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[Música] Olá, mais um podcast na Casa do Povo no ar, o nosso bate-papo semanal aqui. Cada vez a gente traz um vereador, uma vereadora falando da sua história, falando da política. E nesta terceira temporada de 2025 com os vereadores, já que tem uma experiência na casa, a gente recebe hoje a vereadora Guida Calisto, que vai falar um pouquinho pra gente sobre educação. A gente lembra que os vereadores mais experientes que já falaram da sua vida pessoal, da sua trajetória política, agora eles falam sobre temas e o tema da vereadora não podia ser o primeiro diferente, né? Ela que é servidora pública e atuou desde 1997 como monitora da educação infantil, fala hoje das questões educacionais do Brasil e especialmente aqui da nossa cidade. Eu vou fazer já minha áudio e autodescrição e na sequência a vereadora faz também, tá bom? Eu sou Mirna Abreu, sou mulher negra de pele clara, tenho os cabelos cacheados na altura dos ombros com bastante mechas loiras. Hoje eu estou com uma blusa que ela tem um mesclado de vermelho, preto e branco com umas flores e folhas. Ao meu fundo nós temos aqui o estúdio na Casa do Povo. Olha, ele é todo em preto, como a TV azul. A TV não, a tela da TV em azul e branco aqui escrito na Casa do Povo. Guida, seja bem-vinda novamente. Eu já convido também a fazer a sua auto e audiodescrição. Olá, Mirna. E olá também a todos que nos acompanham nesse podcast. Eu sou Guida Calço, sou uma mulher de 54 anos, mulher negra, de pele parda. Estou com um cabelo preso, né, feito um rabo de cavalo para cima. Estou com uma blusa é vermelha meio terracota e ao meu fundo tem uma uma parede preta, tá certo? Então, Guida, eu já vou começar falando de uns dados eh do país que foram publicados na última, no início do mês de abril, no dia 9, né, que são dados do censo escolar de 2024, que foram apresentados pelo INEP, que mostra que nós temos 47.1 milhões de estudantes, crianças e adolescentes nos ensinos infantil, fundamental e médio do Brasil, que é um recu de%. ainda nós não sabemos o que levou, né, a essa redução, mas a gente tem aqui, olha, a gente tem que em relação a 2023, nós tínhamos 47.3 milhões de alunos nessas modalidades de ensino. Antes da pandemia, em 2019, nós tínhamos 47. milhões de crianças e adolescentes matriculados em escolas públicas e privadas do país. E se a gente fizer um comparativo, inclusive com o ano de 2010, né, naquele período nós tínhamos 51 milhões e meio de pessoas no ensino básico no nosso país. Para fazermos o recorte para a educação infantil, nós temos 9.491,894 491 e 894 crianças no ensino infantil do nosso país. E olha o que a gente pode pensar, né, que a gente tem, claro, aqui também mostra a questão de cada vez mais pessoas no ensino eh particular e tem uma série de dados aqui por estado. O que a gente percebe, por exemplo, é que no estado de São Paulo também tem um número aí crescente de crianças na rede pública e na rede estadual, inclusive fazendo esse movimento contrário. Tivemos o aumento do número de professores. Mas diante de tudo isso, eu queria que você falasse um pouquinho, né? Inclusive essa, de acordo com o INEP, nós tivemos aí eh uma criança uma alta de 1.6 de crianças em creches, né? São 4.187691 crianças nas instituições públicas. Diante de tantos números hoje, quando você pauta pela educação, inclusive a gente lembra que você foi a presidente da comissão de educação, hoje é presidente de uma comissão especial de estudos e terá sempre esses temas aqui. Qual é sua maior preocupação quando a gente fala da educação infantil? Bom, esses dados são dados importantes e dados que nos levam a refletir de fato o que está acontecendo, né? Por exemplo, antes da pandemia, a gente tinha um número muito maior de crianças matriculadas. Eh, e por que que hoje não está? A gente precisa verificar esses dados e poder fazer uma relação com outras informações, tanto do ponto de vista eh do número de nascimento de de criança, se se isso diminuiu, né? Eh, teve também nesse último período, agora meio que a gente não escuta mais, mas teve no último período até 2022, nós tínhamos um movimento muito forte. Eu falo 22 porque foi quando mudou o governo, né? Sim. O governo federal. Nós tínhamos um movimento muito forte daquele movimento homeschooling, que é um movimento em que eh pautava que as crianças não precisavam ir à escola, eles podiam e eh passar pelo processo de ensino e aprendizagem dentro de casa. Tinha esse movimento também. E ainda a gente sabe que ainda tem, a gente não sabe até que ponto isso está articulado, é a proporção do quanto isso está articulado ou não. Mas são dados eh bastante preocupantes. São dados sim bastante preocupantes, porque veja, a educação infantil de zero a 3 anos, ela ainda não é obrigatória. Nós entendemos, assim como a a LDB e a e a Constituição, né, entende que a educação infantil é uma etapa especializada da educação básica. é uma etapa que muita gente e e eu tenho uma reclamação, eu individualmente tenho uma reclamação eh bem minha mesmo com relação a aos profissionais muitas vezes da academia, né, que olha para a educação infantil de uma forma eh pejorativa, né, achando que a educação