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Ponto de Vista | A Educação Vem de Casa? o Papel da Família e da Escola
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Ponto de Vista | A Educação Vem de Casa? o Papel da Família e da Escola

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Resumo editorial

O vídeo discute a relação entre educação familiar e comportamento escolar, enfatizando a importância da parceria entre pais e educadores. Anderson Coresma, educador e psicopedagogo, aborda como limites em casa refletem no desenvolvimento infantil e destaca estratégias para inclusão de crianças com necessidades especiais. A conversa ressalta que família e escola devem trabalhar juntas para formar integralmente a criança.

Citados nesta edição

Descrição do vídeo

O educador e psicopedagogo Anderson Coresma discute por que família e escola não deveriam ocupar campos opostos na formação de crianças e adolescentes. Ele detalha a reação comum dos pais ao receberem um comunicado de advertência do professor, o papel do orientador educacional na mediação de conflitos e a diferença entre os limites aprendidos em casa, no ambiente individual do quarto, e a convivência em turmas de até 30 alunos. A conversa questiona se os pais conhecem de fato o comportamento dos filhos fora de casa e como a justificativa constante de atitudes inadequadas pode dificultar o trabalho pedagógico da escola.

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[música] Existem [música] muitos questionamentos sobre o papel da família e da escola na educação e na formação da criança como indivíduo e cidadão. Esse debate envolve principalmente [música] os limites e as responsabilidades de cada uma. No ponto de vista de hoje, vamos discutir a relação entre o que é aprendido em casa, as atitudes de crianças e adolescentes na escola e a postura dos pais diante das advertências feitas pelos professores, por exemplo. Os pais conhecem de fato a forma como os filhos se comportam longe de casa. E quando a família sempre justifica uma atitude da criança, isso pode dificultar o trabalho da escola. Para responder esses e outros questionamentos, nosso convidado é o educador e psicopedagogo Anderson Coresma. Anderson, seja muito bem-vindo ao Ponto de Vista e também muito obrigada [limpando a garganta] por nos atender e nos receber. Eu que agradeço. Para começar, Anderson, quando a gente fala em educação de uma criança, adolescente, isso vai além do que é ensinado, dos conteúdos que são ensinados numa escola, por exemplo. Com toda a certeza, né? A educação é um dever de todos, não é um clichê, não é uma palavra pronta, né? Mas a escola tem o papel de escolarização. Então, a escola vai ajudar a família nesse papel de formação integral, de educação integral dessa criança, desse adolescente. Então, é importante que tanto as famílias quanto as escolas entendam que elas não estão em campos opostos. Todos estão ali trabalhando, investindo e incentivando paraa formação dessa criança. Então, é muito importante que haja uma ponte de diálogo muito próxima da família com a escola. Uhum. Não são inimigos, né, de modo algum. E às vezes parecem que elas estão em campos opostos, mas é justamente esse o trabalho que as escolas, os educadores têm feito recentemente de quebrar essa barreira de uma escola de muros e torná-la uma escola de ponte. Quando a escola chega a fazer algum apontamento sobre o comportamento dessa criança, na verdade ela tá pedindo um apoio, né? Na verdade, o recado é: "Olha, a gente já tentou de tudo aqui, a gente já conversou, já trabalhamos as regras, mas agora a gente precisa do seu apoio, pai e mãe." E muitas vezes, devido a uma rotina pesada, estressante de trabalho, quando pai e a mãe chega em casa e se depara com um recadinho da escola, muitas vezes ali já é uma postura reativa. O que que aconteceu nessa escola? você fez isso e às vezes a criança ali num momento de aprendizado dela, ela fala que não fez ou ela conta de um modo diferente. E aí a papel da família ao receber esse recado, esse chamado da escola, primeiro se acolher como pai e mãe para depois acolher essa criança. Então a primeira