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[Música] TV Câmara, Campinas. Então, uma boa tarde a todas as pessoas aqui presentes, eh, com muita satisfação que a gente recebe aqui na reunião da Frente Parlamentar da Educação. Essa frente foi instituída esse ano, né? Eh, nós já fizemos algumas reuniões debatendo temas importantes sobre a educação aqui do município. Pra gente tem sido um desafio gigantesco fazer uma reunião que paute a questão principalmente da educação especial no município, né, no nosso aqui essa casa, alguns mandatos, o meu o meu mandato tem tido um acompanhamento muito próximo, principalmente da pauta das cuidadoras, que são as profissionais que estão em salas de aula, dando suporte, apoio, né, para atender os nossos alunos. nos PCDs. Eh, mas a gente queria tanto acolher, ouvir a essa demanda das cuidadoras, mas também a gente entende de extrema importância a debater os desafios, o avanço, enfim, da proposta pedagógica, política pedagógica da educação especial no município. a gente sabe que é um setor extremamente potente na cidade, até porque o nosso mandato já recebeu várias vezes eh pessoas dizendo que que estão no ensino particular e solicitando que a prefeitura exigisse que o ensino particular pudesse garantir a mesma qualidade que garante na na rede pública, né? Então a gente sabe que por aí a gente já sabe o quanto é potente a área da educação especial no município. Então para mim é uma é uma imensa honra hoje sentar com essas pessoas que estão aqui ao meu lado compartilhando essa mesa comigo. Nós íamos ter uma uma profissional cuidadora conosco que não pôde vir, né? também a gente tentou muito tê-la aqui conosco para que a gente pudesse fazer esse movimento de escuta mesmo, né, das suas dificuldades, dos enfrentamentos, do que tem sido ser cuidador no município de Campinas, mas infelizmente nós não conseguimos, mas nós conseguimos outros profissionais eh comprometidos aqui que estão aqui conosco na mesa e principalmente o nosso convidado especial, que daqui a pouco eu vou anunciar, né? Então, primeiro eu quero eh agradecer a presença da Elise Helena Batista Moura, que é coordenadora pedagógica do grupo de educação especial. A Elise está aqui, por favor. [Aplausos] Eh, também quero agradecer a presença aqui da Adriana Padilha, professora aposentada. Adriana é uma companheiraça de longa data, muita coisa eh que eu aprendi enquanto monitora de educação infantil na atuação com crianças eh deficientes. Eu aprendi com a Adriana Padilha. Muito obrigada pelo convite, por você ter aceitado o nosso convite. Obrigada, viu? Adriada. Também está na mesa aqui a Sônia Celim, que é fonodióloga. A Sônia, ela procurou o mandato por conta de uma de uma situação, de uma atuação que ela tem enfrentado muito, que é ela acompanha, né, algumas algumas crianç algumas pessoas, né, crianças principalmente, eh, PCDs. E ela tem tem uma questão colocar para nós, né? O que que a gente pode fazer enquanto atuação militante fórum para acompanhar as crianças depois que saem da escola, depois que perdem, né, esse espaço, suporte, esse suporte. O que fazer com os nossos alunos depois que sai da idade regular? O que que a gente vai fazer, né? o que que o estado pode oferecer nessa condição. Então, a Sônia tá aqui também para poder debater conosco. Muito obrigada, viu, Sônia? Obrigada você. Bom, e antes também eh mas ele não, ele não vai falar agora, vai falar depois, o nosso convidado especial aqui, que é o ativista anticapacitista, militante da pauta, eh, e está aqui representando o MEC também, porque ele é embaixador, né, do MEC nessa agenda, nessa pauta. Eu agradeço muito a presença do Ivan Baron. Muito obrigada, viu, Ivan? por você ter atendido o nosso pedido. Obrigado, pessoal. Vou passar uns recadinhos antes para antes da gente abrir pra mesa. Primeiro eu quero eh vou fazer minha autodescrição, que eu não fiz de, já comecei falando que nem uma acelerada e não fiz minha autodescrição. Eu sou uma mulher negra de pele parda, cabelo cacheado na altura do ombro. Tô tenho uma uma idade média, 54 anos. idade. Eh, sou tenho estou com uma, uma camisa vermelha escura. Atrás de mim tem uma tem uma parede, que cor que é isso? De madeira, né? De cor, cor de madeira, assim, um marrom claro assim. Eh, e estou aqui também hoje presidindo essa frente parlamentar. A atividade de hoje, ela não tá sendo transmitida automaticamente na TV Câmara, não está sendo, mas ela vai ser assim que ela terminar, que ela porque teve, né, uma uma questão de agenda de uma outra atividade, mas assim que finalizar essa atividade aqui vai imediatamente pra grade da TV. Então, nós não temos nesse momento o link para compartilhar com vocês, mas eh a gente pode inclusive pegar uma lista aí de presença, a gente pede pro Leandro qualquer coisa, uma lista pra gente assim que terminar, finalizar, a gente repassa para vocês no WhatsApp de vocês e aí vocês vão ter esse material, né, para poder depois compartilhar. A ideia é a gente começar aqui a atividade, abrir essa atividade com, né, e com as palestrantes aqui e depois a gente, por último, a gente escuta o Ivan, tá? E depois eu abro para vocês, tá bom? Porque eu acho que não vale a pena a gente fazer uma atividade sem que as pessoas possam falar, possam se se expressar, tá? Quero pedir também, quem tiver representando alguma entidade, fique à vontade para ir até ali o cerimonial a Bárbara, que ela anota o nome e e traz aqui para eu poder anunciar, tá bom? Então, eu quero aproveitando então anunciar a Priscila Amorin Silva que é fonodióloga. A Priscila é do Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação, Professor Gabriel Porto da Unicamp. Priscila, muito obrigada pela sua presença, tá? Aí, sinta-se à vontade, tá bom? E então a gente vai eh abrir, né, as falas. A Sônia fala primeiro e depois a gente vai aqui compartilhando aqui a ordem de falas aqui com os companheiros da com as companheiras da mesa, eu, Ivan, e depois a gente passa para o Ivan. Aí a gente abre e depois a gente retorna pra mesa se tiver alguma questão e a mesa também pode fazer as suas considerações finais, tá? e o nosso querido cuidador que tá aqui, que eu chamo ele de amado também. Sinta-se à vontade e no momento oportuno, se você quiser fazer fala, pergunta ou fazer qualquer, né, intervenção, fique à vontade, tá bom? Bom, é isso. Pode ser, pode ser. Sônia, acho que tá ligado, né, meu microfone. Bom, boa tarde a todos. Eh, eu sou a Sônia. Eu sou uma mulher branca de terceira idade. Tô vestindo uma blusa clara, calça jeans, uso óculos. Eh, acho que é só. Então eu vou começar a falar para vocês. Quando a gente pensa assim, desafio da educação especial, eu acho que a primeira ideia que vem é de criança, mas não é a minha proposta hoje falar de criança, mas falar de um momento que a criança vai passar e que a educação especial não está voltada, porque nem esse nome mais caberia. Então vamos lá. Se eu acertar aqui, costumo me perder um pouco, mas agora vai. Então, eu vou ler para vocês a fala de algumas mães. Deus não devia deixar morrer quem é mãe de filho especial. Quem vai cuidar deles? Essa é a fala da CM, mãe de PM, síndrome de X frágil, 28 anos. Mães de filhos especiais não tem licença nem para morrer. BD, mãe de LJ, síndrome de D, 34 anos. E GL, mãe de FL, síndrome de R, 23 anos. Elas representam milhares de outras mães que pedem respeito legítimo por suas dores. E é disso que nós vamos falar hoje. Tenho 40 anos e estou tomando remédio, pressão alta. Todo mundo fala que meu filho tem direito a muitas coisas. Cadê? Me explica o que tem que fazer. Rezo tanto para isso ser verdade. Essa é a fala de PS, mãe de BS, TEIA e deficiência intelectual, 18 anos. Do que a PS, essa última que eu acabei de apresentar, tá falando? Ela tá falando da inclusão no Brasil. Então, e a inclusão do Brasil tá como nesse momento? ou qual foi o percurso que ela fez, que a inclusão trilhou para chegar aqui. Então, inspirado na declaração de Salamanca, é uma condição internacional para colocação de crianças eh especiais na rede regular, né? em 1996. Então, nós tivemos a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional para poder começar a organizar isso no Brasil em 2008. E por isso que eu marquei com em amarelo pra gente prestar atenção no seguinte: Política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Determinava essa lei em 2008 que a inclusão de alunos com deficiência no ensino eh regular deveria contar com o apoio de serviços e recursos complementares. Olha que belezinha, parece que a gente tá na na Suíça. Em 2015, essa lei foi melhorada. Olha que é mesmo de emocionar. Lei brasileira de inclusão da pessoa com Deficiência. A inclusão deve ser feita independentemente da necessidade. O ambiente tem que ser acolhedor. A oferta de apoio pedagógico especializado tem que ser feita. A adaptação do currículo e a promoção da interação entre todos os alunos tem que ser incentivado e promovido. Então, a minha pergunta diante das falas dessas mães é: por que essas mães e muitas outras só contam com a espiritualidade? Um dos casos é que quando as crianças com necessidades especiais, especialmente no caso de deficiência intelectual ou alteração de linguagem muito séria, inúmeras vezes elas têm uma colocação, normalmente elas ficam sem lugar. Como é que começa as histórias de inclusão? dado que são histórias eh singulares, diferentes entre si, com complexidades distintas, mas quase sempre é o professor ou monitor quem faz a inclusão. A escola pode facilitar ou não esse processo, depende da gestão escolar. Na primeira infância, lá entre os 0 e 6 anos, a possibilidade de inclusão é maior. Por que que é maior? porque não exige, tem menor complexidade do currículo, maior e e é menor também a percepção da diferença entre essas crianças nessa idade. Então eu tenho e eu defendo essa bandeira de que de 0 a 6 anos é a fase escolar mais importante paraa criança, para todo mundo. Por quê? Porque é desse período que vai depois ter o alicerce de todo o desenvolvimento da criança do que ela vai ser quando for adolescente, adulto e idoso. No ensino fundamental, a criança pode ter um ou não um atendimento especializado. A aceitação dos pais, a questão dos pais já costuma estar mais clara pelo sim e pelo não. e o professor e monitor seguram as questões. A questão maior é quando a criança tem um problema de comportamento muito sério, porque aí isso gera uma quase que uma impossibilidade de só o professor e o monitor cuidar. Quando a gente fala que a criança pode ter atendimento especializado, normalmente é particular, porque eu tentei procurar, tentei não, eu procurei a relação de quantas fonos tem na Prefeitura de Campinas em proporção à população. E olha, eu não consegui achar, mas eu escuto, tem muita gente que me procura perguntando, é uma vergonha, isso tem que ser revisto, porque isso é uma lei e isso não acontece. Então, se alguém tiver essa relação e quiser falar, acho que vai ser legal. Nos no fundamental dois, o problema já começa a ficar maior, porque aí são vários professores, todos teriam que fazer a adaptação do currículum. E isso é muito difícil de acontecer. É muito difícil às vezes da coordenadora entender a essa questão. Então nós temos aqui a Janaína, que depois eu gostaria que você contasse sua experiência, a Janaína, que é riquíssima, eh mostrando a grande dificuldade que é a adaptação a à inclusão escolar no Fundamental dois. Só que acontece uma coisa, eh, uma criança com muitos problemas, ela é incluída numa escola regular e muitas vezes ela vai lá para fazer a socialização, para tentar fazer amigos, porque eu atendo crianças que estão na escola há mais de 10 anos, não consegue aprender a ler e escrever e fica nessa escola para isso. Só que chega uma hora, ela termina o 9o ano sem saber ler e escrever. Que sentido teria ela ir pro ciclo básico? Então é aí que para e é aí que começam também os problemas, porque essa criança vai para onde que já não é mais criança, é um adolescente e alguns casos adultos. Então para onde essas crianças vão quando termina o fundamental dois? Eh, quando a gente sabe que a inclusão no mercado de trabalho para quem tem uma deficiência intelectual severa ou tem muita dificuldade de linguagem, é quase raro, é muito pouco o caso. Até porque a criança que tem uma grande dificuldade de