infantil é apenas para atender a pauta das mulheres e da mulher trabalhadora. Eu como se tivesse uma importância menor. É isso. Sim. como se ali e e principalmente desqualificando o objeto principal da educação infantil, que é o brincar, né? O objeto de ensino, aprendizagem principal da educação infantil é o brincar. É a partir do brincar que ela aprende as relações dela com a a o o amigo, dela com o adulto, enfim, dela com o coletivo, né? eh, brincando. O brincar ele é um um um elemento tão central e tão importante, porque ela faz parte de todo aquele processo lúdico. A a criança ela se apropria, né, desse processo de aprendizagem. Então, é extremamente importante para nós, mas tem muita gente que olha para isso como se fosse algo menor, né? Como se fosse assim: "Ah, vai lá pra escolinha brincar, né? Eu eu eu não gosto até muito que fale escola não, porque eu gosto, eu sou daquelas que defende a infância, defende o direito à infância, né? Que os nossos alunos, principalmente os filhos da classe trabalhadora, da população mais pobre, nem direito à infância tem muitos. a gente vê o número aí, principalmente do trabalho infantil, né, em vários municípios, nos municípios também mais afastados, até nos municípios, né, eh, metrópole, como é Campinas, a gente vê também a presença do trabalho infantil. Isso é um processo de uma infância roubada das nossas crianças. É, até porque a Constituição diz que a criança deve ser prioridade absoluta, né? Exatamente. Então não se olha muitas vezes. Então quando vai olhar pra educação infantil, eles olham eh como se fosse um serviço muitas vezes somente para garantir que a mulher trabalhadora eh possa ter um lugar para deixar seus filhos. Isso é extremamente importante. Não estou retirando a importância disso, mas eu entendo que a educação infantil é uma etapa especializada da educação básica, né? Não é visto como um bem maior para criança, mas uma proteção para que essa mãe possa, para as famílias que precisam, entendeu? E não como se fosse um direito dela, porque independente se a mãe trabalha ou não, ela tem que ser vista dessa forma como direito. E aí é a grande é o grande elemento que a gente coloca que comprova que obrigatório é só a partir dos 3 anos de idade. De zero a 3 anos não é obrigatório. Sim, né? Então, eh, isso e por aí você já vê, né, o quanto se tem esse olhar, né, de não priorizar a educação infantil e não dar o devido mérito a essa a essa importante etapa da educação. Então, por aí a gente já vê. A outra questão, Mna, que a gente vê também é o seguinte, na educação, né, na nos espaços educacionais, na universidade, na academia, eh, eu e eu sempre brinco dos meus 27 anos de monitora, não tem formação acadêmica que dê conta da capacitação de profissionais de zero a 3 anos, como é o nosso caso das monitoras e hoje em Campinas agentes de educação infantil. Não tem, porque não tem formação assim, não tem eles eh a universidade ainda não conseguiu se apropriar, né, eh de uma formação, de uma capacitação para essas profissionais. Como que a gente se capacita? A gente se capacita atuando diretamente no dia a dia. E aí é muito engraçado, né? Porque todo ano das nossas eh quando a gente inicia o o ano letivo, na escola sempre chega uma profissional ou às vezes a diretora, vice-diretora ou ou mesmo as professoras elas falam assim: "Ah, eu nunca trabalhei com essa faixa etária, vocês têm paciência comigo? Vocês me ensinam?" É óbvio que a gente vai ter paciência, é óbvio que a gente vai ensinar, mas isso é é para demonstrar muitas que muitas vezes ela sai da academia, ela sai de uma faculdade, não tem condição, então elas não sabem lidar. Eu lembro que quando eu fui participar do concurso para ser monitora, tinham questões ali que eram questões assim, né, questões específicas, eh, muito, eh, diretamente ligada com a atuação minha de monitora ou do cargo da monitora. Aquele concurso foi feito e realizado com a participação das monitoras que já atuavam nas creches. Hoje as os concursos não são feito por profissionais que lidam diretamente. Então eles nunca conseguem detectar, né, se de fato aquela profissional está capacitada ou não. Isso não tem, né, assim, isso não tem grandes problemas, porque no dia a dia tem curso de monitor de, né, de agente, não tem, por exemplo, a gente não a gente não, muita gente não sabe que quando a gente olha o resto de uma de uma comida que uma criança deixa no prato, a gente dali a gente consegue já detectar se essa criança tem ou não verme, tem ou não alguma alguma doença, a gente consegue detectar a partir dali. Sim. Mas como é a experiência que traz isso? Como que essa questão de É, pois é, eu sempre eu trabalhava quando eu cheguei na creche, eu trabalhava tinha algumas profissionais antes de mim, né? Muita gente antes de mim veio antes de mim. Ah, veio antes de mim. E aí eu, quando eu cheguei uma vez eu eu tava lá, né, dando comida pr as crianças assim e teve um dia à tarde que tava um frio, eu lembro até hoje, tava um frio e era sopa de fubá. Aí as crianças comiam aquela sopa, tá? uma sopa muito gostosa. Tinha carne, tinha couve, sabe? Muito gostosa a sopa. E tinha alguns pratos que aquela sopa ficava muito aguada. Aí eu