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TV Câmara Campinas. Sejam bem-vindos à Câmara Municipal de Campinas para a palestra Guerra de Narrativas, o novo campo de batalha da polarização política promovida pela Escola do Legislativo de Campinas Elecamp. A palestra visa nos levar à reflexão sobre os desafios de comunicar, persuadir e dialogar em um cenário marcado por redes sociais, algoritmos, fake news e discursos cada vez mais fragmentados. Além de ampliar o nosso olhar sobre o papel da comunicação na disputa política de ideias e sobre o que ainda está por vir, convidamos para compor a mesa de abertura e para presidi-la a responsável pela Secretaria Escolar da Elecamp, Bruna Mendes Buzo. Convidamos também o nosso palestrante de hoje, Gilmara Aruda. Com a palavra para as boas-vindas, Bruna Mendes Buzo. Bom dia, gente. Eh, eu vou ser breve, vai ser só uma saudação. É, vou começar agradecendo, como a gente sempre agradece, o Rossío, presidente da casa, que não poôde estar aqui porque ele tá num evento na Unicamp, mas ele tá sempre apoiando as nossa, os nossos eventos, as nossas ações. E também o Gilmar, que mais uma vez voltou aqui, ele já é super parceiro, tá sempre aqui com a gente discutindo temas muito relevantes da área de comunicação. Desejo para todo mundo uma ótima palestra. Convidamos também para sua saudação Gilmara Aruda. Bom dia. Bom dia. Bom dia. Que legal estar aqui de volta. Tem o microfone para eu poder descer? Então nós vamos começar aí embaixo ter a possibilidade de interação e vamos falar de uma temática que eu acho que é fundamental para quem hoje trabalha com comunicação política. Pessoal, obrigado a todos que estão aqui. Vamos em frente. Gostaríamos de agradecer a presença do vereador Mineiro do Espetim. Também agradecemos a presença da mesa de autoridades que nesse momento se desfaz. Na sequência, daremos início à palestra que será ministrada por Gmara, cientista político, publicitário e especialista em planejamento estratégico eleitoral e comunicação política. Informamos que ao final da palestra o microfone estará disponível para perguntas. Também lembramos a todos que assinem a lista de presença para o recebimento do certificado que estará disponível em breve na plataforma Moodle. Desejamos a todos um ótimo evento. Agora sim, eu tava queimando a saída ali. Bom dia, pessoal. Bom dia. Bom dia a todos. Prazer enorme estar aqui de volta para falar de uma temática aí bastante importante. Quem aqui é da casa aqui, trabalha aqui na Câmara Municipal. Legal. Parabéns, parabéns, parabéns. Alguém com mandato? vereador, né? Parabéns, vereador. Legal, pessoal, olha só, sou Gilmar Ruda, sou cientista político e publicitário, sou especialista em comunicação política. A gente vai falar hoje sobre guerra de narrativa e tudo que tá envolvido dentro dessa temática, especificamente aqui direcionado paraa batalha eh pela atenção das pessoas, né, que levam à polarização política. A gente tem um cronograma que eu vou de alguma forma, até em função da palestra ter começado um pouquinho depois, eh, adiantar essa minha exposição sem nenhum prejuízo daquilo que eu vim aqui eh discutir com vocês e ao final a gente vai ter a possibilidade então de fazer eh uma interação através de perguntas que eu estarei aqui para tirar dúvidas de vocês, tá bom? Então eu estimo aí que por volta de 1 hora30, no máximo, a gente conclua essa exposição. Então eu acho que é bom porque ganha bastante tempo aí para quem tem eh compromisso eh ali próximo do horário do almoço, tá bom? Vamos lá, então. Eh, guerra de narrativa, né? O campo de batalha. Onde é que estão sendo travadas essas batalhas hoje? de guerra de narrativa. Quando a gente pensa na comunicação, alguém quer dar um pitaco sobre nas redes sociais, perfeitamente. Então, a batalha da guerra de narrativa, ela tem um local onde ela acontece, né? E aqui a gente vai fazer um um revisionismo histórico para ter uma compreensão eh enfim de um panorama mais amplo de tudo que aconteceu, que nos trouxe até este lugar, né? Então, as redes sociais elas têm uma característica hoje que elas atuam no modelo multiplataforma, tá? Estão completamente interligadas. É só a gente olhar para as propriedades, por exemplo, que tem a meta, que é um dos players, uma das empresas que atuam dentro desse segmento. Você tem Facebook, você tem o WhatsApp, você tem o Instagram como uma única plataforma completamente integrada, tá? Então esse é o conceito. E o que que é uma característica peculiar das redes sociais? Elas coletam dados, elas monitoram o que todos nós estamos fazendo e elas fazem análise. Para quê? Para que possam prever o seu comportamento de maneira com que haja uma possibilidade de te manter o máximo possível usando aquela determinada plataforma. Faz sentido isso para vocês? Então hoje se você pegar o seu celular, abrir o Instagram, o TikTok, vai existir um grande problema ali, que é não consigo largar isso aqui. Isso tem acontecido porque as plataformas elas atuam dentro de um modelo de negócio onde quanto mais tempo você tiver conectado, melhor pro modelo de negócio dessas empresas, porque é a economia da atenção, tá? Então, coleta de dados, monitoramento e análise, um capitalismo de vigilância para uma monetização. Quando a gente eh faz um olhar crítico sobre o funcionamento dessas plataformas e a gente, enfim, aprofunda um pouco mais o debate, você vai compreender que, na verdade, aquilo que você acha que usa de graça não é de graça, porque o produto é você mesmo. Perfeito? Então você passa a interagir nessas plataformas e recebe determinados conteúdos. E esses conteúdos eles têm qual objetivo? Te manter quanto mais tempo ali escrolando, eh, tendo acesso a determinados conteúdos para que seja impactado com algum outro conteúdo publicitário, porque é assim que essas plataformas se monetizam, pelo menos numa das frentes de modelo de negócio que eles têm, né? Então isso se dá através da coleta, monitoramento e análise de tudo que você tá fazendo dentro, seja do Instagram, TikTok, Facebook, WhatsApp e YouTube e tantas outras plataformas que hoje fazem parte de um ecossistema de comunicação que todos nós usamos, né? Eh, então todos concordamos que somos impactados eh com comunicação política. Eu vou fazer um recorte aqui, evidente, através das redes sociais, tá? E como que isso acontecia lá no passado, né? Se a gente voltar lá na antiga Grécia, eh, em Atenas, você tinha ali, eh, um espaço que eram as praças públicas, né, a ágora, onde os cidadãos discutiam sobre política. E não era qualquer pessoa que poderia discutir sobre política, porque você tinha uma categoria específica ali de cidadão. A praça pública hoje, eh, da discussão política se dá nas redes sociais. As pessoas entram nas redes sociais por diversos motivos, se entreter, passar tempo. Só que muitas destas pessoas hoje, se você pegar qualquer pesquisa quantitativa, ela vai apontar que essas pessoas também estão usando as redes sociais para quê? Para se informar. Então, certamente todos que estão sendo impactados por diversos conteúdos nas plataformas, dentre os conteúdos relacionados à política, porque você evidentemente também recebe outros tipos de conteúdo a depender de como você usa essas plataformas. Lembrando que o que você vê é diferente do seu amigo ao lado aí, o seu feed do Instagram, do Facebook, o conteúdo que você tem eh ali no TikTok não tem nada a ver com que o Gilmar Ruda tem, por exemplo. Aliás, no meu Instagram pessoal não tem nada a ver com o meu Instagram da minha empresa. É impressionante os conteúdos que o Instagram eh mostra para mim nas minhas redes, na minha rede social, Instagram especificamente, que é o único que eu uso, né, pessoal, não tem nada a ver, é absolutamente diferente, né? Por meu comportamento de uso é completamente diferente. Eu quando tô ali no Instagram da minha empresa, eu realmente só vejo coisas de política e sou impactado por isso, inclusive quando eu vou lá em explorar. Vez ou outra, se eu vejo um outro tipo de conteúdo, esse conteúdo também vai começar a aparecer, só que com peso menor do que aquele eh que eu sou impactado e no meu perfil pessoal, tá? Então, as plataformas hoje elas direcionam conteúdo de forma individual. E isso é importante entender um conceito que daqui a pouco a gente vai falar, tá? eh sobre essa criação de bolhas e a dificuldade que as pessoas têm de olhar pro outro lado do balcão e poder dialogar sobre política de forma mais humanizada, vamos dizer, tá? Então, essa característica aqui é importante de eh ter o entendimento. Eh, e no final da linha, o que que as plataformas querem, né? como eu já adiantei aqui para vocês, eh uma competição desenfreada pela atenção. Então, a gente vive hoje a era da economia da atenção. E aí existem diversas estratégias que os usuários destas plataformas utilizam para despertar atenção e interesse dos usuários, seja através do humor, seja através de uma linguagem direcionada para uma determinada demanda, seja através da construção de narrativas que causam o quê? o sentimento negativo, porque o que viraliza nas redes sociais não é uma notícia positiva, é aquela notícia negativa. Então, tá aí. E cada ator político vai usar de uma determinada forma, mas existe uma determinada fórmula, a gente pode dizer, para que você consiga despertar essa atenção das pessoas e de alguma forma trazer a sua mensagem, tá? Então, existe uma competição pela atenção, como eu disse no início, existe uma dificuldade que todos nós temos, principalmente eh os jovens, né, ali adolescentes e crianças com uso das redes sociais. Por quê? Porque aquilo de fato vicia. Quem que não fica esperando uma notificação de um post de que acabou de fazer? Ou não só eu aqui? Todos vocês estão imunes a isso ou não? Vicia, né? Você fez um post, poxa, será que curtiu? Publiquei um stories. Tô falando aqui de quem você assessora, eu tô falando da sua própria rede social. Então, tem toda uma questão da psicologia por trás de como estes mecanismos funcionam. É por isso que é um negócio de sucesso, porque os caras descobriram que tipo de estímulo eu tenho que eh entregar para que eu possa prender a atenção das pessoas dentro dessa dessa plataforma. Então, o problema hoje, né, eh, desse uso desenfreado, que eu não vou entrar aqui especificamente nessa temática, mas isso é um ponto importante para compreender o quê? Essa guerra de narrativa, né? Então, as pessoas estão o quê? Em embedecidas dentro daquele mundo que tá sendo construído naquela bolha que aquela pessoa vive. Eu vivo na minha bolha, na minha rede social, nos conteúdos que eu consumo. E todos vocês aqui também e todos os políticos aqui que vocês representam também, né? E qual é ã especificamente aqui o ativo para esse vício a dopamina? que é essa sensação de que tem um prazer quando você tem um estímulo que de alguma forma volta para você através de um feedback, tá? Uma outra questão importante pra gente ter a compreensão de por que essas coisas funcionam tão bem, né? A a necessidade de conexão não é uma invenção das redes sociais. Nós sempre nos mantivemos conectados de alguma forma ao longo da história. Isso é uma questão da biologia. o ser humano ele não consegue não viver em sociedade. E essas plataformas entenderam esse mecanismo e também trouxeram para dentro eh das suas funcionalidades através de ferramentas, enfim, a possibilidade de você usar estas plataformas com este objetivo de buscar uma conexão. Então tem isso também que é importante a gente compreender, né? Isso também impacta em como você faz comunicação. Então, a necessidade de conexão é inerente ao ser humano. Isso é parte do nosso funcionamento biológico. E tudo isso ativa em nós emoções e gatilhos para uma validação social, um reconhecimento, tá? Por que que as pessoas usam as redes sociais? Porque existe hoje uma guerra de narrativa e uma polarização? Por que que eu me identifico mais com um campo político do que com outro campo político? Porque alguém ali tá dizendo que é a voz que vai me representar. E isso tem relação com tudo isso que eu estou falando aqui, né? E