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Na Casa do Povo | Paolla Miguel
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Na Casa do Povo | Paolla Miguel

38 views Publicado 09/05/2025 HD · 46:28

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Campinas + Diversa: Paola Miguel Expõe Realidades e Avanços da Comunidade LGBTQIAPN+ na Câmara! Prepare-se para um mergulho profundo em uma das pautas mais relevantes da atualidade! No novo episódio do Podcast Na Casa do Povo, a vereadora Paola Miguel volta ao estúdio da TV Câmara Campinas para um papo necessário, urgente e transformador. Com a mesma coragem que tem levado para os corredores da política, Paola fala abertamente sobre os desafios enfrentados pela comunidade LGBTQIAPN+ em Campinas e no Brasil. Entre histórias emocionantes, dados alarmantes e reflexões poderosas, ela explica como a falta de políticas públicas específicas, de dados oficiais e de acolhimento institucional ainda colocam essa população em situação extrema de vulnerabilidade social. Você sabia que a expectativa de vida de pessoas trans no Brasil é de apenas 30 anos? Que a maioria das violências contra essa população acontece ainda na infância e adolescência, muitas vezes dentro da escola ou do próprio lar? E que o banheiro — isso mesmo, o banheiro! — é um dos espaços de maior exclusão para pessoas trans nas instituições? Ao longo do programa, Paola Miguel detalha a importância das cotas para pessoas trans na Unicamp, da aprovação de projetos que reconheçam a cultura ballroom como patrimônio cultural, e do fortalecimento de serviços como o Centro de Referência LGBT de Campinas e o Ambulatório Transcender. Com uma fala potente, ela também denuncia os retrocessos, como a recente resolução do Conselho Federal de Medicina que proíbe o bloqueio hormonal em menores de idade — uma decisão que, segundo ela, ignora evidências científicas e experiências reais de jovens trans. Neste episódio, você vai entender por que representatividade importa, como políticas públicas podem mudar destinos e o que ainda precisa ser feito para garantir dignidade, saúde, educação e emprego para a população LGBTQIAPN+. 📢 Assista, compartilhe e ajude a construir uma Campinas mais justa, inclusiva e diversa! Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 📌 Dados do vídeo: Podcast na Casa do Povo | Vereadora Paola Miguel | Link: https://youtu.be/I_0FBtRCxWU #PaolaMiguel #LGBTQIAPN #PolíticasPúblicas #Diversidade #RepresentatividadeImporta #CâmaraCampinas #TransfobiaNão #CotasTrans #Unicamp #DireitosHumanos #InclusãoSocial #CulturaBallroom #PodcastNaCasaDoPovo

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[Música] [Música] Olá, mais um podcast na Casa do Povo no ar. Toda semana a gente traz aqui uma entrevista com o vereadora, o vereador da Câmara Municipal de Campinas para falar do trabalho, da vida pessoal, da história política. E hoje a nossa convidada é a vereadora Paola Miguel. Ela que já participou contando um pouquinho da sua vida, já falou como entrou paraa política. E agora nessa terceira fase da participação, ela vai falar de uma pauta super importante, uma pauta que ela desde o início, desde da primeira vez que entrou aqui na Câmara, sempre foi baseada, claro, tantas outras pautas, mas principalmente nessa luta relacionada à população LGBT,QN a mais, né? Depois se tiver mais algum algum ela vai me corrigir. Mas antes, como é de práudio desescrição. Meu nome é Mirna Breu. Eu sou mulher negra de pele clara. Tenho olhos castanhos, cabelos encaracolados com mechas loiras. Hoje eu estou com uma blusa eh preta, mas ela tem um fundo bege. Então são umas flores pretas com fundo bege. Ao meu fundo, o estúdio do Na Casa do Povo em preto. À minha esquerda, uma TV com o logotipo do nosso podcast Na Casa do Povo em azul e branco. Paola, seja bem-vinda. Também já convida a fazer novamente a sua auto e audiodção. Muitíssimo obrigada, Mirnamara. Eu gostaria de saudar todo mundo que tá nos acompanhando, nos assistindo, nos ouvindo. Vou fazer minha auto e audiodção. Eu sou uma mulher negra, tenho o cabelo um um black curto para cima, tenho estou usando uma blusa, né, com as cores da bandeira LGBT de manga comprida. Atrás de mim tem o fundo preto e na minha frente tem uma caneca com o logo do nosso podcast incrível Na Casa do Povo em branco e azul, tá? Primeira coisa que eu já vou perguntar então para quem tá em casa sempre, por que são essas cores? Como que é a história de escolher essa coro, né, da comunidade LGBT? Muita gente não sabe, mas a comunidade LGBT ela tem diversas bandeiras, né? eh, justamente por tentar juntar, né? Antigamente a gente tinha uma sigla que era, muitas pessoas devem ter visto, né, GLS, né, que era gays, lésbicas e simpatizantes, mas conforme o tempo foi passando, foi percebendo que isso não era suficiente para representar a diversidade, né, a pluralidade de sexualidades e gêneros, né, que foram ali, eh, sendo eh catalogadas e encontradas, né, e pesquisadas nos últimos tempos. Então, o arco-íris é tentar juntar, né, todas as cores, juntar todas as comunidades, juntar toda a comunidade LGBT,Qi, APN, eh, em um só local. Então, por isso que são as cores do arco-íris, né, esse colorido, para que a gente consiga representar uma maior pluralidade de pessoas que consigam se sentir contempladas. E a gente tem bandeiras específicas, bandeiras eh da comunidade gay, da comunidade lésica, da comunidade trans, da comunidade não binári, da comunidade de pansexual, de assexuados, de pã românticos, eh, e diversas outras comunidades da comunidade queir. Então, a