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Na Casa do Povo | Fernanda souto
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Na Casa do Povo | Fernanda souto

52 views Publicado 04/04/2025 HD · 49:01

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[Música] [Música] Olá, mais um na Casa do Povo no ar, o nosso podcast que toda semana traz uma entrevista especial aí com o vereador ou vereadora da Câmara Municipal de Campinas. E a gente lembra que esses primeiros programas de 2025 nós trazemos aqui os novos parlamentares do legislativo campineiro. E nessa semana a nossa convidada é a vereadora Fernanda Solto. Seja bem-vinda, vereadora. E olha como é de praste para você que acompanha o nosso podcast, logo na abertura, eu faço sempre vereador a minha áudio e autodescrição e vou convidar ela a fazer também. Olha, o meu nome é Mirna Breu. Eu sou uma mulher negra de pele clara. Os cabelos têm cachos e esses cachos estão com mechas loiras na altura dos ombros. Hoje eu estou com uma blusa sem manga, que ela é tem um florido, um desenho, né? a gente chama um relevo é em preto. Ao meu fundo, nós temos aqui o estúdio do Na Casa do Povo todo em preto e à minha esquerda uma TV com o logotipo na Casa do Povo em azul e branco. Fernanda, seja bem-vinda. Também a convido a fazer a sua autodescrição. Muito obrigada, Miro. Obrigada também a TV Câmera pelo convite. Eu sou uma mulher branca de cabelos cacheados, cabelos e olhos castanhos. Eu estou com uma blusa marrom de manga comprida e não dá para perceber, mas eu tenho só uns 50 altura. Eu tenho 55. Estamos, né, ali na as baixinhas, né? Mas tô ótimo. Eu tô contente assim, tranquila também com isso. Eu também. Fernanda, eu já dei aqui um spoiler na chamada do programa no meio da semana. Fernanda Solto é médica, mas antes de ser médica, tem toda uma história de infância. Hoje a gente não vai falar da política Fernanda, não vai falar da vereadora Fernanda ainda. Nós vamos falar de quem é a Fernanda. Aliás, o mesmo nome da minha filha, viu? Eh, me diga onde você nasceu, Fernanda. Eu nasci na cidade de Uberaba, em Minas Gerais. Fica ali na região do Triângulo Mineiro. Nasci, cresci, vivi praticamente toda a minha infância e adolescência e início da vida adulta ali na nessa cidade. Ah, é, eu conheço Uberaba. Meus pais são de Uberaba, minha família. Eu tenho muitos parentes ainda em Uberaba. Você gosta muito de lá? Gosto bastante e gosto de Minas como um todo, que eu já andei bastante por Minas Gerais, é um estado que tá no meu coração, que eu adoro. Eu vivi praticamente todo toda a minha eh minha vida ali em Uberaba, no bairro Boa Vista. Eh, um pouquinho quando era mais jovem, criança em um outro bairro, mas praticamente toda a minha minha f Fica ali perto da exposição ou não? Não, fica bem bem longe do outro lado da cidade fica mais próximo de uma linha do da linha do trem. Então, né, quem quem conhece ali, tem um viaduto que passa a linha do trem indo pro bairro. Então, mas é longe da dos. Ah, não é não é quem vai para Campo Florido, não. Não é porque tem um pessoal também que mora em Veríssimo em Campo Florido, que é ali que sai pela BR ali e passa, né? Sim. Ai, e como que foi sua infância lá em Uberaba? Me conta. Tem irmãos, tem os seus pais são vivos? Onde eles moram? Meus pais são vivos. Meu pai é torneiro mecânico. Ele exerce essa profissão desde que ele tem 13 anos de idade. A minha mãe já fez de tudo um pouco, já foi cozinheira, já cuidou da casa de outras pessoas, já foi costureira. Eh, atualmente ela estava cuidando mais da nossa casa, mas ela sempre trabalhou bastante em diversos serviços. Então, aposentados. Meu pai, sim. A minha mãe tá nessa luta. Espero que esse ano ela consiga. Ela eh já deu entrada no pedido de aposentadoria. Sim. Eh, mas meu pai continua trabalhando como torneiro. Ele tem uma oficina eh que ele trabalha sozinho como autônomo e foi dali que a gente tirou o sustento a maior parte da vida. Eh, e eu tenho dois irmãos, tenho um irmão mais novo, dois anos mais novo que eu, que é professor, se formou em Letras lá também na Universidade Federal do Triângulo Mineiro. E a minha irmã, que também é médica, minha irmã mais nova, caçulinha, que também se formou na Federal do Trângulo Mineiro. Então, que é onde você também se formou. Isso é, esse é meu núcleo familiar principal, mas tenho a minha avó que também é viva, já tá com quase 95 anos. eh alguns tios e tias, a minha família sempre, né, uma família muito numerosa que que veio para Uberaba e aí me eh cresci a maior parte, né, da minha infância, adolescência nesse bairro Boa Vista. Quando criança, eh, tinha um convívio mais próximo, né, com os primos. Depois cada um também vai se eh trilhando o caminho na vida, vai mudando. Então, basmãos e me formei na Universidade Federal do Triângulo Mineiro. Entrei em 2010 no curso de medicina. Hum. Eh, e me formei em 2016. E logo depois que eu me formei, em 2017, eu já vim para Campinas. Em 2018 eu iniciei a minha residência médica na Unicamp. Por que medicina? Eu tenho desde pequena eh essa questão do cuidado, eh de você ter um um uma preocupação, não sei se porque sou a filha mais velha, né? Também a gente sabe que tem um papel que muitas vezes é incutido nos nos filhos mais velhos de se responsabilizar em partes aí pelo cuidado da família. E desde pequena eu sempre tive muito essa vontade de cuidar, de eh de de fazer trazer o bem-estar paraas pessoas, exerci esse papel com os meus irmãos, até por isso ter uma relação muito próxima com eles. Eu acho que isso ao longo do tempo foi me identificando mais com eh algumas profissões da área da saúde. E lá em Uberaba a gente tinha uma faculdade de medicina pública, tá? Eh, o que se precisasse fazer uma universidade ou uma