linguagem, com o tempo lá na frente, quando ela foi adolescente, adulto, ou antes disso, ela pode, a literatura eh eh aponta uma questão psiquiátrica, porque ela vive num mundo que não é o que todo mundo partilha. Ela interpreta o mundo de uma maneira diferente. Não podemos dizer que ela tem um mundo próprio. Não, ela não tem um mundo próprio. Ela tem pedaços de mundos que ela tenta se adaptar, o que dificulta mais ainda a colocação dela no mercado de trabalho. E aí a gente podia tentar responder pra PS, mãe de BS, quando pergunta o que eu tenho que fazer agora? Que que eu posso fazer? E a gente vai perguntar para ela, você tem dinheiro para pagar o altíssimo custo de uma escola particular especializada e nem sempre boa? Você tem como pagar acompanhante terapêutico para seu filho? Você tem como pagar um cuidador em período integral? Quase sempre a resposta é não. Gente, o custo de uma escola particular criança especial é muito caro. É compatível com o curso de medicina numa escola particular. Então, a gente vai ter que responder para ela. Vamos continuar contando com a espiritualidade para ter força e saúde para aguardar por ações públicas respeitosas. Aí a gente também tem que olhar para um outro lado que é o lado da escola. E eu trago aqui a fala de um monitor num curso que eu dei e achei bem interessante que ela colocou. Eu acompanhei uma criança por dois anos inteiros no infantil com Teia. Eu tinha que explicar como a criança estava, mas nunca pude participar da reunião do professor com a coordenadora e os pais. Desanimei com desrespeito de ser excluída das conquistas dela, da criança. Consegui ir para outra escola. Essa é a fala da AP, Monitora Educação Infantil, uma outra professora do ciclo do fundamental um. Na minha classe tenho dois alunos com teia, quinta série, suporte dois e três. Então, o suporte três é muito severo. Até a questão da da higienização é complicada, tem que ter alguém ali para ajudar. Eh, três crianças com TDH, porque a gente tá sofrendo uma epidemia de diagnóstico na infância, e um com tod. Então, exato. E não é por coincidência que aparece exatamente teia, TDH e TOD. A inversão é o primeiro, mas na estatística de diagnóstico é primeiro TDH, segundo TEIA, terceiro TOD, que é transtorno opositor desafiador. Tia, todo mundo sabe que é transtorno do espectro autista e TDH é transtorno de déficit de atenção e hiperatividade. E ela aí a professora fala: "Eu tenho um auxiliar, as famílias exigem tudo de mim e minha minha coordenadora fala para eu me acalmar", porque ela falou que ela todo dia ela fica desesperada, volta para casa assim, a alegria dela é, sabe, poder chegar em casa para ficar longe dessa pressão. E agora eu vou falar para vocês de estatísticas. É muito chato falar disso, mas é necessário, porque a gente vai vendo uma notícia no jornal, uma outra notícia no Instagram, uma outra no Facebook, mas a gente não junta tudo e tem alguém que junta, que é que são as pessoas que trabalham com pesquisa. Então a gente tem que levar em consideração, nós estamos falando de inclusão, né? Estamos falando da de inclusão da pessoa com essas dificuldades. Teia nível um leve tem um alto índice de depressão e suicídio. A Organização Mundial da Saúde em 2023 falou no na pesquisa que eles fizeram, 66% dos autistas pensaram ou ainda pensam em suicídio. E pessoas com teia t até quatro vezes mais chances de ter depressão. A Brenda tem um um artigo dela interessante que tá falando exatamente a minha preocupação. Olha só. Aumento de risco de suicídio de mães atípicas com o ou sem seus filhos. Vocês têm acompanhado no jornal? Tem casos de mães que pulam do prédio com o filho. Olha que coisa mais triste que eu tô falando. Mas não tô mentindo. Gostaria que fosse alucinação, mas não é. Os desafios. E daí ela, eles fizeram um estudo que eu tô achando assim mais, cada vez mais a gente tem que estudar isso. Olha, o aumento de risco de suicídio de mães atípicas com ou sem seus filhos. Os desafios da maternidade de uma criança com teia são emocionais, sociais e políticas públicas de apoio, estratégias de enfrentamento e a rede de apoio familiar influenciariam na diminuição de suicídio dessa população. A revista da educação, achei tão interessante isso, ela esse ano ela, eu não sei se já não lançou os professores, tiver algum professor que puder me falar isso, mas a proposta era o janeiro branco, assim como tem setembro, não sei que cor, maio, amarelo, agora janeiro branco por em homenagem ou para chamar atenção pra saúde mental dos professores. Olha que coisa. Olha como a cultura, a nossa realidade, vai absorvendo os problemas, vai dando nome, vai arrumando data. Mas o que será que acontece de real diante de coisas tão trágicas que eu tô trazendo? Bom, eu espero voltar aqui algum dia só com boas notícias, porque hoje foi pesado. Eh, mas eu queria ter notícia sobre ação, ação, ação. Tô cheia de ver coisas escritas que não saem do papel ou que ficam só bonito no papel. E na realidade das crianças que eu encontro na clínica, das mães dessas crianças, isso não acontece. incluir. Por isso que eu falei, a gente começa falando de educação especial, achando que a gente tá falando de criança. Não, incluir é considerar essa criança o adolescente, o adulto e o idoso que ela vai se tornar. Porque antes a gente achava que quem nascesse com síndrome de Down ia viver 15 anos. Agora vive vive o que todo mundo vive. E aí, eh, eu acho que então a proposta é essa, é considerar um projeto de vida para essas crianças, adolescentes, adulto e idoso. A gente tem que pensar na possibilidade de futuro deles, como qualquer outra pessoa. E aí, eh, só assim a gente vai poder respeitar a dor legítima de cada uma dessas mães. Muito obrigada, [Aplausos] Elise, por favor. Obrigada, viu, pela disponibilidade. Aí a gente teve uma dificuldade de conseguir alguém do núcleo e felizmente o núcleo conseguiu enviar uma representante para poder debater conosco o tema, que pra gente é muita é muito importante. Obrigada. Boa tarde. Eh, eu sou Elise, então sou uma mulher branca com cabelos médios, com mechas loiras, cabelos castanhos escuros, uso óculos, estou com colete azul, né, um lenço branco. Também tem o meu sinal que eu recebi de uma criança do Júlio de Mesquita, que me deixou extremamente feliz. E também para nós, né, é um é assim um um prazer estar aqui também. A gente agradece o convite porque é bem importante a gente também trazer um pouco aí do que tem sido feito do trabalho, porque cotidianamente estamos nessa luta de pensar a partir dos desafios, quais são as nossas ações e a gente sempre pensa no coletivo, né, a partir de muitas trocas. Então, inclusive, é um prazer estar com essa mesa aqui, né? Eu agradeço. Então, estou falando hoje, né, em nome da Secretaria de Educação, a Tânia Chimene está aqui, supervisora educacional do departamento pedagógico, a minha colega de núcleo de educação especial, Catiusca, as professoras de referência, né, Elisete e a Flávia. Acho que Bom, então eu vou tentar ser breve, né, porque são 15 minutos. Mas eu quero trazer a intenção da gente trazer aqui o que tem sido feito, né? Quais quais são as ações, quais são os desafios que a gente tá no momento eh mais focados, né? Porque é uma amplitude de situações, de desafios. Então, eu gostaria que passasse esse primeiro slide. Pode passar. Ah, aqui. Ah, ótimo. Bom, gente, só para completar também. Ah, tá, tá. Acho que eu vou ficar aqui mesmo, só para completar, né? Eh, lá no núcleo de educação especial. Então, a educação especial, ela tem um núcleo que está na Coordenadoria de Educação Básica, que é vinculado ao Departamento Pedagógico da Secretaria de Educação. lá somos no momento em três coordenadoras pedagógicas, além de mim, da Cachusca, também temos a Ana Paula e também eh um colega que deverá chegar do concurso público, porque nós somos profissionais de carreira concursadas, né, coordenadoras pedagógicas concursadas e ocupamos esse lugar para pensar a política pública na educação especial, juntamente aos profissionais dos naedes e consequentemente também ouvindo aí aí as demandas que vão vão sendo trazidas, né? Também temos o Bruno, que é o nosso agente administrativo, eu gosto de falar porque ele nos ajuda muito, né? Me ajudou, nos ajudou nessa apresentação inclusive que também para nós acabou chegando o convite agora, Guida, então a gente, né, se organizou, mas a gente conseguiu vir, né? Então isso é muito bom. E bom, aí temos aí as professoras de referência, temos a equipe ampliada do CMA, do CPROM, Gaia. Eu vou falar um pouquinho disso tudo no decorrer, Centro de Memória da Educação Especial e também uma professora articuladora da educação bilíngue. Bom, gente, a gente fez essa imagem que traz eh um pouco, né, de uma maneira aí visual esse desafio, esse trabalho, que é pensar educação especial na rede municipal. Então, pela imagem já é possível possível observar que são muitas frentes de trabalho. Nosso núcleo realmente é um núcleo que ele tem muitas e muitas ações, porque a própria educação especial já é uma área ampla, né? São várias deficiências, tem o TEA, tem as altas habilidades por dotação, que a rede municipal de Campinas pode se orgulhar de falar que tem feito um trabalho de ponta, né? um trabalho que sobressai a nível nacional, né? Nós nós fizemos a política pública das altas habilidades nos últimos anos, né? Até a Adriana Padilha também participou desse movimento porque foi junto às professoras de educação especial. Então, a gente tem a, vou falar assim de forma breve um pouco das ações. Primeiro, eh, a educação bilíngue. A gente sabe que desde 2021 a educação bilíngue é uma modalidade, né, segundo a ldb. E são a educação bilíngua é um outro campo de ações, de necessidades, formações profissionais, né? A questão da comunidade surda, da identidade, dessa necessidade de pensar Libras como primeira língua, né, da pessoa surda. Então, eh, pro núcleo também é uma responsabilidade grande a gente conseguir acompanhar as escolas polo bilíngua e pensar o atendimento desses alunos na cidade, né, que hoje a gente tem uma escola bilíngua de ensino fundamental, mas isso poderia ser também ampliado para para talvez mais um polo, né, mais próximo da residência desses alunos, ainda que eles tenham, né, um transporte diferenciado que busca eles nas suas residências, os alunos surdos, né, que vão paraas escolas polo, eles têm o direito a esse transporte diferenciado, que é um marco também da rede, né, de garantir o direito desses alunos poderem estar na escola Polo e estando na escola Apolo, eles terem os pares linguísticos. Então isso é garantido muitas vezes com esse transporte diferenciado. E aí a gente tem toda a questão da de como realizar as articulações, né, com os professores na na a partir da figura da professora articuladora bilíngue, que é a Nelma, e enfim, como a gente vai fundamentando tudo isso. Então, é uma ação grande do núcleo acompanhar junto à professora articuladora e junto ao aos naedes, né, porque os naedes sempre estão conosco aí na figura das professoras de referência. Temos também o CMAPA, que também é outra conquista dos últimos anos da Secretaria Municipal de Educação. É um equipamento público, eh, que é o Centro Multidisciplinar de Pesquisa e Apoio à Educação Especial. Eh, é um é um prédio, né, lá na Carolina Florence. E nesse prédio ele tem o potencial para ser tanto espaço formativo, porque temos espaço para formação, né, espaço físico, eh, que isso já facilita bastante só de ter os espaços, né, pra gente se reunir, pra gente falar de educação especial. Lá nós temos o Centro de Memória da Educação Especial, temos também o Centro de Altas Habilidades, que na verdade o SEMAP ele vem a partir dessa demanda da gente ter um centro de de altas habilidades perdotação, que era uma, como eu disse, né, foi uma conquista nossa nos últimos anos, a partir de 2018, que a gente sem, né, começou a dialogar com os professores, pensar como a gente poderia atender esses alunos, começar a identificar os alunos com altas habilidades. Então, o Gaia, que é o gestão e apoio a aos alunos com altas habilidades, superdotação, o Gaia está lá no Semapa e é muito interessante quem um dia puder ir lá conhecer, porque é um espaço bem diferenciado. E no SEMA também temos o CPROMAD, que é outro serviço da educação especial muito bom, né? Que é