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Olá, começa mais uma edição do programa Em Pauta e a nossa convidada de hoje é a vereadora Guida Calisto, que está no seu segundo mandato. Vamos conversar um pouquinho sobre os projetos, todas as proposições aqui pela Câmara Municipal de Campinas. Seja muito bem-vinda, vereadora. Obrigada e obrigada mais uma vez a oportunidade da gente estarmos aqui conversando com todos que assistem o Emuta. Pro pessoal então conhecer um pouquinho o seu trabalho, né, um pouco das proposições. A gente vai começar falando sobre um projeto de lei do sistema municipal de enfrentamento ao feminicídio. Um tema muito relevante, né, vereadora, uma vez que eh é tratado assim de uma forma delicada dentro da Câmara Municipal de Campinas. por conta do cenário que vem aumentando também, infelizmente, essa situação, né? Sim. Esse projeto de lei, ele foi pensado, na verdade, de forma nacional, né? O presidente Lula apresentou Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, que é um pacto dos poderes, né? poder executivo, legislativo e judiciário, preciso estar conectados no enfrentamento ao feminicídio. E aí nós pensamos ele tanto a nível estadual como também a nível municipal. A nível estadual, o deputado Bárba do PT apresentou um sistema estadual de enfrentamento ao feminicídio e nós aqui em Campinas fizemos essa adequação para a situação municipal. Uhum. Eh, esse projeto de lei, ele fala sobre a transversalidade de todas as políticas. Feminicídio é uma pauta que precisa estar eh na ordem do dia de todas as as secretarias. É a Secretaria de Educação que precisa pensar nesse tema, saúde, assistência, habitação, enfim. Então, são todas as secretarias do nosso município conectada com essa agenda, com essa pauta e principalmente do ponto de vista de eh potencializar ou propiciar com que a o aquela pessoa, aquele homem que é ali eh já apontado como o agressor que responde por medida protetiva, que ele venha sim utilizar tornozeleira eletrônica. Porque se esse homem estiver utilizando esse essa tornozeleira e a mulher vítima tiver um dispositivo eletrônico em mãos e assim que esse agressor se aproximar, ela pode acionar as forças de segurança que possam vir protegê-la. Então isso é uma forma importante, é uma medida muito séria para poder garantir com que essa mulher não venha a ser vítima de feminicídio. Então é um projeto extremamente importante. A lei do feminicídio, a Lei Maria da Penha, quando ela foi eh e a do feminicídio também quando foi eh promulgada, né, quando foi aprovada a nível nacional, nós tínhamos em torno de 500 feminicídios por ano no Brasil. Agora nós estamos numa num patamar aí de mais de 1500. Então isso isso é uma coisa muito séria. Tem aumentado a cada dia mais que passa. Obviamente que a gente sabe que tá conectado sim com uma política maior, uma política eh misógena, né? uma um discurso de misogenia, de ódio às mulheres. Então, nós precisamos apresentar aí recursos eh judiciais, eh, políticas públicas para fazer esse enfrentamento de forma séria. E aqui na cidade de Campinas, né, as políticas públicas voltadas aí para assegurar o direito da mulher, eh, são inúmeras já existentes aqui, né, de programas, de ações, eh, nesse combate. E esse esse projeto ele vem também para somar, obviamente, nesse sentido de garantir o direito dessa mulher também que sofre a violência psicológica, porque também é acaba sendo uma um tipo de violência, né? Não só chegar no último grau, que seria o feminicídio, né, vereadora? Sim, mas assim, veja, eu tenho uma um uma opinião um pouco divergente no sentido de que ainda falta muita rede de proteção. Sim, né? a gente falha muito. Há pouco tempo eu tive que ir numa DDM, numa numa delegacia da mulher para fazer queixo assom violência política de gênero que eu estava estou sofrendo ainda. Eh, e tudo aquilo que as mulheres reclamam que muitas vezes os profissionais de uma DDM ainda não estão totalmente preparados para atendê-la, eu presenciei ali. Muitas vezes também faltam profissionais é na quantidade correta pra gente poder fazer um monitoramento, mapeamento, porque tem ainda muito