falei assim: "Nossa, engraçado, né? Por que que essa sopa fica aguada?" Aquela do, né, do outro coleguinha não fica? Aí a tia Cida, né? Tia Cida, uma monitora, ela me ensinou, falou assim: "Essa criança provavelmente tá com alguma com alguma verminose, com algum verme, alguma coisa". Falei: "Será?" Aí ela falou: "Com certeza". E aí a gente avisou a mãe, a mãe levou ao médico, fez os exames e constatou. Então, quer dizer, e eu aprendi isso com ela, né? E aí a gente vai aprendendo, a gente vai no dia a dia nos capacitando para lidar com crianças e bebês tão pequenos. Sim. Porque não é comum, por exemplo, hoje a gente vê, tem toda uma, tinha, né, na minha época, quando eu era menor que criança da minha mãe, enfim, tinha toda uma orientação, né, de sempre amarrar criança, de sempre limitar criança para poder garantir a segurança, que ela não caísse, que ela não se acidentasse. Hoje a orientação é completamente diferente. A orientação é que tira tudo osa machucar, não, não é só que possa machucar, mas que possa impedir que ele explore esse espaço, porque cada vez que você deixa uma criança, um bebê restrito, você vai impedir o desenvolvimento dele. Então, por exemplo, não é normal, entra no agrupamento um e não consegue fazer coisas assim mínimas, eh, forçar, eh, né, conseguir levantar a cabecinha. É isso pra gente é sinal de que ela tá desenvolvendo isso tudo. A gente consegue no dia a dia detectar, olha, já tá tanto tempo, ele não consegue erguer a cabeça, ele não vira, ele não. Engraçado também uma outra experiência desses 27 anos de atuação enquanto monitora na educação infantil, por exemplo. Eh, a gente consegue muitas vezes detectar alunos logo de na educação infantil se podem vir ou ser ou não autistas, crianças que têm TDH, né? E muitas vezes nós somos, eh, tipo, eu não vou dizer negligenciadas, mas a gente é desqualificada, né? Fala: "Ah, não, vocês estão com coisa na cabeça." Mas geralmente, mas aí o que é a indicação? Fala com a coordenadora pedagógica, fala com a família, como que é isso? Sim. Não, a gente primeiro fala na equipe, né? Jamais a gente vai falar isso de primeira mão com a família. A gente pode até sondar e perguntar: "Olha, como é que é o fulano em casa? Ele dorme muito, ele come, hoje ele não dormiu". E é uma coisa assim que a gente consegue detectar muito fácil. Olha, todos os dias ele tem um determinado comportamento, tal, ele não tem. Ou então a gente, por exemplo, eu via uma criança minha que ela andava muito na ponta do pé e aquilo ali me incomodava, né? Por que que ele anda na ponta do pé? Anda na ponta do pé. E aí a gente começou a investigar e a gente veio descobrir depois futuramente que era que poderia ser eh um dos sintomas de quem tem autismo, inclusive. Sim. que é praticamente, a gente sabe que tem toda aí uma luta em relação ao autismo, mas é praticamente algo novo na educação, né? Sim. eh algo novo do ponto de vista da porque assim eh o as pessoas PCDs, né, pessoas com deficiência e os e os autistas fizeram muita luta, né, a nível nacional, inclusive, para poder ter direito a aos para poder ter direito ao acesso às políticas públicas, enfim. E e nisso eles conseguiram garantir direitos extremamente importantes. Então, a pauta da inclusão da pessoa com deficiência nos espaços de educação, de saúde, veio a partir dessa luta, né? Hoje no município, a gente consegue ver que o município está bem mais preparado para atender do que o estado, embora o município também tenha muita dificuldade de garantir atendimento, porque existe correntes de pensamentos. Por exemplo, tem professores da educação especial, como a gente chama os professores de pessoas com deficiência, tem professores da educação especial que são eh um pouco resistente a ter pessoas cuidadores, enfim, né? E tem outra linha que entende que não. De qualquer forma, nós precisamos garantir que o espaço da educação, que o espaço da saúde e as demais políticas públicas dê conta de garantir de fato a pauta da inclusão. E é uma coisa que muitas vezes a gente não consegue eh ver de forma efetiva. Tem alunos que tem te autistas, que eles têm crises, crises severas e a escola muitas vezes tem dificuldade de entender e de ler isso. e até fazendo uma relação com uma com uma série que tá passando agora nessas plataformas de de filme, eh falando sobre não tem não é muito o assunto, mas eh falando sobre o o incé, sobre o ah que é o sobre os adolescentes, né? É. E ali naquele filme ficou bem assim, teve uma uma um momento do filme que o policial tava fazendo uma investigação e o e o policial tava fazendo uma investigação totalmente, né, pelo caminho equivocado, né, é o filho dele que fala: "Olha, você tá errado, não é por esse caminho". E aí quando o filho fala algum alguns termos, ó, é isso, isso, pode estar acontecendo isso, isso, a professora da escola vira e fala: "O que que é isso? É do que que vocês estão falando?" Então, olha só, né? o quanto muitas vezes nós educadores podemos estar despreparados para atender. Então, por que que eu falo, eu gosto de falar da educação infantil e não falo de forma romantizada? Tem muitos problemas, né? Mas por que que eu falo eh da educação infantil? Porque são profissionais que