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[música] Olá, começa agora o Em Pauta, o programa com foco nos trabalhos dos vereadores aqui da Câmara Municipal de Campinas. E hoje a nossa convidada é a vereadora Fernanda Solto. Ela que é médica e está em seu primeiro mandato. Hoje então vamos conversar um pouquinho dos trabalhos realizados e também, né, as eh os próximos passos, né, expectativa aí pros próximos anos também. Vereadora, muito obrigada pela participação aqui no Em Pauta. Seja bem-vinda. Muito obrigada. Eu agradeço da equipe da TV Câmara e todo mundo que tá nos atendendo, nos assistindo nesse momento, né? Exatamente. E pra gente conhecer um pouquinho melhor também o trabalho, né, e falar primeiramente sobre esse amadurecimento, né, do seu início até os dias atuais, como que você enxerga, né, esse trabalho realizado aqui na Casa de Leis? Ah, foi um ano, quase dois anos, né, de muito aprendizado, muita luta, muito enfrentamento, muita mobilização também que nós conduzimos aqui na cidade de Campinas. Primeiro foi um desafio entender como funcionam os trâmites aqui dentro da própria Câmara Municipal de Campinas. O vereador tem um papel muito importante que é o papel eh de legislador, então entender como funciona, né, cada diferença de cada projeto, cada proposta, o que é um projeto de lei, uma indicação, um requerimento, saber o momento certo de apresentar cada um deles para que a eficácia, a eficiência dessa, eh, proposição legislativa também eh tenha o seu grau máximo, né, de aproveitamento. É, mas sobretudo eu vejo que foi foram dois anos assim de muita aproximação, em especial com os movimentos sociais aqui da nossa cidade, com a população, com os movimentos de luta em defesa da saúde do SUS, da educação pública. Eh, nós tivemos também aqui um papel fundamental na Câmara de fiscalização das políticas do executivo, né, de fiscalização do uso do dinheiro público. Eu fiz algumas denúncias importantes aqui no ano passado, uma denúncia eh de indícios de corrupção na compra da merenda do município. Esse essa foi uma denúncia que eu encaminhei pro Ministério Público Federal e a Polícia Federal abriu o inquérito que está em andamento. Também fiz recentemente uma denúncia sobre alguns contratos e convênios suspeitos na Secretaria de Educação, compra de livro sem licitação, que também o Ministério Público abriu um procedimento de investigação. E além do papel legislador, esse papel de fiscalização do vereador, ele é fundamental. Afinal de contas, eh os recursos públicos eles não são infinitos e nós devemos prezar para que eles sejam aplicados da melhor maneira possível paraa população de Campinas, para quem é o usuário dessas políticas públicas, né, seja na saúde, na educação, no transporte. Então eu vejo que foram dois anos de muito aprendizado, muita luta e muita aproximação com as demandas que a população traz para nós. E é isso que norteia especialmente eh o o nosso mandato, né? É o enfrentamento às desigualdades sociais aqui no município. E essa aproximação ela é fundamental para que a gente entenda e compreenda as demandas de quem mora numa cidade complexa, grande como Campinas, né? E esse seu contato, né? O contato direto também, né? você que está sempre às ruas também ouvindo a população diretamente, sempre aberta também a esse contato eh dentro e fora da casa de leis. Isso também traz, né, esse essa fluidez também no diálogo com a população que tem essa liberdade de falar diretamente com você. Você traz isso para eles também, né? Sem dúvida. O nosso mandato, ele tá o tempo todo na rua. Nós temos uma prática que é a prática da prestação de contas eh constante. A gente sempre tá com as nossas banquinhas, com os boletins do nosso mandato, mostrando, entregando pra população o que que foi feito, né, eh, durante o os trimestres, o que que a gente apresentou de propostas legislativas, o que que a gente fez de fiscalização, o que que a gente conquistou também, né? Então, o nosso mandato é um mandato que tá muito próximo das pessoas. seja nas nossas atividades de rua que são frequentes e constantes, mas seja também recebendo as pessoas através dos meios de comunicação que a gente disponibiliza, né, as redes sociais, o WhatsApp. Então, eh, eu tenho orgulho de dizer que a gente conseguiu desenvolver um projeto, um fluxo de trabalho em que a gente não deixa ninguém sem resposta. Então, para nós, isso é muito importante, é acolher essas demandas, as sugestões, as críticas e eh absorver isso no nosso modo de trabalhar para que a gente possa cada