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3ª reunião da CEE sobre políticas públicas voltadas às pessoas com neurodivergências
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3ª reunião da CEE sobre políticas públicas voltadas às pessoas com neurodivergências

48 views Publicado 23/10/2025 HD · 2:31:48

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Evento: 3ª Reunião da Comissão Especial de Estudos Sobre Políticas Públicas Voltadas às Pessoas com Alguma das Neurodivergências

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[Música] TV Câmara, Campinas. Bom, pessoal, boa tarde a todos, a todas. É com muito prazer que a gente inicie a terceira reunião da Comissão Especial de Estudos sobre Pessoas com algumas das neurodivergências. Eh, hoje é uma sessão, nós fizemos uma primeira reunião que foi uma a reunião de instalação da dessa comissão, né? Eh, iniciamos com a relatoria da vereadora Fernanda Solto, né? Eh, dessa reunião também eh dessa dessa frente dessa comissão de estudos também fazem parte a vereadora Débora Palemo, vereador Carlinhos Camelô, se eu não tô enganado, e o vereador eh Vini Vine Oliveira, que aliás é um dos campeões aqui de de de participação formal em comissões de estudos, né? Pois é. Eh, mas enfim, nós então fizemos uma primeira reunião em que a gente iniciou os trabalhos, aprovamos um plano de de atuação que vai durar ao longo desses se meses. Evidentemente a gente pode fazer uma ou outra adequação, né, sobre o que a gente propôs, mas já aprovamos uma pauta inicial, já fizemos uma segunda reunião que foi uma, na verdade, foi uma reunião mais pra gente discutir o conceito das neurodivergências com a Dra. Eloía Valer, né, que é do Prateia lá da USP, da USP, da Unicamp, é o Prateia da Unicamp. Eh, e foi muito interessante porque a gente pôde assim dirimir dúvidas, né, pensar com muita tranquilidade a respeito da dessa caracterização. E hoje a gente quis fazer uma reunião a partir das 5:30 da tarde, né? A gente vai aí, a ideia é que a gente vá até no máximo 7:30 da noite, né? 19:30. Portanto, eh, num horário que não costumamos não costumamos ter reuniões de comissões de estudo, né? As reuniões de comissões de estudo se dão aí no horário comercial da Câmara. Eh, mas nós entendemos que a gente deveria tentar facilitar, né, a presença das pessoas com neurodivergências, eh, das pessoas que atuam no no poder executivo, eh, nas entidades, né, eh, nesse horário. Então, eu hoje hoje a ideia é que a gente possa ouvir, né, a ideia de uma sessão de escuta social sobre o que dizer das políticas de inclusão para os neurodivergentes em Campinas, tá bem? Então, agradeço a presença de todos, de todas. Quero destacar aqui a presença da senora Daniele Guimarães, né? Cadê a Daniele? Daniele Guimarães que é do departamento de política, acessibilidade e inclusão da pessoa com deficiência, tá na Secretaria Municipal do Desenvolvimento e Assistência Social. Obrigado, Daniele. Também da Sara Castro, chefe do setor eh de gestão das parcerias da Secretaria também municipal do Desenvolvimento e Assistência Social. Quero destacar aqui também a presença da Ana Paula Escatolim, que é coordenadora do movimento popular de saúde, do Movimento Popular das Tutoras. Ana, bem-vinda. A Ivone Mendonça, presidente da Associação de Transplantados e e Dialíticos aqui da daqui de Campinas, né, Ivone? Obrigado, Ivone, bem-vinda, né? Então nós vamos iniciar com a presença aqui da Paula Bajo, coordenadora, coordenadora administrativa da do PAICA, né? A gente ficou muito feliz de poder fazer uma visita ao Paica, trabalhar também nesse processo da questão do terreno, né, do Paica. Eh, e acho que a gente conseguiu, né, atuar de maneira que a gente pudesse garantir aí nos próximos anos essa atuação, né, tão importante que vocês realizam na cidade. Depois vamos ter a participação do meu xá aqui, Wagner Teixeira, representante do GAFA, grupo de apoio à família do autista. Tanto o Wagner como a Neid, né, tiveram também lá no no nosso gabinete, conversamos acho que março, abril, né, a respeito dessa importância da gente tratar desse tema de uma maneira muito cuidadosa, com muita discutindo bastante, realmente com profundidade. A gente sabe que as políticas, por exemplo, ontem nós aprovamos em primeira votação um projeto de lei do vereador Guilherme Teixeira, que inclusive convidei o Guilherme para também poder estar próximo, né, da nossa comissão, eh, que privilegia mães atípicas no tratamento, na no na atenção psicossocial no Sistema Único de Saúde aqui em Campinas, né, que é uma Oi, pai. Pois é, eu até falei isso, viu? Eh, porque tá no texto da lei, tá? Mães atípicas e eu falei da importância de tratar das mães e dos pais, né? E falei isso no meu apart pro Guilherme. Eh, e mas eh e acho que é uma política importante, mas veja, né? O nosso objetivo aqui é exatamente a gente pensar uma política integrada, né? Eh, assim, a gente tá eh eh topando esse desafio de pensar uma política integrada que articule diversas áreas. Por exemplo, tem dimensões como a dimensão do esporte que a gente não trata, a dimensão do da geração de trabalho e renda que a gente não tá não tá tratando, né? Eh, às vezes muito pontualmente, mas a gente precisa de uma política que vá tratar das também além da criança e do adolescente, né? porque a gente, claro, que tem essa preocupação mais central, mas eh e as pessoas adultas, né? Então é um tema muito importante. Queria agradecer ao Wagner e a Neid, né, por essa conversa que nós tivemos há alguns meses e que impulsionou assim a nossa atenção aqui às ao tema das neurodivergências. E quero e agradecer a Laís Costa Lima, também assistente social da Associação Pestalosa de Campinas. Laí, obrigado pela tua presença. Anunciar também Renata Barros. Cadê a Renata? Oi, Renata, tudo bem? Professora do curso de fono audiologia da Unicamp, responsável pelo ambul ambulatório linguagem, Movimento e Saúde Mental. Bem-vinda, Renata. Então, vamos começar com a Paula. Paula, então é aí um pouco a ideia é essa, né, de que a gente possa aí você pode eh organizar tua fala em no máximo 15 minutos, tá? para que a gente possa ouvir e um pouco dimensionar também o nosso trabalho. Boa noite a todos. Eh, meu nome é Paulo, né? Eu sou uma mulher branca de cabelos loiros, eh, de comprimento médio, 1,60 m de altura, um pouco fora de forma. Eu sou advogada, coordenadora administrativa do Paica. Eu sou mãe de dois adolescentes autistas, um de 13 e um de 16 anos, nível do e três de suporte. H, pensei um pouco, né, rascunhei aqui algumas ideias que a gente já discute há bastante tempo no Paica, né, eh, como mãe, não só como mãe, mas como coordenadora e hoje ativamente com 80 famílias, né, que tem as suas demandas, n demandas na questão do autismo, né, e trago muito a temática de que o lazer, o esporte e a cultura não é só lazer, não é só uma necessidade, mas ele trata, gente, as famílias estão adoecendoos, porque a gente fica muito trancado dentro de casa sem ter um espaço que nos nos acolha. A gente não pertence a esses espaços públicos, né? E aí eu escrevi um pouco, não sou muito boa de falar assim sem dar uma lida, então eu vou vou dar uma lida nesse nesse nesse estudo que a gente sentou ali, se debruçou e o que a gente entende que é muito necessário, né? Então assim, eh, o transtorno do espectro autista, ele envolve características neurológicas que afetam a comunicação, a interação social e o processamento sensorial. Essas condições exigem ambientes estruturados, previsíveis e seguros que favoreçam a regulação emocional, o bem-estar físico e mental. Em Campinas, a carência de políticas públicas que reconheçam os espaços de lazer, arte, esporte e cultura, como também terapêuticos. capazes de contribuir para o desenvolvimento integral da pessoa autista. A inclusão da pessoa com TEIA nas políticas públicas deve ir além da acessibilidade física, abrangendo a adaptação sensorial, o acolhimento social e o reconhecimento do lazer como um direito e um instrumento terapêutico. Eh, o lazer é esporte e a cultura no município hoje a gente dispõe de parques como a Pedreira do Chapadão, a Lagoa do Taquaral, o Parque o o Domingone. Porém, todos esses espaços, eles não têm as adequações necessárias à segurança e as necessidades sensoriais das pessoas autistas. Esses locais, apesar de amplos e acessíveis, eles não oferecem estruturas que previnam fugas, controlem estímulos intensos, como sons, luzes e odores, ou disponibilizem áreas de calma e regulação sensorial. as famílias, eh, quando a gente sai para fazer um lazer, e aí eu falo isso por experiência própria, acaba sendo muito mais exaustivo do que prazeroso, porque a gente tá o tempo todo em alerta de que essa criança vai fugir, de que ela vai pra água, de que não tem um portão que segura essa criança, então a gente fica em casa, né? Porque assim, para correr risco, a gente mais uma vez eh acaba ficando sozinho, né, muito nessa questão da solidão. Aquele espaço que deveria ser um lugar, um domingo público, ele não nos pertence. Eu eu sinto exatamente isso. Eu não pertenço à aquele espaço porque ele não está projetado seguramente para levar o meu filho, né? Ã, e aí a gente pensa em algumas propostas, né? eh para melhorar isso hoje, para que esses espaços possam também ser também ser nossos, né? Eh, então a gente propõe assim a criação de parques e praças sensoriais inclusivas planejados para atender as necessidades específicas das pessoas autistas, garantindo ambientes cercados e seguros com controle de acesso, sinalização visual e tátil acessível, áreas de descanso e regulação sensorial, a redução de estímulos sonoros e luminosos excessivos e a presença de atividades que favoreçam o desenvolvimento motor e emocional. Esses espaços devem ser projetados com base no conceito de inclusão universal, beneficiando todas as pessoas com ou sem deficiência, por meio de ambientes que acolham as diferenças sem segregar. Eh, um outro tópico que a gente traz bastante importante, né? Acho que a medicina, a medicina, os estudos cientificamente comprovados falam muito disso, né? Eh, da necessidade que o autista tem com água, né? Ele eles é um é um ambiente que favorece muito ele, água, eh, música e arte. São três ferramentas terapêuticas extremamente importantes para o desenvolvimento, não só da criança, mas até como de novo, pode ser além de ser terapêutico, ser um lazer, né? Ser uma forma de você fazer, praticar algo diferente e pertencer à comunidade, né? Então assim, o contato com a água, ele é amplamente reconhecido como recurso terapêutico eh e regulador sensorial para pessoas com teia. A imersão aquática, ela nos proporciona, quer dizer, estar na piscina, estar num em contato com essa água, né, paraa pessoa autista, um relaxamento muscular e a redução de tensão, estímulo tátil controlado que auxilia na regulação sensorial, melhora da coordenação motora e da consciência corporal e redução de comportamentos de ansiedade e hiperatividade. A criação de piscinas terapêuticas e espaços aquáticos adaptados em praças ou centros esportivos municipais possibilita que a prática da natação e da hidroterapia seja inclusiva, segura e contínua, beneficiando tanto a pessoa autista quanto a sua família. Eh, um pouco da importância da música e da arte, né? Eh, diversos estudos evidenciam que a música e a arte possuem efeito terapêutico comprovado em pessoas com autismo, favorecendo a comunicação, a expressão emocional e a integração social. Essas práticas estimulam a criatividade e a concentração, reduzem níveis de estress e ansiedade, favorecem a expressão não verbal e o desenvolvimento emocional e promovem vínculos afetivos e fortalecimentos da autoestima. Dessa forma, as políticas públicas devem incentivar a oferta de oficinas de música, arte e expressão corporal em equipamentos culturais e educacionais do município, reconhecendo tais atividades como recursos terapêuticos e de inclusão social. Eh, um próximo tópico, né, que a gente acho bastante importante abordar, [Música] o custo, né, de você tratar uma pessoa com autismo, ele é muito alto, né? As famílias vendem um que não tem, né? Eh, a gente sabe que pouco que o estado hoje nos oferece, que é muito pouco, né? Eh, não supre a a necessidade que a gente tem. E acho que o município ele tem algumas coisas que ele poderia tratar de forma ajudar isso com as famílias, que seria isenção de taxas municipais para famílias em vulnerabilidade social. Eh, considerando o impacto econômico que é que o acompanhamento terapêutico e educacional dos austistas impõe à famílias, propõe-se a criação de um programa municipal de isenção ou redução de taxas voltadas às famílias em situação de vulnerabilidade social. Essa política poderia abranger taxa de coleta de lixo domiciliar, tarifas de esgoto e saneamento e outras taxas municipais. A medida visa reduzir o impacto financeiro e ampliar o acesso à cidadania. reconhecendo o autismo como uma condição que requer cuidados contínuos e custos adicionais de tratamentos e acompanhamentos, como acontece hoje, né? O PTU, por exemplo, tem a taxa de a taxa a taxa de de coleta de lixo que não é cobrada. Às vezes o aposentado tem acesso, tem aposentados t acesso a alguns programas. Então eu eu vejo que isso é uma forma de ajudar de certa forma, né, um retorno aí do município, né, para para essas famílias que já t um custo extremamente elevado para poder tratar os seus filhos. E as minhas considerações finais é que a implementação das políticas aqui propostas representa um passo significativo rumo à inclusão integral das pessoas autistas, fortalecendo o compromisso do município com a acessibilidade, a dignidade e o desenvolvimento humano. Eh, reconhecer a água, a música e a arte como instrumentos terapêuticos é compreender que o cuidado e a inclusão não se limitam aos serviços de saúde, mas se concretizam no direito de viver a cidade em plenitude, com segurança, autonomia e prazer. O Paica se coloca aqui à disposição para colaborar tecnicamente com o poder público, oferecendo apoio na construção, implementação e monitoramento dessas políticas. É isso. Tá bom. Obrigado, Paula. Foi bem suscinta aí. Em menos de 10 minutos você já deu vários recados aí. Sim, obrigado. É, a gente é muito, eu costumo dizer que a gente fica muito refém em casa, né? A gente tem e para é muito, muito carente isso de você conseguir sair com seus filhos. Além de você não ter os espaços adaptados, você ainda tem sempre que ter rede de apoio para poder fazer alguma coisa. Então você depende de alguém que vai junto, que caminha junto com essa criança. Uhum. Né? Então muitas vezes é isso, né? O que era para que é que é simplesmente um prazer, uma caminhada, uma volta no parque é de um strress sem tamanho. Além do que a implementação dessas políticas, né? A criação dess dessas piscinas. Eu penso que a gente tem praças de esporte abandonadas aí na cidade. Tantas praças de esportes. Vamos fazer um projeto piloto numa praça. Uhum. Né? A gente não precisa de muito. É, é uma portaria monitorada para que não tenha risco de fuga, um limite de água, porque não precisa ter afogamento nem nada de criança, ninguém quer isso, né? E poxa, a gente tem, eu vejo Campinas como um polo universitário, sem precedentes. A gente tem tudo quanto é faculdade aqui. Não dá pra gente juntar esse pessoal, fazer um programa de estágio, fazer um programa de monitoramento e trazer isso, né? Eh, como eh questão de saúde, como questão de lazer, né? Então, assim, é pouca coisa, né? Não é muito que você precisa, né? É pouca coisa e já dá para fazer transformar muito essa realidade das famílias. Aí eh você trata três coisas de uma vez só aí, né? Você trata socialização, você trata saúde, você trata