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[Música] TV Câmara, Campinas. Boa tarde a todos. Gostaria de iniciar os trabalhos da Comissão de Proteção e Defesa dos Direitos Animais aqui na Câmara Municipal de Campinas, aonde eu declaro aberta a quinta reunião ordinária desta comissão e hoje a gente vai ter um tema que vai falar sobre a qualidade de vida e bem-estar emocional de cães, gatos e suas famílias. Então eu gostaria de já de agradecer a presença da Camila Volock, médica veterinária comportamental e psiquiátrica veterinária, onde eu tenho a honra de recebê-la aqui nesta comissão e também agradecer a presença da Vitória, Vitorino de Almeida, comportamentista também canina e proprietária da Pet Crash Brother Quatro Patas. E também agradecer a presença da a presença do grande amigo meu Roque aí, presidente da Associação dos Policiais Militares do Estado de São Paulo, que está aqui, tá, também representando aí como pai da Camila Volck, que é um orgulho aí a gente tá aqui vendo os filhos, né, fazendo uma apresentação e é uma coincidência e uma honra na nossa trajetória de vida que a gente tem essa oportunidade de convidá-la como uma especialista médica veterinária que vai falar dos assuntos dos comportamentos dos animais e dizer que esta comissão aqui, né, está terminando o primeiro semestre, hoje é a última reunião do primeiro semestre aqui na Câmara Municipal de Campinas, onde a gente exerce um trabalho como presidente dessa comissão e é muito Muito importante a gente ressaltar, né, os o trabalho que é realizado, fazer uma prestação de conta com a população de Campinas e convidar essas pessoas que têm o conhecimento da causa animal e falar um pouco nesta reunião sobre os animais de estimação não são apenas companheiros, eles fazem parte de nossas famílias. Estudos demonstram que a presença de cães e gatos em nosso cotidiano contribui significativamente para a melhora do bem-estar emocional e psicológico dos seres humanos, aliviando sintomas de estresse, ansiedade e depressão. Eles nos oferecem amor incondicional lealdade, sem pedir nada em troca, além de cuidado e atenção. É crucial que reconheçamos a importância de garantir uma boa qualidade de vida também para esses seres que tanto nos oferecem. Isso inclui oferecer uma alimentação equilibrada, acesso a cuidados veterinários, ambientes limpos e seguros, além de oportunidade, socialização e exercício físico. Além disso, é fundamental que respeitemos o espaço e o comportamento natural de cada espécie, entendendo suas necessidades específicas. Quando cuidamos bem dos nossos animais, as famílias também se beneficiam. Crianças que crescem com animais de estimação aprendem desde cedo sobre responsabilidade, empatia e respeito ao próximo. Adultos encontram nos pets uma fonte contínua de alegria e conforto emocional. Assim, ao promovermos a qualidade de vida dos nossos amigos de quatro patas, estamos, na verdade, investindo na saúde e na felicidade de toda a família. Como vereador da causa animal, tem o dever de criar e apoiar políticas públicas que promovam e bem o bem-estar dos animais, sendo que isso inclui a conscientização. E é para isso que estamos aqui hoje, para conscientizar vocês, trazer informações com pessoas que entendem do assunto, como a Camila e a Vitória. Por isso eu já iniciando, passo a palavra à Vitória, que representa a creche Brother 44, que vai falar um pouco sobre o assunto, onde eu tive o privilégio de estar conhecendo a creche Brother Quatro Patas e é um trabalho muito sério, com responsabilidade, seriedade, compromisso com os animais e construtores. posso falar com muita propriedade em relação a isso e também saber eh o que acontece no dia a dia das dos tutores, né, da dos animais junto com as pessoas que lá estão. Então eu passo a palavra já de antemão a Vitória para estar falando sobre esse assunto. Olá, pessoal. Me chamo Vitória, sou responsável aqui pela Brother Quatro Patas e nós aqui da Brother Quatro Patas, nós vemos sempre fazendo um manejo positivo de cães em grupo para trazer mais qualidade de vida e saúde mental, sempre auxiliando o tutor conjunto escolhe casa. Esse é o nosso lema da Brother Quatro Patas. Pode continuar, Vitória. Fica à vontade. Nós temos um roteiro e um manejo totalmente positivo, desde gasto de energia físico, mental e também trazendo pros tutores mais um pouco e de sabedoria no dia a dia. Muito bom. Eh, temos algumas perguntas para ser feita, mas eh antes de passar para Vitória, eu gostaria de antes de passar para Camila, é paraa Camila, eu gostaria de convidar também o nosso amigo que está presente hoje aqui, é adestrador positivo. Adestrador positivo. Já já eu anuncio o nome dele. Eh, gostaria de saber da Vitória, quanto tempo e você eh eh tem essa creche, né, onde atende aí os pets e os tutores? Olha, a gente tá manejando o CAN já vai fazer 4 anos, mas realmente no adestramento positivo vai fazer 2 anos e meio, né? Que eu vim buscando e conhecimento. Acho que todo mundo tem que trazer essa pauta, né? que a gente sempre tá eh buscando e conhecimento e o meu conhecimento no adestramento positivo vai fazer e 2 anos e meio, que eu tô sempre buscando um conhecimento eh para trazer um pouco mais e de qualidade de vida e esse adestramento positivo consegue ir trazer pra gente. Muito importante. Eh, só dando uma pausinha aqui, gostaria de convidar o Caio Henrique, adestrador positivo, para participar também. Fica à vontade aqui ao lado da Camila, por gentileza. Também tive o o privilégio de conhecer lá na Arrai Pet que realizamos lá no centro de Campinas lá na eles vão para lá no Lar São Minedito, um local que precisa ser ocupado pela população, onde o pessoal daquela região tá muito feliz lá com as ocupações do povo, né? do povo. E então, dando continuidade, ô Vitória, eu tive, né, o privilégio de conhecer lá a creche, né, juntamente com com a Raíça, que inclusive ela tem lá a Nina que faz parte lá com a gente, faz parte lá da do atendimento. E aproximadamente você atende quantos pets lá? Olha, a gente atende aproximadamente 30 cães por dia. 30 cães por dias. Mas eh desde o porte pequeno até o porte grande, né? e sempre fazendo uma separação ali na hora. E a gente sempre tem esse manejo que é muito importante de trazer, né? O cachorro tem que ser manejado, a gente tem que fazer uma avaliação antes para saber se o cão tá apto ou não a participar da creche. Esse é um ato muito importante que a gente tem que sempre e fazer essa avaliação, porque tem muito cachorro que não tá hábito e aí a gente tem que passar pela fase do adestramento e até mesmo passar pela fase e ida médica e veterinária como a Camila. E com o tempo há mudança no comportamento? Total, total. E desde o momento que a gente saiba o que a gente tá fazendo, a gente tem uma equipe multi e disciplinar. Eu acho que total a gente vê mudança, não rápido, né? Porque a gente fala que o adestramento positivo não é uma mudança rápida, mas é uma mudança que acontece ao longo da vida, que o tutor vai conseguir lidar com seu cachorro facilmente. Muito bom. Vou também fazer umas perguntas para o Caio e depois eu passo paraa Camila, que a Camila vai ficar fazendo a apresentação aqui, né, nos slides, né, eu tenho outra reunião, mas depois eu volto pra gente terminar aqui. Caio, eh, obrigado pelo convite, né, de estar participando aqui com o com a gente desta comissão, né, de proteção e Defesa de Direitos Animais que tem aqui na na Câmara Municipal, nessa casa legislativa, onde eu já estou presidente há três mandatos. Sou muito feliz em em presidi-la. Era uma comissão que ninguém queria, estava ali jogada, encostada, porém a gente mudou o conceito desta comissão e hoje é uma comissão de extrema importância nessa casa legislativa e que tem projetos, né, e que se tornam leis e mudou aí a o convívio, mudou a a a maneira que se tratam os animais, mudou o atendimento e hoje existe eh uma seriedade aí, um comprom cometimento de toda a população, reconhecendo aí o trabalho que é feito através da comissão e também do nosso mandato. Então, eu gostaria que o Caio falasse um um pouco sobre seu trabalho, onde a gente teve o privilégio de se conhecer lá no centro da cidade, na no