dica é respirar, ler com calma, conversar com essa criança e fazer a ponte com o colégio. Hoje as escolas têm estruturas para atender os pais, então tem a figura do orientador educacional que é importantíssima nesse papel de mediação, de lidar com conflitos, de trabalhar a criança como ser integral. Então é muito importante ter esse vínculo com a escola e ir buscar essa informação. O que aconteceu? Como eu posso ajudar? Uhum. Muito interessante. A gente iniciou falando da escola, mas antes mesmo da criança chegar até a escola, ela já tá aprendendo coisas dentro de casa, né? Que que a criança normalmente aprende nesse período antes de iniciar os estudos de fato? Ela aprende sobre eh virtudes, outras coisas para além do ensino que é dado ali ensino acadêmico nas escolas? Com toda certeza. A base familiar ela é importantíssima e é importante a gente pontuar que cada família tem ali os seus valores implícitos, as suas crenças. Então, quando a gente chega na escola, que é a primeira grande comunidade que essa criança vai participar, ela vai esbarrar ali em regras às vezes muito diferentes do que tem na casa. Na casa a gente vai lidar muito com o individual, então é o quarto dele, é o ambiente dele. Na escola a gente já passa para um ambiente de 1 para 28, 27, 30 alunos. Então ele tá aprendendo a se relacionar fora de casa. Por isso que é importante esse exercício da família de também pensar isso. Poxa, aqui em casa é assim, mas no coletivo não dá para ser desse modo que é aqui. Então, quais são as regras da escola? É importante a família quando vai matricular ou quando já está inserida nessa comunidade escolar tentar entender qual que é a cultura dessa escola, o que tá ali no projeto político pedagógico, quais são as regras, como que a gente lida no dia a dia para em casa também trabalhar essa questão com essa criança, com esse adolescente de maneira mais efetiva. Perfeito. E os exemplos também dos adultos influencia nessa aprendizagem? A criança aprende mais pelo que ouve, pelo que vê. Os adultos mesmo fazendo ali, eles seguem esse exemplo totalmente, não só em casa, mas também na escola a gente educa pelo exemplo, né? Falo anos que eu passei na coordenação como professor universitário, a gente sempre fala que o exemplo fala muito mais alto do que eu estou verbalizando. Então, se a regra é uma, mas eu como adulto faço diferente, essa criança vai aprender de uma outra forma aquela regra. ou ela vai desconsiderar ou ela vai entender que aquela regra tem como a gente passar um pouco para trás. Não é uma regra tão válida assim. Então, é muito importante a família ter consciência de manter o exemplo e muitas vezes quando está chateada com a escola ou com algum outro adulto que faz parte da formação dessa criança, não demonstrar isso na frente, porque aí a gente acaba tirando uma figura de respeito e de autoridade. É a mesma coisa quando o pai desautoriza a mãe ou vice-versa. com a figura do professor, do diretor, do coordenador, é a mesma coisa. Tem situações que devem ser tratadas entre adultos, porque desse jeito a criança vai entender que ela tá num ambiente protegido, que tem regras e combinados e que ela precisa ali ajudar a cumprir com tudo aquilo para que seja um organismo saudável. E muito se fala nessa educação em casa, né, que é fundamental a criança ouvir, aprender a ouvir o não, lidar com as frustrações também, tanto em casa quanto no ambiente escolar. Isso é fundamental, com toda a certeza. E nós vivemos em uma sociedade que tá enfervescendo de várias situações sociopolíticas, econômicas, até mesmo da formação dessas famílias e de como são as eh como elas estão estruturadas. Então, hoje a gente fala muito do investimento em educação integral, então essa criança passa mais tempo na escola do que com a sua família. Então é um desafio paraa família também nesses momentos em que estão com as crianças estabelecer regras, porque é mais fácil eh ai como eu passo pouco tempo com meu filho, então ah, deixa eu agradar, deixa eu flexibilizar aqui. Mas isso, na verdade não está ensinando. A gente tá criando crianças cada vez menos tolerantes com o outro, consigo mesmas. Então é