vez mais atender essa expectativa, né, de quem nos colocou aqui, não só através do voto, mas da sociedade como um todo, né, quem o que que a população de Campinas espera do nosso mandato tem de expectativa e o que que a gente pode de melhor maneira possível atender essas expectativas, tá certo? Certo? Então vamos iniciar aqui, né, o nosso passeio, então, pelos projetos, por alguns trabalhos da vereadora. Bom, a gente vai começar então, vereadora, falando sobre eh o projeto, né, que foi protocolado, um projeto de lei complementar eh pela proibição, né, da veiculação de publicidade de jogos de azar em espaços e equipamentos públicos do município, né, a gente sabe que os números, né, são alarmantes, né, 47% aí da das pessoas, né, que se declararam eh estar, né, nesse mundo, né, nos jogos, acabaram se endividando. né, eh, relatos, dados também da das pesquisas, identificou ali, esses dados, né, foram identificados que as pessoas deixaram de ter o básico por conta disso. Então, foi nesses dados, foi nessa iniciativa que teve então esse projeto, esse pensamento de criar esse projeto de lei, vereadora, exatamente. Eu sou médica, trabalho na saúde pública, inclusive a gente sabe que hoje o problema do vício nas apostas, especialmente com essa facilitação, né, da pessoa ter no celular, uma casa de apostas própria, né, para para poder apostar, eh trouxe impactos muito negativos paraa saúde mental das pessoas. Eh, essa questão dos do tigrinho, dos jogos, das apostas esportivas e outras jogos de azar online, eles trouxeram um prejuízo financeiro incalculável para as famílias brasileiras. Tem muita gente que faliu por conta de disso, gente que tirou a própria vida em decorrência dos prejuízos que eh essa esse vício nas após causou paraa sua família, né? E a gente não tá falando de nada da nossa cabeça, são dados que são apresentados pelos órgãos eh de saúde pública que e que impactam diretamente na qualidade de vida das pessoas. Tem muita gente adoecendo por conta dessas casas de aposta. E a gente já vinha fazendo um trabalho de enfrentamento a esse, na minha opinião, que é um método de estelionato da da população brasileira, né? Eh, nós enfrentamos quando o governo Michel Temer liberou essas casas já po, nós fizemos um enfrentamento muito acirrado com o governo contra isso e agora recentemente a gente tem feito um trabalho de tentar limitar e até reverter o funcionamento dessas casas de aposta. Uma das maneiras de limitar seria a própria taxação dessas casas, né, que foi isso foi regulamentado pelo governo Lula. E eh apesar da gente ter tido esse avanço importante, a gente viu que o impacto pro funcionamento das casas que fazem uma gestão de bilhões e bilhões eh de reais não teve um impacto tão intenso a taxação, né? Outro ponto que a gente teve eh como linha de frente de atuação foi justamente a restrição da publicidade. Acho que todo mundo que assistiu a Copa do Mundo foi bombardeado, por exemplo, Copa do Mundo de Futebol masculino foi bombardeado o tempo todo pelas propagandas das casas de aposta, inclusive induzindo apostas. muita gente perdeu dinheiro naquele momento ali da da Copa do Mundo por conta dessa propaganda abusiva. E nós fizemos uma essa proposta nesse sentido de restringir a publicidade em em eventos públicos, que é onde o nosso mandato tem jurisdição para atuar, né, no município de Campinas, tanto em eventos públicos esportivos, mas também em espaços públicos. A gente teve casas de apostas fazendo sua publicidade em pontos de ônibus, por exemplo, naqueles tótems espalhados ao longo da cidade, né? Então, a a o nossa nossa proposta de restringir essa propaganda veio nesse sentido de restringir essa utilização privada do espaço que é público para uma política que tá trazendo eh impactos negativos pra vida da população. E mais recentemente a gente teve uma grande vitória que foi a medida provisória assinada pelo presidente Lula, proibindo definitivamente o funcionamento dessas casas de aposte. A nossa expectativa é que a gente consiga agora a partir dessa pressão nas câmaras municipais, mas também nas assembleias legislativas, no Congresso Nacional, que a gente consiga tornar essa proibição definitiva, né? Que o Congresso valide essa essa essa proibição e que a gente não volte a ter esse mal funcionando no nosso país. Tá certo, vereadora? Mudando agora um pouquinho o tema, a gente vai pra questão do transporte público agora, né? Tem um projeto então de lei complementar também que foi protocolado pela vereadora aqui na casa, né, que extingue aí o