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SALA DE AULA - MONTESSORI
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SALA DE AULA - MONTESSORI

42k views Publicado 08/07/2020 HD · 37:29

Descrição do vídeo

Educação que Transforma: O Que Está Por Trás do Sucesso das Escolas Montessori? Imagine uma escola onde as crianças aprendem com liberdade, exploram com autonomia e desenvolvem valores para a vida toda. Parece utopia? Pois é exatamente isso que acontece nas salas de aula baseadas no método Montessori – uma abordagem educacional centenária, criada pela médica e educadora italiana Maria Montessori, que vem ganhando cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo. Neste episódio do Sala de Aula, você vai se surpreender com o impacto real dessa filosofia na formação dos pequenos. Móveis proporcionais ao tamanho das crianças, liberdade para escolher as próprias atividades, aprendizado prático com materiais concretos e, acima de tudo, o respeito à individualidade de cada aluno. Aqui, o protagonismo infantil é mais do que um discurso: é prática diária. Conversamos com educadoras, pais e avós que vivenciam a metodologia de perto e compartilham histórias emocionantes de transformação. Crianças que aprendem a cuidar de si, do outro e do ambiente. Que desenvolvem senso de responsabilidade, empatia e cooperação desde os primeiros anos de vida. Uma revolução silenciosa – e eficaz – na forma de ensinar e aprender. Você sabia que os fundadores do Google estudaram em escolas Montessori? Que a ciência moderna comprova a eficácia desse método? Assista agora e descubra por que essa abordagem continua tão atual mesmo após mais de 100 anos! 📌 Uma reportagem que vai mexer com seus conceitos sobre educação infantil e mostrar que, sim, é possível ensinar com afeto, respeito e ciência. Continue assistindo conteúdos incríveis em nossas playlists: 📺 YouTube: https://www.youtube.com/@tvcamaracampinas 🌎 Conecte-se com a gente nas redes sociais: 📸 Instagram: https://www.instagram.com/tvcamaracampinas 🎵 TikTok: https://www.tiktok.com/@tvcamaracampinas 📘 Facebook: https://www.facebook.com/tvcamaracampinas 📌 Dados do vídeo: Título provisório: Método Montessori em Foco – Protagonismo Infantil na Educação Link: https://www.youtube.com/watch?v=8KoA1SfJC60 #MétodoMontessori #EducaçãoInfantil #AutonomiaNaEscola #CriançaProtagonista #AprendizadoLúdico #MontessoriBrasil #EducaçãoTransformadora #TVcamaracampinas #SalaDeAula

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Música Liberdade na hora de aprender. É, eles ficam assim mesmo, soltinhos. Os móveis são do tamanho de gente pequena. Hoje a gente vai falar de um método em que as crianças são protagonistas e ajudam a escrever os caminhos da educação. Pode deixar a turma bem à vontade Não tem problema As mãozinhas ficam livres para tocar em tudo Bagunça aqui não entra O que sai, volta para o lugar rapidinho Na hora de beber água, a galera sabe Tem que deixar tudo limpinho É, nem dá pra acreditar Quando, por exemplo, eu vou pra casa da minha família Então, às vezes eles querem se servir, pegam um copo de vidro, vão colocar água, vão colocar alguma coisa E nossos pais, meus irmãos falam, olha ele tá com um copo, pra mim é tranquilo E daí eu comecei a observar a diferença, que eles criam muita independência, muito diferente dos meus sobrinhos de outros coleguinhas que estudam em outras escolas e aí você começa a notar que tem um desenvolvimento, uma independência não é ruim a gente ficar comparando crianças mas até dos nossos familiares, observando eles com muito cuidado com muito medo do que eles estão fazendo e eles estão tranquilos e a gente também está tranquilo de tudo que eles estão fazendo Eles ficam tranquilos mesmo. Se há vontade a lavar, pode. Água no chão, não tem. Sujeira, também não. Terminou, bora limpar. É que desde muito cedo, eles aprendem a ser organizados. O professor nem precisa pedir muito para eles. Nada parecido com o que a gente encontra por aí, né? Na verdade eu fiz ensino tradicional, com carteiras e a gente ficava restrito a uma atividade dirigida pelo profissional, pelo professor e ficava sempre dirigido, nunca solto, igual eles aqui. Então acho que é uma diferença grande, mas que os resultados são iguais ou melhores até porque desenvolve outras áreas, não só a parte pedagógica, ela tem bastante independência. Quando o Ricardo