subnotificação, tem muita mulher ainda que sofre violência e ela sofre quieta, né? ela sofre ali porque eh tem medo de de denunciar, tem medo de se expor, acha que a culpa é dela, acha que o fato dela ter sido agredida, a culpa é dela. Então, nesse sentido, eu acho que que falta ainda eh o poder público, principalmente aqui no município de Campinas, falta ainda apostar em políticas públicas uma rede de proteção, que o Estado, que isso seja seja a competência do Estado proteger a vida das nossas mulheres. Então isso continua sendo um debate bastante recorrente aqui então pela Câmara. Bom, outro projeto de lei, a gente vai falar agora sobre a transparência então, né, do Sistema Único de Saúde, eh, a transparência das filas, né, nas filas aí de atendimento, como que vai ser na prática esse projeto, vereadora? Bom, na verdade é o seguinte, nós recebemos inúmeras reclamações da população, principalmente quando precisa eh se socorrer ao SUS, em atendimento a exames e também em atendimento em cirurgias eletivas, né? Então, nós sabemos que existe uma fila gigantesca e a gente quer saber a transparência disso, como que tá o andamento dessas filas, né? A gente não tem informação nenhuma. Tem pessoas, eu eu encontrei pessoas que me disseram: "Vereadora, eu fiquei 7 anos esperando para fazer uma cirurgia de tireoide". Isso é um risco muito grande. Se a se a pessoa tá com uma doença grave, uma doença que tem uma progressão muito agressiva, né? Tem um desenvolvimento, uma evolução muito agressiva, perde-se uma janela aí uma possibilidade de tratamento e de frear essa doença. Então, o que que a gente precisa? Nós precisamos ter transparência, saber eh, de fato aonde essa pessoa, aonde o paciente, aonde o usuário se encontra nessa fila, quantas pessoas estão na frente dele, qual é a probabilidade, o tempo dele ser atendido nessa demanda. Isso para tudo, tá? é para consulta, é para exames, é para cirurgias eletivas, que é muito sério isso. E e esse projeto de lei vai ter um controle, inclusive, inclusive a gente defende que nós tenhamos um painel, um painel público, que as pessoas possam acessar via internet, saber de fato aonde ela está e os critérios. Obviamente que tem doenças, né, vamos supor, aparece um paciente ali com uma doença muito mais grave, que tá muito que tem uma evolução muito rápida. Obviamente que diante dos critérios, aquela pessoa precisa ser atendida, né? Porque ela ela corre um risco muito maior de uma pessoa que tá no início de uma doença e que não é tão agressiva assim. Mas isso precisa ter critério. A gente precisa saber de fato e quais são os critérios. Precisamos ter critérios claros, precisamos ter informações, transparência. A população precisa saber quando ela será atendida, porque quando ela não sabe, isso gera insegurança, isso gera ansiedade e também as injustiças, né? O furafila. Eu não sei quando você é atendido, não sei em que número eu estou na fila, né? Enfim, isso qualquer pessoa pode passar na minha frente. Então veja, esse projeto de lei é para garantir fiscalização, controle social e justiça social diante desse atendimento. Nesse sentido, nesse sentido o próprio paciente, ele teria esse acesso também. Então, para verificar a ideia é essa, ideia, a ideia é essa, é ter um painel público que esse paciente vai ter acesso a esse painel. Uhum. Se tiver uma pessoa que foi atendido antes dele, vai saber que foi por critério, né? Ali a pessoa tá com um risco muito grave, um risco iminente diante ali do agravamento da doença. Isso, isso, isso é justiça. Agora, qualquer um passar na frente e esse paciente nunca saber quando vai ser atendido, gente, isso é muito grave. Isso tem gerado muita ansiedade, tem pessoas adoecendo. Eh, eu eu vi de pessoas de familiares dizerem assim: "Olha, quando chegou a vez do meu pai, ele já havia falecido". Então isso é muito justo, né? É muito grave, delicado, porque de repente a pessoa ela é, obviamente ela está lá na fila e não dá tempo dela ser atendida e você nem sabe o porquê. Então esse projeto ele vem para dar essa resposta. É porque você veja, se a pessoa tem um laudo, um laudo ali, olha, a doença que se