um ponto de atenção. E nesse âmbito, pra gente entender de fato na prática, esses pais que estão sempre sobrecarregados, a escola que acaba ficando com essa criança ali em tempo integral, qual na prática é o papel da escola e o papel dos pais nessa educação? A escola hoje ela tem vários deveres, além da escolarização, né? Então hoje não é só a gente alfabetizar, fazer o letramento matemático, mas a escola está num num momento de grande mudança, não só no Brasil, mas no mundo, de nós entendermos o que é o papel dessa escola, o que essa escola que eu tenho hoje, esse modelo atende as demandas da sociedade ou não? Porque se hoje nós pegarmos, né, os professores, o pessoal que faz a educação rodal, o que mais incomoda eles não é mais a questão salarial, é em primeiro lugar a questão da indisciplina. Exato. E aí a gente vem com esse papo que a gente tá aqui, né, da parceria da família. Então, como é, podemos dizer que a família e a escola tem funções diferentes, mas ao mesmo tempo complementares? É isso. Exatamente. E é muito importante a gente não ter eh não ter dúvida de qual é o papel da escola e qual é o papel da família. uma boa escola de educação integral, por mais que ela tenha investimentos, um bom aporte, um currículo maravilhoso, não trabalhe só os conteúdos ali da base nacional, mas trabalhe música, arte, etc. Ela não vai suprir o principal, que é o exemplo da família, o amor e o afeto que ele vai ter em casa. Então, uma hora essas questões vão começar a aparecer ali. Às vezes, a gente tem exemplos de crianças que estão no período integral desde pequenininhas e a família não consegue dar uma atenção tão grande. Quando elas chegam lá pro sexto ano, fase de adolescência, eles já começam a ter uma mudança ali de comportamento e não antes. Uhum. E muitas vezes ao conversar com a família, olha, por que você não tenta uma vez na semana buscar um pouquinho mais cedo para um almoço, dar um pouquinho de atenção. A gente tá percebendo que o seu filho quer você, ele quer atenção. E é importante a escola ter esse olhar afinado, né, voltado pro afeto, pro carinho. E às vezes fazendo esses pequenos ajustes, essa criança sente que tem ali o pai e a mãe que pode, ele pode contar, tem o afeto, tem a questão de estabelecer limites e aí a gente também vê mudança em comportamento e consequentemente no aprendizado. Interessante. Então, no caso, essa indisciplina pode trazer um recado por trás? Essa criança pode estar sofrendo também? Com toda certeza, né? Quando a gente esbarra na indisciplina, tem várias questões que a gente pode olhar ou é uma falta de limite que aí tem que ser trabalhada em casa, principalmente em conjunto com a escola, porque muitas vezes uma criança sem limite em casa, que pode fazer tudo, hiperestimulada às vezes com tela, com celular, com videogame, os primeiros nos ela vai receber da escola. Uhum. E aí vem o grande embate, poxa, porque com os meus pais é tudo sim, ou se faz vista grossa, mas com a escola lá, com a professora, ela vai me falar: "Não, eu tenho horário para entrar, eu tenho horário para sair, eu tenho horário para terminar a atividade". Então, quando isso acontece, já é um caso um pouco mais extremo que a gente precisa olhar com maior cuidado e mais carinho. Uhum. Porque em muitos casos, como você falou inicialmente mesmo, a escola além desse espaço de formação, é também esse espaço de convivência que a criança vai ter que aprender a dividir com os colegas, professores, conviver com outros adultos também que vão passar outros ensinamentos para elas. Exatamente. E com crianças de outras idades né? E de outras idades, de várias formações, né? Com ideias diferentes. Haverão os conflitos. E aí, como que a gente isso numa cultura de paz na base do diálogo? Se é uma criança que não tem tolerância, frustração, de repente em casa, às vezes a gente tá no carro e a criança começou a chorar, a gente, ó, toma o celular, né? O celular a gente já tem estudos que são extremamente nocivos pra primeira infância. Então, quando a gente pega, dá um celular paraa criança, a gente tá resolvendo o problema ali imediato, mas a gente tá criando uma questão séria a longo