prazo de validade dos créditos, né, inspirados eh de valores pagos também e o excesso limitando ali o valor, né, de troca ou reposição do cartão. Isso também foi de uma demanda da população, foi algum pedido, né, enquanto o cartão ali do Vale Transporte? Como que é isso, vereadora? Exatamente. Nós fomos procurados por vários munícipes, eh, que perderam seus créditos no bil no bilhete único, não só nesse ano, não só no ano passado, mas em anos anteriores também, por conta dessa, desse prazo de validade existente para que a pessoa que comprou ou recebeu esse crédito a partir, né, da da empresa em que trabalha, ela tivesse esse prazo para utilizar por diversas razões. As pessoas às vezes não conseguem utilizar nesse prazo e acabam perdendo. Então esse projeto de lei eh veio no sentido de entender que a pessoa que tá comprando esse crédito para utilizar no transporte público ou que recebeu como um benefício da empresa da empresa, ela tem que ter o direito de utilizar isso a qualquer momento. Não existe justificativa plausível para que exista esse prazo de validade e pior ainda, que esse recurso seja retido para e compor a receita da INDEC. Nós fizemos um levantamento eh nos últimos dois anos foram quase R milhões de reais que foram revertidos como receita da INDEC a partir desse aprisionamento do crédito das pessoas que não puderam utilizar em algum momento, né? E a gente propôs eh construiu inclusive esse projeto de lei a partir das demandas específicas, inclusive de alguns grupos específicos, né, que trouxeram pra gente, muitas pessoas com deficiência trouxeram pra gente essa demanda também. Então a gente construiu esse projeto no sentido de tanto fazer valer o direito desse consumidor que tá adquirindo esse esse crédito e e não pode ter uma obrigatoriedade usar em um determinado prazo, quanto também para restituir aquilo que foi, na nossa opinião, indevidamente retirado das pessoas. Então, inclusive, o projeto de lei que eu apresentei, ele prevê a restituição dos créditos aprisionados dos últimos 5 anos, porque eu entendo que essa retenção ela foi feita de forma completamente indevida, precisa ser restituída para quem é de direito. E nós estamos batalhando, né, para que eles esse projeto possa avançar aqui na casa, inclusive porque ele vem justamente num momento em que a gente tá tendo uma crise na discussão do transporte público da cidade. a gente viu eh as sucessivas crises envolvendo essa nova licitação das empresas de ônibus. Nós temos hoje um dos transportes públicos mais caros e mais precários do Brasil, com uma frota de ônibus antiga, que não tem climatização adequada. Todos os dias a gente vê as notícias de ônibus que estão quebrando, os veículos que estão quebrando, pegando fogo, colocando em risco a vida dos passageiros. Então, eh, diante dessas sucessivas, esses sucessivos problemas que a gente tem enfrentado no transporte público, a gente tem pensado na maneira como o nosso mandato pode atuar no sentido de intervir para melhorar, né, a oferta desse serviço público pra população. Eu entendo que o transporte, assim, não só eu entendo como tá inscrito na Constituição, o transporte público, ele é um direito constitucional e hoje esse direito ele não é garantido em Campinas em diversas maneiras, né? E uma das maneiras em que além da restrição da frota, do número de linhas inadequado, do risco pros passageiros, que a gente vê com essa precariedade, uma das questões que não é ofertada é de fato um transporte público. As pessoas têm que pagar por esse transporte hoje um valor abusivo, na nossa opinião. E e eu acho que nós precisamos eh reverter essa lógica do que é o transporte como um direito e não como uma mercadoria. Inclusive, essa é uma das nossas linhas de atuação junto ao governo federal. O presidente Lula já anunciou uma eh uma que vai enviar pro Congresso para proposta, né, do tarifa zero aos finais de semana pra gente consiga começar essa transição. A o tarifa zero já é já é uma bandeira antiga nossa, né? E a gente vem tentando pensar nas maneiras de viabilizar isso. A gente entende que seria muito importante a gente começar a fazer a transição desse modelo de eh empresas hoje que são empresas privadas para uma empresa pública, né? E essa proposta do tarifa zero, ela pode começar a dar andamento nesse nessa discussão que a gente tem feito, né? E se a gente conseguir encaminhar isso de fato, né, para que que isso seja aplicado, vai ser com recursos direcionados das emendas parlamentares. Isso é muito importante, né, com uma disputa nossa do