apresenta é uma doença agressiva, é uma doença que tem uma evolução rápida, obviamente ele vai ter que ser atendido. Então é, são critérios. Hoje a gente não sabe quais são quais são esses critérios, quem que vai ser atendido antes, quem pode ser atendido antes, enfim, não se sabe nada. Então, nesse sentido, a gente quer participar desse processo acompanhando. São muitas filas, né? Filas de cirurgia, como eu disse, são várias. E a gente precisa dar transparência e uma situação de tranquilidade que o paciente será atendido, tá certo? Muito bom. Agora a gente vai falar sobre, depois a gente volta um pouquinho sobre a questão de saúde novamente, mas vamos falar dos projetos, né, deste ano, que é o enquadramento das agentes e monitoras da educação infantil, né, a senhora como professora tende eh muito, né, a falar sobre essa questão também de algumas injustiças também, né, vereadora? Sim, claro. Eh, eu sou agente de educação infantil, na verdade, eu sou monitora. Meu cargo é monitora, que é o cargo mais antigo, né? Eh, já tô aí na na rede municipal pública há 28 anos e nós lutamos há muitos anos pelo enquadramento, né, pela discussão da carreira dessas profissionais. A monitora de educação infantil ou agente de educação infantil hoje, como é o cargo, eh ele ela faz parte de todo o processo político pedagógico dentro de uma sala de aula. A educação infantil é uma é uma etapa especializada da educação básica. Não tem como um profissional de educação infantil não cumprir todos aqueles critérios planejamento, avaliação, acompanhamento, participar e discutir do processos políticopedagógicos, né, de todos os processos políticos e pedagógicos que são construídos dentro da educação infantil, no chão da escola. Então veja, eh teve um reconhecimento, uma discussão nacional de muitos anos e agora veio o reconhecimento. Presidente Lula sancionou essa lei agora no início de janeiro, uma luta histórica, né, da de nós profissionais monitoras e a e a gente tá nessa batalha. Infelizmente a administração aqui em Campinas tem tido uma resistência, né, em em reconhecer essa lei enquanto um direito. É já é uma lei federal. O que a gente lamenta muito aqui nessa casa. Eu e a vereadora Mariana Conte apresentamos um projeto de lei no sentido de de ter como um modelo para que seja uma base ali da da nossa discussão, porque de fato um projeto como esse ele tem que ser de iniciativa do executivo, mas nós apresentamos nesse sentido, né, de fazer a luta pelo reconhecimento e garantir ali premissas básicas dessa discussão. Então, nós estamos aguardando, já tem várias monitoras aqui no município debatendo esse tema, eh, fazendo muita organização aí e nós aguardamos que o prefeito tem essa sensibilidade, até porque o prefeito Dário Saad, ele na sua primeira gestão, na campanha, ainda no momento da campanha eleitoral, ele fez uma promessa e ele fez ele assinou um termo de compromisso com essas profissionais que estaria garantindo essa discussão. e nós já estamos no segundo mandato e até agora ele ele não apresentou nenhuma proposta nesse sentido. Então, enquanto monitora, vereadora, eh, e militante dessa agenda, dessa pauta, com certeza essa uma das bandeiras principais do meu mandato e continuarei batalhando pelo reconhecimento dessas profissionais, porque vai garantir uma qualidade a educação infantil e a educação infantil, ela é muito desqualificada. Uhum. por muita gente que pensa que ali é um espaço de deixar as crianças, mas não é. Como eu disse, é uma etapa especializada da educação básica e cada vez mais a educação infantil tem ganhado muita relevância na formação dos nossos alunos, dos nossos filhos, para poder poder fazer todo o enfrentamento aí e participar ativamente da educação. Defendemos uma educação de qualidade para os filhos da classe trabalhadora. Então, defender educação infantil de qualidade não é só paraa mãe trabalhadora. Educação infantil é é educação e educação é direito direito dos nossos filhos. Então, a gente preza para que possamos ter uma qualidade aí na na educação e não seja uma educação que nem tem muitos que defendem educação pública como sendo uma educação pobre, não