faculdade particular, isso seria completamente inviável. Eu estudei boa parte da minha vida em escolas públicas. Sim. Eh, meus pais com muito sacrifício conseguiram que a gente conseguisse chegar até a universidade pública, mas precisaria ser um curso eh que a gente a gente não teria como pagar um um curso privado. E como lá tinha esse curso de medicina, era um curso muito renomado, eu já tinha também um primo, dois primos que tinham se formado. Eh, e a concorrência era muito alta, mas agora tá mais ainda. asistas de eh de vestibular. É porque quando a gente olha, por exemplo, a Unicamp aqui, né, no nosso universo de Campinas, a gente fala: "Gente, eh, medicina é mais de, sei lá, 1000 por vagas lá é mais ou menos nesse nível também?" É, lá é diferente porque lá eram menos vagas do que aqui, né? Lá a gente e lá a gente tem vestibular semestral, certo? Tá? Não sei exatamente como tá aqui agora. Acho que ainda continua só uma vez por ano, mas lá na UFTM as não, várias federais tinha os os vestibulares semestrais, inclusive eu sou de tur é turma de verão e turma de inverno, né? Eu sou de turma de inverno. Na minha época a concorrência tava acho que 150 por vaga, bem alta. Hoje tá bem, né? Aumentou bastante. E mas o bom é que conseguiu estudar eh numa faculdade na mesma cidade, né? Isso foi o principal motivador para escolher o curso, um curso que eu já tinha na minha cidade, porque também me mudar seria muito difícil dos meus pais conseguirem arcar. Sim. Então, tive essa oportunidade de fazer a faculdade na minha cidade mesmo, morando em casa, então não não tive esse gasto a mais. Eh, e o curso de medicina era um curso muito bem eh muito bem avaliado. Eh, era uma profissão que eu já tinha tido um contato porque eu já tinha primos que dois primos que tinham feito, já tinham se formado, são mais velhos. Então eu tive a oportunidade de conhecer através e aí decidi que seria esse curso. E aí veio para Campinas em 2017 fazer residência. Que o que que é exatamente aproveitar com uma médica, né, gente? O que que é a residência? A residência médica, ela é uma pós-graduação, é uma modalidade de pós-graduação, um treinamento em serviço. Então, a gente tem eh como pós-graduação aquela parte teórica de discussão, de aulas, artigos, mas é principalmente a carga horária em serviço, então no atendimento dos pacientes ou das atividades práticas da da área que em que a pessoa tá se formando. Então, mas aí você a geralmente a residência é o quê? é no geral ou você já pode fazer a residência de uma especialidade? Quando o estudante de medicina se forma, ele se torna médico, ele se torna, ele é um médico generalista. Durante a graduação, ele teve a formação nas áreas básicas da medicina, que são pediatria, ginecologia obstetrícia, cirurgia geral, clínica médica, medicina preventiva, eh, ou saúde coletiva, como chamam. Então, essas áreas gerais eh são as áreas que dão a formação básica. a gente passa em todos esses estágios ao longo da nossa formação, tem aula, aprende sobre as principais doenças, os principais diagnósticos, as principais eh os principais tratamentos. E quando a gente se forma, a gente tá eh apto para fazer o atendimento em todas essas áreas, claro, é um atendimento geral, né? E aí, a partir do momento que você eh decide se você quer seguir alguma especialidade ou não, a principal modalidade hoje para você se formar na especialidade ainda é a residência médica. E aí você precisa prestar uma nova prova. E aí dependendo da Você fez onde? Na Unicamp. Eu fiz na Unicamp. Então eu escolhi infectologia porque já era uma área que na minha formação eu já tinha me identificado eh com os pacientes, com o trabalho, com a área de estudo em sites. O que que faz o infectologista? O infectologista faz eh estuda sobre todas as doenças infectocontagiosas, mas não só. Então, o infectologista, além de de estudar sobre as doenças infectontagiosas, fazer o diagnóstico, acompanhamento dos pacientes que t alguma doença infecto contagiosa, eh além disso, também precisa ter um conhecimento de clínica e outras áreas da medicina muito profundo, porque muitas vezes os pacientes que chegam até o infectologista são aqueles pacientes que tm algum diagnóstico que ainda não foi identificado, já passou por vários especialistas e não conseguiu identificar o que é a doença. ou a condição em si e aí encaminha pro infectologista. Então a gente também tem que ter um conhecimento sobre outras áreas da medicina para poder saber o que diferenciar eh por onde seguir na investigação. Sim. Então, e além disso também o infectologista atua eh na parte de vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, controle de infecção hospitalar, além do atendimento em si dos pacientes em ambulatório, todas as doenças, HIV, tuberculose, hepatite, dengue. Sim. É, vocês são muito demandados naquelas épocas que a gente tem alguns tipos de eh epidemia de alguma coisa. É essa época da dengue, por exemplo. Ah, sempre tá falando com um infectologista. É isso. E a gente sempre tem surtos epidemias e muitas vezes relacionadas a sazonalidade. Então agora é época da dengue, daqui a pouco é da gripe. Então a gente tem tem períodos que e assim fora surgiu um novo vírus, ia comentar, fora situações que são mais eh digamos eh críticas, né, que são essas pandemias que Quanto tempo foi sua residência? Eu comecei a residência em 2018. Tá. Eh, trabalhei aqui em Campinas um tempo antes de entrar na residência e aí comecei em 2018, terminei em fevereiro de 2021, ou seja, eu peguei o início da pandemia, ia perguntar, pegou o início da pandemia na Unicamp. Sim, mas lá você tava estudando ou já tava no atendimento também lá no Pronto Socorro? Como que era isso? O residente ele já atende, ele é um médico