Educação sem palmada orienta debate sobre limites na TV Câmara Campinas
Psicopedagoga Clarice Sescido diferencia interrupção da birra de aprendizado e orienta responsáveis a reconhecer sinais de estresse.
A psicopedagoga Clarice Sescido defende o diálogo e a escuta ativa na educação de crianças em entrevista ao Ponto de Vista, da TV Câmara Campinas, publicada em 31 de outubro de 2026. No programa, a convidada identifica tapas, beliscões e chineladas como violência e explica por que interromper uma birra com uma agressão não significa ensinar limites.
Segundo a psicopedagoga, a aceitação da palmada está relacionada à transmissão de hábitos entre gerações. Responsáveis que cresceram sob castigos físicos podem reproduzir essa prática por terem aprendido a associá-la à educação. Ela reconhece a dificuldade de rever esses comportamentos e afirma que o acesso ao conhecimento permite buscar outras maneiras de lidar com os conflitos familiares.
Na entrevista de 39 minutos, Clarice diferencia a interrupção imediata de um comportamento do processo de aprendizagem. Em seu exemplo, uma criança pode parar de fazer birra depois de receber uma palmada sem compreender o que fez de errado ou qual conduta se espera dela.
“Tapa, beliscão, chinelada, é uma violência.”
A convidada também relaciona as reações dos adultos ao cansaço acumulado na rotina de trabalho e nas tarefas domésticas. Sua orientação é reconhecer o aumento do próprio estresse antes de agir. Quando perceber que está muito nervoso, o responsável deve deixar a criança em local seguro, sob supervisão de outro adulto, e fazer uma pausa para se acalmar antes de conversar.
Essa pausa, segundo a entrevistada, pode incluir um banho, uma leitura ou um momento de descanso. Ela menciona ainda o revezamento entre os responsáveis, com atenção à segurança da criança e à necessidade de reservar momentos de convivência em família.
Clarice afirma que a birra nem sempre representa desobediência ou enfrentamento. Crianças ainda estão desenvolvendo o controle dos sentimentos e podem expressar, por meio desse comportamento, uma necessidade de atenção e acolhimento.
Na área educacional, a psicopedagoga aponta que a associação recorrente entre erro e punição física pode contribuir para o medo de errar e de se expor. Segundo ela, esse receio pode aparecer diante de provas e trabalhos escolares. A orientação apresentada às famílias é conversar, ouvir a criança e ajudá-la a compreender os erros como parte do aprendizado.
Assista à íntegra
A matéria completa foi ao ar no PONTO DE VISTA da TV Câmara Campinas. Assista ao vídeo original: Ponto de Vista | A Cultura da Palmada: Os Limites entre Educação e Violência.
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