é uma educação de qualidade para todos. E nesse sentido também de tendo eh ter esse reconhecimento também eh acaba tendo outros benefícios também para essa profissional, né, vereador? Acaba mudando um pouquinho também esse contrato de trabalho, né? Sim. É, sim. Na verdade, é, veja o que que significa de fato essa luta, né? o enquadramento, quando a gente fala enquadrar, nós estaremos enquadrando essa profissional como docente, porque hoje não querem considerar essa profissional como docente. E não tem como, né? Veja, se você deixar uma sala de aula com 28 bebês, né, a sala de agrupamento dois, agrupamento um, que são os bebezinhos, né, que são os menorzinhos, deixar 24 bebê na mão de uma profissional só, como é que vai ficar, né? Nós não somos apoio, não tem como apoio. Veja, eu não tô nenhum, em nenhum momento desqualificando o profissional de apoio. Profissional de apoio é o profissional da limpeza que tem que preparar a sala, deixar a sala limpa antes de se iniciar a aula. É extremamente importante. O profissional da alimentação escolar é aquele profissional que prepara a alimentação escolar. É extremamente importante a ausência desses profissionais numa escola. A escola não funciona, mas esses profissionais eles não estão diretamente ali atendendo a criança. Obviamente que ele conhece as crianças, tem contato em diversos momentos, mas quem fica o dia inteiro resguardando, garantindo a formação, a segurança, o acesso à participação, o acesso ao conhecimento, ao saber, a educação infantil, ela é mágica, né? Veja, quando você tá com uma criança, com bebê, eh, ensinando esse, esse bebê pegar na colher. Uhum. Isso não é cuidar. Só na educação infantil nós falamos que cuidar e educar é indissociável. Aliás, não é nós que falamos, a própria lei, a própria Constituição Federal fala, a LDB fala isso. Cuidar e educar na educação infantil é indissociável. Não tem como eu falar para o bebê assim: "Olha, agora você vai comer e agora eu vou te deixar aqui que você vai aprender eh grandes atividades com reflexões intelectuais". A a reflexão intelectual que esse bebê faz é quando ele, por exemplo, aprende a pegar na colher, quando ele, por exemplo, tem uma profissional que tá dando banho nele, que ele tá ensinando eh como ele, a relação dele com o corpo dele, a relação dele com a questão da higienização do corpo dele, a relação dele com os amigos no brincar, né, na interação dentro da sala de aula com seus pertences, né, é minha chopeta, não Não é a chupeta do coleguinha. Eu não posso tirar a minha chupeta, botar na boca do coleguinha. Isso tudo faz parte desse processo de aprendizagem. Então, as pessoas querem desqualificar isso, né? E isso é um é um grande erro. Mas isso também passa pela consciência social de achar que aquele espaço que é organizado extremamente por mulheres, né? Porque essa também é uma tarefa do cuidado e a tarefa do cuidado, o trabalho do cuidado são as mulheres que executam. E majoritariamente hoje as profissionais de educação infantil são mulheres. Então a gente recebe toda essa carga de preconceito, toda essa carga de querer desqualificar, mas a gente defende a educação infantil como uma etapa especializada e a gente luta muito para que tenhamos eh o o reconhecimento devido, contato direto, né? um contato direto com o aluno e também com os familiares. Então é todo é uma complexidade, né? Imagina uma família que precisa trabalhar, por exemplo, né? Eu volto a dizer, aquele espaço é garantia do aluno, não é da mãe que trabalha, não é do pai. Mas veja, as famílias precisam trabalhar, né? E a e como que essa família vai poder trabalhar? como que essa mãe e e mesmo trabalhando, porque veja, quando a gente fala trabalhar, a gente parte de uma de um pressuposto que somente é trabalhar fora de casa, né? É, mas tem os deveres em casa também. Mãe, a mãe dentro de casa, ela tá trabalhando. É um trabalho invisibilizado, mas um trabalho. Então, quando a mãe lava, passa, cozinha, né? Um homem, por exemplo, ele trabalha fora e quando ele chega em casa, aí essas tarefas estão todas prontas, realizadas, né? Mas vamos supor que se ele tivesse aquele que fazia