visitou a escola pela primeira vez, estranhou um pouco, mas resolveu investir. Eu fiquei até um pouco assustado, porque a gente é de outra época, a gente não tinha sequer escolha de metodologia, era bem tradicional. Mas assim, eu me encantei observando as crianças, as crianças à vontade, com muita independência, buscando seus brinquedos, suas atividades, para brincar, para estudar. Então foi isso que atraiu, eu falei assim, realmente vamos matricular meu filho mais velho, que veio aqui primeiro. De uma forma bastante natural, a turma aprende a contar, a escrever e a conquistar a autonomia. A metodologia montessoriana também encantou a Renata. Na verdade, eu até me surpreendo com ela todos os dias, porque ela sempre traz uma coisa nova, pedagógica mesmo. Por exemplo, hoje eu percebi que ela está somando, foi uma alegria muito grande Ela está conseguindo fazer soma com essa idade que nem é esperado Então a gente vê que na brincadeira, no lúdico, ela aprende bastante Nesse método de ensino, tudo é pensado para eles Repara só, como tudo aqui é bem baixinho, dá para alcançar o que quiser Os dois filhos da Maria de Lourdes estudaram por esse método. Agora é a vez do neto dela. São pessoas decididas, são pessoas educadas, são pessoas que respeitam o próximo, a natureza. Eu sou bem feliz deles terem feito Montessori quando eles eram pequenos. O método montessoriano foi criado na Itália no século passado. Chegou ao Brasil conquistando muita gente que já não queria mais a forma tradicional de ensino. É natural, não é nada forçado, eles ficam contentes em fazer as atividades, em fazer aquilo que é bom para eles, vestir a roupa, escolher a roupa, pegar o que eles querem comer. Então isso, eles ficam felizes, é visível E pra gente também é ótimo Porque eles já vão criando a independência E já vão seguindo o caminho da vida deles A informação Montessori, além da educação Então os meus filhos, assim, eles respeitam a opinião dos amigos Respeitam o próximo Então isso veio de uma semente, sabe? Lá do método Então eu acho que isso faz a diferença Hoje em dia, que está tudo uma correria, tudo muito rápido Então você ser educado, esperar a vez do outro Ajudar o outro, isso é tão importante Eu vejo isso neles, eu sou bem realizada E se você pensa que tudo termina na sala de aula Só que tem aquilo, eles são super independentes As crianças de hoje, você orienta, informa, acolhe Mas eles têm o querer deles, é impressionante Você tem que estar no Montessori para ir juntando tudo, sabe? O seu amor e a escola. O negócio de avó protetora não dá mais. É, até que a gente continua, mas eles aparecem mais, sabe? A gente fica atrás dos bastidores, né? Agora a gente vai entender de fato como funciona essa filosofia Montessori Criado por Maria Montessori em 1907 na Itália Aqui comigo estão a Camila e a Niki, tudo bem? Tudo bem A gente mostrou um pouco desse espaço cheio de liberdade e aprendizagem também Como é que nasceu essa filosofia? Iniciou com as experiências que a Miriam Montessori tinha na área de medicina Então trabalhando no Instituto Ortofênico em Roma Ela teve contato com crianças que tinham uma dificuldade de aprendizado E aí pesquisando ela descobriu que haviam já alguns materiais mais concretos Que ela começou a testar com essas crianças E ela fez a utilização desse material por dois anos Nesse tempo ela teve uma evolução tão grande Essas crianças conseguiram se alfabetizar e aprender a matemática eles prestaram um concurso na Itália e eles passaram para entrar para o primeiro ano. E ela ficou muito indignada, assim, porque existiam crianças que não tinham dificuldade de aprendizado e não conseguiam passar nessa prova. Ela começou a dedicar a vida dela a estudar para ser uma educadora e, finalmente, em 1917, ela montou a primeira casa de Ibanbini na Itália. Agora foi através de uma observação, né? Exatamente. Sim, porque ela foi pedida lá em Roma a cuidar das 60 crianças que estavam nos bairros mais populares, que iam ficar na rua, e ela foi pedida para acolher essas crianças. Então ela colocou uma professora na sala de aula e começou a observar essas crianças, e começou a trazer mais materiais concretos para eles brincarem. E tinha idades mistas, tinha de 3, 4, 5, 6, 7 anos. E ela começou a observar que a criançada era incrivelmente interessada em coisas, e todos mais ou menos dentro da mesma época, para