TV Câmara Campinas
TV Câmara
Campinas
Ponto de Vista | Infância Violada: Os Riscos no Ambiente Digital
Em destaque · HD Vídeo · PONTO DE VISTA

Ponto de Vista | Infância Violada: Os Riscos no Ambiente Digital

36 views Publicado semana passada HD · 45:56
Resumo editorial

O programa discute a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia, com base em relatório da UNICEF indicando que uma em cada cinco crianças entre 12 e 17 anos sofreu exploração sexual online. A psicanalista Cinara Cordeiro explica como predadores atuam nas redes sociais através do aliciamento gradual e apresenta orientações para que pais identifiquem sinais de alerta.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

Uma em cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos que usam internet no Brasil, cerca de 3 milhões, já sofreu abuso sexual facilitado pela tecnologia em um ano, segundo a UNICEF. A psicanalista e escritora Cinara Cordeiro, autora de "Se eu te contar, acredite", mostra como predadores se aproximam aos poucos em jogos como Roblox e redes como Instagram, e por que o silêncio em casa deixa a criança vulnerável. Ela relata o caso de um adolescente que escapou de um contato insistente com apoio da mãe. Entrevista do quadro de entrevista e debate da TV Câmara.

Transcrição completa do vídeo

39 mil caracteres · transcrição automática

Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.