estão, nós monitores, agentes de educação infantil, passamos no mínimo 6 horas com cada aluno. Então, a gente sabe do comportamento, a gente sabe muitas vezes de questões que estão, né, que que abordam aquela aquele aluno. Muitas vezes a gente sabe até de situações de violência, né? Sim. Há situações, inclusive que ah permite que vocês até falem com a equipe para que, por exemplo, o Conselho Tutelar seja acionado ou outras autoridades. Sim, a situação, mas Mirna, ainda bem que você tocou nesse ponto. Eu acho que a gente precisa melhorar muito na educação. Eu acho que existe uma certa resistência das profissionais de educação de encarar isso pouco mais de frente, né? É óbvio que a gente tem uma preocupação muito, mas muito grande, muito importante de garantir que a educação infantil, que a escola de educação infantil, que os nossos centros de de educação infantil sejam espaços de alegria, de conforto, sejam espaços que as que as crianças possam estar bem seguras, possam se alimentar, sejam bem felizes, a gente sabe disso, mas não tem como ela ser feliz se ela tem fora dali, né, uma situação de violência, situação de sofrimento. E muitas vezes a gente eh negligencia essas situações. Eu já tive momentos em que Mas por quê? Por medo ou porpar? por eu eu acho que tem que tem as duas coisas aí, que tem as duas coisas, mas boa parte também é por medo, porque como é a aquela equipe, aquela professora que vai est todo dia ali na sala de aula, todo dia lidando com aquela família, muitas vezes tem medo, mas a gente é é uma é um posicionamento nosso que pode ou não salvar a vida de um aluno, de um bebê, de uma criança, se a gente não se posicionar. Eu já tive situação de alunos, eh, eu lembro como se fosse hoje, né? Um aluno chegou na escola e ele chegou com o olho todo roxo. Aí eu eu aí eu a gente não viu, a mãe deixou ele muito rapidamente, a gente nem falou com a mãe, ela já deixou e virou as costas, foi embora e a gente não percebeu ainda depois quando acho que acho que era época de frio inclusive e tal, aí a gente foi pro parque. No parque eu olhei para ele e vi, né, uma mancha assim no rosto assim, no olho, no rosto. Aí eu perguntei para ele, eu falei: "Que que aconteceu?" Ele não me falava, ele não me falava. Ele ficava olhando pra minha cara assim, né, com o olhinho assim e não me falava. Ele não abria a boca. Aí eu peguei e a gente já sabia que tinha uma situação, porque aquele aluno, ele era muito agressivo, ele batia em todo mundo, ele qualquer coisa, qualquer conflito ele batia. Aí a gente falava assim: "Não é normal, não é normal". De repente ele aparece com essa marca. Aquilo dali me revoltou tanto que eu lembro que eu falei paraa minha orientadora, eu liguei para ela na hora, eu falei assim: "Olha, se você não tomar nenhuma medida, eu vou na polícia fazer boletim de ocorrência, porque eh a gente precisa romper porque tá ali, ele já vinha de uma situação de sofrimento, de violência. Tanto é que ele só se relacionava dessa forma, violentando, batendo, brigando, né? A gente estava sempre conversando com a família, era era um problema. De repente ele vem, fala: "Tá aí, né? Tá aí a questão." Então, muitas vezes, eu sei que não é fácil, né? Lógico que não é. A gente que tá ali todo dia ali na escola, no dia a dia, as famílias sabem e muitas vezes nós moramos perto da do nosso trabalho e assim é é bom que seja faz parte daquela comunidade, sabe qual é o costume daquela fam? confiança, inclusive, mas também não dá mais medo ainda, ela fala: "Ah, não vou falar porque essa família depois pode dar um problema para mim". Pois é, né? Mas aí a escola tem que se organizar de uma forma que possa responder de forma institucional, tem que fazer alguma coisa. Então, eh, o que a gente não pode deixar é que aconteçam isso com as nossas crianças. Então, a pauta da inclusão, né? A pauta da educação infantil é extremamente importante, é necessária. A educação infantil, ela pode tirar de fato um aluno, um bebê, né, desse ciclo de violência. A gente pode tirar mesmo. E a gente falava muito da educação infantil, Guida, no contexto de tirar a criança do mapa da fome, né? É porque a gente Brasil inclusive tinha um problema sério em relação à desnutrição. Isso isso já foi superado. Eu eu eu acredito que a gente avançou muito. É obviamente que temos ainda famílias em situação, né, de muita de muita vulnerabilidade. Quando você vai ver, por exemplo, que a maioria das famílias são chefeadas por mulheres, mãe solo e que ganham salário eh bem rebaixado, né? A gente tá brigando aqui em Campinas agora por conta das cuidadoras de de crianças PCDs e autistas e Teia que tem um salário mensal bruto de R$ 11.100. Então são dessas mulheres que a gente estão falando e a ampla maioria dessas mulheres são mulheres que chefiam sozinha as suas casas. Sim, né? Suas sua casa. É, são elas sozinha que levam alimento para dentro de casa para sustentar seus filhos. Então é é disso que a gente tá falando. Então a gente precisa eh sim melhorar muito. E também são muitas dessas mulheres que estão submetidas numa jornada de trabalho também na escala 6x1. Sim. Ou seja, sequer ten tem condições e tempo também de cuidar dos seus filhos de forma mais