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[Música] TV Câmara, Campinas. Muito bom dia a todos vocês. Agradeço a presença de cada um que tiraram um tempinho para estar aqui hoje para conhecer um pouquinho, um pouquinho mais do que vocês já viram e sentiram a vida toda sobre emoções e autoestima. Hoje nós vamos fazer uma reflexão sobre como ela influencia na nossa forma de viver, no nosso dia a dia. Então, vocês já se sentiram dominado pelas emoções? Já sentiram como se vocês precisassem ser mais forte do que elas para controlar elas? Já fiquem à vontade, tá? Para interagir, para responder. E é tudo isso aí que vocês estão pensando mesmo. Pois é. Mas o que eu quero contar para vocês hoje é que se vocês já acreditaram que precisa ser mais forte para poder controlar as emoções, talvez vocês ainda não tenha sido apresentado para suas emoções da forma correta. Por quê? Porque emoção é informação. Então, o fato de você saber que o teu corpo, as tuas emoções está vindo contar alguma coisa para você, já muda tudo de figura, porque você precisa aprender a ler o que ela tá contando para você. Mas cadê a sua mente? Agora vamos fazer um exercício que é a atenção plena. Eu quero que vocês eh sintam o corpo de vocês em contato com a cadeira. A gente vive numa numa numa era onde tudo é tão rápido, é é tanta coisa para pensar, é tanta coisa para resolver que raramente a gente está onde a gente realmente está. Muitas vezes a gente tá almoçando e a mente tá em outro lugar. Você tá tomando banho e a cabeça tá em 1000 lugares. Quando você vê, você fez tudo no piloto automático. Então, para dar um para vocês darem um presentinho para cada um de vocês. Sintam seu corpo encostado na cadeira, os pés no chão, sente a sua respiração, o ar entrando e saindo. Esse é o famoso mindful funes, o aqui agora, ou aterramento. Então, hora que vocês se perceberem que a mente de volta aqui. Pois é, essa daqui sou eu com 19 anos, 19, 20 anos. Alguém que sim já se perdeu de si. Durante muitos anos eu vivi desconectada de mim. Eu não me conhecia. Então, eu costumo falar que nós somos o nosso maior segredo. E nesses nessa durante muitos anos, eu acredito que uns 30 anos da minha vida, eu não me conhecia, eu não me sentia, eu não me percebia. E eu acreditava que para merecer amor, merecer pertencimento, eu tinha que me anular para caber na caixinha das pessoas. E dessa forma eu fui me apagando. Então, se vocês prestarem atenção nessa foto que eu tô com a minha filhinha no colo, vocês podem ver um sorriso aqui. Só que se vocês tamparem o sorriso e olhar só pros olhos, você não sabe se eu tava sorrindo ou não, porque os olhos não sorriam. A tristeza, ela tá estampada, peso muito abaixo do ideal. Então, era alguém que vivia para fora, não conhecia as minhas emoções, não tinha autoestima e vivia achando que quanto mais eu diminuísse, mais eu seria merecedora de amor. Isso acontece muito com a gente. Por quê? Nós somos animais racionais. Nós somos dotados de emoção. Só que as nossas emoções elas são muito desautorizadas na nossa cultura, não é? Desde pequenininho a gente escuta que não pode sentir raiva. É feio sentir raiva. Abraça o amiguinho, abraço o irmãozinho. Não pode, é feio. Não podemos ser muito alegres também, porque senão a gente é taxado de bobo da corte. Nossa, que bobo, que idiota aquele ali que vive rindo, sorrindo demais. É bobo. Mas que negócio que é esse de ficar triste desse jeito? levanta a cabeça, se mexe aí ou para com isso. Se você tá com medo também, nossa, mas por que que você tá com medo? É só enfrentar. Não. E o nojo, por mais que muita gente não saiba, o nojo também é uma emoção. E o nojo ele vem para nos proteger de algum tipo de envenenamento. Pode ser por via oral ou pode ser pessoas. Então a gente sente nojo. Muit muitas estudiosos das expressões percebem, às vezes a pessoa tá conversando com alguém, tá sorrindo, mas a face tá de ou de medo ou de nojo. Então que que eu queria falar para vocês? Como nós somos animais racionais, se você tirar o racionais fica o quê? Animais. Então a