orçamento público também para que a gente possa ofertar esse direito aos finais de semana e progressivamente tornar esse direito um direito universal para todo cidadão de Campinas, que na nossa opinião tem que ser um direito garantido pelo poder público. Se a prefeitura não avança nesse sentido, junto com o governo federal, nós vamos avançar para que as pessoas possam ter esse direito aqui na cidade. Isso é uma demanda e da população, né, do seu mandato e em caráter de urgência também, né, vereadora, porque a população ela necessita em algumas regiões que a frota ela é mais escassa, né, em algumas regiões eh na no DI, algumas alguns bairros que são mais afastados do centro, né, que precisam desse deslocamento. Inclusive ali a questão do BRT também, que tem bastante enfrentamento de problemas ali por conta de ônibus quebrado, inclusive algumas indicações eh foi em relação a uma linha, né, a 117 quebrou, que veio essa demanda da população. Então vocês eh atuam ali um olhar atento em caráter de urgência mesmo, né? Exato. E também lembrando que Campinas é uma cidade que tá crescendo, tá se ampliando. Nós temos pouquíssimas alternativas de transporte público que não o transporte através eh da mobilidade urbana através dos ônibus. Então, eh torna mais central ainda a gente pensar nesse modelo de oferta de serviço que realmente consiga atender essas demandas, né? Uhum. E a gente tá vendo, eh, nós temos uma cidade que é uma cidade muito espalhada, a gente tem vazios urbanos gigantescos aqui em Campinas, né? o que torna a questão do deslocamento cada vez mais desafiador na medida que a gente vai tendo essa expansão em muitos momentos desenfreada da cidade, sem que o poder público eh atue da maneira como deveria, como regulamentador, garantindo a infraestrutura necessária para essa expansão ser feita, eh, de maneira a garantir dignidade pros moradores, a gente vai tendo o agravamento dessa crise no transporte público, que são as longas demoras, né, pro pra pessoa poder eh acessar, né, o transporte, espera muito tempo de demora, ônibus superlotados, nas nos períodos de calor, ondas de calor, a gente não tem climatização adequada e tudo isso vai impactando a qualidade de vida das pessoas, especialmente quem passa muito tempo dentro do transporte público. E o mais importante dizer que não precisaria ser assim. Nós estamos na 10ma cidade mais rica do Brasil. nós teríamos condições eh de ofertar um serviço muito mais moderno, com muito mais conforto para as pessoas, desde que isso fosse uma prioridade hoje da prefeitura, né, e não o enriquecimento dos grandes empresários que continuam controlando o transporte público da cidade. E como a gente viu, mais uma vez uma crise na licitação, né, na no processo de licitação pra troca desse transporte, justamente por conta dessas relações promíscuas entre as empresas e o poder público, tá certo? Vamos falar agora um pouquinho sobre o abrigo amigo, né, que é ali também está relacionado, né, por conta dos pontos, né, de ônibus também. esse projeto, né, um projeto de segurança e acolhimento ali em pontos, né, de ônibus que conecta passageiros, principalmente as mulheres desacompanhadas, a uma central de atendimento, né, por vídeochamada, uma maneira que as mulheres elas têm de se comunicar, né, e dizer se estão ali passando por alguma situação constrangedora. é como se fosse uma companhia ali, né, um painel companheiro dessa mulher no momento ali no período noturno também, principalmente. E vereadora, falando então sobre esse painel, eh houve, né, também indicações, demandas da população de fazer uma instalação em alguns pontos que foram retirados. Como que foi isso? É essa todo mundo, todas as mulheres que já precisaram pegar um transporte público ou acessar uma via no período noturno, sabe do que eu tô falando. A gente se fica com medo mesmo, né? Os índices de feminicídio, violência contra as mulheres estão altíssimos, né? E, infelizmente, eh, existe uma parcela da população que olha pras mulheres e acha que o fato da mulher estar ali naquele horário, eh, ela está à disposição para sofrer alguma violência, né? E a gente tenta mudar essa cultura, né, que é uma cultura que foi sendo construída na nossa sociedade, de que o corpo da mulher ele tá a disposição para que as pessoas façam que bem entender, né, que a depender do horário da roupa isso sirva de justificativa. Então, todas nós mulheres que já andamos numa via pública à noite, esperamos um transporte público à noite, todas nós temos medo, né? E eu acho que essa iniciativa