adequada, mais presente. Então, é bem difícil esse contexto. Então eu entendo que lutar por uma educação e infantil de qualidade é primordial, é extremamente necessário, é muito importante, porque você vai alcançar é de forma transversal várias pautas, como você disse, a questão da fome, a questão da educação, a questão da segurança, né? Você falou sobre a inclusão e inclusive mencionou as cuidadoras, né? em que caminho a gente segue, a gente vai falar especialmente, né, na eh de Campinas, porque a educação infantil hoje ela é municipalizada, a educação infantil pública. Então, cada município cuida, né, da das suas unidades e das suas políticas públicas de acordo com as normas federais e também com o estado, mas o município que é responsável. A gente fala de uma inclusão, mas a gente veio de um tempo que ainda antigamente se tirava da escola quando percebia que a criança tinha alguma questão. Hoje não. Hoje é diferente. E você ainda até falou, olha, a gente tem a monitora que percebe como que a gente vai conseguir que toda a comunidade escolar, monitora, professora, a servente, a moça da merenda, que todo mundo abrace essa criança para que de fato ela viva uma inclusão desde a educação infantil. Olha, na educação infantil isso já acontece, né? Por exemplo, eu venho de uma escola em que todo mundo participava da vida de todo aqueles alunos, né? Então, as meninas, as cozinheiras da alimentação escolar, por exemplo, elas sabiam quem era fulano, quem elas falavam, elas elas sabiam que aquele tinha restrição de alguma alimentação. Eh, enfim, eu lembro as crianças, ela algumas nem tm restrição, mas elas têm o paladar seletivo. Como fazer com isso no dia a dia? também não. A escola, a escola aqui no município e a gente tem, a gente tem se organizado sim e se preparado. Eu lembro de um caso que aconteceu também comigo, foi no período naquele momento assim de final de ano que reduz o número de profissionais. Algumas profissionais tinham horas para tirar porque tinham trabalhado a mais, né? Sim. Eh, e aí a gente tava com número reduzido, tal, e eu lembro que eu fui ficar no bersário e eu já há bastante tempo eu trabalhava com as crianças maiores, né? E não tinha nenhuma tia, né? Eu falo tia, mas não tinha nenhuma profissional do bersário junto comigo naquele dia. Tínhamos, tinha eu, mais duas, ah, as outras companheiras estavam com as outras crianças assim e tinha uma bebê lá. E aí o café da tarde foi para todo mundo. Eh, logicamente que a bebê tinha que tomar mamadeira, né? Foi pr foi pras crianças, o café da tarde era canjica. E eu brincando com as crianças, conversando, ai vamos comer a canjica, vamos dar canjica pr pr, né, para beber. Olha só. Aí eu, a bebê tava sentada no no cadeirão, ela tava já firminha assim, ela já sentava bonitinha. Eu fui catar uma colher de canjica para colocar na boca dela. Olha só, na hora a cozinheira que tava lá gritou comigo: "Guida, ela é bebê". Aí eu parei, olhei assim e falei: "Então, quer dizer, todo mundo participa, entendeu? Principalmente dos momentos de refeição, todo mundo participa, né? Eu já tive vários alunos autistas em que a gente tinha muita dificuldade da alimentação, porque eles são muito seletivos, são muito resistentes e a e a gente acaba se organizando de alguma forma para fazer com que ele se alimente em algum momento, de alguma forma ele vai ter que se alimentar. Não, de jeito nenhum. Não podemos aceitar, porque isso ele pode desenvolver doenças, enfim, pode ficar desnutrido e não pode, né? a escola tá sempre disposta a criar condições paracherante dessas necessidades. Então, não dá para falar assim: "Ai, todo mundo é igual". Não é, todo mundo é igual. A gente, cada criança, cada aluno tem determinadas necessidades que a escola, principalmente pela escola daqui que eu conheço do município, eh nós fazemos de tudo para poder atender com qualidade e atender diante dessas necessidades individuais. Ainda na educação infantil, a gente sabe que você tem uma bandeira de combate ao racismo. Como que você vê isso na educação infantil? Já que a gente vende uma questão, inclusive tem algumas peças publicitárias que mostram que as crianças menores elas não têm preconceito, que aquilo vai sendo enraizado na vida dela ao longo da desse crescimento, né? Como que você vê isso? Sim. Olha, eu acho que essa é uma pauta que a gente ainda precisa avançar bastante, né? a gente precisa ter, é, nós precisamos ter protocolos. Veja, a educação infantil, eu defendo o espaço da da educação infantil e defendo que a gente tem que ter uma política pública fortalecida, recurso, financiamento, priorização, eu acho extremamente importante e relevante. Ah, se a gente não cuidar para que a gente possa ter profissionais comprometidos com essas pautas, pode também ser um espaço que esse aluno vai enfrentar muito racismo. A gente costuma dizer assim: "Olha, o racismo tava ali, a gente nunca nunca tinha visto, né? Então, não é à toa que a gente vê muitas meninas pequenas, negras, que t dificuldade na fala, muitas meninas negras que têm muita dificuldade, que que são tímidas, né? A turma fala: "Ela é tímida". Ela não é tímida, ela foi intimidada. Ninguém nasce tímido, ninguém nasce racista, né? Ninguém