como eu disse, se as plataformas têm como característica primeira coleta de dados, monitoramento e análise do de tudo que você tá fazendo, o que que eles conseguem fazer? prevê o seu comportamento. Só que o que que é interessante, tem algumas referências bibliográficas aqui ao longo dessa minha exposição, tá? Para validar essas coisas. Essa previsão de comportamento hoje através das plataformas tem o poder de mudar o comportamento das pessoas. Estávamos aqui discutindo uma fatalidade que aconteceu na semana passada com ativista político americano, independentemente ali do campo político que ele representa, que foi assassinado. Guerra de narrativa. E a gente pode abrir aqui para falar sobre o nosso ambiente doméstico no Brasil, tantos problemas que nós estamos tendo com relação a isso, né? Então, se eu consigo prever o comportamento e consigo despertar nas pessoas as emoções mais elementares, principalmente a indignação e o ódio, eu consigo fazer com que a realidade que essa pessoa tá enxergando vá ao encontro do meu projeto de poder, o meu projeto político. E aí entra os senhores e senhoras aqui que trabalham com comunicação política para entender esse mecanismo e melhorar a maneira como vocês vão se comunicar. E aqui sem juízo de valor, sem pensar o que é o bem, sem pensar o que é o mal. A ferramenta existe e a gente precisa compreender como ela funciona, né? E nós vivemos num estado de incerteza e carência permanente. Como eu disse, basta você fazer um post, a ansiedade vem, você fica louco esperando um feedback para retroalimentar esse sistema. Vem uma dopamina, você se sente satisfeito, você tem contato com um discurso que vai ao encontro de uma visão de mundo envieszada, sua construída a partir destas narrativas que estão nas redes sociais e as pessoas não compreendem que elas estão sendo manipuladas. Então esse é o contexto, esse é o jogo, né? Então estado de in de incerteza e carência permanente que abre o quê? espaço para discursos populistas, para sedução de parte dessa camada da sociedade, tá? Então, tudo isso lá na árvore da competição pela atenção, tá? E aí as redes, como já estou aqui adiantando para vocês, elas atuam dentro de uma conceituação que é a modulação. Quer dizer, você não vê o que você quer ver ali, é inocente aquele que acredita que funciona dessa forma e não funciona dessa forma. as redes sociais, Instagram, Facebook, TikTok, tantas outras, né, verticalizadas, voltadas para um público jovem, enfim, você tem hoje uma m uma multiplicidade de plataformas, mas tem aquelas mais conhecidas que tem uma massa de usuário muito grande, né? Elas modulam a sua percepção, a sua opinião, o seu desejo, pensamento, conduta e comportamento. Através do quê? de um algoritmo que compreende o mecanismo do funcionamento da psicologia humana. Perfeito isso ou não? Então, não é uma coisa aleatória. Quando a gente olha para estas grandes empresas, não se enganem ali só tem engenheiros da computação, não. Você tem um time e multitarefa tentando entender um um comportamento humano, né? Então, como é que eu faço para conseguir modular? Agora, não é a plataforma, é o uso da plataforma. O Instagram não gera um conteúdo, Facebook, TikTok não gera um conteúdo. Mas estes conteúdos que são gerados pelo usuário, e esse é o nome técnico mesmo, conteúdo gerado pelo usuário, ele é usado de que forma? Pela plataforma para modular a sua percepção. Quer dizer, te coloca num túnel onde você não consegue sair dali, dali de dentro, né? E quando eu eh modifico a sua visão de mundo, que é a percepção, percepção é como você percebe as coisas, principalmente posicionamento de um ator político que tem relação com a percepção. Acho que o Gilmar parece com isso aqui. Você pode colocar no lugar do Gilmar qualquer ator político que você tem, tenha contato ou que você admira ou que você, pelo contrário, tem repulsa, porque o que que mais vai funcionar dentro das plataformas? Ativar esse eh elemento fundamental da repulsa, né? Então, esses conteúdos que modificam a sua percepção, a sua opinião, o seu desejo, o seu pensamento, a sua conduta e por fim o seu comportamento através de algoritmo. E hoje nós temos a inteligência artificial, então não é aquele primeiro estágio eh do desenvolvimento das plataformas, né? Tem um aprendizado de máquina. E esses algoritmos eles vão cada vez mais se sofisticando, entregando conteúdos que vai te mantendo dentro de uma bolha e assim vai, né? E tudo isso para influenciar e reconfigurar se necessário for. Por o discurso político, nós estamos aqui para falar de narrativa, não é? O discurso político, ele tem que ter poder de persuasão. Tenho que convencer o outro ou não. Não é isso? Então, eu tenho que ter a capacidade de influenciar e reconfigurar decisivamente quem vocês são. Então, eu aqui pensando alguém ator político com projeto de poder. Tô me colocando nesse lugar. Que que eu tenho que compreender? Preciso influenciar e reconfigurar essa camada da população aqui que pode o quê? Votar em mim. Porque se eu mudo o comportamento, eu posso mudar o quê? O voto. Não é que você vai tirar alguém de um campo político e movê-lo para o outro. Dificilmente alguém que tem propensão a um campo político muda de campo político. O cara tá lá no campo da esquerda e agora do nada ele tá no campo da extrema direita. Isso não funciona desta forma, mas você consegue modificar percepções e fazer com que o comportamento de voto se altere, né? Então, buscar influenciar. E o que que as pessoas, eh, muito importante para elas encontram nas redes sociais pessoas como elas que vocalizam uma determinada demanda. E quando a gente fala demanda aqui, não necessariamente estamos falando porque estamos em guerra de narrativa, determinantes do voto relacionado a questões racionais. Precisamos de um hospital aqui na cidade de Campinas. Não, não é isso que aqui nós estamos falando. Nós estamos falando aqui em questões morais, éticas, comportamentais, que também passaram a ser determinantes do voto. Qual é a religião que o Gilmar profess? O eleitor tá interessado nisso. Por quê? Porque isso tem um peso muito grande hoje para ele. Porque ele aprendeu que nas redes sociais ele quer discutir sobre o mundo que o filho dele vai crescer. Ele não tá muito interessado se vai ter ou não vai ter médico no posto de saúde. Vocês compreendem isso? Agora é claro que eu também não posso generalizar, mas muitos atores políticos vivem disso ou não? É sobre isso que nós estamos falando aqui, tá? Então, quando eu encurto a realidade de uma camada da população e apresento para ela só uma um lado da moeda, que que eu consigo fazer com essa pessoa? Colocá-la dentro de uma bolha. As pessoas perdem a capacidade de criticar e esse é o grande problema no longo prazo. No longo prazo, né? E há um processo de espetacularização da comunicação que não é de agora. Isso a gente pode até voltar ali eh no advento da TV, né? Antes não tinha TV, tinha rádio, então surge a TV aqui no Brasil nos anos 50, né? Depois vem TV a cores. Aí vem o processo de redemocratização com as campanhas eleitorais ali no final dos anos 80 com Color e Lula. E aí você tem a inauguração do marketing político como ferramenta de comunicação e o empacotamento da realidade. Então isso não é novo. Só que nas redes sociais, cara, isso toma uma outra dimensão. O Instagram com seus filtros, o Instagram com seus cortes. Tem prefeito distribuindo refrigerante nas cidades. Isso é espetacularização. Não tô fazendo juízo de valor, mas é para vocês entender, entenderem como é que funciona o jogo. Pergunta se o eleitor tá com uma visão ali eh baseada na razão para julgar aquela determinada figura pública, não, porque já foi seduzido. Então existe um processo de espetacularização, né? Então, tudo isso dado através dessa modulação. O que que é modulação? Coloco você num túnel onde você não consegue sair dali e eu te apresento uma determinada realidade. Pessoal, tá fazendo sentido ou tô viajando muito? Tá bom. Então, é evidente que no final da linha o que que a gente quer, se estamos aqui eh discutindo que um dos principais determinantes do voto hoje tem relação com a questão moral. com a questão ética, com a questão eh ligada a quem você é e não necessariamente uma questão racional de programas e plataformas, tá? Então, se eu consigo afetar a sua emoção e o seu comportamento, eu consigo fazer com que você então possa votar em mim. Eu não, eu entendam as plataformas e as e a guerra de narrativa, elas vão modular sua visão do mundo real. É isso ou não? Uma madeira de Eu sou um exemplo. Todo mundo sabe do que se trata ou não. Isso despertou algum sentimento à época em nós ou não? Sim ou não? Sim, né? E do mesmo modo outros discursos que também despertam eh em nós uma aleriza. Isso é só uma gripezinha para não dizer aqui que eu tô puxando a sardinha para um lado ou para outro. É sobre isso que nós estamos falando aqui. E a comunicação ela tem esse poder hoje de fazer pequenos recortes e modular uma realidade. E isso tem relação com as plataformas, né? Então, afetar as nossas emoções. Esse é o X da questão da comunicação política. Esse é o X da questão. Se os senhores e senhoras hoje que trabalham com comunicação política conseguir sair do arroz com feijão e tem tanto case brilhante, eu sigo lá o prefeito de Ourinhos, nem sei que partido ele é, cara. É só juízo moral a comunicação dele. Vídeo selfie não tem legenda, não tem transição, não tem musiquinha de fundo, não tem nada. É ele aqui, ó. Cara a cara, o cara tem mais de 1 milhão de seguidores e ele tá compreendendo como é que se usa as plataformas para fazer comunicação política. Apesar de que existe uma racionalidade por parte de segmentos da camada da população, hoje quem consegue tirar o máximo daquilo que as plataformas oferecem, estão usando desta forma, ativando o gatilho emocional no seu interlocutor, tá? E aí, como é que tudo isso vai florescer? Através da ativação das emoções negativas. Se você consegue despertar a ira no outro, então eu descobri que estão querendo implantar mamadeira de Aqui é só um exemplo. Eu consigo despertar a ira em determinados segmentos da população. E você não tem que falar com todo mundo. Esquece isso. Você vai falar com o segmento da população, principalmente em comunicação política. Só o fato de você ter um credo religioso, metade dos eleitores já não vão gostar de você. Não importa qual seja seja a sua religião, o fato de você também não professar, uma camada do eleitorado já não vai se identificar com você. Então, quanto mais emoção negativa você conseguir despertar no outro e mostrar que você é a voz daquela camada da população, maior a participação deste segmento da população, se você quiser chamar de eleitorado, não tem nenhum problema, será nas plataformas, fazendo com que o seu conteúdo então tenha mais engajamento e um maior alcance. Tudo isso através dos algoritmos. Percebe isso? A modulação tem relação com isso, tá? Aqui é como nós deveríamos usar as plataformas, né? Como é que você constrói as narrativas dentro delas? Agora, isso desemboca no quê? Nestas bolhas. E estas bolhas, qual é o problema nessa história no longo prazo? Porque se você tá num projeto eleitoral e você entrou numa bolha, você conseguiu o que muitos gostariam e provavelmente você vai ser eleito, reeleito, o seu político aqui, o nosso vereador ali, por exemplo, tá? Mas no longo prazo, pensando eh a civilização mesmo, né? Porque eu acho que a gente tá aí numa questão existencial e civilizatória, que algum momento alguém vai ter que de fato levantar essa bandeira. A gente vai ter que puxar o freio de mão, ver onde é que enquanto sociedade estamos errando para corrigir a rota. Mas enquanto isso não tá acontecendo, estas bolhas elas então colocam estas pessoas dentro desses túneis de pessoas que pensam e agem como estas mesmas pessoas. Isso é o conceito de bolha. Eu não consigo enxergar nada para além daquilo que é a minha visão de mundo, que tá sendo validada por por este grupo de pessoas, estas bolhas. Então, Gilmar, dá um exemplo prático. É um post com um monte de comentário