um serviço que ele realiza toda a adaptação de materiais, acessibilidade em Libras, em Braile, para que os alunos nas escolas possam ter esses materiais acessíveis. Então, em relação à comunicação alternativa também, né, são as grandes frentes de trabalho do Cepromad. Então, em Campinas, pros nossos anos da rede municipal, eles têm os professores à escola podem pedir para que o CPROMAD realize acessibilidade em Libras para que nenhum aluno nosso com deficiência visual ou cego fique sem o acesso ao material em Braile e Libras também os vídeos em Libras para os alunos surdos, né? Então lá eles produzem os vídeos com acessibilidade em Libras. Então é é um outro serviço, né, que que é muito caro pra rede, né, muito caro no sentido de ser muito precioso. Lá nós temos algumas professoras de educação especial que estão lá por processo seletivo realizando esse trabalho. Então sempre a valorização do professor de educação especial nesse processo, porque ele esse profissional que tem o conhecimento específico, né? Então eles estão nesses espaços, assim como no Gaia também é uma professora de educação especial que é a professora articuladora do do trabalho com altas habilidades de superdotação, que é a nossa sala de recursos de altas habilidades superdotação, né, na verdade. Bem, eh, temos as professoras de referência do dos naedes, né? Já faz 4 anos que as professoras de referência dos NAedes, que são professoras de educação especial, elas estão eh com a jornada delas de professoras dedicada a esse trabalho de professora de referência, porque elas dão o suporte, né, às escolas, naquilo que é mais específico das escolas das regiões, que nós temos cinco regiões na cidade, então elas articulam no âmbito do NAED, fazem parte da equipe do Naed na articulação com supervisores, com as escolas, né, com as equipes gestoras, levando a política da educação especial e também faz essa articulação com o núcleo, né? Então, a gente se reúne quase semanalmente para para trocar, para trazer os desafios e a gente vai escutando muito e é isso, aprendendo o que tá acontecendo nas escolas, entendendo pra gente ir pensando como avançar. Então essa é uma outra frente bem importante. E nós temos também e a política de educação especial que a gente tá escrevendo o texto finalizando, porque a gente quer finalizando esse texto poder publicá-lo, né, enquanto política pública, pra gente cada vez mais garantir as conquistas que foram aí historicamente, né, eh eh conquistadas no decorrer dos anos por vários atores históricos dessa educação especial, né, os professores, tantas pessoas que sempre lutaram, né, pelos direitos dos alunos, pela inclusão com qualidade. A gente sabe que sim, a rede municipal é uma referência, né, de de trabalho, ainda que sim, também temos muitos desafios, mas mas nós temos muito muito recurso e muitas ações para dizer que estamos sim avançando. Eh, e aí as ações formativas, né? eh as ações formativas, que são super importantes, são reuniões mensais com as professoras de educação especial, eh, que podem ser ou com núcleo ou nosedes. Temos também contratações de formadores específicos para trazer as as temáticas importantes, que são várias, né, justamente porque tem várias áreas, educação especial, aí eu vou falar um pouquinho mais à frente. E são são os serviços também, né? O serviço de cuidador, o serviço de de do apoio pedagógico, da sala de recursos, né, que que acontecem no contraturno, né, o trabalho do AE no contraturno. Então, nós do núcleo a gente vai olhando para tudo isso, né? E aqui eu detalho um pouquinho mais em relação aos serviços. Primeiro, professor de educação especial nas escolas, que é importantíssimo, é ele que tá ali na escola levando conhecimento específico da educação especial para ajudar esse coletivo, esses profissionais a realizarem um trabalho com os alunos, que contempl as suas necessidades, né, pensando seus desafios e olhe mesmo para cada para cada aluno, cada indivíduo. Então, esse professor de educação especial, ele é importantíssimo e central nessa política, porque o desafio dele não é apenas trabalhar com o aluno, é também é também fazer o a, mas o desafio dele é articular, articular com o professor da sala, articular com a equipe gestora, articular nas intersetoriais. Temos também, como eu disse, o AE no contraturno, que são que ocorre nas salas de recursos. Hoje temos cerca de 30 salas de recursos. Esqueci agora o número porque são muitos dados, mas são cada vez, a cada ano a gente também tem aumentado o número de sala de recursos. Mas lembrando que o AEE nosso, ele é garantido noturno escolar, justamente porque a gente tem um professor de educação especial no turno escolar. E vale a pena ressaltar, importantíssimo ressaltar, que desde o início do ano passado, a rede ampliou significativamente o número de professores de educação especial, que era uma luta histórica da rede municipal, porque os professores de educação especial muitas vezes tinham que ficar em duas ou três escolas. um professor de educação especial antigamente para ensino fundamental IEJA, era muito difícil, né, o trabalho, porque ele tinha que articular com muitas turmas, muitos professores. E desde o ano passado foram chamados mais de 70 professores, né, a gente ampliou os cargos, os blocos e hoje temos 214 professores de educação especial na rede e também professores adjuntos de educação especial no número aí significativo. Então a rede tem trazido esses profissionais porque é essencial, né? É parte de um desafio, é como a gente traz esses profissionais efetivamente. Tá dando para me escutar bem? Bom, temos também o serviço do cuidador, depois vou falar mais um pouquinho, o apoio pedagógico aos processos inclusivos, que a gente sabe que é uma necessidade. Inclusive, esse ano a gente tá trazendo uma formadora, Mariana Lopes, pra gente ter uma formação de rede sobre essa temática, pra gente conversar um pouquinho mais sobre esse serviço de apoio, porque a gente sabe que não é só colocar o profissional do lado, é qualificar o que esse profissional está fazendo, como está fazendo, qual a concepção de educação inclusiva, né? Como esse profissional, ele é um ator junto com os outros atores da escola. ele não é o único responsável pela criança, ele não é o principal responsável pela criança. Então, a gente tem várias questões que a gente tá dialogando sobre isso e e formação é importante, né, pra gente enquanto rede ter o mesmo olhar, falar uma mesma linguagem. E hoje tem, né, esse serviço também que em sua maioria é feito com estagiárias, mas também temos outros profissionais que que realizam como professores adjuntos de educação especial. Temos o transporte escolar adaptado e o diferenciado, que eu já falei. O adaptado é para os para os alunos com deficiência física ou alunos com tea que tem uma uma mobilidade reduzida devido a alguma questão sensorial, né, uma dificuldade grande causada pelo TEA, né, que impede que ele possa ir para a escola usando um outro meio de transporte. Então ele também tá nesse, esses casos específicos também são contemplados, assim como surdos cegos. Então é um é uma é um serviço bem importante. Eh, eu já falei um pouquinho do CPROMAD, né, dos materiais do Gaia. E fora tudo isso, é são as orientações, né, todo o trabalho que é feito aí eh repetidamente para pra gente cada vez mais levar educação especial para os diálogos com todos os profissionais da educação. E aí, gente, uma coisa bem importante que a gente realizou bem recentemente, é que foi do final do ano passado para esse ano, o núcleo de educação especial, junto às professoras de referência, junto às professoras da rede, nós elaboramos nosso documento que é o referencial de identificação das barreiras no contexto escolar, acesso permanência e participação dos alunos público alvo da educação especial. E esse referencial, ele é um documento muito importante, porque ele é um documento de de olhar para essa criança, de levantar os pontos principais sobre ela, né, no diálogo com a família, no diálogo no próprio contexto escolar, potencializa o trabalho colaborativo, que é um processo para preencher esse esse referencial, é um processo eh enriquecedor ali no contexto escolar, porque ele vai trazendo subsídios pro trabalho com aluno. Quais são os as barreiras que impedem que essa criança, esse aluno esteja tendo acesso e participação mais efetivos no contexto escolar? Que é o grande desafio, né, gente? Que é isso, não basta só estar na escola ou ali para socializar, muitas vezes não. E o conhecimento, como que a gente faz para planejar? Qual que é a barreira que tá impedindo? Qual o recurso que a gente vai pensar? quem vai estar envolvido, como vai estar envolvido, como que o cuidador vai ajudar, como que o apoio pedagógico vai atuar num plano maior. Então esse documento tem tudo, tá disponível no site da prefeitura, biblioteca Educa e os nossos documentos da educação especial estão lá, justamente pra gente também poder eh ter que fazer com que essa informação chegue de uma maneira mais fácil nas escolas. Bom, a gente tem também um informativo da educação especial, que foi também uma ação desse ano. Cada bimestre a gente lança esse informativo para trazer de uma forma de uma forma mais fácil de ser consumida, né, conhecida, porque a gente quer chegar lá no diretor da escola, a gente quer chegar lá no professor, que todo mundo entenda mais da educação especial, como se organiza, porque é isso, muitas vezes a família também quando ela vai chegar na escola, né, ela precisa do acolhimento, né, até ouvindo a a colega, contando, né, toda essa a como é pr pra família, né, muitas vezes. as barreiras que ela vai encontrando no meio do do caminho. Então, quando a escola também vai cada vez mais, cada profissional se apropriando de tudo isso, conhecendo essa criança, ela também vai acolher essa família e passar segurança pra família, né? dizer, ó, se se a criança está sendo olhada, a gente parou, pensou sobre ela, escrevemos sobre ela, a gente sabe o que fazer, vamos ter dificuldade, vamos, a gente vai tentar, às vezes não vai dar certo, mas a gente tá tentando, a gente tá olhando, a gente seu filho não tá aqui só por estar ah, ele não, ele tá sendo visto, ele tá sendo considerado. Quanto tempo eu já falei? Bom, gente, então eu vou passar, tem a questão das formações e várias outras, é porque assim, a gente quando vem falar tem bastante coisa pra gente compartilhar dos a gente tem também feito o movimento de cada vez mais levar pros profissionais eh formações, né, acerca da educação inclusiva, da educação especial e principalmente, né, do modelo social da deficiência, da questão das barreiras, porque cada profissional, gestor, diretor, O AP precisa se apropriar disso para isso fazer sentido. E aí sim a gente vai começar a falar de uma educação inclusiva, porque só o professor de educação especial sozinho ou ali tentando fazer, não vai acontecer. Ele, a gente precisa ser, vamos dizer, cada profissional precisa, sabe aquela ficha que cai e fala: "Poxa, será que eu ainda tô sendo capacitista? Será que eu ainda tô sendo eh um olhar médico da deficiência, da incapacidade, do ele não deveria estar aqui, né? Então a gente tá muito nessa luta de dizer, você gestor, você professor de sala, é com você que a gente tá falando, é você que faz educação inclusiva. O PEB 4, professor de educação especial, tá lá para apoiar pro pro colaborativo. Mas é você que tem que entender isso. E a questão do capacitismo, né, que a gente também vê como um grande desafio. O referencial, eu já falei, só pontuar que é o trabalho colaborativo que a gente acredita nessa importância do colaborativo, que é assim que se faz a educação inclusiva. Aqui tem alguns dados, gente. Então, de maneira bem breve, eu vou colocar pegar o dado de 2015, nós tínhamos 726 alunos público alvo da educação especial. E hoje, 10 anos depois nós temos o triplo, né? 2253 foi um dado de maio. Então vocês podem ver a série histórica como aumentou o número de alunos. Então isso é um desafio por si só. Aqui também tá separado pelas deficiências, mas também isso tá disponível, então não vou me ater porque a gente tá com tempo corrido aqui. Um pouquinho mais aí a do dado de hoje, já estamos com 2330 alunos público alvo. Aí tá dividido infantil 1043, fundamental 1236 e EJA. Eh, eles vai aumentando a cada mês. Há uma coisa que eu queria falar do da do anterior é que vocês podem observar que em relação ao TEA eh metade do nosso público alvo, mais da metade são alunos com TEA. Então, lá em 2025, na coluna do TEA, 1275 alunos. Então, de fato, é um grande desafio. Aqui são alguns gráficos de como quantidade de alunos que têm pedido de cuidador, por exemplo, pedido de cuidador. 