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[Música] [Música] Está começando mais um na ponta do lápis e hoje o nosso tema é sobre o famoso cheque especial. Por isso, para explicar melhor sobre essa modalidade de crédito, eu estou com o professor de economia, Fabrício Pessato, que vai explicar como evitar o endividamento dessa modalidade de crédito. Fabrício, Fabrício, pra gente começar, né, o que que é o cheque especial? O cheque especial é um, quando a pessoa tem uma conta corrente, eh, eventualmente ela vai fazendo os lançamentos a débito, automático, vai passando cartão, vai mandando Pix e aí os recursos vão caindo. Antigamente a gente fazia emissão de cheque, né? Hoje é praticamente, eu não me lembro, foi a última vez que eu emiti um cheque na minha vida, faz muito tempo, né? Mas antigamente a gente emitia um cheque, né? E aí a gente lançava o cheque, cruzava lá o cheque, colocava na conta, né? d, passava pra pessoa e aí esse cheque ia sendo descontado. Antes a gente anotava no canhotinho do cheque e aí muitas vezes as pessoas se descontrolavam e aí o o valor da conta ia diminuindo sem que a pessoa se se desse conta que que tava diminuindo. E aí o cheque especial ele foi criado exatamente com uma modalidade de empréstimo na qual a conta corrente entra no negativo. Então quando a conta corrente chegou no negativo, significa que você alcançou o cheque especial. você está usando recursos do cheque especial. Então, nada mais é o cheque especial de que o empréstimo que é concedido pelo banco em função da sua própria conta corrente e pode ser utilizada a qualquer momento. Pode ser utilizada a qualquer momento. O ideal é que a pessoa não faça isso, né? Mas numa emergência, numa situação que a pessoa eventualmente se descontrolou e tal, aí a gente tem que ter muita parcimônia no uso do cheque especial, porque daqui a pouco a gente vai conversar sobre isso. Os juros do cheque especial são absurdos. Quando o limite é usado, né, o banco cobra juros e alguns casos o IOF também. O IOF em qualquer modalidade de tomada de empréstimo, ele é cobrado. Então se você pegou, por exemplo, vai financiar um carro, você vai ter lá o juro básico e você vai ter o IOF. Se você pegou um crédito direto ao consumidor para comprar qualquer tipo de bem, vai incidir o IOF. E se você entrou no cheque especial, vai também incidir o IOF. OF é imposto sobre operações financeiras, tem um percentual fixo e aí vai depender logicamente proporcional ao valor que tá sendo emprestado. E cada instituição financeira é livre para decidir quais os critérios paraa concessão. Livre concorrência. Cada instituição financeira cobra a taxa de juros que lhe convier, que é que ela considerar mais favorável. E o limite do cheque especial também, né? A pessoa tem um limite, então, por exemplo, a pessoa ganha R$ 3.000 por mês, ela não vai ter um limite de cheque especial de R$ 15.000, porque senão logicamente o risco fica todo pra instituição financeira. Então a instituição financeira ela vai calcular qual é a proporcionalidade que ela tem direito a recorrer, qual é o limite máximo que ela pode entrar no cheque especial. Passou desse limite, aí a pessoa não consegue mais eh fazer nenhum tipo de operação, mandar um Pix, ele não vai conseguir o Pix não vai entrar, ele tentar passar o cartão no débito não vai funcionar ou passar um cheque, o cheque também vai voltar. Então, eh, vai depender daquele limite físico. E quais são os riscos de utilizar o cheque especial? O risco do cheque especial é o descontrole financeiro, porque a taxa de juros do cheque especial, na maior parte das instituições, está em torno de 8% ao mês. 8% ao mês é uma taxa de juros muito elevada, né? Nós estamos falando aí de juros sobre juros, né? E eh houve uma recente mudança recente, eu tô falando alguns anos para cá, 2017, 2018, que o você deixou de capitalizar o juros sobre juros do cheque especial, mas o valor da taxa tá ali colocado e a pessoa acaba entrando naquele valor e aí ela se descontrola. Então a gente tem algumas alternativas ao cheque especial. O ideal é que a pessoa não entre no cheque especial em hipótese nenhuma. Mas se lá pelas tantas a instituição financeira a qual ela tá vinculado emitiu um alerta, falou: "Ó, você entrou no cheque especial, corra para a instituição financeira, vai lá no aplicativo da instituição financeira e tenta trocar o o o a dívida do cheque especial por outras cujas taxas de juro são mais baixas, tipo o crédito direto ao consumidor. você tem lá um valor fixo, a taxa de juros é muito menor, chega a ser em algumas instituições financeiras metade do valor