lazer num movimento que é nada pro município do tamanho de Campinas, né? Sim. Legal, Paula. Obrigado. Bem-vindas à turma que tá chegando aí. Queria falar que a Margarete também assessora aqui da vereadora Débora Palerma tá presente. Obrigado Margarete pela tua presença. Passo aqui pro Wagner então meu xá do Gafa. Vamos lá Wagner, obrigado pela tua presença de novo. Boa noite. Só testando aqui, gente. Boa noite. Obrigado pela oportunidade a todos e todas. Meu nome é Wagner, eu tenho 54 anos, sou divorciado, tenho um filho ah com autismo, nível de suporte dois, com TDH, deficiência intelectual e ele mora comigo. Ah, e nós vivemos essa aventura que a vida nos proporcionou. E eu digo que a chegada do Lucas na minha vida fez com que eu me tornasse um ser humano melhor, porque eu não olhava antes para as outras deficiências e me importava. Então, o Lucas me trouxe para uma realidade a qual eu não conhecia. E e essa essa demonstração dele faz com que eu tento diariamente buscar ser uma pessoa um pouco melhor. Talvez nem tanto, mas um pouco melhor. Mas eu queria agradecer a oportunidade da de tá aqui. Queria agradecer o Wagner Romão e eu queria citar algo aqui. Eu até vou colocar me o meu tempo aqui porque quando el aqui quando ela falou em menos dos 15 minutos, eu fiquei constrangido porque eu pensei vou ter que falar em 10 minutos também. Mas eu vou ter que usar os 15. Você cede os cinco. É, é, é. E você citou muita coisa que eu queria comentar, mas vamos lá. Ah, eu queria agradecer o Wagner Romão e antes que alguém possa pensar em algo assim, ele não é meu amigo, esse é o segundo encontro que eu tenho com ele. Eu não o conhecia. Eu não votei nele na eleição para para vereador. Eu votei no Cecílio, que é um amigo de 25 anos que eu conheço. Mas quando eu e a Neid, a Neid falou assim: "Wagner, vamos procurar o Wagner Romão e vamos levar as as propostas e o que a gente tem visto e enxergado. E o Wagner Romano recebeu na sala dele. E algo que me me chamou atenção foi a humanidade, porque nós contamos para ele como vivem as famílias, a realidade das famílias, das pessoas. O Wagner Ramon chorou na nossa frente e eu não o conheço. É a segunda vez que eu vejo ele. Eu não o conhecia. E aquilo para mim me mexeu porque eu falei assim: "Poxa, eu tô diante de um humano político e eu sou um cristão e eu oro para que Deus permita que você seja isso sempre, que não mude, porque a gente sabe que o poder é um problema muito sério e que você consiga se manter com essa humanidade. Ah, é aniversário da minha filha hoje de 15 anos. E eu vou ter que sair daqui correndo. Então, se eu sair daqui, não é porque eu não tenho interesse em ouvir todo mundo e tudo mais, mas são 15 anos, eu preciso estar lá. Ah, não é fácil. Mas vamos lá. Ah, eu queria na na minha primeira parte da fala, eu queria citar eh algumas questões históricas. A gente precisa voltar na história. Uma delas é a ausência do Estado e o surgimento da filantropia. a resposta ao autismo ou a neurodivergência, ela nasceu eh da necessidade familiar e da caridade de instituições, não pelo direito. Não pelo direito. E eu vou ler porque senão eu vou vou ultrapassar o tempo, tá? Mas vamos lá. Para entender a situação atual do autismo, precisamos olhar para trás. Durante décadas, o estado foi ausente. O que preencheu essa loucuna? o esforço heróico das famílias e o surgimento de organizações da sociedade civil e das associações de pais, como a da Camp, que foi de 1989, a Paica de 2013 e a Pestalose de 1979. Por que que os números e as datas são importantes? Porque o SUS surgiu em 1988. Ou seja, se o SUS surgir em 88, na Constituição de 1988, significa então que o Estado não estava cumprindo sua função nesse período. Por isso que surgiram as instituições. Sejam elas motivadas por qualquer motivo, por caridade, etc. Não me importa. O ponto é, o estado foi omisso, o poder público foi omisso e, infelizmente, continuou sendo. Ah, eu reconheço e parabenizo a PAIC da Camp e e todas mais, mas nós precisamos considerar que eh o cuidado eh não chor Opa. Ele mesmo chora e fala que não chora. ele já falou: "Não chora para É, eu reconheço e e acho valioso todos os trabalhos e dessas instituições e a instituições como pai da campo e tal que tem parceria com o município e tomara que continue porque elas são históricas e permanecem". Mas nós precisamos levantar uma questão de que existiu porque o Estado foi omisso e nós não podemos permitir que o Estado seja omisso. O poder público precisa assumir a ponta da responsabilidade disso para que senão a gente começa a ter surgimento de um monte de OSC, um monte de OSC, um monte de OSC e o e o e o e o poder público começa a terceirizar isso. E aí a gente vai cobrar quem? E vamos cobrar como? Não, não, não podemos chegar nesse estado. Então assim, nós precisamos lembrar da história. A história nos mostra que a ausência do estado faz com que surge algumas instituições. O GAFA, que é o grupo que eu faço parte, ele é bem diferente da do PAICA, é bem diferente. A gente se propõe a uma outra a uma outra a outra proposta, né? A gente é um grupo de apoio à família em defesas dos direitos, em acolhimento, em escuta. E a gente faz isso no espaço da Igreja Presbiterana de Barão Geraldo, que é a igreja que banca todo o nosso espaço. E eu gosto do contato tete a tete. Então assim, a gente conversa, as pessoas vão lá, marca o horário, a gente chora junto e vamos caminhar, ó, não desiste não, ó, a lei tá aqui, vamos tal. Mas existem outros outras eh iniciativas como a da a do PAC da Jaqueline que tá ali. Ela é mais jovem do que eu, bem mais jovem. Então ela consegue fazer um contato mais online de forma muito rápida, mas tem também um trabalho muito interessante. Então o primeiro ponto é a ausência do estado e o surgimento da filantropia. Uma segunda fala minha é sobre a estrutura de Campinas e o modelo do SUS. Campinas possui uma rede de atenção psicossocial que deve ser fortalecida e não enfraquecida. Recentemente, infelizmente, tivemos manifestações na cidade a respeito do impasse na renovação do contrato entre prefeitura e o serviço de saúde Cântico Ferreira, responsável por 11 dos 14 CAP, Centro de Atenção Psíico Social à cidade. A pergunta que eu faço é: a quem interessa o desmonte do SUS? A quem interessa o desmonte do SUS? A quem interessa? a gente precisa a ah lutar por isso, porque ah eu li uma matéria recentemente, tá ali a Márcia, que é uma parceira que trabalha também a com tá me querendo me puxar pro doutorado, pro mestrado para estudar algumas coisas sobre a questão do envelhecimento das pessoas autistas. E eu tô num namoro de vô, não vou, vou, não vou, vou, não vou, mas por enquanto ainda não. Mas a a eu tava lendo que no Brasil tem quase 1000 clínicas que surgiram como centro de referências de autismo, tipo algo semelhante, mas elas não têm nenhuma relação com SUS. Elas são elas são construídas com dinheiro do poder público, mas não tem relação com o SUS. Aí você fala: "Quem controla esse negócio?" E aí me assusta também que recentemente recebi uma mensagem, um e-mail de um deputado estadual conhecido na região, porque eu não vou dizer o nome porque eu não sou doido, mas dizendo assim: "O que você acha de nós termos centro de referência na cidade de Campinas sobre a questão do autismo? Ah, porque você coordena um grupo assim assim assado, eu queria te ouvir. Aí eu falei assim: "Então, cara, eu acho que seria muito legal, mas ele vai estar debaixo do SUS ou ele vai ser independente?" Porque se ele é independente, eu já cansei de ver essa esse filme. Constrói-se um projeto desse e sai a foto do projeto e do político do lado. Não, nós precisamos investir no SUS. O SUS tem uma estrutura, o SUS tem história para que o SUS possa nos atender. A gente precisa lutar por isso e brigar por essas coisas. A a importância da necessidade da questão da interidaliedade nessa relação saúde, ah, educação e serviço social. Não é possível que em pleno século XX a gente não tenha tecnologia o suficiente para ajudar nisso. Não é possível. Eu, se eu for aqui no SENAI pegar um menino do primeiro ano de técnico informática, ele elabora um projeto desse gratuito pra prefeitura de Campinas e refazer, porque não tem cabimento a gente não ter. A gente vai lá e eh tira o o laudo que já leva um tempão para tirar. Esse é um outro assunto para daqui a pouco. Aí você tem que pegar esse laudo, leva na escola, aí você retira, guarda em casa para você não perder. Aí você vai em algum lugar, você tem que levar o papelzinho para comprovar lá, não sei aonde, o papel vai se desgastando. Poxa, não seria possível. A gente tem um sistema em que você colocasse lá na hora que a mãe chegasse e ó que eu sou uma pessoa instruída, mas tem gente muito simples no nosso na nossa sociedade chegar só com o CPF da criança na hora que digita lá na escola, na hora da matrícula, a pessoa da da da recepção da da secretaria, opa, ele é atendido no posto de saúde tal aqui da região. Poxa, que legal. Nossa, ele tá sendo atendido pelo serviço social. Não, ele não tá sendo sendo atendido pelo serviço social. Poxa, a gente precisa resolver isso. Por que que a gente não consegue fazer isso? Não é possível que uma cidade do tamanho de Campinas não tenha verba para fazer. Alguma coisa estranha. Ah, deixa eu ver meu tempo. Ah, 9 minutos. Tô bem. Uma uma Oi. Pode usar o meu também. Uma virada ética. a inclusão como pertencimento. A gente precisa propor um novo paradigma focado na responsabilidade coletiva e no respeito à neurodiversidade. Vou ler aqui para eu não me perder. O esforço não pode ser apenas para ajustar a criança ao ambiente, mas sim para modificar o ambiente para incluí-la. Ela falou uma coisa, seu nome mesmo? Paula. Paula. Ela falou assim: "E é cansativo". Você fala assim: "Vamos naquela praça ou vamos no shopping". No começo, Lucas tem uma expectativa enorme de depois de meia hora no lugar, ele não aguenta mais. O cheiro, as luzes, os sons, etc, etc, o cansa. E no começo eu não quis, eu e a minha esposa, a gente não queria levar o Lucas nos espaços públicos porque ele queria subir no escorregador de forma ao contrário, ele queria brincar de forma diferente e eu começava a podá-lo. Não, não, não, Lucas, brincar é assim. Brincar é assim. Aí eu lembrei de Celestim Fenê. Não, brincar não é assim. Brincar é do jeito que ele quer brincar, da forma que ele quer brincar. Por que que eu quero controlar o brincar dele? Então assim, eh eh esse ponto que ela falou é extremamente importante porque tem muita gente que não leva seus filhos aos espaços públicos e o tira o direito deles de participar do espaço público e o espaço público é deles também, deles e delas. A gente precisa lutar por isso. Ah, mas sim para modificar o ambiente na escola, no trabalho, nos espaços públicos. para que ele acolha a neurodiversidade. Precisamos sair da lógica da tutela e do tratamento para entrar na lógica do pertencimento do direito. A verdadeira inclusão acontece quando uma pessoa autista é vista não como indivíduo a ser apenas corrigido o tempo todo, mas como um cidadão pleno de direito, cuja diferença enriquece a nossa sociedade. Ah, me em penúltimo lugar, a expectativa de vida no Brasil de pessoas neurodivergentes, autistas, tá lá nos 39,5 anos. OK? Eh, e aí eu fico pensando, se a expectativa de vida de uma pessoa é 39 anos e no Brasil a expectativa de vida de uma pessoa são 75 anos, eu sou um leigo. Essa pessoa não deveria ter prioridade de atendimento, já que ela tem uma expectativa de vida menor. Você tem um filho, você tem dois filhos, um vai viver menos. Você falasse assim, querida, a gente precisa dar condições, mas parece que é o contrário. Parece que é o contrário. Ah, se eu pegar esse copo d'água aqui e perguntar para vocês assim, quanto que pesa isso daqui? Alguém vai me dizer: "Ah, Wagner, tem 200 ml." Eu nem sei se ml é peso. Não, não é minha área. Eu sou de humanas, mas pesa 200 ml, tal. Beleza. Se eu ficar ele segurando uma hora, vai pesar quanto? 200 ml. Se eu não beber água. Se eu ficar com ele 3 horas, vai pesar quanto? 200 ml. Vai continuar pesando 200 ml. O que muda? O meu braço, se eu ficar segurando agora, é um peso. Se eu segurar ele por 3 horas, é outro peso. Meu filho demanda de mim algumas coisas que são pesadas e algumas coisas são pesadas para fazer sozinho, sem rede de apoio. Ah, e começa a ficar muito pesado, muito pesado, muito pesado. E coisas simples passam a ser pesadas demais. E não ter rede de apoio é muito cruel. Quando você vai num serviço público, seja ele qual for, e você é maltratado, é duro demais. a gente vê campanha falando sobre consciência, etc e tal, mas parece que às vezes o próprio serviço público em várias áreas e não tem uma formação. A gente vê no Brasil, e eu não posso restringir isso só ao Brasil, mas voltar à questão de Campinas também, a gente vê criança que entra em crise em escola, chama a polícia para ir lá e dar gravata no pescoço da criança. Tenha santa paciência, me desculpe, não tem condições. Um policial tem que ser treinado para para poder atender alguém da recepção na no hospital, alguém da ambulância, alguém do Tem que ser. Não é possível que a gente viva numa cidade como é a nossa cidade, que eu amo essa cidade, mas não é possível. Eu vou ficar calma. Pera aí. Gostei de você. É isso mesmo. É igual lá no gafa, pode as crianças e falar a hora que quiser, não tem problema não. Sobre a questão da expectativa de vida. Para terminar aqui, quando falamos sobre expectativa de vida reduzida de pessoas autistas neurodivergente, estamos falando de uma fila de morte antecipada que não é causada pelo autismo em si, mas pela falha sistêmica do poder público que não ofereceu diagnóstico precoce e não ofereceu tratamento em rede e principalmente não trabalhar a inclusão social e a segurança durante a vida. A inclusão, portanto, é uma questão de sobrevivência. inclusão é uma questão de sobrevivência. Gostaria? Eu vou usar um minuto da sua fala, tá? Desculpa. Fica à vontade. Eu gostaria de Pode deixar que eu acordo. Eu gostaria de encerrar com um conto chama a O conto da Praça transformada. Não sei se alguém conhece. Ai, eu esqueci de anotar aqui. Ai, outro dado importante, tem uma cópia aqui, uma cola. Em 2024 foi comunicado sobre os ranks dos países que nós somos a 10ma economia do mundo. É uma vergonha nós sermos uma 10ma economia do mundo e nós não temos a 10ma educação do mundo. Fica pra gente pensar, né? Mas vamos lá. Era uma vez numa cidade não muito distante da nossa, uma praça antiga, linda, com árvores frondosas e bancos de madeira, mas sempre um tanto vazia em um canto. As crianças brincavam no escorregador, os adolescentes conversavam, mas no pequeno playground, onde o chão era de areia irregular e os balanços rangiam alto, faziam barulhos, poucos se aventuravam a estar ali. João, um menino com os olhos curiosos e uma mente que processava o mundo de um jeito único, raramente conseguia brincar ali. A textura da areia o incomodava, o barulho agudo do balanço, nc, a dificuldade em subir no escorregador sem corrimão firme, tudo o afastava. Sua mãe tentava, mas o esforço era grande demais. O João acabava observando de longe. A cidade então decidiu que era hora de repensar a praça. As famílias, incluíram a de João, foram convidadas a sonhar. Não se perguntou como podemos fazer o João se adaptar à praça, mas sim como podemos transformar a praça para que todos, inclusive o João, sintam que ela lhe pertence. Juntos eles redesenharam o espaço. A areia deu lugar a um piso emborrachado, macio, com textura táteis, que convidavam ao toque sem sobrecarregar. Os balanços agora eram silenciosos e alguns tinham encosto para maior segurança. Criaram-se pequenos recantos com