igual você descendo o pau ou não em determinada situação. Aquilo é uma bolha. E aquele conteúdo não apareceu para você do nada. Ele apareceu porque a plataforma compreendeu que aquilo de alguma forma mexe com o quê? A sua dopaina. E é isso. Tem nada de teoria. É isso mesmo, pessoal. Eu, por exemplo, sou sensível ao discurso armamentista. Eu particularmente sou sensível a isso. Qualquer coisa relacionada a isso vai ganhar ponto comigo. Também sou sensível à causa animal. Se eu vejo alguém, meu Deus, nas redes sociais maltratando um gato, um cachorro, um passarinho, que que vai acontecer com a minha dopamina? Eu vou na hora começar a tremer, querer comentar, compartilhar, falar, vamos matar essa Não é isso? É isso que acontece ali, né? Então, essas bolhas também elas propiciam consumo de informação que não contradizem a sua visão de mundo. E como eu disse aqui no longo prazo, isso do ponto de vista civilizatório, é ruim para todos nós, porque você vai criando uma visão pré-concebida do mundo e você não tá disposto ao quê? Ao diálogo. E a democracia, a política serve para quê? Não é a arte de resolver o conflito. A gente poderia, de uma forma simplista, resumir a política como essa importante ferramenta, a arte de resolver o conflito. Mas se o outro lado não está disposto a dialogar, como é que a gente vai resolver o conflito? Percebe isso? Então, as redes hoje, as plataformas, elas potencializam este lado negativo da coisa, tá claro, né? A partir do momento que eu capturo informação, dados, compreendo o seu comportamento de uso para eh também influenciar o seu comportamento no mundo real, eu consigo entregar as coisas de forma personalizada para você. Essa é a grande sacada das vezes, porque senão ninguém usaria, concorda? Então, a gente usa porque aquilo parece que foi o quê? feito sob medida pra gente, que é aquilo ali que nós estamos chamando de feedback personalidade, eh, desculpa, personalizado. E não podemos nunca esquecer um ato de comunicação, principalmente quando você usa as redes sociais, ele serve para amplificar uma mensagem. E aqui a gente já falou, né, as notícias ruins negativas, perdão, as notícias negativas barra também falsas, as fake news, elas se propagam numa velocidade infinitamente maior do que as notícias boas. E sabe por quê? muitas vezes, porque a notícia verdadeira barra notícia boa na perspectiva de quem precisa do quê? Da emoção ou não? Já já entendemos que a dopamina vai até o fim aqui da nossa conversa, né? Que que que é mais legal? um discurso que parece que é autêntico mesmo, falso ou aquela aquela notícia que vem chata, que não muda nada, não muda o mundo. E mais do que isso, não vai mudar o seu mundo, porque você já tem uma visão préconcebida. O que que você tá atrás de coisas que validem a sua visão de mundo. Então, o que que tem bastante nas redes sociais hoje? fake news, notícias negativas, porque são estas as notícias que mais serão consumidas pelas pessoas. Isso independe do campo político. E agora, é claro que a gente não pode jogar todo mundo dentro dessa bacia. Você tem um fragmento pequeno da população que eh, opa, pera aí, deixa eu verificar se isso aqui é verdadeiro ou não, para também contemplar aqui talvez uma ou duas pessoas, mas a maioria de nós seres humanos, cara, você vai naquele primeiro impacto e aí depois você vai ver se aquilo é verdade ou não. E a maioria, a maioria não vai ver se aquilo é verdade porque ela já tem uma crença pré-concebida que é a pós verdade. A gente vai falar sobre isso, né? inflar as paixões para despertar o medo. Basicamente formação de bolha e como as plataformas atuam hoje, né? Sem produzir nenhum conteúdo, pegando os conteúdos e com seus mecanismos compreendendo o comportamento humano. Para quê? Manter você mais tempo preso na tela do celular. Por quê? Porque se eu conseguir fazer isso, mais publicidade eu vou conseguir apresentar para você. É, esse é o modelo de negócio, né? Então, se a gente tá numa bolha, a gente não consegue enxergar o outro lado. A gente perde essa visão crítica e você não consegue julgar absolutamente nada. Se eu não tenho visão crítica, como é que eu vou estar preocupado? Olha como isso é doido, né? com um discurso eh baseado em cima de proposições, como eu dei um exemplo aqui, vou construir uma nova creche, legal, mas eu posso te garantir, cara, isso não vai te eleger. Talvez o que vai te eleger é você estimular uma disputa com alguém ali, falando em termos de município aqui, né? estimular uma disputa com um grupo político adversário e entrar numa guerra de narrativa com o grupo político adversário, falar de corrupção que o cara roubou e por aí vai. Você entrar no campo moral, porque o cara tá ali, ó, ele não tem visão crítica. Você tá num discurso que ele não tem eco. Compreendem isso, Gilmar? Não podemos generalizar. É verdade, mas hoje a maioria da população tá dentro desse mecanismo aqui, né? Então essa perda de visão crítica faz com que nós não tenhamos a independência para julgar os fatos. Isso a maioria da população. Por isso que o discurso moral, o discurso onde você consegue eh despertar e inflar as paixões, ele tem mais eco na sociedade hoje. Bom, e aí, como também já adiantamos aqui nessa nossa conversa, que daqui a pouco vai se transformar numa conversa porque vocês vão interagir, né? Eh, tudo isso floresce eh dentro eh, enfim, de um mecanismo, como nós estamos aqui desenvolvendo esse raciocínio, né, onde existe eh toda uma eh orquestração por parte das plataformas de modificar o comportamento e a visão do mundo das pessoas a partir do conteúdo que é gerado não pelas plataformas, mas pelos seus usuários. Porque a gente precisa deixar isso aqui claro, tá? Mas a plataforma compreendeu a psicologia humana e aí ela falou: "Poxa, pera aí, parece que aqui eu posso ter um modelo de negócio sustentável". E aí entra dentro desse aspecto onde o que é a verdade é relativa, ou seja, o que que as pessoas estão interessadas hoje em confirmar suas crenças? Olha que loucura é isso. Ninguém tá muito preocupado com a verdade dos fatos. Eu quero confirmar as minhas crenças. Então você tem um ambiente, o nome disso é pósverdade, tecnicamente falando. E este ambiente propicia ainda mais, né, uma alavancagem da produção das fake news aí, evidente, com a inteligência artificial hoje mais sofisticada ainda com a deep fake, né? Todos nós já fomos impactados aqui com montagens que você fala: "Caramba, parece mesmo aquela pessoa, não é isso? Qualquer um de nós aqui, a qualquer momento pode passar por um problema como esse, né? Então, as fake news, mais do que eh ter como objetivo eh mostrar que um fato que não é verdadeiro é verdadeiro, não. Ela só quer desestabilizar um sistema porque as pessoas já têm as suas próprias crenças, né? Então, com a deep fake, isso se torna mais sofisticado, né? A gente sai da era da informação para a era da desinformação, que é o que nós estamos falando aqui, não é isso? Se eh as pessoas estão mais preocupadas com seu próprio umbigo e com e com a confirmação da sua visão de mundo, já que os fatos importam menos do que eh o que elas acreditam eh enquanto juízo de valor sobre as coisas, você tem um ambiente então onde a informação em si, ela tem um peso menor do que a desinformação. Perfeito isso ou não? Tá? E como eu já disse, né? Eh, a desinformação, uma fake news, uma notícia negativa, ela se propaga com muito mais velocidade do que as notícias verdadeiras, né? E tem a maior probabilidade também de ser compartilhada uma fake news, porque se nós estamos dentro eh de um processo de criação de identidade, vejam só, né? Por que que eu me identifico com aquela figura pública, no caso aqui um ator político, porque ele tá falando em meu nome, ele parece comigo. É sobre isso que nós estamos falando aqui. Esse é o processo da construção, né? Então, se eu encontro isso, não importando se aquilo é verdadeiro ou falso, eu tenho a maior probabilidade com aquele conteúdo dele ser compartilhado, porque a gente vive dentro desse conceito da pós-verdade, onde os fatos objetivos eles valem menos do que a visão de mundo que as pessoas têm, né? E aí as pessoas estão constantemente apenas procurando uma forma de confirmar essa visão de mundo que é a viés de confirmação. Então tudo isso acontece nas redes sociais. O os grupos de WhatsApp servem exatamente para isso, basicamente, né? Tá vendo, ó? Falei. Não é isso? Aí o que que a pessoa faz? Opa, deixa eu mandar isso aqui para todo mundo. Ninguém vai checar se aquilo é verdade ou não. Então, é o que tá acontecendo hoje dentro desse ambiente da guerra de narrativa no ambiente multiplataforma, né? Então, eu peguei aqui uma das referências que é bem interessante, quem tiver oportunidade de aprofundar esses conhecimentos, os engenheiros do caos, tá? que é o nome do livro do de Juliano da Poli. Ele é francês, mas tá radicado ali na Itália, tá? Então o que que ele diz, ó? Ele fala o seguinte: "A verdade dos fatos tomados um a um, ou seja, de forma individual, não conta mais. O que é verdadeiro é a mensagem no seu conjunto. E aqui, que que nós estamos falando?" Não falávamos no início da nossa conversa aqui sobre o pertencimento. Eu quero encontrar alguém que eu me identifique, que represente as minhas bandeiras, que pense como eu, que eu possa confiar onde o mundo onde o meu filho vai estar é propício para ele poder crescer. Olha como isso é profundo. Então, é isso que ele tá explicando aqui, ó. O que é verdadeiro é a mensagem no seu conjunto. Ou seja, o a pessoa que pensa com essa construção que eu fiz há pouco não tá preocupado com a verdade. Ela tá o quê? Apenas procurando correspondências dos seus sentimentos e suas sensações. Então, a verdade dos fatos tomados um a um não conta individualmente. O que é verdadeiro é a mensagem no seu conjunto que corresponde a seus sentimentos e suas sensações, tá? Aqui um exemplo. Donald Trump quando começou a ensaiar seus primeiros passos para disputar a eleição, que que ele fez lá no passado? Para quem não lembra, ele começou a falar que Obama não era norte-americano, que ele não tinha nascido nos Estados Unidos. Isso é verdadeiro, isso é falso. Tá vendo? Ele faz isso por quê? Para colocar uma dúvida. É claro que aí tem um outro elemento. O Barack Obama é uma pessoa negra. E aí um preconceito enraizado. E você acha que parte da sociedade americana não se sentia não representada com Barack Obama na presidência? Sim ou não? Sim. Principalmente quem? os brancos e não sei o quê, que se sentiam excluído do globalismo, desse sistema que se que tá se perpetuando aí há não sei quanto tempo no poder, desde lá da era Clinton, etc, etc, etc. Ele plantou uma fake news e isso foi foi crescendo, foi ganhando corpo e depois lá paraa frente, muito para frentão, ele admitiu que aquilo era um fato que nunca foi verdade, mas só com essa manobra que ele fez, isso foi uma plataforma dele ali para ele se lançar candidato. Inicialmente ele conseguiu unificar sentimentos. Vocês entendem? Esse ponto? Isso é importante a gente compreender. Eu aqui não tô estimulando, façam fake news. É que vocês precisam compreender. Um discurso só propositivo hoje na comunicação política, ele não tem ressonância. A, as pessoas querem identificar quem você é na sua essência. Time que você torce. Se você tem um crédito religioso, se você é a favor ou contra o aborto, tudo isso nas plataformas, você vai falar com determinado segmento do eleitorado. Aquilo diante da sua estratégia pode dar certo. Esse é o convite que eu tô fazendo, tá? Então, fake news é isso aqui, ó. Aí vem, né? Claro, você tem os desdobramentos de tudo isso. Eh, e já ocorreram inclusive aqui no Brasil, né, eh, fake news que são distribuídas através das plataformas que se tornam boatos, né, e que pessoas acabam perdendo a vida. Ah, o outro lá estuprou uma criança e depois foi ver que não era verdade. O outro que matou um cachorro foi ver que não é verdade. Então, assim, a gente tem um problema com estas coisas. esse comportamento tribal, né? Jumar que adora os animais, Jilmar que tem essa questão com a segurança pública, que