parcão, no Arrai Pet e dizer como que é o seu dia a dia aí com os animais, o que você faz e a importância desse adestramento positivo também, da mesma forma que a Vitória falou aqui. Olá, Permínio, obrigado pelo convite. tá aqui para falar um pouco sobre o nosso trabalho para vocês. Eh, para quem não sabe, o adestamento positivo ele é baseado na ciência do bem-estar, né? Então, antes tinha um cenário de uma perspectiva diferente em relação a como a gente enxerga os cães, os animais. E com estudos as coisas foram mudando. A gente abordou esse assunto de uma maneira diferente. A gente hoje tem uma perspectiva e um olhar diferente em relação a adestramento. Então antes o que era corrigir determinados comportamentos, hoje a gente ajuda os cães a lidar com as dificuldades, né? Eu no meu dia a dia tenho o trabalho de assim como fazer os cães entenderem eh como lidar melhor com a comunicação entre eles. Também de conscientizar os tutores para que hã o nosso a nossa perspectiva também seja a perspectiva deles em relação aos animais, né? que a gente consiga trazer mais qualidade de vida e assim também aumentar a expectativa de vida dos cães que com esse estudo e com esse tempo, com esse pouco tempo de estudo que já tem, já melhorou muito, né? Então se soma o meu trabalho da Dra. Camila ou da Vitória e a gente vai eh escalando, né, esse esse esse conhecimento, essa perspectiva para outras pessoas também. Muito bom. É importante a gente ouvir isso porque às vezes as pessoas pensam que o comportamento é uma coisa simples, né? Mas tem que ter aí um profissional habilitado para tá orientando e e buscando a melhor forma de de fazer esse adestramento e esse comportamento, né? Eh, eu queria fazer uma pergunta, né, que você tava falando aí na minha memória foi lá atrás, né? Eu lembro quando eu apresentei aqui um projeto de lei na no meu primeiro mandato em 2017, onde eu fui motivo de piada aqui dentro da casa, que a gente falou que ia ter praça pet na cidade de Campinas, né? E muitos aí que não estão aqui hoje falaram: "Ô, vereador, você tá louco? Não faz nem praça, outros tipos de praça aqui. A gente vai fazer praça pet, que isso?" Aí eu falei, "Não, vamos tentar". Aí construímos lá de forma jurídica, muito bem elaborado. E graças a Deus aí hoje é um sucesso. Tem 22 em Campinas e muitos que falaram que aquilo era coisa de louco hoje impedem em suas regiões. Fico feliz porque as coisas mudam, né? Sim. Eu falo sempre comento quando o filho é bonito, todo mundo quer ser pai, né? Exatamente. E eu queria saber de vocês na no ponto de vista seu, eh, da vitória, depois a Camila pode falar sobre isso também. O que vocês pensam? O que vocês acham da importância das praças PET na cidade de Campinas, sendo que hoje nós temos 22 e não só os animais frequentam, mas também os tutores junto com as crianças, com as famílias que interagem hoje, principalmente depois da pandemia, aonde a gente viveu recluso aí por um bom tempo. E hoje a gente tem essa liberdade e essa sensação de aproveitar os lugares públicos que tem hoje na cidade de Campinas, que inclusive além de frequentar com os cães e fazer aulas, né, a gente faz esse trabalho de socialização entre os cães, que é muito importante, né, você ter um espaço específico, a gente sabe da dificuldade, o adestramento positivo, a gente precisa de um espaço neutro para poder trabalhar, né, onde tenha menos gatilhos. É, então ter um espaço veiculado exatamente pros pets é extremamente importante, né, que você consiga ainda mais parcões, né, pra gente ter eh não só a a liberdade de poder frequentar e as pessoas também, porque se eu tô ali como um profissional que posso, eh, eu já faço isso, né, a Camila também. Então a gente tá, como a gente frequenta, a gente sempre conhece novos tutores lá e e tá, ó, você pode fazer assim, você pode fazer dessa maneira diferente, né? A exatamente para conscientizar as pessoas ali. Então isso é um é um é uma soma, né, ao nosso trabalho também e a a essa visão que a gente quer que as pessoas tenham, né? Então acho muito importante a gente não negligenciar o que é importante pros animais, né? Porque a gente sabe que é uma causa muito nobre. A vitória, queria ouvir a opinião da vitória de pessoas que é do ramo, né? Eu tava até comentando com o Kai esses dias que pra gente que sabe e literalmente sobre e comportamento, pra gente aquilo lá é um parquinho, porque a gente consegue ler os animais assim freneticamente, né? é uma das aulas e das aulas que a gente tem e no curso é lá assistir o cães, como eles se eles e se comporta ali em grupo. Então eu acho que foi essencial nascer esse projeto e de parcões em Campinas que é um total e liberdade pros donos e e pros cachorros também. Muito bom. E aproveitando a oportunidade é vitória, né? E também anunciar aqui pro Caio e pra Camila, que através do nosso mandato, né, do nosso gabinete tá sendo criado em Campinas pela primeira vez. a Associação das Creches PET, né? Sim. Aqui na nossa cidade que existia uma resistência, existe ainda, né? referente ao quinaio para obter o alvará, existe uma dificuldade muito grande. Então, a gente através de dessa associação vai ser apresentada uma proposta para o poder executivo, prefeito, no caso, e trazer esse projeto aqui para casa, pra gente fazer uma nova lei que vai permitir fazer em vários lugares e ter o alvará já de imediato. E é um mercado que cresce muito, onde eu coloquei essa reunião lá no no quarto andar lá junto com o vice-prefeito, da importância, né, que de ter a Crash Pet, de ter o hotel, que ainda não tinha e um enquadramento específico na ordem jurídica. E eu fico muito feliz, né, por a gente tá participando disso daí, né, Vitória? é o kenai nosso, né, que vai ser mudado e fazer acontecer isso daí, né, que é uma realidade que precisa, é extremamente essencial pra gente que tá ali atuando na área. É uma coisa que vai mudar bastante. É, e o que eu falo, gera economia, né, gera emprego e também tá total gerando imposto para o município, né? Para o município. Extremamente essencial pra gente. Sim. Então, vou dar continuidade agora. Eu vou passar pra Camila V para fazer aí dar uma palavra e depois você dá continuidade com a apresentação e slide que você vai fazer aqui, onde vai tá gravado para ser transmitido a a pelo programa da TV Câmara e da nossa comissão. Então você pode falar alguma coisa também sobre o assunto aí da reunião e depois você inicia a sua apresentação e aí a gente depois termina, tá bom? Bom, fica à vontade. Alô. Muito obrigada, primeiramente, pelo convite de tá aqui. É uma grande honra, principalmente dividindo a mesa com Permínio, Vitória e Caio. A gente sabe da dificuldade que é trabalhar nessa área e levar esse tipo de conhecimento eh com embasamento, com responsabilidade para as pessoas. Então, cada nova oportunidade que a gente tem de fazer isso é extremamente gratificante. Então, por isso, eu te agradeço demais. A gente sabe que a área do comportamento canino, principalmente no Brasil, é uma área que foi negligenciada por muito tempo. Então, por muito tempo a gente viu profissionais trabalhando eh da maneira como queriam, né? sem se importar essencialmente com o bem-estar daquele animal que tava sendo treinado, sem se importar com o que tem por trás de um comportamento errado. Então, a gente compreender tudo isso da perspectiva do bem-estar, da qualidade de vida e da saúde, tanto física quanto mental desses animais é muito importante. Então, a minha palestra vai abordar um pouquinho sobre esse bem-estar, sobre o que que a gente precisa de fato saber, né, para conseguir lutar pelos direitos desses animais, né, que são indivíduos que não falam. Então, a gente precisa ser a voz deles, uma vez que eles não se comunicam como a gente se comunica entre si. É muito importante que eles tenham a quem recorrer, né, no momento de de poder exercer determinados direitos aí na sociedade. Muito bom. Camila Volck é pós-graduada em psiquiatria, comportamento e bem-estar animal, juntamente aqui com a Vitória, não, com a Vitória e com o Caio Henrique fazendo aqui essa excelente reunião que tenho certeza que vai ser de grande valia para quem estiver assistindo e quiser saber mais sobre o