Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
Tá no ar mais um na ponta do lápis. E hoje o nosso tema é sobre as novas tarifas dos Estados Unidos de 50% sobre os produtos brasileiros que afetam o dólar, a inflação, os preços e a renda. para explicar melhor sobre esse assunto. Eu estou aqui com professora de economia Eli Borochovícios, que vai trazer as melhores dicas para você que tá em casa não se prejudicar com todo esse cenário. Eli, pra gente começar, né, entender toda essa situação, o que que são essas novas tarifas dos Estados Unidos sobre os produtos brasileiros nessa porcentagem de 50%. É, o que tá acontecendo é que os Estados Unidos resolveram impor produtos que são importados do Brasil. Portanto, eh, isso obviamente vai acarretar em um aumento no do preço lá nos Estados Unidos. Então, eh, as pessoas que vivem lá terão produtos brasileiros mais caros na nas prateleiras ou eventualmente vai até inviabilizar a importação. E obviamente se nós temos de um lado o importador Estados Unidos comprando os produtos brasileiros e disponibilizando nas prateleiras dos supermercados ou, né, pra vida realmente lá do do americano, nós temos do outro lado a exportação. Portanto, nós estamos nos referindo a produtos que saem do Brasil para os Estados Unidos, que vão acabar custando mais caro lá. Portanto, existe aí uma grande probabilidade, e a gente já tá enxergando isso, deles cancelarem pedidos de produtos brasileiros. Então, a gente vai aqui falar de uma série de produtos, mas eu acho que é importante as pessoas entenderem que esses 50% não vão incidir aqui no Brasil, né? Isso é para os americanos, só que como lá vai ficar mais caro, eles cancelam os pedidos aqui e a gente deixa de exportar. E deixar de exportar é algo muito ruim, principalmente porque os Estados Unidos são eh o segundo, o maior importador e exportador de longe. O primeiro é China, o segundo país eh são os Estados Unidos. E considerando isso, a gente não pode dizer que nós não estamos muito preocupados. A gente ouviu eh o FMI dizendo que isso vai dar mais ou menos 0.2 pontos percentuais em relação ao PIB, como se fosse pouca coisa, não é? São grandes parceiros comerciais do Brasil e é importante a gente entender o que é que tá acontecendo. Eli, os Estados Unidos anunciou que essas novas tarifas elas começam a valer a partir do dia primeiro de agosto, né? Isso, ela já foi anunciada anteriormente para que os importadores nos Estados Unidos possam se preparar, porque leva tempo. Aliás, isso é importante a gente dizer, porque o que que aconteceu? carne bovina nesse momento assim lotou o o o porto de Santos porque os caras estão querendo aproveitar a chegada do material antes da imposição dessas tarifas, obviamente porque isso vai impactar no preço deles. Então eles estão importando tudo aquilo que eles podem. Vamos lembrar, a carne é perecível, então não dá para importar demais também, mas aquilo que eles entendem que eles conseguem consumir dentro do prazo de validade, já estão importando para aproveitar isso. E aí o que que acontece? Os produtores de carne bovina aqui já estão preocupados. Tudo bem que o Brasil tem acordo comercial com vários outros países, mais de 160 outros países. Mas a pergunta é: esses outros países estarão dispostos a comprar do Brasil a carne pelo preço que é vendido eh aos Estados Unidos? Essa é a primeira pergunta. A segunda questão é que eles, sabendo, esses outros países parceiros, sabendo que o Brasil não tem como desovar essa carne pros Estados Unidos, eles vão querer negociar preço. E aí pro produtor é preocupante. Então assim, são mais de, sei lá, 160, 170.000 toneladas de carne que o produtor brasileiro tá preocupado em saber onde que ele vai desovar, o que que ele vai fazer. O mercado consumidor norte-americano é importante também para esse produto, assim como alguns outros produtos que a gente pode falar aqui. E quais são os outros setores também que vão ser afetados? A questão do petróleo bruto, a questão da aeronaves, da questão da Embraer, produtos de agronegócio, né? Laranja, café. É. E vamos lá, aos poucos, né? Primeiro vamos falar da Embraer. A Imbraer, por exemplo, já soltou uma nota dizendo que vai ter um prejuízo aí de 2 bilhões de dólares por ano. Isso é muita coisa, tá? Eh, mas por quê? Porque algumas aeronaves, elas são específicas para o mercado americano e ela não consegue, por exemplo, pegar essas aeronaves e desovar em algum outro mercado. Então, a Imraer já avisou: "Olha, eu vou vou ter problema". Braera é uma empresa SA de capital aberto. A gente já