as mesmas coisas. E ela foi desenvolvendo esses materiais e a criança começou a se mostrar. Por exemplo, eles perderam a vontade de ficar só brincando com brinquedos sem propósito inteligente. Porque aqui todo material tem um propósito inteligente. Vamos até entrar nesse assunto, a gente viu os móveis, são móveis mais baixinhos, o alcance da criança também, isso tem um porquê? Pela observação da criança, ela foi pioneira nisso. Hoje, em qualquer espaço que você vai, restaurante, você tem o espaço Kids. O chamado espaço Kids, onde a criança tem autonomia também. É feito para ela. Ninguém nunca tinha pensado antes na Miramontessori em olhar para a criança o tamanho dela. Então, por ser médica, ela tinha feito medidas do crescimento da criança, desenvolvimento, ela foi cortando mesmo as mesas, cadeiras, abaixando o mobiliário para deixar na altura que a criança pudesse ter acesso, para literalmente poder ter liberdade de poder escolher sozinha, por conta própria, o que é que ela quer aprender naquele momento. Hoje a gente até mostrou alguns exemplos das crianças pegando, das crianças lavando e tendo até uma certa organização desde muito cedo. Elas ganham isso mesmo? Essa autonomia, essa independência Então, ela observou que a criança quer ser autônoma E se os pais escutam bem seus filhos Os filhos falam, mãe, deixa que eu faço Me ajuda a fazer sozinha Mas hoje em dia, com a pressa que os pais têm Que a gente tem, como adultos A vida é tão corrida, né? A gente, muitas vezes, fazemos as coisas para as crianças fazerem Coisas simples, por exemplo, colocar o sapato A gente passa na frente e já resolve Já fala, deixa que eu faço Ou crianças vão ter babás que vão fazer tudo para elas e a criança tem uma urgência dele fazer sozinha. Então, ela criou essa possibilidade e pediu para os adultos mostrarem como fazer as coisas e deixar livre. Se a criança erra, não é interrompida e não é corrigida. Ela vai aprendendo com os seus erros e as suas observações com as outras crianças e os professores, acertar para ele criar a sua autonomia. A criança vai desenvolvendo a partir dela mesma, é isso? Exato. Ela vai aprendendo com ela também. Você falou de erro, né? Aí ela vai tentar de novo. Ela vai repetir algumas vezes o mesmo material até ela conseguir se aperfeiçoar e atingir o ponto que ela está satisfeita com o desenvolvimento que ela atingiu. Agora, se a gente for fazer uma comparação com os métodos tradicionais das escolas, os métodos regulares, tem uma diferença muito grande. Muito grande. Mas essa diferença veio porque no século XIX, ainda a ideia sobre criança era que ele nascia vazia e quem moldava a criança é o adulto. Essas ideias continuam até hoje. Vêm sendo reproduzidas. Sim, só que Montessori, Steiner, Freubold, junto com Freud, todos esses educadores, grandes educadores do início do século XX, mostraram que não, que a criança já vem com potencial, já vem com talentos, já vem com uma programação natural que o guia para a sua autoconstrução. Daí veio o construtivismo. Só que tem muitos paradigmas ainda desse século XIX Continuando no sistema tradicional Porque o sistema tradicional simplesmente era a maneira mais prática De resolver educar muitas crianças ao mesmo tempo Que nasceu na Revolução Industrial A produção em série, naquele filme do Chaplin Tempos Modernos, que cada um se especializa Grupo próximo, grupo próximo E aí não tem um indivíduo, né? Primeira série, aprende daqui até aqui Segunda série, daqui até aqui Terceira, daqui até aqui Se você quer saber um pouco mais, o problema é seu Se vira, vai aprender sozinho Se você aprender menos, não tem problema Você repete a série, faz de novo E vai chegar no final, você vai estar formatado daquele jeito No Montessori, já começa pelo fato de ser idades mistas Que foi já desde a primeira sala que ela montou Que tinha crianças de 3 a 6 anos Assim vai de 6 a 9, 9 a 12, 12 a 15, 15 a 18 Com o estado assim, que a criança chegando pequena Mais nova nessa sala Ela é a fofinha, que todo mundo quer cuidar Que dá carinho e atenção, quem não quer amor, né? E ela acaba indo muito além Porque ela tá vendo os mais velhos como modelo Então ela vai além do que ela iria Se tivessem todos na mesma faixa etária que ela E é um reconhecimento de criança pra criança Não de criança pra adulto, né? Exato, e aí, olha que máximo isso Porque os mais velhos, eles são os modelos