nossa emoção, ela é instinto de sobrevivência. Quando a alegria aparece, ela tem uma função, ela faz com que a gente olhe para fora. Então, quando a gente tá feliz, a gente abre, a gente olha pras pessoas, a gente quer compartilhar o que que a gente tá sentindo. Então, ela vem para ajudar com que a gente faça amizade, socialize. Ela tem essa função entre todas. A tristeza, ela tem uma função muito específica, que é a de internalizar. Ao passo que a alegria te leva para fora, a tristeza ela vem para falar para você que algo não está bem. Tem tem uma rota que precisa ser recalculada. Para você recalcular essa rota, você precisa entender o que tá acontecendo. E a tristeza vem para te fazer ficar eh quietinho, para te fazer muitas vezes isolar, dependendo da intensidade. Se você tá muito triste, você precisa se recolher. E aí a tristeza faz com que não com que não é uma emoção que te move, ela é uma emoção que traz as pessoas para você. Você precisa de uma rede de apoio, você precisa que alguém venha. Geralmente quando a gente tá está triste, que que tá acontecendo com você, né? As pessoas elas vêm até a gente e o nosso cérebro foi feito para socializar. Aí nós temos a raiva. Para que será que serve a raiva? a gente, né, não gosta de sentir raiva. Então assim, o que que eu posso fazer é fingir que eu não tô vendo ela, mas ela tá ali. A raiva, ela vem para te contar que um limite está sendo ultrapassado. A raiva e a injustiça, elas andam assim, ó, uma coladinha com a outra. Então, ela vem falar para você assim: "Olha, tem um limite sendo invadido e você não tá fazendo nada". Devo dar um exemplo. Digamos que uma pessoa, ela tá sofrendo bullying e ela não consegue sair dali. E ali o pessoal fica tirando sarro, fica tirando sarro e a pessoa quando a raiva percebe que você não tá saindo dali, ela aumenta o volume para que você pá você saia dali. Então a raiva ela move. Beleza? Então já que eu não tenho escolha de sentir a raiva, quer quer saber? Então eu posso sair batendo nas pessoas, né? Já que eu posso sentir raiva. Não, na verdade a gente não escolhe sentir a emoção, mas a gente escolhe o que fazer com ela. E eu preciso aprender a identificar o que que o meu corpo tá me contando e procurar a melhor forma para eu canalizar essa emoção. Então, se eu tô com raiva, por exemplo, e eu percebo que aquilo tá por muito tempo já, eu preciso entender quem é que tá ultrapassando o meu limite, será que eu estou colocando limites para as pessoas ou eu deixo as pessoas passar por cima de mim como uma patrola e fazer o que quiserem de mim, porque eu busco pertencimento. E aí, por buscar o pertencimento, buscar a validação das pessoas, eu deixo os meus limites frouxos. Não, os nossos limites são o continente que nos protegem. Então, os nossos limites eles precisam ser bem estabelecidos. Para que a gente se conheça e coloque limites, para colocar um limite para outra pessoa, eu tenho que primeiro saber quais são eles para mim, o que que é negociável para mim e o que que é inegociável. nas relações humanas de forma geral, sempre quando você se sentir injustiçado, triste porque alguém tá fazendo alguma coisa com você, se permite, se pergunte o que é que eu tô permitindo aqui? Qual limite precisa ser colocado? E aí é interessante porque quando a gente aprende a colocar os limites sem que a raiva venha fazer isso por você, a gente fica muito mais organizado. Porque eu posso chegar para alguém e falar: "Olha, até aqui você vem, daqui para cá você não passa. Porque eu me importo muito com você". Existem formas amorosas de falar. A gente não precisa ser desrespeitoso com alguém para colocar um limite. Só que se eu não colocar, a raiva vai falar por mim. E aí eu vou falar de forma explosiva, agressiva, eu vou machucar pessoas e eu posso me machucar também. E o medo, o medo também é muito interessante porque ele vem para fazer com que a gente muitas vezes se prepare para algo. Tome cuidado. Por exemplo, você vai fazer um, eu vim fazer uma palestra hoje, eu me preparo para isso, eu me organizo. Se eu vou fazer uma