plantas aromáticas e panéis sensoriais, onde o onde o excesso de estímulos do centro da praça podia ser acalmado. O escorregador ganhou uma rampa suave e corrimões coloridos. No dia da reinauguração, a praça estava cheia e lá estava João. Ele não estava sendo tutelado para entrar. Ele simplesmente pertencia àquele espaço que havia sido pensado para ele e para todos. Pela primeira vez ele subiu sozinho no escorregador. Não precisou de ajuda. Seus olhos brilhavam, não por ter se adequado, mas porque o mundo naquele pedaço de terra havia se adaptado a ele. Ele brincou lado a lado com outras crianças, cada uma à sua maneira no seu tempo. Essa é a visão que propomos. A inclusão não é sobre consertar João para caber na praça velha. é sobre construir uma nova praça, onde o João e cada indivíduo diverso encontra o seu lugar, seu balanço, seu silêncio, sua alegria. É sobre a inclusão como pertencimento e não como tutela. É sobre o mundo em que se modifica para celebrar a riqueza da nossa diversidade humana. Muito obrigado. Desculpe tomar o tempo. Obrigado, Wagner. Fica obrigado pela, né, a sua participação e fica à vontade. Fica mais um pouquinho quanto der, né? Mas não esqueça a sua filha não, porque 15 anos é uma vez só. Por favor, então Laí, é a tua tua vez, Laí. Obrigado pela tua presença novamente. Uhum. Aí foi. Boa noite, pessoal. Meu nome é Laí, eu sou uma mulher. Muito obrigada. Eu sou uma mulher japonesa, olhos puxados, uso óculos, meu cabelo é preto, mediano, eu estou com uma roupa preta, uma blusa preta com os ombros para fora. Acredito que dê para meu bom, eu sou assistente social na Associação Pestalose de Campinas. Eu gostaria de agradecer, né, primeiramente ao convite do Wagner Romão e também pela oportunidade que a Associação Pestalose eh me fez aqui nesse lugar, né? É um prazer estar com vocês dois, eh, Paula e Wagner. Eh, muito bom ouvir vocês e assim muito condizente com várias questões que também a gente vem eh refletindo, né, dentro desse serviço. Eh, eu faço parte de um serviço aqui de Campinas, que é o serviço de proteção social especial da média complexidade. É um serviço novo aqui em Campinas e nós, enquanto pestalose também fazemos outros serviços, né? Eh, eu organizei um pouco a minha apresentação no sentido de apresentar um pouco quais os serviços que a Pestalose eh executa, né, aqui no município de Campinas e além disso refletir, né, junto com vocês a respeito de toda a política, como que essa política, né, para pessoas com neurodivergências pode ser efetivada, né, aqui no município de Campinas. Então, eh, eu vou falar um pouquinho, tudo bem? Eu falar um pouquinho da pestalose ou você acha que, né? Tá. É porque ninguém apresentou, né, todas as instituições e daí eu fico meio à vontade, mas tá ótimo. Obrigada. Eh, bom, a Associação Pestalose, né, ela tem o compromisso social em garantir a defesa dos direitos das pessoas com deficiência por meio da inclusão social e a cidadania, prestando serviços então de saúde, educação e assistência social. Aí os serviços, né, da educação são a escola de educação especial e o atendimento educacional especializado, que é um atend o atendimento multidisciplinar de habilitação e reabilitação, que é do SUS, e o nosso serviço que é da média complexidade da assistência. Eh, esses serviços, né, eles são ofertados com foco na promoção e no exercício dos direitos sociais das pessoas com deficiência e também com as pessoas com teia, né? Eh, nos programas vinculados ao SUS, existe um deles que é para colaborar com os processos diagnósticos para crianças de até 5 anos com suspeita de TEIA e o ITAS, que é o outro que é de reabilitação, a fim de garantir o direito de participação, integração e inclusão social pro pleno desenvolvimento das suas potencialidades, né? Esse também eh atende pessoas com deficiência múltipla, Teia e as suas famílias. Eh, na Escola de Educação Especial, né, também é atendida pessoas com deficiência múltipla e TEIA. Eu tô resumindo bastante. E na política de assistência, né, tem o objetivo, então, eh, de ressignificar o contexto familiar, pois essas famílias, em sua maioria, né, estão em situação de violação de direitos e vulnerabilidades sociais. E uma questão que vem à cabeça sempre é eh pessoas com deficiência ou pessoas com neurodivergência, elas sempre estarão nesse lugar de vulnerabilidade social? Acredito que sim, né? Porque como as os colegas conversaram, eles sempre estão marginalizados dentro de todas essas políticas, né? Então, é por isso que a gente tá aqui com esse compromisso de construção de políticas públicas para pessoas com neurodivergência. Eh, eu ia falar muito mais, mas não vou não. Bom, e aí, eh, atualmente, né, na pestalose a gente atende cerca de 500 pessoas com deficiência, dentre elas, 336 são pessoas com teia. E existe uma lista de espera tanto do programa de reabilitação, que é 349 pessoas, como no de processo diagnóstico, que é 108 pessoas, né? Eh, e aí com o objetivo de garantir a proteção e a justiça social, é importante a gente vislumbrar que todos sejamos sejamos iguais perante a lei e como isso se revela cotidianamente nas famílias com pessoas com neurodivergência. Eh, a partir do histórico, então, né, de acompanhamento de pessoas com teia, uma neurodivergência que hoje é considerada como uma deficiência, podemos ouvir observar o descompromisso com essa população no quesito de acesso, garantia e efetivação dos direitos sociais. A pessoa com deficiência e neurodivergência tem poucos espaços dentro das políticas públicas para suas singularidades. É fundamental identificar as situações vividas pela população como expressões da questão social e analisá-las enquanto totalidade, considerando a incidência das determinações sociais sobre o cotidiano de vida desses sujeitos, que são sociais e políticos. considerar que pessoas em vulnerabilidade possuem a condição de sujeito político, né, e como um devir a ser que se efetivará a depender do suporte que as diferentes políticas sociais lhe assegurem. Eh, vislumbrando uma política municipal para pessoas com neurodivergência na cidade de Campinas, necessitamos refletir sobre alguns aspectos importantes com foco na garantia de seus direitos à educação, a saúde, alimentação, assistência social, inclusão no mundo do trabalho, transporte, lazer e cultura, esporte, moradia e segurança. O nosso compromisso é construir uma cultura educativa na sociedade e, principalmente, nos serviços, como ponto de partida as condições sociohistóricas da organização da sociedade capitalista e buscando uma modificação por meio do acesso aos direitos sociais. É ter o princípio de defesa de direitos e como objetivo a contribuição pro seu processo de autonomização, buscando consolidar a cidadania. eh buscar uma análise territorial e das famílias, identificando as suas vulnerabilidades e potencialidades, aproximando o diálogo entre as famílias e os indivíduos neuroatípicos e as e os profissionais das políticas sociais. Eh, eu utilizei aqui uma breve exerto aqui da Mioto, que é uma referência, né, dentro do serviço social, que é as necessidades trazidas por sujeitos singulares não são mais compreendidas como problemas individuais familiares, ao contrário, tais demandas são interpretadas como expressões de necessidades humanas não satisfeitas decorrentes da desigualdade própria da organização capitalista. E aí, ao colocarmos uma lente mais aproximada, né, sobre as demandas da população com neurodivergência, é possível observar que mesmo acesso à educação e à saúde revela uma defasagem significativa, já que necessitamos acolher toda a necessidade de uma rotina estruturada demandada por essa população. Com isso, o acesso ao transporte gratuito e adaptado é uma grande reivindicação das pessoas com deficiências neuroatípicas, visto que em Campinas apenas por meio da judicialização é efetivado esse direito, transformando demandas individuais, transformando em demandas individuais algo que é coletivo. Essas dificuldades e demandas advindas das famílias atendidas pelo SUS e educação demonstram a necessidade de maior articulação e intersetorialidade na construção de políticas públicas, com o compromisso da resolução de problemas societários e a garantia de acesso à proteção e à justiça social. A intersetorialidade é importante para efetivar a rede de apoio de serviços para esta população, construindo estratégias de proteção social, como diz a Constituição de 1988. Eh, com isso, né, é importante que a saúde atente-se às complexidades e singularidades de atendimentos multidisciplinares para pessoas com neurodivergência, abarcando o rol de rotinas bem estruturadas, efetivando-se os atendimentos prioritários, necessidade de uma equipe com formação continuada, com foco no atendimento e acompanhamento das necessidades e singularidades, além de maior acesso aos diagnósticos, não como uma patologização da vida, mas buscando a compreensão individual de questões diversas e coletivas pro acompanhamento e convivência com pessoas neurotípicas. A a expansão diagnóstica pode representar um processo sistemático de transformação e de experiências eh típicas do desenvolvimento e respostas compreensíveis a contextos adversos. converte questões de ordem pedagógica, social, afetiva e política em disfunções localizadas no indivíduo. Nós somos contra a patologização e medicalização da vida. Hoje a área da saúde eh deu um passo na garantia dos direitos da pessoa com deficiência que não possuem laudo médico. Atualmente, para receber atendimento, não é mais obrigatória a apresentação do laudo. Na saúde, quero deixar bem, né, evidente, no campo da educação, eh, não identificamos serviços específicos também voltados a pessoas neurodivergentes. E esse é um ponto de fragilidade no município que acaba sobrecarregando a área da saúde com uma alta demanda por diagnósticos, porque a saúde exige que tenha o diagnóstico, né? Bom, na assistência social, né, garantindo o acesso de quem dela precisa, buscando efetivar a proteção social com acesso e garantia dos direitos sociais, pessoas com neurodivergências não estão adequadamente atendidas pelas políticas. Por isso a importância das ações diretas e indiretas da política de assistência social, ademais a adaptação de serviços ofertados por essa política, a fim de promover a inclusão dessas pessoas e de pessoas com deficiência nos espaços de fortalecimento eh de convivência comunitária e familiar. Esse é um direito o qual é de extrema importância para efetivar a participação social e o acesso a uma cidadania plena, buscando que sejam atendidas pessoas de todos os ciclos de vida, conforme as suas singularidades em serviços de proteção social básica, como os centros de convivência intergeracional inclusivo, onde já são atendidas pessoas idosas também, mas não existe essa especificidade, né, quando uma pessoa com neurodivergência ou uma pessoa com deficiência solicita, né, o a inclusão dela dentro desses serviços, né? Muitas vezes elas dizem que elas não estão adaptadas a receber essas pessoas e isso também as exclui dentro desse rol que é a convivência familiar e comunitária, né? Dentro da política de assistência. Eh, essa população, ela passa por sofrimentos mentais, emocionais, os quais acarretam na ausência ou pouca participação social, o qual é de extrema importância paraa construção de políticas adequadas para essa população, garantindo a proteção e a justiça social, serviços, espaços e produtos que sejam adaptados para que possam exercer a sua autonomia e sentido de pertencimento nessa sociedade. ambientes de trabalho, adaptar ambientes físicos e digitais, buscando acessibilidade em seus diversos sentidos, como direito, pensando na implementação de tecnologias assistivas, adaptação de ambientes físicos e digitais para toda a população. Isso leva em conta o princípio de justa igualdade de condições e chance para o pleno exercício da cidadania e dignidade, reduzindo as desigualdades sociais, favorecendo a igualdade de chances, reduzindo ou apagando as desigualdades ligadas a fatores negativos que reduzem as potencialidades desses indivíduos e assim contribuindo paraa realização de seu bem-estar individual e do bem-estar coletivo. E quando dispos, né, sobre o transporte, queremos dizer sobre a necessidade de transportes adaptados, onde pessoas neurotípicas consigam estar presentes e fazer seu direito à ocupação dos espaços públicos, tanto de atendimentos como de lazer, cultura, esporte, lazer. Eh, pensar em políticas públicas existe por exige por parte de nós, enquanto sociedade e representantes de organizações da sociedade civil que vislumbram uma cidade e um país com proteção social e justiça social como dever exigir e agir para que essa mudança essa mudança societária e a efetivação da cidadania plena para essa população, partindo das desigualdades sociais e como atravessá-las, buscando essa plena participação na nossa cidade, então atuando na formulação, implementação, avaliação, monitoramento das políticas públicas, eh visando combater as expressões da questão social, buscar executar uma política que promove crescimento socioeconômico na cidade, pois a diversidade traz múltiplas demandas e ao responder a elas conseguimos incluir e fortalecer a autonomia de pessoas antes vulnerabilizadas e marginalizad O pertencimento, a participação social, assim como o controle social, partindo da efetivação das políticas para essa população, fará com que sejam reconhecidos eles, né, essa população seja reconhecida como sujeitos de direitos e reais cidadãos. O reconhecimento da liberdade como valor ético central das demandas da política, como a autonomia, a emancipação e a plena expansão dos indivíduos sociais. E aí, eh, finalizando mesmo a minha fala, né, eh, é importante a gente dizer que em 2024 a Pestalose fez um levantamento a respeito daquela lista CRESP, né, e ela foi classificando um pouco, né, a respeito disso, a respeito desse estudo. E aí com isso foi encaminhando alguns casos. Porém, como vocês viram, né, a lista é enorme para esse atendimento e avaliação neuropsicossocial e que é de extrema importância para que também a gente observe e tenha noção, né, de quantas pessoas e quais são as pessoas e como essa demanda é gigante. apontar, por exemplo, né, como o Wagner disse a respeito dos adultos. Eh, eu não coloquei aqui nesse nesse material, mas é muito importante. Existe um isolamento social gigantesco da população, pessoas com deficiência e pessoas com neurodivergência. E elas vão ser atendidas, talvez se elas chegarem num serviço da assistência social, porque se elas não chegarem no CRAS ou num distrito de assistência social que não era para fazer atendimento, mas faz, né, aqui no município de Campinas, eh, não, elas não existem. Então, assim, quantas pessoas estão por aí? dentro do município de Campinas, que a gente não sabe e que elas têm podem ter alguma deficiência, estão em isolamento social e muitas dessas famílias que às vezes chegam é por diz que 100, né? diz que denúncia e não por algo assim, ah, existe uma pessoa do meu lado com minha vizinha que tá lá, ela tá bem, mas ela tá lá, precisa de alguma não. Então, assim, eh, é muito importante a ampliação, né, dos serviços de assistência social para que eles consigam realmente eh ter um impacto, né, dentro da cidade de Campinas. o SUS também, né? Muito mais trabalhadores no SUS para poder garantir também que possa existir esse acompanhamento. Uma formação continuada é muito importante, justamente porque pessoas com neurodivergências têm as suas singularidades, t as suas particularidades, não só o TEIA, mas todas as outras neurodivergências, elas também exigem um acompanhamento diferenciado, né? um acompanhamento que é