51,2 alunos nossos atualmente tem pedido de cuidador e tem cuidador. 28 28% tem pedidos de apoio pedagógico e 20% tem pedido de transporte adaptado e tem o serviço. Então tudo isso é um desafio por si só, né, a gente conseguir, né, oferecer todo esse serviço enquanto rede. Aqui também um total geral de alunos. a gente pode ver que 18,6% de alunos público alvo não tem nenhum pedido de serviço específico. Então, eh, o restante tem algum pedido específico e aí a gente tem que cada vez batalhar para que os alunos tenham essa autonomia, vão conquistando autonomia e assim os serviços possam, né, na medida que for avaliado, não serem mais necessários. aqui, só para também mostrar esse gráfico bem interessante que é a evolução dos pedidos de cuidador nos últimos anos, tá? Então eu não vou me ater também a números, mas vocês vendo a crescente de pedidos de cuidador, assim como a crescente em relação ao número de cuidadores. Então hoje 2025 nós temos 623 cuidadores atuantes na rede, né? Isso tem aumentado aí, acho que é bem visível. Hoje todos os pedidos que chegam, eles são contemplados, só tem o trâmite de pedido, tem que chegar, tem que ser comunicado à empresa, mas eles são contemplados. é avaliado se esse cuidador ele vai ser compartilhado para mais de uma criança ou não a partir da necessidade da criança e pensando que sim, é necessário a gente estimular a autonomia dessa criança, então, enfim, e que outros profissionais também estejam ali no trabalho. E aqui também é um dado de número de alunos versus cuidadores, né? A gente pode ver que atualmente a gente tem uma relação de um cuidador para cada uma criança e meia, justamente porque não são todos exclusivos e nem a gente acha desejável que seja. Então tudo isso é feito a partir de muita análise, desde a escola, professoras de referência, chegar ao núcleo, a gente encaminha. Aqui eu falei um pouquinho já que temos informações e materiais da educação especial disponíveis, tudo disponível. essa esses materiais sobre capacitismo também que o professor Luís Jax, né, já eh tem trabalhado e deixou material disponível. A gente sempre fala para as equipes gestoras também levarem nos TDCs, falarem com os professores. A e para demarcar a história da educação especial aqui em Campinas, vamos ter uma exposição dia 22 de agosto. Está convidado, né? Estão todos convidados que a gente quer honrar a história da educação especial. de, como eu disse, vários profissionais que fizeram parte dela e que essa história continua. Depois a gente manda mais informações, né? Muito obrigada. E ninguém pode ser autenticamente humano enquanto impede que outros também o sejam, né, Paulo Freire? Então, obrigada. Obrigada, Elise. Antes de passar pra próxima fala aqui, quero registrar a presença da Regina Ito, coordenadora pedagógica da Casa da Criança Paralítica de Campinas. Regina, cadê? Ah, tá aqui. Seja bem-vinda, viu, Regina? E também eu quero registrar a presença do Márcio Folha e da gente, eu não enxero, a idade, já era. Márcio e da e da Ana Beatriz, ambos são da companhia de dança Aia. Sejam bem-vindos, viu, Márcio e Ana, obrigada pela presença. Bom, então vou passar agora para Adriana Padilha, professora aposentada da rede municipal de educação. Obrigada, viu? Boa tarde. Não tá ver agora. Ligou. Ligou. Bom, vamos lá. Boa tarde a todos, todas, todes. Eh, eu queria primeiro expressar minha alegria, meu respeito e o meu agradecimento por estar nesse espaço, por poder dialogar um pouco sobre uma área de conhecimento, eh, que é a minha área de vida, de vida, trabalho e pesquisa, que é a área da educação especial. Então, agradeço imensamente esse convite. Vou fazer a minha audiodescrição. Eu sou uma mulher branca de da temida meia idade, tenho 59 anos, tenho cabelos cacheados e agora estão grisalhos. Eh, estou com uma roupa amarela, tenho óculos de armação vermelha e o meu sinal em Libras, oferecido gentilmente pelo movimento social da surdez, é o dedo indicador num movimento circular e articular, eh, se projetando pro meu cabelo. Eh, enfim. Bom, vamos lá. Eu prometo ser muito breve, muito breve, porque eu estou eh, acredito eu, como vocês, eh, sedenta por falar um pouquinho com o nosso menino Ivan, nosso convidado tão especial de hoje na nossa terra. Bom, eu tenho a responsabilidade de articular algumas reflexões aqui e tentar eh sintetizar esse momento, né, para para que o Ivan possa fazer eh a fala dele. Eu hoje venho falando sobre as pesquisas mais atuais e o que é que a atualidade tem visto em relação à educação especial no Brasil, tá? Eh, e aí, claro, com o nosso recorte do nosso município. Ah, tá bom. Bom, vamos lá. Eu trago um primeiro slide que ele eh nos traz a minha lente, da onde eu falo. Paulo Freire dizia que a gente nunca pode estar num lugar sem falar da onde a gente vem e por que a gente fala da maneira com que a gente fala. Então eu trago algumas lentes que funcionam como o meu observatório de vida e de pesquisa na área da educação especial. A minha primeira lente, ela é a história do movimento da pessoa com defició do movimento político da pessoa com deficiência no Brasil. É a minha primeira grande lente, é como se ela fosse a minha âncora. Esse movimento caracterizado pela UNESCO, eh, com inclusive valor constitucional depois na nossa política. ele traduz um movimento de história, memória e luta das pessoas com deficiência no Brasil, né? Eh, e ele acaba num eles, ele nasce como ideia de um livro, inclusive ele é um livro, aqui é a capa de um livro, mas ele ganha uma repercussão absurda quando eh os pesquisadores se deparam com as entrevistas das pessoas com deficiência. que tiveram uma vida de luta e de conquistas muito antes da Constituição. E as entrevistas são tão fortes e impulsionaram tantas políticas na área que as entrevistas tiveram mais sucesso do que propriamente o livro. Eh, eu chamo isso de um grande movimento. Esse movimento é a minha lente pro debate. O que Sônia traz é uma realidade eh não tão não tão eh breve, não eh não tão atual, né? É um movimento de luta que já vem há muitos anos e claro, dado o momento político do país, ela se agrava mais ou menos. Então é o meu primeira minha primeira lente. A minha segunda lente é a nossa política atual de educação especial na perspectiva da educação inclusiva. Eu ainda tenho algumas questões teóricas frente a essa política, mas eu ainda não consigo deixar de dizer que ela é um marco na área da educação inclusiva. por dois grandes pilares. Eu poderia falar vários e aqui a mesa poderia me ajudar com eles. O primeiro pilar é o modelo social da deficiência, né, que historicamente leva muito tempo para isso acontecer. E o segundo é o movimento dessas pessoas por uma acessibilidade que não está só na rampa, na escada e está no olhar e na atitude das pessoas. Isso é um marco, né, pra área e pro debate. Eh, a política agora ela vem sido repensada, reconfigurada, ameaçada. Tivemos momentos passados, Ivan também sabe, de uma ameaça, n foi velada, foi uma ameaça real à nossa política. E desde essa ameaça eu tenho estado nos lugares defendendo essa política e dizendo ela não é tão boa, mas ela é a política e ela veio num momento extremamente importante para nós, né, pelas pessoas com deficiência. eh, que militaram nessa área. E a última que eu acho que abre um pouquinho da minha reflexão, eu trago algumas eh diretrizes com uma provocação. [Música] De que Campinas a gente fala aqui? de que Campinas a gente fala que e aí eu trago duas diretrizes, inclusive uma delas eu participei, que foi um caderno que para mim afetivamente é muito caro, que é o caderno curricular da rede municipal de Campinas, né? E trago também as referências do estado, das escolas estaduais, né? A minha pergunta eh talvez um pouco provocativa seja nesse sentido. Quando eu digo que caminhos a educação especial de Campinas quer e tem, eu diria de que Campinas você fala? Você fala da Campinas município historicamente constituída eh desde a década de 80, repensando política antes mesmo dela existir. Eu não tô dizendo que a rede municipal seja a melhor, eu tô dizendo que nós somos os mais antigos, né? Não é por isso que a gente faz melhor, mas é por isso que a gente eh se constitui. Ou vocês estão falando das escolas estaduais com um outro desenho. Eu não digo que é completamente diferente, mas tê-lhe princípios curriculares complexos e diferentes, diferentes, inclusives, inclusive dessa política que eu descrevo como política nacional, tá? E no estado de São Paulo, a gente sabe que temos algumas assincronias com a política eh federal. É como se o estado de São Paulo dissesse: "Temos a nossa para que nós precisamos da federação". Bom, e aí eu trago o contexto do ensino privado. Ué, é um contexto eh municipal. É um contexto que desde a política instituída e instituinte tem recebido cada dia mais meninos e meninos jovens com deficiência. As escolas privadas elas estão sobre a responsabilidade desse estado que eu acabei de falar, né? É de é é Campinas também, certo? Eh, ou nós falamos sobre o contexto trazido pela Sônia, que é o contexto do adultecimento dos meninos da educação especial. Nós em Campinas lutamos por isso desde a década de 80. Eles já tão velhos igual a gente. Eles adulteceram, eles arriscaram querer eh ir para lugares em que em Campinas pode ser que a gente não encontre, como Sônia também fala. E aí eu divido em dois contextos. O contexto do adultecimento na educação especial. O contexto um é o contexto que Sônia tão duramente nos traz, real, e é um contexto do ensino superior. Muitos dos nossos meninos ousaram querer ensino superior e nós dissemos a eles que esse era o caminho e que eles podiam. Como é que o ensino superior tem acolhido esses jovens? Eu estive há pouco tempo atrás num congresso discutindo centros de apoio nacionais, as universidades particulares e federais, com a demanda de meninos público alvo, meninos, eu tô falando, o meninos é o nosso menino, é o nosso Ivan, né? Eh, que estão nas universidades, né? e que hoje impõe às universidades algumas questões que a universidade nem cogitou. Uma delas é o acompanhante terapêutico. Eu eu quero levar o meu acompanhante terapêutico. Como é que a universidade pensa isso? Eu quero levar o meu eh eh tradutor, o meu intérprete. Como é que a universidade tá acolhendo isso? está acolhendo. Campinas sofre e padece também dessa educação especial, né? E por último, eu trago o contexto das instituições e das ONGs, que nós vemos eh lutando por uma educação em consonância e em diálogo que muitas vezes não acontece. Então eu diria, eu voltaria a pergunta: "De que Campinas a gente fala?" Eh, ao meu ver, eu compraria todas essas batalhas, porque elas fazem parte da mesma Campinas e temos diferenciações enormes. E aí eu diria, as diferenciações são do município, é Campinas que diferencia isso nessa educação especial. E aí eu trago alguns dados de pesquisa. Acho que eu já me embananei aqui, passei inteirinha. Eu trago eh o primeiro dado de pesquisa, que é exatamente a é que eu tô mal acostumada, alguém sempre faz isso para mim, então perdoa. Eh, o primeiro contexto é o contexto da multiplicidade da educação especial que nós temos no Brasil. Ivanzinho, me ajuda. A nossa política tentou universalizar a educação especial, ela tentou dar um recado belíssimo. Só que nós temos um Brasil continental em que o Rio Grande do Norte entendeu de um jeito, em que Roraima entendeu de outro e nós temos uma multiplicidade de educação. Obrigada, Guidinha. Ah, tá bom. Vamos lá. Aí, eu quero é a segunda. Aí, Isso mesmo. Obrigada, minha querida. Eh, eu tô falando exatamente dessa multiplicidade. Essa essa multiplicidade está posta no Brasil. Eh, e é como se o Brasil não conseguisse e daí esse repensar nessa política única, é como se o Brasil estivesse dizendo qual unidade nós temos. Se no estado de São Paulo nós não temos unidade, nós temos as escolas estaduais num movimento, as escolas municipais num outro movimento, centros de apoio em