é sensível a essa temática para ele. Então, tudo sobre esse tema vai despertar a minha emoção. E tantos outros temas que despertam as emoções nas pessoas, temas diversos, né? Então, a gente precisa compreender qual é eh o resultado disso, que isso acontece, né? Então, desequilíbrio das relações e funcionamento da sociedade. Primeira coisa que tá acontecendo hoje, né? Eh, e aí as as plataformas o que que elas fazem? Alavancam isso. E todo esse sentimento tá aí para ser capturado pela comunicação política. É sobre isso que nós estamos falando aqui, né? E temos cada vez menos, cada vez mais menos controle de quem somos e no que acreditamos. Porque se nós estamos aqui diante de plataformas que sabem mais da gente do que o seu pai, sua mãe, seu cônjuge, seu filho e e etc, você pode fazer a lista que você quiser. Ninguém consegue prever o comportamento que você vai ter como uma plataforma consegue. Eles conseguem saber se hoje, nesse momento, você tá triste ou não. de acordo com a forma como você pega o telefone celular. Sabiam disso ou não? A a intensidade que você pega no telefone celular, o tempo que você para num determinado conteúdo, porque eles sabem que aquele conteúdo tem um um uma determinada carga de informação e eles vão trabalhando com isso, né? Então, que controle nós temos de quem nós somos e no que e que e naquilo que nós acreditamos, né? Então, pessoal, estamos diante de uma manipulação comportamental e não tem como explicar tudo que nós estamos vivenciando se não for através dessas premissas aqui, tá? que leva a esse tipo de desfecho aqui. Claro, Charles Kirk é só um exemplo, mas temos tantos outros. Nos Estados Unidos, só esse ano, mais de 50 pessoas foram assassinadas em função eh de questões políticas, violência política, tá? Então, é sobre isso que nós estamos falando aqui. Isso tá dentro desse debate da guerra de narrativa. Agora, propriamente entrando nessa temática, a guerra de narrativa, né? Eh, bom, o que que ela pretende? O que que pretende a guerra de narrativa dentro do ambiente multiplataforma? Ambiente onde eh é possível prever o comportamento, manipular esse comportamento, construir identidade. Tão capturando isso, né? Né? Como é que a guerra de narrativa funciona dentro de um ambiente como esse? Primeira coisa, controlar a percepção, controlar sua visão de mundo. A guerra de de narrativa, ela é feita para manipular, persuadir, senão nós não estamos aqui no campo do discurso político. Coptar, explorar e e orientar os sentimentos. É sobre isso que nós estamos falando aqui. Porque o que que a gente quer? Despertar essas mais fortes emoções nas pessoas, né? A realidade é relativa e é construída a partir destas narrativas. Então isso é importante compreender, né? Quer dizer, a perspectiva que você tem de mundo hoje, ela é de tribo, é de bolha. É daquilo que você constrói na sua experiência, entre aspas, no mundo real. Porque será que é possível hoje distinguir, distinguir o real? que essa materialidade nossa nas experiências do cotidiano que não é influenciado pelo ambiente digital, a gente consegue, eu tô aqui pensando agora sobre isso, estou com uma dificuldade muito grande de conseguir fechar essa conta. Quer dizer, é complicado. Você não consegue falar, a partir desse momento agora, eu não sou mais influenciado por nada disso, que eu fui bombardeado hoje 5.000 vezes. É possível? Sim ou não? Eu acho que não é. Não é. É impossível. É impossível. Milhares de vezes diariamente nós somos impactados por algum conteúdo nas redes sociais. milhares de vezes. Quantas vezes nós vamos ali no feed, não sei o quê, em e-mail e WhatsApp e enfim. Então, a gente não consegue mais definir uma realidade. A gente, mas a gente consegue definir o quê? Quais são as narrativas que estão sendo construídas para modular a percepção das pessoas? Porque é sobre isso que nós estamos falando aqui, controle da percepção do mundo real, né? Então, já que nós temos uma realidade relativa, ela é 100% construídas a partir dessas narrativas alicerçadas naquilo que interessa uma das partes. Por isso que tá ali parcial. Eu dei um exemplo aqui do Trump com a estratégia que não é aleatória de dizer que Obama não tinha nascido nos Estados Unidos. Tinha um monte de elemento intrínseco por trás disso. A questão racial nos Estados Unidos, não que aqui no Brasil não tenha, mas lá existe essa clivagem muito clara. Husin, tinhausin, tinhausin. Perfeito. Eh, então essa parcialidade, ela não é aleatória, é o discurso que você constrói, que é conveniente para uma das partes. E a outra parte, que é quem está ali ávido por encontrar uma liderança que o represente, não tá julgando. É isso que é importante, se aquilo é verdade ou não. Porque a percepção tá sendo construída em cima dessas parcialidades. É por isso que atores políticos que cometem os mais variados absurdos, a opinião pública não vai mudar a percepção que tem. Já viram isso acontecer ou não? Aqui no Brasil, tanto de um lado quanto do outro. Porque aí a gente tá aqui eh nessa nossa conversa, vamos falar ali adiante sobre a questão da calcificação dessa polarização, né? Mas tudo isso tem um um porquê tá acontecendo. Eu tô tentando construir esse raciocínio para compartilhar com vocês essa minha visão, né? Porque eu trabalho dessa forma quando eu tô num projeto político. Claro que ele precisa ser tropicalizado. Nem tudo você consegue aplicar porque depende muito daquela figura. Mas eu tenho a oportunidade de trabalhar com atores que estão dentro desses campos polarizados. Aí você vê que, cara, não adianta, se você não vai pro para para esse viés, você tá fora do jogo. É uma questão de sobrevivência política mesmo, né? E esse controle de percepção a partir da criação dessas narrativas, ela aplica filtro cognitivo, né? Porque ela quer mexer exatamente com a sua percepção, quer compreender, busca compreender, né, quais são esses anseios. de representação, as temáticas chave e traz isso paraa construção do seu discurso político, que isso é um filtro cognitivo, encurta a realidade, propicia a aproximação entre essa eh camada da população e essa liderança aqui, enfim, parafrisiando, parafraseando então um ator político, né? Então, o controle da percepção é um dos pontos chave aqui da guerra de narrativa. Aí as características, né? Então, manipulação da da linguagem. Agora, o que que a gente precisa entender? O discurso político, ele já ele é contraditório. Isso é da natureza do discurso político, tá? Eh, claro, você profere uma sentença, você pode voltar atrás aquilo que parece que não faz sentido para aquele momento, no longo prazo, vai fazer sentido. Então, assim, é parte da característica do discurso político a contradição. Agora, quando a gente fala da contradição, a gente não tá falando aqui é que você não tenha que ser autêntico, que você não tem que ter coerência. Aliás, coerência na política é tudo. Você se elege eh, utilizando uma determinada plataforma e aí do dia paraa noite, ah, não, o eleitor passa a perceber que você usou aquilo só como massa de manobra, você vai ser fortemente penalizado por isso. Fortemente penalizado. Então, manipulação da linguagem, um uma das características da guerra de narrativa, a contradição do discurso que é inerente ao próprio discurso político, né? E aí você tem eh, como eu disse, né, a parcialidade, você vai puxar a sardinha paraa sua brasa. Vai puxar a sardinha paraa sua brasa. Tá ali, ó. Eh, dividir e polarizar. Esse nós contra eles eh parte da característica da política brasileira. Isso vem acontecendo ali desde eh 2006 para cá, essa divisão da sociedade que não não foi do dia paraa noite, mas isso foi sendo construído, né? Então, se eu tenho uma narrativa de dividir e polarizar, eu consigo o quê? me vender como alguém que representa um determinado campo eleitoral, sim ou não? Então, não é uma estratégia isso não é aleatório. Não é aleatório, né? Um determinado campo se colocar como o legítimo representante de uma determinada pauta. Isso é dividir e polarizar de maneira que você eh, por exemplo, campo mais progressista, né? Então, tem a hegemonia da pauta eh social e o campo da direita, a hegemonia da pauta da segurança pública. Compreende que tudo isso é bobagem? Isso é narrativa, porque não existe isso. Os dois campos têm que ter a mesma competência nesse aspecto, mas a narrativa constrói que quem cuida da segurança pública é a direita, quem cuida das pessoas é a esquerda. Isso é narrativa, né? Então, a gente divide e polariza. Isso faz parte eh dessa eh construção de narrativa, né? Nunca vai admitir o contraditório, porque hoje você não tem mais adversário, você tem um inimigo que você quer o quê? Aniquilar. É isso. Se nós tivermos aqui atores polarizados, tenta sair da linha para você ver o que que acontece ali. Você não consegue tirar o pé porque aquela bolha tá em cima, né? E uma característica super importante, atuar nesse campo simbólico. Se você não tá no campo simbólico dos valores morais, da percepção, de novo, eh o mundo que você tá construindo pro filho do seu eleitor viver, olha como isso é profundo pra família dele e tudo mais. Isso engloba tudo. É a escola e os amigos que você tem. A música que você ouve aqui no Brasil, até o canal de televisão, não só aqui nos Estados Unidos também, ou não? Eu fiz uma campanha lá no Nordeste em 2020. Eh, cara, uma das plataformas que a gente tinha era bater na Rede Globo. O candidato não gostava muito porque ele não entendia isso. Ele falava: "Cara, eu não, esses caras vão vir para cima de mim e eu tô lascado". Eu falei: "Amigão, você não tá dizendo que você quer ser Bolsonaro? Você qualquer pesquisa qualitativa naquela época mostrava que a Rede Globo era o principal inimigo do bolsonarismo." É um exemplo que eu estou dando aqui, né? Então assim, campo simbólico, tô dizendo que está certo ou tá errado. Aquele ator que queria entrar naquela bolha, ele tinha que fazer alguns movimentos. Agora, tem coisas na política que você precisa de tempo. Nesse caso, esse projeto precisou de tempo, usou a eleição municipal para dar o primeiro passo. Hoje é um dos maiores representantes desse campo dentro do estado, tá? Então isso é uma característica. Se você entende isso, você vai em frente. Então, objetivo da guerra de narrativa, então, a demonização do outro, né? controlar esse imaginário a partir da emoção, como eu falei, não a razão, emoção. Controle o imaginário a partir dessa perspectiva, né? Claro. E o que que a gente quer de alguma forma também? Não que estejamos preocupados. Quando eu falo aqui em primeira pessoa, é como se a gente tivesse efetivamente aqui eh fazendo um ensaio sobre essas essas construções para comunicação e não é aquilo que eu defendo. Vamos deixar isso claro aqui, tá? são questões ligadas à construção objetiva de um trabalho eh relacionados à comunicação. Não que seja importante eh a opinião pública, mas impactá-la é importante. Você conseguir também furar a bolha muitas vezes é importante para você conseguir ter um maior alcance. Como é que você vai fazer isso? Então tem diversas estratégias que você pode adotar, tá? sempre despertar essas emoções intrínsecas de cada um, porque as pessoas querem o quê? Se enxergar em você, vê que você efetivamente é aquele representante que elas estavam tanto esperando, né? Eh, e claro, o senso de pertencimento, um discurso político, ele precisa carregar isso. Para quem que eu estou dirigindo isto aqui? Percebe a importância da questão conceitual? Todo ato de comunicação, ele tem que ter um objetivo. Ele não pode ser aleatório mesmo num mandato de vereador. Aliás, eu diria principalmente no mandato de vereador, porque o vereador ele vai ser o vereador da cidade inteira, dependendo da cidade, talvez vai ter problema com isso, porque não, por exemplo, São Paulo, você não consegue ser o vereador da cidade inteira de São Paulo, Campinas. E aqui eu posso dizer porque eu já fiz um planejamento, fiz um planejamento aqui da última eleição e o negócio aqui é diferente. É diferente porque você tem essa questão da penetração do dos candidatos eleitos, eh, às vezes