viagem, poxa vida, será que meu passaporte tem dia? Será que vai fazer frio lá? Será que vai fazer calor? Nossa, eu tô levando só roupa de frio, mas eu tô com medo de fazer calor e eu não ter roupa lá. Eu vou atravessar uma rua, eu tenho medo. Então o medo, a ansiedade, ela faz parte de nós, mas até certo ponto ela é saudável. passou disso aí já a gente já tem um adoecimento que também é uma informação e o nojo nos protege do envenenamento. Certa vez eu estava, eu tinha feito um exame, uma colonoscopia e após esse exame eu fui numa padaria, né? a gente foi lá para comer alguma coisa e eu comecei a sentir náusea. A hora que eu tomei um caldo, bateu no meu estômago, eu senti náusea e aí eu fui ao banheiro. Chegando lá, quando eu abri a tampa do vaso, que eu tava com ânsia, o vaso estava numa situação terrível. Eu não sei o que que meu ceb entendeu que eu ia fazer com aquele vaso ali, mas ele me desligou. O nojo foi tanto que eu desmaiei. Ele achou que de alguma forma aquela sujeira ia me atacar ou eu ia desliga que isso aí vai te fazer mal. Então, também é uma função que nos protege. E aí existe uma diferença entre emoção e sentimento. A emoção, digamos que a emoção ela é do corpo e o sentimento é da mente. A gente pode separar assim, porque o corpo reage instintivamente para proteger. Se eu tô nadando na praia e eu vejo um tubarão, a emoção vem para falar: "Corre". Não dá tempo de pensar. Imagina se eu se eu começo a pensar, nossa, tem um tubarão ali, eu acho que é melhor eu correr porque senão eu vou morrer, pronto, o tubarão já me comeu, então tem que sair correndo. Agora vamos pegar esse exemplo para para ficar mais simples ainda, didático para entender. Se eu tô no trânsito e alguém me faz um desaforo, me dá uma fechada e eu sinto que a raiva, um limite foi ultrapassado, aí eu vou para casa e eu fico remoendo aquilo. Nossa, eu não acredito. aquele cara poderia ter batido no meu carro, poderia ter me machucado e nessa eu começo a gerar um sentimento, porque daí passa pela memória, passa pelas sensações. Então tudo isso envolve fisiologia, biologia e aqui a simbolização de tudo aquilo que a gente sentiu. Memória e pode acontecer de registrar algum trauma, tá? Mas e a tal autoestima? Gente, que bicho que é esse chamado autoestima que a nossa cultura traz pra gente eh como se a autoestima fosse ligada à autoimagem. Então, quando a gente olha no espelho e a gente se vê e a gente se acha bonito, a gente acha que a gente tá com autoestima boa, não é? Geralmente é assim, né? E quando a gente não se acha bonito, nossa, minha autoestima tá péssima hoje. Existe algo muito importante por trás disso, não é só isso, mas a indústria ela fatura muito com isso, principalmente a indústria da beleza. Então se você acredita que autoestima é autoimagem, né, então vem aí os procedimentos estéticos e e muito gasto excessivo com vaidades do tipo, eu preciso ter uma casa maravilhosa, uma um carro maravilhoso para eu me sentir bem com a autoestima. lê do engano. Na verdade, ele é um braço da autoestima, mas a autoestima ela é uma a ela é uma experiência. De acordo com um teórico chamado Nathaniel Brandon, ele ele foi um dos psicólogos que mais estudou autoestima. Então ele fala que a autoestima ela é uma experiência, mas ela é um conjunto de fatores. E nós vamos falar dele. Senhor me ouve? Mas antes de falar o que é, eu vou falar o que a autoestima não é. Eh, teve uma paciente que perguntou para mim um dia, tem autoestima demais? Existe isso, né? Não existe. Assim como também não existe saúde demais, né? Ou você tem saúde ou você tem a autoestima. A superioridade não é autoestima, né? Geralmente quando a gente vê uma pessoa muito altiva, a gente fala: "Nossa, que autoestima que ela tem". Na verdade, é um mecanismo de defesa, porque às vezes na infância, na adolescência, essa criança quando ela se permitiu estar vulnerável, ela não foi acolhida. Aliás, ela pode ter sido julgada de uma forma muito dura com que ela entendeu que ela não pode ser vulnerável, ela não pode ser frágil. Então eu preciso me