comportamento dos animais e depois pode seguir a gente pela nossa rede social, @permínioonteiro, pelo Instagram. pode entrar em contato com os profissionais que estão aqui na mesa, eh, fazendo parte dessa comissão, tanto a Camila como o Caio, como a Vitória, e vocês também fazerem esse contato. É muito importante, a cidade de Campinas que nos assiste, a região metropolitana de Campinas que também nos assiste, para ter a oportunidade de cuidar melhor do seu pet, porque eu falo que você cuidando do seu pet, você está cuidando da sua saúde. É um amigo que é gratuito, o amor dele é verdadeiro, incondicional. e não cobra nada. Então acho que o mínimo que a gente tem que fazer é a gente poder cuidar de forma legal a da saúde deles, porque eu tenho certeza que a gente cuidando da saúde dele, a gente também está cuidando da nossa saúde. Então Camila, pode dar continuidade, fica à vontade pela apresentação e dizendo mais uma vez da da honra e da importância dessa excelente reunião. Fica à vontade. Obrigada. Bom, então eu trouxe aqui alguns aspectos iniciais, né, em relação aos animais com os quais a gente vai lidar, principalmente no nosso convívio diário, né, considerando o ambiente doméstico. Então, quem são, né, em regra as duas espécies que a gente mais vê dentro desses ambientes, os gatos e os cães. Então, e é importante que a gente saiba que esses animais se comunicam de forma diferente, né, do que a gente entre si. Então, a gente se comunica basicamente de forma verbal, né, falando a língua portuguesa aqui no Brasil e a gente tem um indivíduo dentro das nossas casas que não fala português. Então, conhecer as necessidades básicas de cada espécie nos ajuda e muito a conseguir alcançar esses níveis extraordinários, né, de qualidade de vida e de bem-estar. Então, pra gente começar, eu trouxe algumas características básicas, tá? Dos gatos, que são animais que, em regra necessitam de ambientes muito mais complexos do que quando a gente pensa no cachorro, né? É um equívoco a gente pensar que o gato é animal de kitete, o gato é animal de apartamento e o cão é o animal de chácara de fazenda, né? Se a gente não tiver uma rotina adequada pra necessidade daquela espécie, o apartamento pro gato vai ser um sofrimento e a chácara pro cachorro também vai ser um sofrimento, tá? Então, os gatos eles têm muito mais necessidade de exploração ambiental do que os cães. Então, essa é a primeira informação aí com o embasamento que eu trago para vocês. Ã, um segundo ponto relevante em relação a essa espécie, né, que a gente fala que não é um cachorro pequeno, né, gatos têm necessidades específicas, principalmente considerando que a humanização deles é mais recente. Então, o contato que o gato tem com o ser humano, ele é muito mais recente do que o contato que o cão tem com o humano. Por isso, né, a gente vê gatos sendo, é, relativamente mais independentes, né, gostando menos de contato físico direto por muito tempo. Então, tem uma explicação para isso. Outro ponto importante em relação a essa espécie é o fato de que os ancestrais dos gatos, que são em regros grandes felinos, né, felinos selvagens, eles são animais solitários, né, que vivem, exploram o mundo e fazem o que precisam fazer de forma individual. Eles se encontram basicamente em época reprodutiva, com exceção dos leões que vivem sim em bandos. E por conta disso a gente vê gatos ã muitas vezes tendo problemas, né, de socializar com novos gatos que geralmente a gente traz para as nossas casas. Então nós da área a gente sempre fala que a gente nunca vai indicar para resolver o problema de um de um gato, né, que a família pegue um segundo gato, porque a chance de dar muito errado, essa convivência ela é grande, né? Então, pra gente minimizar esses riscos, claro, né, existe um protocolo que a gente desenvolve de forma personalizada, individualizada, para conseguir ter mais de um gato vivendo no mesmo ambiente, tá? E isso se dá pelo fato de que os ancestrais deles são animais solitários. Eh, uma pergunta, né, que sempre vem à tona, é em relação ao fato de ser presa ou predador e a resposta é depende. Tá? Então, o gato e em algumas situações ele é predador, mas em outras ele também é presa, né? Por isso que a gente vê eh gatos desenvolvendo medos e fobias muito facilmente, né? Porque eles estão sempre em estado de alerta, tentando se esconder, tentando fugir. Então é importante a gente considerar isso na hora de ter um gatinho dentro de casa e também considerar que eventualmente eles vão ter comportamentos predatórios. Por isso a importância, né, eventualmente das brincadeirinhas que a gente faz com peninhas, varinhas, tem uma função, tá? Eh, de novo, né, a sociabilização precisa ser extremamente adequada quando a gente pensa em trazer um segundo, terceiro, quarto gato pra mesma residência, tá? O apego do gato em relação ao ser humano é distanciado ainda quando comparado com o cão, né? Então, o cão tem muito mais necessidade de contato físico e social com pessoas quando comparado com os gatos. E esse contato social, considerando os gatos, ele tem as suas limitações, tá? Então, por mais que o gato seja eh sociável e curta, né, estar ali perto e presente na rotina do ser humano, a gente sabe, né, inclusive na prática aí que muitos deles têm o seu limite muito menor do que o cachorro, né? Então, por mais que ele permita ser acariciado, enfim, ser pego no colo, muito rapidamente ele já vai pedir para sair dessa situação e a gente precisa respeitar, tá? Isso é uma característica e uma necessidade do da espécie felina. E aí quando a gente fala dos cachorros, né, a interação social deles é muito mais complexa. Por quê? Porque o tempo de convivência com o ser humano é muito maior, tá? Então essa aproximação de cães e humanos, ela se deu muito antes de quando isso começou a acontecer entre humanos e gatos, tá? Dito isso, o cão ele sempre tem eh uma figura humana como referência, tá? Eh, algumas famílias, né, a gente vê cães que t muito bem, né? Então, não tem um apego muito específico com uma pessoa muito específica da casa, mas é muito frequente que a gente veja sim cães tendo uma figura específica da casa como referência, tá? Referência de segurança, referência de cuidado, referência de ser aquele ser que me alimenta, que me dá carinho, atenção, ah, calor, água, que interage comigo, né? Então, é muito importante a gente saber disso. Eh, uma vez que a gente considera que romper esse vínculo é muito prejudicial pra saúde mental desse cachorro, tá? Então, se o cão te vê como uma figura de referência, de cuidado, carinho, é essencial que a gente não aja de forma a comprometer esse laço e esse vínculo. Ã, cães tem habilidades muito bem desenvolvidas em relação a responder a dicas verbais, que anteriormente a gente chamava de comandos, né? Mas comandos a gente já deixou para trás como eh parte de um processo de entender o animal como um ser que precisa de respeito e não que precisa nos responder e nos ah responder e e nos obedecer o tempo todo, né? Então a gente chama hoje esses antigos comandos de dicas verbais que significa eu ah associar determinado comportamento a uma palavrachave, né? Então o cão naturalmente senta, coloca o bumbum no chão, né? parte do processo do aprendizado é eu associar esse comportamento de encostar o bumbum no chão a uma palavrinha que eventualmente a gente usa a palavra senta, né? Então a habilidade deles em relação a isso é muito desenvolvida. Ã, os sinais comunicativos dos cães são muito muito evidentes, tá? Tanto entre eles mesmos quanto, ah, quando eles querem se comunicar com a gente. E aí muitas vezes a gente falha no fato de que a gente não conhece essa linguagem. A gente não conhece a língua dos cachorros, eles não falam português, né? Eu costumo dizer que eles falam cachorreis. Então, parte do processo da gente construir uma relação saudável com os cães é conhecer a linguagem canina, tá? Ã, cães são capazes de desenvolver emoções básicas, né, que são muito importantes para esse processo da gente, eh, aprender a respeitar esses animais. Então, até pouco tempo atrás, né, cães e gatos eram considerados coisas propriedades. Eh, inclusive os tutores antes eram chamados de