[música] Um relatório divulgado pela UNICEF mostra que em apenas um ano, uma a cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos que usam a internet no Brasil já foram vítimas de alguma forma de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia. São cerca de 3 milhões de meninas e meninos. Mas como essa violência acontece? Porque tantas vítimas não contam e como famílias, escolas e a própria sociedade podem proteger as crianças nesses ambientes. É sobre isso que vamos discutir hoje no ponto de vista com Sinara Cordeiro, psicanalista, pedagoga e escritora do livro Se eu te contar, acredite. Sinara, seja muito bem-vinda ao ponto de vista. Eu que agradeço. Para começar é quando falamos em violência sexual contra contra crianças e adolescentes, facilitada pela tecnologia. Do que exatamente estamos falando? É um contato que surge ali na internet, pode vir de alguém de fora também? Olha, é um é um fácil acesso que a criança aos poucos, porque às vezes os pais eles acham que vem assim de repente, aos poucos vai atraindo a atenção dessa criança. E aí se e falando de algumas faixa etárias, principalmente quando a criança é tem uma ausência familiar, ausência de suporte físico, emocional, ela fica mais susceptível a a fica imersa, né, nessa rede porque eles começam a observar o comportamento da criança. está ali jogando, então entrou no Instagram, começou a conversar com alguém, seguir alguém, se é uma pessoa que está uma uma predadora sexual, ela vai observar o comportamento dessa criança. E eles não vêm assim de repente, vamos marcar um encontro, ah, o que você está fazendo? começa a se interessar pela vida da criança e se ela não tem uma referência desse interesse, ela acaba se envolvendo, respondendo uma coisa aqui, outra ali, eh, pequenas informações, como foi sua escola hoje, quem são seus amigos? E ela vai conversando e chega num ponto que ela tá está tão envolvida que a única forma que ela encontra de pedir ajuda ou desabafar, contar alguma coisa, é a pessoa. E ela vai recorrendo a essa a essa pessoa que está com interesse eh eh ruim e ela não percebe porque tá envolvida. Então, os pais eles às vezes eles acreditam ainda que essa pessoa perversa vai chegar no formato de monstro, mas não é. Eles oferecem uma coisa muito bonita paraa criança. Eles oferecem algo assim muito simbólico. Eles entram no mundo da criança, no mundo do adolescente, tanto que os jogos estão aí para eh responder essas questões. Acabam falando a linguagem daquela criança que muitas vezes os pais não conseguem eh compreender. Exatamente. Por exemplo, um adolescente, ele não conversa com ninguém, a vida dele escola, chega em casa, se tranca no quarto, que antes achava assim: "Nossa, tá em casa, tá tudo bem, tá jogando." Só que ele precisa falar. E nós sabemos que a adolescência ela é mal compreendida. Muitas vezes os pais falam assim: "Ah, tá na pior fase, aborrescência". Não é. Você precisa ter ferramentas para lidar com essa fase, para com os questionamentos, ter firmeza, colocar a regra, o limite e não conversar com esse adolescente, você deixa ele vulnerável com a com outras pessoas. Porque, por exemplo, casos aonde o adolescente que [música] era assistido em casa tinha a presença dos pais, dos responsáveis, eles detectaram eh eh conversas estranhas. Por exemplo, já teve um caso, um adolescente conversando, jogando Robloxum e o e a outro suposto adolescente começou a conversar o que que ele gostava, jogava e tal. Aí perguntou assim: "Aonde é a sua casa?" Ele já achou estranho. Ele não, não vou vou te falar onde eu moro. Uhum. E depois e ficou o cara ficou insistindo muito com ele para falar e mostrou também, eu vou te falar onde eu moro. Aí ele falou com a mãe: "Mãe, eu não tô conseguindo me livrar disso aqui não". A mãe foi, conversou, se passou pelo adolescente, foi fazendo, conversando até que ele falou assim: "Vamos nos encontrar". Ou seja, se esse adolescente não tivesse esse suporte, sem perceber, ele ia falar. Sim. Um suporte, uma orientação. E uma orientação, porque os pais eles têm medo de falar achando que pode incentivar, que vai tá empurrando a criança pro pro ato em si. Só que é um alerta. A prevenção ela começa com a comunicação, com o diálogo, respondendo dúvidas, falando com seu com o filho. Filho, eu estou aqui para resolver da melhor maneira possível. Não é causando aquele alarde, né? Ai, se eu descobrir que você tá fazendo alguma coisa, eu vou brigar, vou vou quebrar o videogame. Eles não vão falar dessa forma. Uhum. Primeira coisa, não. Se eu contar, minha mãe vai me bater, vai brigar comigo. Então eles preferem ficar no mundinho silenciado, às vezes até sofrendo ameaças bem explícitas por medo de contar. Nossa, e aqui a gente tá falando sobre como a internet pode ser uma facilitadora, né, para esse tipo de crime. Quando a gente pensa nisso, a gente sempre pensa, é um imaginário comum é que é um desconhecido. Mas esse ambiente da internet pode ser também eh fácil para predadores já conhecidos das crianças. Eh, porque a gente sabe que a maioria dos abusos sexuais acaba acontecendo dentro de casa mesmo. Isso pode também ir pra internet muitas vezes. Olha, sim, eu eu vou dizer assim que pode, mas não não quer dizer que será dessa forma. Uhum. Porque o que acontece? Os abusos eles acontecem, na sua grande maioria, pessoas próximas da convivência da criança, homens e também mulheres, porque existem uma porcentagem menor, mas existem mulheres que abusam. Uhum. E esse núcleo da criança, o que que nós pais, né, os pais eles nós acabamos reproduzindo que a criança precisa abraçar todo mundo, beijar todo mundo, ser gentil assim a ponto de sentar no colo em prol de uma educação. Uhum. Ai, você tá sendo feia, vai lá. E não é dessa forma. Em contrapartida, aí tem a questão do do que eu coloquei no meu livro. Se eu te contar, acredite, os pais falam assim com com a criança: "Comam tudo para você ficar forte e vencer o monstro". Uhum. Então, o imaginário da criança é aquele monstro que ela consegue vencer, ficando forte, comendo, rezando, enfim. Só que na prática esse esse perverso, esse abusador, ele envolve a criança. As pessoas, o seu pai não vai acreditar em mim, em você. Se você contar, eh, sua mãe vai ficar triste. Então, pequenas situações que a criança vai lincando até mesmo o próprio comportamento dos pais. Porque eu sempre falo com os pais assim, cuidado com o que você fala dentro de casa, porque às vezes você tá na sua na sua intenção é: "Eu vou proteger, mas você está colocando o seu filho tampando, tampando a boca do seu