formado, tem o tem o seu registro de especialidade, então ele é um médico apto a fazer o atendimento. Na residência, ele tá sob super supervisão, né? Então, especialmente daquela daquela especialidade em que ele tá se formando, tá? Eh, então, e justo na que você escolheu, nós tivemos a pandemia. E aí, me conta dessa experiência. Foi um momento muito difícil, muito desafiador. As os primeiros pacientes que que a que foram atendidos, né, na Unicamp, nós estávamos lá no atendimento, nosso presentes, mas já tava aprendendo sobre o diagnóstico ou já sabia sobre o diagnóstico. Como que era isso para vocês? Ah, foi assim, nós eh essa as doenças respiratórias elas existem diversos tipos de doenças respiratórias e eh em muitas em muitos em muitos sentidos as doenças elas têm muitas semelhanças entre si. Sim. Então, eh, nossa carga de, eh, de estudo, de conhecimento acumulado, claro que nesses momentos ajuda muito, que a gente já sabe sobre outras doenças, mas de fato a COVID-19 era uma coisa muito nova para todo mundo. Então, independente se estava se era residente ou se era um médico mais, né, mais experiente, que já passou inclusive por outras epidemias ou pandemias. Então, eh, eu senti que nesse momento a gente tava aprendendo, todo mundo tava aprendendo muito junto. Claro que o fato de você ser um médico mais experiente, já vivido, já ter passado por diversas situações, te dá uma outra eh, digamos assim, um um uma outra e você tá com um outro amadurecimento para lidar com situações de crise. Então, nesse ponto, ter os nossos preceptores, os nossos professores da na Unicamp, que já passaram por muita coisa ao longo da sua formação, longo da sua vida também profissional, foi muito importante pra gente ter calma, ter tranquilidade para lidar com as questões que eram questões muito difíceis, muitos dilemas pessoais, inclusive, porque a gente tava lidando com uma situação que, claro, todo mundo tem medo de se eh infectar também, de adoecer, mas o maior medo em si era de transmitir para outras pessoas do convívio familiar. Eh, então, na época você morava com quem? Na época eu eu morava com o Pedro, que é meu marido, tá? E a gente chegou a ficar seis meses separados, porque ele também é médico ou não? Não, ele é professor. Ele é professor. Professor. E tava dando aula online. A vida dele foi dar aula online, né? Nesse momento. Sim. foi home office. E então a gente chegou a ficar se meses separados porque eu tinha muito medo de transmitir o vírus para ele. Eu não cheguei a ficar doente na primeira onda da pandemia. Tomei eh tinha muito cuidado com relação ao uso de máscara. Chegava dormir lá no hospital. Sim, várias vezes, porque a gente tinha uma sobrecarga muito grande, pacientes, nós abrimos vários, fora os colegas que porventura adoeciam e a gente precisava cobrir e também foram abertos novos leitos e até que você tenha uma reposição, um aumento do número de trabalhadores, eh acaba que os residentes eles eles eles tocam muita coisa ali na linha de frente nesses momentos de crise também. Sim. Então a gente e nós nos organizamos ali enquanto todos os residentes de todas as especialidades, inclusive não foi só a infectologia. Ah, é porque nós são três por ano, são nove e e e assim nem todo ano tem três, então não eramos muitos residentes da infectologia. Eh, então toda essa esse atendimento dos pacientes, todos os residentes, inclusive de especialidades não clínicas, da cirurgia, da autorrinolaringologia, eh os anestesistas. Então, teve um teve uma ideia de só a gente que tá de fora, só quem é daquele setor específico que tava envolvido, que os outros estavam trabalhando na área deles, digamos assim, não? eh, na a pandemia em si, como assim, foi uma um advento que demandou muito o sistema de saúde de uma vez só, de uma forma que foi muito difícil nesse nesse principalmente no início, quando tem um aumento muito súbito do número de casos e você ainda não tem eh um uma quantidade de leitos, de equipamentos que consiga dar conta dessa demanda. Eh, quando a gente percebeu que seria uma uma questão muito grave, teve em todos os serviços, não só na Unicamp, os protocolos foram sendo adaptados, não é isso? foi se reorganizando todos os serviços para garantir o atendimento aos pacientes com COVID-19, porque a demanda era muito. Então, o que era possível de se aguardar, alguma consulta que não era urgência, algum procedimento que não era urgência, foi sendo reorganizado para que eh esses pacientes que estavam chegando, que precisavam de uma atenção ali hospitalar, eles fossem atendidos, porque senão a gente teria tido uma situação bem mais grave. Então, todo o hospital, toda a Unicamp e aí todos os setores, a infectologia, o serviço de controle de infecção hospitalar, o serviço de epidemiologia, mas também todas as enfermarias, coordenação da enfermagem, todo o hospital se voltou pro enfrentamento à pandemia. E isso também foi se repetiu em outros serviços. Em Campinas a gente viu, né, muitos centros de saúde, por exemplo, ficaram atendendo exclusivamente COVID, porque nesses momentos todo mundo teve que se readaptar, reaptar. E aí lá no hospital, a mesma coisa, os residentes de todas as áreas, eh, garantiram o, e os médicos também, não só os residentes, os preceptores de outras áreas da cirurgia, da ginecologia obstetrícia, da anestesia, todos esses médicos, professores e residentes das diversas áreas, eles atuaram em conjunto para garantir o atendimento. Isso foi uma um aprendizado interessante durante a pandemia. Sim. E o psicológico, hein, Fernanda? O, no início foi muito difícil porque a gente ficava muito tenso, muito preocupado o tempo todo. E quando a gente viu algum colega adoecer, era uma situação muito difícil de lidar. Infelizmente a