outro e todo mundo tentando à luz de uma política inclusiva, né? Que unidade nós temos? Então, a complexidade, ao meu ver, ela não está em Campinas, mas ela está num movimento nacional. Nós temos que nos preocupar e compreender, claro, temos à luz de alguns pressupostos maiores e mais coesos, né? Eu não vou falar detidamente de cada um eh dos pressupostos, né? Mas eu vou falar de alguns que que ao ao meu ver são bastante frágeis, né? Os modelos formativos, eles se instituem tirando da configuração da formação específica de um professor habilitado para colocar numa formação generalista e ela precariza a formação. Então, a escola em que eu digo: "O meu professor é frágil em relação meu professor do ensino regular é frágil em relação à educação inclusive, eu diria que formação inicial ele teve, já que nós tiramos a formação em que nós eh alinhavávamos pressupostos de educação que inclui, tá? Eu vou eu vou só para pras grandes questões, tá? Eh, uma outra questão nacional e Elise vai nos trazer também essa configuração é a mudança dos pressupostos diagnósticos eh do DSM5 relacionadas ao T altas habilidades e a dupla excepcionalidade também, né? Eh, e aí com isso nós temos muitas questões. Eu não vou falar muitos problemas porque eu acho que tudo a gente precisa encaminhar no diálogo, tá? Mas nós temos questões que se abrem muito diferente historicamente do que nós tínhamos, tá? Nós temos uma eh invasão, um convite, uma entrada do modelo clínico em consonância ao modelo social, trazendo uma configuração e um e um novo debate sobre o que é essa patologia e o que essa patologia necessita, que desenho articular ele ele precisa. esse nível, esse esse eh intitulado nível de suporte um, dois ou três, o que é que ele se ele se desenrola e desencadeia numa rede? Ele se desencadeia em que eu preciso de uma metodologia um para um sempre? Então, se eu preciso de uma metodologia um para um, eu preciso de um cuidador, de um professor de apoio, de um professor de educação especial. Opa, esqueci do professor regular. Será que precisa nessa configuração? Então, vocês entendem como isso tá posto de uma forma, né? Nós temos trabalhos sendo feitos, né? a exemplo da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que faz um material dizendo a indústria do autismo e nos mostra como é que mercadologicamente essa configuração e essa patologização tem entrado nas redes, sejam elas redes particulares, sejam elas eh redes públicas, ONGs, enfim. É desse contexto que eu falo. Campinas tá apartado desse contexto? Não, acho que não. Então, a minha reflexão se dá exatamente nesses pressupostos. Nós estamos dizendo de serviços e esses serviços eles estão refletindo contextos. Porque se eles referem refletem contextos, nós precisamos das nossas lentes. Lembra das lentes iniciais? Nós precisamos envolver a história, o que o município quer e pretende em unidade, porque nós não estamos falando de um um município em que nós temos todo esse estofo de trabalho que a Elise também traz para nós. Nós temos um município que carece de todos esses contextos em que eu trouxe. Enfim, eh, eu procurei trazer de maneira geral o meu pensamento sobre a área e a atualidade e me proponho a refletir com vocês sobre cada um dos aspectos que eu trouxe de maneira tão rápida, tá bom? Obrigada. Agradeço demais. Coloquei a última telinha. [Aplausos] Obrigada, Adriana. Eh, quero fazer um registro aqui também, a presença da Maria Lúcia, representando aqui o gabinete do vereador Wagner Romão. Obrigada, viu? E também o vereador Vini tá lá em cima, que eu eu não havia falado dos dois. Bom, eh, Ivan, sim. Olá, boa tarde a todas as pessoas aqui presentes. Antes de mais nada, fazer minha breve autodescrição. Sou um homem branco, cabelo parcialmente loiro, uso óculos de grau, armazão na cor preta, tem o nariz afilado, sorriso largo. É visto duas camisetas, uma de gola branca, por cima, uma camiseta vermelha com a frase anticapacitista. Estou em uma mesa ao lado de mulheres e já começo minha fala agradecendo a Câmara Municipal de Campinas, em nome da nossa vereadora Guida Calisto, pelo convite, né, pela oportunidade de visitar pela primeira vez a cidade para falar de um assunto que para alguns é necessário, para outros é importante, mas para mim eu digo com toda convicção, no meu caso é sobre minha vida, que é a importância de uma educação especial na perspectiva inclusiva. E eu aqui falei que tava rodeado de mulheres. Eu sempre digo que inclusão é palavra feminina. Se hoje eu tô aqui, é porque lá atrás uma mulher acreditou em mim. uma mulher, no caso, a minha mãe, na maioria das vezes, são as mães que, além de cuidar, acreditam nos seus filhos, independente de diagnóstico médico, independente de um laudo, que na maioria das vezes não é nenhum pedaço de papel com o número da sid, é uma verdadeira sentença. Sentença não de morte, mas de vida. E isso aconteceu comigo. Eu nasci uma pessoa dita normal, uma pessoa sem deficiência. aos 3 anos de idade, adquiri menigite, uma doença que há 24 anos, eh, ao pronunciar apenas a palavra já causava bastante medo e espanto e sobrevivi a doença, mas foi no momento do meu diagnóstico que deveria ser aquele momento de alegria, de felicidade, mas foi justamente quando eu tive o meu primeiro contato com o tal do capacitismo. Porque o médico, que eu não gosto nem de chamar ele de profissional da saúde, chegou pros meus pais e falaram que provavelmente eh eu nunca mais iria andar e falar. E aquele provavelmente, apesar de gerar uma hipótese, era o reflexo da falta de esperança. Mas um sentimento a partir dali reinou no coração dos meus pais, que foi o do inconformismo, não de renegar, não de negar que o seu filho teria uma deficiência, mas renegar aquela limitação, né? E Dra. Sônia, qual é? A gente não gosta de falar de estatísticas, até porque elas nunca estão ao nosso favor. Se a gente parar para ver quantas pessoas com deficiência estão no ensino escolar, quantas pessoas com deficiência da do estado de São Paulo, em específico da cidade de Campina são alfabetizadas, sabe? A gente viu aí os os dados do último censo do IBGE 2022 e a nível nacional mais de 2 milhões900.000 são analfabetas, não sabem ler nem escrever. E isso não é reflexo da paralisia cerebral, que é a condição que eu tenho, mas isso é reflexo de um sistema educacional capacitista, excludente e limitador. Entende? Então, quando a gente precisa falar sobre educação especial, a gente também precisa falar sobre numa perspectiva da inclusão, porque aos meus 3 anos de idade eu adquiri a doença. Aos 6, eu pisei pela primeira vez na escola tardiamente, comparado à maioria de vocês. E minha matrícula, é, também contrariando as estatísticas, nunca foi negada quando minha mãe apresentava o laudo médico, mas ao mesmo tempo eu não era um aluno incluído, é o que a gente costuma chamar de aluno integrado. Minha presença tava ali, apenas a física. Eu não participava das dinâmicas escolares, eu não participava da hora do recreio, que é o momento mais aguardado também, né, pela maioria dos alunos. Eram 20 minutos abraçados no pilar. Isso, isso é uma infância de qualidade. Toda criança quando vai à escola, o primeiro lugar é para aprender, para desenvolver e o segundo lugar é o direito a brincar. Nem isso eu tinha. E aí é que a gente entra. Será que a professora é culpada? Não. É muito fácil julgar apenas uma profissional, mas sim todo o sistema. Não há capacitação. Apesar de que lá atrás já existia a política de inclusão de educação especial, mas como a professora Adriana falou, não era a ideal, mas era política. comparado a 40 anos, quando nós nem o direito de pisar na escola tínhamos, quando éramos dirigidos às famosas escolas especiais, que aqui eu não vou criticar, até porque essas instituições tiveram um papel importantíssimo, porque ou era pra gente ir pras famosas a paz, ou era para ficar dentro de casa escondido, marginalizado. é o reflexo da sociedade que deficiência é algo feio, é algo negativo que não merece ser exposto. Hoje eu não preciso nem dizer o quanto capacitista é esse tipo de pensamento. Mas voltando à fase do meu período escolar, eu ia, não participava ativamente, sempre era aquele aluno 8 ou 80, ou eu era o objeto de inspiração. Ah, vocês precisam ser igual ao Ivan, esse aluno especial, inteligente, que apesar de tudo ele consegue vir à escola. ou eu era tratado como aquele aluno que dava trabalho, como era um aluno que não poderia desenvolver, mas pelo contrário, eu não queria ser tratado de extremos, eu só queria conviver, eu só queria ter o direito à interação social de qualidade, a ser inclusivo, a ser incluído. Sabe, essa palavra inclusão para alguns pode parecer utopia, mas não deve ser. A gente precisa continuar acreditando que a educação vai ser sim inclusiva, de qualidade para todos e principalmente que ninguém fique para trás, porque também não adianta aqui a gente promover com eh essa utopia sem respeitar as necessidades específicas de cada aluno. Além do que eh paralelo com as minhas idas à escola, eu também tinha que conciliar as minhas terapias. E a gente sabe a importância do AE, né, que é uma grande conquista. Mas naquela época, apesar de eu estudar em uma escola da rede de privada, eh eu não tinha o acesso ao porque envolve várias questões. Sempre o aluno com deficiência é o mais caro, não sentido de ser precioso, mas que gera gastos. Inclusão não é gasto, inclusão é investimento, né? Muito pelo contrário. E quando minha mãe ia me pegar no horário das aulas, terças e quintas, sempre gerava aquela curiosidade nas crianças, porque sempre o Ivan sai antes da aula, tia, que lá a gente costuma chamar de tia. E aí a professora respondia bem direta: "Ah, porque ele vai ao médico e quem vai ao médico, pessoal?" doente. Doente. E aquilo poderia ser apenas uma simples resposta, né? Mas não. Ela colaborava ainda mais paraa estereotipação de que nós pessoas com deficiência somos doentes. Eu não sou doente, muito pelo contrário. Se a gente for ver a minha saúde comparado da de uma pessoa sem deficiência é muito melhor, sabe? Então aí outra questão de sempre referir à deficiência como tabor, que quando a gente não discute um assunto, ele vira algo desconhecido, vira proibido. A gente não tira as dúvidas necessárias para que não normalize. Até porque eu não quero ser normalizado e aqui ninguém quer ser normalizado. A gente deixa para normalizar coisas e objetos, não pessoas. As pessoas precisam ser naturalizadas. Eu queria muito não precisar vir a Campinas para discutir sobre educação especial, mas sim para aproveitar a cidade, sabe? Mas a gente sabe que nos tempos atuais é preciso propor esse debate, é preciso propor eh melhorias em conjunto, né? E eu só queria ser naturalizado. Eu não queria ser o esquisito da história, ser apontado e muito menos excluído. Queria brincar e tal, mas acredito que como qualquer outra pessoa com deficiência é uma característica intrínseca a nós, é a adaptabilidade. É o ambiente. Eu sempre costumo usar essa expressão. O ambiente é que não tá pronto para nos receber. O problema tá nele. O problema tá no externo, não tá em mim. Eu não tenho culpa de usar uma bengala, de ter a paralisia cerebral e de me comunicar da minha maneira. E para meio que sobreviver nesse ambiente escolar esti, eu precisei criar novas amizades. E aí quem era? Estias da cantina. Isso me rendia alguns privilégios podemos dizer, eu podia repetir o lanche a hora que eu quisesse, podia conversar com exultos sobre política, sobre o capítulo da novela do dia anterior, as fofocas da escola. Preocupações essas que nenhuma outra criança de 6, 7 anos deveria ter. A criança queria estar correndo desembada, desembitadamente, eh, se machucando, por que não suando, sabe? E outra curiosidade é que eu adorava quando um coleguinha meu quebrava um braço ou uma perna, porque eu sabia que ele iria se juntar ao grupo dos deficientes, dos inválidos, dos problemáticos. E isso a gente faz, a gente ri hoje, a gente faz piada, mas é muito triste esse pensamento. Tudo isso reflexo da do capacitismo. O capacitismo não atinge só a mim quanto pessoa com paralisia cerebral, atinge toda uma sociedade. que eu preciso dizer que esse problema não é também meu, é de vocês, é de todo o sistema que não acolhe, que não respeita e que não naturaliza a minha vivência. Então, estar em espaços