filho. Exemplo, ah, se acontecer com você, eu vou lá, eu vou acabar com a vida do fulano, eu vou bater". Na cabeça da criança, ela vai estar sendo a causadora desse, dessa bagunça, dessa briga. E ela já começa a imaginar, se meu pai briga, ele pode ser preso, a outra pessoa pode bater, então ele não conta, porque a intenção, deixa eu proteger, eu não quero ser a causadora desse dessa situação. E aí eu até compartilho com você que eu vivi nesse ambiente aonde ouvir que tinha alguém sendo abusado era algo assim, estamos aqui conversando e aconteceu. Uhum. E eu ouvia muitos meus pais falando isso. Na minha cabeça, eu já tinha um plano. Se acontecesse, eu não vou contar, porque eu não quero que a minha mãe eh vá paraa cadeias, fique presa por conta de uma situação que eu posso eu posso evitar. Então existe aí um um nós precisamos ter um cuidado e falar sempre com com as crianças da questão do sentir, porque às vezes a gente vê assim na nas mídias, a criança ninguém pode tocar o seu corpo sem o seu consentimento, mas a criança sabe o que é um consentimento? Será que ela consegue separar? Então eu gosto, eu prefiro falar sobre o sentir. Eu estou cuidando de você. O que você está sentindo? está se sentindo bem, tá seguro, tá confortável, tá sendo, está sendo respeitoso, é essa comunicação que precisa existir. Porque se você fala sem você deixar, às vezes a pessoa tá ali tão envolvida, porque gente, o esses esses abusadores eles manipulam. A criança tá ali brincando, de repente, não, deixa eu te ajudar aqui. Às vezes a criança até sente assim, mas tá envolvido. Uhum. apenas um desconforto, mas não entende, né? Não entende esse desconforto e só vai ter noção desse desconforto lá pelos seus 14, 15 anos. Aí assiste uma palestra e fala: "Olha, pera aí, aconteceu isso em algum momento da minha vida". Por isso que as palestras nas escolas, falar sobre educação sexual nas escolas é essencial, é necessário, porque sempre quando tem uma palestra e surgem vários depoimentos. Exato. E a gente falou do da pessoa conhecida, né? Mas também tem os desconhecidos que surgem ali a partir de um contato na internet, como você mencionou aqui em alguns momentos. Eh, depois que sai da internet, pode chegar a ter um ambiente presencial ali a partir de um convite, como que isso acontece? Quais sinais também é importante a família perceber no comportamento da criança? Olha, eh, vamos pensar aí na um adolescente, pré-adolescente, 10, 11 anos, muitas vezes, eh, tudo eh cria-se um cenário Uhum. dentro do mundo da criança. Se essa pessoa que está do outro lado, determinada, empenhada a encontrar, não precisa da criança ir até ele, ele vai até a criança. Uhum. Porque ele já vai ter informações suficiente. Aonde você vai? Ah, hoje eu vou a um parque. Que parque? Ah, eu vou lá te encontrar. É rapidinho, não precisa contar para ninguém. Já acabou criando um vínculo ali. Já criou um vínculo. Ele compartilha a vida dele. Então, ele vai saber exatamente quando será o dia, porque tá tem todo um envolvimento, porque não é simplesmente ai vou marcar um encontro e vou, porque tem para algumas crianças é difícil sair de casa. Então isso acontece, mas não é da forma como a gente pensa. Tem um outro ponto ali. Ele existe uma um contexto de várias informações. Nossa, a pessoa marcou um encontro aí foi tava lá no shopping ou então numa praça. Tem vídeos aí que a que orienta os pais, né? Tem lá os adolescentes conversando, eh, supostos adolescentes, né? Aí quando chega no encontro são dois homens adultos. Aí fica assim, dá aquele choque, né? E eles combinaram um tom de roupa que iria está usando. Aí quando olha os adultos se encontrando e passando assim, você fala assim: "Gente, por quê? Existiu uma comunicação e se tratar de criança que não sai sozinha, existe também todo um envolvimento. A criança começa a passar informações. Aí muitas vezes os pais falam: "Já falei para não conversar com estranho, para não falar nada". Mas qual é o tipo de comunicação? Como essa essa comunicação está chegando para essa criança? Uhum. Né? De que forma? Porque esse estranho, ele não vai chegar gritando, ele vai chegar acolhendo, ele vai chegar perguntando que dia que ele ficou triste, por que ele ficou triste, que ele pode confiar, vai dar uma palavra de apoio. Então, tem todo um um envolvimento que não é em 24 horas tudo isso aconteceu. Às vezes são meses. Sim. Isso acaba, a criança acaba sendo um alvo por conta da carência, dessa falta de atenção em casa. Sim, sim. Essa carência. E aí vamos falar um pouquinho dessa questão da carência, porque às vezes os pais falam assim: "Mas eu estou o tempo todo em casa". Uhum. Eu converso. Já falei que eu estou aqui, mas está aqui [música] como? Porque é diferente quando os pais chegam até a criança, falam: "Filho, pode falar o que você quiser para mim, principalmente adolescente, né? hã [limpando a garganta] ó [risadas] as gírias dele que isso que que que tá acontecendo? Uhum. Mas quando esse adolescente chega e fala com o pai, às vezes o pai tá ocupado, às vezes não escuta direito, fala: "Ah, não, de novo você tá chorando engano, para com isso. Tem que ser forte, você é homem, não sei o quê". E começa a afastar esse afastamento. Então, é observar os sinais. Ah, mas quando ele me chamou, realmente eu estava ocupada. Mas espera aí, se ele te chamou, volta e fala assim: "Meu filho, aquela hora eu não podia te te responder, mas agora eu posso. Deixa eu conversar com você. O que que você queria me falar?". Uhum. Talvez ele não vá conversar naquele momento, mas você abre uma porta que para o seu filho que, opa, eu tô alerta, meu pai prestou atenção, minha mãe tá sintonizada. Porque é importante, os filhos, eles precisam lembrar da família que eu posso falar qualquer coisa que eles vão resolver da melhor maneira possível, ainda que seja para dar uma bronca, porque às vezes precisa, mas tem aquela aquele vínculo, aquele contato, não é uma coisa hostil de só brigar, xingar, eh eh expor no grupo da família. Tem pais que quando o filho faz alguma coisa, a primeira coisa é colocar no grupo, manda uma foto e fica hostilizando a criança, o adolescente, ele não vai confiar, ele não vai contar. Então a gente precisa ter esse cuidado porque [música] a é e acontece muitas vezes os pais eles acham que vai chegar um monstro horroroso já amendrontando a criança, não é? São pequenos detalhes. E eu acompanhei um caso, a adolescente adolescente não, ela tinha 9 anos, uma criança e jogava no Roblox. A mãe percebeu que tava tendo assim um amor ao celular que mudou o comportamento, já