a comida dele só, vamos supor que tivesse ele lavar roupa, né, como é que seria, né? Seria muito mais penoso, muito mais danoso. Inclusive no, a gente costuma dizer que no sistema capitalista, né, os homens são responsáveis pela tarefa da produção social, porque ele trabalha na produção e nós mulheres ficamos com a tarefa da reprodução. Então, eh, inclusive até outras tarefas também, né? Por exemplo, a gente não dá para aprofundar aqui, mas se a gente for for aprofundar a tarefa, por exemplo, eh, das trabalhadoras do sexo também é um trabalho muitas vezes para aliviar esse homem que tem uma tensão extremamente pesada, forte, também entra, né, nesse nesse bojo da discussão, nesse contexto, né, é, nesse contexto do trabalho. Mas veja, eh, essa questão do trabalho do cuidado, ela é muito eh ela é muito desqualificada, né? muito a sofre muito preconceito. Então veja, para uma mãe que precisa trabalhar, precisa voltar para sua casa ou trabalhar dentro de casa ou fora de casa para essa família poder ter tranquilidade, essa família tem o direito de saber que seu filho está num lugar seguro, num lugar que ministra uma educação de qualidade, que tem afeto pelo seu filho, tem total compromisso, né, profissional com o seu filho. Então, a gente defende isso muito de unhas e dentes. Nesse sentido, a gente entende que reconhecer o trabalho dessas profissionais como educadoras de fato, como profissionais docente, faz toda a diferença. Uma luta grande, então, né, vereadora? Mas vamos seguir, vamos seguir. Bom, vamos voltar um pouquinho agora falando sobre a questão de saúde também, um tema, um projeto de lei do ano de 2025, falando sobre a inclusão de médicos, geriatras e profissionais, né, nas equipes multiprofissionais aí de apoio à atenção primária. Como que é esse projeto? Como que é essa proposta? Olha, esse projeto, eu tô cada vez mais convencida de que esse projeto v vamos precisar fazer uma grande campanha, uma campanha nacional sobre essa agenda. E eu digo por eu tenho várias amigas, muitas amigas, servidoras públicas, não servidoras públicas. Uhum. Eh, boa parte com a minha idade, mais de 40 anos, mais de 50 anos e todas, principalmente as mulheres, elas estão envolvidas cuidando das pessoas idosas, do seu pai, da sua mãe, da sua sogra, de uma irmã. E aí, veja, hoje nós cada vez mais a população está envelhecendo. A gente tá num contexto social em que eh a o corte ali, né, da do falecimento acaba sendo mais tarde, né? Então, Campinas acaba tendo uma média de de sobrevivão até maior que do estado, né? A média, acho, se eu não me engano, é em torno de 64 anos. Campinas acaba tendo 65, 666, mas geralmente a gente tem muito idoso que vive mais tempo, 70, 80 anos, 90 anos. E as famílias não t como dar conta, muitas vezes sozinha de cuidar desse idoso. Nós precisamos ter profissionais, médicos, gerontólogos e geriatras dentro do centro de saúde para fazer esse acompanhamento. O idoso acaba desenvolvendo várias patologias, várias doenças que é necessário ter o médico especialista acompanhando esse idoso e garantir um diagnóstico preciso, inclusive para apoiar as famílias. E isso também faz parte dessa agenda do cuidado. A o a pauta do trabalho do cuidado não pode ser só das mulheres. Sim, as mulheres estão exaustas, né? Não pode ser só delas, precisa ser do estado também. Nesse sentido, nós apresentamos esse projeto de lei Uhum. que tem as equipes multiprofissionais dentro do centro de saúde e não tem geriatras e gerontólogos. E como que a gente faz, né, se a nossa população tá envelhecendo cada vez mais? Envelhecendo também ela nesse processo vai adquirindo várias doenças. Então a gente precisa ter esses profissionais capacitados, fazer esse acompanhamento que muitas vezes o idoso, a gente tem aqui em Campinas um boletim que faz o acompanhamento do mapa da violência. Uhum. E aí esse mapa da violência acompanha também a violência contra os idosos. Se você tem um médico geriata, que acompanha aquele idoso, que tá sempre ali, né, eh, fazendo esse acompanhamento, sabendo se aquele idoso tá sendo vítima de violência ou não. E e como você disse, não é só violência física, gente. Tem