Então pra eles, autoestima, autoconfiança Fica elevada E quando eles vão ajudar um amigo Eles reforçam o conhecimento que eles têm Então essa troca é muito rica Eles percebem que todo mundo é diferente Tudo bem ser diferente Eu posso te ajudar em algumas coisas E você pode me ajudar em outras Então essa troca é riquíssima Aí é aquela vivência em grupo, né? Você tem a possibilidade de um ambiente colaborativo Ao invés de competitivo Porque quando você tem uma única idade Pra estar Você fica competindo Quem é o melhor A questão da nota, né? A gente ainda fica meio chocado De ter idades mistas Só que, na vida real, qual é o outro ambiente, a não ser uma escola tradicional, em que você tem uma idade única que você pode frequentar? Se a gente for pensar no mercado de trabalho... Qualquer outro lugar do mundo! O único lugar que você tem uma idade que você só pode frequentar naquela idade é a escola tradicional só. E a gente falando dessa questão que você mencionou um pouquinho, é sobre essa questão da aprendizagem, né? A gente falou um pouquinho da liberdade, dessa questão colaborativa. E como que a criança aprende dentro dessa filosofia? Então, a gente sabe agora, pelas neurociências, que a gente aprende fazendo sinapses no nosso cérebro. Para a gente criar um caminho consolidado da aprendizagem, a gente precisa repetir as nossas atividades. Então, como que ele aprende? Ele escolhe, por exemplo, no período sensível de matemática, que é de números, matemática de 3 a 5 anos, começa a contar. todos os pais conseguem ver isso nos filhos, que eles começam a contar 10, 12, 14 subindo escada aí tem um material específico que mostra pra ela a contagem mas, por exemplo lá tem barras vermelhas e azuis inclusive, né Mika, a gente tá numa sala de aula não parece mais isso aqui lá tem barras vermelhas e azuis ele vê que um significa uma quantidade Dois significa um, dois, uma quantidade. Ele vai aprendendo assim, manipulando o material. É uma forma mais natural de se aprender sem ser positiva. Concreto, natural e com a mão. Porque Maria Montessori mostrou, observou que através da mão a inteligência se forma. Ela dizia que a mão é a extensão do cérebro. E se a gente for pensar nessa faixa etária, as crianças são curiosas e vai com a mão E muitas são repreendidas até dentro de casa Aquela questão não pega, não toca, não mexe E essa filosofia desconstrói, a criança tem que tocar, tem que mexer, tem que sentir Exatamente O fato quando o pai fala, nossa, meu filho é muito bagunceiro É, meu filho é muito explorador Deixa eu ajudar a explorar o ambiente Mas não deixar livre Eu vou mostrar para ele, por exemplo, um vaso Deixa ele tocar, deixa ele carregar Deixa ele sentir o peso Deixa ele saber para que serve E que pode quebrar Então deixa quietinho lá Porque pode quebrar E a criança, quando ela tem esse contato De conhecer o objeto, de sentir Também ela vai saber que quebra Como funciona E ela vai decidir também o que fazer com aquilo, né? Ela vai começar, com toda a liberdade que ela tem no espaço, a ter um equilíbrio com responsabilidades. Então, ela passa a ter oportunidades para ser responsável de si, ser responsável também pelo colega e ser responsável pelo espaço físico que ela está inserida. Então, ela também vai ajudar um amigo preparando um lanche, servindo esse amigo no lanche, Apresentando o material para o amigo Ela vai se cuidar, então ela vai amarrar o próprio cadarço Ela vai se vestir, vai se desvestir, vai usar o banheiro Ela vai também cuidar do espaço físico Então limpar as estantes, limpar o material Lavar os panos que ela usar na sala de aula E vai fazendo isso automaticamente, né? Exato, é natural Agora eu até estava conversando com vocês Um pouquinho antes do programa começar Que é a questão da escolha de um objeto na hora de aprender, que ela tem essa liberdade também, essa autonomia também. Mas se ela começar a pegar sempre o mesmo objeto, ela não vai ficar repetindo? Ela avança, passa de fase? Ela vai, é incrível o que a Niki falou, pela ciência hoje já é comprovado que é necessário para as sinapses, todos do aprendizado, que a gente faça repetição. A gente vai, a prática leva à perfeição, então elas vão se aperfeiçoando no dia a dia, trabalhando repetidamente, porque quando ela faz de novo um material, Ela mudou já, ela já tem alguma, algo que ela já aprendeu quando ela fez na vez