gente teve perdas, né, de pessoas que a gente conhecia no trabalho, que que eram amigas. Então, assim, foram eh pessoas que estavam trabalhando com você numa semana e na outra estavam internadas na UTI, entubado. Então, eh, principalmente no início, essa carga emocional, ela foi bem pesada. Eh, e muitos colegas adoeceram não pelo vírus, mas por conta dessa dessa questão inclusive a gente lembra que na época nós fazíamos até reportagem sobre isso. Eu lembro que acho que não sei se foi o próprio Conselho de Psicologia ou se foram psicólogos independentes que começaram até fazer um atendimento online para pra saúde do trabalhador da saúde, né? né? Nós tivemos isso também eh de trabalhadores da saúde mental se oferecendo para dar suporte, porque realmente foi muito complexo essa questão. E fora a sobrecarga física, porque muitas vezes por falta de ter mais pessoas para poder atender, para dar conta da demanda, muitos trabalhadores da saúde foram se desdobrando, pegando hora extra, fazendo eh plantão no dia que em teoria estaria de folga. Isso foi a realidade de todos os serviços. Tanto que a gente eh suspensão de férias, de licenças, né? Isso em qualquer situação de emergência de saúde pública, isso é o comum de acontecer. Eh, se você tem, por exemplo, mesmo agora sur de dengue, então assim, por um período que a gente sabe que é mais crítico, as licenças vão estar suspensas. mesmo servidor que tem o direito a solicitar uma licença naquele nesse período específico, não, porque precisa eh garantir o atendimento. Só que a gente sabe que isso a a como a pandemia ela foi longa, eh não foi uma uma coisa que durou alguns poucos meses, né? Mas elas elas isso foi se estendendo. Então esse essa tensão, esse cansaço, eh a gente viu muita coisa na pandemia. Teve assim situações de eu ir dar plantão numa UTI e das 10 pessoas que estavam internadas, sete eram da mesma família, pai, mãe, irmão, filho. Às vezes um, infelizmente, falecia, o outro tava entubado, nem sabia, ia descobrir depois quando saísse. Então, a gente eh trabalhei em lugares que a gente chegou a ter uma falta de Mas tudo isso só na Unicamp ou você trabalhava em outros lugares? Quanto eu eu eh eu isso foi o primeiro ano da residência foi na Unicamp, mas depois a segunda onda, por exemplo, da pandemia eu já tava terminando a minha residência. Aí eu nessa época eu trabalhava em pronto atendimento, trabalhei em vários hospitais Campinas e aqui na região em pronta atendimentos e também eh trabalhei, comecei a trabalhar na PUC, no Hospital da PUC, tá? Então, eh, principalmente em UPAs unidade de pronto atendimento, que a estrutura ela já não é para internação de pacientes, a gente teve uma dificuldade grande, a gente teve UPAs que se transformaram naquele período em hospitais, né, em hospitais COVID. A gente tem uma fotinha sua aqui desde o momento da formatura. Vamos ver a a Fernanda toda feliz com quando Olha lá, esse diploma foi do quê? Esse foi quando eu fui convocada no concurso público aqui da cidade de Campinas. Ah, é? Então me conta, você fez a residência depois, prestou o concurso ou não? Eh, eu terminei a residência em 2021. Ó lá a fotinha dela em 2021. Então eu terminei em fevereiro e logo depois que eu terminei eu nesse nesse período eu tava na na Unicamp, terminei em fevereiro de 2021 e aí comecei a trabalhar em outros lugares eh pronto socorro também comecei a trabalhar no hospital da PUC. Sim, entrei lá em 2021, logo no início, logo que eu terminei a residência e também eh me tornei concursada em Indaiatuba, no eu fui servidora do município de Indaiatuba. Então trabalhei atendendo COVID todos esses lugares de formas diferentes, né, com estruturas diferentes. E aí em 2023 abriu o concurso para a Prefeitura de Campinas. E aí eu prestei e fui convocada. Desculpa, acho que foi 2022 agora. Não sei se foi, eu entrei em 2023. Eu essa essa foto é da minha posse de em agosto de 2023, que foi quando eu comecei a trabalhar aqui no município de Campinas como servidora. Tá aí nesse período já era o quê? É, é UPA, é hospital, é unidade básica. A minha A minha vaga foi pra médica infectologista. Então a o local que tinha de opção de escolha foi a vigilância epidemiológica, tá? mais especificamente a Visa Leste, eh, que aqui em Campinas a vigilância ela é descentralizada, né, em seis unidades regionais e a minha vaga foi paraa Visa Leste. Eh, e aí eu comecei a trabalhar lá como médico infectologista da vigilância. E aí é Mas o que que faz muita coisa? É, antes de você falar até, vamos ver. Olha gente, a Fernanda, como tantas outros profissionais médicos e aqui vai claro o nosso respeito, o nosso carinho, o nosso agradecimento pelas horas de dedicação, mas olha aqui um pouquinho dos sinais daquele momento lá toda paramentada. Olha aqui a marca, eu vi essa foto, Fernanda. Essa marca era o quê? Era queimadura que fazia no rosto da máscara. Porque a gente usava todo dia e usava eh a máscara, mas às vezes usava outra coisa. O olho também todo irritado. Tinha, eu tive quase que fazer um um tratamento específico porque tava começando a lacerar mesmo o rosto e não tinha como ficar sem a máscara. Não tinha como. Sim. Olha, e ela daquela máscara bem forte, não é naquela que a gente usa N95. É, né? E isso você ficava quantas horas mais ou menos vestida desse jeito? Eh, dependia do plantão, mas 12 horas, é, no mínimo 12 horas, 24 mo. Mas tinha que fazer troca cada tempo desse uniforme. Aí tem, é que aí foi mudando as recomendações das trocas, elas foram mudando conforme o estágio da pandemia, a disponibilidade dos EPIs, né? É, no começo trocava mais, né? É, no começo quando tava com com a falta de inclusive falta de máscara, eh, chegava a ter recomendação de guardar a máscara. Sim. Então assim, mudou