nasce tendo ódio dos outros. Eh, eh, vai nesse processo do seu desenvolvimento, da sua interação com o meio aonde você vive, você vai desenvolvendo algumas algumas questões. Por exemplo, a timidez é uma delas. A gente vê muitas vezes na na educação infantil, eh, os espaços que são priorizados são sempre os espaços de destaque, são sempre para aquela menina, né? A menina loira que tem o cabelo liso, aquela que tem a pele branquinha, né? Que tá dentro do padrão de beleza que é bonitinho. Porque, por exemplo, já na tenridade, na escola é a tia que cuida do seu cabelo. Uhum. Né? Às vezes eu lembro que até minha filha vinha aqui às vezes com alguns penteados e tudo mais. Como que a gente consegue fazer com que além de casa, a menina na escola também, não é? Ah, por exemplo, ah, seu cabelo é muito difícil de pentear, seu cabelo é muito difícil de amar, isso não se fala pra cria, você fala de jeito nenhum. E tem muita gente que ainda fala isso. Ou então penteia só o cabelo liso. Se você não sabe pentear, né, obviamente. Ah, eu não sei pentear o cabelo afro, né? Eu também, eu também não sabia. Eu aprendi com a minha filha também, né? O meu deixava de qualquer jeito. Aliás, na na época a gente até alisava, né? Eu alisava, eu eu apagava as minhas marcas, mas eh eu eu tive que aprender com a minha filha. Minha filha era bebê, não podia ficar lisando o cabelo, então eu tive que aprender com ela. Então se você não sabe, então você não penteia de ninguém. Agora se for para pentear de um e não pentear de outro, se for para dar carinho para um, não dá para outro. Se for para colocar como destaque, a princesa sempre é aquela, aquela que vai ter o destaque na festa junina, sempre a branquinha filha que vai ser a noiva. Isso daí você não tá falando que você é racista, mas é a gente é na vivência que você vai você vai perceber. Eu sempre dou um exemplo quando a gente vai discutir a questão da carreira, né, que depois talvez a gente até possa falar sobre isso, a carreira das monitoras ou a diferença ou uma tentativa de hierarquização das funções dentro da escola. Ah, eu tenho muitas professoras que falam assim: "Ah, vai lá com a tia limpar o nariz". Por que que uma professora não pode limpar o nariz? Então, é nesse movimento, nesses atos, nessas ações que a criança vai vendo, eh, vai tendo noção de hierarquia. Ah, aquela ali manda, aquela ali tem que obedecer, aquela ali manda, aquela ali executa, né? Ah, essa daqui é bonita, aquela lá é feia, né? fulano. Então assim, ninguém nasce, mas se na educação infantil, se tem um espaço desse que não tem esse cuidado, né, de garantir, de valorizar a beleza de todo mundo, de sentir todo mundo representado. Então, nas figuras tem crianças que estão sendo representadas ali negras, a uma família negra. Por que que todas as famílias dos livros didáticos, né, de antigamente, da minha época, eram todas famílias de gente branca. Parecia que a minha família não era, não era uma família, né? não era digna de ser chamado de família. Então, eh, isso você não tá falando, mas eh nós estamos vendo e nós estamos sentindo. Ou seja, eu sou inferior e eu sou uma menina negra, então eu sou inferior, porque quem é superior aqui é a menina branca que tem cabelo liso, ela que é escolhida para sempre para os papéis principais, melhores da escola. E tem muita gente que fala assim: "Ah, isso daí é conversa afiada". É conversa fiada porque nunca sentiu isso na pele, né? nunca sentiu isso na pele. Eu eu sou advogada e diversas vezes, Mirna, eu vou na agora não, que o pessoal já acostumou comigo, mas antes eu ia no fórum as eh e as e eu tava lá como advogada e o meu cliente era um homem branco e ele tava ali me acompanhando. O o os seguranças que são negros também, mas eles aprenderam dessa forma, entendeu? Eles viam, revistavam a minha bolsa achando que eu era cliente e ele era advogado, né? E aí quantas vezes aí pediam o meu documento, eu mostrava, aí pediam desculpa. Eu falei assim, falei: "Não, espero só que você reviste ele também, né? Já que me revistou, espero que faça a revista nele também". É, é isso. Então eu eu vou falar que essas pessoas são racistas, não são, mas elas aprenderam na vida delas que uma pessoa do meu biotipo, uma mulher negra, jamais pode ser uma advogada, né? Jamais pode ocupar determinados espaços. Quem pode ocupar esses determinados espaços são pessoas de pele branca, né? É, é um outro tribiotipo que não o meu. Então isso já eh isso pode ser ensinado inclusive na educação infantil. Por isso que a gente tem que tomar muito cuidado com o que a gente faz, né, numa sala de aula, porque isso você pode trazer consequências seríssimas para a vida de um aluno, né? Falando em carreira da da monitora, você inclusive vem dessa luta, né, na educação como servidora pública municipal. A gente lembra que em várias ocasiões, ainda quando você nem era vereadora, a gente tinha várias monitoras vinham aqui em protesto, você participava de alguns deles, né? Sim, sim. Hoje, qual é a questão dessa relação e dessa carreira da monitora, desse reconhecimento e dessa qualificação dessa profissional? Eu, primeiro é que eu acho isso que eu acho que tem um olhar hierarquizado para educação infantil. Olho