anterior. Quando ela faz novamente, ela faz de uma outra forma. O cérebro dela recebe aquela informação de uma outra forma. Ela vai se desafiando e desenvolvendo. Isso é um diferencial gigantesco da educação comum, né? Porque na educação comum, o professor determina o que todo mundo vai aprender, e aí você tem aquele tempo para você fazer, e depois daquilo, mesmo que você gostou muito, que você queira fazer de novo, você não tem mais oportunidade de fazer. E aí a gente volta a Charlie Chaplin, próximo grupo, né? Já fez umas formas, né? Não consegue aprofundar. E aqui eles conseguem aprofundar, porque todo material tem uma sequência. Do mais fácil ao mais evoluído, mais desafiante. Então, assim, não é uma escolha aleatória, não são brinquedos. Eu achei até interessante que eu estava conversando com uma aluna, eu falei, pega um objeto para a gente brincar. Ela falou, aqui não é brinquedo. Uma aluna de 4 anos Ela falou, não é brinquedo São atividades Então já tem essa noção Tão pequenininhos Olha, a gente vai fazer um intervalo É só uma pausinha Daqui a pouquinho eu volto Para a gente conversar mais sobre esse método Bastante interessante E você não sai daí E já já o Sala de Aulas está de volta O Sala de Aula está de volta. A gente vai continuar conversando sobre o método, a filosofia Montessori. Aqui comigo continuam a Camila e a Niki. A gente falou no primeiro bloco sobre liberdade e autonomia. Mas não há um excesso de liberdade? A criança não fica muito solta? Então, como em todas as gerações, as crianças precisam dos seus limites Nessa idade de 0 a 6, ele está aprendendo a cultura em que a gente vive E a nossa cultura em grupo, a gente tem certas regras Por exemplo, aqui na sala de aula tem a regra de não pisar em cima do tapete De sempre guardar o material de volta na prateleira onde estava De deixar o material em ordem De falar baixo Para não interromper a concentração da outra criança Tudo são regras De convívio social em um grupo E tem isso E é cobrada da criança Mas como a gente passa isso? A gente não fala alto com a criança Você tem que respeitar seus colegas Não, não digita Com essas regras Nós vamos fazer aulas de graça e cortesia Vocês veem aqui a linha A criançada senta na linha A gente mostra pra ela como é que a gente guarda o material Então a gente fala, se pega o material, usa, coloca de volta aqui nesse lugar A gente mostra, treina aí A criança vai seguindo, então, exemplos Sem vocês precisarem chegar e falar, não faça, ou faça, é assim, ou não é E quando a gente vê que tem umas crianças que, por exemplo, continuam pisando no tapete Porque eles não têm esse ainda, que tem três anos, lembra? Eles começam com três anos E como elas também têm autonomia, às vezes elas querem pisar no tapete. Não, eles pisam sem querer, porque não criaram a consciência do outro. Esse faz parte do seu crescimento. Aí a gente vai lá e fala, olha, lembra que a gente anda ao redor do tapete? Lembra, e com muito prazer ele vai ao redor do tapete. Então a gente, esses limites ele vai querer, vai ter. Ele quer, ele gosta, ele gosta. Quando ele almoça e você fala, vamos comer com a boca fechada. Ele gosta disso, é um período sensível também. E assim, o professor, ele não é aquela figura das escolas tradicionais, né? Porque nas escolas tradicionais ele tem mais, assim, um perfil um pouquinho mais autoritário, né? Ele comanda a sala de aula. Nessa filosofia, qual que é o papel do professor e do educador? A maior função do educador Montessori é de ser um observador. Então, a partir das observações que ele vai, no dia a dia, analisar como é que aquela criança está se portando na sala, como é que ela está interagindo com outras crianças, quais materiais que ela tem a habilidade de fazer, quais materiais que ela ainda está precisando de uma ajuda para conseguir realizar. Para avançar, né? Exatamente, para avançar. Seja na área que ele está muito interessado, seja em outras áreas. Então, o papel do professor é, por essa observação, ele vai fazer anotações, A partir das anotações que ele faz, ele vai também ter a outra função, que é apresentar como é que faz um trabalho na sala. Então, como a Anick estava falando, é ele que vai ser o limitador, como um modelo para as outras crianças. Esse material ele apresenta, apresentou ele e falou, agora é a sua vez. E aí a criança pode escolher fazer o material e também tem a