proprietários, donos, né? Então, a gente saber que esses animais são capazes de sentir dor e sentir emoções, eh, nos ajuda, né, a mudar essa perspectiva em relação a eles. Ã, diferenças entre raças, né, a gente ouve muito, principalmente quando se trata de raças de grande porte, né, os pitbulls da vida, os bulls da vida, ah, são animais agressivos, né? A resposta é não, não são animais agressivos. Então é importante a gente saber que o que determina a apresentação de um comportamento é sim genética, mas é muito mais ambiente. Então a forma como esse animal foi educado, como ele é tratado, se as necessidades são ou não saciadas, né? Tudo isso dita muito mais eh sobre a maneira como ele vai se comportar do que eh especialmente a raça, tá? A gente vê sim algumas diferenças entre raças por conta de questões anatômicas, né? Questões de seleção natural para realizar determinados trabalhos. né? Mas assim, no geral, a o ambiente ele tem uma uma importância muito maior quando a gente fala de desenvolvimento comportamental desses animais. E algumas das necessidades de atividades básicas diárias que eu trouxe para vocês é o fato de que os cães precisam diariamente roer coisas, cavar, destruir coisas, rasgar, né? A gente fala de lacerar a presa, lamber e passear, basicamente, tá? Então, antes a gente tinha um aspecto de que, ah, para eu ter um cachorro em casa, eu só preciso colocar água, comida e tá tudo certo de vez em quando. Uma vez por semana eu passeio com ele, né? Hoje a gente sabe que não, que uma rotina como essa, né, de comer, eh, beber água e passear uma vez por semana, vai trazer prejuízos importantes tanto pra saúde física quanto pra saúde mental e emocional desses animais. Então, dito tudo isso, né, apresentando aí eh de forma bem bem básica as espécies para vocês. Agora a gente vai falar um pouquinho sobre bem-estar, né, que é o que essa essa reunião traz como eh principal tema, né? Então, como que a gente vai discutir e falar sobre o bem-estar se a gente não sabe exatamente o que faz com que exista bem-estar? Então, quando a gente estuda, né, o bem-estar na graduação, principalmente, eh, a gente estuda esse bem-estar, eh, em relação a cinco critérios. Então, são cinco regras que determinam que determinado indivíduo tem, de fato, eh, bem-estar e qualidade de vida. A gente chama essas cinco regras de cinco liberdades e vocês já vão entender o porquê, né, da palavra liberdade. E elas são determinadas da seguinte maneira, tá? Primeira liberdade do bem-estar animal é que esse animal esteja livre de fome e sede, tá? O que que isso significa? Basicamente, que se esse animal sente fome ou sente sede na rotina, o bem-estar dele está comprometido, tá? Uma coisa importante aqui é que esses cinco critérios precisam acontecer de forma simultânea, tá? Então, por isso que eu disse, só dar água e comida não é suficiente para eu dizer que esse animal tem qualidade de vida. Eu preciso que as outras quatro liberdades aconteçam ao mesmo tempo, né, juntamente com a primeira. Então, a segunda liberdade, né, livre de dor, doenças e lesões. Que que isso significa? Significa que eu preciso estar sempre atento a saúde e aos sinais que esse animal manifesta, tá? Ao primeiro sinal de que alguma coisa tá comprometida, eu preciso ter a responsabilidade de levar esse indivíduo, né, para um hospital veterinário, para uma clínica de confiança, pra gente entender o que tá acontecendo, né, e tomar as medidas aí para que esse esse sistema, essa saúde sejam restabelecidos. Terceira liberdade, livre de desconforto físico e mental. Ã, já vou eh mais para frente descrever certinho, tá? Cada um deles. Então aqui é só um panorama geral. Quarta liberdade. Esse animal precisa estar livre de medo, ansiedade e estresse para ter bem-estar, para ter qualidade de vida. E a quinta liberdade é que ele esteja livre, como eu digo, né? é livre para ser cachorro, livre para ser gato, então, livre para manifestar comportamentos naturais da espécie à qual ele pertence. Então, para falarmos de bem-estar, precisamos conhecer as cinco liberdades. Elas precisam estar na ponta das nossas línguas pra gente realmente conseguir proporcionar tudo isso. Então aqui, né, livre de fome e sede, essa primeira liberdade, o que que significa, né, o que tá por trás dela? Primeiro, esse indivíduo precisa ter acesso não apenas à alimentação, mas alimentação de qualidade e em quantidade adequada, tá? Então, muitas vezes a gente vê animais com sobrepeso porque as famílias acreditam que se esse animal antes da rua sentia fome, agora eu preciso oferecer tudo que tem ao meu alcance para ele comer. E não é bem assim, né? Então é importante a gente considerar que alimento para cachorro é alimento para cachorro, alimento para gato é alimento para gato e alimento para ser humano é alimento para ser humano, tá? Então existem aí é rações de ótima qualidade, existe a opção da alimentação natural, aí fica a critério da família e também, né, a critério da saúde desse animal, do que de fato ele precisa, eh, e a quantidade, né? Então, sempre vai existir a necessidade da gente oferecer esse alimento de acordo com o que é e sugerido para aquele indivíduo. Ali a segunda coisinha que eu coloquei é o fato da gente não oferecer alimentos que podem ser prejudiciais, tá? Eh, dito isso, né, o que são esses alimentos prejudiciais? Em regra, alimentos humanos. Então, a pedaço da pizza, o pedaço da lasanha, a carninha que tava no seu prato, a carne do churrasco, né? A gente precisa saber que quando a gente come essas coisas, a gente faz isso de maneira consciente. Então, eu sou capaz de ler um rótulo, eu sou capaz de saber o que tem num pedaço de pizza e a partir disso tomar a decisão de ingerir. O cão ele não tem essa possibilidade, né? Como se fosse uma criança de 2 anos que você tá colocando algo de comer na boca dela, ela só vai mastigar e engolir. Então é importante a gente considerar que não seja feito a administração, né, o oferecimento de alimentos feitos para humanos. aos cães e aos gatos. Ali cuidar do peso, né? Eu já havia dito para vocês. Então, ah, o peso abaixo do normal pode ser problemático e acima também, principalmente considerando sobrecarga de articulações, sobrecarga de coluna, tá? H, próximo, as refeições necessariamente precisam acontecer em horários definidos e, se possível, sempre com enriquecimento. Então, na vida livre, o cão para se alimentar existe um desafio associado a essa alimentação. Então, trazer esses desafios na nossa rotina é fundamental pra manutenção da saúde cognitiva desses animais, tá? Então, coloquei até ali algumas imagens, né, do que seriam esses comedouros interativos, comedouros lentos, né, que ajudam a reduzir a velocidade de ingestão para cães que se alimentam muito rapidamente. Isso prejudica, inclusive o processo digestivo. Eh, como também traz essa atividade cognitiva associada à alimentação, que é muito importante para eles, tá? Tanto pros cães quanto pros gatos. E acesso livre à água limpa e fresca, tá? Então, não adianta a gente pensar em colocar a água e trocar no fim do dia. Eh, se o cão e o gato sentirem sede, chegarem até o bebedouro e aquela água estiver minimamente suja, ele vai evitar a ingestão. Então, a gente pode ter um problema inclusive em sistema urinário por conta disso, tá? Então, sempre limpinha e fresquinha essa água. trouxe algumas opções de de bebedouros, né, que a gente gosta de de apresentar para as famílias, que são principalmente os de aço inox e também de cerâmica porcelana, né, que ajudam a manter essa água mais fresquinha. Então, primeira liberdade aí de escrita para vocês. Segunda liberdade, né, livre de dor, doenças e lesões. Que que a gente tem aqui, né? a gente tem a necessidade de oferecer tratamento médico veterinário sempre que necessário. Então, a ao primeiro sinal, né, como eu disse para vocês, de que a saúde tá comprometida, é minha responsabilidade, como tutor desse animal, me organizar para levá-lo para ser atendido por um veterinário eh de qualidade ali, realizar tratamentos propostos com responsabilidade, né? Então, de nada adianta eu levar esse indivíduo, se foi me dado uma orientação e eu não fiz o que foi orientado, tá? H, se atentar a