prazo. Então, baixa tolerância frustração, a questão do estímulo é ali na hora e a vida não se resolve ali na hora para aprender, por exemplo, a ler e escrever, a gente leva aí um processo de 2, 3 anos, né? Então tem que ter cuidado, tem que ter espera. Então, às vezes a gente tenta resolver uma coisa ali na ânsia de parar na hora. Mas às vezes a gente estica essas questões por anos à frente. Uhum. E como eu falei no início, muitas vezes os pais eles não conhecem esse filho, principalmente quando é adolescente, fora desse ambiente de casa. Então muitas vezes quando essa criança adolescente tá na escola, ele tem um outro comportamento diferente do que ele tem em casa. É muito comum até a gente relembrando um pouco da nossa adolescência, né? Acho que até aquele o mais quietinho, o mais estudioso, não é tudo o que a gente falava pros nossos pais. Uhum. ou falávamos de outra forma, por a escola é a primeira grande comunidade que a criança vai participar. Então, é o meio social dela, são os amigos dela longe do olhar da família. Uhum. E aí vai muito do que a família também espera dessa criança, se as expectativas não estão altas no sentido dos pais se projetarem nessa criança. Então, às vezes, ah, eu quero que meu filho seja médico ou que ele seja muito bom em raciocínio lógico matemático. Então, é comum acontecer que o comportamento seja um pouco diferente. Primeiro pelo meio social, ele vai estar entre os seus pares. Então, a linguagem, as brincadeiras é dessa idade e outra porque é um outro ambiente com regras diferentes, né? E aí é o grande impasse. Às vezes tem pais que fala: "Eu conheço meu filho, ele jamais faria isso". Mas nesse nesse quesito, o que que a gente tem que entender e trabalhar a gente enquanto adultos e enquanto pais? que essa criança está em período de formação, não só enquanto estudante, mas enquanto adulto, enquanto cidadão crítico. E é normal do ser humano e às vezes pelo caminho mais fácil. Então, quando a gente tá ensinando ali a escrever, que a gente passa pra letra cursiva, é mais fácil eu usar a bastão que eu já domino ou a cursiva? Ah, bastão, eu tenho mais flexibilidade e isso é também com o dia a dia. Então, é importante ter esse olhar que essa criança ela ainda está em formação. Às vezes ela vai inverter uma situação pro pai, paraa mãe ou uma pequena mentirinha, às vezes é porque ela tá com medo. Ela não sabe às vezes qual vai ser a reação, que o adulto vai dialogar, que vai conversar, que vai pontuar o que tá errado, mas às vezes ela vai tentar ali pelo caminho mais fácil. Então isso que a gente tem que ter ciência enquanto pais, enquanto família, enquanto adultos. E esse fato é o que explica aqueles pais que ficam na defensiva quando a escola manda um recado reclamando da criança, que normalmente eles vão questionar a escola e não o filho sobre esse comportamento. Muitas vezes é exatamente isso. Tem alguns autores brasileiros, né, Léo Fra, Rossandro, que fala um pouquinho sobre isso, que às vezes quando chega um bilhete, uma advertência, uma reclamação da escola sobre o comportamento, os pais às vezes têm ali uma visão narcísica de pai e mãe. Então, opa, não é do comportamento da criança que a escola tá falando, é de mim quanto pai e mãe. E aí dói lá no fundo, mas até o pai e a mãe fazer essa análise e conseguir seguir em frente é todo um processo. É por isso que é importante as escolas estarem muito cientes, né, dos procedimentos. Tem que todas essas questões têm que ser pautadas no diálogo para poder dialogar com o pai com mais seriedade, né, do que foi feito. Então, olha, ele quebrou essa regra, mas a gente conversou aqui. Lá no começo do ano, a gente fez um contrato social com a turma, então ele sabe porque ocorreu. Então, a escola hoje tem o papel também de orientar e acolher essas famílias. Então, a forma como a escola também passa esse recado, essa mensagem também precisa ser pensada antes? Com toda certeza. Hoje, quando a gente fala de um bilhetinho ou um áudio da coordenadora, do orientador ou de uma advertência, enquanto educadores, a gente tá muito preocupado com a função educativa e não punitiva. Então, é importante em reuniões de