gente tem bandeiras específicas, mas o arco-íris é a representação de todas elas juntas. Ô Paola, já que a gente tá aqui na casa do povo, eu vou ser bem leiga mesmo. Eh, você falou inclusive esse conhecimento inicialmente GLS e depois foi se percebendo que existiam outras formas de lidar com essa questão da sexualidade, da pessoa se reconhecer. Isso foi o quê? À medida que as pessoas foram tendo essa oportunidade de falar, o que que foi acontecer, por exemplo, você agora falou eh sexuada romântico, é isso? Eh, como como que vai surgindo? Olha, eu me encaixo aqui, eu me encaixo em outro momento. O que é exatamente? Eh, a gente tem mudanças muito significativas e muito recentes paraa comunidade LGBT. Então, eh, a gente teve nos anos 90, né, quando o homossexualismo, né, o ismo é utilizado para definir doença, né, ele era considerado uma doença, uma patologia, né, e antes disso, muitas pessoas já foram levadas eh para manicômios, para tratamentos. Tem até um pesquisador muito famoso, Alan Turing, que é da computação, né, que ele foi ali eh foi submetido a uma castração química por ter por ser, né, gay em outros tempos. Ele é um herói de guerra, né, a gente tem um filme que ele é representado e demonstra justamente como esses processos de castração acontecia com a comunidade LGBT. Então não era discutido, não era falado. A partir dos anos 90 a gente começa a ter um avanço, né, de poder falar sobre isso. A partir do momento que você pode falar sobre isso, você consegue encontrar novas possibilidades, né, além, né, do GLS, só que era trazido no passado. Então a gente consegue perceber a comunidade T, né, a comunidade trans, que antes é não tinha possibilidade também de de se trazer ao mundo, de sair do armário, como a gente utiliza. É, tem muitas pessoas que são mais velhas hoje que relatam, né, que a forma com que eram tratadas era tão inviável, era tão violenta, que não tinha como, né, assumir eh um romance, um namorado, uma uma namorada, né, e que esses processos eles são muito mais recentes. Então, conforme a gente tem a modernização, né, evolução eh de sociedade, a gente consegue também ter uma atualização de conceitos. Sim. Então, eh, hoje a gente tem catalogado, né, cerca de 32 gêneros, né, e mais de 50, eh, sexualidades, né, a sigla, né, LGBTQ e a PN, mais ela não contempla toda já no no na sua com as letras, né, por isso que tenho mais, inclusive para tentar trazer, né, as pessoas que são que antes eram tidas abre aspas como simpatizantes, mas na verdade são apoiadores da causa e que muitas vezes estão ali, eh, também para poder fazer esse cinturão de diálogo, de construção. E a comunidade LGBT, ela embarca duas coisas, sexualidade e gênero. E muitas vezes isso é confundido, né, entre muitas pessoas. Então, por isso que é tão eh tão fundamental, né, eh o processo que a gente aconteceu, né, da não patologização, né, da disso tratado como uma doença. E agora a gente consegue de fato pesquisar, entender, né, entender socialmente. tem culturas, né, como é, por exemplo, a cultura tailandesa, que ela já tem implementado o terceiro gênero desde a sua origem, né, na no seu o idioma original, que é o galeto. Eh, e eles têm inclusive hoje um dos processos, né, se a gente for pensar no processo trans, mais bem construído, atualizado, moderno, até mesmo quando a gente fala de cirurgias e diversos outros países também t isso. Então isso não é uma questão de a nível de Brasil, Estados Unidos apenas, isso é uma questão mundial que muitas vezes a gente tinha dificuldade de discutir, de construir, de dialogar, né? Mas que hoje a gente pode fazer isso de uma maneira um pouco mais tranquila, mas a gente tá vendo já alguns retrocessos com relação à identidade de gênero e sexualidade também, infelizmente. Sim. Inclusive você mencionou essa questão da cirurgia, né? Hoje mesmo que é o dia da gravação do nosso podcast, eu me determinei justamente com uma notícia que fala sobre essa questão do da cirurgia, da na verdade não é da cirurgia, é da que eles falam daquele processo em que a criança, né, pra adolescência pode já fazer o tratamento, que inclusive já tem o reconhecimento inclusive pelo Sistema Único de Saúde. Queria que você falasse sobre isso, é uma vitória. Precisamos avançar ainda mais em termos de políticas do no âmbito nacional. Como que você analisa quando se tem uma medida como essa? A gente precisa avançar muito ainda. A gente tem muita desinformação, a gente tem muita fake news, a gente tem ausências de políticas públicas que muitas vezes elas não são criadas como leis, elas são criadas, são terapias hormonais, né? Isso, hormônioterapia, né? Eh, a gente tem muitas vezes alguns decretos, né, algumas eh legislações que muitas vezes elas não passam, que não tem o mesmo o mesmo poder, a mesma determinação que uma lei, que a diferença é a o governante, né, ele pode, um decreto, ele pode ser revogado a qualquer momento. Uma lei para ser revogada, ela precisa ser votada num Congresso. Então são eh são instrumentos necessários, mas elas são instrumentos diferentes, né, para momentos diferentes e que garantem uma política pública continuada e outra não, tá? Quando a gente fala, inclusive, a gente teve a decisão do Conselho Federal de Medicina, que na quarta-feira, 16 de abril, eh publicou uma resolução dizendo que proibi proíbe o bloqueio hormonal para puberdade em crianças e adolescentes, proíbe a terapia hormonal cruzada em menores de 18 e aumenta de 18 para 21. uma idade mínima para realização de cirurgias e transição com efeito esterilizador. Isso, na sua visão é algo que ainda pode