sinais clínicos sempre e dor, tá? Principalmente a crônica, que é uma dor um pouco mais silenciosa, que demora um pouco mais de tempo para se desenvolver, tá? Sempre que eu perceber qualquer sinal de dor ou de qualquer problema de saúde, a gente precisa ter a consciência e a responsabilidade de levar esse animal para ser atendido, realizar vacinação e checkup de forma regular, tá? Então, seguindo aí as orientações de quantidade de vezes ou anual ou a cada 2 3 anos determinada vacina, tá? Eh, saber exatamente quais vacinas são necessárias, né? Algumas estão no mercado e a gente sabe que não tem necessidade de serem aplicadas. E o checkup sempre regular, tá? Não deixar para levar o animal só quando ele tiver doente, mas para levar eh levá-lo, né, sempre para realizar esse checkup, pra manutenção dessa saúde também e não expor os animais a riscos, né? Então, principalmente em relação ao risco de ter acesso livre à rua, tá? Então, se o cão ele é de sua responsabilidade, é para dentro do seu portão que ele deve ficar, assim como os gatos. Ah, mas o meu gato gosta de dar uma voltinha. Hum, hum. O risco é muito grande da gente permitir que ele dê essa voltinha, tá? Então existem outras formas da gente promover atividades pro gato, principalmente dentro de casa, para que ele não precise sair pra rua, correr o risco de ser atropelado, de contrair doenças, de transmitir doenças, de ser envenenado, né, de ser maltratado. Mesma coisa em relação aos cães, tá? Vai passear com o seu cachorro, ele é de sua responsabilidade. O ideal é que ele esteja preso a uma peitoral e uma guia. Terceira liberdade, livre de desconforto. Eh, em relação ao desconforto físico, tá? como que a gente impede esse desconforto físico de acontecer. Então, eu preciso fazer, né, permitir que esse animal possa escolher estar e ficar em locais confortáveis, almofadados e com abrigo de sol, chuva, vento, tá? Isso promove a liberdade de desconforto físico, liberdade de desconforto mental. Esse animal precisa, ah, ter a possibilidade de realizar suas atividades diárias sem ser incomodado, tá? Então, é muito importante nós humanos, né? eh sabermos respeitar o limite desses animais, respeitar o momento da alimentação, respeitar o momento do descanso, respeitar o momento da brincadeira individual. Ã, isso faz parte do processo de alcançar bem-estar e qualidade de vida também. Quarta liberdade, tá? Liberdade emocional que a gente fala, eh, esse animal precisa estar livre de medo, ansiedade e estresse para ter bem-estar e qualidade de vida. O que que isso significa? Isso significa que eu preciso, como família, como tutor responsável, saber prevenir, eh, diagnosticar e tratar transtornos psicoemocionais de maneira adequada, tá? Ã, preciso evitar manejo forçado e interações que ultrapassem os limites impostos por esse animal, tá? Então, a gente estava falando muito aqui sobre respeito, sobre empatia. Então, da mesma maneira que eu gosto de ser respeitada dos meus limites, eu preciso aprender a respeitar os limites dos nossos pets, cães e gatos também. E o número três ali, oferecer rotinas adequadas de atividades essenciais, tá? Então, o animal sem atividades que saciem a suas necessidades básicas é um animal que ah eventualmente vai adoecer mentalmente e emocionalmente, tá? Então, cuidar de tudo isso é muito importante. E por fim, a última liberdade do bem-estar é a liberdade de ser cão, a liberdade de ser gato, tá? Em relação aos cães, eu já havia dito para vocês, mas eles precisam diariamente roer, lamber, cavar, passear, farejar, rasgar coisas, brincar de cabo de guerra, tá? E a ali eu trouxe algumas imagens, né, de itens que são utilizados com segurança para realização de algumas dessas atividades, né? Então o verdinho ali ele é um funciona como um labirinto, né? Que a gente recheia com alimento úmido ou pastoso, que serve para estimular a atividade de lambê, bem como aquele bonequinho ali também. que a gente usa para rechear o interior dele e oferecer para que o cão eh possa lamber até acabar o conteúdo. Eu trouxe também imagens de mordedores, tá? Um mordedor natural, que é de madeira de café e um mordedor de nylon maciço. Então, cães precisam roer em todas as fases da sua vida, tá? E a gente precisa ter a responsabilidade de oferecer eh itens seguros para serem roídos, tá? Em relação aos gatos, o que que eles precisam fazer diariamente? Eles precisam arranhar coisas, eles precisam poder escalar, estar em locais altos, eles precisam poder caçar, eles precisam poder brincar de lutinha, tá? Então, oferecer arranhadores de diversos materiais pro gato poder escolher o que ele prefere. Ah, oferecer, né, aquela gatificação, provavelmente o pessoal já deve ter ouvido falar, né, colocar prateleiras pelas paredes. Isso é muito importante pro gato poder estar em locais altos e escalar. Então, as brincadeiras de caça, geralmente com varinhas, peninhas, ã, e as brincadeiras de lutinha que precisam acontecer também na rotina desses animais. Aqui eu trouxe também algumas imagens, né, da gatificação em si. Ã, de um cãozinho ali rasgando, né, destruindo um coco, ã, um outro cãozinho com o fusço no chão, né, farejando, o gatinho caçando a peninha, dois gatinhos brincando de lutinha, eh, se não existirem dois indivíduos para brincar de lutinha, que a gente preserve as nossas mãos sempre, os nossos braços e ofereça um ursinho de pelúcia, tá? para eles poderem eh pra gente poder estimular essa atividade. E o cachorrinho ali brincando de cabo de guerra. Importante sobre o cabo de guerra é que a atividade precisa ser feita na direção da cabeça do cachorro, nunca mais alto do que ele, sempre movimentos lateralizados, nunca eh verticalizados, porque pode comprometer cervical. Então, o que que é comportamento, né? A gente apresentou aqui eh algum conteúdo importante em relação a comportamento, né? brincadeiras, comportamentos de alimentação, comportamentos de socialização. Então, pro pessoal que tá assistindo, né, o que que é comportamento? Comportamento é uma ação que resulta em movimentos, em sons, em odores, né, que são captados pelas habilidades sensoriais, então pelos cinco sentidos. Então, tudo aquilo que eu consigo enxergar, tudo aquilo que eu consigo escutar, tudo aquilo que eu consigo sentir o cheiro, tudo aquilo que eu consigo tocar. E essas observações são sempre fruto, né, da nossa capacidade de perceber e compreender o meio que nos cerca. A, o principal objetivo, né, de cada comportamento que esses animais apresentam é a comunicação. Então, sempre um comportamento vai estar associado a uma informação que esse animal quer passar pra frente, tanto para nós quanto para outros animais. Eh, dito isso, né, como havia comentado com vocês, cada comportamento se desenvolve pela soma de dois fatores sempre, tá? Quais são esses fatores? A genética e o ambiente. A genética aí tem uma importância de mais ou menos uns 20% nesse nessa conta e o ambiente uma média de 80% nessa conta. Ou seja, o ambiente tem uma importância muito maior no desenvolvimento de um comportamento de um animal do que a genética propriamente dita, tá? Por isso que pitbulls não são animais agressivos, né? Pitbulls são animais que se tornam agressivos por uma necessidade que o ambiente colocou, né? Então, uma necessidade de se proteger, uma necessidade ã de guardar um recurso, né? Porque ele não tem acesso livre a esses recursos. Então, tanto pitbull quanto qualquer outro cão, possivelmente pode se tornar agressivo nessas condições. Então, o que que a gente tem, né, principalmente dentro das nossas casas, a gente tem o confinamento desses animais, né? Então, eram animais em regra de vida livre que a gente tirou dessa vida livre e trouxe para dentro das nossas casas e domesticou, né? Além dessa domesticação, desse confinamento, ah, muito erroneamente a gente acaba humanizando esses animais, né? O que que é humanizar? né? Pro pessoal que tá assistindo, é botar roupinha, dar banho e colocar lacinho. Não. Humanizar é a gente realmente compreender que aquele animal entende o mundo como ser humano, tá? Não, ele não entende o mundo como ser humano, o cão entende o mundo como cachorros e o gato entende o mundo como gatos. Tudo bem? Então