para educação infantil como se fosse uma educação menor, né? Tipo, ah, é um depósito de criança, é o lugar para guardar as crianças. não valorizam a educação infantil como se deveria, como uma etapa especializada da educação básica. Eu já parto por aí. E por que que eu penso dessa forma? Porque a os municípios, as administrações, boa parte das secretarias municipais de todo o Brasil descumprem a LDB, porque a educação infantil ela, os profissionais da educação infantil eles estão cumprindo uma atividade fim. Então não tem como você retirar o monitor, o agente de educação infantil da sala de aula. Então, e por que que eu falo isso? E eu tô falando os dois cargos, tá? Eu falo monitor porque até 2000 e 2007 era monitor, depois de 2007 mudou pra gente de educação infantil, né? Então, mudou o nome do cargo, mas a função é a mesma. Eu eu vou usar então o agente que é o atual, tá? O agente de educação infantil, ele não pode estar fora da sala de aula, porque não tem como uma professora sozinha atender uma sala com 24 bebês ou 28, que é no agrupamento dois, né, que tem que ter no mínimo 28 alunos. Não tem como uma professora sozinha. Sim, eu lembro que um, inclusive uma vez eh na época eh os agentes vieram aqui e estavam com problema sério, porque a gente tem um um problema nos dois lados, né? Por exemplo, a justiça dá algumas liminares que aquele aquela escola de educação infantil precisa dar uma vaga para pras crianças e tudo mais. Só que com isso as agentes estavam, inclusive os agentes falavam o seguinte: "OK, só que onde a gente vai colocar essas crianças? A gente não tem mais onde colocar essas crianças naquela ocasião. Hoje isso tá superado. Sim. Não. Bom, diz que vai tá por conta dessas naves mães. Eh, nav manhã espaço do amanhã, né? Que teve inauguração. É, mas mas pega essa criança de zero a 3 anos também? Pega, pega sim. Pega sim. Mas é é porque até porque de zero a três é o nú é o é o lugar que tem que ter as agentes de educação infantil, né? De 3 anos para cima já é período parcial. E aí só tem a professora. E aí o que que a o que que o município faz? O município pega e ele reveste somente um profissional de todos os direitos que diz a Constituição Federal e a RDB. Então vamos lá. educação infantil é o a função do agente e do professor é estar dentro da sala de aula dando todo suporte e atendendo esse aluno. Quando você vai olhar hoje para as funções de um monitor, de um agente, né, no caso, ele tem as resoluções, ele tem que participar de todo o projeto da da discussão do projeto político pedagógico da escola. Ele tem que planejar, ele tem que avaliar, ele tem que acompanhar, né? ele tem que participar das reuniões de planejamento, das das reuniões de tomadas de decisões. Então assim, ele acaba tem questões diferentes do professor, tem, mas porque o a própria grade de horário do professor a coloca assim. Então, por exemplo, lançar dados no sistema, né? Falta ausência, acontecer alguma coisa, isso é o professor que faz. e ou a ou a preparação de aula, mas o resto e até porque não só a preparação de aula, porque também tem o os espaços de formação, né, o o HFAN nosso que é semanal. Então, o que que a prefeitura faz? A prefeitura de Campinas e outras prefeituras, ela vai precariza as demais funções, os demais cargos, ela precariza e reveste de direito somente um. Só que não tem como esse um atender sozinho. Se tiver uma paralisação dessas profissionais, não precisa nem ter paralisação. Minto. Muitos querem dizer que o cargo de agente é apoio. Se essas profissionais falarem o seguinte: "Tá bom, eu sou apoio, então eu vou ficar no corredor aqui. Quando tiver que trocar um bebê, você me chama. Quando que fora do almoço, você me chama, porque apoio é isso, né? Então, o dá um banho, o profissional, o profissional de de apoio é extremamente importante, mas veja, ele atua eh só em determinados momentos, né, de forma eh eh em determinadas situações. Eu vou dar um exemplo. O servente, o pessoal da limpeza, ele limpa a sala antes de começar a aula ou então durante ali acontece alguma coisa, você chamado, ah, aconteceu algum algum acidente aqui, ele vai lá e limpa. Sim. Então ele não precisa ficar direto dentro da sala de aula, ele é apoio. Ele é apoio, tá? Profissional da cozinha, mesma coisa. Tá lá na na cozinha fazendo alimentação. Fez alimentação, preparou, serviu a alimentação, acabou. Então ele é apoio. Sem eles a gente também não consegue, né? eh ministrar uma boa aula, garantir um bom um bom atendimento, obviamente, mas eles são apoio, só que a gente não, a gente tem que estar o tempo inteiro ali dentro lidando diretamente. A atividade fim da educação não é atender o aluno, a gente cumpre essa atividade fim. A gente não é atividade de meio, a gente é atividade fim. Se a gente não tá lá na sala de aula, não tem como ter educação infantil de zer a 3 anos. Não tem como ter. Então, eh, é isso que isso que acontece. As prefeituras revestem de direito um profissional, que é o professor, e as demais profissionais ela precariza. E no Brasil o MEC fez uma uma investigação, uma um uma consulta, tem mais de 50 nomenclaturas para esse cargo. Tem Babá, tem recreaçonismo, não tem uma lei federal