essas questões, elas mudaram conforme o Mas e aí você falou que teve que fazer inclusive um tratamento especial pro rosto assim, rosto porque tava não tinha como ficar sem a máscara, trabalhava todo dia e machucou me machucou bastante. E às vezes precisava usar o face shield, dependendo do procedimento que ia fazer aquilo lá. Assim, a gente cozinhava dentro, dependendo do, se pensar que essa época do ano, nem todo lugar refrigerado. Então a gente, literalmente a gente cozinhava dentro desse dessa paramentação. Nossa. E às vezes não tinha não tinha o que tinha fazer, era o que tinha que fazer, era o que protegia, né? E não podia ficar sem. E aí eu essa eu especificamente com essa máscara eu sofri bastante. Sofreu bastante, né? Eu vi uma reportagem na época, uma realmente a pessoa toda machucada mostrando como ficou todo machucado, usando tudo, tudo. porque tem é a pele mais sensível e às vezes assim, se você não cuida, machucou, toma sol e não consegue dar cuidado vai pro dia seguinte, fica cicatriz, fica marca, tinha que chegar em casa, além de fazer os cuidados com a higiene, tinha que fazer o tratamento de uma da pele, passar várias coisas que tava cicatrizado. Nossa. E agora, Fernanda, em Campinas 2023 assume uma vaga na vigilância em saúde, né, ou vigilância sanitária. É a o Departamento de Vigilância e saúde, que é o DEVIS, ele é dividido em várias coordenadorias. Uma delas é a coordenadoria de vigilância de agravos e doenças transmissíveis, que é o CBAT. E aí dentro do CEVAT e estão as as visas regionais, né? A vigilância sanitária é uma outra coordenadoria, também tem médico, infectologista ou outros médicos, outras especialidades, enfermeiros, mas é um trabalho diferente. Eh, a ela vai cuidar mais do eh da inspeção dos das unidades de saúde ou clínicas ou enfim, tudo que depende de uma licença da da vigilância sanitária pro funcionamento, faz o acompanhamento, eh, recebe as denúncias. A epidemiológica, o foco dela são as doenças, né? E as pessoas expostas ou doentes a ao eh expostas a algum risco ou doentes por algum agravo, que é o que você fazia. Isso. E aí na vigilância como médica, recebi as notificações de doenças de notificação eh compulsória, por exemplo, dengue, eh febre maculosa, tuberculose, HIV, hepatites, sífiles. a gente recebe as notificações, a gente verifica se aquela notificação, os dados foram preenchidos corretamente, se tá se se enquadra na notificação, porque às vezes eh tá sendo notificado um uma doença, mas quando você vai ver a história, os exames, não tá compatível, pode ser alguma outra coisa, na verdade. Então, a gente também faz esse trabalho de verificar se aqui aquilo que tá sendo notificado com eh a comprovação, com os exames, com a história do paciente, se aquilo tá correto ou se na verdade a gente precisa sugerir uma outra investigação. Então, a gente também faz a orientação com relação à coleta de amostras, o acompanhamento dos resultados, eh, a gente dá suporte técnico para o as orientações de tratamento. Então, por exemplo, tuberculose. Às vezes a unidade de saúde precisa tirar alguma dúvida sobre um tratamento ou sobre algum evento adverso que aconteceu no tratamento do paciente com tuberculoso ou algum resultado de exame também e entra em contato com a vigilância, a gente que faz orientação. Então, todo esse acompanhamento das doenças de notificação compulsória eh passam pela vigilância e aí é dividido por territórios, né? Inclusive quando a gente vê às vezes algum institucional da saúde falando, olha, tivemos o aumento de casos de sífiles ou de alguma doença que parecia que tava tão esquecida aí, que tá voltando. Tudo isso passou por vocês para que se chegue, olha, tá tendo alguma coisa aqui que precisa ser trabalhada. Exato. A gente também faz esse trabalho de qualificação dos dados, então, e de monitoramento. Então, por exemplo, às vezes a gente começa a receber muita notificação de uma doença que a gente não recebia tanto. A gente já fica atento, opa, aqui pode estar tendo um surto de alguma doença e a gente precisa intervir para interromper esse surto também. É a vigilância epidemiológica que faz esse trabalho. A equipe, não só o médico, né? são médicos, enfermeiros, os os biólogos, os os eh veterinários que compõem os agentes de controle a endemia, eh toda a equipe que que compõe a as visas que nós eh nós temos um trabalho muito conjunto e muito interligado, é uma equipe muito, né, que cada um tem tem uma peça, é uma peça chave, digamos, é uma peça chave. Exato. E só a gente só consegue perceber o todo se a gente tá o tempo todo se comunicando. Então, quando a gente percebe, por exemplo, tá tendo um aumento do número de casos de alguma doença que a gente não recebia tanto, a gente rapidamente já faz a identificação, verifica se é um surto, se não é, é qual que é possivelmente a via de transmissão, como que a gente vai intervir para interromper, para que outras pessoas não fiquem doentes, como que a gente vai fazer busca ativa dos casos que ainda não chegaram até nós, mas se tá tendo um surto, pode ter casos ali que a gente ainda não identificou e que estão na comunidade. Então, como que a gente vai identificar esses casos? Eh, todo. Então, mas você não atende direto a população. Nesse caso, é tudo que já foi feito na unidade básica ou numa UPA que vai para você. Isso. Ou então também é o contrário, a gente também direciona a unidade básica, a UPA ou hospital para alguma investigação, porque nem sempre o serviço que tá atendendo aqueles pacientes, ele tem uma amostragem eh daquela unidade. A gente que tá na Visa, a gente consegue ter uma amragem de vários lugares. Por exemplo, a gente tem recentemente em Campinas, para, eu tô falando tudo isso, Fernando, para quem tá