liberdade de escolher não fazer. Ele é mais um guia, né? Ele é um guia. Esse é o nome utilizado no mundo inteiro. Guia, anotação. Guia, anotação. E aí, no Brasil, é necessário, além de uma formação de pedagogia, que é obrigatório por lei, no Brasil é necessário a pedagogia. Fora do Brasil, o que é importante, o que é nas escolas Montessori, também no Brasil é necessário uma formação específica dentro do método Montessori. Porque ele precisa aprender a deixar de ser a muralha, como ele estava falando, de ficar intervindo todo o tempo. Ele tem que também entrar nessa preparação, né? Porque senão ele desconstrói tudo. Eu brinco que a gente fica três anos estudando Montessori para aprender a pôr a mão para trás e realmente confiar nessa natureza, nas leis da natureza, que é o impulso que a criança tem de se desenvolver. E a partir do que a gente observar que essa criança tem necessidade de aprender, eu vou lá e faço uma intervenção apresentando o material. Na verdade, até eu falei na abertura do programa, que é a criança que escreve nessa filosofia os caminhos da educação, do aprender. Exatamente. Ela é o centro da educação dela. Esse é o diferencial gigantesco entre o tradicional e o Montessori No tradicional, como você falou, o professor é o centro de educação Ele que determina o que todo mundo vai fazer e todo mundo faz ao mesmo tempo No Montessori, a criança, cada uma delas, é o centro da sua própria educação Ela vai seguir o ritmo dela e o professor vai respeitar E vai garantir que esse ritmo também seja respeitado Agora, no ensino tradicional tem nota, tem avaliação, tem nota, tem trabalho Aqui, como é que funciona? Então, a Montessori não tem nota. Porque a avaliação é, como a Camila falou, a observação do professor que sabe exatamente em que nível que está a criança. O currículo dentro do Maria Montessori é todos esses materiais. É extremamente estruturado. Só que ele está aí disponível na sua inteiridade dentro da sala de aula. Então, a professora sabe agora que a criança sabe contar até 10. Ela vai dar os numerais para ele aprender os símbolos dos números. Ele sabendo isso, ela sabendo isso, ela já vai dar atividades para ele poder fazer soma, por exemplo. Ela sabe toda essa sequência. Mas os pais entendem isso? A gente sabe que nem todos os pais têm conhecimento dessa filosofia e estão acostumados a ter nota. Como é que está meu aluno? Qual é a nota? Algumas escolas usam de 0 a 10 Outras letras E como é que vocês passam Esse retorno para os pais Da situação dos alunos? Essa pergunta gera várias respostas Em primeiro lugar, os pais conhecem isso? Não, porque nem as pedagogas Hoje não se fala nas faculdades de pedagogia A respeito do método Montessori no Brasil Ainda A gente vai lá bater Já adotado, a gente tem até um príncipe Que fez essa metodologia Os criadores do Google Larry Page e Sergey Brin, eles são realmente gratos à metodologia Montessori, porque eles tiveram acesso a essa educação na infância, que fez com que a mente deles estivesse tão aberta para eles criarem uma empresa, que é o Google, que é Montessori. Que a criança grande, o adulto pode fazer o trabalho da forma que quer. Quando a gente vê reportagens sobre o Google, a sede, aquela liberdade. É fantástico. E tem resultado. É uma empresa Montessori, é uma empresa que respeita o trabalhador dela. E dá muito certo, muito certo Dá um ambiente pra criar É, é uma ferramenta que vai se recriando Exato, então assim, os pais hoje estão tendo acesso Tá muito famoso o quarto Montessori para bebês Então isso tá sendo ótimo pra gente Porque tem divulgado o método Montessori no Brasil Tá se disseminando, né Camila? E o que é o quarto Montessori? É simplesmente entender que o meu filho Como a Niki falou, a gente descobriu Ele é um ser humano, olha que incrível A gente não achava que ele era um ser humano antes Alguns séculos atrás ele era uma tábua rasa Que não sabia nada e que não era ninguém Hoje a gente reconhece Ele é um indivíduo que precisa ser respeitado Então no quarto dele eu vou criar um ambiente Ele vai poder sair E entrar na cama dele na hora que ele quiser Então vai ser uma cama baixinha Os móveis também vão ser baixos Que ele pode escolher a roupa que ele quer usar Os brinquedos que ele quer brincar Essa autonomia, né? Então em casa também, porque às vezes os pais colocam no Montessori, mas em casa aí muda de situação. Então