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[Música] Está começando mais um na ponta do lápis e hoje o nosso tema é sobre o empréstimo consignado CLT. Por isso eu estou aqui com o José Augusto Ruas, coordenador do curso de Economia aqui da FACAMP. professor, o mundo do crédito, né, ganhou uma nova linha, o crédito do trabalhador, né, uma uma modalidade de empréstimo consignado CLT, também conhecido como crédito privado, né, pra gente começar, né, pro pessoal que tá em casa entender o que que é esse empréstimo consignado CLT ou, né, o ou também conhecido como consignado privado. Muito bem. Na verdade, acho que a primeira coisa, o Brasil já tá acostumado, já tem mais de 20 anos, né, que a gente tem o consignado tradicional, né? Mas quando a gente olha pra história desse consignado, a gente observa que a maior parte das pessoas que acabaram contratando são os aposentados, né? Que tem mais de 200 milhões de aposentados usando consignado, porque era muito mais fácil conseguir, né? Pro trabalhador com carteira assinada, né? Você tinha, você dependia de alguns convênios que as empresas tinham que fazer com bancos. Então era uma, era um crédito consignado mais amarrado. O que que é o consignado? Basicamente é um um é um crédito, um empréstimo que a pessoa pega e que eh cujas parcelas serão descontadas direto na sua folha de pagamento. Então ele já recebe o salário descontado dessas parcelas, o que pro banco é uma garantia, uma segurança, né? Diante dessa segurança, em geral, o banco consegue oferecer taxas de juros menos altas do que o padrão, né? O Brasil tem um padrão de taxas de juros muito altas e toda vez que você consegue reduzir um pouquinho, né, todo mundo que pega dinheiro emprestado, como todo mundo no Brasil, na verdade um qu e eh 3/4 dos brasileiros pegam crédito, então então todo mundo já sabe desse peso e o consignado ajuda a diminuir um pouquinho disso. E para quem que é para quem serve essas linhas de crédito? São pelas pessoas contratadas apenas por quem trabalha no ativamente sobre o regime CLT. Fundamentalmente é para quem tá no regime CLT, tá? Na verdade, o governo vem anunciando ainda, as regras estão exatamente claras quando você olha nos jornais, né? Ele fala: "Ó, tem a MEI, mas no fundo tem gente que fala: "Não, é o contratado pela MEI, né? Mas fundamentalmente o público que vai ser atingido é quem tem CLT, que é, como eu mencionei antes, já era um alvo do consignado anterior, mas pelas regras que você tinha antes, pela lógica de funcionamento, eh, não era fácil, era burocrático e muito amarrado em geral a uma instituição só. Hoje você tem mais opções e o pagamento das parcelas ocorre de forma automática e mensal. Exatamente. Então essa já é a primeira alerta já para quem optar por essa por essa forma por esse formato de crédito, né? Eh, você não tem margem para optar se vai pagar ou não. Se você tiver algum mês apertado, você vai continuar mais apertado agora, porque o seu salário já virá descontado dessa parcela. E além disso, também está previsto o uso de 10% do saldo do fundo de garantia, né? Isso. Essa é uma das inovações. Na verdade, eu somaria a esses 10% também a possibilidade de usar a multa reccisória, até 100% da multa recisória se você for demitido, né? Então essa é uma das inovações. Por quê? Porque no fundo dá mais uma garantia pros bancos, né? Vamos comparar aqui com o caso dos aposentados, né? O aposentado, o risco maior pro banco é o risco de morte, né? O aposentado vai seguir recebendo aquela aposentadoria do governo. Aposentadoria não vai parar de acontecer até o momento em que ele for a óbito. Então, no fundo, o aposentado é super seguro pro banco. O risco dele, no fundo, é de o governo não pagar que é beira zero, né? Ou vamos dizer é zero, né? né? Então, no fundo, é o crédito mais garantido pro banco. Por isso que as taxas de juros em geral são bem mais baixas do que outras modalidades. No caso do trabalhador CLT, ele corre o risco de ser demitido e não ter como pagar o banco. Então você criou esse outro mecanismo que dá uma segurança adicional pro banco, que são 10, até 10% do fundo de garantia, a multa recisória em até 100%, ou seja, se o empregado for demitido, esses valores o banco pode usar como forma de quitar aquela dívida, tá? Caso a pessoa não consiga quitar com esses valores, ela vai voltar a pagar depois que ela retornar o CLT. E esses valores vão ser reajustados, obviamente aquela dívida permanece ao longo do tempo, né? Aí a pessoa obviamente também pode ir ao banco e tentar renegociar esse resto da dívida também. E o professor, em que outras situações também consigo usar o FGTS para contratar empréstimos? O FGTS ele tem uma função tradicionalmente, né? O FGTS até há pouco tempo atrás ele era, como a gente fala, travado, né? É um é um direito do trabalhador, né? Eh, que ficava armazenado como instrumento em geral de crédito bastante ligado ao setor habitacional, né? Então, vou falar da minha meu crédito habitacional foi ligado ao FGTS. Então, eu saquei, quando eu fui construir uma casa, eu saquei uma parte do meu fundo de garantia como parte da