territorializada e às vezes não. Sabe, os vereadores melhor votados aqui são [risadas] esses caras aqui, são atores do campo ideológico. Isso eu posso falar porque eu fiz um relatório gigante e eu, cara, é impressionante o que você consegue extrair de informação só olhando dado estatístico eleitoral. Você pega aquilo, você fala: "Pera aí, meu, por que que essa pessoa tem uma capilaridade absurda? Ou seja, vota em tudo que é lugar. é impossível, exceto exceto, por exemplo, se é da causa animal, tudo bem, mas tirando poucos atores, outros é campo ideológico, isso dá senso de pertencimento. Então isso também é uma estratégia de comunicação. Tô falando besteira, vereador. Tá? Agora, é claro que depende do local, né? Aí você precisa entender como é que funciona a dinâmica social de cada cidade. Aqui a gente tá falando em nível municipal. Você precisa compreender. Eh, a gente esteve envolvido em processos eleitorais que, por exemplo, essa coisa da direita e esquerda, cara, esquece, não cola aqui no estado de São Paulo, hein? aqui no estado de São Paulo. Aí vai lá, pega o Bolsonaro, o outro pega o Lula, mas para aquela realidade local não tem eco a polarização. Olha que coisa doida. Então assim, a gente não pode generalizar aqui, principalmente em município. Agora tem lugar que vai ter campanha de vereador, dependendo da cidade vai ter. O cara é o representante do lulismo, esse cara sempre vai ter. Se ele for o único, [risadas] ele vai ser eleito. Não tem como, né? O representante do campo mais à direita, né? Então, senso de pertencimento, a a construção do discurso político precisa eh olhar para essa perspectiva, porque esse é um dos objetivos, né? Valores, crenças e convicções. Se você não mexe com isso, você não tá fazendo comunicação política. Gilmar, mas é com todo mundo não, porque tem ator que não é assim. Tem ator que não é assim. Você precisa compreender o etos, né? Aí falando aqui em Aristóteles, a dimensão eh ali do tripé da construção eh da comunicação a partir dessa perspectiva. O etos é quem é aquela figura pública, a sua história, os seus valores morais e éticos, eh a percepção que a população tem daquela figura. Então você não vai se desfigurar. Por isso que você precisa fazer planejamento, porque a depender da sua estratégia eleitoral, você vai ter que fazer um reposicionamento de imagem que não pode ficar muito distante daquilo que você é. Então eu dei esse exemplo lá de Pernambuco, ali era muito distante de quem a pessoa era, cara. Na eleição anterior, esse que é um deputado estadual lá em sexto mandato, ele tinha, ele era do grupo político eh ali da família Campos. O Eduardo Campos morreu, ele rompeu com o grupo e agora ele disse: "Eu vou ser Bolsonaro". Muito complexo. Por quê? Porque as pessoas não aceitam que agora você é Bolsonaro. Ou mesmo se ele fosse Bolsonaro e ele dizer: "Agora eu vou ser Lula". Ia ver haver um choque. Então tem coisas que você só constrói no longo prazo. Só que isso aqui foi fundamental para ter essa compreensão de construção. E aí você vai colocando camadas nisso de de maneira que daqui a pouco ninguém mais lembra quem você foi. Por quê? Porque a realidade é o agora. Ninguém sabe o que esse cara fez no verão passado. Olha como é doido. E isso é estratégia de comunicação, né? Então, valores, crenças e convicções. E como eu já falei, né? Captura, eh, aqui eu coloquei frustrações, captura esses elementos e que precisam ser vocalizados por alguém. Então, o nosso vereador, qual que é a cidade, vereador? Campinas. o nosso vereador aqui de Campinas, perdão por não saber, tá? Eh, ele vai vocalizar um determin uma um um uma determinada eh situação que representa uma camada da população. Pode ser problemas de uma micro macrorregião, vai se vender como este representante ou aí, claro, né, tem um credo religioso, sou evangélico, com exemplo. E aí ele vai colocando essas camadas. Isso é muito importante, porque as pessoas elas não estão só olhando o que o político fez ali no seu na sua semana do ponto de vista propositivo. Isso aí não cria conexão, mas precisa ter. Claro. E quais as outras camadas que você que nós estamos recheando na comunicação? É sobre isso que nós estamos falando aqui. E tá dentro desse aspecto. Eh, você dá a sua opinião sobre as coisas que estão acontecendo no mundo, sejam elas quais forem. Ah, eu discordo que os deputados votaram pela PEC ã da blindagem. Deu seu posicionamento. Se isso tem relação com a sua história, poxa, isso sempre foi a minha pauta, né? que político tem que ser tratado como todo mundo. Aí tem lá uma coisa dessa, captura, você tá no campo do valor moral, mesmo sendo vereador em Campinas, preocupado com uma localidade. Quando você faz isso, você fura a bolha e você vai ter um alcance muito maior, tá? Então, porta-voz das frustrações, ódio. Pessoal, pessoal, a gente precisa compreender que a população ela tá de saco cheio da política. Então, o discurso político estruturado, ele não tem mais aderência. Entende? Isso é sobre isso que nós estamos falando aqui. Eu vou avançar porque vocês daqui a pouco vão começar a dormir. Bom, que que é fundamental aqui, né? Olha só, essa questão da singularidade. Eh, recomendo que vocês comprem esse livro aqui, que é um livro legal de ler e ele traz esses conceitos, né? a indignação, o medo, o preconceito, insulto, a polêmica racista ou de gênero e tantas outras coisas do nosso cotidiano. Vocês poderiam colocar aqui pautas, aborto e adultização das crianças, não era uma temática que eh rodou muito agora nas redes, principalmente e por aí vai, né? Se propagam e propiciam mais atenção e engajamento que os debates enfadões da velha política. Então assim, a gente tá aqui estruturando um raciocínio para mostrar que as plataformas funcionam dessa forma. Ah, mas por que que ninguém tá ali e curtindo os meus conteúdos sobre eh a emenda parlamentar que eu trouxe? Cara, ninguém tá nem ouvindo sobre isso. Agora você tem que falar sobre isso. Claro, mas a o seu bolo só tem uma camada? Não pode. Eu acho que o conceito da camada de bolo aqui fica fácil de todos nós, inclusive eu, tá? Porque por mais que a gente trabalhe com comunicação política, cara, tem hora que você fala: "Como é que eu vou resolver aqui?" Então eu também aprendo o tempo todo. E com essas experiências a gente vem aqui compartilhar com vocês, tá? Então pessoal, deixa eu só ver que a oração para pra gente ver quanto tempo a gente tem. Tá, eu vou dar uma uma acelerada agora para conseguir liberar vocês eh antes da a gente faz a interação e aí a gente vai para pros finalmentes. Tudo isso que eu tô falando tem um contexto eh envolvido, evidente, né? Então, assim, aqui do ponto de vista do Brasil, 2013, 18 e 22, a gente pode pegar esses três pontos. Em 2013, eh, bom, muitos vão lembrar, né? Teve ali as jornadas de junho, ficou conhecido como jornada de junho, jornadas de junho. Aquela manifestação inicialmente, aquela história dos 20 centavos ali de aumento das passagens. Quem aqui se lembra disso, né? Então ali começa ali por quê? que já vinha um processo de desgaste. E a gente aqui não quer citar nomes, mas é natural para fazer uma análise, né? A gente tá aqui num plano eh macro, eh pensando o contexto político brasileiro, que acaba impactando a atividade eh de todos os mandatários, inclusive em nível municipal, né? Então você vinha de um desgaste ali eh de um eh primeiro mandato da presidente Dilma, então teve jornadas de junho. Aí aquilo ali representou essa revolta contra esse establishment, né, contra essas elites, contra a mídia e a velha política, né? Aí sim a gente tem um clima que é instaurado de clima antipolítica. Então assim, o discurso político até hoje, cara, foge disso. Quanto menos formalidade, melhor. Quanto mais a gente compreender que eu preciso despertar no outro as emoções, melhor. Quanto mais a sua comunicação for transparente, melhor. E isso inclui a própria construção eh eh eh daquele ato de comunicação. vídeo ele não precisa ter um um grau de sofisticação absurdo. Depois pesquisem, eu não sei o nome dele, perdão, apesar de segui-lo, eu não sei o nome dele. Prefeito de Ourinhos, eu não sei o nome dele, mas ele tá lá, porque eu sigo 30 ou 40 pessoas no meu Instagram, né? Ele é uma referência hoje nesse contato imediato, na apropriação dessas temáticas e ao mesmo tempo ele também é propositivo. E ele tem uma pauta fantástica. Ele é ex-coletor, coletor de lixo. Então, cara, é fantástico, porque eu, esse cara é fantástico, gente. Ele captura isso, ele traz para debate. E às vezes eu até falo, eu acho que esse cara tá inventando essas coisas. É possível que as pessoas falam isso dele, né? Às vezes pode até ser que ele esteja inventando para o quê? Polemizar. Não importa. Mas não tá inventando, não. Tá. Eu sei que não tá inventando isso aqui, tá sendo gravado, mas é uma referência na comunicação e e a gente aprende muito com ele, né, em como trazer essa transparência, mostrar que isso é uma coisa importante. Eh, o interesse público tem que tá acima de tudo. E ele mostra isso na comunicação dele e ele entra nesse campo do valor moral e ao mesmo tempo traz essa parte da gestão. Então ele tem muitas camadas na comunicação dele e tudo usando o celular aqui, ó, vídeo selfie, não tem equipe gigante, não tem nada disso. Então é um cara que vale a pena a gente observar, tá? Então o contexto de tudo isso aqui começa ali com as jornadas de junho, essa revolta principalmente contra a velha política, né? entra esse clima antipolítico aí 2014 é uma eleição que não terminou, todo mundo lembra como é que foi aquilo. Só que antes de tudo isso aqui no Brasil, em se não me engano ali Itália, o movimento cinco estrelas, eu acho que foi em 2010, eu não me recordo se foi no mesmo, eu acho que entre 10 e 13, enfim, isso não importa muito, mas foi um pouco antes da das jornadas de junho aqui, que também tem as mesmas características. que as jornadas de junho trouxeram aqui pro Brasil, tá? Que é esse movimento cinco estrelas lá na Itália, que é um é um é um movimento que tenta imponderar esse cidadão que tá eh de saco cheio com a velha política e em pouco tempo se torna um dos principais partidos lá. A primeira eleição que disputa já é o partido mais bem votado. E aí em 16 a gente tem a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Então, a gente precisa compreender que não é um contexto isolado aqui no Brasil, as coisas estão interconectadas. Inclusive hoje a gente consegue ver isso com mais clareza ainda, né? Então, as redes sociais que começaram a ganhar peso maior aqui no Brasil a partir de 2018, que a gente pode falar, ó, essa foi uma eleição das redes sociais, até antes tinha esse peso grande ali em 14, em 18, não. A gente pode falar: "Olha, pum, essa foi a eleição das redes sociais", né? ela tira esse intermediário, cara, na relação com o eleitor. E aí você tem uma figura que eh e aí aqui sem juízo de valor, é mais pra gente entender, tá? Que vai contra tudo aquilo ali, ó, contra o sistema, velha política. Então, o defeito que essas figuras apresentam na perspectiva desse eleitor da bolha, não é defeito, é autenticidade. O fato do cara não saber sobre uma determinada área do conhecimento, que é importante para ser um presidente, aquilo ali mostra o quê? Que ele não tá acumunado com nenhum esquema, que ele vai montar um governo quê? Técnico e por aí vai. Tá vendo? É narrativa, gente. Dificilmente talvez um candidato a prefeito conseguiria se eleger numa cidade como Campinas, assumindo que não sabe nada de economia, mas ao mesmo tempo é possível. É o tiririca naquele contexto quando ele surge, aliás, uma campanha muito bem feita de não tentar vendê-lo como algo diferente de um palhaço, porque senão ele não seria eleito. Naquele contexto, o Tiririca vem o quê? Incorpora o quê? O sentimento antipolítico. Eu não tinha um candidato para falar: "Eu, cara, tô de saco cheio, eu vou voto de protesto". Esse foi o contexto do Tiririca. Apesar de que agora, talvez nessa próxima eleição, ele não se leja. É, é, é complicado porque mudou o quê? Mudou completamente o contexto, né? Mudou a conjuntura