como esse eh pode parecer clichê, mas é um ato histórico. É um ato histórico a gente celebrar ainda o básico com E essa é praticamente a rotina das pessoas com deficiência. Ter o direito de pisar o pé fora de casa, ter o direito, por exemplo, de pegar um transporte público é inadmissível. Essa semana viralizou nas redes sociais o depoimento de uma mãe que foi humilhada por um motorista de transporte público porque não aceitou levar ela e o seu filho em cadeira de godas. É inadmissível a matrícula de um estudante autista ainda ser negada numa rede privada. Ou pior, quando é aceita, a mãe precisa buscá-lo, porque não há a contratação de profissionais de professores de apoio. E aqui eu falo professores, professores e professoras, não babás, sabe? Eh, respeito e outra coisa também reforçar a importância da profissão de cuidadores e cuidadoras, porque nós não vamos à escola apenas para ficar lá presente, nós queremos nos desenvolver. E aí existe alunos com certas necessidades específicas que precisam de cuidadores, cuidadoras, além dos professores de apoio para mediarem o conhecimento, né? Lá no meu estado, infelizmente, foi aprovado um projeto de lei com o título do programa incluir, que tr trazia estudantes de ensino médio para auxiliar alunos com deficiência. Aí eu pergunto, isso é inclusão? Não é isso? É a banalização do profissional da educação. É um desrespeito à classe dos cuidadores, porque como eu falei, isso é dar mais ainda vulnerabilidade a nós, que precisamos de um apoio, que precisamos de uma assistência específica, né? Não é nada especial. Muito pelo contrário, não deve ser visto como algo extraordinário fora do mundo, apenas a sua educação de qualidade. Passando esse período do ensino fundamental um e dois, fui para um ensino médio e lá naquela época e da adolescência, de transição hormonal, enfim, em que é difícil para qualquer jovem, mas ainda é mais grave para um jovem com deficiência, porque precisamos nos enquadrar em certos grupinhos, precisamos se sentir aceito. A autoestima não nos é dada por direito, porque um corpo torto não é um corpo digno de ser amado. Eh, uma condição intelectual não é digna de ser respeitada, é mais ou menos invisibilizada. Ah, vou fingir queando tô vendo e tá tudo bem. Aí volta aquele aquele debate de que deficiência é um tabu, de que deficiência não é discutida. Mas eu passei por isso. Eu passava, por exemplo, de cair na escola e colocarem a culpa em mim que eu era um aluno levado. Isso já adolescente. Imagina só para pessoas ditas normais levar um tropeço ou uma queda já é um mico. Para nós pessoas com deficiência é praticamente acabar o mundo. Por mais que hoje em dia eu contorno do processo de aceitação, eu ressignifiquei, caí, levanta, tá de boa. E também tem a questão das referências. Nós, enquanto jovens, queremos pensar além, queremos pensar lá na frente. Eu, enquanto jovem com paralisia cerebral, não tinha uma referência para seguir como inspiração. Eu ligava a TV nos meus desenhos preferidos, sempre o personagem ruim, o vilão da história, o que menos prestava era o que perdi, um braço ou uma perna. Nenhuma criança queria ser ele. Nas novelas, o enredo das dos personagens com deficiência era o mesmo. a trilha sonora melancólica, eh, para aprender uma lição de vida, sofri um acidente que ficava na cadeira de rodas, sempre atrelando o uso de tecnologias assistivas como cadeira de rodas, bengala, aparelho auditivo, algo negativo, ninguém queria. Nos programas de domingo sempre éramos as piadas, o alívio cômico, piadas com anões, piadas com cegos, alejados, era rotina. E também não queria ser motivo da piada, eu queria rir junto. Piada boa é essa piada, não quando inferioriza o outro. E é complicado. Como é que eu vou evoluir? Mas eu contrariei mais uma vez as estatísticas. Algo lá dentro de mim falava: "Continua. Eh, venci o ensino médio nas na rede pública, já fui para um ensino superior numa instituição privada através de um programa de financiamento estudantil. Fiz nutrição 1 ano e 6 meses, não me identifiquei com o curso e entrei na pedagogia, que lá eu me apaixonei e por incrível que pareça, no ensino superior foi o ambiente que eu me senti mais acolhido. Foi um ambiente que, por exemplo, eu saí do armário, mas não da sexualidade, o da deficiência, porque até então eu não usava bengala. Eu acreditava que não usar ela faria eu me sentir igual a vocês. Lá eu aprendi que eu era de fato uma pessoa com deficiência, qual o meu papel na sociedade e conhecer de fato que existia o capacitismo, essa violência, esse preconceito que desde os meus 3 anos de idade eu tinha relação, uma relação extremamente tóxica. Mas eu não sabia dar nomes, eu não sabia identificar e consequentemente muito menos combater. Porque, por exemplo, eu era uma pessoa com deficiência capacitista que fortalecia esse tipo de pensamento na escola e também na minha vida social. Eu acreditava que eu não deveria estar nesse lugar aqui, um lugar de poder, um lugar de visibilidade e de alguma forma contribuindo pra sociedade. Nós não somos acreditados que pessoas com deficiência podem ocupar, que devem ocupar o espaço que elas quiserem, porque desde cedo, através de uma educação capacitista, nos limitam, nos tiram o direito de expor, de expressar o que sentimos. Então, mais uma vez, eh, o Brasil hoje, eh, eu tenho orgulho em dizer que através do Ministério da Educação, eh, pela primeira vez temos uma política educacional de educação inclusiva e anticapacitista, né? pode parecer um nome grande, mas é uma política n muito necessária que eu tive a honra de ser convidado para ser um dos embaixadores, né, nesse processo da reconstrução da Sacadi, que é a Secretaria de Diversidade e inclusão do governo federal e tem justamente esse objetivo, empoderar pessoas com deficiência, mas principalmente cuidar de quem cuida. Porque se hoje eu tô aqui é porque uma mãe atípica acreditou em mim. A minha mãe que foi minha primeira rede de apoio, que não desacreditou. E também mais uma vez contrariando as estatísticas, meu pai também ficou, né? Ele é o pai que fica, porque cerca de 78% dos homens quando quando descobrem o diagnóstico dos seus filhos abandonam o lar. Isso é um reflexo capacitista, machista e o tempo. Ah, e que deve ser combatido, mas combatido com diálogo, com com fundamento, né? Não estamos aqui para segregar, muito pelo contrário, é com a divergência de ideias, é com propostas eficientes que vamos avançar na política da educa nacional, da educação inclusiva. Eu falo nacional, mas que a gente precisa eh encarar a realidade, encarar uma Campinas que realmente coloque estudantes com deficiência dentro do orçamento público e não como um gasto paraa sociedade que realmente respeite a classe dos cuidadores, cuidadoras, professores e professores de apoio. a minha vontade ele dizer professoras e cuidadoras, porque em sua maioria são mulheres, mas a gente também sabe que homens podem e devem ocupar esse espaço. Muito obrigado, vereadora Guida. Agradeço demais a oportunidade e estamos à disposição, né, para contribuir por um Brasil, por uma São Paulo e uma Campinas mais justa, inclusiva e anticapacitista. Obrigada, Ivan. Pessoal, eu vou abrir algumas falas aqui se tiver, mas assim, a gente tá com horário completamente estourado, estourado mesmo. E o pessoal do cerimonial tá aqui, mas eles têm eh horário, né? E a gente sabe o que é respeitar horários. Então, por favor, eh, acho que o pessoal da assessoria podia ajudar aqui com o microfone e a gente quem quiser falar, quem quer falar primeiro? Olha, estou alguém fazer alguma pergunta, alguma questão aqui pra mesa? Nossa, gente, uma de cada vez, por favor, senão eu vou ficar confuso. Todo mundo é que sabe de tudo. Ninguém quer fazer nenhuma fala? Ninguém quer fazer, né? Fala então. Sim. E fala no microfone. Deficiência. Ó, tem como você falar no microfone porque tá gravando para ouvir com deficiência. Repete a pergunta. O que aconteceu com a Secretaria da Pessoa com Deficiência daqui de Campinas? Bom, eu não, eu bom, eu acho que eu eu posso tentar responder, talvez a pessoa mais próxima seria a Elisa que tá no governo, né? Eu sou da, eu sou vereadora, eu sou do parlamento, não respondo pela prefeitura, pelo executivo. Acho que talvez aí não, mas eu eu também não posso responder porque é secretaria de educação, então não tenho essa inferência porque era outra secretaria e hoje, né, eles estão como diretoria dentro da secretaria de cidadania, né, Guida? Mas aí você pode falar também. Como é que você chama, Flor? Seu nome? Luciana. Luciane. Então, Luciane, eh, o da onde eu vou responder da onde eu consigo, porque eu sou vereadora, né, e sou vereadora de oposição, inclusive não faço parte desse governo. É, mas assim, o que a gente acompanha e acompanhou é que existe uma uma decisão, né, uma forma que o governo municipal se organizou e que ele acabou, enfim, optando politicamente, foi uma decisão política, né, de não ter mais essa secretaria e aí acumular, né, várias dessas dessas agendas, dessas pautas numa única secretaria. Agora, esse ano aqui, essa casa votou, por exemplo, a Secretaria da Mulher. Nós nunca tivemos secretaria da mulher, mas nós tínhamos uma Coordenadoria da Mulher com status de secretaria, por exemplo, e nem isso foi foi absorvido por esse governo. Então, o governo atual entende que não tem essa necessidade. Enfim, é uma agenda extremamente importante, né? Eu acho que a sua questão não é uma questão simples, não é uma questão que traz somente uma pergunta do nada, ela é uma pergunta extremamente pertinente e importante pra gente pensar porque que não existe secretaria da pessoa com Deficiência. Muito obrigada, viu, vereadora? Já queria deixar aqui registrado um pedido. Vamos lá. Lá na nossa capital potiguá foi aprovada na Câmara Municipal a lei Baron, que é uma política municipal de combate ao capacitismo. E nessa política, apesar de levar meu nome, que eu eh recebo com muita honra da minha amiga vereadora Tábata Pimenta, é uma política que beneficiará todas as pessoas com deficiência, porque envolve um pacote de ações para conscientização, envolve, por exemplo, a retirada de direitos já conquistados, que a gente sabe, né, professora Adriana, que com uma simples canetada nossos direitos desaparecem, então é meio que para fortalecer e eu já sugiro o seu mandato, né, com o seu apoio jurídico propor a atual eh poder executivo municipal, essa política municipal de combate ao capacitismo, que além de combate ao capacitismo também promove a inclusão. Tá. Obrigada, Ivan. Quem é o próximo quer fazer a pergunta? A a Eliana aqui. Acho que seria bom ou C ou Leandro ficar com o microfone que o Silas tá com o tá com os vídeos fazendo o trabalho de registros. Aliana Barros, por favor. Tá, obrigada. Eu gostaria de ter uma informação em relação às cuidadoras, né? Eh, na minha época, há 15 anos atrás, como professora de educação especial aposentada da SME, nós tínhamos duas ou três em cada escolas. Atualmente eu acompanho mais ou menos. Qual o critério paraa contratação das cuidadoras nas escolas da rede municipal? e se elas também participam das da formação continuada em relação ao conteúdo da E. Obrigada, Eliana. Eu vou, Elisa, eu vou tentar pegar um bloco, senão a gente vai perder, né? Aí a gente responde tudo de uma vez. Mais alguém quer fazer? Aqui, ó, na ponta tem. Quem for fazer a pergunta, eh, fala o nome, tá, para ficar registrado bonitinho depois no YouTube. Obrigada. Fala o nome, tá bom? Boa tarde. Meu nome é Janaína, sou professora e mãe da Ágatha, que tem que está aqui me acompanhando hoje. E ela tá com olhinho fechado porque ela machucou, não sei como, quando veio para cá, quando eu entrei. Acho que caiu um cisco e tá incomodando. A gente vai sair daqui para já tomar as providências. Mas enfim, eh, primeiro eu quero agradecer a oportunidade de participar com vocês. Aceitei o convite da Dra. da Sônia Celine, que é uma pessoa, uma profissional muito capacitada, maravilhosa e que acompanha a Ágata há muitos anos. Eu tô emocionada, desculpa, mas é muito importante, eu vou falar como mãe e não como profissional da área de educação, porque o assunto é é extenso, mas como mãe é muito importante que essas todas essas questões sejam não só discutidas, mas que de alguma maneira elas continuem sendo sendo colocadas em práticas. Em prática. E