entrada pro banco, pra Caixa Econômica a época, né? E aquilo ajudou a compor um saldo pro meu financiamento imobiliário. Era uma das únicas formas até há pouco poucos anos atrás de você acessar esse fundo, fazer um investimento habitacional ou uma construção ou uma compra de um imóvel, né? A segunda forma é quando você é demitido, né? E aí essa era uma proteção do trabalhador, né? Essa é uma coisa típica do Brasil, não são todos os países que t, na verdade, a minoria dos países t, que é um saldo que em geral é uma proteção. Se você for demitido a sua empresa quebrar ou alguma outra coisa nesse sentido, você tem um valor que foi depositado e que te ajuda a transitar um entre um emprego e outro. Isso dá uma estabilidade pro trabalhador, em geral dá uma estabilidade pra economia. Há poucos anos atrás, foi inventado também o saque aniversário, que é uma forma do trabalhador de fazer saques pontuais ao longo dos anos, né? Então, anualmente ele pode sacar um valor. Então, foi se abrindo uma janela pro trabalhador acessar esses recursos também como forma de aumentar o consumo, né? era um valor que tinha lá, às vezes ficava parado por muito tempo. O governo foi aos poucos liberando isso para poder ativar o consumo. E essa medida que o governo tem tá fazendo agora nesse momento também tem essa função de eh impedir que as elevações de taxa de juros nesse momento acabem diminuindo eh o consumo ou atrapalhando demais a vida financeira do trabalhador. Falando dos juros, né, quais são os juros do empréstimo consignado CLT? Eu acho que essa é uma das coisas mais interessantes da desse desse novo arranjo, porque eh basicamente o trabalhador vai receber algumas propostas, né? A gente vai falar daqui a pouquinho, imagino, mas sobre como ele faz isso. Ele vai num aplicativo, né? E aí ele eh ele permite aos bancos usar as informações do que a gente chama de eocial, que é onde estão as informações do fundo de garantia, as informações dele de salário, ou seja, o banco vai ter acesso a essas informações e consegue enviar em até 24 horas uma proposta para ele, ó, dadas as suas condições, eu te dou esse valor com essa taxa de juros. E isso pode chegar até 80 bancos. Então, a grande vantagem pro trabalhador é que ele vai ter, ao contrário do que ele tinha no modelo anterior, ele vai ter uma oferta grande, né? E o governo espera que com a concorrência entre os bancos ofertando, você vai ter taxas de juros menores, né? Ainda e é é muito incipiente para dizer quais são as taxas, né? Mas hoje o consignado pro aposentado tá um pouquinho acima de vou falar um valor meio geral aqui, 2 e pouco% ao mês, né? Quando você vai olhar para crédito direto ao consumidor, né? ou o juro do cartão de crédito, que é o maior de todos, em geral, eles ficam três ou quatro vezes maior do que isso, né? Então, a ideia do governo é conseguir fazer com que o trabalhador consiga sair de outras formas de crédito mais onerosas, sair do cartão de crédito, sair do crédito de juro, do cheque especial, que em geral esfaqueia o trabalhador. E como a como você falou, né, para contratar esse empréstimo consignado para o CLT é pelo aplicativo, né? é pelo aplicativo, na verdade é pela carteira de trabalho digital, né? Então isso é uma coisa muito importante, né? Eh, é importante que a população fique atenta, porque sempre vai aparecer alguém querendo dar golpes com esses novos modelos. Sempre tem. Então, certifique se você tá ligado na plataforma, que é ligado ao egoov, que é ligado ao governo, essa instução, isso é fundamental para você garantir esse resultado. Eh, e o professor, quanto posso contratar com o consignado privado? tem um valor, não tem um valor estabelecido. Na verdade, ele é uma função daquilo que você tem no seu fundo de garantia e uma função de quanto é o seu salário, né? Então o banco vai te oferecer uma proposta de acordo com esses percentuais, né? Então obviamente o banco vai limitar isso. O que tem de limites já estabelecidos, é isso que a gente tinha mencionado, né? dos 10% do fundo de garantia, mas adicionalmente também tem o limite de até 35% do salário como um limite para você conseguir se comprometer com as parcelas. Contratei o consignado privado e eu fui demitido. E agora, professor? É, essa é uma situação que a gente não gosta de desejar para ninguém, né? Porque de fato você vai ficar com uma dívida que você precisa pagar e você esperava que ia pagar com um salário que você não tem mais, né? Então, voltamos para aquela situação que eu acabei de mencionar, né? O banco vai nesse momento, acessar 10% do seu fundo de garantia e vai acessar sua multa reccisória. Então você já perde aí nesse momento uma parte dos seus dos recursos que você receberia nessa demissão. Então é uma situação pior do que você tinha sem essa dívida, né? E aí o problema todo é com esses valores já foi possível quitar ou não? Se não foi possível que tá aí você vai permanecer com essa dívida. Aí uma dica pessoal, se você tiver como quitar essa dívida nesse momento, tiver algum outro valor ou mesmo com o restante do seu fundo de garantia, né, você vai ter ainda o seguro