específico, uma são necessidades específicas, né, que as pessoas com neurodivergência têm. E quando eu trago o dado, né, dessa lista CESP da Pestalose, é de que a contrreferência foi todo mundo pro centro de saúde de novo, só que o centro de saúde ele não dá conta, né? E dentro dessa lista são 300 pessoas de 1000 de Não, são 300 pessoas de 800 pessoas fizeram acolhimento. Então elas passaram por algum tipo de atendimento, certo? dessas 299 tiveram uma contrreferência, ou seja, foi pro centro de saúde de novo, sem essa especificidade, com equipe de saúde defasada. Ou seja, essas pessoas que precisariam ter as suas necessidades específicas atendidas são deixadas, a não ser que aconteça algum tipo de situação. O atendimento prioritário no centro de saúde também é algo de extrema importância, assim, tem que ser extrema, extrema, extrema prioridade. Por quê? por conta das especificidades, né, das pessoas com neurodivergência, elas não conseguem ficar esperando todo o tempo que tá ali, que é necessário. E quantos, e aí eu vou dizer, né, quantos pais e realmente pais que eu atendo tiveram que passar por essa fila e ter e tiveram que abandonar o acolhimento do centro de saúde porque não ia dar conta mesmo, né? Então, centro de saúde não, viu? Não, então, né? Eu tive uma, eu tive um episódio recentemente do meu filho num hospital particular aqui de Campinas que eu vou te contar. Era convênio, né? Não, que a gente pagou o particular, era convênio, que é caótico, assim, caótico. Ele ficou 6 horas um autista nível três suporte não verbal, entrou para atendimento para ser internado. Falaram que tinha tinha vaga de internação, colocaram ele numa aula lá no hospital, nós ficamos 5 horas numa enfermaria. Eu falei pra pra enfermeira, eu falei, não aguenta mais, não tem um lugar sensorial, um cantinho para ele se regular, para ele ficar ali, ele não dá conta. E ele tava, ele tava um lord esse dia, ele tava ótimo ainda. Não existe. E não estamos nem falando do SUS, estamos falando de um convênio médico e num hospital referência aqui do município. Eu falei: "É um absurdo. Como é que você faz com uma criança autista num nível três desse não aguenta mais? Fez 6 horas que ele tá aguardando uma vaga para subir pro quarto. Imagina na na rede pública. Vai embora, vai embora, pega, pega para do braço e vai embora, né? É. E é por isso que é importante a gente fortalecer o SU, os suas, né? Importante a gente pensar na educação eh regular também. Como que a educação regular vai olhar para pessoas com neurodivergência, porque elas têm o direito de estar na escola regular, né? Então assim, como que vão ser feitas as adaptações? Quais são as tecnologias que vão ser utilizadas para que realmente seja a inclusão e o pertencimento de crianças até 18 anos? OK. Só que às vezes tem adultos que não estão sendo assistidos também, né? Tem adultos que t um diagnóstico tardio porque pagam também porque não existe diagnóstico adulto aqui no município de Campinas. Ai, desculpa, porque como tá gravando a senão vezes pode sair o som. É, tá saindo ou não? Ai, desculpa. Tranquilo. Ai, gente, desculpa. Bom, mas não tá tranquilo. Ah, tá, tá. E e é isso, né? Eu acho que existe um diagnóstico tardio até e pessoas com neurodivergência, elas acabam sempre olhando desse lugar de eu não pertenço, essa sociedade não é minha, eu nasci para, né, para viver em outro mundo e não nesse mundo. que a gente enquanto sociedade tem que criar essa cultura de inclusão, assim como as barreiras arquitetônicas também tem que ser, né, exatamente adaptadas para as pessoas com neurodivergência e as pessoas com deficiência também, né? Eu acho que é isso aí. Desculpa, acho que eu falei muito e mas a gente pode conversar se vocês tiverem algum tipo de dúvida, alguma questão, né, tal. E muito obrigado aí também ao ao senhor Wagner, né, e ao Wagner aqui também, que fez uma ótima explanação, assim, muito obrigada mesmo, gente. Obrigado, Laí. Bom, a gente teve três falas iniciais, né? Aqui a gente já passou por diversos eh pontos. Eu vou ressaltar aqui alguns deles, né? A questão dos ambientes estruturados, previsíveis e seguros. que Paula mencionou daí, portanto, das par dos parques e das praças sensoriais, enfim, da questão da água, né? Super interessante a gente pensar a partir dessa dessa entrada, né, da música e da arte, do custo, né, isenção de taxas municipais, redes de apoio, enfim, o Wagner trouxe também esses temas, mas a questão da intersetorialidade também, novamente reforçou a questão dos espaços públicos, a questão da conscientização dos servidores públicos, né? Acho que é um tema muito importante também, não só porque às vezes o o o servidor público até tá consciente, mas ele não tem nenhum tipo de estrutura, né, para conseguir dar conta dessas situações. Enfim, acho que é precisamos trabalhar muito conscientização, mas também fornecer algum algum tipo de estrutura para para os servidores, questão do diagnóstico precoce e o conto da praça transformada, né? E a Laí, acho que ela ressalta alguns outros aspectos, eh, algo que a Paula já tinha falado também, o Wagner, mais a ressignificação do contexto familiar, né? Eh, a cultura educativa na sociedade, nos serviços. Acho que esse é um ponto também muito importante, porque claro, a gente sempre tá, a gente tá olhando pra política pública, olhando pro servidor, né? Mas é uma questão social, é uma questão da sociedade de maneira mais ampla, né? Então pensar campanhas, eu acho que isso é muito forte, né? É muito importante. Eh, a questão do do acesso a um transporte adaptado, a expansão diagnóstica, a questão do centro de convivência, acho que a questão da participação social, acho que a Laí lembrou muito bem essa importância, né, Ana? eh a questão do ambiente de trabalho, das igualdades de condições, enfim, queria pedir, né, a vocês que vocês também possam mandar pra gente esses textos, tá? Que a gente já possa trabalhar na nossa na nossa comissão, pessoal. Agora sim, vamos tentar organizar, né, aqui de maneira que todo mundo possa fazer uma fala. Eu vou tentar, eu vou avisar com 3 minutos, né? Eh, se precisar se estender um pouquinho mais, tudo bem. Mas para que a gente, todo mundo possa se ouvir, né? Porque aqui é uma escuta social, né? E e que a gente possa, enfim, que todo mundo possa ter oportunidade de falar. Por favor, Renata. E depois tá, o Wagner tá saindo. Então, você quer, você quiser, se se despedir aí, fica à vontade. Wagner, só vou, eu preciso sair porque eu preciso cantar os parabéns pra minha filha que faz aniversário hoje de 15 anos. Ear parabéns aqui. E assim, eh, ela citou uma uma questão aqui da questão da educação e assim pra gente refletir e colocar o assunto, eh, eu tenho um filho que estuda numa escola integral do estado e ele tá no sexto, sétimo ano. Eu fico pensando, se ele chegar no terceiro ano e ele não e ele não ele não se desenvolver de forma autônoma, eu vou deixar ele aonde? Uhum. É isso? E e não é uma questão dele se tornar um adulto com 30, 40 anos, com 17 anos, ele vai para onde? Ok. Ah, essa é uma discussão que a gente precisa pensar. Uma outra coisa que ela falou sobre a questão da água e realmente é fora de série, a Unicamp tem um trabalho de um projeto chamado para nadar na Unicamp. É espetacular. Espetacular. O triste é porque só tem 12 vagas. Aí você entra no site para poder participar. Você digita, acende uma vela para ver se a internet do outro cai para você poder fazer a matrícula. E aí eu e tem um custo, mas é um custo comparado a qualquer outro lugar, é um custo, né, barato. São R$ 160 o semestre, mas assim, tem esse custo, né? Mas, por exemplo, 12 vagas é pouco, OK? Aí você fica pensando assim, a universidade tá em Campinas, é uma universidade pública, por que 12 vagas? Aí você pensa assim: "Ah, mas Campinas tem o taquaral que tem piscina." Aí eu fui procurar uma pessoa lá do Taquaral e conversar, não vou me lembrar o nome da pessoa. Eu tive contato com o vereador que deu a porta de entrada. Eu fui lá conversar, o cara que é responsável disse para mim assim: "Wagner, eu não tenho um profissional em Campinas, um com formação em atividade esportiva para pessoas PCDs, então eu não posso desenvolver nenhum projeto aqui." Aí você fala: "Meu Deus do céu, não tem cabimento um negócio desse, a piscina tá lá parada, um absurdo, não podemos usar". E no caso que a Unicamp oferece 12 vagas, aí você fala assim: "Onde que eu vou achar esses profissionais?" "Na Unicamp." Aí você leva esses profissionais para lá com uma piscina do tamanho daquela do coiso, se a gente consegue oferecer 200 vagas, pelo amor de Deus, se a gente não consegue fazer, ah, gente, me p Mas Wagner, só uma fala e vamos lembrar que tudo isso que tá falando, nós estamos falando da região sul do sul aqui de Campinas. Sim. Nós temos uma Campinas imensa que nem chega na Unicamp. Sim, né? Nós temos um outro problema. Eh, por mais que você crie todas essas eh eh esses espaços, e isso eu falo muito, então vamos imaginar que surgisse vaga para levar todos os autistas para unicampo, quem leva isso a questão do trans e a mãe leva que jeito? Sim. Não. E olha, gente, só para só para esse só para esse tema não ficar no ar, tem todo um debate que a gente, né? Vocês sabem, eu tô na Unicamp, sou professor da Unicamp há 10, mais de 10 anos. eh sobre a curricularização da extensão universitária, né? Então, a partir de uma portaria lá do do Conselho Nacional de Educação, há essa necessidade de que a Unicamp, de que todas as universidades, todos os cursos de graduação tenham esse tipo de tenham 10% dos créditos relacionados à extensão universitária. Então, esse é um tema super interessante pra gente levar ao Unicamp, né, que a Renata, que é de lá. A gente, eu tive a oportunidade de participar de um seminário, né, com em que várias pessoas pesquisadoras do campo da educação física, da saúde, da educação, eh, do ambiente, né, engenheiros, arquitetos, né? Então, a gente vai fazer uma uma sessão no início do ano lá na Unicamp, tá? Então, é muito importante que a gente possa envolver a comunidade acadêmica também. Acho que a PUC também, né, uma outra universidade, tem outras universidades, faculdades aqui na na cidade, que a gente possa tematizar isso, né? Quer dizer, é algo que, claro, que não é só referido aqui ao nosso tema, mas que é uma forma que a gente precisa encontrar de que as universidades possam, através da extensão universitária, formar seus profissionais, né, e ao mesmo tempo eh facilitar essa essa prestação de serviço pra comunidade, né, Wagner, felicidades lá, sua filha e obrigado. Gente, desculpa, mas quero Rosângela, né? Você é Rosângela? Ah, desculpa, Rosângela. Rosângela Alves Soares, que é da comissão de paz da Camp. Bem-vinda, viu, Rosângela? Olha, vamos lá então, Renata, por favor. E a gente tá colhendo as inscrições aqui. Olá a todas e todos. Eh, eu sou Renata Barros. Eu sou fonodióloga e pedagoga, professora do curso de fonodiologia lá da Unicamp, na Faculdade de Ciências Médicas. Eh, eu fiquei bastante tocada. Eh, a gente sempre aprende muito, né? Eu sou fonodióloga há 25 anos, atuando diretamente com pessoas neurodivergentes. E hã agora na universidade, né, eu tenho condição de construir muitos espaços, mas a gente tem o tempo e a quantidade de recursos exíguo, né? Esses projetos que a gente tem na Unicamp são esforços que os pesquisadores e os professores fazem, né, a partir das suas da da das suas perguntas paraa sociedade para poder conseguir então contribuir. E a gente vai fazendo essa soma com a sociedade para conseguir entregar e apresentar os modos tanto com que a gente pensa que a sociedade poderia funcionar, né, novos espaços e mas realmente, né, eu mesmo o meu ambulatório lá no CPR, a gente, o CEPR é um uma instituiç um instituto de mais de 50 anos na em Campinas, né, ele tem aí a idade, é, também sofre com esse se, né, o tempo, espaço, financiamento, eh, reduzido, né, ou numa quantidade que hoje ele suporta para atendimento. Eh, então a gente tá acho que no espaço certo para pensar essas políticas e a gente tá eu, o meu toque é o financiamento, né? Eh, a gente tem, ao contrário de dizer assim que a gente não tem em Campinas, a gente tem muitos equipamentos muito potentes em Campinas que eu eh avalio que não estão em bom funcionamento por falta de financiamento, né? Eu sou professora da saúde coletiva em lá na faculdade e atuo diretamente nos centros de saúde, levo os meus alunos no centro de saúde, tenho projetos de extensão que recebo famílias e crianças neurodivergentes que estão aguardando para ou para um diagnóstico, mas enfim, de qualquer forma, a gente tá contribuindo, né, com esse acompanhamento terapêutico, já antecipando eh os processos diagnósticos, porque é isso, esses equipamentos eles não devem aguardar os diagnósticos, né? A vida em sociedade ela é rica e a gente tem tempo de desenvolvimento que a gente tá perdendo com essas para essas crianças, pro desenvolvimento dessas crianças. E a gente tem os adultos que circularam pela cidade sem conseguir retornar para aquilo que é, né? a gente eh, uma mulher, ela se torna mãe, mas ela não deveria deixar de ser considerada mulher na relação com os espaços do trabalho, né? A gente deixou de falar isso aqui, né? Tá, essa criança tá na escola e essa mulher tá fazendo o quê? Tá, tá esquecida, sempre muito angustiada com que vai ser a vida, o futuro do filho, né? Porque essas pessoas sobre as quais a gente tá falando, elas ficam adultas, né? A gente tem a tendência sempre de falar das crianças, mas a gente esquece da vida adulta. Então assim, a gente tem o pai hoje, né, que é o que é o serviço de transporte de de pessoa com deficiência em Campinas, que só autoriza a entrar no transporte quem tem uma deficiência física visível, né? precisa estar de cadeira de rodas ou um andador para poder fazer uso. Eu tenho famílias no CPR que as minhas crianças que que são minhas, tá gente? são todas minhas lá, que que frequentam o meu ambulatório, tem muita dificuldade de de frequentar e aí assim, muitas vezes o nosso espaço fica vago, porque a gente não pode colocar outro atendimento porque é dessa criança que não conseguiu comparecer, porque a mãe precisou pagar um Uber, né, pagar um táxi para poder vir de Sumaré para cá e aí pra semana que vem ela não tem mais para pagar, né? a gente poderia acessar esses transportes, fazer essa relação aqui é a região metropolitana de Campinas. Então, a gente tem eh eh acordos eh intermunicipais para fazer com que isso aconteça, né? E ã a intersetorialidade, a gente tem a intersetorialidade funcionando em Campinas. Por que que não funciona melhor? Por a gente não tem funcionário, a gente não tem profissional suficiente no serviço. Eu não sei a conta total hoje porque agora eh a prefeitura fez contratação de poucos fonudiólogos, mas fez agora. Se a gente tem 20 contratados em Campinas, é muito, né? Como que a gente vai fazer tanto atendimento terapêutico como dar conta daquilo que a atenção básica em saúde exige, que é o acompanhamento na na escola, que é o acompanhamento no com junto com o pessoal da assistência social, que é ir fazer a visita domiciliar, que acompanhar a integralmente, né, e longitudinalmente essa família para dar consequência para aquilo que o SUS, que é belíssimo, tá lá escrito para funcionar. Tá? Então é isso, a gente tem esses equipamentos, a gente precisa falar menos e adaptações e falar dessa desse fundamento que organiza o funcionamento de saúde e de educação. É um absurdo. Eu sou pedagoga, é um absurdo. Eu tenho vergonha de escola que exige um um diagnóstico, um laudo de uma criança para dizer que é o é a partir do laudo que ela tem que fazer adaptação pedagógica. é pedagógico, é da escola. Isso não deveria