não tem problema, né, a gente dar o banho, a gente colocar a roupinha e fazer a festa de aniversário, desde que esses processos, né, não interfiram no bem-estar daquele indivíduo. Então existem indivíduos que são muito bem adaptados a tudo isso e aí não tem eh grandes diferenças na saúde dele, tá? Então essa humanização que é compreender que aquele animal seja um ser humano, faz com que muitas vezes a gente considere determinado comportamento como se fosse birra, como se fosse algo que o animal faz de propósito, né? Como se fosse uma vingança. Então, ah, eu saí, meu cachorro quando eu saí fez xixi na minha cortina de propósito, porque ele sabe que eu vou demorar para voltar, tá? Isso é humanizar, porque de fato o cão não tem capacidade cognitiva de ter esse tipo de emoção, tá? Então, dito isso, quando a gente confina e humaniza esses animais, os comportamentos inadequados começam a aparecer. Por quê? Porque geralmente o bem-estar dele é comprometido nesse processo. Por quê? Porque a gente não sabe como fazer com que não seja, tá? Então, o que que a gente eh sabe hoje? Que os distúrbios de comportamento podem causar distúrbios fisiológicos e físicos, tá? E o contrário também acontece. Então, algumas vezes a gente vê problemas físicos se transformando em distúrbios comportamentais. Por isso, a importância de considerar a saúde mental e emocional também desses animais, além da saúde física. Quais são geralmente, né, as principais consequências quando a gente tem um animal apresentando um comportamento inadequado ou com um distúrbio comportamental? Bom, primeira consequência que a gente vê, né, isso é descrito em literatura, é o aumento do índice de abandono. Então, de todas as causas, né, que fazem o animal ser abandonado, a causa comportamental indisparada é a maior delas. A gente vê também esses animais sofrendo maus tratos. Então, uma família que não tá preparada para cuidar, né, e ter e ser responsável por um animal eventualmente medroso ou agressivo, né, com comportamentos agressivos ou comportamentos de ansiedade, não sabe lidar com aquilo e muitas vezes eh acaba maltratando esse animal sem nem saber que aquilo que tá sendo feito é considerado maus tratos, né? Então, restringe o animal, coloca num cômodo menor da casa, né? Evita o passeio, evita as atividades, porque fica difícil, né? lidar com tudo isso. A gente vê, né, como eu disse para vocês, o desenvolvimento de problemas físicos e orgânicos e a gente vê também uma crescente nos casos de eutanásia, tá? Então, se a gente não sabe que problemas comportamentais são tratáveis, muitas vezes a eutanásia aparece como uma solução possível. Isso é muito problemático. Então, existe, né, um caminho a ser seguido que se baseia na ciência, principalmente na ciência do bem-estar. E a gente tem esse caminho sendo traçado aí através de três pilares de abordagem, tá? O primeiro pilar e a gente reconhece como sendo o manejo ambiental, né? Então, fazer com que esse animal possa desenvolver rotinas de atividades essenciais diariamente, né? Com a utilização de recursos específicos e adequados e seguros para cada uma delas, né? Como eu disse, por exemplo, atividade roer. O animal precisa roer, OK? Vai roer o quê? O pé da mesa, não, né? Então, a gente oferecer um mordedor, um roedor específico pra atividade acontecer com segurança. Eh, vai roer garrafa PET também não, né? A PET quando ela é destruída, né, formam-se pontas, né, eh, eh, locais ponteagudos ali em torno da garrafa e isso quando ingerido rasga a alça intestinal. Então, cães precisam roer, mas precisam roer eh recursos seguros, tá? H, segundo pilar, né, dessa prevenção e tratamento de problemas emocionais, problemas comportamentais, é a modificação comportamental, que a gente chama, né, de adestramento. Qual tipo de adestramento? Qualquer adestramento, não. Adestramento positivo. E o que é o adestramento positivo, né? O Caio trouxe aí um pouquinho da perspectiva dele, a Vi também da perspectiva dela na creche com cães em grupo. O adestramento positivo é aquele que se baseia no bem-estar para treinar os cachorros, tá? Então eu entendo que ah os fins não justificam os meios. Eu preciso sim alcançar determinado resultado, mas para isso não necessariamente eu preciso levar esse animal a um estado de dor e sofrimento para alcançar aquele resultado, tá? Então, esse é o adestramento positivo, um adestramento que respeita o bem-estar do animal que tá sendo treinado. E o terceiro pilar é o uso de medicações. Que medicações, doutora? Bom, primeiro para controle de dor, né? Então, se a gente sabe que a dor compromete bem-estar e eu estou atento a isso, eu preciso tratar e controlar essa dor, tá? Então, a primeira medicação que geralmente a gente entra nesse processo e a segunda medicação é para controle de humor, tá? geralmente medicações psiquiátricas da classe dos antidepressivos e ansiolíticos. O que que é importante que fique claro pro pessoal que tá assistindo, né, que em nenhum momento a gente tem a intenção de sedar os animais, né, dopar os animais de forma alguma, principalmente porque dentro desse processo eu preciso que ele realize determinadas atividades, eu preciso que ele seja treinado, né? Então, como que eu treinaria um animal que tá sob? Impossível, né? Então eu preciso desse animal acordado, atento, com foco, né, e atenção suficientes para ser treinado. Então, em momento algum, ao longo desse processo, a gente usa medicações com efeito sedativo, tampouco medicações que causam dependência física, tá? Então, em regra, a gente escolhe medicações seguras para fazer esse controle de humor, que muitas vezes é muito necessário pra gente alcançar resultados respeitando o bem-estar, tá? Hum. condição de trein é muitas vezes a medicação é o que leva o cão a ter condição de ser treinado, tá? Ã, então eu trouxe aqui para vocês, né, alguns comportamentos que ah, com baixa frequência, né, ou raramente a gente associa a problemas eh de dor, tá? Problemas físicos. um um primeiro deles, né, é o medo. Então, o animal medroso eh não necessariamente precisa ser treinado no primeiro momento. Então, no primeiro momento, o medo precisa ser tratado e a dor, muitas vezes precisa ser tratada para que depois ele possa ser treinado, tá? Então, o medo é um sinal comportamental, muitas vezes associado à dor. Um segundo comportamento que pouco eh se fala, né, que tem relação com dor, é o comportamento agressivo, tá? Então, cães ã manifestam agressividade por dor. Cães também, né, podem se encontrar em estado de extrema agitação por conta de dor, né? Antes a gente pensava que um animal com dor é um animal que vai ficar quietinho, amoradinho, embaixo de um móvel, né? Não vai se mover. Pelo contrário, né? Muitas vezes é o animal que pula, é o animal que sobe e desce, é o animal que corre para lá e para cá e ele tá morrendo de dor. Camila, então por que que ele tá se movimentando se tá doendo, né? a gente costuma dizer muitas vezes, eh, vale a pena aquela movimentação, né? Então, eu fico tão excitado, tão em êxtase com a chegada da minha família, que eu pulo o mais alto que eu puder, né? Mesmo sentindo dor, porque acaba valendo a pena, né? Então, compreender que essa agitação pode ser um sinal de alerta, tá? que eu trouxe para vocês um paciente agitado, abanando o rabo, vocalizando. [Música] Não tem posição, né, para ficar [Música] não relaxa, né? Esse paciente tem uma lesão em coluna, então ele sente muita dor, tá? Eh, eu trouxe também esse vídeo para deixar claro para vocês que nem sempre um rabo que é abanado é um rabo que significa alegria, eh, pode significar dor, pode significar estresse também, tá? Então, fazer uma leitura completa do estado do animal faz parte desse processo de aprender a falar cachorreis. Aqui mais alguns comportamentos, tá? Que são geralmente associados à dor. O gatinho que faz xixi fora do lugar, fora da caixinha, tá? Não é birra, não é pirraça, muitas vezes é dor. Ah, lambedura excessiva, principalmente, né, em determinadas regiões do corpo. Então, compreender que o cão que se lambe demais, não necessariamente ele tá estressado, ele pode estar estressado, mas ele também pode estar com muito desconforto naquela região ou em regiões