em casa os pais também têm que entender esse processo da criança. Não é uma obrigatoriedade, a gente vai ajudando os pais a entenderem isso. Porque senão tem um choque, né? Os que não conhecem nada de Montessori, a gente vai ajudando eles, eles vão questionando muito a gente, a gente faz palestras aqui para trazer informação para eles, o que é que posso adaptar na minha casa para também respeitar em casa da forma que ele é respeitado na escola. Então isso tem acontecido, está tendo um movimento muito forte no Brasil nesse sentido, os pais em casa buscarem esse respeito ao filho e aí eles estão buscando também escolas Montessori. Agora o aluno que passa pelo Montessori e chega numa outra fase de aprendizado, Por exemplo, numa universidade, numa faculdade, há algum tipo de dificuldade? A gente tem essa pergunta sempre, porque eles também, se eles saem de 3 a 6, por exemplo, daqui, e vão para uma escola tradicional, aqui, como a gente fala, a criança desenvolve a sua personalidade, todos os seus valores e seus paradigmas novos, suas conclusões. Ele aqui cria seu vínculo com a aprendizagem. Aqui ele ama aprender Porque o aprender vem da natureza Ele encontra o que ele está precisando Tem essa urgência Então ele cria um vínculo sobre aprendizagem Muito forte Que aprender é muito legal É gostoso Ele também aprende a ser autônomo na aprendizagem Então ele sabe fazer suas atividades Se alguém mostra Então essa bagagem toda Ele leva para qualquer outra escola Isso, já faz parte dele porque ele está criando a sua personalidade de 0 a 6. Ele absorve tudo isso, que é diferente na fase seguinte, que ele aprende do jeito que a gente aprende. Aí ele leva essa bagagem para qualquer outra metodologia, tradição, tradicional, não importa. Escolha ele e se adapta numa boa. Agora, o que pode acontecer é que ele sai daqui com um conteúdo muito forte que já está pronto para a terceira série. Aí ele precisa ter o desafio Porque ele já aprende noções de história, de geografia Aprende a ler, aprende a... Tem muitos conceitos, matemática ele já consegue fazer soma, divisão Pode ser que ele aprenda tudo isso Então se ele já está pronto, ele vai para uma escola Talvez o currículo lá está atrasado Em comparação no mundo sólido Aí ele se adapta, mas não tivemos nenhum problema até hoje de uma criança que sai de uma Montessori e não se adaptar a outras escolas. E para a vida adulta também tem reflexos positivos? Totalmente. Eu tenho uma entrevista com uma lenda viva nos Estados Unidos, chama Tim Selden. Uma repórter perguntou para ele assim, como a Niki disse, a maior parte das escolas, mesmo nos Estados Unidos, tem muitas escolas públicas, os Estados Unidos é um grande referencial do método Montessori. E aí ela perguntou para ele assim, olha, Sr. Selden, a gente tem várias escolas de educação infantil que oferecem o método Montessori, mas quando as crianças vão para o fundamental, Ou fundamental 2 Até fundamental 1 ainda tem bastante Como é que elas se adaptam? Porque não é igual Não é tão respeitado Não tem tanta liberdade Não vai poder ser autônomo no aprendizado Tem aquele professor mais autoritário Exato, que vai ser o líder daquela sala E vai determinar o que ele tem que aprender Como é que é isso? Vocês não preparam eles Para uma sala normal? Aí ele falou assim, não, a gente não prepara Aí ela, a sociedade não é assim A sociedade é diferente disso A sociedade é muito mais parecida com essas escolas tradicionais Que não respeitam tanto o indivíduo Aí ele, pois é A gente também não prepara para essa sociedade Porque a sociedade precisa ser mudada Se a gente quer mudar a sociedade A gente não pode educar eles igual eles estão sendo educados nesse momento Para fazer essa mesma sociedade do jeito que ela é A gente quer mudar Quer desconstruir, né? Exatamente São sementinhas Então precisamos fazer diferente na base Porque daí está resultado no futuro Agora, você falou do Google, deu um belo exemplo de tecnologia. Aqui eu não vi ainda tecnologia. Como é que faz para inserir? Porque a tecnologia hoje é uma realidade, a gente está falando de sociedade, de mundo, mas como é que o aluno também tem contato com isso? Então, a gente começa com essa idade 0 a 6, eles estão ainda no concreto, então eles precisam, a mão é a porta para a inteligência. Então a gente não tem a criança nasceu inteligente Não, a criança constrói sua