queria almoçar, conversando, ai não, tô fazendo uma coisa aqui. Ficava no quarto, fechava a porta. Aí teve um dia que a mãe falou assim: "Não, tá demais eu pegar esse telefone". Ela estava [música] conversando com uma outra pessoa, só que na naquele ímpeto, né, naquele susto, a mãe quebrou o telefone. Quebrou, aí não teve. Depois tentou resgatar a conversa, não foi possível, mas teve ali. E depois ela foi perceber que muitas vezes a filha queria conversar e a filha tava compartilhando coisas que estavam acontecendo com ela, que é a mudança do corpo, que ela tava ficando se sentindo mal, eh sofrendo bullying na escola. Então, detalhes, né? Ainda bem que ela conseguiu, que ela percebeu a mudança de comportamento, mas muitos não conseguem perceber. Sim. E eh sobre esse ambiente da internet, né? A gente falou dos predadores, mas também o relatório da UNICEF que eu citei no início aponta que a exposição de conteúdo sexual não solicitado foi uma situação muito frequente entre as pessoas analisadas. Como que uma experiência desse tipo pode afetar também a criança e o adolescente? tá ali rolando o feed na internet, acaba vendo um conteúdo sexual que não foi solicitado. Bom, vai aguçando a curiosidade, né? Uhum. Porque tem os reals, esses vídeos curtos, uma propaganda entre um desenho e outro. Às vezes ela tá ali assistindo um conteúdo infantil e de repente tem uma uma propaganda com uma dança, alguma coisa, aquele famosinho clique aqui e ela vai clicando. E o que a gente precisa eh ter uma preocupação muito grande é porque essa criança, esse adolescente tem o celular livre demanda por horas. Uhum. Porque se ele fixa, se ele faz uso, a qualquer momento ele vai se deparar com essa realidade. E aí entra uma outra questão, né, que que é o grande eh uma preocupação também, a questão do da pornografia, que é um clique aqui, é um videozinho de uma coisinha, ah, engraçada, faz uma piada e e vai aguçando essa curiosidade e a criança, o adolescente vai acessando. Uhum. vai permeando por esse caminho e de repente ele se depara com um conteúdo explícito que vai prejudicá-lo, vai prejudicá-lo. Hoje tem uma uma uma pesquisa também já sendo realizada que os adolescentes eles eles entram na na no ato sexual, na sua idade, né, na sua primeira vez de uma forma muito assim apenas para fazer altas performance, sem entender de fato o que é ter o primeiro contato sexual e cada vez mais assim movido por uma referência da pornografia. Uhum. Isso é um prejuízo. Traz um um prejuízo psíquico pra criança, pro adolescente, ela ser exposta a algo que vai prejudicá-la, vai pode acontecer, né, a criança ficar também com comportamentos [música] hipersexualizados, porque tá ali no extremo, mas quando chega nesse ponto, a vistoria é zero. Uhum. Não tem, não tem um olhar para esse celular. essa criança fica assim exposta a isso o tempo todo. Hum. E um outro ponto também que é novo, né, que também é citado na pesquisa, é o uso da inteligência artificial, até mesmo para criar imagens, vídeos sexuais falsos com aparência de crianças e adolescentes. A gente viu diversos casos recentes de escolas, né, que adolescentes criaram imagens de colegas de sala a partir de inteligência artificial e acabaram tendo que responder ali criminalmente também. Por isso, isso pode afetar a vítima também nesse sentido, essa inteligência artificial utilizada dessa forma tão prejudicial? Afeta. Afeta porque eh essa exposição, principalmente dentro da escola, pegar uma foto, fazer uma, trabalhar ali com a inteligência artificial, existe um ponto importante que aí mais uma vez entra na orientação dos pais. precisa ser conversado quando, principalmente quando nós vamos falar do bullying. Uhum. Precisa ser conversado, porque a quem está sofrendo e quem está fazendo, ambos precisam ser assistidos também. Precisa ter uma conversa, um diálogo. Eh, é muito forte, né? Muito sério alguém pegar a foto de uma pessoa, simular ali, transformar em um corpo nu, criar uma exposição, esparramar pra turma toda. É muito sério. Não é algo falar: "Gente, não é coisa de não acontece não. Tá trazendo, está trazendo um prejuízo. Esse adolescente que fez precisa ser ouvido, precisa ser acompanhado, precisa eh entender o que que em que mundo ele está para estar fazendo, reagindo dessa forma e quem sofreu também, porque muitas vezes as pessoas focam, nossa, mas você viu o que aconteceu com a menina e tal, pera aí, todo mundo precisa ser acompanhado. Sim. Tanto quem fez quanto quem sofreu, né? Exatamente. Porque existe também um, eu falo que todo comportamento desafiador, ele é um pedido de ajuda. Uhum. Ele é um pedido de socorro e muitas vezes essa agressividade que que vai na próxima na na própria violência física, eh no bullying, aquele adolescente que mexe com todo mundo, ri de todo mundo, por quê? Por que que ele tem esse comportamento? Por que que ele age dessa forma? Por que que ele não consegue enxergar a diferença do outro e entender que é diferente? Uhum. Então, geralmente ele tá tentando, tá usando isso tudo para tampar alguma vulnerabilidade dele. E hoje em dia, principalmente a questão dos filtros, eh, tem adolescentes que t dificuldade de tirar uma foto porque não tem filtro, porque não ficou no melhor ângulo. Começa aquele sofrimento, um sofrimento, uma angústia de de não sair de casa, não posso sair de casa, não posso ir à padaria, ser uma maquiagem. Como alguém vai me ver assim? sem maquiagem, por tem uma uma percepção de si mesma distorcida. Ah, eu não posso chegar na escola de qualquer jeito, não. Você vai de uniforme? Não, mas esse uniforme ninguém precisa ser trabalhado. E aí esse adoecimento psíquico, tudo vai se vai se resumindo. Existe um adoecimento psíquico de uma de uma falsa eh um aquele corpo perfeito, aquele cabelo perfeito, aquela pele perfeita. E o jovem, o adolescente que tá ali nessa fase de descoberta, ele quer pertencer. Uhum. E aí ele se coloca dentro desses espaços que vai paraa internet, começa a praticar também essa violência criticando o corpo do outro, criticando o corpo do outro, eh, fazendo memes com outras pessoas. é uma questão interna dele. Algo está acontecendo que ele não está suportando. Então ele precisa colocar isso para fora, mas atacando o outro, não falando dessa dor, não falando dessa angústia. Uhum. E essa busca pelo corpo perfeito, aparência perfeita, também é muito uma consequência da internet, né? que ela tá ali consumindo o tempo todo e acaba se comparando com outras pessoas que não t mesmo padrão que ela. Exatamente. É, é interessante que eu tenho algumas