ser mudado, deve ser mudado? Como qual é a sua opinião pessoal sobre isso? E isso se trata sobre gênero ou sexualidade para quem tá assistindo e não entende? Eu eh a primeira coisa, né, que o bloqueio eh de hormônios muitas vezes ele é utilizado em crianças para estimular o crescimento, né? Porque a partir do momento que você tem uma uma produção de hormônio, né, o crescimento, a a taxa de crescimento, ela é interrompida. Então, muitas crianças hoje que já fazem é a utilização de bloqueio de hormônio por conta, né, de outras questões, né, de de eh de outras patologias como nanismo, né? Então, esse é o primeiro ponto. Eu acho que a gente tem um debate que passa muito mais pela ideologia de algumas pessoas, né? Eh, do que de fato por um conhecimento científico, né? Então, hoje existe um debate muito grande sobre crianças trans. Eu tenho, eu conheço algumas crianças, né, que começaram a ter uma não identificação com o gênero de nascimento, né? E assim, eu não posso dizer que aquelas crianças foram ensinadas, né? Porque crianças de de 3, 4 anos reivindicando, né, serem bonitor e não bonitá, né, ou bonita e não bonitou, de querer ter, né, um cabelo mais comprido, né, de entender que as brincadeiras que gosta, né, no ambiente escolar são outras. Eu acho que isso a gente precisa começar a dialogar e entender um pouco melhor como esses processos eh tão se iniciando cada vez mais cedo, porque é isso que tá acontecendo, né? o processo de no passado não era possível nem conversar sobre isso, dialogar sobre isso. E eu lembro, né, de quando a gente falava de uma é uma atriz muito famosa que é a Roberta Close, que trazia justamente isso na história dela, que ela ficava em casa brincando com as bonecas, experimentando os sapatos, né, brincando com a maquiagem e que muitas vezes quando era pega, né, pelos familiares tinha ali eh muitas brigas, né, até mesmo castigo, né, eh, apanhava muito essas violências. E acho que hoje a gente entende que esses processos violentos, né, da agressão de uma criança, eles não são efetivos, né? Então, a gente tem inclusive a lei da palmada e quando a gente começa a dialogar e entender um pouco melhor, a gente consegue perceber que são outras camadas até mesmo que chega no gênero. Então eu acho que a gente precisa estudar um pouco mais sobre isso. A gente precisa, inclusive ouvir as crianças, tem um acompanhamento. Acho que cada uma das crianças hoje, né, que se identificaram, não se identificaram com o gênero de nascimento, né, querem reivindicar um outro gênero, precisa ter um acompanhamento de psicólogos, assistentes sociais, médicos, porque não dá pra gente falar que eh todos os casos são iguais. Então, cada caso ele é um caso eh diferente. E quando a gente tá falando da harmonioterapia, a gente também precisa entender isso, que é um processo de modificação do corpo, né? Quando a quando há uma transição, né, para se tornar um homem transmasculino, você tem a e utiliza a testosterona, ele vai mudar, vai ter queda de cabelo, crescimento de bárbara, de barba, eh mudança dos músculos, né? Eh, ou então quando você tá fazendo, né, a transição para se tornar eh uma mulher trans, você tem perda de de massa muscular, né, de força, fadiga. Então, não é uma simplesmente acordar e um desejo. você precisa ter um acompanhamento integral médico, né, endocrinologista, psicólogo, psiquiatra, ter ali um acompanhamento para saber se é esse processo mesmo que vai dar conta das dos anseios, né, vai dar conta eh das expectativas que estão sendo colocadas aí em cima desse processo também, porque é um processo muitas vezes, eh, que acaba gerando, né, mudanças que são irreversíveis e a pessoa precisa ter certeza certeza de que é esse processo que ela precisa ter, mas eu acho que tem uma determinação simplesmente que proíbe e não traz nenhuma regulamentação em cima disso. Olha, desde que, né, qualquer pessoa que vá fazer hormonioterapia, né, a transição, ela precisa ter passado por um ano de de psicólogo, precisa ser ter um laudo, né, de de um psicólogo, um acompanhamento, né, que vai ser fornecido ali, precisa ter essa garantia. Eu acho que só isso a gente cai numa proibição, né, que passa sobre a liberdade individual de cada uma das pessoas, né? Então, eh, o que eu tô querendo dizer com isso é que a gente precisa garantir que isso vai ser um processo que esteja de acordo, não só a nível de estado, né, então das federações, dos espaços federativos, mas também de que a pessoa se sinta segura e não violada, porque a gente não sabe quais são as consequências de alguém ser chamada por um nome que não gostava. A gente sabe como é receber um apelido na na infância de que a gente não gosta, que a gente não se sente confortável, mas a gente não sabe quais são as todas as camadas de alguém que não consegue utilizar o banheiro na escola, que não consegue se sentir confortável dentro das roupas que tá sendo oferecidas de uniforme, que não consegue muitas vezes encontrar o emprego porque não consegue se adequar, né, àquele espaço da maneira que tá no registro. Sim. E tem muita coisa para ser avançada. Você falou inclusive essa questão do banheiro. Eu tenho uma filhada adolescente que ela veio me perguntar sobre isso porque entrou o uma mulher trans, né, uma adolescente trans. E ela disse o seguinte: "Olha, por que que a trans poderia entrar no banheiro dela e a menina, né, na ela falou desse jeito e a menina que tem o nome social de menino não pode usar o banheiro masculino?" Eu na na minha eh digamos que até desconhecimento, falei assim para ela: "Olha, eu creio que é justamente para proteger