proteger. Então quando eu ataco, quando eu me sinto por cima de você, eu me sinto segura. Então na verdade acaba sendo um mecanismo de defesa e não autoestima em si. São alguns mitos. Falar a verdade sem cuidado na cara das pessoas, como a gente ouve tanta gente falar, né? Não, eu falo na cara porque eu sou uma pessoa muito sincera. O tal sincerídio, né? Na verdade isso é também uma falta de empatia. E é uma forma de tentar se sentir melhor também, é um mecanismo de defesa. Então, vamos dar um exemplo. Tem verdades que não dá para falar, né? Eu até vi uma uma professora Ediane Ribeiro, que eu admiro muito, dizendo assim: "Se uma noiva tá entrando no seu casamento, tá prestes a entrar no casamento". Aí ela pergunta pra amiga dela: "E aí, tô bonita? Que que você achou do meu vestido?" Imagina a sincerona lá. Ai, amiga, desculpa, odiei seu vestido, tá ridícula. Isso é maldade, né? Então, se você achou isso, guarda. Depois um outro momento você não. Mas ali não. Achar que não precisa de ninguém também não é autoestima, é defesa contra a vulnerabilidade. A autora e pesquisadora Brenn Brown, ela escreveu um livro sobre a arte, a coragem de ser imperfeito. Ela demorou 12 anos para escrever esse livro. Ela fez uma pesquisa de campo de 6 anos e depois mais seis, porque ela estava pesquisando a palavra vergonha. E a palavra vergonha nada mais é do que um a vergonha é um sentimento que vem para nos proteger do medo da desconexão. Então, quando eu sinto vergonha, eu me recolho porque, nossa, talvez eu posso não ser aceita, não posso estar sendo apropriada, então eu tenho medo da desconexão. E aí ela falou que nós confundimos vulnerabilidade com fraqueza, né? E a gente não gosta de ser fraco, mas ser vulnerável não é ser fraco. Então eles trazem, ela tem um, no prólogo do livro dela tem um recorte de um texto de um presidente, não lembro o nome dele, mas que ele fala assim que ser vulnerável é você estar com o rosto no vento, na poeira da vida. é você se colocar nas situações, eh, por exemplo, aí agora eu tô amando uma pessoa e aí eu vou falar: "Eu te amo primeiro?" E aí, se a pessoa fala para mim que não me ama, ah, não, melhor não, deixa quieto. Não, se permita ser humano, se permita ser vulnerável, fale: "Eu te amo". Primeiro se o outro não corresponder e ele tem o direito de não corresponder, eu vou sentir a minha dorzinha ali e vou me refazer, mas eu não vou deixar de viver as experiências, me esconder da vida. para não lhe permitir ser vulnerável e fugir do que nós somos, porque nós somos vulneráveis. Autoestima uma experiência, ela é uma coerência entre pensar, sentir e agir. E isso é muito profundo, porque às vezes aquilo que a gente pensa e aquilo que a gente sente é diferente da forma que a gente age, porque muitas vezes a gente tá agindo para agradar aos outros. Nossa, eu faço isso, mas eu nem gosto disso, mas ah, as pessoas vão gostar de mim. Então, ali já você já percebe que a a autoestima ela tá vulnerável. Existem dois pilares principais da autoestima. Ela tem seis pilares, mas eu vou falar dos dois principais, que é o quanto você acredita que você dá conta dos desafios que a vida traz para você. Quando os pacientes chegam na clínica e chegam falando assim: "Eu tô mal, nada minha vida dá certo, eu não consigo, eu não dou conta". Você já percebe que essa estrutura, esse pilar tá muito fragilizado. E o outro pilar que ele é muito importante também, ele vem para contar para você, ele vem para te fazer uma pergunta. Você acredita que você é merecedor de ser feliz sendo quem você é? E é uma pergunta muito profunda também, porque muitas pessoas hoje, muitas chegam arrasadas dizendo: "Eu não mereço, eu não mereço". E muitas vezes as pessoas elas acabam se sabotando, sabotando o seu próprio sucesso por não acreditar que é merecedora daquilo. E isso acontece conscientemente e inconscientemente também. Já viu a tal da procrastinação? Tem gente que luta tanto para conseguir chegar num tal lugar quando tá chegando perto. Ã, não, eu já atendi pacientes que queriam tanto fazer a prova do