amigas que elas eh trabalham em confecção, ela fala assim: "Nossa, às vezes a o cliente chega com uma foto, com uma roupa, um vestido, fal, eu quero esse vestido". Uhum. Aí ela faz, só que o vestido na manequim, na foto é 38 e o corpo da pessoa é 42. Ela fala: "Não, mas não ficou igual da foto". Ela fala: "Gente, ela tá querendo o corpo da mulher e não tá aceitando a roupa, como a roupa ficou". Ou seja, é aquele aquela tentativa de não, eu preciso ter esse corpo, eu preciso fazer, eu preciso ser igual, eu preciso e e começa o os excessos, né? vai trazendo esse adoecimento de não conseguir hoje em dia também com essa questão desse eh do corpo magro, adolescentes têm sofrido muito com anorexia e começa: "Ah, eu preciso ficar magra". Mas já é magra. Uhum. É diferente você ir a uma academia pela questão do cuidado com o corpo, entender a função dos treinos, você entender a função da academia, atividade física e outra você começar a praticar essas atividades físicas em prol desse corpo idealizado, porque nada que que fizer vai ficar bom. Sim. E a gente comentou aqui amplamente sobre a carência, né, essa falta de atenção que as crianças eh não recebem em casa. Mas a pesquisa também mostra que em algumas situações é os agressores se aproveitam de vulnerabilidades econômicas. Como que essa realidade pode aumentar a exposição? Por exemplo, a criança tá ali na internet, que a pessoa oferece e presentes, quantias em dinheiro, até mesmo? Eh, outra outro cenário silencioso, né? Porque existe aí essa questão da da vulnerabilidade social, essa diferença. E como eu disse no início, esses abusadores, eles [música] estudam, eles prestam atenção nos mínimos detalhes e nessas conversas eles já sabem qual é a condição social de da vítima, de quem eles estão conversando. E não começa oferecendo grandes quantias. É um presente. Ah, deixa eu vou fazer para você. Hoje em dia tem muitos adolescentes que t Pix, né? Faça um Pix para você e vai pouco a pouco. Mas aí, ah, eu te ajudei aquele dia, né? Você podia me ajudar também? Que que você tá precisando? Ah, tira uma foto do seu pé. Isso acontece, gente. Uhum. É, é tão sutil. E aí entra a questão. O adolescente, às vezes ela, ele até fica incomodado, mas vai pensar: "Nossa, ele me ajudou". Que que é uma foto de um pé? Só que vai só pedindo mais. Quando vê já mandou fotos de todos os tipos. Sim. E a criança acaba ficando presa nesse ciclo, né? É um ciclo porque ele vai, se você precisar de mim, eu tô aqui. E às vezes, ah, tô precisando de alguma coisa, ah, minha mãe não tem condições, tá? Eu eu te dou. E a grande questão que eu fico assim muito intrigada quando isso acontece é como que essa criança, ou melhor o ad, mais precisamente falando adolescente, como que o esse adolescente consegue explicar [música] a origem do dinheiro? Que hoje em dia tem até a questão dos jogos dos tigrinhos da vida, né? Dos das apostas, as apostas online. Então, como que os pais eles recebem essas explicações? O que que esse adolescente fala? De onde vem esse dinheiro? Será que não tem uma pergunta? Uhum. né? Simplesmente, ah, ganhei, mas não busca saber de onde veio. Ou então se ele consegue esconder como? Ou seja, mais uma vez o celular não tem acesso. Uhum. Não tem nenhum tipo de vistoria. E e hoje tem aquelas falas, né? Mas eu preciso ensinar meu filho a ter a privacidade dele. Eu preciso mostrar meu filho. É, ele ele tem o canto dele, tem um momento dele, as coisas dele. Nós precisamos entender que um cérebro em desenvolvimento, ele é vulnerável. O adolescente, o nosso cérebro, a única, a última parte a a amadurecer é essa região, o córtex préfrontal. Então, ele não tem noção da consequência, [música] ele faz. E os pais precisam sim. E não é com aquele intuito assim, deixa eu conversar com todos os coleguinhas que vem a conversa de escola. Não é isso. É você ser intencional. Deixa eu ver o que tá acontecendo aqui. Uhum. Horários desse celular. Até que que horas esse celular funciona dentro de casa? E aí aonde ele fica? quando a criança vai dormir, porque se o celular fica dentro do quarto, provavelmente pela madrugada ele vai acordar. Uhum. Ele vai acordar e vai mexer no telefone. Então esse esse olhar atento precisa porque quando ai ganhou um dinheiro, não de onde de onde veio? E aí quem tá recebendo a criança dessa vulnerabilidade, ai comprou, comprou um tênis, comprou um sapato, conseguiu, vai, vai achando que essa é a fonte e cada vez mais o outro está se aproveitando dessa vulnerabilidade. Exato. Eh, e também um dos dados que mais chama a atenção na pesquisa é que 34% das vítimas não contaram a ninguém o que haviam vivido, que o que tiveram passado, né? Que que explica isso também? você mencionou o seu livro que aborda um pouco sobre esse assunto. Queria que você falasse um pouquinho mais sobre isso também. Essa, o falar envolve muitas coisas, né? o cenário familiar, como esse a família reage quando acontece algo com a criança. E há formas também da criança achar, desse adolescente entender que ele foi o causador, ele é culpado e que ninguém vai ajudá-lo. Então essa exposição, ele chegar e contar o que tá acontecendo para ele é muito difícil. E aí ele pode tentar resolver de outras formas. Aí começa essas automilações, outros até chegar num uma questão assim triste, até mesmo do autoestermínio. Uhum. Que é o que que é um sofrimento. Mas ao mesmo tempo existe aí uma questão que quando já observou quando há uma denúncia de abuso, quando uma fala, as outras se encoragem e falam também, vão surgindo outras pessoas. outras pessoas porque parece que não tem uma autorização para falar desse desconforto. E o que o outro vai pensar? Porque hoje em dia, infelizmente, ainda é uma fala, mas que roupa que ela estava. Ah, mas também, né? Mas por que que foi dar confiança para uma pessoa desconhecida? Não é de uma vez, não é chegando assim aqui, toma aqui dinheiro, não. Vai ficar assustado, vai fugir. Eh, se envolvendo, eu dou um exemplo para os pais, assim, uma propaganda de algo que você gosta muito, eh, vai te envolvendo, você fala assim: "Nossa, parece interessante, né?" É, aí depois de novo, aí o algoritmo já entende que você tá tendo um olhar mais assim diferenciado para aquele produto. Começa a aparecer a forma de uso, as pessoas como ficam, quando usam, como como elas ficam, o que ele resolve, qual problema ele resolve. Os essas pessoas, os perversos, eles agem também dessa forma, não é chegando com aquela cara, tô aqui, não. Eles é um envolvimento, deixando a vítima ainda mais vulnerável. Essa dificuldade para falar, ela