até a menina que se reconhece como menino". Mas para não passar nenhum problema no banheiro dos meninos, porque a gente ainda não tá com a os adolescentes e eles não tão mesmo. Todo dia ela vem com uma pergunta diferente. Como que então a gente consegue diante dessas transformações, inclusive que você falou que a sociedade e a própria comunidade passa todos os dias para passar isso, por exemplo, numa escola, num lugar de vivência desses adolescentes e que adolescente a gente sabe que naturalmente já tem todas as questões da idade também passar por isso. Olha, eu acho que tem um um debate que do banheiro que ele passa muito por um processo estrutural do banheiro. Então, quando a gente tá falando, por exemplo, de banheiro que ele já é individual, então assim, o banheiro, eh, por exemplo, banheiro da nossa casa, né, que você tem ali, né, o vaso sanitário, o chuveiro, o, eh, a pia, né, ninguém tem dúvidas, né, espero que ninguém tenha dúvidas que esse banheiro ele pode ser sim eh unissex a gênero, né, porque ele é um banheiro de utilização individual, né, quando a gente tem banheiros eh maiores, mas que também são individuais. Então assim, o sanitário ele fica numa parte e a parte da pia ele fica no espaço coletivo público, né? Tem alguns espaços que são assim com espelho, tal. Então na hora que você sai do banheiro, né? Eh, todas as pessoas acabam se encontrando ali na frente desse espelho. Eu também não não vejo um problema, né, de quando a gente tem esse vaso sanitário de forma individual, né, ali separado e a a parte do do de lavar a mão, né, olhar no espelho de forma coletiva. Qual que é o maior problema que a gente tem? A gente tem hoje banheiros que eles são eh única e exclusivamente para a utilização, né, do mictório, tá? E aí a gente começa a ter problemas que é sobre essa essa parte estrutural do banheiro, né? Então assim, eh, escola geralmente é assim, né? É exatamente, não só escola, mas banheiros públicos, em terminais, né? E todas as questões. Quando a gente tem isso, a gente tem o que tem de relatos é que a gente tem ambientes que são de fatos violentos até mesmo para homens gay, né? De você ter um processo de bullying, né, nas escolas que passa pelo banheiro, que passa esse processo de violência, ele passa por esse ambiente do banheiro, que é muitas vezes o único ambiente que acaba não tendo, eh, câmeras, né, e que é para ser o espaço mais individualizado, né? Eh, então o espaço do banheiro ele não é simplesmente paraa gente ir lá e fazer nossas necessidades, é um espaço eh de uso coletivo e que muitas vezes é utilizado também como adolescente tirar foto no espelho do banheiro, por exemplo. Exatamente. Eh, e quando a gente tá falando dos processos sociais, né, da construção social de meninas e de meninos, a gente pode, eh, a gente consegue enxergar nitidamente diferenças que elas aparecem principalmente ali na adolescência. Então, assim, a gente vê meninos que acabam eh tendo um desenvolvimento de comportamentos mais eh agressivo entre eles mesmos, né? Assim, as as brincadeiras eh masculinas e as brincadeiras femininas, elas são na tendem, né? Não que seja uma regra, tem menos violência. Então, quando a gente tá falando de um banheiro, de uma escola, eh, é menos violência física, mas psicológica pode ser tão quanto, né? Não, nos dois estão no estão no mesmo lugar, no mesmo no mesmo no mesmo patamar. Então, a utilização do banheiro dentro desse contexto, né, que ele é um espaço, né, de socialização, um espaço de muitas vezes de de bullying, né, um espaço coletivo, né, que você vai lá tirar tirar foto, que você vai eh esperar a aula passar, né, muitas vezes, né, eh esse espaço muitas vezes ele acaba sendo muito muito violento para pessoas trans, né, homens e mulheres. Até me surpreende saber que que mulheres trans t a possibilidade de utilizar o banheiro comum, porque que a gente ouve muitas vezes é que há uma exclusão. O banheiro que as pessoas trans acabam utilizando é o banheiro dos professores, é o banheiro que fica mais afastado, é um banheiro que passa pela diretoria, né? Um dinheiro, um banheiro que acaba tendo uma seja seja acaba tendo sendo mais vigiado, né? Mas é mais protegido, mas também eh há uma exposição, porque todas as vezes que essa pessoa é uma proteção com exclusão, algo muito estranho, né? Exatamente. Então, o que a gente precisa começar a discutir na minha avaliação é como que a gente pode ter espaços individualizados para fazer as necessidades, então o vaso sanitário fechado, eh, sem essa divisão de mictório e vaso. Eh, e aí sim a gente ter espaços, né, de lavar a mão, do espelho, que sejam mais coletivos. Aí eu acho que a gente consegue ter uma discussão sobre banheiros eh unissex, banheiro eh que consigam contemplar pessoas trans de uma maneira mais fluida. Mas enquanto aí a gente ainda pensar no banheiro como sendo um espaço dividido pela eh genitalia, eu posso dizer assim, né? Eh mictório e vaso sanitário, a gente tem muita dificuldade de avançar com relação a essa pauta. Não sei se eu respondi sua pergunta, mas eu acho que a gente precisa pensar estruturalmente no banheiro, né? e não simplesmente pegar o banheiro que a gente tem hoje e começar a utilizar, porque aí a gente pode inclusive fomentar algumas violências. Sim. Falando nessa questão, a gente teve um recente avanço, inclusive você usou a tribuna para falar sobre isso, você e outras parlamentares, que foi a aprovação de cotas para pessoas trans aqui na nossa universidade que de Campinas, a Unicamp, né? E claro que vai, tem toda uma regra, tem toda uma questão. E esse tema ainda