vir da saúde, a escola que tem que tá pensando isso, né? Então, como a gente não tá aqui setorialmente na saúde, a gente tá falando do município, é importante dizer isso, né? Um professor que não tá bem formado ou ou minimamente uma escola que não sabe, que precisa receber qualquer criança, estar preparado, porque não é assim, ah, se chegar uma criança, a gente tem um atendente terapêutico, né? ou fazer uma adaptação. Não, essas crianças estão lá, né? Pode não ser autista. Então, tem o autista, criança com com transtorno desenvolvimento da linguagem, ah, tem a criança com com, né, com toque. Tem, a gente tem a gente tem uma infinidade de coisas hoje para poder pensar, mas é a partir da avaliação pedagógica que isso deve ser pensado. Obrigado, Renata. Desculpa. Obrigado, Renata. A Telma tá aqui. Acho que a Telma tinha se inscrito aqui. Pera aí, gente. Vamos organizar aqui então. Pera aí, gente. Acho que a ten Ah, você tem dois, então. Ó, vamos lá. Telma. Aí, aqui quem tinha pedido Jaque. Quem mais foi? Mãe, mais Eliana. É, depois eu. Eliana e a e a Rosana, né? Eu. Quem mais? Ana Paula. Obrigada. Eu o seu nome? Juliana. Juliana. Então assim, Telma, Jaque, Eliana, Rosana, Ana Paula e Juliana. Desculpa, Rosângela, perdão, Rosângela. Tá bom, por enquanto, tá, mas vamos, ó, a Renata falou bom tempo aí, passou dos 6 minutos, eu sei que é bastante coisa, né? Então nós podemos fazer também outros momentos como esse, tá? Nós vamos ter seis meses para trabalhar com bastante calma pra gente colher tudo. Você falou uma coisa muito importante, eh, Renata, que é essa questão da adaptação pedagógica, né? Quer dizer, a gente a gente tentar trabalhar com esse conceito, né, de que toda criança ela tem a sua especificidade. Claro que a gente sabe que na educação, né, a Telma vai poder falar sobre educação, que é professora. Eh, mas ela tem que, né, quer dizer, é uma sala de aula, mas eh, mas trabalhar esse conceito é uma coisa super importante, eu penso, né, Telma? Por favor, bem-vinda. Obrigada. Boa noite. Eu sou a Telma, sou mãe de um jovem que tem autismo e uma doença neurológica que provoca uma deficiência. intelectual severa. Eh, e hoje ele tem 29 anos. E o que eu queria falar é a respeito um um pouco você citou aqui, eh, do autista adulto, né? Porque esse é um problema que não é um problema brasileiro, é é um problema mundial. Eu já participei de seminários sobre autismo aqui mesmo, onde o os psiquiatras, os neurologistas que têm experiência e estudos internacionais falam que na Europa, por exemplo, quando o autista faz 18 anos, ele não tem para onde ir. Esse é um grande desafio mundial, não só brasileiro, né? Aqui em Campinas não tem serviço nenhum. Acho que você falou, né? Faz 18 anos, ele vai para onde? Ele não vai para lugar nenhum, ele vai paraa casa, né? E quando ele tem um autismo, eu chamo de autismo severo, que é o termo que se usava quando meu filho nasceu. Hoje fala autismo nível três, né? Então, quando ele tem esse autismo nível três, é ainda mais difícil. E não é difícil quando ele entra na idade adulto adulta, é difícil a vida inteira. Por quê? Ele é não verbal, ele não entende as interações sociais todas, né? ele não desenvolve capacidades eh cognitivas porque ele tem uma deficiência intelectual grave, associada. Então ele é um cara que não ninguém sabe o que fazer com ele, né? E quando entra na idade adulta, não, simplesmente não tem o serviço, porque enquanto ele até os 18 anos, ele vai, bem ou mal, ele vai paraas clínicas, escola, né? E lá não sabem o que fazer com ele também, mas pelo menos ele frequenta, vê gente, né? Tem um mínimo de interação. Passou dos 18 anos, acabou, né? Aqui em Campinas tem um serviço que eu conheço que ele foi criado para atender adultos autistas. E se não me engano a aquela clínica escola que fica ali no Guanabara, Tiquiras, Tiquira atende depois dos 18 anos. Fora isso, eu desconheço. E mesmo essas que atendem, elas não sabem o que fazer, não sabem, não sabem. Me desculpem, né? Peço desculpas aí para quem para quem trabalha nesses lugares, para quem, né, tem qualquer ligação profissional com esses lugares, mas não sabem. Não sabem porque é muito difícil acessar o mundo deles. É muito difícil. É muito difícil acessar o mundo deles e é muito difícil para eles acessarem o nosso mundo, né? Então eu acho que eh esse seria um tópico para essa comissão. Eu acho que se a gente conseguisse minimamente em termos de política pública eleger isso como um tópico, eu acho que seria um grande avanço, uma vez que isso é um problema mundial, né? Então, eu queria eh apontar mais eh para esse item mesmo, porque o que que é o que me afeta e logicamente é o que me chama mais atenção, né? Quando o Wagner fala que os autistas têm uma expectativa de vida de 39 anos, meu filho tem 29 anos, o que é que vai acontecer com a vida dele nessa próxima década que ele tem de vida, além do que eu promovo, eu e a minha família promovo individualmente para ele, com cuidadoras, né, com o que eu, como pedagoga consigo fazer. para além disso, ele não tem nada, nada, nada, né? Então, eu acho que eh se a gente conseguir além de todas essas questões que a gente já tem em pauta, né, educacionais, de adaptações, de de ambientes que eles possam frequentar, eu me vi demais. Eu cheguei aqui no finalzinho da sua fala e já me vi na sua fala, né? Sair de casa é alinhar os planetas, né? Sair sozinha é tem que alinhar os planetas antes. Sair com eles é outro outro alinhamento, né? Porque você chega nos lugares, ai vai isso. Tô falando de uma mãe que tem uma condição, né? Você tá me controlando aí, né? Já deu 6 minutos, mas louco. Mas enfim, então só vamosar aqui 5 minutos, tá? Só para, só para concluir, eu tô falando de uma mãe que tem uma condição, tem um carro, né? Assim, eu fiz eh ecoterapia com ele um período que ele frequentava a da Camp. A da Camp eh colocava uma van para levar os meninos lá na Fazenda Rio das Pedras. Aí eles faziam 30 minutos de ecoterapia. Aí você imagina, a mãe saía lá do São Domingos, Campo Belo, ia até a camp, pegava a van, ia lá para Barão Geraldo. Aí ia lá, fazia 30 minutos de ecoterapia, entrava na van, voltava para camp pro São Domingos Campo Belo ou ficava direto lá para dar camp para depois voltar lá pro São Domingos Campo Belo. Imagina o esforço que essa mãe tem que fazer. Eu rapidamente desisti da van. Peguei o meu carro e eu levava o meu filho lá para B no Geraldo e voltava para casa. Agora imagina essa mãe, né, o que que faz. Então tem todas essas questões e para além disso, quando chegar lá nos 18 anos, não vai ter nem isso, né? Então se a gente conseguir eleger, né? Eh, mais esse tópico eu acho que é um é uma conquista incomensurável. Obrigado, Telma. Obrigado. Ja. Ja. É a Jaque. A Jaque, a moça das polêmicas. Vai lá, Jaque. 5 minutos. Eu tenho 5 minutos para falar. Eh, todo mundo aqui falou a mesma coisa. Eu acho que a que é é bem emblemática a luta das famílias atípicas e tudo mais. Eu preciso fazer uma pontuação porque foi levantado isso aqui. Hoje existe OSC organização da sociedade civil porque há displicência no cuidado com o autista no poder público. Nós nos organizamos enquanto sociedade porque o sistema está falhando com os nossos filhos. É muito importante a gente dizer que desde o começo a proposta de, como Wagner trouxe, de uma fala muito interessante, muito inteligente, inclusive, de que começou o tratamento das pessoas com transtorno do espectro autista porque alguém se solidarizou com o sofrimento daquela mãe que era mãe de uma minoria. Eu nós quer eu quero dizer agora que nós já não somos mais minoria. E aí eu vou falar de alguém que tá dentro do espectro. Ah, porque autista cresce, autista envelhece. E para ser autista você tem que ter sofrimento. Ah, mas você fala, Jaque, você é uma pessoa organizada para falar a custas do quê? A custas de quanto descaso? Entende? Nós, eu estou na sociedade caminhando, mas eu não sou uma pessoa que foi no CRPD emitir eh bem acessível. Eu estou na sociedade. E aí eu vou falar agora de um lugar como cuidadora principal de três crianças com deficiências e síndromes raras. A neurodivergência está para a sociedade como areia do mar está como a areia está para o mar. Nós estamos aqui o mar nem sempre tá para peixe, mas ele tá sempre para areia. Tem sempre areia no mar. Muitas vezes você não vai entrar num mar e encontrar peixe muito fácil, mas você vai sempre encontrar areia. Pode ter certeza. você não vai encontrar aquele caso emblemático da síndrome rara que a gente vê por aí, geralmente a gente vê na TV, né, quando a gente querem retratar o autista, retratam o autista de uma pessoa muito famosa que nós temos aí, né? Não é o autista que a gente vê na prática, porque eu costumo dizer que o o autismo sem sem elitismo, sem classismo, não é isso. Mas entendam a colocação que eu vou fazer, o autismo do Alfaville não é o mesmo autismo da periferia, não é? Nós estamos falando de uma formação neurológica que veio desde antes da concepção, daquele ambiente que a criança tá inserida, sabe, que ela foi que ela foi gerada. Quando a gente fala de acesso, a gente também fala de um estudo biopsicossocial. A gente precisa entender que autismo é sobretudo biopsicossocial. A gente não tem a história do fenótipo ampliado, a pessoa que apresenta comportamentos autos, mas ela não fecha critérios para para o autismo. Lembra? Não tem isso porque a pessoa não se classifica em sofrimento, porque ela precisa ter prejuízo. Não é isso que nós estamos falando? Nós estamos falando de de um estudo biopsicossocial, porque a pessoa tem que entender, ela tem que referir que ela não está em sofrimento, ela não tem transtorno, embora ela tenha comportamentos repetitivos, embora ela é aquela pessoa excêntrica, é a pessoa das manias, mas ela não tem prejuízo. Ela tá lá na sociedade, ela tá produzindo, ela tá trabalhando, ela tá gerando. Não é isso que a gente fala do fenótipo ampliado? Só que aí você esmiuça, você entra lá na família, aí você acha um autista nível três de suporte, você acha um esquizofrênico ali naquela família, um bipolar, você vai achar essas pessoas no histórico daquela família, mas ela foi uma pessoa, como eu já ouvi, e aí eu vou pedir para vocês não repetirem isso nunca mais, que tem uma genética favorável. Ela é uma pessoa genética favorável e ela saiu a quem do da família dela. Entende isso? Nós estamos vendo isso sendo repetido várias e várias vezes dentro das famílias. Ah, ele tem um jeitinho autista, mas ele não tem prejuízo, sabe? Aí eu fico me perguntando quando a gente começa a pensar em política pública para para pessoas neurodivergentes, que a neurodivergência ela não se limita ao autismo, não. Ela é muito mais ampla e o autismo ele é extremamente comórbid. Então você pode ter um autista bipolar, um autista esquizofrênico, um autista super dotado e a gente não fala dessa pessoa. E aquela, a gente tem um autista com tod, a gente tem um neurodivergente de várias formas e com várias manifestações. Então a gente precisa ampliar, porque leis nós temos muitas. O que a gente não tem é a aplicabilidade da lei. Nós não precisamos. A Renata, ela teve uma fala maravilhosa. Nós temos muitas leis, nós temos um serviço intersetorial aqui em Campinas. Ele não tá funcionando porque tá faltando gente para trabalhar. Ele não tá funcionando porque o sistema tá defasado, porque não se atualiza. Você sabe por quê? Porque se você for no CRAS hoje, e eu tô falando como PAC e aí eu vou falar como alguém que lida com hoje com 800 famílias, porque eu sou o PAC e eu sou a Jaqueline Pizza. 800 famílias. médicos me procurando, me ajuda que o que que eu faço porque eu tô com paciente assim que eu não consigo acolher. Vou lá eu bater na sala da Daniela. Daniele, me ajuda. O que que a gente tem que a gente pode fazer? Renata, eu tô com uma mãe que tá perdendo audição. Tá perdendo audição. O filho tá ficando surdo, é autista nível três de suporte com paralisia cerebral. O que é que eu faço? Vou lá no Paika, pelo amor de Deus. Aolha essa mãe que tá querendo se suicidar. É o que eu posso fazer aí. Adolescente que tá tentando se suicidar. Aí a gente vai, aí quando a gente pensa em políticas públicas, a gente não tá olhando para esta família e para essas diferentes contextos de neurodivergência. Eh, já deu o meu tempo, eu teria muito mais coisa para falar para vocês, mas o que eu queria nesse momento pontuar é é que a gente tem leis. O que nós precisamos trabalhar é para que essas leis sejam aplicadas. É por isso que ficou o meu a minha reivindicação de participação, por exemplo, do Ministério Público, da DIJU, da delegacia, do menor infrator, do CRAM, do Conselho Tutelar aqui, porque eles trabalham com aplicação das leis. Nós temos leis aqui, a Ivone do SAEC. SAEC, serviço de atendimento que leva as pessoas para tratamento no município dentro e fora do município, no dentro e fora do estado. Nós temos esses serviços aquiados pelo Ministério Público. Aí, só para eu concluir, sabe o que aconteceu recentemente, né, Ivone? Nós tivemos um um caso que eu estava e eu eu, Jaqueline, estava dentro do SAEC, recebe um telefonema. Por que é que você está divulgando o SAEC? Por que é que você está dizendo que nós temos esse atendimento em Campinas? Eu dentro, eu Jaqueline dentro do SAEC com essa ligação é gravada para quem quiser ter acesso, porque é que você está divulgando, tá? Eu dentro do CRPD de Campinas, a aurea do meu lado, de frente para mim, eh, encendo pra aura, não vou atender essa criança porque ela convulsiona, ela não precisa de transporte adaptado, ela usa cadeira deas não, mas ela tem epilepsia refratária, ela não consegue. Eu, Jaqueline, mãe de crianças sindrômicas, cardiopatas, epilepsia refratária, nível dois de suporte. Ainda é que tem a pachorra de dizer para mim: "O seus filhos não têm direito a um transporte porque você vai para um sistema privado porque eu posso pagar um sistema privado que a minoria de Campinas pode pagar, eu posso pagar, mas eu não vou te oferecer o translado porque o teu filho anda a custas do quê? De uma órtese. Ah, mas é uma, mas não é um andador, não é uma cadeira de rodas, entende? Então assim, e tudo que a gente e tudo que a gente que eu tô falando, eu tenho muito cuidado, eu sou a moça dos processos, eu tenho muito cuidado de documentar e é muito triste isso. falar de políticas públicas sem a gente entender que a neurodivergência ela é complexa, ela é ampla e que se ela está um pouco mais eh inserida na sociedade, é porque a gente tem OSC, é porque a gente tem o Paica, é porque a gente tem a da Camp, é porque a gente teve a Pestalose lá de lá de trás, é porque a gente tem o p o PAC aqui de Campinas que vou bater na porta de profissionais para 800 famílias. E aí a prefeitura de Campinas me diz o seguinte: nós temos 632 crianças só. Aqui na cidade do Campinas, eu, Jaqueline, atendo 800. Como que a gente tem 632 crianças? Isso porque eu não tô falando de adulto, tá? Isso porque eu só falo com de crianças. Então é isso que eu queria falar. Eu queria que vocês tivessem e a gente debatesse também sobre a aplicabilidade das leis e o olhar ampliado para as neurodivergências. Sim. Tá bom. Olha, pessoal, bom, a Jaqueline tá bastante ativa lá no nosso grupo, né? Nós temos um grupo também, viu Telma? Não sei se você já tá nesse grupo, temos um grupo de de debate, né? Às vezes ele esquenta um pouquinho demais, mas a gente segura ele um pouco. Mas assim, e acho que tem uma tem várias preocupações da Jaqueline que assim a gente tá é um universo, né, enorme, tem uma série de tem uma diversidade muito grande, né, e acho que a gente, o nosso desafio aqui é tentar dar conta dessa diversidade, né, e nós vamos chegar lá, quer dizer, na o nosso