eu digo, continue, porque a gente sabe que a luta vem de muito tempo e que nós já avançamos muito, mas ainda há muito que se avançar. Eu parabenizo inclusive a a Prefeitura de Campinas por ser uma das poucas referências no Brasil de município que tem ainda uma preocupação efetiva baseada na lei. A lei é muito importante. Se não tivéssemos as leis, os decretos, nada disso estaria acontecendo. A gente sabe disso. Mas como mãe, eh, eu queria eu quero compartilhar o quanto é doído sofrer o ver o filho sofrer o capacitismo, principalmente da onde isso não deveria acontecer, que é da educação. Então, ainda não é uma realidade efetiva que a pessoa com deficiência eh esteja totalmente inclusiva, incluída, tá? Esteja totalmente incluída. Eh, eu tenho lutado muito, a Ágatha sofreu várias eh negativas, né? eh várias foi negada várias vezes a vaga para ela, tanto na escola particular como na escola pública. Na particular eu fui fazer a matrícula, me disseram que não tinha vaga. Três dias depois, uma amiga minha veio de Curitiba com cinco filhos, me pedindo uma referência de escola. indiquei a mesma escola e ela foi lá e fez a matrícula dos cinco, dois da mesma idade da Ágata, praticamente. Daí eu voltei lá e perguntei: "Mas não tinha vaga dois dias atrás? É porque a Ágata tem deficiência?" E aí a coordenação me deu um um leve sorriso e disse: "Nós temos um percentual de pessoas com deficiência na sala, que é a cota". Mas não não tinha nem atingido a cota. Enfim, várias lutas, várias. E a última foi na escola municipal que ela faz parte. hoje que ela está matriculada e também foi negada a vaga. Eu tive que brigar, chegar na supervisão de ensino e pedir a vaga. Isso é fato. Ainda acontece muito. Então o de tudo que foi dito aqui, mais importante, eu acredito, de tudo, é a conscientização. Ainda carecemos de consciência de que a pessoa com deficiência é uma pessoa. A pessoa com deficiência é uma pessoa como nós somos. e é uma pessoa que tem muitas capacidades, que pode se desenvolver muito, desde que ela seja eh recebida, acolhida como uma pessoa. Sim, ela é uma pessoa e fato. E outra coisa é que já se avançou muito na educação infantil. a gente sabe que tem muito que avançar, mas na no ensino fundamental dois ainda é muito difícil. Hoje a Ágatha tem 15 anos, tá no nono ano, ela não é alfabetizada e eu luto diariamente. Diariamente. Eu falo isso porque realmente me dói muito para que ela tenha um pouquinho de seja considerada como pessoa que tem suas limitações, mas que quer se desenvolver. e ela quer muito, ela quer muito, ela gosta de fazer as atividades e é tem sido muito difícil. Eh, outra coisa, essa existe uma uma ilusão de que que por nós temos as leis e porque nós temos as organizações e porque nós temos os projetos e os nomes. Nós temos o professor cuidador, nós temos o professor apoiador, nós temos que tá tudo funcionando, a gente sabe que não, né? e que não que não funciona mesmo. É o percentual é é baixo. E eu sinto isso porque a minha filha tem 15 anos. Eu moro em Campinas há mais de 17 anos. Eu vim morar aqui há muitos anos atrás e ela nasceu aqui e ela vive aqui esse tempo todo e eu sempre lutei muito com isso e é muito difícil. Então, a gente tem que ir com muito carinho. A, eu, por exemplo, eu procuro agradar muito. Isso é difícil, porque nem sempre você, quando você fala, quando você solicita o que tá no papel, você também já é excluída, porque você tá criando confusão, porque você tá brigando, porque você é a mãe que briga, porque você é a mãe que expõe o que não tá funcionando, né? Então, eu inclusive ouvi de uma supervisora de ensino há 15 dias atrás, porque eu fui questionar as notas da Ágatha, das atividades que que depois de muita luta foram adaptadas e a Sônia me acompanhou bem e ela fez todas as atividades e foram entregues e ela perdeu cinco pontos na média final de cada atividade. E eu falei: "Por que a Ágata tá com cinco em tudo?" 5 5 5 5 5 C. A média total é 10. O que que aconteceu? Ah, ela entregou uma com atraso. Ela não, mas eu falei, mas então tá, mas quais foram os critérios? Então, a escola agora estabeleceu que o critério é entrega 80% da nota, 40% é o exercício que ela fez. Isso não existe em lugar nenhum. Mas tá lá, tá por escrito, eu tenho um documento por e-mail, recebi da escola. As regras. Então, resumindo, resumindo, muita coisa, eu sei que em outros lugares funcionam melhor, tem outras escolas mais adaptadas, outras menos, a gestão, a conscientização da gestão é muito importante, o treinamento da gestão é muito importante, porque se a gestão não for inclusiva, a escola inteira não vai ser inclusiva. Só um professor inclusivo ou professor de educação especial não vai dar certo. Todo ela chegou numa fase que ela tem 11 professores e um de educação especial do AE que atende uma vez por semana. Os professores estavam jogando todas as atividades para essa professora de educação especial adaptar para ela. A a professora de educação especial, ela está sobrecarregada porque ela tem vários alunos PCDs que ela precisa acompanhar e ela não pode adaptar 11 atividades de cada aluno para para todos os alunos que têm deficiência na escola. Então, existe uma uma demanda que é real da escola e que talvez, né, a gente que que vai fazer? Vai dar treinamentos pros professores, vai capacitar a gestão, vai fornecer mais recursos eh de treinamento, de formação? Ah, o o o PEB 2, o professor de educação fundamental dois, ele alega muito que não tem formação para isso, que a formação é do pedagogo que leciona na educação infantil e no e na educação no fundamental um. O que que precisa fazer para se resolver então essa questão? Porque o dia a dia, a realidade é é doída demais. Então, eu agradeço a oportunidade, eu parabenizo demais esse encontro, à mesa, a todos que estão aqui e eu peço em nome de todos que têm deficiência ou que tem filho com deficiência, que isso seja realmente olhado com carinho, mas não é só com carinho, é com profissionalismo, com vontade de fazer acontecer, porque carinho especial nós já somos. A mãe é especial, a filha é especial, né? Mas a gente precisa de uma profissionalismo. Realmente é uma política pública que funciona. Isso aqui tem que ser assim, tem que ser assim. o professor não tá capacitado, tem que se capacitar, tem que dar curso, da onde que vai sair e que isso seja realmente efetivo. E eu, mais uma vez, descul, é um desabafo também e e uma sugestão que eu sei que vocês já devem ter muitas, mas que olhe com um pouco mais de carinho, não só como esse aluno tá chegando lá na velice, porque na no na universidade ou no ensino médio, é no fundamental dois. começa a gravar ainda mais já no fundamental dois. Então, já no fundamental dois é onde a gente tem que ter um olhar maior para que ele chegue realmente no ensino médio acolhido e por aí por diante se ele resolver continuar e se tiver condições de continuar. Eu agradeço. Muito obrigada mais uma vez. Uma boa tarde a todos. Obrigada, Janaína. [Aplausos] Mais uma questão aí. Sou eu. Ah, Ivan. A Isadora vai falar. Eh, bom, antes de tudo, parabéns a todos vocês. Parabéns ao Ivan, Sônia, Ida. Bom, eh, vocês falaram muito sobre o papel dos educadores, eh, dos profissionais nessa área, mas hoje a minha pergunta é: enquanto aluna, eu tô no segundo ano do ensino médio e na minha escola eu tem poucos alunos com deficiência, mas eu já vi alguns. E eu acho que esse é um processo muito importante de socialização, porque isso é uma coisa bem discutida na escola. E eu acho que muitos alunos, não só nessa fase que eu tô agora da adolescência, mas acho que até na infância, muita gente tem eh essa questão do do preconceito, né, de quando vê alguém com deficiência, algum aluno com deficiência, eh, na escola com alguém do lado, né, um pode ser chamado de cuidador, um cuidador, eh, eles são vistos muito como coitado. E a minha pergunta é: o que que a gente pode fazer para parar com isso, para incluir essas pessoas eh na sociedade de uma forma natural, tranquila, assim, sem que eles sejam vistos como coitados. Parabéns. Obrigada, querida. Mais alguém pra gente passar aqui pra mesa? Aqui a professora aqui, ó. [Música] fala o nome. Eh, meu nome é Marina. Eu sou mãe de uma criança com paralisia cerebral, uma criança de 14 anos, um adolescente que tá no oitavo ano. Ã, eu queria entender um pouco, eh, porque assim, a gente tem um uma das melhores legislações em termos de educação inclusiva, né? E para uma escola, mesmo sendo privada, ter licença para ser escola, ela tem um um projeto político pedagógico. Nesse projeto político pedagógico precisa ter a inclusão, né? Eh, quem que fiscaliza isso? Porque acaba, eu vi minha minha amiga ali sensibilizada, né? E assim, eu eu sinto muito, só que eu vou paraa raiva, né? Eu não choro, eu fico com raiva. E é violento você ter negativas, né, de escola, né, que é o direito básico ali da da pessoa tá na escola. E então assim, quem que fiscaliza isso? São as mães que têm que ficar implorando ou o poder público poderia fazer algo, né? Inclusive, assim que você falou da questão da das escolas privadas, né? Não deveria ter alguma fiscalização para, né? Porque isso acontece muito, né? E bom, eu vou aproveitar que o Ivan tá aqui, vou falar que eu admiro muito ele e eu queria ouvir um pouco porque assim, eu acho que o papel da escola é muito importante na inclusão, o papel da família é muito importante, né? Mas eu acho que nesse tripé a gente tem a comunidade, né? E eu sinto hoje que as pessoas eh tá tudo tá virando um tabu. As pessoas têm muito medo de ser canceladas, de errar. Eu acho que agora a esqueci o nome dela, ela acabou de perguntar, a Isadora acabou de perguntar, né, como fazer na escola. E eu sinto que as pessoas têm muita vontade muitas vezes de se aproximar, mas hoje elas têm medo de errar, né? Então, como que a gente consegue abrir esse diálogo para engajar as pessoas, né? Porque eu eu ainda prefiro acreditar que as pessoas, né, querem fazer algo melhor, querem, né, ã, que o pertencimento aconteça, né? Eu acho que a educação inclusive é sobre pertencer, né? Então, queria saber de você se você pode falar um pouquinho como que a gente abre esse diálogo. Obrigada, Marina. É que ela não falou o nome do filho que dela. Ela é Gabriel. Filho. É bom. Gente, eu acho que a gente vai ter que voltar aqui pra mesa, tá? Pode ser. Senão a gente já eh a gente pode responder rapidinho aqui, meninas. Assim já responde se tiver e faz as considerações finais. Rapidex. Pode ser. Que é na mesma ordem, Sônia? Pode ser. Fechar. Isso é já fechar. Bom, gente, eu queria agradecer a todos. Eh, acho importantíssimo isso, a pra gente ver a distância entre o que tá escrito e o que acontece. Embora eu sou absolutamente grata por tudo que teve por atrás de história e que continua sendo construído. E e acho que isso só é possível porque é um caminho que tem que se abrir e abrir e ver de fato o que tá acontecendo em muitas realidades, né, que a gente tá vivendo no dia a dia. Muito obrigada a todos. Obrigada, Sônia. Eh, Elise, pode ser. Eu também agradeço a oportunidade e assim, só pensando, né, como é bom te ouvir mesmo, porque assim, é ouvir você é um aprendizado assim pra vida, né? mesmo nós que já estamos na área, né, que a gente, enfim, não tem como não acreditar, não tá sensibilizado e lutar contra o capacitismo, né, e falar, poxa, fazer as autorreflexões, mas é isso, vocês têm que estar nos lugares, vocês têm que pertencer. E às vezes a gente fala isso, gente, e a escola, o quanto que ela tá dando voz para esses alunos? até mesmo nos pedidos de cuidador de apoio. Esse aluno tá sendo ouvido porque eu também ouvi um colega professor cego e ele disse, né, que ele não queria alguém ali do lado dele, um cuidador tal. Enfim, é com vocês que a gente aprende. Então, muito obrigado mesmo pela oportunidade. E só respondendo, os cuidadores são, né, contratados atualmente via terceirização. Eles são terceirizados e a empresa ela oferece formação sempre em janeiro e julho. Eles tem elas têm todos os dias de formação e o núcleo de educação especial, pelo menos uma vez em janeiro, uma vez em julho, também faz a formação da educação especial. nós mesmos fazemos, inclusive elas estão eh no cronograma de formação com a professora Dra. Mariana Lopes agora em julho, então a gente tem essa preocupação, tá Adriana? Obrigada. É