em casa entender, a gente tá tá lá assistindo a televisão, vem no jornal, olha, a prefeitura colocou que agora 15 bairros são, né, tão passando pelo surto da dengue. Então, atenção, você que mora em bairro tal, da região tal, todos esses dados passam por vocês, para vocês, ó, o foco tá aqui, aqui, aqui. É isso. Isso. E aí a gente eh cada visa repassa esses dados, né, para o a coordenadoria e pro e digamos pro devisa que vai fazendo, vai compilando esses dados e aí vai tendo uma visão do todo. E nós também nos conversamos umas visas, uma visa com as outras. Isso e aí decide, por exemplo, olha, nós vamos ter um multirão em tal região porque ela é endêmica, alguma coisa. todo esse trabalho eh um dos objetivos é justamente esse, identificar onde tá sendo o foco daquela transmissão, porque pode ser por picada de mosquito, pode ser uma doença respiratória, pode ser por ingestão de de eh líquido ou algum alimento. Então, cada tipo de doença, a sua transmissão, ela tem uma estratégia de se ser interrompida, para ser interrompida. Então, a partir desses dados, o que as visas eh eh diagnosticam, o devisa faz as orientações pertinentes. Então, para aquele aquele bairro tá tendo eh transmissão de créd uma creche, olha, pais, várias tá tendo um surto de um teve um caso suspeito de alguma doença na na creche. Eh, muitas unidades escolares inclusive tem uma relação direta com a vigilância epidemiológica. Então, identifica um atestado, por exemplo, uma criança que se afastou por alguma doença infecciosa que eles perceberam pelo sí do atestado que o que o pediatra forneceu. Então, muitas vezes a escola já comunica a vigilância pra gente já fazer a primeira orientação pra escola e eles poderem compartilhar com os pais e ao mesmo tempo a gente já entra em contato com a unidade de saúde responsável pelo território daquela escola para fazer a buscativa dos outros pacientes ou se precisar fazer algum, por exemplo, um bloqueio vacinal. Hum. Então é um trabalho bem coordenado, porque tem tem algumas doenças que você tem um prazo muito curto para você conseguir identificar e suspender a a transmissão. Então precisa eh ser esse trabalho coordenado, já qualificado. Então a gente tem um uma proximidade muito grande com as unidades de saúde, com os hospitais e com as escolas para fazer um trabalho, uma parceria mesmo para as doenças sazonais, por exemplo, ai vai outono no inverno a gente tem mais esse tipo de gripe, mais esse tipo de doença respiratória em crianças, etc. Vocês já têm um um pré-preparo assim para receber isso? Sim. Um outro outro outra função da vigilância epidemiológica é justamente fazer esse acompanhamento da educação permanente, continuada das unidades, porque a gente sabe que muitas vezes as equipes elas mudam. Então aquele, por exemplo, aquele enfermeiro, aquele médico que você fez um treinamento sobre uma determinada doença, às vezes no ano seguinte já não é mais essa equipe que tá lá, então você precisa ter esse acompanhamento. Então um dos trabalhos da vigilância é também fazer essa esse trabalho de educação continuada, até porque os protocolos podem mudar, as doenças, os tratamentos eles podem evoluir, podem ter alterações eh de exames, inclusive tem tecnologias que são inseridas no Sistema Único de Saúde. Então a gente também faz esse trabalho de acompanhar e orientar. Então a gente já sabe, por exemplo, que vai ter normalmente no início do ano com as altas temperaturas o aumento dos casos de dengue ou no meio do ano, né, um pouco antes do meio do ano, o aumento no número de casos de doenças respiratórias. também faz parte do nosso trabalho, eh, fazer um treinamento com as equipes de atendimento dos protocolos, repassar eh orientar o que que tem disponível na rede para fazer diagnóstico, qual que é o fluxo de encaminhamento dos pacientes. Então, também faz parte do trabalho da vigilância. Olha que legal. Aí você me contou um pouquinho antes que inclusive na pandemia ficou seis meses longe do seu marido. E o Pedro, você conheceu ele aqui? Ele é de Uberaba. me conta um pouquinho dessa história. É, eu e o Pedro já estamos juntos vai fazer 9 anos já. A gente se conheceu pelo pessoal, né? Eu vim participar de algumas atividades aqui, eh, do partido e acabei conhecendo o Pedro. Eh, mas a gente, eu, né, depois voltei para Uberaba, terminei minha faculdade e aí quando eu voltei para Campinas, a gente eh resolveu ficar junto de vez. E ah, que legal. soube que vocês têm seis filhos. É verdade. Seis, seis filhos. Seis filhos, gente. Seis filhos de quatro pais. É, olha só. E você vai me contar um pouquinho mais sobre eles. Vou pedir para ir soltando um a um. Aí, gente. Vamos ver quem é cada um aí. Quem é esse? Essa é a morceguinha. Amorinha. Volta um pouquinho que ela vai contar a história de cada um, né, gente? É irmã da Morinha ou não é? São irmãs. São irmãzinhas. São irmãs. Mas elas estão desse tamanho agora? Não, elas têm já um ano e se meses. Ah, tá. E a outra é a morinha. A outra é a amorinha. Nasceu na sua casa. Pode mostrar outra, gente. É a mininha. Ah, é? Vamos no próximo. Essa é a Jujuba. Ela é a mãezinha dela. A mãezinha da morinha e da e da morceguinha. E ela também é mãe da Cissa. Essa é a Nina. É a nossa mais velhinha. Ah, é. Tem 10 anos já. Essa foi a primeira que a gente pegou. E E quem mais? Vamos ver se tem mais. Tem mais, tem mais. Essa é a Mel. A Mel. Hum. E essa é a CSA, que é irmãzinha das filhotinhas também. Mas nasceu na mesma ninhada. Na mesma ninhada. Mas é a foto é mais é mais recente, então, né? Ah, mas me conta que essas meninas é você tem tão seis meninas. Tem seis cachorrinhas. Seis meninas. Seis viralatas. A mãe das meninas é a Jujuba. A jujuba. Como que a Jujuba aí, ó, treinhou? Ela fugiu, na verdade