TV Câmara Campinas
TV Câmara
Campinas
Abuso sexual infantil

TV Câmara Campinas debate abuso sexual infantil facilitado pela internet

Relatório da Unicef mostra que 1 em cada 5 adolescentes brasileiros já sofreu abuso sexual facilitado pela internet, tema do Ponto de Vista

Por Redação TV Câmara Campinas
Psicanalista Cinara Cordeiro durante entrevista sobre abuso sexual infantil na internet, no Ponto de Vista da TV Câmara Campinas
Psicanalista Cinara Cordeiro durante entrevista sobre abuso sexual infantil na internet, no Ponto de Vista da TV Câmara Campinas

Um relatório da Unicef revela que, em um único ano, uma em cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos que usam a internet no Brasil já foi vítima de alguma forma de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia, o equivalente a cerca de 3 milhões de meninas e meninos. O levantamento, batizado de Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia, é o ponto de partida da edição do programa Ponto de Vista, exibida pela TV Câmara Campinas em 10 de outubro de 2026, que recebeu a psicanalista, pedagoga e escritora Cinara Cordeiro, autora do livro Se eu te contar, acredite.

Como a aproximação acontece

Segundo Cinara Cordeiro, a aproximação de um adulto com intenção de abuso não costuma ser abrupta. Ela ocorre aos poucos, principalmente quando a criança tem ausência de suporte familiar e emocional, o que a deixa mais suscetível ao contato na rede. O predador observa o comportamento da criança nos jogos e nas redes sociais, passa a seguir seus perfis e demonstra interesse pela rotina dela, perguntando sobre a escola e os amigos, sem propor um encontro de imediato.

Os pais, às vezes, acreditam que essa pessoa perversa vai chegar no formato de monstro, mas não é. Eles oferecem algo muito bonito e simbólico para a criança, entram no mundo dela e falam a linguagem que muitas vezes os pais não conseguem compreender.

Para a psicanalista, esse envolvimento gradual chega a um ponto em que a própria criança passa a recorrer ao agressor para desabafar, justamente porque está imersa na relação e não percebe o risco.

Um caso no Roblox

Cinara Cordeiro citou o exemplo de um adolescente que jogava Roblox e passou a conversar com outro suposto adolescente. O desconhecido insistiu em perguntar onde ele morava, o que despertou desconfiança. O jovem recorreu à mãe, que assumiu a conversa no lugar do filho até que o interlocutor propôs um encontro presencial. Segundo a entrevistada, sem o suporte da família, o adolescente provavelmente teria revelado a informação sem perceber o perigo.

Abuso também parte de dentro de casa

A entrevistada destacou que a maior parte dos casos de abuso sexual é cometida por pessoas próximas do convívio da criança, entre homens e, em proporção menor, também mulheres. Esse comportamento pode se estender ao ambiente digital, reforçando a necessidade de atenção mesmo dentro do próprio núcleo familiar.

Diálogo como forma de prevenção

Cinara Cordeiro defendeu que a prevenção começa pela comunicação. Para ela, reações de ameaça ou punição, como prometer quebrar o videogame, afastam a criança e a levam a esconder o que está vivendo por medo de ser repreendida. A psicanalista também citou a metáfora usada em seu livro, na qual pais pedem que a criança “coma tudo para ficar forte e vencer o monstro”, reforçando a importância de a família manter o diálogo aberto sobre os riscos do ambiente digital.

Assista à íntegra

A matéria completa foi ao ar no PONTO DE VISTA da TV Câmara Campinas. Assista ao vídeo original: Ponto de Vista | Infância Violada: Os Riscos no Ambiente Digital.

Vídeo relacionado

Acervo TV Câmara

Ponto de Vista | Infância Violada: Os Riscos no Ambiente Digital

45:56 · 36 views visualizações