Enem, algo que era muito importante. Pessoas inteligentíssimas, eu faço tudo, mas quando chega na hora de estudar, eu não consigo. Eu não consigo. Eu fecho meu note, eu vou jogar, eu vou sair, eu vou trabalhar e eu não consigo estudar. e eu quero tanto e eu tenho potencial para isso, mas eu não consigo. Essa pessoa, ela não acredita de verdade, inconscientemente que ela é merecedora do sucesso. Então, ela faz um tipo de sabotagem. E isso acontece muito com a gente na nossa vida, sem a gente perceber, né? Nós vivemos de uma forma tão automática muito daquilo que nós acreditamos hoje que nós somos, que a nossa, essa daqui é a minha personalidade. Pode botar que boa parte disso são mecanismos de defesa que a gente desenvolve para sobreviver na infância e na adolescência. E a gente segue a vida adulta acreditando que esse é meu jeito. Esse é meu jeito. Quando você começa a destrinchar tudo aquilo, eu gosto de falar pros meus pacientes. A gente pega pessoa, chega ali, imagina um quebra-cabeça montadinho e aí você começa a separar todas as pecinhas e dar nome para cada uma delas. E aí você vai percebendo que é muito mais profundo. E nem tudo aquilo é o jeito que você é. Muitas vezes é mecanismo de defesa que precisou desenvolver na infância. E para largar isso depois e para abrir mão disso, né? Então, os psicólogos até brincam, eles falam que a gente eh quando o psicólogo ele entra na mente do paciente, ele fala assim: "Nossa, é aqui que você mora? Quanta coisa que tem aqui, hein? Vamos começar a fazer uma faxina aqui." Aí a pessoa, não, não, não, não. Eu ganhei do meu pai, eu ganhei da minha mãe. Mas muitas vezes essa faxina precisa ser feita e não é fácil. Pois é, essa essa é uma uma analogia muito interessante, né? Quem que está no comando afinal? Imagina que aqui essa água do mar são as emoções. Esse leme eh ele autoestima você e o barquinho da vida. Se a gente não sabe, tem pessoas que dominam o mar, né? Essas pessoas que estão lá com seu leme, com caiaque, né, que chama, e elas entendem do mar. Então, quando a onda tá mais brava, ela sabe o que fazer, ela entende e ela não tem tanto sofrimento. Agora vai colocar uma pessoa que nem eu ali. Antes da onda chegar, eu já me joguei no mar, já me afoguei, porque eu não sei. Se nós não entendemos as nossas emoções, o nosso barquinho pode virar, porque nós não somos sozinhos no mundo. A gente sempre tá em constante eh troca, troca com as pessoas que tá à nossa volta. A gente somos seres socializáveis. A gente não, nós seres humanos não nascemos com a habilidade de socializar, mas a gente nasce com a habilidade de vincular. O bebezinho, desde quando ele nasce, ele já tá ali, né, olhando, buscando o olhar da mamãe e ele busca e ele precisa encontrar. E é um problema sério nos dias de hoje, porque as mães estão com bebezinho num braço e o celular no outro. Aí o bebezinho procura o olhar da mãe e não encontra. Procura o olhar da mãe e não encontra. E nessa que muitos casos de autismo são adquiridos. Nem toda criança nasce com autismo. Então busca o olhar e não encontra. Busca e não encontra. Busca e não encontra. Nesse vínculo eles se fecham porque eles percebem que eles mesmos precisam cuidar deles porque o olhar da mãe não tá ali. Então nós nascemos com a habilidade de vincular, podemos perder também, mas a habilidade de socializar a gente desenvolve na nossa vida e sempre é possível. Então, quando eu faço essa pergunta, quem tá no comando, você percebe que você talvez tenha agido de forma automática até hoje, mas que não precisa ser assim. Então, aprenda a entender o que que o teu corpo está te contando. Tem um tem um teste que é bem legal, eles chamam de teste da fechadura, uma coisa assim. Mas você pode usar em todas as áreas da sua vida. Você chega na sua casa, você bota a chave ali ou a senha, o que que o teu corpo te conta naquela hora? Tem pessoas que chegam em casa e ufa, que bom, que paz, finalmente cheguei na minha casa. Nem todo mundo é assim. E o teu corpo tá te contando ali, que bom que você chegou na sua casa. Ele relaxa. Mas