início de ano a escola sempre e fomentar palestras, rodas de conversa, que todas as medidas da escola são educativas, que é pro bem, pra formação daquela criança, que uma advertência, por exemplo, que é um caso mais sério, é ali a formalização de algo que já estava sendo trabalhado há muito tempo e que foi pra criança ver a seriedade daquilo. E não é apenas um papel, é para ter uma conversa em casa sobre isso. Algumas escolas já fazem alguns trabalhos às vezes quando dão uma advertência. Então, ó, você vai pesquisar sobre diversidade, por exemplo, ou de respeito, o que é respeito para você? E aí traz esse contexto, né, de uma maneira mais didática, mais produtiva pro chão da escola. Então, os pais, tanto os pais quanto os professores, têm que pensar nessa forma de punição também da criança, essa forma de estabelecer um limite a partir desse mau comportamento. Estabeleceu o limite, sim, mas quando a gente fala de punição, a gente não tá educando, a gente tá, na verdade, tolindo pelo medo. Então, a gente sempre vai trabalhar a questão de ação consequência e o que que a criança aprendeu com aquilo, certo? E quando a gente fala sobre os limites, né, esses comportamentos que as crianças apresentam de desrespeito, muitas vezes agressividade, dificuldade de seguir as regras nas escolas ou até mesmo em casa, é correto afirmar que é realmente uma falta de limites impostos em casa? Primeiramente, sim, mas existem casos e casos, né? Tem casos que às vezes a criança tem um TDH, por exemplo, que ainda não foi descoberto. Então, às vezes aparece ali algum comportamento estranho na escola, mas que precisa ser investigado. Hoje as escolas já têm esse olhar de fazer uma leitura mais integral da criança para que se for o caso, encaminhar e pedir ajuda, né? Então, às vezes uma terapia, às vezes o médico analisa alguma outra tratativa que vai ajudar essa criança a perceber melhor o que tá em volta dela e o que o comportamento dela tá afetando, não só a ela, mas também os outros. Então, não só uma questão de falta de limites que tem que ser trabalhada pelas famílias de maneira urgente, porque é uma dor das escolas e dos demais alunos, né? Mas também tem essas questões que precisam ser olhadas com cuidado e carinho. Interessante. E como acolher também essa criança? Tanto essa que pode ter alguma outra relação com essas dificuldades que você apresentou agora ou até mesmo essa que não tá sendo olhada em casa, tem um pouco de carência, como a gente mencionou, quando fica na escola naquele período integral, os pais não conseguem acompanhar de fato. Como fazer esse acolhimento da melhor forma? é um acolhimento muito pautado no indivíduo. Então, é importante conhecer esse aluno, conhecer essa criança, conhecer a história dela. E um ponto importante é que o acolhimento não é passar a mão na cabeça. Muitas vezes o acolher é trazer para perto, mas chamar paraa responsabilidade ou daquela atitude ou daquele comportamento. Então, o acolher tem muito disso. vou te ouvir, mas a gente vai pontuar sobre o que é o certo aqui nessa situação, o que causou nos seus colegas, o que causou no professor e olha o que te atrapalhou aqui. Vamos conversar. Então, fazer essa reflexão com a criança é muito importante, porque às vezes para nós enquanto adultos é muito óbvio, não posso desrespeitar a professora. Mas ali no dia a dia, no calor do momento, o que que é o desrespeitar a professora? Ah, mas eles sabem. OK, eles sabem. a gente já conversou sobre isso, mas nessa conversa individual vamos retomar, vamos fazer uma reflexão um pouco mais séria com essa criança, né? Com claro, com carinho, com cuidado e no olho a olho. Uhum. E a gente falou sobre essa coisa narcísica dos pais, né? A partir do comportamento dos filhos, que eles levam meio um pouco pro pessoal. Proteger os filhos é natural, mas em que momento essa proteção ela pode deixar de ajudar a essa criança a passar por essas dificuldades, a passar um ensinamento também para essa criança, uma disciplina. É importante entender nesse ponto que a escola não tá taxando a criança, ela tá falando do comportamento. Então é uma reflexão que esses pais que têm às vezes esse