é bem polêmico. Eu queria que você falasse dessa luta da comunidade de trâns, você que participou inclusive dessa luta e essa foi uma discussão também trazida aqui à Câmara Municipal, conta para nós o porquê, primeiro, que as pessoas às vezes não entendem, o por é preciso também termos cotas trans nas faculdades públicas. a gente precisa entender todo o contexto histórico social, né, que fez esse debate chegar na Unicamp. Então, a população trans hoje, infelizmente no Brasil, ela tem uma expectativa de vida de 30 anos de idade, né? Quando a gente tá falando de pessoas transgras, isso cai para 28 anos, né? Então, há um processo, né? quando a gente vai buscar no mercado de trabalho que o único destino muitas vezes acaba sendo a prostituição justamente por conta de um problema inicial que é a escolaridade, né? Então, eh, o debate do banheiro parece tão muitas vezes ele é muito simbólico, porque ele demonstra um processo de exclusão, né? Um processo de dificuldade de acesso ao básico. A gente tá falando de de se eu não posso nem ir no banheiro da escola que eu estudo, eu não vou na escola. Exatamente. Se eu não posso utilizar o meu nome com que eu gosto de ser chamado, por que que eu vou na escola, né? Por que que eu vou estar naquele ambiente que diariamente eu tenho que enfrentar uma violência que não tem como os outros responderem por mim e nem me protegerem daquilo? Então, muitas pessoas trans acabam, né, quando acabam sendo, a gente a gente chama de uma expulsão, né, elas são expulsas à escola ainda no ensino fundamental, porque as transições começam ali, né, a puberdade começa ali nesse nesse momento e quando começa as descobertas. Tem algumas crianças hoje que descobram até antes, né? Como eu eu conheço uma criança de 3, 4 anos que ela já falava que ela queria ser bonito igual ao irmão dela e não bonita igual a irmão dela. Então ela tinha uma dificuldade de fala, mas ela entendia que existia uma diferença nessa nesse final das palavras, né? Então com 3 4 anos de idade e quando você começa a a crescer, né? Eh, infelizmente o bullying ele acontece e muitas vezes essa violência ela também propagada pelo corpo da escola, né? Então as pessoas são expulsas, elas não não vão à escola, não concluem muita muitas vezes nem o ensino fundamental em casa, né? Eh, muitas famílias também fazem esse mesmo processo, né? A gente viu na internet diversas tentativas de cura gay, né? processo de exclusão, processo de violência, processo de de tentar ali como adolescente trancar em casa, achar que isso que resolveria o problema, né, quando a gente tá falando da permanência em casa, porque muitas vezes eles são expulsos de casa. E aí a busca pela para ter uma renda, o destino é a prostituição. E a chegada na universidade muitas vezes ela vira o nem segundo plano, o décimo plano, né? Se acontecer na minha vida às vezes impensável. É impensável. Muitas vezes é impensável. Então, a Unicamp, né, que tem hoje o núcleo de consciência trans, né, que foi ali trazido por pessoas que que ocuparam, né, a moradia, né, como Transmoras, que é um atelier que acolhia pessoas trans, né, em situação de vulnerabilidade, ensinavam a profissão, né, de costura, né, e tinha a possibilidade, inclusive de a partir disso saírem suas das suas situações de vulnerabilidade. Mas entendia que esse não poderia ser o fim. O fim de uma mulher transem trans não pode ser alocado simplesmente na área de serviço. Não pode ser como cabeleireira, maquiadora, eh estilista. São os estereótipos, né? Exatamente. Então, para tentar fugir desses estereótipos, a Unicamp ela discutiu e aprovou sim cotas trans. E a gente tá falando de pessoas que estão em situação de vulnerabilidade. Então, a gente não tá falando simplesmente daquela população eh da população T. que tem acompanhamento da família desde criança, que é aceito, que é acolhido, que consegue ir paraa escola, que consegue se formar, que consegue fazer eh passar, né, muitas vezes eh no no vestibular que tem acesso, né, ali. Muitas vezes a gente tá falando daquela da população T que ela é vulnerabilizada, que ela é invisibilizada, que muitas vezes ela não consegue terminar, né, o ensino, que não consegue pensar nisso, né? E aí o que a Unicamp está fazendo, inclusive é estimulando que a gente tenha uma mudança social, né? E para cursos com até 30 vagas seria destinada uma vaga e para cursos com mais vagas até duas vagas. todos os cursos da universidade, todos os cursos da universidade para que a gente tenha uma mudança e produção também acadêmica, para que a gente essas discussões que muitas vezes a gente tem até dificuldade de avançar, que elas comecem a ser discutidas a partir da universidade por pessoas trans para que a gente possa ter até pensamento de produção legislativa mais adequado, uma educação mais inclusiva, né? Então, acho que é fundamental a gente ter essa mudança, assim como foi as cotas étnico-raciais, para que a gente começa a ter mais produção acadêmica que discutam temáticas que hoje a gente não consegue dar conta na política pública. E a nossa cidade de Campinas, a gente sabe que inclusive você tem algumas, né, algumas ações, emendas impositivas e tudo mais. A gente tem o Centro de Referência LGBT. como como hoje na sua visão, funcionam os serviços existentes na cidade e o que que a gente precisa avançar. Hoje a gente tem o CR LGBT, que ele é o mais antigo do Brasil, né, um projeto piloto. Eh, a gente sempre que a gente pode, é solicitado, a gente tá presente, a gente manda emenda também para que a gente possa estruturar um serviço de atendimento à comunidade LGBT. O