próximo dia 30, né, Lúcia, dia 30 nós vamos ter Ministério Público, Defensoria Pública, OAB, tá? um pouco pra gente eh dialogar a respeito dessa questão do acesso à justiça, né, dessa dificuldade. Claro que também tem uma série de eh questões relacionadas a a esse tema, né? Olha, pessoal, tá Eliana aqui. Ivone, você tinha se inscrito já? Sim, tinha. Então, Ivone, é a minha fala. Cadê? A Eliana é você Eliana, né? Ah, fala. Vai ser só o seu nome? Jonas, Jonas. Tá bom. Dia 30 nós vamos ter uma próxima reunião aqui. Que horas? Ainda tá, vai definir, né? Vai lá. Minha a minha angústia, eh, eu acho que eu já fui contemplada na fala da, principalmente na fala da Jaque. A minha angústia é dessa comissão é realmente não ter aqui, quem é educador aqui? Quem é da educação, tá? A educação tem que estar presente, a saúde presente, porque eu eu sou Ivônio, eu sou defensora do SUS, sou assistente social, eh trabalho no SUS. Mas acontece o seguinte, chega pra gente na saúde, ai a professora encaminha aquela professora que fica 4 horas, que tem aquele olhar, que realmente aquela criança tem aquela necessidade, chega pra gente e aí o que a gente faz com aquela criança se a gente não tem nada? As políticas públicas de Campinas são meia boca. Tudo é meia boca. Nada funciona. Tudo é meia boca. Porque eu tenho um psicólogo aqui, eu tenho um um neuropediatra ali, eh, o centro de saúde hoje eu não tenho, só vai ter o ano que vem. Políticas públicas é meia boca. Então, se essa comissão não tratar eh com os realmente com os atores que são os pais, Defensoria Pública, Ministério Público, o SAEC só foi criado porque eu levei a demanda pro Ministério Público. Hoje nós temos um transporte que leva o paciente para todas as instituição de Campinas e fora de Campinas, tá? Pelo SUS, tá? Então, se a gente não se reunir, como a Jaque falou, as leis nós já temos, nós já temos, mas se a se a nossa inquietação não for com todas com todas as políticas, porque o que aconteceu? A a educação ficou inimiga da saúde, a saúde inimiga da educação e inimiga da assistência, assistência inimiga. Então, as políticas ficaram inimigas em vez de se unirem. Então, se não se unir todas as políticas para para ter esse debate, não vai caminhar. A gente vai continuar patinando, patinando. Só mais uma coisinha. Eh, sábado e domingo eu estou eu estou delegada na na no direitos humanos em São Paulo. Eu vou defender a causa do autismo. Obrigado, Ivane. Eliana, boa noite, pessoal. Eu sou Eliana, sou mãe de dois autistas, suporte um e suporte três. O meu filho faz terapia ali nacamp há mais de 10 anos e hoje ele se encontra com 14 anos. Eu passei por várias fases ali com ele, a parte da infância, do desenvolvimento. Nós conquistamos grandes partes com ele, a parte dele conseguir tomar banho, da independência de conseguir colocar comida, mas infelizmente o meu filho ainda não é verbal. E a minha preocupação hoje que cada dia, cada ano aumenta mais o número de autista, né? Em geral a gente sabe que tá aumentando e o que nós temos em Campinas, as instituições, os lugares, não é o suficiente para atender. Então a minha fala aqui é para ter um olhar para aumentar os locais de atendimento. A da Camp hoje ela atende um número sim de adultos, mas o que acontece? O meu filho hoje com 14 anos, daqui 4 anos ele corre o risco de não ter vaga para ele na da Camp. Por quê? Porque a da Camp é ruim. Não, a da Camp ela é ótima. É tão ótima que a gente gosta dos nossos filhos ser atendido lá porque não tem espaço. Ela precisa de verba para ampliar o lugar. Ampliar o lugar e precisa de verba também para poder pagar profissional. Então a gente tá com essa, eu mesmo, gente, tô com essa grande preocupação daqui 4 anos para onde vai o meu Benjamim. E eu também quero pontuar a parte do autista suporte um, que é o meu filho, né, o autista leve e que as pessoas vê, como ela tem comentado, ai parece que ele não tem nenhum sofrimento, mas eu falo para vocês, o autista de suporte um sofre mais do que o suporte três. Eu tenho essa experiência como mãe, porque o suporte três, se eu trago ele hoje aqui, todo mundo vai ver que ele é um autista, não vai se importar com os comportamentos inadequado, mas o suporte um ninguém percebe e ele percebe se ele tá sendo rejeitado no meio da sociedade. Meu filho no sexto ano escolar, ele sofreu um bullying muito grande na escola. E a minha maior dor e tristeza que foi os próprios professores da educação que causou esse bully e foi alunos que vieram me falar. E como um professor de sala ele causa um bully num autista, quem vai defender? Então assim, eu fui para cima porque eu sou uma pessoa que eu não desisto, eu não fujo de problemas, eu resolvo. Então assim, fui na escola, resolvemos da forma que precisou ser resolvida. E graças a Deus tudo se saiu por cima. Mas ficou uma sequela muito grande no meu filho. Ficou uma sequela muito grande. E eu digo, como tratar essa dor interna, como uma mãe tem dito, que tem adolescentes acabando cometendo suicídio e o medo do meu filho se suicidar, né? O que passa na cabeça dessa criança dele ver tanta rejeição vindo de quem poderia acolher. Então assim, o qual tratamento que a gente precisou para ele? Psicanálise. O SUS não tem, mas precisa de psicanalista porque vai trabalhar emoção, vai fortalecer o emocional para ele saber lidar com a sociedade. Porque viver não é fácil, gente. Viver é difícil porque a gente lida com pessoas difíceis. Se para nós que somos normal é difícil, imagina para um autista que para eles é tudo mais intenso, três vezes mais intenso. E assim, seria muito bacana também se o SUS tivesse esse olhar de ter esse acesso gratuito, porque não é barato uma terapia. Eh, a uma mãe que vive de loas, ela vai ficar entre comprar o pão pro filho comer ou pagar terapia e os dois são importantes. Então, eu gostaria que tivesse esse olhar pra parte da psicanálise também. Muito obrigada. Muito obrigado, Eliana Rosângela. Eh, primeiro obrigada por tá aqui, por estar nos ouvindo. E a meu primeiro ponto é eh todo mundo aqui sabe mais ou menos o que que é o autismo, né? E eu, esses dias, eu escutei uma fala muito importante de um pesquisador, um cientista inglês, Samuel Con, que ele fala que o autismo é primeiramente uma deficiência e uma diferença, uma deficiência não visível, mas ela está ali. A diferença é muito pior, porque além da deficiência que está ali e muitas vezes não é visível, mas a maioria das vezes é visível, a diferença não é observada. E o autismo tem isso, tem aquela chavinha da diferença que abre outras chaves para outras tantas diferenças. Nós temos os raros no autismo, nós temos as síndromes no autismo, nós temos as as os níveis de suporte no autismo. Então é uma alta complexidade. E quando eu ve quando eu venho aqui participar de uma coisa como essa, a minha ideia é de participar de um esforço eh pequeno que tá relacionado à minha cidade, que é onde a minha cidade é que que gera riqueza. É aqui que é administrado tudo que se passa dentro da do nosso espaço. E e quando a palavra administração vem na minha cabeça, eu fico pensando eh como no meu, na minha forma pragmática de pensar, eh, pra gente, para tudo que a gente administra na vida, até no, na nos gastos de uma família, a gente precisa ter um planejamento e precisa ter uma um norte. E aqui nós não temos ainda um dado, um sistema de dado. Então, nós precisamos criar um sistema de dado eh para poder pegar todas essas questões biopsicossociais onde o autista está inserido e poder em cima disso fazer o planejamento em cima da administração dos recursos públicos para poder atender essa população. Então, primeiro, eu queria pedir muito que tivesse um olhar para essa coleta de dados, uma coleta de dados oficial, protegida por um sistema oficial, que possa dar subsídios pra gente poder fazer outras tantas outras coisas. E queria salientar também que existe uma forma da gente resolver nossos problemas dentro da cidade, eh, em parceria com outras entidades, a estadual e a federal, através da federal do plano viver sem limites e a estadual, através da nossa ação civil pública, que condenou o estado a a custear todo o tratamento clínico e educacional dos autistas, inclusive ao transporte. Nós não dependemos só da INDEC para transportar nossos filhos. Nós temos o sistema ligado que é do governo estadual. Então, eh, nós queremos que existe essa interligação, essa fala eh amorosa, porque a nossa situação é muito vulnerável em todos os aspectos, tanto eh financeiro quanto emocional. Nós nós vivemos numa uma realidade extremamente vulnerável, independente da classe social, independente do da pessoa da nossa cidade, aonde ela trabalha, onde ela estuda, onde ela gera seus recursos, isso daí tudo tem que ser olhado através da interligação de várias outras áreas que não necessariamente não aqui. Eu tenho uma irmã que trabalha no funcionalismo público e eu gostaria também de saber se aqui internamente existe algum alguma forma de alguma forma de gratificação ou por pontos ou quem quer que seja para que possa criar dentro do do do local de capacitação dos do funcionalismo público alguma área que se preocupe exclusivamente e dar capacitação para os nossos serviços essenciais dos funcionários a respeito da do autismo em si, não só da pessoa com deficiência no geral, porque quando se trata de autismo tem que ser especializado, não pode ser uma coisa ampla demais, tem que ser focado único e exclusivamente no autismo. Outra coisa também que eu penso muito, se não se tem eh eh condições básicas para poder se olhar nesse termo da especificidade das diferenças dentro do autismo, o que que a cidade está fazendo para garantir pelo menos a a integridade física e emocional das nossas crianças e nossos nossos adultos. Porque eh eu eu vejo que na rede pública de ensino precisa haver um sistema de eh de monitoramento, porque nós estamos sendo dilacerados todos os dias com notícias ruins a respeito de como nossos filhos são tratados atrás, fora do nosso olhar. Então, eh, eu gostaria muito de saber o que que tá sendo feito com respeito à integridade física, emocional dessas crianças que estão inseridas no no ensino regular e nas instituições que atendem clinicamente essas crianças. Outra coisa que que eu gostaria muito que vocês atentassem é com respeito ao nosso centro dia, que infelizmente não foi concretizado e precisamos de um centro dia. Eu sei que existe um centro agora tá sendo a pelo público idoso. Nós queremos, nós queremos um modelo de centro dia para autistas adultos em extrema, inicialmente extrema vulnerabilidade e posteriormente se se houvesse essa colaboração de estado, município e federal, a ampliar isso para qualquer autista adulto em invulnerabilidade, qualquer adulto autista que que necessite desse suporte. Porque a gente como pai e mãe, a gente tem que exercer a nossa posição de cidadã, que é criar condições na nossa cidade funcionar. E a gente não pode passar a vida inteira só na tarefa de cuidador. A gente quer gerar riqueza também. Aquele a gente quer empreender e a gente quer saber até que ponto o município pode nos dar nos dar esse incentivo também. uma alíquota menor de imposto, seja ele isenção, eu acho difícil, mas uma menor com efeito progressivo, alguma coisa que pudesse ajudar as famílias que têm uma visão de empreender para poder justamente deixar algum planejamento eh sucessório paraos nossos filhos, que a gente não é eterno, né? Então, a gente precisa ter uma uma ter uma condição de de manter esse suporte quando a gente não tiver mais aqui. E a gente não vai conseguir fazer isso só cuidando. A gente precisa trabalhar, a gente precisa produzir. Então, eh, inicialmente é só isso. Agradeço muito a oportunidade. Eu gostaria muito de fazer parte dessa comissão humildemente como mãe e não tenho nenhuma formação acadêmica, mas eu tenho eu tenho uma vivência de realidade que eu que eu vivo isso desde que nós tivemos a nossa lei em 2012. Uhum. Né? Eu sou contemporânea, a Berena Espiana, tivemos juntos na luta da regulamentação da lei. Uhum. Então eu gostaria muito de fazer parte dessa comissão. Claro, já faz parte, Rosângela. Obrigado. Todo mundo aqui faz parte da comissão, tá? Então já tá todo mundo dentro da comissão. Ana Paula, obrigado, Ros. Boa noite, gente. Meu nome é Ana Paula. Eu sou do movimento popular de saúde, do movimento das tutoras. Eu sou conselheira local de saúde no centro de saúde do Barão Geraldo e estou conselheira estadual de saúde pelo MOPS, tá? Eh, eu sou mãe de uma pessoa com deficiência, agora recém-laudada em agosto aos 17 anos. Apesar da minha filha nascer no CAISM, depois de 17 anos, eu consegui o dinheiro para pagar consulta de R$ 1.000 para laudar a minha filha, tá? A minha filha passou o primeiro grau inteiro na escola depositada, nunca teve uma, ela teve a cuidadora, aquela outra lá que ensina nunca aconteceu. E no segundo grau agora, que foi em 2024, ela ia pro primeiro colegial, né? Comecei a ter problemas com o estado porque não tinha laudo e aí não conseguia cuidador, não conseguia transporte, não conseguia nada. Entrei no Conselho Tutelar para judicializar as faltas. Entendeu? E assim, não vai paraa escola, gente, não vai paraa escola. Está matriculada para não dar problema paraa escola, mas o problema de a educação não está ocorrendo. Eu eu queria falar fazer uma fala também, gente, que é o seguinte, eu fico muito preocupada com essa medição de dor, tá? Eh, que o TEA1 sofre mais do que o TEA3. O TEA3 pode não ter a capacidade cognitiva, porque muitos deles têm deficiência intelectual, tá? Então eles podem não ter a percepção do sofrimento, mas a pessoa que cuida desse dessa criança, desse adulto, pessoa com deficiência até a trê, sem oralidade, com comorbidades motoras, que é o caso da minha filha. Gente, olha, mano, olha quando falou que o o Té aí vive até 39 anos, gente, eu estou feliz com essa informação, sinceramente, cara. Entendeu? Porque para na minha cabeça, cara, eu vou poder morrer em paz, entendeu? Porque eu não tenho a menor possibilidade de morrer e deixar minha filha aqui sendo cuidada por quem? Entendeu? Por quem? Eu não tenho irmão, eu não, ela não tem pai, ela só tem a mim. Então assim, por mais que o TA1 sofra mentalmente, gente, a gente aqui que cuida de uma pessoa que não é funcional, cara, que não dialoga com outras pessoas, minha filha nunca foi convidada paraa festa de aniversário. Quando ela é hoje em dia, nossa, filho, você não tem noção, a alegria dela. Eu até filmo ela na festa de para eu guardar aquele momento de recordação para mim. Os meus amigos, gente, são pessoas super humanas, super estudadas, super ativas socialmente, mas não são minha rede de apoio, cara. Eu não tenho rede de apoio, sabe? E eu não consigo, sinceramente, eu não consigo estimular minha filha, sabe? Eu me cobrava muito com isso, mas eu não consigo. Eu não consigo. Eu consegui o BPC agora e é o seguinte, eu pago conta e ponho comida dentro da minha casa. Eu não tenho a menor possibilidade de pagar uma terapia para minha filha, gente. Ou eu como e cuido minimamente de desse básico, porque se não te quando não tem esse básico, aí quem não aguenta sou eu. A carga mental da preocupação de que não vai ter, que vai faltar, que vai não sei o quê. Gente, eu fico maluca, cara. Entendeu? Então assim, a carga de alguém que cuida de uma pessoa com deficiência que não vai crescer, gente, tá? Ela vai se tornar um adulto, mas ela vai é dependente eternamente, entendeu? Então a carga dessa mãe, gente, tem que ser vista um pouco, tá? Vou aproveitar essa fala, Wagner, tá? Para falar um pouco sobre portas fechadas para mãe atípica e para pessoas que dependem de benefício. A gente não pode ser MEI, tá? A gente não pode ser empreendedor