comportamento mais reativo de defender sem entender todos os pontos, que isso precisa ser levado a sério, né? Porque muitas acontecem situações eh muito parecidas com essa que você relatou na escola e às vezes a escola tem até que pegar câmera para ver o que de fato aconteceu. E 99% das vezes as famílias ficam boca e abertas porque a situação é aquela que foi relatada. Então os pais precisam ter muita atenção, que é o que eu sempre brinco enquanto educador. Essa criança vai ser nosso aluno por alguns anos. Uhum. Mas ele vai ser filho dessa família pro resto da vida. Então, que adulto a gente quer formar? É um cidadão autônomo, independente, crítico, que sabe se colocar, que se respeita e respeita o próximo? Se é isso que eu quero pro meu filho, eu tenho que repensar essa estrutura de como entender o que aconteceu na escola. Não é que você vai deixar de defender ou desacreditar a criança enquanto pai ou mãe, mas você vai ter abordagens diferentes. Uhum. E nesse sentido, como que os pais também podem se fazer mais presentes eh e trabalhar em conjunto com a escola? Não é só acompanhar ali as notas, ir à reunião de pais, tem que acompanhar mais de perto, com certeza. É um trabalho de parceria, né, que é o que a gente quer eliminar, campos opostos. Então, a criança teve uma problemática, tá notando alguma coisa diferente no comportamento, manda uma mensagem, marca um horário com a orientadora, com a coordenadora, tenta trocar. às vezes tá acontecendo alguma coisa ali no grupo e o inverso também ocorre em muitos casos de às vezes acontecer algo pontual na família ou uma separação ou a morte de um bichinho e essa criança vira o comportamento. Por quê? Ela ainda não tem a estrutura que nós adultos temos de lidar com essas questões. Então, às vezes, ela vai demonstrar num comportamento não tão legal, vai fugir da regra, vai tá mais sonolenta ou vai est mais tristinha. Então, quando essas situações ocorrem na família, é legal a família reportar pra escola. Olha, aconteceu essa situação essa semana, só fica de olho, pode ter alteração e a escola vai fazer esse trabalho. Embora a escola lide com 100, 200, quem tá lá tá preparado para ter esse olhar um pouco mais direcionado para essa criança? Tanto que muitas vezes é a partir da escola que se descobre muitas denúncias, né, de violências que as crianças sofrem dentro de casa também. Com certeza. Por isso é importante a gente pontuar paraas famílias de terem a escola como um amparo, não só para cuidar da escolarização, mas para ter esse olhar holístico da criança e também de acolher e orientar as famílias, porque a escola são, é quem tá na escola que são os especialistas em educação. Então ali é o primeiro ponto para olhar essa criança passar um raio X integral ali. Sim. E a gente gravou aqui alguns algumas vezes alguns programas sobre a tecnologia. Você citou o celular, né, que é prejudicial. para as crianças nesses primeiros anos de vida. E quando a criança tá muito conectada, eh, tem algum problema ali que envolve o vício em celular, isso também faz com que ela mude comportamento, tanto em casa quanto na escola. É importante os pais perceberem isso também, com toda certeza. E é fácil de identificar. Uma criança que já está viciada em telas, ela vai ter baixa tolerância para praticamente tudo. Então, para aguardar numa fila, para aguardar fazer a atividade, então ela vai ficar sempre com o pezinho ali mexendo. Por quê? nas telas, no celular, a gente trabalha com estímulo visual sonoro e você cansou, você passa o dedinho. Só que na vida não é assim. A gente cansou, a gente tem que ter uma resiliência ali de, ah, eu preciso prestar atenção nessa aula porque é importante, eu preciso aprender a ler, escrever, né? Então eles têm esses embates da vida digital com a vida real, por no celular é ali tudo em segundos. Eu cansei, eu mudo. E na vida real não. Você cansou, você vai ter que esperar, vai ter que lidar com a frustração, vai ter que lidar com outro colega que tá em volta, que às vezes não é tão legal, porque aí quando chega lá pro terceiro, quarto ano, eles têm um grande susto que eles aprendem que eles têm colegas que nem todo mundo