realmente ela existe, ela cria um potencial, causa um distanciamento, mas ainda assim os pais eles se caso aconteça, precisa, eu estou aqui, nós vamos resolver da melhor maneira possível e precisa desse autocontrole, né? buscar uma ajuda terapêutica para saber lidar, porque o tempo todo eu falar: "Gente, mas eu já falei para ela não conversar com estranho." Mas não é uma conversa qualquer, é uma conversa que houve um envolvimento. Uhum. Não é simplesmente, ai, senta aqui, deixa eu contar minha vida. Não vai, não é dessa forma. Tem muit tem um longo caminho que foi traçado. Sim. E como que o seu livro, se eu te contar, acredite, aborda esse tema. É um livro que orienta os pais a ouvirem as crianças. Sim, ele, o meu livro, ele é todo baseado em fatos reais, nesse ambiente de onde eu vim. Eh, é uma orientação, porque os pais eles não entendem essa diferença que a gente escuta, né? Ai, quem faz isso é um monstro. Não, não é um monstro, é uma pessoa gentil, é uma pessoa cuidadosa, é uma pessoa que acima de qualquer suspeita. Então, no livro eu coloquei dessa forma. Uhum. E diferenciei também quando uma criança só eh faz parte do desenvolvimento dela natural, a fantasia natural do desenvolvimento humano e uma fala que vem de uma situação de abuso. No livro eu até coloco um trecho que o a criança começa a receber presente. Aí ao mesmo tempo que ela fica feliz, ai eu queria tanto, mas depois ela sente raiva porque ela precisa dar algo em troca. Uhum. E e esse algo em troca causa um desconforto. Ela tenta falar de várias formas. alteração de comportamento falando, mas não, você está querendo atrapalhar, você está mentindo, você está inventando. Porque hoje quando a gente escuta no consultório, as falas são assim: "Eu contei, ninguém acreditou". Então, esse acreditar é você observar, entender o que a criança está dizendo, entender quem é essa pessoa, porque você olha assim, gente, como que pode a pessoa tão boa fazer uma coisa dessa? Gente, é essa pessoa. Então não tem não imagine em você que vai chegar um monstro falando: "Ah, tô aqui". Não, esse aí a criança sabe fugir. Uhum. Esse a gente ensina eles fugirem. O que eles o o verdadeiro monstro que são os abusadores, eu falo assim, os pais ensinam a cumprimentar, a abraçar e a falar, não fala mal dele, que ele é bom. Exatamente. E você falou sobre eh a privacidade, né, dos pais que têm medo de invadir a privacidade ali do filho no celular, existe um limite eh entre você tá ali acompanhando o que seu filho tá fazendo e não invadir ali o pessoal dele também. Dá para ter esse limite? Como que é os pais podem entender isso também? Olha, os pais eles precisam, porque hoje em dia tenho uma outra confusão, né? Ah, eu vou ser amigo do meu filho. Não, você precisa ser o pai dele, o pai e a mãe. Porque o ser amigo você fica muito de igual para igual e a e o filho precisa sentir. Vamos separar pro faixa etário. Ah, meu filho, ele tem ali cinco aninhos, então ele tá ali assistindo alguma coisa na televisão, um dezembro, faixa etária. OK, tem um tempo. Pensar no nos adolescentes que já tem os coleguinhas da escola, você precisa. E aí não é ficar, porque eles conversam muito. Você entra nos grupos dos adolescentes e eu tenho filho adolescente, tem tanta coisa naquele grupo. Só que se você dá uma roladinha na tela, vê lá, os contatos se mantém, são as mesmas pessoas, são os mesmos rostinhos. Eu falo assim: "Se aproxima do seu filho a ponto de fazer uma amizade também com esses adolescentes, com as mães dos adolescentes. Isso é importante porque você tá ali observando, né, entendendo, porque às vezes os pais pegam o celular do filho, aí o filho conta alguma coisa ali, compartilha com com amigo, com o colega, aí o pai, gente, você viu que eu vi lá no grupo do menino, hora que ele falou que ele aí começa e essa zoação no grupo da família, uma exposição desnecessária. Às vezes eles compartilham, gente, ah, eu vi que eu tá tá nascendo cabelo na minha axila, gente. tá contando para todo mundo que tem cabelo no sovaco. Isso é desnecessário. Uhum. E a redagem é essa, os pais eles [música] vão vasculhando e fazendo esse tipo de exposição porque eles estão compartilhando ali a rotininha deles. Mas a intenção de olhar é você só vai assistir até eh X idade, conteúdo paraa sua idade, entender que esse celular não é livre demanda, porque eles não têm a menor condição de controle. Quanto mais ficar, mais eles vão ficar. fala assim, 24 horas, tá bom? Eles vão ficar 24 horas jogando, vão ficar jogando. Quem precisa emprestar esse freio, esse cérebro são os adultos. Fazer o papel do córtex para frontal aqui não. E suportar também, porque às vezes os pais falam: "Mas eu já conversei, eu já expliquei, ele fica com raiva". É, ele vai ficar com raiva, ele vai ficar frustrado, porque na cabeça dele que que tem ficar jogando até até 1 hora da manhã e acordar 6 horas para ir à escola. Mas quem sabe disso são os adultos. E a gente precisa suportar essa angústia, suportar essa frustração, porque é nessa frustração também que eles vão se desenvolvendo, criando essa resistência, entendendo esses limites, porque a gente a gente tá aqui também só para oferecer um mundo maravilhoso paraos nossos filhos, né? precisam se frustrar, eles precisam entender que tem uma hora que você vai querer fazer, mas nossa, não posso, não devo. E quem apresenta esse limite são os pais. Exato. E a gente vê cada vez mais cedo as crianças entrando nesse universo, né, das redes sociais, da internet. É, diante de tantas possibilidades de interação, dos jogos, é possível ali em determinadas idades impedir completamente o acesso, tentar privar seu filho desse da internet, desses males também que vem junto? Olha, eu eu sou do seguinte posicionamento. Eh, tela para criança até 12 anos é desnecessário. Uhum. Ah, mas tem trabalho da escola, tem coisa, alguma coisa da escola. é desnecessário. A criança, ela se envolve muito bem, jogando joguinho de tabuleiro, inventando, vivendo o ócio, só que ela vai precisar também da presença de um adulto. O que acontece com esse com esses excessos é quando um simples aparelho ocupa o lugar dos responsáveis. O celular ocupa o lugar do pai, o lugar da mãe. E aí é aí que começa a surgir o problema. Uma criança, ela não precisa de um celular. Ah, mas tem um trabalho que faz da escola que precisa acessar a plataforma, tá? Acessa a plataforma, faz o que tem que fazer e sai. Porque a gente já entende dos perigos. Então, por que deixar? Por que facilitar esse acesso? Ah, mas ela vai chegar na escola, só ela vai ser diferente. Mas