porque o INSS acha que a gente é empresário. Eu tive o BBC negado três vezes porque eu tinha uma meia aberta, porque na pandemia eu fiquei com medo de morrer do coronavírus e não ter um seguro de vida pra minha filha. E aí eu fui lá e abri essa meia, comecei a pagar os R$ 50 mensal para rezando para eu o coronavírus pelo menos não vir em 8 meses, que era o prazo que começava a valer esse seguro de vida. E no fim isso virou um um elefante branco na minha vida, entendeu? Porque a gente não tem direito de absolutamente nada, sabe? As coisas que são financiadas pela Câmara, pelas medidas impositivas da cultura nessa cidade acontece que não chega na ponta, gente, porque tem sempre um coordenador do evento que cobra do solo da CETEC cinco vezes mais do que a prefeitura, cara. Entendeu? Para quem que é a cultura, mano? A cultura é para quem tem dinheiro, tá? E que nem coisa aí. cultura para quem tem comida, casa, quem não tem saúde, educação, comida, gente, não vai pra cultura, não vai pro lazer. Eu sinceramente tenho dificuldades enormes de sair com a minha filha, sabe? Hoje em dia ela está crescendo, mas não melhora a dificuldade. Quando tem muita gente é muito difícil. As pessoas não entendem, gente. As pessoas não entendem. Elas não querem que pegue, elas não querem. A minha filha é negócio do toque, ela quer pegar, ela quer abraçar, ela quer beijar todo mundo. Então, gente, é muito difícil, sabe? E o strress que a gente qu falo, gente, eu não posso morrer, eu não posso ficar doente, eu não posso nada e eu não posso nem querer sonhar com uma vida melhor, cara, entendeu? Porque eu não posso aumentar minha renda, entendeu? formalmente não. E eu não tenho nenhum espaço que me garanta uma vez por mês eu poder vender um artesanato, eu poder vender poesia, eu poder cantar e botar outro chapéu. Não existe um lugar assim, porque todas as feiras dessa cidade cobram um preço absurdo para você expor, gente. R$ 80, R$ 120, R$ 150. E gente, são eventos custeados com dinheiro público, entendeu? O que que justifica que um evento financiado com dinheiro público vá cobrar um rim de uma pessoa cara que sabe? Então, sei lá, já que não pode mudar, eu queria mesmo era uma lei que proibisse a sobretaxa da CETEC em eventos de com financiamento público, mas eu sei que isso é impossível, Por que que não pode fazer uma cota pra gente de baixa renda para poder ir para esses lugares, cara? uma vez por mês que seja. Ninguém quer todo dia não, porque nós não consegue todo dia porque tem que cuidar do filho, mas uma vez por mês, entendeu? Sabe? Para você também ter uma atividade. Ah, eu vou produzir o mês inteiro e vou lá no meu espacinho lá uma vez por mês. Gente, isso já dá uma outra qualidade de vida pra pessoa, cara. Entendeu? Porque só ser cuidadora, gente, é surtante. Eu sou uma lutadora, porque eu sei que porta de dinheiro eu não consigo, mas as portas das lutas eu arrombo todas, entendeu? Então eu virei isso, entendeu? Virei a pessoa que luta, luta, luta e vive revoltada, cara. Porque na essa cidade não tem nada para minha filha, não existe nada para minha filha nessa cidade. Eu moro do lado da Unicamp, sabe? Minha filha nasceu dentro da Unicamp e, gente, é muita dificuldade para conseguir um diálogo com a Unicamp, sabe? Então assim, eu sou bem frustrada com essa cidade, mas eu tenho esperanças de que vamos melhorar e tenho o sonho mesmo de ter controle social dentro das OSCS, porque eu acho que o controle social aproxima as famílias das instituições e também conseguem fazer o seu papel fiscalizador de cidadania dentro desse espaço que geralmente é conveniado com SUS. Entendeu? Agora tem um um serviço SUS que não tem controle social, para mim é SUS fajuto, o cara, entendeu? Então eu luto também por isso nessa comissão para que as que se atentem e instale controle social, conselho tripartídico com trabalhador, gestor e usuários para que consiga acompanhar o espaço, a instituição e também, cara, colaborar com a construção de melhores condições dessa instituição, cara. Entendeu? É só isso, gente. Valeu. Obrigado, Ana Paula. Boa noite, sou Juliana, sou mãe do Juan. Eh, assistido da da Camp. Ui, ui. Um pouquinho mais perto, por favor. Mais perto. Ah, tá. Tá. Sou Juliana, sou mãe do Juan, assistido da DACAMP. Eh, hoje ele tem 8 anos, nível 13 de suporte, não verbal. Eh, muitas mães aqui falaram e eu tanto vi o presente e o futuro do Juan. E falando um pouco das comorbidades que que nasceu, eh, o que já me manifestou na gravidez foi entender que ele ia nascer especial. Eh, ele tem uma deficiência física, eh, chama pé torto congênito. Eu vi que muita mãe ficou com a voz extrêmula. Eu vou ficar com a voz extrêmula porque quando fala dele a gente fica mais sentida, né? eh tem a deficiência intelectual, ele é não verbal e hoje ele se encontra numa escola adaptada com três meses de desistência da escola estadual que ele tinha. Eh, eu tive a a nesse período porque ele tá numa escola que ele é chamado de bolsista. Então, no período que ele passou para essa escola, ele ele teve a perda do transporte ligado. E com isso eu tive que durante um bom período ir com ele de paz e serviço, que também pode dar negado em alguns dias. E hoje eu me encontro somente na opção de ir com ele pra escola, dele ter o direito da escola e não a terapia. Então, por ele ter essa deficiência, eh, ele usa a cadeira de rodas em alguns momentos. Eu ainda não saí da cadeira de rodas com ele para andador por segurança física. Tem dias com as mãezinhas aqui da camp, eu não vou pra terapia porque ele fica sem andar. E por mais que hoje ele esteja na escola adaptada, eh, e que se há um entendimento porque fala que é adaptada, há uma parte que as mães elas ainda continuam sem voz. Porque a partir do momento que a gente entrega para profissionais, é como se eles estivessem nos enquadrando que, ah, mãe, por que que ele ainda come papinha? Eh, eu cheguei a escutar de uma profissional no passado dele que eu tinha que tomar remédio, que eu precisava de uma psicóloga, porque diante do incômodo dele que ele tem o TPS, ele tem transtorno de processamento sensorial e o Juan ele tem um incômodo gritante, auditivo. Então, bebê, ele já começou um tratamento antes do diagnóstico do autismo. A quem e entende autistas é diagnosticado muit das vezes tardio, se não for não verbal. E o Ran foi visível e por minha parte. A no passado a gente é levada como as mães, né? Você tá louca, você é mãe de primeira viagem. ali já tem uma invalidação num passado e o que me fez ficar muito mais fechada foi eu ter tido o apoio dos profissionais eh psicólogo, terapeutas, assistentes sociais. Eu me pego nessa rede de apoio porque eu entendo que a rede de apoio ela é livre, não se pede. Você tem ou não tem, você não obriga uma avó que é avó lembrar que é avó, uma tia lembrar que é tia. E hoje eu me vejo, hoje eu me vejo com pessoas me pedindo desculpa diante da ausência que teve no passado. Porém, hoje é uma mãe machucada, uma mãe cansada. Eu saí de casa com o meu filho acordado ainda, então eu espero que o pai tenha feito ele dormir, porque senão depois ele não acorda bem de manhã para pra escola e aí eu recebo o recado da escola e eu não posso intervir em nada porque ele tá, no meu ver, com pessoas adequadas. E aí eu não tenho direito de contestar um porque assim, vocês pegarem, eu eu brinco, gente, mas é é um jeito irônico quando a gente ver a vida. Se vocês pegarem o caderno do meu filho, ele é o Chuck. Se vocês pegarem o retorno da terapia, ele é meu filho em casa. Então, quando eu contesto que meu filho ele não possui a variáveis do comportamento que ele demonstra na escola, eu me vejo no direito de concluir: "Meu filho precisa daquele espaço." Ele tem deficiência intelectual. Para que quem entende a deficiência intelectual é um acesso enigmático. Ele tem uma síndrome que tá em em estudo. E eu me pego hoje, por mais que ele esteja na escola adaptada, eu tenho muita vontade de entrar no sistema e pedir pra retirada dele do ensino, porque eu vejo hoje que o que meu filho precisa da terapia. Ele tá na da Camp com uma equipe hoje muito entrosada. Eles, eu procuro o acolhimento com as pessoas que vão, se eu precisar de ajuda, eles vão saber que eu tô precisando realmente de ajuda. Eu eu abri mão porque meu filho desregulou um dia dentro da van. Eu eu me cursei como cabeleereira. Eu tive que abrir mão da profissão porque um dia que ele desregulou dentro da van, que ele se colocou em risco e isso eu não vou contestar, porque se o transporte me liga hoje, amanhã você vai ter que ir, eu vou. É o sim que eu eu publiquei um texto esses dias, é o sim que a gente tem que dar pra vida. O não não existe. Porque se eu dou o não e eu justifico que é, poxa, eh, tá entrando mais remédio, a escola vem com uma abordagem. A escola muit das vezes, eh, eu numa das reuniões que eu tive com um grupo de diretores e junto com a camp, eu falei para eles, eu falei: "Vocês nos enxergam como fono, psicóloga, terapeuta, eh, fisioterapeuta, mas eu quero falar como mãe." Então, no dia em que ocorreram uma que ocorreu essa reunião aonde somente eu estaria nessa sala, eu falei: "Hoje vocês não me pegam". Liguei pra terapia. Falei para eles que iria ter essa intenção dessa reunião e eu falei: "Eu essa essa reunião não faço sozinha porque lá no passado eu já me peguei numa reunião aonde eu era a única pessoa, aonde o que eu falava era usado contra. E aí quando eu disse, vocês podem aguardar porque a terapia tá vindo". Ah, não era essa a intenção da reunião. Então assim, se eu não tiver dois passos à frente o tempo todo, aí se a gente não compartilha, né? Porque ao mesmo tempo que eu acho lindo as publicações que falam, né, sobre tal lugar, gente, é lindo, mas eu não acho justo eu expor meu filho num ponto aonde as pessoas vão olhar ele com um olhar que eu não gostaria só porque eu desabafei, meu filho, ele é tudo para mim. A sensação de perda, ela não é legal. que seja por vários fatores e e por mais que hoje ele esteja num local aonde se diz adaptada, eu ainda assim eu falo: "Psicólogo, por favor, entra lá porque eu quero que você veja, você vai entrar." Eu eu infelizmente não posso. É mais assim, o olhar que falta pedem muito da gente, mas não nos escutam, porque sempre vão colocar nós, ah, mãe, você quer fazer da escola a sua casa? Mas não tudo é psicólogo pode trazer uma carta, você pode trazer uma carta do filho, você pode trazer. E eu estou aqui para quê? para ficar numa sala com mães, eh, entrando em tipo de questões que que eu falo, eu não vim para isso. Eu eu tô deixando de trabalhar para muita das vezes no lugar que é para ter acolhimento entre de mulher para mulher, de família com família, até mesmo assim muit das vezes não ter. Aí eu sou, a gente graças a a as mulheres do passado da da Camp, a gente tem um espaço que a gente tem banco, a gente tem mesa, a gente tem banheiro, como qualquer outro lugar hoje em dia tem, mas ali é diferenciado que você se sente mais acolhido e ao mesmo tempo também você fica, hoje de manhã ele não foi pra escola. Ontem de manhã ele não foi pra escola. Eu lavei roupa porque senão talvez eu não ia dar conta de lavar roupa. A mamãe porque eu tô acompanhando ele e eu estou sem opção de voltar. Aí me deparo com os recados, me deparo com a sobrecarga, me deparo com, olha, a escola quer mais remédio ou tem como você eh é que prefiro não dispor, não entrar em pautas em relação a ele, porque a vontade de falar muita das vezes é ela é gritante e às vezes o silêncio ele é melhor porque a gente tem a sensação de que não é escutado. Porque sempre vão nos colocar no lugar que somos mães que reclamamos. Eh, eu eu a gente fala assim, mãe, mãe para mãe se entende, a gente se olha e fala: "Tá cansada, né? Você não dormiu, né?" Ela não dormir. Ai, vamos no brechó, vamos no brechó. Vamos comprar o pão de queijo no posto. É, é assim que, que e quando vai ver a gente tá e depois volta. [Música] É, a a gente pede, vamos fazer mais reuniões, vamos fazer grupos de uma acolher a outra, conhecer a outra, porque muit das vezes eu vim entender a história da Poly, Poly é a mãe e o meu filho já esteve aqui. Vai com Deus. Eu te escutei. Amém. Continuarei escutando. Amém. Com certeza. A gente se vê na da camp. A Poli, eu vim às vezes conhecer a história da Poli por conta de umas reuniões terapêuticas. Sua sacola. Sua sacola. R. A história da Eliane a gente percebe num detalhezinho sobre o filho dela do nível de suporte, né? Tá gatão ele. Os dois. Mas assim a gente vai conhecendo. Então assim, às vezes até para ter acesso à aquela outra mãe, você fica, pô, tô cansada, tal. E quando a gente tá falando a mesma língua, há muito acolhimento. Então, a a o sentimento de não ser escutado, eu tô falando pelo nível três do meu filho, porque eu não sei como que é pra mãe do um, né? Não acha, a gente nem acha justo eh laudar criança com nível de suporte, mas como é não verbal é é é gritante. Então dentro da própria comunidade, ah, meu filho é leve, ah, o seu é severo, mas é tudo. Aí eu fico: "Poxa, dentro da comunidade eu ainda tô ensinando essa mãe que que severo não é porque ele anda severo, não, porque ele come severo, não. Eh, até dentro a gente fala: "Ai, vou nem gastar minha salível, tô sobrecarregada". É, é, é a sobrecarga de escutar. Você não veio visitar. Eh, eu é a gente ficar sempre fantasiando. Nossa, a gente podia juntar uma chácara, nunca dá certo. Ah, a gente podia, vamos restaurante. Mas que horas que seu filho sai? Às 10, que hora que seu filho sai? Nunca dá certo. Que que a gente faz? Vai lá comprar o pão de queijo, vai fazer um café. é o tempo. Só que aí quando se trata de coisas que tá dentro da nossa capacidade, não tem um raio de ah, mas aí a gente tá seguindo a ordem da secretaria de ensino. Titia. Eu posso só comentar um negócio rapidinho que eu acho isso talvez que possa contribuir bastante. Ai, é a desculpa essa questão da escola eu acho que é muito Ai, desculpa. Eh, eu acho que é muito importante vocês saberem no geral assim, porque eu descobri isso há pouco tempo, na verdade eu não faço parte, né, da escola, tal, mas eu fiquei sabendo a partir do momento que quando a criança não tá na escola, o adolescente não tá na escola, desculpa ter interrompido, eh eles obrigam, né? Você vai falar sobre o pensado de tirar meu filho? Não, não, não, não, não. Eh, eu acho que você pode, é só um acesso a um direito que você tem e que você tem que garantir se você quiser, entendeu? É só isso. Eh, eu não sabia, na verdade, mas existe atendimento domiciliar escolar, então existe uma lei que também garante que a pessoa da escola, daí eu acho que teria que ir pro Ministério Público, o Conselho Tutelar, ele serve para isso, né? Serve, não serve não. Vamos ver se ele conseguirá, né? Porque como eu tô nesse serviço outro, né? Eu tenho que garantir toda hora o direito de todo mundo, tal, tal, tal. Eu sei que é um pé no saco, principalmente para quem já nem queria mais que a pessoa fosse para eu sei como é. E aí, fazendo essa garantia, né, do direito à educação domiciliar, eu acho que é um um lugar, né, que talvez tenha um acolhimento, uma adaptação, você possa estar perto, né, do seu filho ou da sua filha. Eh, estou aguardando o Ministério Público responder sobre isso. Então, assim, não posso garantir que realmente o ru é isso. Porém, se o Ministério Público falar alguma coisa, aí a gente multiplica isso muito mais. Mas isso para mim foi algo muito importante, porque tem muitas pessoas, principalmente com deficiência múltipla, né, ou com, né, um teqo, né, o o nível de suporte às vezes é difícil e que poxa, fica sem ter o acesso a esse atend. É um atendimento todo dia, né, mas que vamos ver se isso acontece. Eu estou vivenciando