do abrigo amigo é no sentido de dar um pouco mais de segurança para as mulheres que estão ali muitas vezes sozinhas naquele ponto de ônibus e se sentem inseguras e podem se comunicar com a eh alguma representação do poder público nesse sentido para trazer essa segurança, né? E foi uma iniciativa eh que recebeu uma boa avaliação, especialmente alguns algumas regiões que nós recebemos esse retorno. E, porém, no momento em que eh por algum motivo é retirado ou tá em manutenção que as pessoas sentem falta, o mandato também é procurado para entender o motivo e a gente vai atrás para saber se foi só um problema eh específico, pontual, né, se teve alguma alguma alteração da política mais estrutural. Então, sempre que nós somos procurados, a gente busca entender o que foi essa situação naqu foi só naquele bairro, foi só naquela região que aconteceu isso, né? Buscar o as secretarias responsáveis pelas respostas. Mas eu também acho que é importante a gente entender que eh a segurança das mulheres, ela depende de uma política pública intersetorial, né? Nós precisamos ter várias ações, desde a prevenção até o acolhimento, eh, e outras outras outras políticas que sejam eh mais no, no sentido da totalidade dessa proteção, né, para realmente resolver esse problema. Então, a gente entende que essas iniciativas são importantes, mas a gente também precisa pressionar para que outras eh outras áreas das políticas voltadas para da assistência, da saúde, educação, segurança pública, estejam também estruturadas para receber essas demandas das mulheres e atender essas demandas. Eu vou dar um exemplo, né? Eu acho que hoje em Campinas nós precisamos ter uma ampliação do efetivo da Guarda Municipal para receber eh que que acompanha as mulheres, né, que estão ou fizeram uma medida protetiva ou que estão em algum risco ou que fizeram alguma denúncia. Nós precisamos ter uma estruturação maior de casas de acolhimento. Hoje nós temos pouquíssimas vagas no município, né? Nós temos o Saraem, que é uma abrigo importante de localização secreta para as mulheres que estão em altíssimo risco de vida. Eh, mas a gente precisa ter outros outros espaços que possam fazer esse acolhimento das mulheres com seus filhos, inclusive, né? A gente tá vendo o aumento dos casos de violência em que os homens para atingir as mulheres matam os próprios filhos. Então, nós precisamos garantir que essas mulheres possam sair em segurança, ter condições de sair dessa situação de violência. E uma das nossas lutas aqui para Campinas, inclusive nesse sentido, é trazer a Casa da Mulher Brasileira, que é um programa assinado pelo governo Lula, para que a gente possa justamente ter um um equipamento público que ofereça desde a assistência jurídica, psicológica, da assistência social, toda essa esse cuidado integral, mas também o acolhimento, que a mulher possa ter um lugar seguro para ficar, seja o tempo necessário que for, com seus filhos, se tiver, para que ela possa sair dessa situação de violência, né? Então, o abrigo amigo, eu entendo que é uma iniciativa interessante, importante, mas também nós precisamos caminhar eh a passos largos em outras áreas, porque é um problema emergencial, violência contra as mulheres, o feminicídio. E eu vejo que Campinas tá muito longe de conseguir dar conta hoje dessa demanda que é uma demanda central, né? né? Questão da defesa da vida das mulheres foi um dos temas centrais nas eleições desse ano, eh, presidenciais, pro Congresso, né, pro pras assembleias legislativas, porque de fato é um problema palpável na vida de qualquer mulher. Então, a gente tem eh brigado muito aqui no município para que Campinas possa mudar essa história e deixar de ser uma das cidades com recordes de feminicídio para se tornar uma cidade exemplo no combate à violência contra as mulheres. Exatamente. Tá certo. Agora a gente vai mudar um pouquinho novamente o foco, né? Vamos para um outro tema na área de saúde agora, né? Vereadora como médica também tem vários trabalhos assim nessa luta, né? E um deles é uma moção que apela ao governador do estado de São Paulo, né, Tarcísio de Freitas, para suspender a transferência da sede do Instituto Adolfo Lutes, né, em São Paulo, que é um laboratório de análises, né, considerado ali referência, né, pelo Ministério da Saúde e um dos quatros, né, laboratórios ali mais importantes. E isso vai impactar, obviamente, também negativamente, né? queria que você falasse um pouquinho sobre essa essa moção, como que está o processo, né, e como que foi essa sua justificativa. Então, até