tem pessoas que chegam em casa, no momento de abrir a fechadura, o corpo fica tenso. As batalhas que enfrentam ali dentro do lar e o corpo tá contando. Você tá vendo? Todo o tempo é assim. Se você conhece alguém que você tem um pouco de receio e aí você tá do nada, você vai conversar com aquela pessoa, o corpo conta, ele não é assim que acontece. E aí às vezes a gente quando a gente não entende os nossos limites, a gente vai paraas relações sem limites e sem as sem limite as relações nos adoecem. Então, aprenda a sentir o que que o teu corpo tá te contando, porque assim fica muito mais fácil de guiar esse barco, de não naufragar, né? Quem que quer naufragar? Ninguém quer. Mas se a gente não tomar conhecimento de todas essas nuances, a gente pode sim naufragar. E aí a gente procura outras formas de vincular. E uma delas, entre todas as fórmulas, formas adoecidas que existe, uma formas, uma forma delas é briga. Já viu gente briguento? Tem gente que com uma confusão, onde vai com todo mundo, porque é a única forma que ele aprendeu de vincular. Tem gente que já vem de lares de tempestades constantes e o ser humano lembra que o nosso cérebro foi feito para socializar. Algumas pessoas aprendem a socializar adoecendo. Já viu gente que vive doente? Vive doente porque é assim que ele acredita inconscientemente que ele vai ser visto? O cérebro já entendeu e ele adoece a pessoa de verdade porque essa pessoa acreditou que para ela ser vista ela precisa estar doente ou ela precisa estar brigando ou ela precisa estar fofocando. Gente fofoqueiro, uma que é mais fácil eu olhar pro outro enquanto eu tô olhando cuidando da vida dos outros. Antigamente era na janela, hoje é na na rede social. Então enquanto eu tô cuidando da vida do outro, eu não preciso olhar pro buraco que tá aqui dentro. É uma forma de anestesiamento, né? E aí nessa de fofocar, quantas intrigas a pessoa tem gente que vive de fofoque, de intriga, ela não sabe, mas ela está funcionando num mecanismo de defesa. É o corpo dela falando, viu? Faz dia que você não arruma uma briga, você precisa arrumar uma briga. Você nunca mais conversou com ninguém, você precisa estar em contato com alguém, minha filha, vamos arrumar uma treta. Então é dessa forma que o nosso corpo, o nossa mente, a nossa psiquê, as nossas emoções funcionam. Então a psicologia acredita que mente, corpo, espírito precisa est equilibrado, né? Exercir parte. Apesar de que aqui na nossa cultura não temos muito essa isso foi desmembrado, né? Então aqui no no na nossa cultura, corpo, mente, espírito foi desmembrado. Se você for lá pro Japão, para aquele lado lá, eles não desmembraram. Tá tudo interligado. Uma coisa tá interligada com a outra. Então nada de mais e nem de menos. A gente fala sempre em equilíbrio. Percebeu que a tristeza tá demais por mais de 15, 20 dias intensa, prolongada. Procure ajuda psicológica, ajuda médica para você conseguir entender o que tá acontecendo dentro de você. Muitas vezes tem coisas para cavucar na nossa vida lá atrás. Ah, tem um teórico, eu não lembro. Eu acredito que foi o Freud que disse assim: "Nós nós desenvolvemos desculpas nobres e racionais para justificar os caprichos e pirraças do inconsciente. Não, eu sou assim por causa disso ou por causa daquilo. Vai ver, começa a fazer terapia para você ver que não é bem assim. Ah, é por causa disso ou por causa daquilo. Hoje eu estou eu estou aqui palestrando, mas eu já passei no começo da minha faculdade, eu tinha muita dificuldade em apresentar um trabalho. Olha como funciona o trauma. Eu ia apresentar um trabalho, digamos que eu teria 10 minutos para apresentar. Com 3 minutos a minha voz já tinha sumido. A minha voz embora. Eu ia, eu não sei o que, eu não sabia. Olha só, eu não entendi o que meu corpo tava falando para mim. E eu sentava, eu não tinha falado 15% daquilo que eu tinha programado de falar. Até que entrou a pandemia. E quando entrou a pandemia, eu precisava tirar alguma dúvida sobre a aula. Eu tinha que ligar o microfone, né, no online e fazer a pergunta. E me faltava coragem, vinha