isso, então assim, não sei como que vai ser, tá? Mas acaba que acaba que sendo um tá, vamos lá. Eh, tem uma diferença entre atendimento domiciliar escolar e o atendimento eh não, mas é é diferente. É um é da educação mesmo, é da educação mesmo que eu tô falando. Ele seja permanente, é homeschooling, é outra coisa. E esse termo atendimento domiciliar escolar é para situações pontuais. A criança está impedida de frequentar a escola por tal motivo. Aham. Aí ela tem direito a esse atendimento. É um paralelo com a pedagogia hospitalar. [Música] a fala da mãe, pessoal. É, basicamente, eu tô eu tô me tô me pontuando leve em consideração, muita opinião da da equipe terapêutica sobre tudo que eu faço, qualquer movimento com o Juan. É um pensamento assim que eu achei que fosse nem e eh eu tento pesquisar mais sobre se ele possui o direito, o que é que eu tenho que fazer em casa, porque aí eu vou virar professora, vou virar telefono. É assim, há também um um uma movimentação que eu vou ter que fazer se eu pensar pensando no meu filho, na comorbidade dele e tudo que ele tá passando. Sim. Obrigado, Juliana. Agradeço, pessoal. Olha, estamos chegando às 8, né? Então temos que encerrar aqui o nosso a nossa escuta. Uma coisinha importante. Então vou dar envolve financiamento mais uma vez só pega o microfone. Então assim, olha, vamos lá 2 minutos pra Renata, depois um minuto para 2 minutos pra Paula, daí a gente encerra, tá? Eh, aquilo que eu falei de financiamento precisa passar por por esse olhar da família, né? A mulher, né? Além de todas as questões da segurança, né, o tanto de suicídio, homicídio e suicídio, seguido de homicídio de famílias com de pessoas com teia, né, crianças ou adultos, tá crescente, né, e essas mulheres precisam ser olhadas, né? A gente tem um um tema, eu tive uma aula essa semana, eu aprendo, continuando continuo aprendendo bastante, iso que é de economia feminista, independente do apoio ou não da, né, da desse termo feminista, mas é um tipo de conhecimento que a gente precisa trazer para cá, né, para para para pro município para pensar como que mulheres como a Juliana, né, que deixaram de trabalhar, né, mulheres que precisam vão vender o seu o seu produto e que vão fazer funcionar, né, circular o dinheiro no município e garantir ainda que todas esses aspectos de segurança, de atendimento clínico, de atendimento educacional se sustente. Perfeito, Renata. É por aí mesmo. Acho que é por aí mesmo. Vamos lá. Por favor, a Paula. Poois lá. Isso. Só só a Paula, depois eu passo para você. Daí você conclui. Liga aqui, né? Isso. Ligou. Foi. Pode ligar. Eh, só pegando um gancho aí no que a Juliana tava falando, eh, essa questão da gente se é fío, se é terapeuta, se é fono, se é professora. Falei no começo, eu tenho um filho de 16 anos, Teia nível 3, um nível dois com 13 anos. Eu acho que tem que ter um serviço e aí o pai que tentou fazer, tá tentando fazer esse projeto piloto, que a gente precisa ter um profissional que vá à nossa casa. Por mais que eu leve meu filho em todas as terapias, ele faz lá 4 horas, mas ele vive na minha casa. Então assim, eu tenho muito esse olhar porque graças a Deus lá atrás, quando eu tive diagnóstico com meus filhos, eu tive condição de ter bons profissionais. Posso dizer para você que os profissionais de referência que tinha em Campinas, meu filho foi diagnosticado com 2 anos e 3 meses. Só que eu trabalhava feito uma louca para pagar essas terapias. Eu saí de casa 7 da manhã, eu chegava em casa às vezes 7, 8 horas da noite. E o que adiantou? Porque o que ele fazia na clínica eu não replicava em casa. Você tá entendendo? Mesmo que eu, mãe, quisesse replicar o que tava na clínica, eu não tinha conhecimento para aquilo. Eu sou mãe, eu não quero ser fisioterapeuta, eu quero chegar em casa, poder brincar com meu filho, eh, comer com ele, sei lá, eu fazer qualquer coisa, mas eu não quero ensinar ele usar apec, eu não quero ensinar ele a andar na deixar de andar na ponta do pé. Eu me esqueço quando eu sou a mãe e oi às vezes eu me esqueço quando é isso. É isso. Então assim, eh um um serviço muito necessário de se desenvolver esse olhar de ter alguém que vá, então a gente chama esse programa de pike em casa, alguém que possa ir na casa e ensinar, porque não adianta eu ensinar ele a fazer as coisas só no ambiente da clínica e na realidade da minha casa é outra. Eu posso ter o melhor terapeuta 2 horas, 4 horas por semana, se eu não replico isso na minha casa, nos ambientes que vão estar lá. Quando a gente fala do autista adulto, ele realmente ele não vai ficar o resto da vida na clínica ou na escola. Ele precisa aprender aquilo pra vida funcional dele, para fora das quatro paredes da onde ele é cuidado, porque senão ele realmente posso intervir da maneira que eu quiser, isso não vai melhorar. Eh, acho que foi o Wagner, né, que falou de segurança pública, de policial, etc. Paulinia capacitou a polícia civil da cidade com PCM. Por quê? Porque tinha dentro da polícia civil lá da cidade uma funcionária que era autista. E houve um caso super grave aí que eles foram abordar um cidadão. Que que que ela conseguiu fazer? A prefeitura capacitou o profissional, o corpo da polícia civil. Uhum. a saber como você aborda um autista. Você não vai dar uma chave de braço, derrubar o cara. Você tem um jeito de pegar esse cara. E isso não só na escola. Isso não só na rua, isso na escola, isso no hospital, isso em qualquer lugar. Então, no final das contas, a verdade, eh, só para encerrar que era 2 minutos, né? No final do conto, a verdade é que assim, precisa de dinheiro, precisa de política pública e só vai funcionar se tiver formação. Formação em todas as áreas, na saúde, na escola e tudo, porque você pode ter o dinheiro, vim, mas se a gente não formar esse pessoal para saber, profissão pega a da galax não faz. Então, mas tem que formar todo mundo, né? Tem que formar todo mundo. Você acha que é correto a escola quando a criança entra em crise? A escola chamar a guarda municipal ou a polícia para conter? Não, tá totalmente fora. Certo. Não, porque eu passei por um constrangimento. Não chegou a chamar, mas foi relatar. Desculpa, desculpa, gente. Eu passei por um constrangimento muito grande no começo desse ano, gente. O meu filho Benjamim de suporte 13, ele teve uma fase assim de crise na escola, devido a própria mudança da escola. Mudou a professora de educação especial e mudou o cuidador dele. Então ele tinha já um afeto com outras pessoas e os que vieram ainda tinha que aprender a lidar com Benjamim. Então assim, aí foi feito um relato lá porque o Benjamim ficou super agressivo, tá gente? Foi uma coisa triste que me doeu muito. Até hoje me dói quando fala. E foi relatado lá que chamaram a guarda municipal. Gente, até hoje me dói. A coisa mais triste é ter um relato que chamaram a guarda municipal pro seu filho. Aí eu levei isso pro meu marido. Meu marido não concordou. Ele trabalha assim, lidar com bandido, trabalha na parte de segurança. Ele falou assim: "Gente, o meu filho é um autista, não é um bandido para poder ser tratado dessa forma. Foi um quadro muito triste que doeu. Então eu posso assim ter um conhecimento melhor através de você que é proibido chamar a guarda municipal para um autista em crise. Então na verdade o que acontece, o que que a gente acabou de falar, se a equipe dessa escola tivesse formação, ela saberia o que fazer com ele. Se nessa escola tivesse uma sala de acomodação sensorial, um espaço em que a hora que ele entrou em crise, alguém sabia o que fazer com esse menino, isso não tinha acontecido. Se coloca no lugar da diretora, não tô defendendo ninguém, não tô falando nem que é o certo, nem que é errado. Eu já vi um, eu tenho um filho nível três de suporte que quando ele ficava bravo, ele mordia quem tivesse na frente, ele arrebentava quem tivesse na frente. Graças a Deus, ele melhorou muito. Que que essa diretora vai fazer? Ela chama a polícia, porque se ela pôr a mão nele, ela tá e lesão. Se ela não pôr a mão nele, ele pode se machucar. Que ela vai ligar para quem? Pro SAMU, pro SUS, pra prefeitura. Ela chamou quem? Então, certo? Não tá. Mas que solução tem? A solução é formar. Se você não formar essas pessoas para saber o que fazer com ele, é muito triste formar e ter uma escola minimamente preparada. É isso que eu acho, ter uma sala preparada, porque a gente foi avisado e de imediato eu falo assim, eu sou aquela mãe que eu, gente, precisou de mim, me chama que eu tô na porta da escola porque o meu filho vale muito mais. Então assim, a gente já foi, chegamos lá de imediato. Ah, não, mas só que nós precisamos colocar aqui que chamou a guarda municipal que a gente tinha que prestar conta pras outras famílias. Mas na verdade o meu filho ele auto se agride. Ele auto se agride muito e grita. Então fica assim assustador o comportamento dele. Nem tanto que ele avança nos outros, mas é assustador. Mas é isso. Vamos ter tirado essa dúvida. Obrigado. Eh, você concluiu, Paula, por enquanto. Então, Laí, é que vai falando assunto, vai puxando, vai la. Ah, eu acho que primeiro é muito importante perguntar sempre, né? E se a gente puder contribuir, melhor ainda. Eh, só finalizando, né, eu acredito que dentro de tudo que a gente veio conversando, a questão da formação profissional é muito importante. Eh, ter mais e pessoas é muito importante em todos os serviços. E o que talvez fosse uma possibilidade, né, para pessoas com mais de 18 anos, seriam centros de convivência mesmo, inclusivo, né, e que realmente esses centros de E aí eu digo, eu olho muito para isso perto, né, no olhar, né, do da política de assistência social, mas pensando em tudo o que se tem hoje, por exemplo, né, hoje se tem um serviço de proteção social básica no domicílio. que seria para pessoas também adultas com deficiência, né? São para pessoas com deficiência em todas as idades, mas eu acho que ainda se é no domicílio, a pessoa também não tá vivendo a participação, né? Ela não tá vivendo a convivência comunitária. Então, pensando nesse lugar também dentro da assistência, pensar em centros de convivência inclusivos, né? e que não sejam só para pessoas com deficiência, mas que sejam para todas as pessoas e que a gente consiga realmente eh incluí-las, né, de uma forma cultural, inclusive para quem tá aqui, a gente que tem que se adaptar. Então eu acho que é um pouco isso. É, e assim, né, enquanto assistente social e representando aqui a Pestalosea, eu acho que assim, todo mundo que eh tiver, né, algum tipo de questão e tudo, é muito importante que seja colocado mesmo nesse relato, né, Wagner, justamente para que seja olhado de uma forma ampla e que tenha financiamento público para tudo isso que a gente tá colocando, né, ou de onde vai sair esse financiamento para que muitas pessoas tenham acesso a uma psicanálise, muitas tenham acesso, né, a psiquiatria, a fisioterapia, fonudiologia. Eu acho que assim, de verdade, é to. Gente, eu não sei aonde tá o to, mas se um dia eu fosse fazer uma faculdade, hoje ia ser to cargo de gestor, entendeu? Ah, tá. Bom, não sei, eu não sei, eu não sei o que que acontece com o Tó, mas formou, sumiu, né? Formou, sumiu. Não sei, não sei. E aí, assim, eh, é isso, né? E concurso público mesmo, porque com a formação, porque é isso, né? Exige mais pessoas, né? Todo, a gente tá vendo que, na verdade, isso existe há milhares de anos. Eu lembro que assim, eu não sei se é história, mas eu lembro que dei o filho do Dom Pedro era uma pessoa com autismo, né? Então assim, pô, gente, vamos lá. 2025, será que a gente vai ter que, né? E se for necessário, vamos, né? É isso. Eu acho que é isso, meu minha última palavra. Tá bom. Obrigada, obrigada. Isso. Gente, eu quero agradecer todo mundo que veio, né, as mães especialmente, eh, dizer que eh a gente tem uma responsabilidade muito grande aqui, né, porque vocês, assim, quando a gente cria a comissão, né, e uma comissão com esse caráter, a gente sabe que a gente cria expectativas, né, porque acho que a Ana falou muito bem, né, porque a esperança a gente não pode deixar morrer, né? Então a gente, eu queria aqui pactuar mesmo com vocês, né, que ficaram até agora, que vieram aqui, que a gente vai trabalhar muito para que a gente possa ter uma, né, quer dizer, ter um resultado forte dessa comissão aqui dentro das suas limitações. Vocês sabem que o legislativo, né, ele tem eh assim, ele não não é diferente do executivo, né? O executivo ele tem o orçamento na mão, ele pode direcionar recurso, né? embora tenha as tais emendas impositivas aqui, tem muitas limitações com relação a isso também, né? Mas acho que a nossa tarefa aqui é a gente tornar, claro, tornar público tudo isso que vocês falaram, né? O drama que muita gente sabe que existe, mas quando vem o depoimento de vocês, ela ele assume um outro um outro caráter, né? Uma outra uma outra cor, uma outra visibilidade. E a gente tem um compromisso também de tornar isso cada vez mais público, né? né? Quer dizer, que isso não seja entendido pela sociedade como um canto apartado, né? Um conjunto de pessoas apartadas da sociedade, mas que isso se torna um problema público de toda a sociedade, né? Quer dizer, acho que esse é que é o ponto central. Quando a gente fala da formação do do serviço, dos servidores, guarda municipal, do professor, da professora, da enfermeira, do pessoal da saúde e enfim, eh são pessoas que, né, que convivem entre nós, né, eh, são pessoas, somos nós, né, são pessoas que estamos aí. Então, se a gente consegue que isso se torne uma preocupação de toda a sociedade, a gente também facilita que os servidores possam tratar com dignidade o teu filho, né? Eh, que que a gente que que essa questão apareça como uma questão forte, que eu acho que a questão da dignidade, né, de todo mundo tem direito a ser tratado, né, como o ser humano que é, né? Então, eh, eu acho que a gente precisa caminhar dessa forma, mas acho que esse ponto que a gente acabou chegando nesse final, eh, eh, de, né, que acho que talvez acho que acho que o teu exemplo, Eliana, é muito forte, né? Eh, ele é muito importante, né? E acho que esse é um aspecto que a gente dialogando com o a prefeitura, o governo municipal, né? Quer dizer, são coisas que são urgentes, né? né? Quer dizer, a gente tem uma relação, por exemplo, com a Guarda Municipal, né? A comandante, a a comandante Lourdes, que é a comandante da Guarda Municipal, uma pessoa muito sensível, né? Acho que a gente podia talvez pensar uma colaboração nesse sentido que teve em Daiatuba, né? Então eu acho que Oi, Paulí, desculpa, ser pela saúde ou pela educação. Eu acho uma violência. Isso que o senhor, isso a gente fosse com meu filho, ainda bem queava para ir pra praia. Isso é uma guarda que foi escrito não chegou, mas o que foi escrito no papel, não, todo os setores, todos os setores têm que ter todos os setores têm que ter algum tipo de formação, né? Todos os setores, porque exatamente a gente tá pensando nisso como uma política integrada, né? Então, gente, vamos concluir agora dia 30 nós temos um novo encontro, né? Aí sim, às 10 horas da manhã. Ai, então quem não puder participar dia 30, não, acho que é uma quinta-feira, dia 30, acho que dia 30 é uma quinta-feira às 10 horas da manhã. O horário não é bom, né? Mas vai ser transmitido, né? Vai ser gravado. Então, eh, a gente vai arrumar um jeito de acolher nesse a gente vai arrumar um jeito de acolher também as questões que vocês puderem enviar para nós, tá bom? Ministério Público, Ministério Público, eh, Defensoria Pública e e OAB. acesso à justiça, tá? Vai ser o tema. Um abraço, gente. Muito obrigado. Obrigado. Obrigada, viu? Valeu. Obrigado. TV Câmara, Campinas. M.
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