da taxa de juros do cheque especial. E a melhor dessas modalidades é o consignado, que é o desconto direto em folha de pagamento no setor privado. E hoje em dia tem um um programa que foi lançado recentemente pelo governo, que dá a garantia do próprio fundo de garantia para para esse acesso ao consignado. E aí as taxas de juro são mais baixas ainda. Então vale a pena que a pessoa saia do cheque especial e emigre para outras modalidades de empréstimos cujas taxas de juros são mais baixas. confundir o cheque especial com um recurso que já é do consumidor. Isso é perigoso, né? Nunca faça isso. Não, não conte com cheque especial. O cheque especial significa que você se descontrolou financeiramente, eventualmente um mês ou outro uma situação de emergência, alguma coisa aconteceu e logicamente isso vai acontecer num prazo bem curtinho, sei lá, falta 5 dias, se dias para eu receber o próximo pagamento. Eu preciso fazer eh sei lá, a pessoa ficou doente, teve um medicamento caro que ela precisou lançar a mão e aí não vale a pena ela eh incorrer em outra modalidade. Aí ela lança a mão do cheque especial somente nessas situações muito, muito, muito específicas. O ideal é que a pessoa tenha um controle financeiro estrito e que ela acompanhe diariamente qual é a sua movimentação do seu extrato bancário, porque para que o extrato bancário não se não não se torne um estrago na vida da pessoa. Para que você a gente já tá aqui falando que é não é para usar o cheque especial, né? correr dessa modalidade de crédito, mas para quem que vai usar o cheque especial, como a gente falou, nessa nessa nessa necessidade assim, nessa urgência, emergência, quais os cuidados que que essa pessoa precisa ter? Ela precisa sempre levar em consideração que ela tá estão sendo cobrados juros dela. Então, eh, os juros eles vão incidir sobre a operação, sobre o valor que que no qual ela ela ficou lá no negativo, no cheque especial e que ela tem que ter o cuidado de sair o mais rápido possível disso, porque a taxa de juros é muito alta. Então, entrou, precisou entrar, eh, veja qual é a situação que você tá. No momento em que você identificou que essa situação ela vai ser de mais longo prazo, mais longo prazo aqui eu tô falando, mas que um mês aí mais rapidamente possível migre do cheque especial para outra modalidade de empréstimo. Então cheque especial é só numa situação de absoluta emergência. Eh, tem mais alguma dica, Fabrício, pro pessoal que tá nos assistindo? Eh, para não entrar no cheque especial? Olha, a dica para assim, eh, o ideal é sempre que as pessoas tenham um planejamento financeiro, suas finanças pessoais. A gente sempre costuma falar que as finanças pessoais elas estão juntas com as finanças comportamentais. Então, aquilo que você tem de relação com o dinheiro tem a ver com o seu comportamento frente a a armadilhas que estão colocados o sistema econômico para você eventualmente comprar por impulso. Então, o caminho mais rápido para você entrar no cheque especial e ter uma perda da sua capacidade financeira é você fazer compras por impulso. você comprar por impulso, você vai inevitavelmente em algum momento cair no cheque especial ou em outras ter que recorrer a outras modalidades de empréstimos. Então, todas as famílias deveriam uma hora se sentar na frente do computador ou pegar aplicativo de celular. Hoje em dia dos aplicativos tem muitos aplicativos que ajudam no controle das finanças pessoais, aplicativos gratuitos que você pode lançar a mão e aí você vai ter lá as entradas e saídas. Eu dou aula de finanças pessoais e às vezes eu dou aula no laboratório. É bem interessante. Eu disponibilizo para as pessoas uma planilha que é uma planilha de entradas e saídas, né? O quanto que a pessoa tem de rendimento, né? A o salário do mês, mas eventualmente um imóvel que ela tenha lá alugado, alguma coisa assim. E aí aquilo que ela tem de gastos do mês, né? Então, a gente tem aqueles gastos que são os gastos fixos que a gente chama, que são os gastos com eh moradia, energia elétrica, eh internet, gasolina, alimentação. É, aí você tem o gasto com transporte, que é a gasolina, o IPT, o IPVA, o a manutenção do cálcio, as coisas todas das quais você não consegue fazer, os gastos com alimentação. E aí você vai migrando pros gastos que a gente chama de mais superérflos, você vai, você tem daqueles mais necessários pros gastos mais superérfluos. E aí, geralmente quando eu tô no laboratório, eu peço paraos meus alunos fazer assim, ó, você vai lançar, eu não quero ver, tá? Eu quero que você faça aí o seu controle, depois você salva essa planilha e que você