a gente não fala que os filhos eles não são todos iguais, não é todo mundo. Então é a hora de falar: "Não, meu filho, por enquanto você não tem celular". E ele precisa também suportar isso, porque olha que chega a ser até incoerente. Ah, na minha na sala do meu filho só ele que não tem telefone. Ah, é uma pressão, então vou acabar cedendo. Pera aí. Mas e outras pressões que ele que o seu filho vai precisar suportar? Uhum. e outros convites que as pessoas vão fazer em outras fases da vida. Ele vai precisar se posicionar, fala, defender aquilo que ele acredita. Não, eu não faço isso. Tá tudo bem, porque é desnecessário telefone para criança. Ah, mas nem assistiu uma galinha pintadinha, gente, por favor, vamos equilibrar aqui. Coloca, mas que esse que esse lugar não fique sendo ocupado o tempo todo, tirando a sua presença. Uhum. Uma criança, se você colocar uma televisão ligada e seu filho brincando, ele vai interagir muito mais, nem vai assistir. Até ela tá paradinho ali. Então, ofereça brinquedos. Hoje em dia os brinquedos é, é, parece até estranho, né? Fo de brinquedo, ai não gosto de ler, gosta. Estimule seu filho a leitura, fique junto, leia junto. Tudo é estar junto. Ah, mas eu trabalho, eu sei que a realidade, né, de muitas famílias. Eu trabalho, chego em casa, mas se você te tirar 20 minutos todos os dias, seu filho vai sentir esses 20 minutos. Uhum. que no juntando a no final de seu o o montante de segunda a sexta, você já tem ali boas horas com seu filho e faz a diferença. E faz a diferença conversar, sentar à mesa, tirar o telefone, conversar, porque tá todo mundo ali, ó, com nem sabe o que tá comendo. Uhum. Nem sabe o que almoçou. Por quê? O celular tá fazendo esse papel do bem-estar. Sim. E vai surgindo outras situações também perigosas, né? Principalmente não tô nem sentindo que eu estou comendo. Será que o cérebro tá conseguindo avisar pro estômago que tá houve ali uma saciedade? Uhum. Porque vai distorcendo por outros caminhos. Então, celular para criança é desnecessário. Uhum. E a gente falando, tá falando aqui muito da família, né? Mas o relatório também defende uma ação conjunta eh entre todas essa esses núcleos, né? família, escola, governo, eh como que a escola também entra eh nesse papel, pode fazer esse papel também. Se a família acaba não percebendo a escola, pode perceber isso também, pode ser um ativo nesse sentido. A escola ela é uma parceria assim fundamental, porque a criança na escola ela traz muitas situações de de dentro de casa. Ela conversa, ela conta. Tem aquela professora que acolhe, ela chega e vai conversando com o aluno. E o papel da escola na vida do aluno, eu falo que é de identificar. A escola não tá ali para educar o seu filho, ela está para identificar algumas situações e buscar esse suporte com a família, reportando para eles. Fal, olha, tá acontecendo isso, isso e isso foi observado uma situação, foi observado uma fala, porque a escola observa, ela identifica. Então, a escola enquanto parceria ela é fundamental. Aí observar assim a questão da sociedade num todo, nós precisamos ter essa consciência também, porque não se educa um filho sozinho. A gente precisa de, eu falo, eu gosto de chamar de uma equipe multidisciplinar, ter esse olhar atento, mas hoje em dia, até pelo mau uso das redes sociais, é usado assim a forma como eu educo os meus para criticar a educação da outra. E não é isso, não precisa ser assim. serviu algumas coisas para mim, eu posso pegar, compartilhar, mas cada um enxergar a sua realidade e ter um objetivo geral de proteger mesmo as crianças. É chegar num lugar e observar o espaço aonde tem criança. Uhum. E ah, não, cada um cuida do seu, tá, né? Mas você vai cuidar, não é? é cuidar, mas ter um olhar atento de um comportamento diferente, de uma abordagem diferente. Às vezes o pai realmente não está observando, mas se você observou, nós precisamos ter ser cuidadosos, observar e [limpando a garganta] falar. Recentemente eu eu vi um vídeo na internet que tinha um um senhor já abordando um adolescente e eles estavam na praia. Uhum. Ele falou: "O que que tá acontecendo aí?" E ele já tava quase tirando as calças. Que que tá acontecendo aí? Por que você tá fazendo isso? Aí cercou, a família chegou, ou seja, alguém teve o olhar atento, alguém percebeu. Alguém percebeu. Então, enquanto sociedade nós precisamos disso, porque muitas vezes, eh, hoje em dia vai fazendo pede sinal de [limpando a garganta] socorro. Mas será que a gente tá atento a esses sinais? Será que se acontecer realmente alguém vai observar que é um pedido de ajuda, vai querer se envolver para se certificar se realmente a criança está segura? Porque aí que entra a questão, né? Enquanto sociedade, nós precisamos ficar atentos o que está acontecendo à nossa volta. Exato. É um papel de todos proteger crianços adolescentes. Papel de todos. É um papel de todos. Se não era pra gente encerrar, queria que você deixasse uma orientação eh para quem é pai, mãe, responsável, como proteger uma criança nesse ambiente digital, qual conselho você daria? Nós precisamos aprender a observar bem, a escutar e ter sabedoria na hora de falar, de falar paraa criança, de se apresentar paraa criança, porque muitas vezes um detalhe você pode cortar, quebrar todo o vínculo por porque vai causar um medo, vai causar assim um desespero tão grande. Não, não posso contar. Então, observa o seu filho, escute, observa o comportamento, tem uma atenção, né, de fal pera aí, o que que tá acontecendo? Eu percebi que o seu comportamento mudou, eu percebi que você está mais agitado, eu percebi que você está nervoso. Porque a gente percebe, às vezes fala: "Ai, deixa, daqui a pouco passa". Mas pode não ser nada, mas a quando você observa e fala que percebe para a criança, o sensor dela fala assim: "Opa, meu pai está me observando, ele se importa comigo". Isso é um divisor de águas quando a criança sente que tem que está sendo visto de uma forma diferente, porque às vezes, ah, eu tô vendo, mas só faz coisa errada. Então, cuidado com com o que você está falando com seu filho. Você vai chamar atenção, você vai orientar, mas você também vai se colocar nesse lugar que eu estou aqui para resolver junto com você da melhor maneira possível. Perfeito. Sinara Cordeiro, muito obrigada pela participação aqui conosco no ponto de vista para falar um pouquinho esse assunto tão importante, porque agradeço. Obrigada a você também que nos acompanhou em mais uma edição do ponto de vista. [música] Até o próximo programa. [música] [música] [música] [música] อ
A seguir