a violência, por exemplo, os idosos, ampla, a maioria são são isolados. Eles ficam isolados, ficam sozinhos em casa, eles ficam isolados muitas vezes, né, os filhos estão cansados, não querem conversar e e aí ele vai, ele pode desenvolver várias doenças que ninguém tá vendo. Então, nesse sentido, a temos esse esses profissionais fazendo esse acompanhamento é extremamente importante para garantir uma sobrevida, uma vida de qualidade, uma sobrevida aos nossos idosos e também aliviar toda essa carga pesadíssima que nossas mulheres estão assumindo na nossa sociedade hoje, porque são elas que carregam sozinha, são elas as responsáveis sozinha por essa pauta do cuidado. E é interessante a falar sobre essa questão do Sistema Único de Saúde também, porque na maioria eh das vezes quando a gente vai verifica famílias que têm um idoso, que precisa desse acompanhamento, são em redes privadas, né, que geralmente eles partem pra rede privada, mas tem tantas profissionais aqui. Por que que o cenário é tão diferente no Sistema Único de Saúde, vereador? Então, veja, eh, quem parte pra rede privada é quem tem condição de pagar. Hum. E aí os nossos idosos, né, eh, são pobres, eles ficam invisibilizados, acabam morrendo mais cedo, acaba tendo uma vida, né, menor, porque ficam adoecidos, ficam doentes, ficam isolados e muitas vezes a gente não tá vendo, né? Então, olha, por exemplo, tem um dado no SIS9 que fala que eh o número de idosos que sofrem violência física e a maioria dessa violência é cometida por neto, por filho, né? É dentro de casa que ela sofre essa violência. Dentro de casa. O que que o município tá ofertando enquanto política pública para romper com esse ciclo da violência? Muito pouco, né? Então, texos profissionais, nós temos uma rede, a, o SUS, Sistema Único de Saúde, é um sistema muito forte, muito potente e que tem condições de melhorar e precisa melhorar bastante para poder dar uma qualidade de vida, qualidade de atendimento pra nossa população. Então, essa agenda dos geriatras e dos gerontólogos dentro do centro de saúde é como eu disse, é extremamente importante. Nossa população tem o direito de envelhecer com qualidade, com dignidade e não ser abandonada, não vir sofrer violência, não ser esquecida. Eh, enfim. Então, eu entendo que é muito sério, né? População tem vivido mais, mas não adianta viver mais num num contexto violento. A gente precisa viver mais com qualidade de vida. precisamos ter qualidade de vida e garantir isso. Então, uma autoridade pública, um vereador, um deputado, um governador, o prefeito, ele tem que pensar nisso, né? tem que pensar em servir a população. E eu entendo que na questão do SUS, esse é um projeto de lei muito importante, porque ele vai aliviar, vai responder as expectativas, né, em várias frentes, tanto na frente de socorrer os nossos pacientes, os nossos idosos que estão isolados, que estão sofrendo violência, né, e e violência patrimonial também, porque hoje você vê muitos idosos que têm aposentadoria, que é a aposentadoria dele que garante muitas vezes o pagamento ali da, né, que sobre que mantém a família, ou seja, então é uma situação séria que a gente precisa dar uma resposta. Então, garantir geriatras e gerontólogos para atender o Sistema Único de Saúde. Em todo centro de saúde a gente tem um geriatra, gerontólogo que vá fazer buscativa, que vá verificar no seu território os idosos que estão precisando de atendimento, fazer esse mapeamento é muito importante pra gente ter uma cidade saudável e e é o que a gente espera. E vereadora, falando nessa questão do esgotamento também, né, a gente tem esse projeto sobre a concessão de jornada especial de trabalho no âmbito da administração direta do município de Campinas. Isso no caso dos servidores públicos, né? Como que é essa proposta? Sim. Não, na verdade e nesse caso deve tá falando dos profissionais que têm filhos do adoid filhos adoecidos deficientes, né, com deficiência ou outras providências. con e que conversa muito com essa que a gente acabou de falar. Como eu disse, a hoje você tem cada vez mais diagnósticos, principalmente de filhos PCDs, filh filhos com