o governador. Nós recebemos em completo choque Uhum. a notícia de que o governo do estado de São Paulo iria despejar o Instituto Adolf Flutes, que é um instituto público de pesquisa e [roncando] um laboratório público também que é responsável por toda eh por assim por uma parte central do processo de vigilância em saúde do Brasil, não só do estado de São Paulo. Existem exames para monitoramento de doenças, diagnóstico de doenças infecto contagiosas, por exemplo, que são feitos só no Instituto Adolflutes. Então, e além de ser um instituto, é fundamental no processo do eh do cuidado da saúde pública, né? Identificar casos suspeitos, por exemplo, de sarampo, Monky Pox, eh Ebola, seja qual for, né, a a o agravo que possa representar um risco à saúde pública do Brasil. O Instituto Adolf Lluts, ele sempre foi uma peça central nessa vigilância, né? Durante a pandemia, a gente viu a importância desse processo da vigilância em saúde, da vigilância epidemiológica. E o Instituto Adolf Fluts, ele é uma parte importantíssima nesse nesse processo de trabalho para essa função, paraa saúde pública. E nós recebemos com absoluto choque essa intenção do governo do estado de São Paulo, sem justificativa nenhuma, de despejar a sede do instituto, que inclusive é uma sede histórica, é um patrimônio histórico. e a justificativa, eh, na nossa que que foi apresentada publicamente, mas que não tem nenhuma validade, eh, que seria para construir um hospital. E assim, nós, eu sou a primeira a falar que o estado de São Paulo precisa mesmo de ter um novo hospital. Nós temos um gargalo de leitos hospitalares no estado todo. Campinas é das regiões, das grandes regiões das metrópoles, a região que tem maior gargalo em leites hospitalares. Nós temos uma média de leites para cada 1000 habitantes, que é duas vezes inferior à média do estado de São Paulo. Então eu seria a primeira a defender a construção de um hospital. Porém, não existe justificativa para que esse hospital precise ser necessariamente no terreno do Instituto Adolf Fluts. Uhum. Eh, para nós, essa essa foi mais uma tentativa do governo do estado de São Paulo de precarizar os institutos públicos de pesquisa, por isso não é uma novidade, isso já vem sendo feito. No ano passado, o governador Tarcis de Freitas, ele eh assinou um decreto para extinguir mais de 60.000 1 cargos públicos no estado, que não são cargos obsoletos, na verdade são cargos que estavam vagos, porque não é feito concurso público e não é feita a recomposição desses servidores. São cargos na saúde, em hospitais, eh são cargos na educação, são cargos nos institutos públicos de pesquisa. Eh, e inclusive esse essa assinatura desse decreto impactou até o IAC aqui de Campinas, né? Uhum. E a gente teve também um projeto de autoria do governador Tarcío de Freitas, que foi aprovado pela ALP, que mudou completamente a carreira dos pesquisadores científicos. existe uma carreira específica do pesquisador científico do estado de São Paulo com todas as suas particularidades, né, que sofreu diversos ataques com esse projeto que foi aprovado na ALP, inclusive com o fim da dedicação exclusiva, o que para quem faz pesquisa e que tá nos ouvindo sabe, eh, o pesquisador não tem como você falar: "Eu vou fazer o meu trabalho de campo de tal horário até tal horário." A máquina com experimento, ela não funciona de tal horário até tal horário. você tem toda uma particularidade nessa função. E o governador Tes de Freitas com essa com esse projeto ele precarizou muito essa categoria para privilegiar os grandes conglomerados eh privados, né, da indústria farmacêutica. Enfim, então dentro dessa perspectiva de que já existe uma perseguição às universidades públicas, aos pesquisadores, a ciência no estado de São Paulo, a gente sabe que essa proposta pro Instituto Adolfluts veio justamente nessa esteira, né? E o que que aconteceria? você transportar um instituto dessa complexidade que inclusive nem se tinha certeza para qual lugar iria, você colocaria em risco todo o funcionamento desse instituto. Existem amostras biológicas com eh condições muito específicas para serem mantidas, inclusive se forem armazenadas de forma inadequada, podem representar risco à saúde pública e iria impactar em todo o processo de vigilância saúde, vigilância epidemiológica do estado de São Paulo, inclusive aqui em Campinas. reflete, porque nós temos uma sede do Instituto Adolflutes aqui que é totalmente ligada ao processo de trabalho do Instituto Adolfutes em São Paulo e que já tá precarizado, né? Nós já temos