única. assim, agora nós estamos conseguindo, né, eh, diante de muita organização nacional, tem um movimento que chama movimento Somos Todas Professoras, é um movimento que pauta pela luta valorização dessas profissionais na educação infantil a nível nacional. Eh, nós temos sim essa função docente. Eu lembro também várias vezes que nós conseguíamos era éramos nós que conseguíamos discutir uma avaliação mais precisa de cada aluno, porque o professor hoje ele só vai num período, no período, no outro período à tarde ele não tá com o aluno. Muitas vezes o aluno responde muito bem na parte da manhã ou não responde na parte da manhã também. ele tá, ele tá sonolento, ele consegue responder, cumprir as atividades, participar, interagir, mas à tarde cada aluno tem, né, o seu jeito, enfim, seu perfil. E aí, eh, esse professor muitas vezes não consegue captar, né? E, e para poder falar isso para um pai, você vai falar pro pai assim: "Ai, pai, seu filho só dorme de manhã". O pai vai ficar como assim? Em casa ele brinca tá acontecendo alguma coisa, né? Sim. Então, quem consegue fazer isso é o profissional que fica à tarde, que que acompanha esse aluno, não, à tarde ele é diferente, aí a gente vai vendo, não. Então, então o perfil dele vai ver que ele dorme muito tarde ou tem que fazer um outro tipo de atividade para estimular, enfim. Exatamente. Isso tudo faz parte de uma discussão, de planejamento, de uma avaliação que você começa a detectar e viabilizar um ambiente inclusivo, uma um ambiente educacional que possa dar resposta positiva, enfim. Então, como que você vai tirar esse profissional de dentro da sala de aula? Não tem como, não existe a menor possibilidade, não existe na educação infantil. Mas aí, né, as gestões centrais continuam batendo o pé e não querendo reconhecer isso, essa nossa valorização e e essa importância desse profissional. Por quê? Porque tem um olhar de eh pejorativa para educação pública, para a educação infantil, né? Tem um tem um olhar que que desqualifica a necessidade dessa etapa especializada da educação básica. Por isso que isso faz parte de uma luta nossa nacional de valorização desses profissionais, passa também por valorizar a carreira das agentes de educação infantil. E você acredita que logo a gente tem essa questão definida por uma diretriz nacional, como que tá esse Mirna? Eu não sei se logo a gente vai ter, mas eu acredito sim que a gente vai avançar. Existem já leis federais, né? Existe a deputada Lucene Cavalcante que faz, né, bastante luta com relação a isso. Ela já apresentou um projeto de lei que já passou na Câmara Federal, me parece que agora tá no Senado essa essa discussão do reconhecimento, né, da docência da nossa função. Eh, e eu acredito, Mina, porque quando eu entrei na prefeitura, eu trabalhava 40 horas semanais. É, 40 horas semanais. Entrei 5 meses, fizemos luta. Pessoal já vinha fazendo luta há muito tempo. Eu entrei em 97. Na greve de 98 se reduziu para 36 horas semanais, né? É, continuamos em movimento, em luta e hoje as monitoras agentes cumprem a jornada de 32 horas semanais, que é a mesma de professor? Não, não. A a de professor acaba sendo e 20, 24, é 20. Tem algumas jornadas, né? Na na educação infantil, eu acho que deve ser 20 ou 30 horas, tá? Eh, então eu venho, eh, as minhas companheiras monitoras que vieram antes de mim, elas trabalhavam no sábado, fizeram luta e retiraram o sábado, conseguiram retirar o sábado e hoje elas trabalham de segunda a sexta. Elas faziam determinadas funções que hoje a gente com muita luta conseguimos reorganizar e atender com qualidade também as nossas crianças. Então eu acredito na luta, não sei se vai ser pouco tempo. Eu gostaria que fosse logo, gostaria, né, de participar logo desse processo, mas eu tenho muita confiança que a gente só vai conquistar essa mudança se a gente continuar. É, ó, nessa nossa organização, é óbvio que a luta ela é viva, né? Então, ela vai, ela recua, ela avança, ela recua, mas a gente não pode jamais deixar de fazer abandonar, né? Tem um ditado que fala que a luta que se perde é aquela que a gente não faz, né? Então a gente vai continuar aí lutando pela carreira das monitoras e a gente de educação infantil. Guida, olha, o nosso tempo já estourou aqui, o pessoal já me avisou. Muito obrigada. Em breve você volta. A gente tem tanta coisa, vereadora, trabalha em tantas vertentes e aí a gente já puxa um próximo tema pra sua próxima participação. Combinado? Combinado. Eu eu que agradeço mais uma vez a oportunidade de falar aqui com vocês. Realmente eu falo muito, gente, desculpa. a gente começa, não para mais, né? Mas o tempo passou rapidinho. Eh, e eu agradeço, viu, o espaço, porque é o importante, é importante espaço até de formação mesmo, né? Eu acho bastante importante. Obrigada, viu? Ah, por nada. Até mais, hein? Olha, e você pode acompanhar o Na Casa do Povo lá na playlist do youtube.com/tvcâmaracampinas. Nós temos várias participações de outros parlamentares e da própria Guida, né? Assiste aí a temporada um da participação dela, dois, né? E sempre que puder aí compartilhe também o nosso YouTube aí pra sua rede de contatos. O na Casa do Povo fica por aqui. Até um próximo podcast. [Música] [Música]