Campinas, setembro de 2025. Deixa eu vir aqui para não ficar de costas. Eu agradeço, em nome do Movimento das Cidadãs Positivas, a vereadora, por essa iniciativa, por esse comprometimento com o movimento e com a vida. Mas essa placa, eu estendo essa homenagem Não apenas para as mulheres vivendo com HIV AIDS, mas para as mulheres que também estão conosco, mas não vivem com HIV AIDS e nos ajudam a levar este movimento para frente. Nós temos aqui mulheres que estão junto com o movimento, que vivem e que não vivem, mas são sensíveis à causa do MNCP. Também essa homenagem é para os nossos parceiros. Nós temos muitos parceiros, pessoas que realmente vestem a camisa junto com o MNCP, que são sensíveis, que amam estar junto com as mulheres vivendo com HIV AIDS. E muitas vezes, quando a mulher não pode falar lá no município, ela fala pelas mulheres também. Então nós temos parceiros, vários parceiros, como a Genice colocou aqui, de fundos, de gestores que são parceiros nossos também, profissionais da saúde que são parceiros também do MNCP, movimentos sociais que são parceiros, fóruns, a todos. Essa placa é para todos. Muito obrigada. Calma, calma, que temos mais uma. Mais homenagens. Pelo menos mais uma. E agora... Agora a Janice, que vai fazer as honras. Então, a gente não podia deixar de homenagear uma pessoa muito especial para a gente, sabe, Tida? Uma pessoa que é especial não só para mim, para o Movimento das Cidadãs, mas para todas as mulheres, milhares de mulheres, que ela deu um abraço. Então, você sinta-se abraçada por todas essas e receba o nosso carinho, Tida. Gente, é assim, pois é, pois é, né? A gente não vem para chorar, mas não tem como não chorar, né? É uma vida, é uma história, junto com todas vocês, né? Não é porque a gente não tem, não é protador, não tem o vírus, que a gente não vive a história. E essa caminhada de cada uma e de cada um de vocês, né? A minha vida, a minha história profissional, a minha história na saúde foi com pessoas vivendo com HIV AIDS. Como eu disse anteriormente, a gente chorou muito no corredor de ver as pessoas irem morrendo nas macas. Mas a gente também vibrou muito com cada conquista que a gente ouvia e com a força de cada um e de cada uma de vocês. Então, isso aqui, para mim, é um coração, é um carinho enorme, é uma alegria, é um afeto, é um colo que eu não quero sair. Muito obrigada, gente. Nós temos mais uma homenagem, mais um segredinho agora de homenagem. Não sei para quem é. Alô? Paola. Essas flores, que elas encantem o seu caminho, que elas encantem o seu mandato. E muito obrigada por todo o seu trabalho, por toda a sua dedicação, pelas horas de sono que você perdeu pensando em como melhorar a vida das pessoas. Está bom? Para você. Obrigada. Obrigada. Gente, quero agradecer muito a todas, todos e todos acho que essa foi uma das reuniões a frente mais alegre, mais pra cima e sem dúvida nenhuma é isso que o movimento traz pra nós alegria de viver alegria de ser, esperança transformação, sem dúvida nenhuma, cada um de vocês que passa por aqui hoje transforma a minha realidade a minha vida e vocês do MNCP em transformar a vida de muitas mulheres, que venham mais 20, 30, 40 anos que a gente volte pra essa Câmara pra gente poder comemorar e agora falando das vitórias e não somente dos desafios, acho que a gente já avançou muito pela luta de vocês Mas agora a gente tem muita luta para fazer ainda E a gente vai fazer, sem dúvida nenhuma Juntas, juntos e juntos É isso Vivas e vivos Muitíssimo obrigada, gente Imagina Vou falar para a Janice fazer as honras E chamar a Ana Lúcia Para a gente encerrar em grande estilo Aqui a nossa noite de hoje Enorme agradecimento a todos todas e todos que estiveram presente que partilharam esse momento com a gente então agora a nossa querida musicista especial maravilhosa vai nos brindar com mais um momento musical cultural E assim ficou pronto. Música A CIDADE NO BRASIL E assim ficou pronto. Música Música Que lindo. Alô, alô. Que linda, não é? Só para finalizar, que eu já vou passar a bola para a nossa querida anfitriã. Um compromisso das cidadãs positivas. Amanhã nós vamos fazer uma oficina, que a nossa querida Tida vai nos apoiar, e depois nós vamos continuar. E nós vamos enviar para a frente parlamentar alguns encaminhamentos que nós pensamos que podem ajudar essa discussão do enfrentamento da epidemia de AIDS aqui na cidade de Campinas, que, junto com a gestão, a gente pense em qualificar e melhorar o que a gente está enxergando e o que precisa fazer. Muito obrigada. Gente, eu quero aqui agradecer a todo mundo, agradecer a Ana Lúcia, quero agradecer aqui os nossos conselheiros, Danilo Alves, Carolina, agradecer ao Alexandre, à Suzy Santos, ao Gustavo, agradecer a nossa mesa, tão significativa, à Tida, agradecer também à Janice, agradecer aqui a nossa primeira mesa, à Fabiana, Josué, agradecer à Liliana também, agradecer a presença de cada um e cada uma de vocês. Quero fazer um agradecimento especial à Cris, que ajudou muito a gente nessa relação, nessa ponte. Dizer que a frente parlamentar sempre vai estar aberta para que a gente possa construir, transformar, realizar. Quero aqui, mais uma vez, parabenizar a Silvinha, nossa miss. Venha sempre que você quiser. E o nosso parceiro também, Mariante, Que a gente puxa lá para ele Ajuda a gente aqui E ele sempre está disponível E antes de a gente encerrar de vez Quero chamar todo mundo aqui na frente Para a gente fazer uma foto Bem bonita Registrando esse momento Esses 21 anos do movimento nacional Das cidadãs positivas Que tem transformado E sido luz para a vida das mulheres Então pode ser aqui na frente mesmo Que aí o nosso Lucas Quero agradecer também todo o pessoal da Câmara, que ajudou a gente aqui nessa sessão. Agradecer também o pessoal da equipe aqui, que tem ajudado nessas transformações. Na frente! Vamos todo mundo para a frente. Vou para a frente também. Vamos, gente, vamos! Sem vergonha! Aqui, pessoal, vamos juntar, vamos juntar. Junta mais, junta mais, junta mais. Obrigado. Legenda Adriana Zanotto