autismo, com teia, tem filhos que precisam fazer filhos, não só filhos, mas tutelados também, né? Por exemplo, você tem mãe que você tem que garantir ali o atendimento, não tem com quem ficar e isso sobra muito paraas mulheres. Essa carga, essa sobrecarga sobra muito em cima das mulheres. Então é importante que a gente possa aliviar um pouco no sentido de que ela possa ter tempo para estar em casa também cuidando dos seus filhos. Porque imagina só, eu sou monitora de creche, né? Lembro que eu já avisava logo na minha primeira reunião do ano, eu avisava os pais o seguinte, falei: "Olha, se um dia seu filho ficar doente, primeiro eu vou ligar pros pais, pros homens". Aí já regalava os olhos, né? Aí, mas por quê? É bem incomum. Por quê? Porque vocês precisam sentir na pele o que uma mulher sente quando ela tá trabalhando. Você liga para ela e ela tem que pedir pro chefe para sair mais cedo, porque o filho dela tá com febre. E tem chefe, né, que que é, né, não tem nenhuma compreensão com essa mulher, acha que essa mulher tá querendo ir embora e tá tá inventando doença. Uhum. Então, a gente primeiro vai ligar para vocês, para vocês sentirem na pele o que que nós mulheres sentimos de termos que pedir pro nosso chefe liberação para poder ir socorrer os nossos filhos para entender o que é isso. É uma carga muito grande em cima das mulheres. E não é mais só uma carga física, é uma carga emocional, é uma carga psicológica, né? é uma carga, enfim, que essa mulher tem que ser responsável por tudo. Muitas vezes, na ampla maioria das vezes, até sogra, por exemplo, né, que não é mãe dela diretamente, é mãe do marido, é a é a nora que toma conta. É, então, gente, eh nesse sentido que a gente apresenta aqui é uma jornada especial, mas neste caso tá muito vinculado com profissionais da administração direta que t filhos autistas, porque as os as crianças autistas tem vários níveis, né, vários mais níveis, né, de graus de complexidade da doença. E elas precisam fazer terapias. Tem crianças que precisam fazer várias terapias. é muito essas crianças. Essa mulher chega no final do dia, ela tá esgotada, ela tá esgotada. Então, nesse sentido, a gente faz essa essa discussão para garantir também uma maior qualidade de vida também para esses filhos, né? Não só paraa mulher que vai atender, para essa trabalhadora que vai ter que socorrer seu filho, mas também para os filhos que possam ser bem atendidos também. Tá certo, vereadora? Bom, pra gente eh fazer o encerramento aqui, só queria que a senhora mencionasse, falasse um pouquinho também sobre a questão da educação, da cultura, que também é muito atuante, né, no seu mandato sobre isso, sobre o hipof, sobre a cultura também local nas periferias, que é uma pauta bastante debatida aqui nas comissões, nas reuniões da frente parlamentar também, como que tá sendo esse cenário para esses próximos anos e também essa a luta, né, do reconhecimento para esse pessoal. Olha, a cultura para nós é uma pauta extremamente importante. A gente não pensa a cultura somente como realização de eventos na cidade. Pelo contrário, né? A cultura ela é viva, a cultura ela é construída todos os dias, eh, dentro dos territórios e a partir de várias expressões, né, da música, de várias, da arte, da dança, do teatro, eh, do bordado, né, das, né, do dos trabalhos que se tem ali manuais, que são trabalhos mesmo. Tudo isso tem que ser considerado, tem que ser valorizado. Muitas vezes o que a gente vê numa cidade como a nossa, que é uma cidade muito grande, uma cidade que tem uma classe média estendida, só tem um tipo de cultura que é reconhecido muitas vezes e somente esse tipo de cultura, nesse recorte, essa modalidade que tem acesso a recursos, que tem acesso aos melhores espaços, né, que tem acesso à política pública de fato, ao orçamento público. Então, nesse sentido, nós temos um projeto que pra gente é um projeto eh que é a menina dos nossos olhos, é um projeto muito importante, que é o Conexões Periféricas. Uhum. Que é um projeto que potencializa principalmente a nossa juventude periférica, para que ela possa se fortalecer, eh, cada vez mais se constituir dentro