viu na bolsa de valores uma queda, né, no índice Bovespa em função, né, da queda de valor de mercado dessas empresas. Então, a gente tem, por exemplo, você tocou no setor de laranja, ah, as empresas produtoras de laranja já avisaram que não tem para onde escoar o mercado. Então, isso para eles é um problema grave. Aparentemente aí, eh, acho que 70% da produção de laranja vai para lá. Vamos falar, por exemplo, de psicultura, vamos falar dos peixes. Existem também algumas espécies de peixes que são compradas em 70, 80% majoritariamente pelo mercado norte-americano. Também vai sofrer. Já saíram notícias sobre o mel, 80% eh do mercado aqui nacional, ele é consumido pelo norte-americano. E e assim, vários produtos já foram vários contêiners do do produto já foram cancelados no mercado e eles não tem para onde coar, eles não tm para onde vender, eles não tm o que fazer, vão ter que procurar um parceiro, né? E aí o que que acontece? Muita gente tá apostando na China, mas a China tá investindo muito no Brasil. Isso não significa que a China vai conseguir ou que ela tenha interesse em assumir essa demanda dos Estados Unidos. Exatamente. Nem tudo aquilo que é vendido aos Estados Unidos eh é o mercado comprador oriental chinês. Então são algumas preocupações que a gente tem. Então, a gente falou aqui carne, a gente falou peixe, a gente falou de laranja, a gente falou do mel, a gente falou de avião, a gente não pode esquecer do mercado de mineração. Então, a gente já tem visto as associações de de pedras eh reclamarem, dizendo que a situação tá difícil, porque estão tendo cancelamentos, tá ficando muito caro, né, para para colocar esse produto lá nos Estados Unidos, tão cancelando os pedidos e não tem o que fazer. Aí é que começa a ter uma série de problemas, porque se essas empresas tão tão recebendo cancelamento, não estão vendendo, como é que elas vão pagar eh os impostos e o governo precisa desse imposto? Como é que vão fazer para manter os funcionários? Talvez nós tenhamos aí um aumento da taxa eh de de é a taxa de desemprego deve aumentar. O desemprego aumenta a empregabilidade é reduzida. Eh, assim, a gente já começa a ter uma série de movimentações aqui que podem ser prejudiciais paraa economia nacional. Agora, o café, que é o que você tocou aqui no assunto, ele é interessante porque o café ele é muito consumido no Brasil e aí se não conseguir exportar para lá, talvez o mercado interno consiga absorver. E se o mercado interno absorve e eu não consigo mandar esse esse produto para fora, possivelmente os produtores vão reduzir a lucratividade, porque como o dólar tá alto, eles teoricamente receberiam mais exportando do que aquel. Pois é. Então o que muita gente diz é: "Ah, como vai abastecer o mercado interno? Tende a reduzir o custo pela oferta que se tem. Só que o problema é que tá sendo uma oferta num preço menor e isso é prejudicial pro produtor. O que o produtor vai fazer? Reduzir a oferta. Então, é possível que nós tenhamos uma redução no preço? OK, é possível que isso aconteça, mas também é possível que essa redução não aconteça. E vamos lembrar que o preço do café disparou, foi lá para cima. Tá todo mundo vendo isso? Será que vai ter uma queda? Eu particularmente não acredito nisso. Eu entendo que os produtores vão reduzir a produção, considerando que terão de qualquer maneira que jogar esse produto pro mercado interno num preço menor para tentar aumentar o preço e manter a sua lucratividade. E o Eli, como que tudo isso, né, impacta realmente no bolso brasileiro, né, do do pessoal que tá em casa assistindo os combustíveis que todo mundo fica preocupado, a questão da gasolina também ela vai ser impactada o preço devido a toda essa questão ou não? É, vamos entender o seguinte. Exportação significa que eu mando o produto para fora e aí entram dólares, certo? E se tá entrando dólar, o dólar é um produto, tem muita oferta, o preço tende a cair. Como eu reduzo a exportação e aí deixa de entrar dólar, a tendência é você ter uma alta no câmbio e aí com o dólar mais alto, os produtos importados vão ficar mais caros. E nós vivemos um mundo globalizado, a gente precisa importar e essa importação que nós fazemos vai vir num preço mais alto. Resultado, por exemplo, se eu importo trigo, eu vou ter o pão mais caro. Então, pãozinho na mesa do brasileiro vai ficar mais caro. Eh, se a gente já tem hoje eh os preços dos alimentos e aí eu me refiro frutas, tubérculos, os vegetais, tudo isso tá caro porque os insumos tão caros pra lavoura e se a gente importa fertilizantes, eh, principalmente