é amigo e aí já é outro BAC pra escola e a família conversar com eles. Uhum. Interessante. Então, no caso, isso também prejudica o aprendizado dessa criança na escola. É importante os pais colocarem limites referente a telas também? Com certeza. Hoje a gente tem estudos que já falam que uma criança viciada em telas, ela vai ter problemas seríssimos para lidar com questões da linguagem na aprendizagem. Então, o ler e escrever, o saber interpretar, o saber ler e fazer um texto com começo, meio e fim, porque a gente tá falando da aquisição da linguagem. Então a gente pensa ali no cérebro dela, ainda está em formação, ainda está aprendendo a como aprender e a gente taca o celular na mão dessa criança sem limite, sem nada. O que que ela tá aprendendo ali? Que não tem tempo para nada, que tudo é super legal a todo momento, que tem música, que tem vídeo, que tem imagem. E quando vai paraa aprendizagem, não é assim. A gente passa por etapas de aprendizagem, né? Tanto que quando a gente fala do ler e escrever, a gente tem habilidades prursoras, que a gente começou lá na educação infantil, que às vezes é um movimento de pinça, que é esse aqui bem estruturado, e que hoje já tem estudos que falam que há dificuldades em alfabetizar no primeiro e no segundo ano a escrever, porque as crianças estão ficando muito na tela. Então, olha o movimento que elas fazem. Então, não tem o movimento de pegar na terra, numa massinha, de brincar com tinta. A escola propõe isso, mas não é o suficiente. Isso também tem que ser feito em casa. Então, olha só quantas coisas a inserção dessas telas de maneira negligente causa no aprendizado da criança. Sim, isso também vai muito no exemplo que a gente comentou, né? Muitos pais querem limitar as telas, mas eh tão sempre ali conectados, não passam esse exemplo pros filhos também. Exatamente. É um exercício de ser o exemplo, né? E não é fácil, não é? que a gente tá julgando os pais aqui, não. Eles têm uma missãocula de educar, de prover, né? Tem uma rotina puxada, mas enquanto pai e mãe precisam pensar nesses momentos, né? Então, a criança fez ali um choro, uma birra, porque quer o celular? É mais fácil eu dar o celular ou eu sentar e conversar olho no olho? É mais fácil você dar o celular. Uhum. Mas enquanto pais, você tem que pensar na consequência dessa atitude, que não é só aqui, ela vai sendo construída. E na sua experiência, Anderson, eh como educador, né, psicopedagogo, né, nessa geração atual, qual o maior desafio eh nessa aproximação também da escola, família, que é o nosso tema de hoje? O desafio principal são as telas, porque aí fica praticamente impossível o professor competir no quesito atenção, né? E a questão disciplinar, que uma coisa puxa outra, tá vendo? A tela, ela dá um limite de frustração baixo, consequentemente ela não consegue seguir regras, ela não consegue esperar, ela não sabe se relacionar bem. Então, olha só como em educação uma coisa puxa outra. Por isso que enquanto escolas, enquanto os pais, a gente tem que pensar nas nossas atitudes diariamente. E não existe receita de bolo, porque a gente tem famílias que se culpam muito. Então, antes de se culparem, eh, poxa, eu fiz assim até aqui, mas e agora? O que eu posso fazer para ir melhorando aos pouquinhos? Então, quando a gente fala em formação humana, em educação, é sempre o que a gente pode fazer daqui paraa frente, certo? E existe assim uma melhor orientação que a gente pode deixar deixar pros pais referente a isso, pras crianças, adolescentes, que que pode ser feito nesse sentido? Também não tem uma receita de bolo pronta, né? Se tivesse seria muito fácil, mas os pais, primeiro passo, quando tem esses embates com a escola, não tá entendendo muito o processo, é tentar derrubar essa parede. A escola tá ali também para isso, para acolher e orientar essas famílias. Quando a gente tem uma dificuldade muito grande de como lidar com essa criança enquanto os pais, enquanto pais, talvez seja o momento desse pai e essa mãe às vezes buscar uma orientação parental de um psicólogo, um psicopedagogo para aprender a como lidar. E é claro, sempre ao invés da das telas, prover presença. Uhum. Então