da arte. E aí a gente encontrou essa conexão no hip hop, que o hip hop é uma cultura periférica que dialoga muito com os nossos jovens na periferia. Nós precisamos disputar os nossos jovens com tráfico. Nós precisamos disputar os nossos jovens com setores que acabam eh tirando a vida dos da da nossa juventude. A gente quer dar um uma outra realidade, né, uma outra perspectiva de vida para eles. Então não adianta você eh condenar a as suas expressões. A juventude ela é muito viva. não adianta você condenar as as suas expressões. Então, nesse sentido, a gente tem potencializado muito esse esse projeto, garantido que grupos de hip hop que estão na periferia possam se fortalecer, possam se constituir, possam cada vez mais conseguir condições de contratar junto à administração, fazer os seus shows, eh fazer ali as suas batalhas de rima, suas expressões e garantir que possa ser um espaço saudável de debate, de discussão, de análise do pensamento, análise eh debates políticos sobre a realidade, porque é isso, tudo passa pela política, tudo. Então, essa discussão de colocar recursos públicos na cultura periférica é uma é uma posição política, é um olhar político, né? Então, nesse sentido, a gente tem potencializado muito esse projeto, apoiado bastante a nossa juventude e garantir que tenhamos espaços culturais na periferia que são potencializados, fortalecidos, sem ser criminalizados, né, para que possamos ter um espaço eh saudável e uma cultura respeitada. A cultura ela é muito escanteada, né? A, assim como a gente defende educação pública de qualidade, que a gente precisa aumentar financiamento, porque para fazer uma educação de qualidade precisa ter financiamento, para fazer um SUS precisa ter financiamento, precisa ter mais recursos públicos, né, para a educação pública, para o SUS público, para a saúde pública. Então, da mesma forma a gente defende essa cultura, né? Porque cultura eh é algo extremamente importante. A gente lembra na pandemia, como quando a gente ficou sem poder sair de casa, eu lembro que a gente falava assim que ir até o mercado já era algo, era um alívio, né? Era era um evento, era um evento, né? O que que a gente mais queria era poder voltar a ter eventos, encontros, né? Poder ter um churrasco, que encontrasse todo mundo, socializar. Eu lembro que passou uma vez o uma teve uma live do Raça Negra na na minha juventude eu nem gostava da Raça Negra assim, sempre gostei muito de pagode, mas raça negra não era muito, mas naquele dia eu fiquei assistindo a live do raça negra assim, hein? Apaixonada por eu não a gente não podia fazer nada, a gente não podia voltar a interagir, voltar a ter espaços coletivos juntos também como faz tanta diferença assim. E a gente percebeu quanto a cultura fez a diferença, inclusive na questão da saúde mental, né? população, eh, a gente anda vendo cada vez mais as pessoas, né, desenvolvendo doenças, eh, transtornos, crise, medo, enfim. Então, a cultura, a cultura salva vidas. Nesse sentido, a gente apoia muito a cultura popular, a cultura periférica e a cultura do hip hop, porque a gente precisa diminuir inclusive essa estatística que tem levado os nossos jovens negros à morte. Então a gente quer disputar isso e a gente entende que na cultura pode ser um bom momento, um bom espaço dessa disputa para salvar a nossa juventude, para mudar esse cenário, né, vereadora? Muito obrigada, vereadora. Quero agradecer a a oportunidade, né, de conversar com a senhora, de trazer todas essas proposições aqui pro programa em pauta e um pouquinho do resumo, né, do seu trabalho. Muito trabalho aí ao longo deste ano ainda, né? Com certeza. Muito. Mas eu agradeço também a vocês, ao espaço, né, ao trabalho de vocês. Aqui a gente tem o coletivo de trabalhadores tornando possível a realização desse momento. A gente a gente agradece e sempre que quiser aí eu estou à disposição. Muito obrigada. Nós que agradecemos. Bom, conversamos então com a vereadora Guida Calisto. Você acompanha esse episódio também pelo pelo canal da TV Câmera Campinas, pelas redes sociais. esse e outros episódios também. Te espero na próxima edição do Em Pauta. Até lá.