denunciado há bastante tempo a falta de trabalhadores e número suficiente, o a redução progressiva do horário de funcionamento do instituto. Então nos assustou essa proposta que era de uma irresponsabilidade com a saúde pública do estado de São Paulo, dos paulistas. E nós nos eh unimos à luta da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo, do Sindicato dos Pesquisadores Ciência e Tecnologia, que inclusive tem uma sede aqui em Campinas, o CINP e diversos outras órgãos coletivos e organizações, associações que denunciaram essa tentativa de desmonte do Adolf Luts. E nós fizemos essa proposta na Câmara Municipal porque nós entendemos que é uma maneira da gente explicar pra população de Campinas o que tava acontecendo. A partir do momento que a gente traz essa essa discussão aqui paraa Câmara, é a maneira que a gente tem de dialogar com o cidadão de Campinas sobre o que tá acontecendo, que pode impactar sim, de forma eh grave na saúde do nosso município, né? Inclusive teve o debate, né? Você trouxe o debate com especialistas, com pesquisadores aqui para casa, justamente para ter esse olhar, esse cenário, né? Nós fizemos um debate público com pessoas que trabalham no Instituto Adolf Fluts, que conhecem e que trouxeram suas contribuições. E a gente de fato viu que era uma era uma proposta completamente arbitrária, violenta e nós com essa mobilização nós conseguimos suspender esse processo até um certo momento, né? Hum. Eh, mas reiterando, nós defendemos qualquer ampliação, proposta de ampliação de leitos hospitalares, de centros de saúde, de unidades de saúde, unidade de pronto atendimento no estado de São Paulo, né? De toda maneira. Eu acho que é fundamental, é urgente. Inclusive o governador TC de Freitas está muito atrasado nisso, porque em Campinas ele ele responde só por 4% do orçamento de saúde na cidade, que é uma vergonha, o estado mais rico da federação. Então eu acho que tá muito atrasado e precisa mesmo. Mas eu acho que é indecente justificar a o desmantelamento de um instituto público de pesquisa e um laboratório central para vigilância em saúde com a justificativa de criar um novo hospital. Nós temos diversas sugestões, inclusive pro governador TC de Freitas, de locais em que o hospital possa ser instalado sem comprometer o funcionamento de outras unidades de saúde. Perfeita, vereador. Agora pra gente encerrar, para finalizar, né, não podemos deixar de falar um pouquinho sobre a escala, né, 6 por1, como que tá esse processo, como que foi para você. Ah, essa talvez seja a pauta mais eh que a gente mais se emociona em falar, porque nós não tivemos nenhuma conquista trabalhista dessa dimensão. Uhum. Que é o fim da escala 6 por1 dos nos últimos 40 anos, né, desde que a gente teve a Constituição Brasileira. E é uma luta, a redução da jornada, ela é uma luta histórica dos trabalhadores brasileiros. eh, tomou muita força nas ruas, especialmente também pela pelo protagonismo do pessoal. A nossa deputada federal Érica Hilton fez a proposta do fim da escala 61, a redução da jornada no Congresso Nacional, atendendo inclusive essa discussão que foi feito com os movimentos sociais, com a juventude que se engajou na nas ruas. Eh, foi uma proposta abraçada pelo governo Lula, né? O presidente Lula se empenhou pessoalmente no Congresso Nacional, no Senado, para que a redução da jornada ela se tornasse uma realidade. Eh, nós aqui em Campinas, como maneira de contribuir com esse debate, nós criamos a Frente Parlamentar em apoio à PEC pelo fim da escala 6 por1, que é o presido. Nossa primeira atividade de abertura no ano passado contou com uma representatividade de diversos sindicatos dos movimentos sociais, inclusive sindicatos e categorias que já haviam conquistado o fim da escala 61 para contribuir pro com o debate sobre como foi feito, né, como foi essa conquista foi garantida para aquela categoria e também uma forma de fortalecer a luta para aqueles que ainda não tinham esse direito, né? E foi a maneira da gente trazer paraa Câmara Municipal essa discussão. Desde então a gente tem participado de diversas atividades. A Unicamp, eh, o CESIT, né, que é o Centro de Estudos Uhum. eh sobre trabalho da Unicamp, fez um seminário muito importante também para apresentar em outros países em que já se avançou essa pauta pela redução da jornada de trabalho, também impactos, estudos que mostram os impactos da redução aqui no Brasil. E a gente viu que o Brasil já tava preparado para receber essa proposta, né, que se beneficiaria, inclusive os próprios empresários