não. Um outro cachorro entrou no outro cachorro que entrou no seu quintal. Na verdade, ela a gente quando a gente pegou e ela foi resgatada e ela veio bem debilitada, é, tava bastante doentinha e a gente nunca conseguia castrar porque ela sempre estava em algum tratamento e aí sempre era contraindicado. Não pode. É verdade. E a gente tentou por umas duas vezes, é, um período, né, um intervalo ali e mas não deu certo porque ou ela tava fazendo algum tratamento de alguma doença infecciosa ou ela tava com algum algum sintoma. Então os veterinários contraindicaram, a gente tentou umas duas, três vezes, aí eles contraindicaram. Eh, a gente falou: "Bom, então vamos esperar terminar, mora em casa, né? Em casa, tratar tudo certinho." E só que aconteceu que nesse nesse meio tempo tinha um cachorro da vizinhança que vivia na rua, os donos deixavam na rua e aí ele pulou o muro da minha casa e aí a gente só ficou sabendo depois, né? Depois, né? Depois, né? E você ficou então com três filhotinhos. A gente, ela teve sete filhotinhos, a gente doou quatro, eu fiquei com três. Três meninas. Três meninas. Ai, olha que a gente achou que seria mais fácil ficar com as fêmeas para não dar briga entre eles no território e aí a gente ficou com três. A gente não teve coragem de doar todo. É, eu vi ali. E a é a éissa. Sis cissa. Ela é a mais antiga. É quem que manda na casa? Nina. A Nina manda. As outras obedecem mesmo. As outras obedecem. É. E como que é isso? Você quem leva os cachorros pra casa? Ah, eu. Eu e o Pedro. Os dois. Não é só um que chega. A, olha, olha que chegou. Alguém já chegou inclusive vai colocar e falar assim: "Ah, eles gostam tanto de cachorro, vou deixar na porta da casa deles." Já aconteceu isso? Nunca deixaram, mas às vezes o pessoal manda mensagem. Mas a gente assim, não é é difícil você fazer resgate, né? cuidar, poder depois colocar adoção. Então, eh, a gente entende as dificuldades, o pessoal sempre procura ajuda, a gente tenta ajudar da melhor forma possível, mas de fato a gente não consegue mais acolher em casa porque já tem a seis, né? Sim. Sim. Como foi que a Nina chegou? A história da primeira. Ela, na verdade, ela ela nasceu lá na cidade de Cotia e ela foi resgatada pela minha cunhada e depois de algum tempo ela não tava dando muito certo com os cachorros que já tinham lá na casa. E aí a gente trouxe ela para Campinas também foi quando eu e o Pedro a gente foi morar juntos e aí a gente trouxe a Nina. A Nina quem chegou depois? Depois foi a Mel. A Mel adotado em Feirinha. E depois a feirinha aqui em Campinas mesmo. Aqui em Campinas, lá no Parque das Bandeiras. Ah, tá. A gente eh sempre conversa com o pessoal das ONGs, conhece e aí nesse dia que a gente conheceu ela ia ter uma feirinha lá no Parque das Bandeiras, a gente foi lá porque a gente queria adotar uma irmãzinha, uma segunda. A Nina tá muito sozinha. Vamos, vamos adotar a segunda. Adotou a Mel. Depois quem chegou? Depois foi a Jujuba. Jujuba chegou como a Jujuba? Ela foi resgatada eh ali na região do Campo Grande, a mãezinha, ela é deinhada também, então foi resgatada a mãezinha, os filhotes. E aí a gente conheceu por conta de um anúncio na internet da eh de doação de uma protetora de uma protetora individual, tem bastante protetora independente, né? Isso. Protetora independente. E aí a gente conhece, a gente viu a divulgação e aí a gente resolveu que a gente precisava de mais uma, né? Mais uma. Nina e Mel precisavam de mais uma irmã, irmãzinha. E aí a gente pegou, ela era bem bem novinha, só que eh quando ela foi resgatada, ela tava muito doentinha e aí a gente pegou para cuidar também. E e assim sempre toda vez que terminava de fazer um tratamento, descobri que tinha outra coisa. E aí isso foi se arrastando. Você sabe que essa semana que passou eu vi na internet e depois eu vi que teve até uma reportagem especial, mas não consegui assistir ainda daquele cachorro, acho que é no Ceará que foi pego, mas ele tava tipo, ele teve que ser inclusive anestesiado para conseguir tirar 3 kg de pelo engruvado por maus tratos, né? É, é muito triste. E a gente assim, sempre gostei de cachorro, desde muito novinha, a gente sempre teve cachorro. Meu marido também, desde criança sempre teve cachorro. Então quando a gente casou a gente falou: "Ó, vamos, vamos ter cachorro também." Cachorro. É, mas não imaginavam que elas que Nina e Mel iam ter tantas sobrinhas, né? Não, porque realmente a Jujuba foi assim. E agora todas estão castradas? Todas castradas. Todas. Eh, ela ficou mais de um ano e meio tomando medicação, fazendo tratamento e como a gente a gente respond a gente aceitava a recomendação porque a gente também não queria colocar ela em risco. Sim. E aí aconteceu essa nesse meio tempo e agora estão lá com seis filhas. Agora estamos com as seis. Olha que fofas, né? Dá bastante trabalho, mas assim, gente, dá, mas aí vocês dão ração, vocês só, eu inventei de fazer comida pros meus na pandemia, eles não comem mais ração. A gente faz também comidinha própria para para elas de ah com verdura. Isso também eu achei que foi tão bom, achei que fez bem. Elas gostam e a gente passei Mas não é gente, não é resto de comida de humano que antigamente os nossos avós davam. Mas sobrou um pouquinho. Vamos pôr numa. Não pode, gente. Não pode. A gente faz específico, sem tempero, sem alho, sem cebola, sem sal. É como tem que ver o que que pode, porque cachorro nem tudo pode, então tem que olhar direitinho. A gente faz assim, bem. É verdade. Faz sempre com eles. Agora você não veio hoje para falar da vereça, vai falar na próxima, tá bom? Mas fora cuidar dessas seis filhas, o que que você gosta de fazer? Você não tá mais na vigilância? Você tá afastada? ou você continua atuando? Eu me licenciei da