Continue assistindo

Próximas horas na grade ao vivo
Programação completa →
Ao vivo
Plenário · 13h

Câmara Notícia — Edição da Tarde

13:00 - 14:00 · Ao vivo
28:32
Matérias · 14h

Matérias — Especial da Semana

14:00 - 14:30
58:12
Perfil · 15h

Perfil — Entrevista da semana

15:00 - 16:00 · T03:E18
45:08
Bairros · 17h

Meu Bairro na TV — Vila Padre Manoel

17:00 - 18:00 · T05:E12
Estreia 1:32:00
Especial · 19h

O Ano em Plenário — Ep 1: Mobilidade

19:00 - 20:30 · Estreia
Ao vivo
Plenário · 20h30

Sessão Ordinária da Câmara Municipal

20:30 - 23:00 · Ao vivo
Mesmo programa

Mais do PONTO DE VISTA

Edições anteriores do programa
Todas as edições →
33:01

Ponto de Vista | A Educação Vem de Casa? o Papel da Família e da Escola

33:56

Ponto de Vista | Movimento Antivacina: O Perigo da Desinformação

36:55

Ponto de Vista | Jornalismo sem Diploma: Liberdade ou Risco?

35:50

Ponto de Vista | Humor Autodestrutivo: Escape ou Gatilho?

39:27

Ponto de Vista | Violência Vicária

40:42

Ponto de Vista | O Retrato da Violência no Brasil

30:54

Ponto de Vista | O que é Justiça?

34:35

Ponto de Vista | Hiperprodutividade: Entre a Eficiência e o Esgotamento

41:24

Ponto de Vista | Educação Domiciliar: Direito da Família ou Dever do Estado?

39:26

Ponto de Vista | Conflitos, Riscos e Impactos Associados a Barragens

36:29

Ponto de Vista | Mulheres e Violência Urbana: direito de andar sem medo

45:30

Ponto de Vista | Apagão da Educação

34:33

Ponto de Vista | Pensão Alimentícia: A Lei Precisa Endurecer?

34:08

Ponto de Vista | Devemos esperar um “Super El Niño”?

37:44

Ponto de Vista | Formação Científica no Brasil

34:09

Ponto de Vista | Veto da União Europeia: Há algo de errado com a carne do Brasil?

47:08

Ponto de Vista | Jornalistas versus Influencers

38:40

Ponto de Vista | Futebol e Identidade Brasileira

34:34

Ponto de Vista | O Brasil está falhando com seus povos originários?

48:42

Ponto de Vista | Cultura: produto de consumo ou direito de todos?

Recomendados

Você pode gostar

Outros vídeos selecionados a partir do conteúdo que você acabou de ver
Mais recomendações →
12:48

Notícias da Metrópole

15:00

Notícias do Legislativo

57:35

Câmara Notícia

7:02

Câmara Notícia | Nome Galeria Ex-Presidentes

13:01

Na Ponta do Lápis | Investimento Imobiliário

3:23

Eleições | Calendário Eleitoral 2º Turno

10:41

Agenda Cultural Campinas: Shows, Teatro, Cinema e Exposições para o Fim de Semana!

59:29

Estúdio Câmara | Sua Mãe Já Te Disse “Você Não é Todo Mundo”?