inteligência Então quanto mais a gente deixa ele manipular material concreto Ele vai criar seus sinapses e ele vai consolidar uma inteligência Vai estimular Vai estimulando Como a gente está inserida e ela sempre falou A gente vai de 0 a 6 colocar a criança dentro da sua cultura Nossa cultura hoje tem televisão, tem os aparelhos eletrônicos Tem computador, tem internet Então a gente não traz ainda para a sala de aula A gente sabe que tem em casa É porque ele já vai ter contato lá A gente orienta os pais para criar um equilíbrio No seu tempo gasto nos aparelhos E tempo gasto para ele se movimentar O corpo ainda precisa de movimento Ele precisa mexer Tudo isso é importante É mais importante do que ficar parado Mas tem momentos, claro, que pode estar parado Uma horinha por dia Tudo tem que ser equilibrado Agora a gente falou da tecnologia Da sociedade Das mudanças Esse método se modernizou Porque ele foi criado lá atrás E a sociedade muda O indivíduo muda Esse método também vem se modernizando Sempre tem Formas Como a Niki já trouxe na nossa conversa De olhar para essa criança E ver o ambiente externo, não só dentro da sala de aula, que traz a cultura dela, a cultura sempre modifica, então a gente pode inserir tudo isso dentro do ambiente sim, e o que a gente tem hoje de informação, tem uma pesquisadora, que é a Angeline Lillard, ela foi determinada, ela vem de uma família formada em Montessori, ela era uma educadora Montessori, e ela questionou assim, esse método foi criado há mais de 100 anos atrás, tem que ter alguma falha, as crianças mudaram tudo, tudo mudou a sociedade. Que intriga, né? Exato, e ela falou assim, eu preciso buscar, encontrar uma falha. Nos Estados Unidos existem muitas pesquisas na educação, ele é um país líder mundial e não é à toa, eles investem muito na educação e muito em pesquisa também, então ela voltou para a universidade para buscar as pesquisas que já existem, não é que ela foi pesquisar, mas ela foi buscar as pesquisas já existentes que comprovam qual é a melhor forma de um ser humano aprender, né? E a determinação dela era provar que o método Montessori estava ultrapassado de alguma forma. Alguma característica do método era falha. Precisava ser mudada hoje, não é possível. Um pelo e um ovo. Exato. E o que foi pra surpresa dela é que ela descobriu oito características muito fortes do método Montessori, como, por exemplo, ter contato com outras crianças na sala, outros indivíduos no ambiente, com idades misturadas, ter liberdade de escolha, mas não é uma liberdade infinita, porque se você observar a sala você tem uma única torre cordeirosa você tem uma única escada marrom então enquanto um está fazendo aquele trabalho eu tenho que esperar a minha vez então assim, existe uma certa limitação no espaço, apesar de ter toda a liberdade de escolha também ao mesmo tempo então ela foi descobrindo oito características do método que hoje a ciência comprova que funciona melhor para um indivíduo aprender, ela finaliza o livro dela, que é A Ciência por Trás do Gênio, é o nome que ela deu para o livro, do Science Behind the Genius. Ela finaliza o livro dela falando assim, se uma pessoa, aleatória, decidisse montar uma escola e ela fosse se basear no que as pesquisas da ciência mostram que é a melhor forma de se educar um ser humano, ela teria que escolher o método Montessori porque é o método que tem mais comprovações científicas atuais que mostram que ele é eficaz na educação. Não encontrou falhas. E só comprovações científicas que comprovam que ela já tinha observado Porque ela era cientista A base do método é observação científica E o ser humano é ser humano Ele se desenvolve de uma forma que a natureza já implantou nela Então isso não muda Agora a cultura ao redor do ser humano muda Mas o ser humano com todas as suas necessidades fundamentais não muda Em qualquer lugar do planeta O método é universal Está aí há 100 anos E em todos os países do mundo Tem visto o mesmo resultado Tem dado certo Eu quero agradecer a vocês Por esse nosso bate-papo Por poder me dar essa oportunidade também De conhecer esse método bastante interessante Obrigada a você, Camila Obrigada a você, Niki E obrigada a você Que ficou aqui com a gente Nesse bate-papo gostoso aqui no Sala de Aula. Até nosso próximo encontro. Tchau! Legenda Adriana Zanotto
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