adjacentes. A hiporexia, que é a baixa ingestão, tá, de alimentos. Então, o campo perder o apetite muitas vezes é um sinal de que algo não está bem, de que ele tá com alguma dor, principalmente abdominal, tá? Não é frescura, não é birra, não é mimo, tá? Muitas vezes é dor. Trouxe também a automutilação, né? Então tem animais que se lesionam de tanto que tá doendo aquela região e de tanto que eu busco de alguma maneira fazer aquilo parar. aorreia, né, que é o animal que baba demais, então ele tá com tanta dor que a deglutição fica comprometida, acumula saliva na boca e começa a escorrer e perseguir a própria cauda, tá? Então, muitas vezes pode ser comportamento compulsivo, pode, mas na grande maioria delas eh ter uma associação direta com dor, principalmente em região de coluna, base de caudda. Então aqui um paciente meu também. Todas as imagens estão sendo apresentadas com autorização. Tá dep. Às vezes eu tô assim, eu faço um negócio assim, hum, uma fisgada. É que n tá igual meu, ó. Se eu faço assim, bem a costela. Então, se a gente não se atenta, né, parece que é um comportamento compulsivo, parece que é um cão ansioso. E aí, muitas vezes a gente vai querer o quê? Corrigir esse comportamento, né? Ah, ele faz isso, então beleza, vamos corrigir, né? Vamos usar o enforcador, vamos dar um cutucão nele para ele parar. Mas esa aí, esse cachorro tem além de síndrome da caldequina uma baita de uma displasia cóofemoral, tá? Então dói muito. E aí a dor crônica, né, principalmente a dor neuropática, que tem relação direta com o sistema nervoso central, é uma dor que irradia, tá? Então ele não alcança a região da bacia, né, da região cóo femural ali, ele não alcança a base da calda, onde a gente encontra ali a caldaquina, né, que tá inflamada. Então ele busca o que ele consegue alcançar, que é a ponta do rabo, e faz a sucção, faz a perseguição, mordisca, tá? Então esse cachorro sente dor. Antes de eu pensar em corrigir esse comportamento, em adestrar esse cachorro para ele parar de perseguir a cauda, eu preciso investigar o que que tá causando essa perseguição. E aí eu trouxe aqui e novamente, né, o que que a gente faz para prevenir e tratar essas questões comportamentais. Primeiro, ah, eu preciso dar assistência e tratamento clínico para esse animal, porque muitas vezes ele tá com a fisiologia alterada de alguma forma. Preciso educar essa família, né? Eu preciso fazer a família entender que esse cão que se comporta de forma inadequada, ele precisa de acolhimento, né? Ele não precisa de punição, ele não precisa de castigo, ele precisa ser acolhido, ajudado, compreendido. Preciso pensar em recomendações de segurança, principalmente quando a gente fala de cães que fogem em determinados contextos, né, ou de cães que são agressivos em determinados contextos. Eu preciso fazer com que todo mundo esteja em segurança ao longo desse processo. Ã, preciso alterar o manejo das situações, né? Então, uma família que antes, eh, diante de uma condição como essa eh deixava o cão de castigo ou punia, né? porque viu que precisava fazer isso de alguma forma. Eu preciso modificar a forma dessa família lidar com essas situações. Preciso lembrar sempre, tá, que o comportamento que o indivíduo, um cão e o gato apresenta, é sempre uma resposta a um comportamento que a gente teve, tá? Então, se eu tenho um comportamento que faz o animal se sentir inseguro, muitas vezes ele vai começar a rosnar para mim, porque ele tá com medo de mim, tá? Então, a forma como eu lido com ele vai determinar a forma como ele lida comigo. O adestramento é parte desse processo, tá? mais um adestramento com respeito ao bem-estar desse animal, manejo ambiental e rotinas diárias de atividades, né? Então, eh, só complementando o lance dos parcões, das creches que fazem o manejo positivo dos cães em grupo, são fundamentais para as famílias que eventualmente não tem um uma área, um espaço físico suficiente para realizar essas atividades com segurança, né? Então ficam aí as opções das creches que são eh que trabalham de forma adequada, né? como a Brother Quatro Patas. Aí a gente tem um exemplo extraordinário de manejo, né? E também o adestramento, né, que vem para se somar e ajudar essas famílias, né, a terceirizar um pouco dessas atividades de alguma forma, tá? E principalmente os parcões, né? Então, famílias aí que vivem em apartamentos pequenos, não tem a possibilidade de fazer passeios com qualidade, é um cão que não ah lida bem com passeios, né, naquele determinado momento, eu posso me organizar, levá-lo para esse local, soltá-lo, né, a gente vê a essas atividades sendo realizadas com mais segurança. E uso de psicoativos, né, como eu falei para vocês, medicações psiquiátricas, sim. Então, tabus à parte. A gente tá falando de medicina, a gente tá falando de ciência e muitas vezes essas medicações são extremamente necessárias pra gente conseguir tratar esses animais. Então, mais uma vez, né, a gente nunca fala coisas da nossa cabeça, tá? Eu, vocês nunca vão me ver falando o que eu acho, vocês sempre vão me ver falando o que já foi comprovado através de estudos científicos com grupos de cães, com grupos de gatos. Isso é fundamental também. E aí aqui eu trago um questionamento, né, pro pessoal que tá assistindo. Tem um animal que tá apresentando um comportamento inadequado. Vale a pena, né, os fins justificam os meios? Vale a pena eu adestrar a qualquer custo, né, um animal agressivo, por exemplo, ah, ele tá agressivo, eu preciso resolver a agressividade. Mas sabendo agora que a agressividade pode ser um sinal de dor, vai continuar valendo a pena eu usar uma guia em pescoço, fazer pressão em cervical, fazer pressão em traqueia, em esôfago, né? Causar dor nesse animal. Poxa, mas a dor compromete o bem-estar. Então, eu tô remando para um lado, o profissional do adestramento tá remando para outro e o nosso barquinho vai ficar rodando em círculos e a gente só vai cada vez mais comprometer a qualidade de vida desse indivíduo, né, que como o Permínio muito bem disse, é parte da nossa família, né, só tem coisas boas a nos oferecer, né? São aqueles que só nos causam mal quando eles se vão, né? E então já vivem pouco. É muito importante que a gente faça com que essa essa curta vida seja com respeito e com qualidade, tá? Então a gente tem alguns estudos que provam pra gente que esse tipo de ferramenta não é adequada, né? Inclusive o questionamento é por que elas ainda são comercializadas. Não sabemos. Ah, porque tem casos que precisa, hum, não é uma justificativa, né? Tem casos que precisa de tratamento de forma multifatorial e não do uso dessas ferramentas, tá? Então, deixei alguns exemplos aqui pro pessoal de casa que ainda faz uso delas, que repense, tá? A partir de tudo que foi exposto aqui, que repense a utilização desse tipo de material. Então aqui eu deixei para vocês, tá? Isso é parte de um documento que a Associação Brasileira de Medicina Veterinária Comportamental desenvolveu. Então, cada um desses númerinhos que vocês conseguem enxergar são números de referências bibliográficas, tá? Então, mais uma vez, não são informações eh tiradas de qualquer lugar, tá? Mas de estudos científicos. E essas informações elas focam no fato de que ah quando eu adestro um animal tentando corrigir determinado comportamento de forma aversiva, de forma punitiva, eu faço com que existam, né, o desenvolvimento aí de reações de esquiva, reações de afastamento do do própria da própria família, reações de apatia, medo, ansiedade, aumento de agressividade que escalona muitas vezes, redução de atenção, baixa performance e aumento de bioindicadores de estresse, tá? Então, sabendo de tudo isso, de novo, eu preciso repensar a forma de lidar com esses animais quando eles estão apresentando comportamentos disfuncionais, tá? Então, mais uma vez, eh, esses fatores, né, eles se associam muito ao fato de existir diferentes níveis de educação daquele treinador, né? Então, existem diversos cursos no mercado. O adestramento não é uma profissão e ainda regulamentada. Então, a gente não tem um órgão que regulamenta tudo isso, que ah produz materiais, né, que que sejam uma base pro desenvolvimento da profissão. Então, a gente vê