que que ele faz pra gente? É um CRAS da comunidade LGBT ou não é isso? Ele é um CRUS à comunidade LGBT. Eu acho que uma uma ótima definição. Eh, mas ele tem um caráter também informativo. Então, ele tem ali cursinhos, né? A gente tem atividades, eh, mais direcionadas pra comunidade. A preparação da conferência foi no centro de referência. Ele também muitas vezes é um espaço de acolhimento de denúncias, né, para pessoas que têm ali seus direitos violados. é para pra gente ter eh psicóloga, assistente social, né, advogado e também um processo de atualização de documentos, né? Muitas pessoas trans hoje acabam eh tem o nome social, mas isso não tá documentado, né? Então, muitas vezes é necessário fazer essa essa documentação e até mesmo pessoas LGBT do modo geral que acabam indo pra situação de rua, né, chegam lá, né, e também consegue ter uma estruturação. É um Craso a comunidade de LGBT que precisa ser muito fortalecido ainda, porque eu acho que tem um ponto central sobre tudo isso, que o centro de referência ele só consegue atender as pessoas que chegam até lá. Então, se chegarem 100 pessoas lá, ele vai atender 100 pessoas, mas a gente não consegue ter dados de qual que é a totalidade da população LGBT do município de não conseguiu ir pra rua. Então, por exemplo, fazer essa, por exemplo, a gente não sabe hoje da comunidade quando a gente pensa, né, por exemplo, você citou da população em situação de rua, quanto dessa população é LGBT? Exatamente. Só se essa pessoa for, se forem 10, 10. Se for uma, a gente pensa que só tem uma. É mais ou menos nesse nível. É mais ou menos isso. Eles não conseguem fazer busca ativa, até porque os cadastros hoje, né, tanto a nível federal, IBGE, eles não perguntam se a pessoa ela é LGBT. Então, tudo que a gente tem são pesquisas eh abre aspas, né, informais. O consultório de rua que faz, por exemplo, esse serviço paraa população, ela não passa, por exemplo, olha, dos meus atendimentos que eu fiz aqui, 10 por dia, dois é da comunidade LGBT. Não existe essa essa comunidade. Isso existe, mas na informalidade. A gente não tem, por exemplo, um cadastro que pergunta pra pessoa se ela faz parte da comunidade LGBT, né? Então a gente a gente acha que falta essa pergunta, essa atualização, né? Muitas vezes o atendimento, inclusive no censo, como você mencionou, exatamente no IBGE, o dado que a gente tem hoje a nível de Brasil é que a gente tem cerca de 3 milhões de LGBTs no Brasil, a nível de Brasil, né? Então isso dificulta muito para que a gente consiga subnotificado isso, muito subnotificado, porque só a parada de São Paulo tinha 5 milhões de pessoas, então todo mundo se encontrou ali e 2 milhões é onde do mais, né, que tá fora da comunidade em tese. É, mas há uma subnotificação muito grande e do da população LGBT e isso dificulta na produção de políticas públicas, porque a gente não consegue trazer a demanda real de quantas pessoas no município de Campinas necessitam de hormônioterapia, porque muitas vezes elas vão para São Paulo buscar atendimento, vão dentro da Unicamp buscar atendimento, né? E o que chega no ambulatório transcender, né, que é um outro equipamento importantíssimo do município, a gente tem notificação, mas a pessoa precisou chegar até lá. Mas como por exemplo no caso, ela chegou até lá através de uma OBS da Unidade Básica de Saúde ou às vezes é através da própria comunidade, né, de alguém que tá ali fazendo eh uma harmonização sem ter acompanhamento. Alguém chegou, né, ou foi no centro de referência ou foi em algum outro equipamento e aí acabou fazendo esse encaminhamento. Mas isso só acontece quando a pessoa já tá nessa busca intensa para por esse serviço, né? E o ambulatório de transcender, ele fica localizado no CES Santos do Mon, né, que é próximo à região do Itatinga, por entender que ali existia uma demanda eh que passa por outras questões, até por conta do do espaço do Itatinga, que é o maior prostíbulo aceu aberto da América Latina, que infelizmente acaba sendo destino de muitos da população T. Existe alguma pesquisa em relação a específica lá ao o Itinga de, por exemplo, quanto da daquelas pessoas que trabalham ali, quanto delas é da população LGBT ou não? Não existe isso no no ambulatório transcender, eles conseguem ter um dado, eles geralmente vão a campo, né, fazem pesquisa, mas existe uma alta rotatividade. Então, muitas vezes, a as os profissionais que estão ali eh ficam ali por 6 meses, 3 meses, e aí você tem uma variação muito grande sobre isso, onde a gente consegue ter um dado um pouco mais eh sobre isso, né? É no próprio eh CS CS Santos do Mon, né? ambulatório transcender. E um outro local que a gente consegue ter um dado um pouco mais eh aprimorado, mas também que é enviazado, é o centro de referência de IST AIDS. Mas aí a gente vai saber também as pessoas que chegam até lá, ou para fazer, realizar, realizar testagem, que muitas vezes são profissionais do sexo, ou então, né, e parte da comunidade que acaba se expondo, né, tendo risco, ou então quem já faz eh a busca pelo medicamento, né, eh que fazem acompanhamentos já há bastante tempo, mas é só a população novamente que chega até lá. O que falta na cidade de Campinas hoje é uma busca ativa para saber, né, o que que a gente poderia fazer mais pela nossa comunidade, tá? A gente já tem algumas leis municipais que tratam, por exemplo, do dia do orgulho gay, a questão da também da parada. Tem vários projetos, inclusive de autoria da vereadora Paola Miguel, que trata justamente de questões que instituem no calendário oficial do município, eh, datas que seriam