se beneficiariam dela, porque você ter eh a ampliação do número de de postos de trabalho, mais pessoas empregadas, né, as pessoas teriam condições, inclusive de consumir mais esse recurso retornando pra economia, que é justamente no nos setores em que hoje ainda se tem escalações por um que especialmente no de comércio e serviços, né? Então nós vimos que o Brasil tinha condições de avançar nessa proposta economicamente e ao longo desse tempo a gente veio travando essa batalha, inclusive aqui na Câmara Municipal de Campinas, apresentando moções, eh debatendo, seja nos debates públicos ou levando esse trabalho da frente para outros espaços. E a gente foi construindo esse trabalho, essa defesa e agora nós tivemos essa conquista histórica que foi aprovação no Congresso Nacional a partir de muita luta, muita mobilização. Importante dizer, né, que isso, essa foi uma conquista que partiu do povo brasileiro, dos trabalhadores brasileiros. Mostra também que é possível ter conquista quando a gente tem luta, quando a gente se junta, quando a gente vai para cima. Então acho que além de tudo, além de ser uma coisa que vai melhorar a vida dos trabalhadores, especialmente dos jovens e das mulheres, porque as mulheres são as mais impactadas pela escala 61, porque trabalham também nas suas jornadas duplas, triplas em casa, inclusive, eh, a gente com essa força, a gente viu que a gente pode avançar em outras pautas também, né? E a gente fica muito contente de ter participado desse momento, de ter tido eh contribuições a fazer nessa discussão e principalmente nessa conquista histórica que a gente ainda vai celebrar muito no país. Muito bem, vereadora, muito obrigada pela sua participação, por ter aceito o nosso convite em participar do programa em Pauta. Gostaria que você falasse um pouquinho agora eh sobre os próximos passos. Então, o nosso programa chegou ao fim, mas a expectativa agora dos próximos trabalhos então aqui pela casa, nós vamos seguir fazendo uma fiscalização aqui sobre as unidades de saúde, que sem dúvida nenhuma, a questão da saúde [música] eh além da questão do transporte, é uma das demandas prioritárias que a população de Campinas [música] tem trazido pra gente. Então, muita denúncia de falta de médico, de enfermeiros, falta de medicamentos nas unidades, infraestrutura inadequada dos centros de saúde, das UPAs. Eh, no ano passado, né, para esse ano, eu, o nosso mandato [música] destinou emendas para reformas da UPA Anchieta, da UPA São José, da UPA, [música] desculpa, UPA Campo Grande, eh também pro hospital eh do Ouro Verde, né? Então, a gente vai acompanhar a aplicação desses recursos [música] e agora continuar o nosso trabalho de fiscalização, especialmente nas unidades básicas [música] de saúde, que a gente tem recebido muito pela população a falta de profissionais. Então, inclusive já fizemos, né, algumas cobranças ao prefeito Dario SAD para que realize os concursos públicos para fazer a recomposição do quadro de servidores e também para que [música] chame os servidores já estão aprovados. E nesse momento que a gente tá gravando o o programa, eh, uma das nossas lutas prioritárias, inclusive será contra a reforma da previdência dos servidores. Tá vindo um projeto da prefeitura para ser aprovado na Câmara que aumenta em mais de 7 anos a idade mínima para servidoras se aposentarem, 5 [música] anos paraos servidores se aposentarem, além de alterações nas regras de aposentadoria que vão impactar muito na no cálculo das aposentadorias e pensões dos servidores. E esse [música] é mais um passo no processo de desmonte dos serviços públicos da nossa cidade, quando a gente deveria estar investindo mais para que o serviço público possa atender melhor as demandas da população. Vem num contracenso uma proposta de reforma da previdência para que a o servidor de Campinas pague pelas contas das privatizações [música] que a prefeitura tem conduzido na cidade. a gente acha que é inadmissível e o nosso mandato vai est nessa luta prioritária agora contra a contrarreforma do Campreve. Muito obrigada mais uma vez, vereadora, por trazer todo o resumo então do seu trabalho e as expectativas, né, perspectivas [música] então para os próximos trabalhos aqui pela casa. Mais uma vez muito obrigada [música] e a você também obrigada pela audiência e pela companhia. Você pode acompanhar essa entrevista [música] na íntegra pelo portal tvcamaracampinas.com.br e também em nossas redes sociais e pelo [música] canal no YouTube. Eu te vejo na próxima edição. Até lá. [música] [música]