um treinador de diferentes níveis eh agindo de diferentes maneiras. A maneira ideal, qual é? A maneira que respeita o bem-estar, ponto final, tá? Então, o sucesso prévio com métodos anteriores também dita aí a forma como o adestrador trabalha. Então, ah, eu tentei fazer desse jeito, não deu certo, né? Então, ao invés de eu otimizar a minha técnica e e procurar melhorar minha técnica, eu mudo de técnica, eu vou para uma mais fácil, né? Que usa de dor, que usa de medo, que também tecnicamente funciona de forma mais rápida, mas o custo disso é o comprometimento do bem-estar, da qualidade de vida do animal. Então, colocar na balança, né? Realmente vale a pena, né? Me colocar no lugar, né? Então, falando de empatia, eu gostaria de ser educada assim, né? Então, a gente vê a educação positiva para crianças acontecendo, né? Antes a gente via a o lance de arremessar o apagador, de punir e ajoelha no milho, tudo isso mudou, né? Então, se mudou para crianças, precisa mudar pros cães também. Então, eu deixei aí a o QR code do documento para quem tiver interesse de acessar, tá? Já estamos indo para os finalmentes aqui. Ã, só um resuminho, né, do que eu falei sobre o uso de punições e aversivos para corrigir determinados comportamentos. Então, eu bater, eu enforcar, eu borrifar água nesse animal, dar bronca, cutucar, chutar, entre outras coisas, compromete o bem-estar. Então, se essa comissão e se tudo isso, né, que a gente tá refletindo e conversando sobre tem a base fundamental do bem-estar, eu não deveria mais me utilizar de determinados comportamentos que comprometem o bem-estar desses animais, tá? Então, quando eu bato, eu causo dor, medo. Quando eu dou bronca, eu causo medo, quando eu cutuco, quando eu chuto, eu faço esse animal ficar extremamente ansioso, estressado. Quando eu borrifo água também, né? Quando eu enforco, eu tenho comprometimento inclusive físico, tá? região de pescoço. Depois do pescoço tem uma cabeça que tem um encéfalo, que tem um cérebro que controla o corpo todo. Eu faço uma pressão nesse pescoço, né? São vasos extremamente importantes que passam nessa região, vasos que irrigam o cérebro, né? Então a gente vê sim na prática animais eh com respostas eh neurológicas, tá? Quando a gente utiliza o enforcador, ã problemas de deslocamento de traqueia, problemas em relação à deglutição, porque eu espremi aquele esôfago, tá? problemas em cervical, animais que ficam tetraplégicos por conta da utilização desse tipo de ferramenta, tá? Então, que a gente evite sempre. E aí a gente tem consequências também para relação, né, entre o humano que faz tudo isso e o animal que tá recebendo tudo isso desse humano. Então, além de comprometer o bem-estar, né, desse animal, a gente vê muitas famílias, muitos tutores, né, que a partir dessa percepção se culpam, se cobram, né? Então, a família também sofre por ter percebido que isso não era adequado. A gente vê o aumento dos bioindicadores de estresse para ambas as partes, tá? Principalmente o cortisol, que é o hormônio que causa baixa de imunidade, que causa sensibilidade em mucosas. Então aí a gente vê problemas físicos associados a esse aumento de estresse. A gente vê a perda de vínculo e de confiança entre o animal e o tutor. E aí a gente começa a perceber um cão, um gato que foge quando esse tutor chega. H, a gente começa a ver, né, traumas se desenvolvendo. Então, um animal que começa a ter medo de figuras masculinas, por exemplo, se foi um homem que treinou dessa forma ou figuras femininas, se foi uma mulher que treinou dessa forma e assim por diante. Ã, a gente vê o aumento dos comportamentos agressivos. Por quê? Por medo. Então, se eu tô numa situação em que eu preciso me defender de alguma forma, eu sou um cachorro, eu sou um gato. Vou fazer isso como? Com comportamentos agressivos, comportamentos de luta, fuga, tá? Então, considerações finais. O bem-estar animal, ele deve ser sempre, sempre, sempre considerado diante de qualquer necessidade de adestramento, seja para adestramento por agressividade, adestramento por medo, agressividade eh por ansiedade, adestramento por compulsão, qualquer um que seja, né, o motivo, eu preciso treinar de forma respeitosa. Então ali eu deixei para vocês, né? Cães ansiosos, agressivos, medrosos ou que apresentem qualquer comportamento inadequado, eles estão com bem-estar comprometido. Por isso eles são ansiosos, agressivos medrosos, tá? Então por isso eles precisam de cuidado, acolhimento e tratamento especializado e não de punição e comportamentos aversivos direcionados a eles, tá? Então aqui, né, que a gente falou da das medicações psiquiátricas, muitas vezes eu preciso dela para permitir que o aprendizado aconteça, para controlar as emoções, né? Então eu faço o controle desse sistema límbico responsável pelas emoções e eu otimizo a função do córtex pré-frontal, que é responsável pelo raciocínio lógico, pela cognição, tá? Opa, concluindo, eh, deixei aqui um pensamento, né, para vocês aí que estão acompanhando essa sessão, que tipo de relação, né, os humanos deveriam desenvolver para com os animais. Então, pensem aí, né, que tipo de relação eu quero construir com o cachorrinho que eu tenho, com o gatinho que eu tenho, tá? E aí, dito isso, eu fiz uma rápida pesquisa no na inteligência artificial ali em relação aos diferentes tipos de relações que existem, tá? relações abusivas, tá? Que são baseadas e caracterizadas por comportamentos de controle e violência. Ou seja, uma das partes exerce poder de maneira excessiva sobre a outra. Ou seja, eu mando, você obedece, você só faz o que eu permito. Você faz o que eu quero que você faça apenas. E relações saudáveis, tá? que são baseadas em respeito múo, comunicação clara e efetiva, confiança e apoio. Se eu puder escolher, né, entre as duas para desenvolver com o meu cachorro, com o meu gato, qual que eu escolheria? Então, de novo, né? Como você acha, como você acredita que você deveria se relacionar com seu cachorro, com seu gato? Como você gostaria que os profissionais da área se relacionassem com seu cão, com seu gato? Você permitiria abusos em relação ao seu cão, ao seu gato? Fica aí o questionamento e eu espero que as respostas condizam com tudo que a gente conversou, tá? É legal ser gentil, tá? To be kind. Então, olhar para esses animais com gentileza, olhar para eles com respeito, com empati, se colocar no lugar deles nos ajuda demais a conseguir promover tudo isso que a gente conversou aqui hoje. Vou deixar aqui para vocês também o QR code do meu Instagram profissional. Lá tem os meus contatos, meu WhatsApp, tá? Podem tirar dúvidas, podem me chamar para eventuais atendimentos, né? Se vocês acharem necessário, tá ali, @camilavoloc.vet. Obrigada, Permínio. Obrigada, Vitória, obrigada Caio. Obrigada a todo mundo que tá aqui participando presencialmente e a vocês que participaram aí de casa. Muito obrigada. Muito obrigado. Eu que agradeço. Então, já de antemão, agradecendo aí a vitória do da creche Brother Quatro Patas, agradecendo ao Caio Henrique que é adestrador positivo, a Camila Volk, também veterinária pela excelente palestra que realizou aqui na Comissão de Proteção e Defesa de Direitos Animais da Câmara Municipal de Campinas. E já encerrando nossos trabalhos, a gente sabe da da importância desta comissão aqui dentro da casa legislativa com a excelente apresentação e dizer que agradeço muito a presença de vocês. Vitória, obrigada Permínio, pela presença. Obrigado Caio, obrigado pelo pelo convite. Prazer estar aqui. Obrigado Camila, também pela excelente apresentação. E obrigado a todos vocês. Obrigado ao meu grande amigo Roque, pai da Camila. Parabéns pela filha, né, veterinária hoje. O mundo da gente é muito pequeno, né? Eu falo que é a única coisa boa que a gente dá é o ensinamento para os filhos, né? Então, orgulho. Parabéns, Roque. E declaro encerrada a quinta reunião ordinária da Comissão de Proteção e Defesa de Direitos Animais aqui da Câmara Municipal de Campinas, onde hoje o assunto foi qualidade de vida e bem-estar emocional de cães, gatos. e suas famílias. E encerrando, adote um pet e seja mais feliz. Boa tarde a todos. E agora vamos para a sessão. Cadê o [Música] TV Câmara, Campinas.