e etc. Tá? Então assim, ó, o ponto de virada ele acontece a partir do momento que eu tiro esse intermediário. Então, eu tenho as redes sociais, formação de sistema de crenças, onde a verdade é relativa. A gente já falou sobre isso aqui de forma exaustiva e a gente tem que repetir até o fim, porque esse é um elemento chave. compreender a pós-verdade, os fatos objetivos, eles têm menos peso do que a visão de mundo que eu estou construindo a partir dessa modulação feita por plataforma e, claro, a convivência que você tem no cotidiano de pessoas que pensam como você, porque a gente vai olhar daqui a pouco que essa calcificação da polarização separou as pessoas. Quem aqui conhece alguém que não se falam mais? Eu conheço e eu falo, gente, eu eu só falo de política com políticos na minha vida pessoal. Quem quem não me conhece vai falar: "Nossa, eu não sabia que o Gilmar trabalha com política porque não tem nada a ver com política, né?" Aí quando eu vejo alguém e falo: "Cara, as pessoas não se falam mais por causa de política". Eu eu esqueço que eu trabalho com isso. Tem um certo uma certa capacidade de discernimento, mas eu tenho amigos que não se falam e irmãos há não sei quantos anos. Cara, alguém aqui conhece pessoas que não se falam mais pela por causa de política? Então, é sobre isso que nós estamos pensando aqui, gente, né? Eh, então, como eu não vou ouvir o outro, eu estou fechado, eu tenho uma visão de mundo completamente ali eh enclausurada, né? E você não vai querer mudar de lado nunca. Esse é o ponto de virada dessa coisa toda dentro desse contexto, né? Então, o politicamente correto vai paraa água abaixo. Essa autenticidade que a priori pode parecer eh um despreparo que a pessoa tem, mas não é um cara autêntico. Então, a narrativa constrói essa percepção, né, a partir dessa espontaneidade, dessa informalidade que conta muito na comunicação hoje. Se eu pudesse deixar um recado para todos vocês, olha, quanto mais você conseguir se distanciar do discurso político tradicional, melhor. E você vai fazendo isso com o tempo, tornando aquilo mais leve, adicionando camadas, né? E aí que tá, né? Essa posição política passa a ser parte da identidade de cada um e se transforma em fator chave de diferenciação em relação ao outro. As pessoas querem marcar a sua posição. Gente, isso não é só na política. Isso não é só na política. Isso em todos os espaços. Tem até restaurante e se não me engano em Belo Horizonte que é pra galera da esquerda. Eu vi isso uma vez, né? Você tem lojas, grandes magazines, eu vou falar que Avan não tinha um posicionamento mais à direita. Tô errado ou não tô inventando isso? Não tinha, né? mudou o governo. Ele, mas ele ele parou porque tem que segurar porque o negócio tá tava em risco. Negócio tava em risco, mudou o governo e se voltar de novo o governo que era, ele vai voltar de novo. Então assim, a o o a nós temos uma causificação da política que extrapolou a política. Isso é preciso ficar claro. Então, ao mesmo tempo, não quer dizer que o discurso político tradicional tá em voga, mas as pessoas estão à procura de alguém que as represente. E essa é a grande oportunidade, porque esse é o contexto, né? Então, eu quero mostrar que eu sou diferente de você. É assim que tá. E volta do populismo, né? Então esse é o contexto onde coloca o debate no âmbito moral em detrimento de plataformas e propostas. Eu sei que eu já falei sobre isso, mas é importante a gente sair daqui com essa compreensão. O discurso propositivo vale, vale. Mas olha lá, hein? O debate no âmbito moral hoje ele tem mais peso. E aí entra outras outros determinantes do voto, a questão do crédito religioso e por aí vai. Tá? E e não tem limite. Então assim, os eleitores nesse ponto de virada onde a coisa começou a a tracionar eh puniram as forças políticas tradicionais e voltaram suas bandeiras para líderes e movimentos cada vez mais extremistas, tanto à direita quanto à esquerda. Não é um campo específico. Tanto que o Brasil tá rachado ao meio. A eleição de 22 terminou, mas qualquer pesquisa quante hoje mostra Lula tem uma aprovação muito próxima do que é a a avaliação positiva do seu principal oponente. Então tá polarizado. Aí a gente entra aqui para ir pros finalmentes. Pessoal, existe então dentro da polarização uma guerra cultural. Então incitação do caos. A gente já entendeu porque isso é importante. Tem a ver com o quê? Com as plataformas ou não tem, né? Se a gente já falou que nem a verdade importa, então quanto mais lenha na fogueira, que que vai acontecer? Mais tempo de tela, não é isso? Mais você vai ficar numa bolha. Então, em citação do caos, essa divisão, o diálogo, né? o não confiar um no outro, essa alienação, porque a partir do momento que eu não tenho mais a possibilidade do diálogo e da troca, eu não não consigo me colocar no lugar do outro. Do ponto de vista da qualidade da democracia, isso é muito ruim, porque a gente sabe que para solucionar os problemas que todos enfrentamos em todos os níveis, você precisa ter políticas que eh são construídas no longo prazo. E pelo que nós estamos observando, pelo menos no plano federal, quando você olha pro Congresso Nacional, existe o que ali? uma defesa, né, de um corporativismo. E isso vai fazendo com que esse ciclo não termine nunca. Porque você acha que a população não tá não tá olhando ali o que que a galera tá fazendo? Eles estão observando. É só olhar essa polêmica agora da PEC da blindagem, que provavelmente isso não vai adiante, porque eles vão ter que abandonar no meio do caminho um negócio como esse. Que ó, ano que vem tem eleição e o eleitor tá acompanhando o que tá sendo feito, porque aqui você tá no campo moral, é aí que tá. Agora tem determinado segmento do eleitorado que isso aí tem relevância zero. O que o meu deputado tá fazendo, desde que ele esteja ali esbravejando um determinado discurso, tanto à direita quanto à esquerda, para mim não importa se ele quer lá ter os privilégios dele, entende? Eu tô falando enquanto eleitor que também vê por essa perspectiva, né? Então a gente precisa começar a olhar para esses problemas reais e ao mesmo tempo compreender essa dificuldade da comunicação política. Gilmar, mas é doido, né? Você tá falando que a gente tem que fazer boas políticas, mas ao mesmo tempo e a minha comunicação tem que ter diversas camadas. É, se você ficar só na proposição, você vai ter uma limitação, exceto determinadas figuras políticas. Esse aí é caso a caso. Aí é caso a caso, mas eu posso dar um exemplo simples, eh, voltado, por exemplo, paraa causa animal, tá? Voltado, eh, pro bem-estar social de determinados segmentos da população, voltado paraa inclusão social. E então você tem determinados segmentos que aquele discurso, mas ainda assim você precisa colocar camadas nisso aí, né? Então as posições moderadas dentro de um contexto multiplataforma polarizado, elas são silenciadas. Compreendem isso? Elas são silenciadas e a gente precisa entender isso. Gilmar, mas eu tenho que radicalizar. Não, você tem que ter posição, você tem que ter opinião posicionada sobre as temáticas. Você não pode passar com um uma água e salzinho mais ou menos ali. É sobre isso que nós estamos falando aqui, né? E essas opiniões políticas passaram por um processo de engessamento e se transformaram em parte da identidade de cada eleitor. Aqui falando já nesse processo de calcificação, você não vai conseguir mudar a opinião das pessoas. As pessoas estão atrás de pessoas que pensam igual elas. Então você precisa criar essa persona sem se desfigurar, compreendendo qual é o seu segmento de eleitorado para você fazer essa projeção, fazer esse aceno, rechear essas camadas e começar a ser esse representante dessa camada da população. Por quê? porque já calcificou, já engessou ali na perspectiva de quem o cidadão é, ele não tá disposto a mudar porque ele já tem uma raiz naquela identidade. É como se fosse um clube de futebol. A política hoje não no Brasil, mas em diversos países dito democráticos, né? Então, essas paixões ganham espaço e transborda da disputa eleitoral para o cotidiano, como eu disse aqui, paraa família, trabalho, consumo e todas as esferas da nossa vida. Vale a pena o livro Biografia do Abismo, Felipes, Felipe Nunes e Thomas Trauman. Felipe Nunes da é da Quest. Vale a pena esse livro, tá? Isso aqui são construções através de pesquisas eh quantitativa e qualitativa que ele fez. E esse conceito da calcificação não é conceito do Gilmar Arruda, é conceito de um estudioso, um acadêmico, um profissional da área de pesquisa e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, o Felipe. Tá? Então, essa polarização que ele chama de afetiva, que define quem nós somos, prega esse ódio em relação ao adversário, não? E lembra? Eu não tenho mais adversário. Nós estamos falando de inimigos. Olha que loucura. Inimigo hoje, tá? Essas bolhas com vieses que só reforça a minha visão de mundo e que tem muito eco por aí. Tem muito eco por aí. Por quê? Porque quando você trabalha, principalmente a paixão, você consegue mais clique, você consegue mais alcance, né? E no fim de tudo isso, essa polarização, o efeito colateral deixa as pessoas mais radicais em suas visões e menos dispostas a ceder, a buscar o quê? Aquilo que é um dos fundamentos primeiro da política, que é o consenso. Então isso tá se se acabando, pessoal. Agora encaminhando pros finalmentes que eu vou passar para vocês, tá? Só para fechar esse esse conceito da calcificação, tá? A gente falou da polarização, a calcificação é a polarização não acontece só no ambiente político, isso tá para fora, tá na vida, tá em quem nós somos, né? Então tá lá nos valores morais, éticos e de costume que ganham peso na tomada de decisão do voto, que é o determinante, aquilo que eu falei, começa a rechear a sua camada, tá? Eh, e o que está em jogo é como cada lado enxerga o mundo em todas as suas dimensões. Então, a partir da identidade que você cria e que você não quer mais abrir mão, lembra? Você não quer abrir mão de quem você é. Ou seja, a margem de mudança é pequena. A margem é pequena na escola. E aí tem discussões 1000. Imagina você agora, sei lá, eh, linguagem neutra. Você pega lá um professor da escola do seu filho que tá ensinando linguagem neutra. Muitos daqui não vão se incomodar, mas tantos outros vão se incomodar. É só um exemplo. Não tô dizendo o que aconteceu comigo, não é isso, mas eu tô dando um exemplo. As pessoas estão olhando para isso no relacionamento, no trabalho, nos seus hábitos, no consumo, como nós já dissemos aqui, marcas que assumem um determinado posicionamento ou não, né? Então, tudo isso também retratado nesse brilhante livro do Felipe. E o efeito dessa calcificação aí, volta lá nos engenheiros do dos do caos, né? O jogo não consiste mais em unir as pessoas em torno de um denominador comum. Esquece isso. Só estamos lutando em torno disso aqui, mas sim inflar as paixões do maior número possível, colocando essas pessoas onde? Nos extremos. É aí que isso vai florescer, principalmente no ambiente multiplataforma, né? E aqui pra gente encerrar, pessoal, caminhos alternativos pensando longo prazo, né, do ponto de vista de ferramenta. Aí a gente abre aqui pra colaboração também de vocês, né? O que que a gente pode fazer para modificar um ambiente como esse? É complexo. Isso aí é objeto de estudos acadêmicos. eh não vamos conseguir esgotar aqui eh eh com essa nossa manhã, mas eu acho que é importante que também eh possamos sair daqui após essa exposição compreendendo estas questões e também pensando longo prazo o que cabe a nós para de repente modificar esse ambiente, porque certamente, é claro, né, ele eh é marcado dentro desse processo histórico Mas ele não é para sempre, como nada na vida dura para sempre. E o que que a gente quer depois que discurtinar tudo isso? Um ambiente mais saudável de um espaço e de eh troca, né, onde efetivamente as pessoas possam exercer a democracia participativa. Então, quer dizer, como é que a gente modifica? eh fazendo com que as pessoas de alguma forma possam eh dar a sua contribuição a partir da