uma sensação horrível que eu não sabia ler, eu não conversava com o meu corpo. E aí aquele dia eu tinha terapia e eu cheguei com minha psicóloga e falei assim: "Olha, chorei bastante, falei: "Eu não sei o que acontece comigo. Eu vou apresentar um trabalho, eu sei o que eu tenho que falar, mas eu desmorono. A minha voz some, me dá um branco, parece que eu vou morrer." E eu tive que ligar um microfone, fazer uma pergunta e eu me senti muito mal. Me senti uma idiota. Aí ela falou assim para mim. Aí eu eu falei: "Nossa, eu tô lembrando de uma coisa aqui que não tem nada a ver com o que eu tô contando para você." Olha como que é a terapia. Veio é uma memória que não tinha nada a ver. Ela falou assim: "Mas conta que memória que veio?" Eu falei: "Quando eu tinha 10, 11 anos de idade, nós estávamos passando por uma situação financeira extremamente difícil. Meu pai e minha mãe estavam desempregados e eu tinha, eu sempre ia pra escola com a camiseta do uniforme que era branquinha. Minha mãe sempre muito caprichosa, camiseta muito branquinha. Mas eu ia com a mesma saia e aí eu percebi que a minha saia tava ficando curta, eu desdobrei a barra e ela começou a desfiar. E uma professora muito num num comportamento muito infeliz me chamou. Ela era muito brava, todo mundo tinha medo dela. Ela me chamou, você vem aqui. Me colocou do lado da mesa assim, ó, virada pra sala de aula. E ali ela me colocou numa situação muito vechatória. Ela falou assim: "Por que a tua mãe não te arruma para você ir pra escola?" Eu fiquei muito assustada com aquilo. Aquele dia ficou muito nítido da minha memória. Ela falou assim: "Olha a fulana ali. A mãe dela é diarista. Olha como que ela vem bem arrumada pra escola. Que que a tua mãe tá fazendo que não te arruma?" E ali eu fui me encolhendo. Eu fui me encolhendo. Aí ela falou: "Levanta essas costas. Parece que tá carregando um saco de 100 kg nas costas". E ali eu fui sentar e lembrei disso na terapia. A minha psicóloga falou assim: "Se você pudesse definir em uma palavra o que que você sentiu aquele dia, o que que você diria?" Falei: "Eu me senti uma coitada". Ela falou: "Qual que é a sensação hoje na faculdade quando você vai apresentar um trabalho diante da sala de aula? Olha como o contexto era muito parecido." Eu falei: "Eu me sinto uma coitada". Aquele dia a emoção explodiu. Eu chorei muito porque eu acessei o trauma. E o Freud fala isso. Quando você acessa o trauma e aquilo faz sentido, ele evapora. Por quê? Porque a criança sente mais do que adulto. Criança não tem eh o córtex pré-frontal é o ú é o último a se formar. Então o nosso cérebro ele termina de se formar por volta dos 20 anos, 21. Então a criança ela sente muito, mas ela não consegue elaborar um raciocínio lógico para explicar o como, nossa, eu tô sentindo tal coisa assim, assim como nós adultos fazemos. Então sente e não entende. Sente e não entende. Então a gente fala que fica lacunas e eu acessei uma delas aquele dia e aqui estou eu, né? Minha voz se eu eu vou até parar inclusive porque senão vou ficar falando aqui até amanhã. minha voz não vai sumir porque foi um trauma que eu elaborei. Então, a gente se conhece a cada dia mais e se a gente viver 200 anos, nós vamos aprender e nós poderemos nos conhecer e melhorar, porque nós temos a nosso favor a plasticidade cerebral, que a ciência já comprovou, que pode nos criar caminhos novos de neurônio. Então, conforme eu vou desenvolvendo novos comportamentos, como eu já venho desenvolvendo, todas as vezes que eu dei palestra, eu me fortaleci e o meu cérebro vai entendendo que aquilo não é tão perigoso assim. Já acessei o trauma, trabalhei. Eu eu eu faço uma um eh algo simbólico que é assim, eu imagino que um trauma o Freud chama de recalque. Recalque para psicanálise não é inveja, né? Como é no senso comum. Recar o quê? É você abrir um buraco. Aí tem algo que você não quer ver, que aquilo machucou muito, você enterra, enterra, passa um contrapiso. Uh, beleza. Nossa, enterrei, não existe mais. Só que ele retorna. Então ele chama do retorno do