tenha essa planilha com você, Rafael. As pessoas começam a lançar os as as as contas na hora que ela vê, porque vai saindo em tempo real, né? A família vai mostrando qual é o saldo que vai dando. Aí você vê a cara da pessoa, ela vai fazendo assim: "Nossa, eu não tinha noção que era isso, né?" E aí ela não sabe porque que toda mês, todo mês ela tá entrando no cheque especial. Ela tá entrando no cheque especial porque ela não faz esse tipo de controle e aí ela precisa eventualmente fazer o controle, principalmente dos gastos superérflos. Se a pessoa tá numa situação na qual ela teve uma perda significativa de renda, eventualmente ela não vai conseguir morar no lugar que ela mora, pagando um aluguel mais alto. Ela vai ter que fazer uma conta de equilíbrio entre se deslocar para uma área um pouco mais distante, pagar um pouco mais de transporte para poder conciliar, equilibrar as contas, equilibrar as suas contas com aquela situação na qual ela tá vivendo. Então o cheque especial, na verdade, é como se fossem aquelas bolinhas da da catapora. A pessoa tá com catapora, tá vendo aquelas bolinhas. E o que que são aquelas bolinhas? daquelas bolinhas são um sintoma. Então, o cheque especial é um sintoma. Eh, por trás do sintoma você tem a doença. Qual que é a doença? A doença se chama descontrole financeiro. Então, o descontrole financeiro leva a pessoa a entrar no cheque especial e outras modalidades. Lembrando que nunca é mais, nunca é demais enfatizar que o descontrole financeiro pessoal leva problemas familiares. Então, muitas das brigas que as famílias acabam tendo é por conta da da de questões financeiras. Muitos divórcios acontecem por conta de questões financeiras e aí você tem problemas como ansiedade, depressão, insônia, todos os problemas eh mentais, né, síndromes mentais que a gente chama, que estão relacionados ao descontrole financeiro. Então, o ideal para que a pessoa não tenha esse tipo de problema é fazer o controle das finanças pessoais. Se a família tá com problema, vamos sentar todo mundo a uma mesa, vamos abrir o jogo, falar: "Ó, nossa situação é essa, a gente precisa controlar os gastos por isso, isso e isso vamos ter então um controle mais estrito sobre energia, vamos ter um controle mais específico sobre os gastos de final de semana, sair de final de semana, o lazer, essas coisas todas, até que a família acerte a sua situação financeira e volte a ter uma situação favorável. E aí é aquela história, como a gente vive num país cuja renda é média e nessa renda média você tem famílias que ganham muito, poucas famílias que ganham muito e muitas famílias que ganham pouco. Eu tô falando 90% das famílias brasileiras, segundo o último dado do IBGE, 90% das famílias brasileiras ganham até R$ 3.500 por mês. Então R$ 3.500, se você tá numa cidade mais afastada, OK, é um dinheiro que você consegue manter. Mas se você tá num grande centro urbano, R$ 3.500 R$ 500 mais malha dá para você sobreviver. Então, muitas vezes, eh, a gente tem essa questão estrutural. E aí aquela questão também, quando a gente tá dando aula de finanças pessoais e comportamentais, eventualmente a gente precisa falar para as pessoas que o eventual descontrole que ela tem não é necessariamente culpa dela, porque a gente tem essa mania de projetar culpa na pessoa. A culpa é individualmente sua. Não, não é bem assim. A gente tem um sistema econômico que faz com que pessoas acabem ganhando menos e ao ganhar menos, elas são inevitavelmente compelidas a ter algum tipo de endividamento e que vão gerar esse descontrole, vão gerar todos os problemas, tá? Então, eh eh a gente precisa refletir a respeito disso também, né? de como que a gente vai ter o desenvolvimento como país. Mas uma vez que você tem a consciência de que você tá num país nessas condições, o planejamento das finanças pessoais e comportamentais é imprescindível para minimizar os transtornos que eventualmente a família vai enfrentar por conta dos problemas que advém dessa situação econômica e financeira de uma maneira geral. Professor, muito obrigado, né, por essa aula aqui hoje. Eh, é isso. Muito obrigado. Suas condenações finais aí pra gente acabar. Muito obrigado, Rafael. Muito obrigado a equipe da TV Câmara Campinas. Obrigado aos espectadores e sempre que você quiser me chamar aqui pra gente conversar, estou à disposição. Obrigado, viu, professor? Olha, pessoal, não se esqueça de acompanhar toda a nossa programação no YouTube TV Câmara Campinas e de seguir a gente nas redes sociais no Instagram e no Facebook TV Câmara Campinas. Um abraço e até o próximo na ponta do lápis. [Música] [Música]