participação que ela acontece inclusive dentro do ambiente das escolas. Mas aí tem uma discussão, ah, mas a escola não pode ter partido, escola, você vê como é complexo, né? Mas como é que você vai ensinar política se você não pode entrar nas escolas para falar de política, né? Eu sempre falo que eu tive eh um contato com a política a partir de um professor ali eh na oitava série que depois foi pro pro meu colegial. E se não fosse esse cara, eu talvez não estaria aqui hoje, porque ele que me despertou. Falei: "Meu, gostava tanto dele". E ele falava de geopolítica de uma forma assim tão instigante, eu falei: "Cara, nossa, eu acho que eu gosto de política". E aí comecei a ver que era de fato aquilo que eu gostava, né? História, geografia, geopolítica e tudo mais. Mas esse essa figura fez a diferença ali, né? Agora é claro, como é que a gente coloca isso no cotidiano das pessoas, mas é a participação, essa é uma ferramenta. Agora tem outros espaços onde você pode participar ativamente da política, né? Não apenas ã no ambiente eh escolar. H, aliás, para você fazer política pública, não necessariamente você tem que ter um mandato, né? Quando você pega Lei Maria da Penha, não foi uma iniciativa que veio e de um mandatário, né, uma mandatária, foi uma iniciativa da sociedade civil. Então, a participação política nesse aspecto de que a gente tenha eh que cada vez mais subir essa régua. Agora, claro que dentro de um ambiente polarizado, onde eh poucas vozes, né, eh ficam eh ali ã ã levando a a a informação paraa camada da população, fica muito mais difícil também ao mesmo tempo você conseguir. Mas aí se você tem o domínio das ferramentas, você consegue ser essa voz que representa, né? Ali algo que o próprio Felipe fala, né? a normalização do embate entre o contraditório. Claro, porque se a gente tá num ambiente de polarização onde eu quero exterminar o outro, uma das coisas que nós precisamos fazer no longo prazo, então, opa, pera aí, não precisa ser assim, porque no passado não era assim, pelo menos e pensando a perspectiva do processo de redemocratização que tivemos aqui no Brasil, né? E aí e a minha visão que é a seguinte, existe um uma confusão de censura com regulamentação. É impossível, na minha perspectiva, e nós que trabalhamos no cotidiano com plataforma, que não haja uma certa regulamentação, como há uma regulamentação que não tem nada a ver com eh censura, eh para você ser um canal de televisão, para você ser uma emissora de rádio, você tem lá, né? Então, ó, tem que funcionar dessa forma e não sei o quê. Eu acho que as plataformas em algum sentido, como nós estamos cotidianamente experimentando a realidade porque ela tá batendo na porta, essa questão, por exemplo, da adultização das crianças, isso é uma regulamentação. Então, é um projeto de lei que vai, opa, eh dar conta de algo que a gente não enxergou lá. Eu acho que tem muita ponta solta nesse processo, né? Que a gente precisa, inclusive às vezes até questionar o modelo de negócio, porque aqui nós estamos falando de política. Quem é que tem filho eh abaixo de 15 anos de idade? Cara, é um problema. Eu tenho um filho de 13 anos, a gente teve que eh limitar o uso do celular. Eu fico chateado porque ele fica ali bravo, né? Falo: "Meu, não dá, cara. Você não pode ficar 5, 6 horas por dia em celular, entendeu? Porque você tem outra, a, a vida não é só isso aí, você tem outras atividades. Então, o modelo de negócio das plataformas, né, que eu acho que em algum momento ela vai ter que ser discutida eh para eh definir determinadas questões ali. Adolescente, por exemplo, pode ou não pode usar. Eu acho que assim, enquanto sociedade tem muita coisa em aberto aqui pra gente debater, pessoal. Eh, aqui para quem quiser essa apresentação, enfim, eh, espero que isso aí esteja funcionando. É só me mandar um oi ali que eu mando para vocês. E eu quero agradecer, então, a oportunidade de estar aqui com vocês. É um monólogo, peço desculpas por isso, mas agora eu acho que chegou a hora da gente poder trocar, caso alguém queira aí colaborar, fazer a sua contribuição aqui, que não é nem pergunta, é de fato você dar sua visão sobre isso que foi exposto. Bom dia a todos e contem sempre comigo, pessoal. Muito obrigado. Gilmar, primeiro eu quero te dizer que essa água é sua, viu? Ela teve o tempo todo, você não pegou. Na verdade, eu queria te fazer uma certa provocação. É uma pergunta, mas uma certa provocação. E eu quero que você fique à vontade para dar a sua opinião quanto pessoa e quanto palestrante, né? A gente veio aqui falar da guerra de narrativa e hoje o que que você entende de guerra de narrativa é que é a esquerda e à direita, né? Mas no campo político, a gente tem ali a a figura da pessoa que busca o ponto de equilíbrio, ou seja, ele tá entre a esquerda e a direita. Só que eu vejo hoje que ele ele não não em determinado momento ele não se manifesta para dizer qual que tá certo, qual que tá errado. Ele fica ali ponderando, esperando ser provocado. Então eu queria saber de você, né, que que você acha disso? Existe realmente esse esse ponto de equilíbrio que a gente pode tentar buscar conciliar o pensamento da esquerda e o pensamento da direita ou não? A gente vai continuar nisso de que quem tá certo e quem tá errado. Aí a gente fica naquela confusão. Esse aqui fica falando que tá certo e esse aqui também fica falando que tá certo. Existe esse ponto de crime ou não? Obrigado pela pergunta, meu amigo Robson. Olha só, quando a gente olha a pesquisa quantitativa, é interessante observar que 70% da população brasileira não é nem mais à direita do espectro político e nem mais à esquerda do espectro político. é o cidadão comum que tá preocupado ali com entrega de produtos e serviços, quer dizer, que quer ver o seu imposto sendo retornado de alguma forma em benefícios ali eh na área da segurança, na área da educação, da saúde, etc. Tá? Então, e a gente tem que tomar como como premissa que a maioria da população ela eh gostaria que um ambiente fosse outro. Só que o mercado eleitoral ele é controlado pelos partidos políticos. Quem que define candidatura? São os partidos políticos. Nós estamos neste momento experimentando articulações políticas, não é, de movimentação dentro aqui do cenário político eleitoral brasileiro, né? Já pensando o processo eleitoral do ano que vem. Isso vai definir o humor do eleitor a partir das opções que lhe são apresentadas. Então, vamos imaginar que a gente tivesse atores hoje centristas disputando, o que é inconcebível, porque nós temos na presidência alguém que representa um polo da polarização, uma outra força que mesmo inelegível que tem um peso de definir o mercado eleitoral. Mas se tirasse isso, o pêndulo político ele viria mais ao centro, tá? Então, assim, eu acho que eh do ponto de vista das plataformas, esse discurso mais morno e moderado, eh, guardadas as devidas proporções, porque a gente tem que olhar caso a caso, a gente não pode generalizar nada na política porque eh principalmente em nível de município. Então, guardadas as devidas proporções, a gente também pode dizer: "Olha, o discurso moderado, eh, se você é um ator inserido dentro de um determinado contexto, pode ser que ele vá passar despercebido." Vamos pegar essa questão da polarização. Você pega atores que são dirigentes do partido do ex-presidente que estão no estado do norte do Brasil. Cara, existe uma polarização ali, mas eu conheço atores, mesmo estando naquele partido que já estava muito antes do ex-presidente Bolsonaro ir para o PL, que não tem nada a ver com a polarização, que constrói um discurso de eficiência, de utilidade e foge da polarização, mas porque já faz isso há muito tempo e que já é reconhecido por isso há muito tempo. Então acho que e respondendo, tem que olhar o histórico, porque é caso a caso de fato entender qual é o público que você eh sofre eh eh influência. Então pega Davi Columbre no Amapá, bolsonarismo ali tem um determinado peso, o lulismo também, mas ele consegue ser um ator que equilibra esses pratos, porque ele tem uma outra estratégia, mostrar que institucionalmente é uma força política, tá entendendo? Então assim, eh é difícil essa pergunta porque não tem uma resposta. Agora, tomando em consideração a minha apresentação, eu diria, cara, você vê, né? Inclusive, tá nela. O discurso moderado, ele é apagado. Por quê? Porque a plataforma ela é construída para pegar o sentimento que tá despertando, né, uma determinada sensação de raiva, principalmente de ódio com relação ao outro. Então, esse tipo de conteúdo, ele vai ter muito mais sucesso nas redes sociais. Isso não quer dizer que um ator que não tenha nada a ver com eh a polarização vai agora incorporar isso no discurso dele, porque isso seria completamente loucura. é caso a caso. Então, eh, precisa observar a história eh desse ator político, o público e qual é a zona de influência eh que ele tem que dar conta para ter um posicionamento ali em determinadas pautas, que ele consiga mostrar eh que tem eh um direcionamento, que ele tem uma opinião, quer dizer, você pode ter posicionamento e não ter nada a ver com extremismo. Eu acho que o problema do da moderação é você não ter eh captura de determinadas pautas e posicionamento em cima de determinadas pautas. Aí esse é um grande problema. Eh, por quê? Porque principalmente cargos. Eh, e aí, claro, talvez em Campinas isso se aplique a depender de quem é a figura, mas aqui você tem representantes de micro e macrorregião, né? Quem tem mais voto são os atores ideológicos e tudo mais, mas a depender eh da situação, eh a se você afirmar um posicionamento que não tem nada a ver com o seu histórico, aquilo pode te prejudicar, entendeu? Mas ao mesmo tempo representa uma oportunidade de você ter uma opinião sobre as coisas, né? e sem ser radical, mas eu capturaria eh determinadas pautas comum que tem a ver com com histórico dessa figura e fosse então recheando essas camadas de acordo com o tom que já é usado por essa figura pública. Ou seja, você não vai ser um radical, mas você pode começar a ter opinião, por exemplo, sobre a contribuição que a reforma tributária vai trazer pro desenvolvimento econômico e fiscal do país. Quer dizer, você tá pegando uma pauta polarizada, mas você tá falando de uma forma técnica, entendeu? Então, capturar pautas e respeitar a maneira como você construiu a sua imagem para falar sobre aquelas pautas sem entrar necessariamente na polarização. Acho que é um caminho de você ampliar o seu alcance. amplia o alcance e ao mesmo tempo você não se desconfigura, porque esse eleitorado moderado e num processo eleitoral polarizado, como já está acontecendo o processo eleitoral, ele fica apagado, exceto se ele tem muita força política. Aí você não vai ser apagado nunca. Tô dando exemplo lá, então, do Amapá. é um cara que tem força política, uma família que tá lá há muito tempo, ele não tem nada a ver com bolsonarismo, mas tá no no partido do Bolsonaro muito antes do Bolsonaro para lá. Então ele não tem problema nenhum com polarização porque não é o jogo dele, entendeu? Então eu acho que dessa forma, tá? Imagina. Olá, bom dia. Bom dia, jovem. Ô louco, jovem. Ei, ó, eu tenho certeza que eu sou mais velho do que você, meu amigo. Bom, bom dia. Ah, a a sua opinião como mais como um acadêmico, eu gostaria, né? Tem um certo consenso no meio acadêmico e jornalístico, que a direita ela tem mais habilidades e competências para lidar, para atuar nas redes sociais. Então, na sua visão, atualmente, ã, podemos dizer que isso acontece ainda ou a esquerda, vamos dizer, a esquerda ela apanhou e ela tem contra-atacado, como ela chega pro ano que vem, em 2026. Perfeito, obrigado pela pergunta. É uma, eh, eu peço desculpas por dar volta, porque essa não tem resposta simples, né, para questões tão complexas. a gente precisa reconhecer que tudo isso que eu apresentei aqui, eh, a direita tem hegemonia completa, né? Eu acho que eles ali quando você o movimento, o movimento cinco estrelas lá na Itália e que foi pioneiro, né? eh nessa questão eh de eh ser um antisistema e criar também um ecossistema