você tá junto com seu filho, ele te mostrou um desenho, dê atenção aquilo. Às vezes na rotina corrida é mais fácil falar: "Ai, tá, tá lindo". Mas tente dar maior atenção para esses momentos, né? É uma dica que eu sempre dou pros pais. Estejam presentes. A presença é fundamental. Não é só cada um estar numa ponta do sofá e cada um com seu celular. É de fato pensar em atividades, em momentos que haja partilha entre eles. Hum. E a gente comentou um pouquinho no início eh sobre os os pais que têm condições, né, buscarem uma escola que esteja alinhada com o tipo de educação que eles querem dar pros filhos. Isso é importante também. É interessante. Isso é importantíssimo porque senão essa família vai ter dúvidas, ressentimento com essa escola do começo ao fim. Então, é muito importante quando a família que tem uma condição financeira para prover um ensino particular, eh, tentar entender a escola não só enquanto estrutura, mas qual que é a missão dessa escola de educação? O que ela acredita? Ela vai trabalhar pautada em projetos, por exemplo, ou é uma escola mais voltada para aprovação, né? Tem vários modelos. Ela vai trabalhar uma educação integral do meu filho ou ela vai focar em outras coisas. Então, é muito importante a escolha da escola estar alinhada com o que essa família acredita. Uhum. Interessante. Quando a gente fala eh, por exemplo, de uma criança atípica, tudo que a gente comentou aqui nesse programa, eh, valem as mesmas regras, as mesmas orientações, tem algo que precisa ser específico para esse público? Com certeza. A questão de limites valem para todas as crianças e a gente trabalha muito isso na clínica, né, com as crianças atípicas. Claro que a gente faz adaptações paraa realidade dessa criança. Muitas vezes, se é uma criança que tem a apraxia na fala, por exemplo, talvez ela tenha alguns comportamentos de empurrar ou de bater, porque ela está tentando se comunicar. Então, é muito importante a gente ter esse olhar e tentar entender, mas também atuar e aí traçar metas do que que a gente vai avançar com essa criança, como que a gente vai trabalhar e aí a gente faz um trabalho maior ainda, a escola, as famílias e a equipe multidisciplinar que atende essa criança. Sim. E na sua visão, na sua opinião, na verdade, eh as escolas estão preparadas para receber essas crianças também para educar da melhor forma, estabelecer esses limites? A educação especial, inclusiva no Brasil caminha a passos lentos, né? Mas hoje, olhando para esse cenário, nós vemos que já tem vários avanços. Então essa fase do A escola não está preparada, eu acredito que já passou. Hoje a maioria dos professores já se qualificaram, buscaram cursos, estão entendendo como que esses alunos funcionam para eles poder poder poder eh para eles aplicarem ali o seu melhor para essa criança também. No entanto, ainda faltam muitos investimentos e muitas mudanças, né? Todo dia a gente vê uma notícia diferente sobre essas questões. Bacana. A gente já falou aqui bastante sobre várias vários temas diferentes, né? Sobre várias realidades diferentes. Pra gente ir encerrando, que você deixasse um recado para quem tá nos assistindo. Como que os pais podem atuar da melhor forma? Você já passou algumas mensagens? Só pra gente encerrar, deixando uma mensagem para quem tá nos assistindo. Pai, sejam Porto Seguro, acolhimento e tenham a escola como parceira. E a escola a mesma coisa, né? A escola tem ali o trabalho não só de atender os alunos, da escolarização, dos projetos, mas também de trazer essa escola, essa, essa família para perto, esses pais para perto, de acolher nas suas dores, de orientar. Então, o primeiro movimento tem que ser da escola nesse sentido de quebrar essa barreira, de mostrar, ó, estamos aqui para ajudá-los também. Perfeito, Anderson, muito obrigada pela sua participação, pelo seu tempo, por vir até aqui no ponto de vista, compartilhar todos esses conhecimentos conosco. Eu que agradeço, foi um prazer. Obrigada a você também que nos acompanhou [música] até aqui em mais uma edição do programa e até a próxima. [música] [música] [música] [música]
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