aí da da Rússia, da Ucrânia, com o dólar mais alto, vai ficar mais caro ainda. Então, os insumos mais caros aumentam o custo do produtor, ele tem que repassar isso, vai ser no produto final, a gente vai pagar mais caro. E como fugir desse cenário ali? Quais são as principais dicas? Tem tem algumas dicas que dê pro pessoal de casa anotar aí como que é monitorar gastos, ficar atento aos noticiários e de economia para acompanhar a alta do dólar, como que é? É, tem algumas coisas assim que tão fora da nossa mão e e aí é uma questão política. Então, eu entendo que existe aí uma certa preocupação política em tentar eventualmente fazer uma negociação para ver se consegue ou voltar atrás ou tentar entender um pouco isso melhor. Mas a verdade é que os Estados Unidos ficaram eh muito eh machucados com a ideia do Brick ter uma moeda comum. É importante dizer que não é uma moeda única, assim como existe, por exemplo, o euro, né? Não é uma moeda única, é uma moeda comum. A ideia é negociar deixando o dólar de lado e isso teoricamente enfraquece o dólar, o que não é bom. Então, obviamente, isso acabou mexendo com a economia norte-americana e eles estão dizendo: "Olha, o dólar ainda é forte, o dólar precisa ser forte. Eh, não dá para vocês eh quererem nos abandonar. Então, a gente vai colocar uma tarifa mais alta para vocês. Vocês vão machucar a gente, a gente vai machucar vocês. E aí é uma briga de gente grande em que todo mundo se machuca, o que não é bom. E o Brasil, por historicamente ser um país de negociação, o que se espera? E a gente vai ter um pronunciamento eh do do do nosso presidente falando um pouco sobre isso. Tudo isso demora um pouco, né, para para funcionar. Não é do dia paraa noite, né? não é do dia pra noite. Agora, não dá para saber se em primeiro de agosto, que tá logo aí, é se de fato a gente vai ter ou não vai ter eh esse acréscimo aí de 50%. Eu acho que eh as negociações têm que acontecer para benefício de todo mundo, porque uma alta é ruim pro povo americano, porque vão ter produtos mais caros ali de qualquer forma. quer dizer, isso vai acabar inflacionando o mercado deles e é ruim pra gente porque a gente não consegue exportar. E aí você tem uma série de de outras questões que acontecem que é o que a gente comentou aqui, né? É muito ruim para todo mundo. Então a gente tá aí no no perde perde. O ideal seria o ganho ganha tem que entrar em negociação. Importante então é não entrar em pânico, manter-se informado de tudo e tomar decisões baseadas em dados concretos, né, ali? Ah, principalmente porque tem coisas que fogem ao nosso controle. O que foge ao controle não tem o que fazer. Então, a gente tem que se preparar pro que pode acontecer. E o que pode acontecer é um aumento nos preços, portanto, aumentar a inflação. Se a inflação aumenta, o Banco Central, por meio do COPOM, comitê de política monetária, se sente menos confortável em reduzir a taxa de juros. E se não cai a taxa de juros, o crédito fica mais caro. E o crédito fica mais caro pra pessoa física e pra pessoa jurídica. e crédito ficando mais caro, os preços sobrem. Tem mais alguma dica pro pessoal que tá em casa dessa questão dessas novas tarifas dos Estados Unidos sobre o Brasil? Mais alguma dica que o pessoal pode ter no dia a dia assim dessa questão? Olha, a única coisa que eu posso dizer é que o Brasil tem se aproximado muito da China, tem importado muito, exportado, a China tem investido muito no Brasil. Então assim, o que deve acontecer nos próximos anos, a gente não sabe o que vai ser nas eleições de 2026, mas possivelmente a gente vai começar a ver o pessoal trocando iPhone pro Xiaomi. A gente vai ver o pessoal trocando GM por BYD, né? Então os produtos chineses começam a chegar com força e em função dessa alta, a tendência é a gente enxergar menos produtos norte-americanos aqui no Brasil. Agora, o que vai eh o que a gente tem que fazer é esperar e ver o o que que o o tempo vai nos dizer, o que que vai acontecer, mas é bom a gente já começar a acostumar com essa ideia. Beleza? Então, Eli, muito obrigado mais uma vez por todas essas dicas, por todas essas informações, viu? Muito obrigado. Eu espero que as pessoas em casa tenham compreendido e entendido o que acontece com esse aumento de 50% e o impacto que vai ser na vida de cada um de nós. E pessoal, ó, não se esqueçam de nos seguir nas redes sociais, no Instagram e no Facebook TV Câmara Campinas e também de nos acompanhar no YouTube, onde tem toda a nossa programação, TV Câmara Campinas. Um abraço, até o próximo na ponta do lápis. [Música]