de comunicação. E lá eles efetivamente é a partir de um ecossistema de comunicação que eles montaram um partido e eles estão ligados mais a um campo. Apesar de que lá sim não existe um posicionamento específico, porque você tem figuras que representam, entre aspas, os campos políticos de de diversos espectros, mas ele vem dessa experiência mais à direita do espectro político, né? Eh, quando a gente observa também eh o fenômeno Trump em 16, ã, com aquela ruptura, né, de um de um então projeto antissistema e depois aqui em 18 com o Bolsonaro, que na minha visão foi eh o ator político e candidato mais preparado no aspecto de ter entendido o jogo, né? Ele falou: "Op, então pera aí, eu pá, por isso que ele conseguiu explodir daquela forma". Eu acho que isso ainda e tem uma preponderância do campo da direita, porque montou um ecossistema ao longo dos anos, né, de distribuição de conteúdo, de criação de narrativa e tudo mais, mas eu vejo assim, o campo progressista evoluiu muito, evoluiu muito, né? Assim, muitas pessoas criticam a comunicação do presidente Lula. Eu já tenho uma opinião diferente. Eu acho que a comunicação dele, claro, é que o presidente ele é uma vidraça, então tudo que ele fala num ambiente hermético, aquilo vira um corte, vai para não sei onde. Então é óbvio que isso entra na conta. A comunicação é ruim, mas se a gente tirasse isso, a comunicação do presidente tem uma eficácia, né? Mas eu acho que tá muito distante ainda, eh, não só a figura do presidente, não tô compando os presidentes, o ecossistema do campo progressista tá distante ainda desse ecossistema que o campo da direita tem em termos de produção de conteúdo, em termos de entendimento dessas coisas todas que nós estamos aqui falando com vocês, né, de compreender que essas narrativas elas acabam modulando a percepção das pessoas. Eh, eu vejo um distanciamento grande, mas eu vejo ao mesmo tempo uma melhoria, um salto e que vai em algum momento alcançar e a e aí a coisa vai ficar parelha, né? E essa é a perspectiva que eu acredito que vai acontecer aí nos próximos anos. jovem, outro jovem aqui. Bom dia. Eh, eu tenho uma questão em relação às gerações, né? Eu acho que a maior parte do eleitorado, ela ainda é de uma geração que nasceu fora desse mundo digital e fora das redes sociais. como que você enxerga eh esse movimento ao longo dos anos, à medida em que os eleitores já tiverem nascido nesse mundo e talvez tenham mais capacidade de avaliar eh os conteúdos verdadeiros e falsos, essa questão da manipulação, ou seja, pessoas mais letradas nesse ambiente digital, né? Como que você enxerga isso ao longo ao longo do tempo? Só pergunta difícil, hein, cara. Sabe o que que é interessante? Quando a gente olha eh pesquisas, né? A gente tem e o seguinte dado e essa galera que compartilha esses conteúdos, que a gente pode dizer que são os conteúdos aí eh duvidosos do ponto de vista da credibilidade, né? Tá achando de fake news? Não tem nada a ver com as pessoas menos letradas. Olha que loucura. Sabiam disso? Porque lembra que o conceito aqui é o seguinte, eh, as pessoas elas estão vivendo dentro de um processo de construção, de percepção da realidade que, claro, levem-se leva em consideração, sim a sua experiência eh da sua vida, da sua formação, eh dos estímulos que você recebeu ao longo do tempo academicamente, no trabalho, nas suas relações humanas. Mas ao mesmo tempo, quando a gente vai pro campo da emoção, essas coisas meio que se apagam. Então você tem um fenômeno onde eh pessoas letradas, pessoas com diploma universitário, que elas têm essas crenças, principalmente em fake news, enraizadas, porque o que que elas estão à procura de algo que confirme as suas próprias crenças. Então isso não necessariamente tem relação com a questão apenas da formação. Eu acho que levitamento digital, não não? Claro. Eh, sim. Não, sem dúvida. Eu acho que assim, primeiro esse aspecto, né, eh, da sua experiência de vida e a maneira como você tem ali e o os filtros que você consegue trazer para conseguir então compreender como é que aquilo vai impactar. a vida de todos nós, como nós estamos aqui num processo eh muito individual, né? Então a plataforma é é sobre isso, né? Então eu tô entregando algo que é vertical, específico, direcionado para esta figura e aquilo é único. Eu acho que existe um um processo de construção de identidade que ele é autônomo, né? e atomizado. Então, dificilmente o outro está enxergando todo de forma socialmente falando numa perspectiva de que não, pera aí, eu não vou fazer isso porque senão eu vou acabar com o mundo. Eu acho que independe da formação. Acho que enquanto a gente tiver esse tipo de mecanismo que vai retroalimentando, né, que vai de alguma forma e nos cegando e tirando essa nossa capacidade eh de ajuizar as coisas, eh não vejo perspectiva de no médio prazo de ter essa modificação. Agora, é claro que quanto mais as pessoas estiverem eh conectadas e e e passarem a fazer parte daquele ambiente de forma natural, por exemplo, como a geração Z, que já nasceu num ambiente digital, né, que hoje experimenta aí a tecnologia, algo que quando eu era criança não existia, eu acho que isso só vai cada vez mais ampliar o problema. Quer dizer, quanto mais digitalizado estivermos, talvez pior o problema. Então, eu acho que de alguma forma a gente vai ter que encontrar um mecanismo eh que traga eh de volta, que a gente possa dar um passo atrás para ter esse nível de consciência que hoje nós perdemos. E de novo, eh claro, não pode generalizar, mas os números mostram. Teoricamente, quanto mais formação e informação você tiver, mais maior a sua capacidade de julgar sobre aquela determinada questão. Mas o que a gente vê é que, independentemente da formação, esses conteúdos eles são compartilhados mesmo eh sendo fake news. Por quê? Porque aquilo tá reafirmando uma visão de mundo que aquela pessoa tem. Eu acho que quanto mais as pessoas estiverem conectadas e fazerem eh o ambiente digital parte eh nativa da existência delas, eu acho que mais esse problema vai se amplificar. Desculpa, porque eu não sei se eu consegui responder a sua pergunta, cara. Mas eu acho que assim, o o problema amplifica. Quanto mais eh digitalizado estivermos, né, eh maior vai ser o problema. Então aí a gente tem um um passo atrás que é pegar na raiz do problema. Por isso que eu acho que essas coisas precisam ser discutidas, porque esse nível de consciência, ele não vem apenas com a formação, porque os números mostram, conteúdos são replicados mesmo por aqueles mais letrados, porque para ele não interessa, interessa a visão de mundo. O cara não gosta do campo da esquerda, não, não importa a formação que ele tem. E ele vai eh pegar todas as teses que desconstrói aquele campo e vai replicar. Ele ele pode ser doutor em filosofia, por exemplo. Aliás, se ele for doutor em filosofia é pior, porque ele vai encontrar os argumentos mais sólidos para conseguir desconstruir aquela tese que, na opinião dele, a gente perdeu essa capacidade do diálogo. E é isso que esse livro do Felipe mostra, né? A calcificação da polarização. Eh, eh, enfim, quem mais? Olha a jovem ali. Nossa, obrigada pela jovem. Já de 40. Ah, então tá perdendo para mim, hein? Gilmar, assim, eh, mas é mais uma proposta de um debate no geral aqui. A gente fala sobre as pessoas letradas, mas elas são letradas. Por exemplo, eu sou letrada em jornalismo, eu tenho faculdade de jornalismo, eu tenho pós-graduação em jornalismo, mas, por exemplo, eu não aprendi sobre política. Eu fui entender sobre política a hora que eu caí de gaiato, a gente entende um pouquinho dentro da Câmara Municipal há 17 anos atrás. Eu odiava política. Eu cresci numa numa família que falava: "Política é uma merda". Então assim, político não presta. Eu acho que falta o não é o letramento em administração, advocacia. Eu acho que falta um letramento político no geral. ensinar para as nossas crianças desde o começo que viver é político, independente se você é de direita ou se você é de esquerda. A sua vida é uma luta política a vida inteira. A o direito das mulheres, o direito das crianças, o direito dos idosos, o direitos dos das pessoas com deficiência, eu acho que falta é exatamente essa, independente de ser direita ou esquerda, é você entender como a política funciona, né? Não é uma briga. Ai, eh, eu vou vencer no tapa. Não é no tapa, gente. É na política. A gente tem que lutar. Eu fui virar de um partido político aos 40 anos. Eu entrei para um partido político porque eu cansei de ver os outros lutando por coisas que eu não acreditava. Então eu falei, se eu não lutar por mim, se eu não entrar na política e lutar por isso, ninguém vai fazer, entendeu? E é isso que as pessoas não entendem. Eu conheço pessoas que têm doutorado, mestrado e a pessoa é extremamente ignorante, é extremamente, é extremo mesmo, tanto de direita quanto de esquerda. Eu tenho uma visão mais centra esquerda, mas assim, independente. Eu conheço pessoas que são de esquerda, que são extremamente radicais e tá errado. O extremismo é sempre ruim. A gente sempre tem que buscar um lado mais moderado, mas o moderado não chama atenção. E aí eu vou citar o cara que ele é secretário, se eu não me engano, de estado ou de governo do Trump. O Marcos Rúbio, ele era um, ele é um cubano estadunidense que lutava pela, ele era a favor da imigração, ele vinha com um discurso mais moderado e hoje ele é a favor, ele mudou completamente o discurso dele porque ele quer chamar atenção. É isso aí, entendeu? Então a gente a gente precisa dessa discussão política e a gente precisa que isso esteja desde o começo, desde as crianças. E eu acho que isso que a escola do legislativo faz, que eu acho muito legal, que você traz as crianças para dentro das escolas, explica o que é um vereador, explica o que a diferença, que o vereador ele não é assessor do prefeito, que ele não trabalha para prefeito, apesar que alguns casos a gente sabe que sim, mas que não é assim, que eles são poderes independentes e que o se você precisa, o vereador é o é o é o povo representado ali, que o deputado federal, o senador, eles são o povo. Então eles têm que trabalhar pelo povo e cabe a gente cobrá-los, né? Eu acho que, desculpa, me alonguei um pouco, mas eu acho que essa discussão que a gente precisa fazer, ainda mais como comunicadores e pessoas que estão dentro da política. Parabéns. Concordo completamente com eh essa sua visão e não tem outro jeito. Acho que assim, cara, eh, se a gente não começar a discutir sobre política em todos os espaços, né, esse pêndulo político que precisa vir mais para o centro, eh, 70% da população não é nem uma coisa nem outra que quer e é sobre só que o mercado eleitoral ele é definido por quem manda nos partidos. Então, se eu lanço um candidato polarizado, você polariza a eleição. Então, assim, eh, eu enxergo que, eh, como tudo é um processo, né, tem começo, meio e fim. A gente vai passar por isso e vai ficar como aprendizado até para que possamos ter uma um um uma democracia mais saudável, talvez, sei lá, daqui 15, 20 anos. Tudo isso que a gente vai estar olhando, a gente vai falar: "Meu, passamos por isso, aprendemos e agora temos que fazer melhor". É isso que eu espero. Eu acho que é isso que vai acontecer de verdade. É isso. Olha só, pessoal. Olha, obrigado mais uma vez. É uma felicidade muito grande estar aqui na Câmara Municipal de Campinas, a Elecamps, poder compartilhar um pouquinho também daquilo que a gente tá vivenciando, né, daquilo que a gente busca aí eh de aprendizado para, enfim, entender o que que é comunicação política, que é um troço aí bem complexo. Eh, e é isso. Acho que vamos fazer a nossa parte e se apoiar nisso, porque de resto as coisas vão se encaminhar e no fim vai dar tudo certo, pessoal. Obrigado. Bom dia. Vamos em frente, pessoal. Nós informamos que a apresentação do Gilmar ficará disponível na plataforma Moodle para todos, tá? E nós agradecemos a excelente explanação do nosso palestrante e a presença de todos no evento de hoje, desejando um bom retorno para todo mundo. Bom dia, TV Câmara, Campinas.