na escola o apoio do PEB 4, né? Obrigada, Lise. Adriana muito ligou. Ligou. Eh, respondendo uma pergunta da Marina. Quem fiscaliza, se responsabiliza pelo espaço privado é o Estado. São as diretorias do de ensino, tá? Eh, elas fiscalizam, eh, elas dizem que a fiscalização é única. O que nós percebemos é uma diferenciação entre um diretório, uma diretoria e outra. Com isso, a diferenciação eh é muito singular em cada escola. Então, você vê escolas particulares no mesmo bairro em que tem um número e um contingente muito grande de crianças com deficiência. E ao lado dela, porta com porta, muro com muro, escolas que dizem que não tem a vaga, né? A é a mesma diretoria de ensino que tem eh eh a o dever e a responsabilidade de fiscalizar, tá? Eh, e aí a gente já responde como é que é essa fiscalização, tá bom? Bom, respondendo a pergunta da nossa menina e ai, linda sua pergunta, amei. Eh, me sinto presenteada por ela. Isa, eh, nada aconteceu na vida dessas pessoas e o nosso menino Ivan vai dizer se eu tô certa ou errada. Sem os coletivos, nada. Os coletivos continuam sendo a força e o diálogo para as coisas acontecerem ou não acontecerem ou se extinguirem. Por que que uma secretaria se extingue? Será que se extingue porque o governo diz que não precisa e nós nos calamos? Nós nos calamos e dissemos: "Não, realmente o governo sabe o que é melhor para mim. Eu não preciso organizar nenhum coletivo de debate sobre isso. Deixa extinguir, né? Estamos muito nesse momento, minha menina. Coletivo é o canal. Eu não entendi o que é aquele adulto do lado do meu amigo. Eu não entendi se ele é um cuidador. Eu não entendi se ele é um psicólogo que fica com uma bolsinha com um tablet cheio de símbolo pictográfico, fazendo ele falar comigo a partir do símbolo. Eu não entendi o que é isso. Vamos para um coletivo, vamos jogar paraa nossa escola e pro debate. Quando eu tô dizendo é professor, orientador, teve canal com coletivo de Grêmio, teve canal com, enfim, não teve canal nenhum. Eu vou paraa direção e digo: "Vamos instituir um dia em que a gente possa entender o que é isso e entender que eu preciso compreender esse contexto para poder inclusive sensibilizar outros e outros jovens como eu, sensível que você é para isso." Eh, as pessoas se organizaram em coletivos e graças a elas nós temos o Ivan aqui falando com a gente. Queríamos ter muitos mais, né? Eh, mas eu ainda acho que o canal é esse. Estamos num momento, minha querida, muito complexo de entender isso, porque em alguns espaços estamos vendo que tem pessoas que estão ao lado dessas pessoas, muitas vezes invalidando eh a locomoção e a autonomia. Mas vamos entender o porquê, porque aí a gente entendendo, a gente consegue se aproximar dele, da cadeira de roda dele, da maneira com que ele fala ou não fala ou se mostra para nós, né? Eu diria o primeiro passo você já tem, que é o teu olhar sensível. Usa, usa. A gente precisa disso, tá bom? Agradeço imensamente essa mesa. Acho que a gente abre discussão para tantas e tantas coisas, né? E me coloco à disposição, tá bom? Um beijo carinhoso. Obrigada, professora Adriana. Pessoal, eu vou passar pro Ivan fazer aqui a fala dele final, mas antes de eu passar, eu eh na verdade hoje era pra gente estar fazendo a segunda reunião com esse tema que eu eu a gente tentou bastante fazer essa reunião no mês de no mês de maio, acolhendo as professoras e depois a gente queria também dar esse acolhimento principalmente para os demais profissionais, inclusive as cuidadoras. Nós tivemos dificuldade de organizar agenda, das pessoas poderem se sentir tranquilas e virem aqui falar. A gente, nós tivemos inúmera dificuldade para sair essa essa mesa hoje. Eu falei, vai sair essa mesa, vai sair o Ivan vai vir, vai sair essa mesa de vai ter que sair de um jeito, nem que se seja de um jeito que as pessoas não achem reta, mas vai sair de algum jeito, vai sair. Então foi isso que a gente fez, né? Então o Ivan tá aqui e eu fico bastante feliz com todas as pessoas que estão aqui. Se despuder zero que tá na mesa, a Elisa veio, né? A a Sônia também com seus questionamentos. Tem muitas coisas que foram faladas aqui, perguntas e dúvidas. E aí a gente coloca o mandato à disposição e também coloca, eu vou tomar a liberdade de colocar também essas pessoas que estão aqui à disposição, tá? Então assim, quiserem vir falar com com a gente, tem aquele moço que tá ali, ó, mexendo na barba direto, Leandro ali, ele é o chefe de gabinete, tem o Silas, tem o Caik, tem eu, enfim, pegue os nossos contatos. O que a gente puder fazer de questionamento e cobrança, a a diretoria de ensino tá fiscalizando, né? Porque a professora acabou de falar quem é o canal. Então, aí passa pra gente, a gente oficia e cobra, tá? as questões, como é que é organizado, como que é, tá, como que tá sendo orientado, enfim, né? Qual é, é o regramento, qual é o protocolo, qual é o procedimento, eu não sei. Mandato tá à disposição, procura a gente, a gente tenta dialogar, conversar, procurar as pessoas. Se vocês não conseguirem procurar as pessoas, a gente procura. Já vou colar na Elisa, né? Já vou colar aqui em todo mundo. A gente procura as pessoas, pede orientação, pede ajuda e a gente tá aqui à disposição para para poder pautar isso, tá? Obviamente tem uma questão para mim que é muito séria, que é a situação das cuidadoras. É uma questão muitíssimo séria, né? Desde o ponto, desde a questão salarial. É um é um absurdo o que Campinas paga de remuneração para para essas trabalhadoras. é uma é uma, é um tem várias questões, a questão da formação, da capacitação, tem muita coisa, né? Mas a gente vai deixar para um outro momento, porque hoje a gente quer ficar no momento mais, né, feliz por conta eh e abrir o diálogo, porque para sair essa mesa foi muito difícil. Então a gente quer, a gente tá aqui homenageando esse momento de da gente ter conseguido fazer, mas a gente vai continuar enquanto mandato acompanhando essa agenda, essa pauta e muito do que todas aqui falaram, todos aqui falaram, eh, foi muito importante pra gente entender muita coisa e eu e eu eh atualizar, rememorar meus espaços de formação com a professora Dedriana, inclusive. Então, agradeço muito e eu vou passar para o Ivan, porque eu sei que depois que ele falar ninguém vai nem ligar para cá, deixar ele por último aqui para falar, tá bom? Com você, Ivan? Bom, foi muito importante ouvir as falas da Dra. Sônia, da professora Adriana, da nossa vereadora Guida, da querida Elisa. E como ela bem falou, é muito importante pessoas com deficiência falarem, porque quando nós não falamos, outros falam por nós e nem sempre são as melhores decisões. A única tristeza, professora Adriana, é do Ivan será a exceção. Enquanto eu for a exceção, enquanto eu for o único, não é inclusão. Que mais vozes de pessoas com deficiência também cheguem nesses espaços também. se empoderem dos seus direitos e conquistem espaço, sabe? Conquistem autonomia, empoderamento. Isso tudo reflete através de uma educação inclusiva. Eu pude desenvolver, apesar de não ser a ideal, mas eu pude me desenvolver dentro do espaço escolar. Então, a importância disso na minha vida se é ímpar, sabe? foi primordial para eu tá aqui enquanto um jovem ativista, eh, com crítica social, sabe? Então isso é muito importante. Muito obrigado, vereadora, pelo convite, por acreditar de fato nessa política nacional de educação anticapacitista. Que bom que os tempos são outros, né? Que a gente pode discutir com as diferenças, mas sempre com o único objetivo de propor soluções. Não apenas fazer a oposição por oposição. É uma oposição consciente. E já respondendo, Isadora, que primeiro lugar você já tá mais do que certa. Você de fato reconhece que não somos iguais. Não somos iguais. Essa é a verdade. Eh, todos, cada um tem suas individualidades e isso deve ser respeitado, independente de ter deficiência ou não. E eu acredito que é perguntando, sabe? saindo desse lugar da dúvida e partindo pra ação. E outra coisa, você não vai gostar de uma colega, um colega com deficiência apenas pela sua condição. Eu não quero que você goste de mim apenas porque eu uso uma bengala, porque eu tenho paralisia cerebral. Não, eu quero que você goste de mim pela minha personalidade, até porque pode nem agradar a sua. Aí você vai ficar minha amiga por pena para sair bonita na história, porque também é muito que acontece. Ah, vou sentar do lado do amiguinho cadeirante para ser o bonzinho. Não, né? Como Jana ainda falou, todos nós somos especiais. Nós não queremos apenas bondade, nós queremos praticidade, queremos respeito, sermos tratados como ser humano digno de de direitos, mas também de deveres. E aí é quem entra Marina, né? Marina, eh, você é uma mãe atípica que você não escolheu, primeiro lugar ter um filho com deficiência e muito menos você recebeu um manual de orientações, assim como acontece com outros tipos de maternidade. Só que a sua específica é a mais julgada. Sempre você vai ser a questionada porque seu filho é assim. E alguns momentos, não sei se você sente isso, é ainda invisibilizada. Seu filho não é convidado paraas festas de aniversário. Seu filho não é não tá dentro da rodinha dos amigos. E aí é que a gente fica com uma autocobrança em excesso. Eu falo isso por experiência própria. Já que eu me já que eu me coloquei nesse lugar de professor, de ativista, anticapacitista. Será que eu posso errar? Porque se a gente cometer uma vírgula errada julgamento em excesso, principalmente no ambiente que eu atuo com mais força que a internet, né, que é aquela terra sem lei que você é o famoso cancelamento. Então acho que não deve existir, até porque nós somos seres humanos, né? Você tem total direito de criar o seu filho da maneira como você bem quiser, que eu acredito que não é uma maneira capacitista, né? Até porque eu também não fui criado da maneira politicamente correta. Meus pais não tinham noção da visão social, da deficiência. Eles tinham muito amor, muita disposição. Então acredito que seguindo esse caminho já é meu caminho andado, sabe? E é isso, é todas as pessoas aqui presentes da da maneira que vieram, espero que não voltem do do mesmo tipo de pensamento, até porque não vai valer de nada a gente formar essa mesa. Eu, por exemplo, vim lá de Natal passar mais de 4 horas de voo para não pelo menos uma vírgulazinha não mudar a mentalidade e o pensamento de vocês. É isso. Tenham humildade cada vez mais e se disponham a aprender com as pessoas como e sem deficiência, porque o nosso objetivo é único, uma sociedade mais inclusiva, acolhedora e que ninguém fique para trás. Obrigada. Bom, pessoal, eu vou, a gente vai entrar em contato, vamos continuar conversando com o Ivan, pegando as informações sobre esse projeto de ações aqui, que eu entendo que deve ser muito amplo, né? Não deve ser somente na área da educação, como ele falou, né, que são de ações. E aí a gente vai pensando eh e e isso que e sair com essa mensagem que também a professora Padilha fala, né? ela falou: "Olha, são os coletivos, né? Eu acredito muito nessa luta." Então, até para poder eh apoiar e me e colocar a nossa solidariedade, principalmente as mães que estão aqui, né? Duas mães, a Janaína e a Marina, que estão aqui, que se colocaram, né? quanto enquanto mães eh de filhos eh que fazem esse enfrentamento. Então, a gente precisa pensar mesmo em ações, em coletivos, fortalecer redes para poder dar o suporte, porque realmente ainda nós mulheres continuamos sendo as mais afetadas, né, diante de toda essa situação. Então, quero agradecer a presença de todo mundo, agradecer essa mesa potente, agradecer aí a o o convite, o chamado do convite que as pessoas vieram aqui para assistir. Agradecer os servidores dessa casa que tornaram possível a realização desse momento cerimonial, pessoal da segurança, da recepção, da Copa, né? Eh, enfim, agradecer todo mundo que garante aqui a gente realizar esse momento. E então eu vou agora eh antes da antes de eu falar que tá declarado, encerrado, a gente vai tirar uma foto aqui, tá gente? Não vai embora não, vamos tirar uma foto aqui com o Ivan e também o Ivan vai tirar foto todo mundo aqui também, fique à vontade aí, tá? É, tá aberto aqui. Então, a gente encerra agora esse momento a reunião da Frente Parlamentar de Educação. Obrigada, meninas, meninos, meninas. Obrigada. [Música] TV Câmara, Campinas. Yeah.