importantes, né, para que a cidade tivesse. E além disso também tem algumas outras questões. Eu vou falar uma delas. Eu vi aqui que inclusive o projeto é o 51 de 2025, mas eu lembro que eu já entrevistei você sobre esse projeto. O que que aconteceu com o projeto anterior que você protocolou um novo? Eh, o T cidadania, né, um projeto que a gente protocolou, se eu não me engano, em 2021. Eh, a gente trabalhou muito na casa para que ele fosse aprovado, né, na comissão de constiução e legalidade, né, que chegasse ao plenário. é um projeto de empregabilidade, a população ter justamente por entender que elevação de escolaridade e empregabilidade, né? Eh, foi um projeto que foi derrotado no plenário, né? Muitos parlamentares eh votaram contrário por questões ideológicas, né? Não acreditarem que a comunidade T uma situação de vulnerabilidade e muitas vezes nem acredita que a comunidade T merece eh respeito ou que ela deveria existir, né? Então a gente apresentou novamente, porque essa é uma luta nossa cidade de Campinas, por ter aeroportos, ter diversas rodovias, muitas pessoas passam por aqui. se a gente consegue ter um programa de empregabilidade, né, um programa de elevação de escolaridade, isso pode se estender para outras áreas também, né, para que a gente possa cada vez mais fortalecer o nosso município e fortalecer a comunidade T, como aconteceu em São Paulo, né, que foi um programa de empregabilidade que revolucionou a vida de muitas eh mulheres trans, principalmente. Então, esse programa existe na capital paulista e lá deu certo. Exatamente. Ele existe na na capital paulista. ele vem sendo eh cada vez mais descontinuado, né? Mas ele é um programa que deu certo, que conseguiu ali tirar muitas vezes pessoas eh mulheres da prostituição, tirar da marginalidade das ruas, né? E conseguiu fazer com que com esse processo de elevação de escolaridade, né, e também de empregabilidade chegasse até o mercado de trabalho, conseguisse pagar um aluguel, conseguisse se reorganizar. Então, eu acho que o que a gente precisa é pensar a partir disso, como que a gente pode ajudar uma pessoa, né, eh, nesse caso específico da comunidade de transravestis a se reorganizarem e começarem a fornecer pra cidade de Campinas o que elas têm de melhor, seja na área de serviço, seja na área eh do emprego, seja na área na educação, seja na área da assistência. E aqui a gente tem casos eh de pessoas que já fazem esse trabalho, como é a Suzi Santos, que tem a casa sem preconceito, que acaba acolhendo muitas mulheres, principalmente que tm em situação de vulnerabilidade, né, em situação de rua e consegue hoje eh fortalecer para que ela saia da situação de vulnerabilidade e consiga ter o seu próprio espaço, sua própria renda, né, e fornecer o seu serviço, o seu trabalho pra cidade de Campinas. Quando a gente fala educação e empregabilidade, você também pensa na questão da saúde integral da comunidade LGBTQI, APN+. Eh, o que que seria essa essa política municipal, esse olhar da saúde pública? Se a gente for pensar, por exemplo, na saúde das mulheres lésbicas, muitas delas relatam dificuldade muito grande ao utilizarem o ginecologista pela falta de formação do médico, né? Então, eh, isso gera muitas vezes um processo de constrangimento, algumas orientações que acabam e não cabendo, não se encaixando, né, de ao invés de você encontrar um profissional que você possa conversar, discutir, né, e trazer uma avaliação mais assertiva para aqueles problemas que você tá passando, você muitas vezes acaba tendo um problema de entendimento, principalmente com relação eh a ginecologista. A gente precisa discutir também, né, quando a gente fala da comunidade eh gay, de tentar pensar, né, para além do das ISTs, HIV, Aides, outras patologias, porque homens gays relatam que eles chegam no médico eh tão numa conversa eh normal, né, perguntando o que tá acontecendo. E quando perguntam, né, se você a resposta é afirmativa, a primeira resposta é: "Ah, então faça o teste de HV Aides." E todos outros patologias, doenças que podem atingir são ignoradas. Então eu acho que isso eh demonstra muitas vezes uma falta de preparo dos profissionais, né? Então, nosso projeto, a ideia é que a gente possa discutir essas especificidades, né? Se a gente for pra comunidade T, a gente precisa ter um debate de ter proctologista, para mulheres trans, de ginecologista, para para homens transmasculinos. Mas na sua visão, a medicina hoje, a escola de medicina, as faculdades, elas estão preparando esses profissionais? Não. Hoje elas não estão preparando esses profissionais. E quando eles chegam na rede, né, pública municipal, eles chegam cru ou então já com um preconceito. Então cabe a nós também, né, dentro da perspectiva do legislativo, propor formações para desmistificar algumas coisas, para que a gente possa ter um ter alguns debates de forma mais aprofundada para acolher de fato a população em modo geral. tem um debate que passa muito sobre a questão eh do silicone, né? Então, de como isso ao longo dos anos, você precisa ter um olhar, inclusive mais aprimorado desses médicos para entender se você precisa fazer a substituição da prótese aquilo que tá causando uma doença, né, ou alguma enfermidade, né, pra gente poder também discutir sobre isso. Mas enquanto a gente não tiver profissionais formados, né, que saibam que isso pode acontecer, a gente vai ter muito difícil, muita dificuldade da inclusão da comunidade de LGBTQ PN+ como um todo, principalmente na rede da saúde, tá? Uma das suas propostas também, Paola, ela reconhece a cultura Balrum como de interesse