desemprego, né? Se você tiver em vistas uma outra situação profissional, talvez vha a pena quitar essa dívida. Senão essa dívida vai ser atualizada e o banco vai voltar a cobrar de você quando você voltar a ser empregado novamente, né? Obviamente os juros vão continuar correndo, atualizações vão continuar correndo e essa dívida vai se tornar maior, né? Então é muito importante que você não tome esse crédito eh se você não precisar, claro, e você tiver riscos de ser demitido. Já tem um empréstimo consignado, eu posso fazer uma portabilidade para o consignado privado? Essa, eu acho que é uma das questões fundamentais nesse momento, tá? Porque a gente pode olhar pro para esse consignado como uma porta para um novo crédito sempre, né? Ah, eu quero comprar um carro novo, eu quero comprar uma geladeira nova, eu vou acessar esse dinheiro que apareceu para mim, né? Mas eu costumo dizer que quando aparecem oportunidades de juros mais favoráveis, a primeira conta que você tem que fazer é se você consegue diminuir outras dívidas com juros que você tem, né? né? Então, se você já tá num consignado ou se você tá num outro formato de dívida com juros maiores, busque essa portabilidade ou busque a troca dessa dívida pelo consignado com juro menor, né? Então é a dívida fica a a a questão fundamental é quando você pedir as propostas, fique atento ao que ele chama de custo efetivo total. Vai aparecer lá C ou aparecer como custo efetivo total. Esse é o juro que você vai pagar efetivamente e compara com juros que você tem de outros. eh, outros créditos, outras dívidas que você tem. Se for menor e você tiver condição, troca essas dívidas. Eu acho que essa talvez seja uma das coisas que o governo tá mais interessado em ajudar o trabalhador nesse momento, permitir que ele possa sair de um juro muito alto e para um juro um pouco menor, né, numa situação que a economia deve ter um pouquinho menos de crescimento nesse ano. E como que a pessoa faz para ver se essa alternativa pode ser interessante para ela? O que que ela tem que ver? é fundamentalmente é o juro que ela tá pagando, tá? O prazo e outras variáveis são importantes, mas olhar pro juro, né? E o custo efetivo, em geral envolve o juro e outras taxas que o bando coloca ali. Então tem bancos que podem cobrar taxas maiores e um juro menor, mas lá no custo efetivo total vai tá esse valor. E aí ele precisa comparar a mesma variável com outras dívidas que ele tem, né? Se ele não souber, vai no aplicativo onde ele fez isso, vai no banco, vai na agência onde ele tiver. Eh, é muito importante porque o endividamento, eu falei há pouco, né? Eh, 75% dos brasileiros, 76% dos brasileiros tem dívidas e 28% estão inadimplentes, ou seja, não estão conseguindo pagar. E qual que é o impacto desse programa agora no mercado de crédito atual do Brasil, professor? Eu diria para você que é muito difícil fazer uma previsão efetiva, tá? Eh, e o jogo que a gente tem hoje, basicamente, é essa dupla dimensão que eu mencionei há pouco, né? a gente pode olhar ele como uma forma de trocar dívidas, então o trabalhador conseguir sair de uma dívida mais cara para uma dívida menos cara, né? E o estoque de dívida não mexe tanto, mas ao mesmo tempo ele consegue pagar melhor, né? A outra é, ele continua endividado lá na outra e pega uma outra dívida, né? E isso pode gerar, esse é um potencial de risco maior, né? Do endividamento do brasileiro crescer ainda mais, né? e ele somar dívidas no momento em que a taxa de juros tá crescendo. E aí esse é um cenário preocupante. Agora, é muito imprevisível, né? Então é eh eh essa conversa que a gente tá tendo com o nosso telespectador é importante para avisá-lo. Olha, não é o momento necessariamente para você fazer muitas dívidas adicionais do ponto de vista da economia, da dinâmica da economia. Então, esteja atento, né? Se você puder trocar, troca a dívida. Se você precisa desse crédito nesse momento, né? Escolha muito bem a taxa de juros e sim divide o mínimo necessário. Professor, pra gente terminar aqui, tem mais alguma dica pro pessoal que tá em casa sobre o empréstimo consignado CLT? Ah, eu reforçaria as coisas que eu mencionei, né? Então, fique muito atento ao contexto do seu emprego, né? A gente sabe que todo mundo, ninguém espera ser demitido. Muitas vezes as demissões vêm de maneira de surpresa, né? Mas a gente tem um primeiro semestre de 2025 que promete ser de menor crescimento econômico do que nos anos anteriores. Então é possível que algumas empresas sofram pouco e façam algumas demissões. Então se você já tá vendo que a tua empresa tá numa situação que possivelmente pode pintar uma demissão, fique atento e não pegue dívidas novas. Professor, muito obrigado por todas essas dicas, né, essas explicações e também orientações pro pessoal que tá em casa, viu? Mais uma vez, muito obrigado, viu, professor? Prazer. para ver. E pessoal, ó, não se esqueçam de acompanhar toda a programação no YouTube TV Câmara Câmara Campinas e também de nos seguir nas redes sociais no Facebook e no Instagram TV Câmara Campinas. Um abraço e até o próximo na Ponta do Lápis. [Música]