recalcado. Ele volta. E quando ele volta, ele traz incômodos pra gente. Ele traz sofrimento, ele traz pesadelos. O inconsciente, ele tá a todo momento trazendo informações, só que a gente não aprendeu a ler ele. Então ele aparece nos sonhos, tá? Eu pergunto pro paciente: "O que que você sonhou?" "Ah, eu tive um pesadelo horrível. O que que você sonhou?" "Ah, nada a ver. Nossa, tem gente chega que fala: "Não, eu sonhei com uma banheira, com unicórnio, uma bicicleta pendurada." Não tem nada a ver. Tem. E aí a gente faz a leitura do que você sentiu. Sempre que você tiver sonhos ou pode ser um sonho muito triste, onde você chora muito, né? Tem gente que fala assim: "Nossa, sonhei com a minha avó, morreu, eu chorei demais, meu Deus, será que a minha avó vai morrer?" Não, você tinha choro guardado ali para chorar. O teu inconsciente precisou montar todo aquele teatro ali para trazer a emoção à tona. Então, por exemplo, quando você tá com sede, vamos falar de uma coisa simples, você tá com sede, você não sonha que tá bebendo água? Você sonha, porque daí o teu cérebro fala assim: "Não, não vamos deixar, não quero que a Bet acorda, deixa ela dormindo, eu vou matar a sede dela." Então, se você tem algum desejo que você recalca, ah, no teu sonho, você vai realizar ele. Não tem jeito. Se você tem algum fantasma, chamando de fantasma, um trauma, que você foge dele, eu não quero olhar para aquela dor, eu não quero. Ele v, quanto mais você dá conta de ver, mais real ele vai aparecer no teu sonho. Tenho muita raiva do João, não sei das quantas. Se eu consigo ter certeza dessa raiva que eu tenho e olhar isso com franqueza, ele o João mesmo vai aparecer no meu sonho. Agora, se eu não posso nem pensar naquilo, ele vai vir disfarçado no meu sonho de qualqu até de uma mala ele aparece disfarçado, mas aparece, mas o sentimento tá ali, a emoção tá ali. Então, sempre que vocês tiver um sonho, um pesadelo, quando vocês acordarem, se pergunte: "O que foi que eu senti? Nossa, eu chorei muito. Eu tô precisando de olhar para alguma tristeza que tá ali, alguma coisa que não tá resolvida." E a tristeza prolongada por mais por por tempo prolongado, por mais um um ano, 2 anos, ela pode transformar em um outro sintoma. Lembra do Galerinha do Divertidamente? Não sei quem assistiu aquele desenho lá dos das das emoções. Então, que que eles vão fazer? Hum. Por exemplo, poxa vida, o Rodrigo tá com um problema e ele não tá resolvendo. Vamos aumentar o volume da tristeza para ver se ele para e olha para ele. Aí, uh, aumenta o volume. Nossa. Aí ele começa a ficar triste, 15 dias, 20 dias, um mês, dois, três e não para para olhar aquilo. Aí a galerinha lá do divertidamente fala: "Viu ele não parou. Que que a gente faz agora lá? Um ano, dois anos sentindo aquela tristeza e não para para resolver aquela pedra no sapato? Ah, vamos colocar um sintoma, vamos colocar um pânico, vamos colocar um toque, porque daí a pessoa para de viu aquelas pessoas, eu tava bem, eu tava num lugar legal, né? Uma pessoa que eu conheço falou: "Eu tava no massagista". Na hora que eu tava no massagista, eu digo, tive uma crise de pânico, não tem nada de errado acontecendo na minha vida. Tem. E por ter tanto tempo que você nem tá se anestesiou, digamos assim, e aí o a galerinha vai lá e aumenta o volume, bota um pânico e se você não parar, ele coloca outra coisa. Por isso que eu tô dizendo, os sintomas eles também vêm para contar pra gente. A nossa mente não faz isso para nos adoecer, ela faz isso para fazer você parar. e olhar para você. Então, espero que de alguma forma eu tenha contribuído um pouquinho para vocês refletirem sobre vocês. Me coloco à disposição. Se alguém quiser fazer alguma pergunta também, fique à vontade, certo? Quiser me procurar depois também, fique muito à vontade. Agradeço muito a presença de vocês, porque eu sei que essa é uma hora da vida de vocês que nunca mais vai voltar. e que vocês vieram aqui prestigiar. Então, muito obrigada. Muito obrigada. Agradeço de coração a todos vocês. Muito obrigada. [Música] TV Câmara, Campinas.