cultural, social e turístico. Primeiro explica para nós o que é essa cultura e por você acredita que Campinas precisa também ter uma legislação a esse respeito. A cultura Burro, ela surgiu, ela surge nos Estados Unidos, né, através de, principalmente de mulheres negras, eh, de de mulheres transnegras. E ela retrata, né, eh, ela é uma uma que que consiste, né, em dança, eh, com desfiles. Eh, e a dança ela é baseada no vog, né? Então, nas pouses, tem uma série inclusive pous que ela retrata muito bem o que seriam isso, essas essas batalhas, esses desafios. Então, e é mais ou menos aquele não tem, não é nome festival que sempre acontece ali na padrancheta, é naquele modelo ou não? no do Monteiro. Ele Sim, eh, ele ele passa por isso, mas tem uma dança que seriam batalhas entre as casas, né, que surgiu, né, a ideia inicial, né, a cultura Borroom, ela surge a partir justamente dessa junção, né, tem as as mothers, as mães, né, que eram essas mulheres mais velhas que tinham sido expulsas de casa, mas que conseguiram se estruturar e aí elas criaram uma casa de acolhimento, como é a casa sem preconceito aqui. Os Estados Unidos naquela época tinham várias e aí tinha uma data que elas se reuniam e disputava qual casa tinha as melhores roupas, as melhores danças, né? Disputavam prêmios, né? Para conseguir inclusive fortalecer através da arte, da cultura. E isso chegou em Campinas e tá voltando inclusive a as casas, né? Então tem a gente tem algumas casas. Queria inclusive saudar a casa da Babilônia aqui, que faz justamente esse mesmo, esse mesmo trajeto, uma casa de acolhimento, de reestruturação e que hoje vão, né, para pros eventos, pras atividades, para mostrar a cultura Bun Burro uma uma tentativa de resgate. Então, a gente vê a cidade de Campinas resgatando muito dessa história negra, transizar a cultura. daquelas que muitas vezes são invisibilizadas, esquecidas e que não tem oportunidade e que t ressurgido e trazido inclusive muitos muitos turistas pra cidade de Campinas para poder observar e também estão importando muito os nossos artistas. Nós temos apenas 5 minutos para terminar o nosso podcast na Casa do Povo. Passou super rápido, né? Rápido. Para 2025, Paolo, o que que você acha que dá para fazer politicamente na nossa cidade? para que a gente consiga avançar ainda neste ano. Eu acho que são duas coisas. Primeiro, levantamento total de dados. É fundamental que a gente tenha a atualização dos processos de cadastro pra gente saber quem quem faz parte da comunidade LGBT aqui no nosso município, quem faz parte eh da comunidade e necessita de um serviço, né? Eu acho que esse seria o primeiro passo no CRAS, quando é fazer o cadastro, perguntar pra pessoa se ela tem, né, e se ela faz parte da comunidade LGBT e pensar, né, e como que a gente pode, né, fortalecer através da assistência, da saúde, da educação, mas também do lazer, da cultura, da segurança pública, né, de serviços públicos, né? Então, como que a gente pode cada vez mais criar ambientes, espaços acolhedores e não ter medo de debater. Então, eu acho que coisa fundamental que a gente precisa é ter os dados e não ter medo nem vergonha de falar sobre isso, de ouvir a população e de entender como que a gente pode cada vez mais criar uma sociedade, uma cidade que seja diversa. Olha, bastante coisa para fazer. E aqui na Câmara, desses projetos que nós mencionamos, você vai pedir urgência em algum? Como que tá a sua questão de eh conversar com seus pares para tentar que dessa vez alguns deles consigam ser aprovados e até os novos que você apresentou e nunca tinha tido antes aí essa iniciativa? Sem dúvida nenhuma, a gente tá fazendo um diálogo, inclusive fortalecendo até mesmo com outros parlamentares que entende que a pauta é importante pra gente tentar a aprovação. Um deles é sobre tornar a parada, né, como sendo um patrimônio eh cultural imaterial, com poder social, econômico, turístico pro nosso município. a gente quer tentar votar esse projeto eh ainda no primeiro semestre, né, trazer para pr pra Câmara para ser discutido. A parada geralmente é que dia? Eh, geralmente é em junho. Não, não vou conseguir precisar o dia agora porque tem muitas paradas, temos a parada de São Paulo, de Campinas, o Padrincheta, né? Então, e tentar discutir isso com os pares de como um todo, né? passar pela Comissão de Constituição e Legalidade, conseguir aprovação, eh, e somar força com outros outros vereadores. E o da saúde, LGBT, a gente vai ter conferência, então a gente tá esperando para poder atualizar junto à conferência para depois a gente também pedir o requerimento de urgência pra gente poder trazer pra Câmara e ver se a gente consegue a aprovação eh desse projeto, tá certo? Então, Paola Miguel, muito obrigada e já fica um convite para próximo semestre para você vir aqui trazer novidades, falar um pouquinho de outras pautas também, a vereadora que também versa sobre a questão dos direitos humanos, falando da questão étnica, racial e muito mais que a gente fica para um próximo programa. Pode ser, pode ser, sem dúvida nenhuma. Me convido sempre que vocês quiserem, puderem. Tô aqui à disposição. A Casa do Povo é onde a gente tem espaço de debater, conversar, dialogar, pensar e propor paraa cidade de Campinas, tá certo? Então, olha, o nosso podcast na Casa do Povo fica por aqui. Até uma próxima. Lembrando que você pode acessar a playlist no youtube.com/tvcâmaracampinas e acompanhar todos os nossos bate-papos aqui com vereadores e vereadoras da Câmara Municipal. Até a próxima. เฮ [Música] [Música]
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