eh do cargo na prefeitura, continuo sendo servidora, mas agora eu tô licenciada para poder exercer o mandato, porque é muito difícil conciliar carga horária. Consili eh aí não queria nem carga horária de lá é de quanto tempo? Eh, eu sou 30 horas na prefeitura e o mandato também exige bastante. Então, para não prejudicar nem uma coisa nem a outra, eu por me licenciar, mas ainda sou bem atuante na questão do serviço público. A gente tem eh tem uma atuação em defesa dos servidores, em defesa dos serviços públicos aqui na cidade. Então, me optei por me licenciar nesse momento, mas eu continuo como médica da PUC, sou médica do hospital da PUC, então faço o ambulatório, atendimento eh do PS mesmo, do não, do ambulatório de infectologia. Ah, de infectologia. E como não, né, deu para conciliar esse horário que não tem atividade eh específica aqui da Câmara, eh também não prejudica nada a nossa atuação no mandato. Então porque eu não queria ficar totalmente afastada da de exercer a profissão, porque afinal de contas antes de ser vereadora sou médica, só é e médico todo dia tem uma novidade, né? Tem alguma coisa nova e também para não deixar os pacientes eh prejudicados. São pacientes que acompanham no nosso ambulatório há bastante tempo. Legal. E com tudo isso, que que você faz nas horas vagas, além de cuidar das seis filhotas? Olha, eu gosto bastante de ler. Literatura é a é o o acho que é o meu hobby favorito, poderia colocar, mas Ah, tá. Não é livros de medicina apenas, né? Não, esses são na hora do trabalho, né? para o eh estudar em geral, tem um horário do dia que eu tento me dedicar, mas que eu gosto de fazer como passatempo, como hobby, eu gosto bastante de ler, literatura de tudo, ficção, não ficção, mas eh acho que é o que eu mais gosto de fazer e gosto quando possível também de viajar, né? Então quando a gente tem um um feriado, um internado, tem indo para Uberaba, faz tempo que eu não vou. Todo mundo pergunta e pede para trazer queijo e trazer doce de leite do leite. Mas eu tô devendo porque faz tempo que eu não, normalmente minha mãe, meu pai, eles estão vindo, né? Mas então, mas em breve eu vou eu vou vou voltar para Ah, é. Vai na época da exposição. Olha, faz tempo que eu não vou também porque para eh conseguir conciliar, mas faz bastante tempo. É porque acaba que meu pai e para minha mãe é mais fácil vir do que eu eu ir, porque a demanda é muito. Sim. Mas eu tô para ir lá dar um passeio. Dar um passeio lá. É. E tá conseguindo hoje, você falou, né, de conciliar o seu trabalho com a vereça. Consegue relaxar ainda ou tá mais difícil de relaxar? Tá mais difícil, com certeza. do tempo livre, ele encurtou bastante, mas eu acho que a gente também precisa ter eh se esforçar para garantir, porque eu acho que eh você entrar em alguma situação de estresse, de eh burnout, assim, o prejuízo que isso gera é muito grande, né? É porque depois para você se recuperar é muito tempo. Eu já tive burnout como profissional da saúde, logo depois que eu terminei residência, comecei a atender eh já como infectologista, já passei por esse período de acho que quem quem trabalhou durante a pandemia na saúde dificilmente alguém escapou de de ter um burnout. Então é um é um período muito difícil, você tá completamente exaurido, então para depois você recuperar eh e essa força é mais difícil. Então, por isso que hoje você fazão, a gente precisa prevenir e uma das uma da importância de prevenir um adoecimento ou essas situações assim de de exaustão é você ter os momentos em que você faz o que você goste. E acho que isso precisa, a gente é, a gente precisa colocar isso na rotina, precisa ter, precisa garantir. Então, eu tento eh tirar uma meia hora todo dia para fazer alguma coisa que eu gosto. Atividade física também é importante. Gosta? E depois que eu assumi o mandato, eh, eu voltei a fazer atividade física, porque é uma coisa que faz a gente ter mais, eh, mais paciência, faz a gente dormir melhor. Então, como os dias são muito pesados, é importante a gente ter essas medidas que vão aliviando o estress, tá certo? Então, e eu recomendo para todo mundo atividade física, então preciso fazer, não é só pelo corpo, pela mente também, né, Fernando? Examente. Precisa ter nos horários. Tem que tem que garantir, tem que colocar na agenda. Claro, às vezes precisa remanejar os horários, ser normal, mas garantir que alguns momentos da semana você vai ter aquela aquele momento para pensar, para se cuidar. E isso, todo mundo precisa ter isso. A gente luta inclusive, né, como como parlamentar, a gente luta para que as pessoas tenham esse direito e que é fundamental pro bem-estar, pra saúde. Então, tá certo. Olha, já que você falou um pouquinho, ela já deu um pouquinho das lutas, você vai contar detalhes sobre isso na sua próxima participação. Combinado? Combinado. Ai, obrigada por hoje, por compartilhar um pouquinho da sua história aqui com a gente, viu? Eu agradeço o convite, Mirna. Agradeço a gente poder conversar também um pouquinho de questões fora da política que a gente sabe que são importantes e agradecer a TV Câmara por essa oportunidade toda à disposição e a gente já te espera para uma próxima, tá bom? Com certeza. Olha, gente, na Casa do Povo fica por aqui. A gente lembra que você pode inclusive assistir todas as nossas entrevistas lá no youtube.com/tvcâmara. Você vai na nossa playlist na Casa do Povo, lá tem todas as entrevistas que nós fizemos. com os outros parlamentares também. E já tá aqui, olha, fica atento que logo mais a Fernanda volta para contar como ela se envolveu na política, que história foi essa. Mas a gente fica aqui o convite para uma próxima, tá bom? Ciao. [Música] Ciao. Oh. [Música]
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