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A CIDADE NO BRASIL TV Câmara, Campinas. Boa tarde, estamos ao vivo agora, 2 horas e 27 minutos, e a partir deste momento você vai acompanhar o Seminário de Educação Afro-Indígenas nas escolas. É uma parceria entre as comissões permanente da Câmara de Cultura, Educação e Esporte. Acompanhe na presidência do vereador Paulo Búfalo. Bem, boa tarde a todos, todas e todes. Nós vamos dar início aqui a nossa atividade, esse seminário, que é uma organização em conjunto, uma organização da Comissão Permanente de Educação e Esporte da Casa, em conjunto com a Comissão de Cultura. Eu sou presidente da Comissão de Cultura e vou presidir aqui essa mesa. Eu já quero então começar a compor na mesa, já agradecendo, mas chamar a vereadora Guida Caliço, que faz parte da comissão de educação e esportes da casa. Ela que é da educação Mas agora está entrando na área do esporte Aprendendo o skate Nós que estamos Essa semana foi aprovado Como a semana do skate Aqui na cidade de Campinas E nós recebemos umas aulas aqui dos meninos e foi muito interessante na comissão de cultura aqui da casa melhor de educação a aula é como aprender a cair sem se machucar a gente vive caindo bom, então nós vamos convidar aqui para essa mesa dizer que esse seminário que tem o nome ensino da cultura afro indígena nas escolas como política efetiva de superação do racismo, ele foi pensado numa reunião das comissões, a ideia era organizar para o mês de novembro, um mês marcado pela luta contra o racismo, anti-racista, e poder trazer experiências que estão sendo desenvolvidas pesquisadas, levadas adiante aqui na cidade de Campinas e na região, para poder fazermos a reflexão e pensar caminhos de como avançar nessa questão da política de educação afro-indígena nas escolas e na educação formal e não formal. Então, gostaria de convidar aqui para a mesa a professora Angela Soligo, que é professora aposentada da Faculdade de Educação da Unicamp, pesquisadora das políticas nessa área e que vai aqui fazer a sua intervenção, a sua contribuição. Convidar também a Mônica Aparecida Queiroz, que é professora do programa MIPID, da Secretaria de Educação Municipal de Educação aqui de Campinas. Também convidar para a mesa a professora Roberta Cristina de Paula, que é professora aqui da Rede Pública Municipal, aqui de Campinas. Nós podemos equilibrar aqui a mesa. Vai todo mundo ficando, vamos ocupar aqui os espaços, enfim, não tem muito... Todo mundo querendo ficar aqui à direita, será, Guida? Não, mas olhando de lá está à esquerda, né? E convidar também a Lu Arami Guarani, que é artesã e coordenadora do coletivo Etno Cidades. Bom, nós estamos aguardando ainda uma convidada, quando, assim que chegar, virar para a mesa. Isso, já recebemos a informação que ela está chegando. Na sequência aqui, nós vamos iniciar, e na sequência eu vou anunciando outras presenças aqui, ilustres na nossa atividade. Eu quero dizer que nós estamos transmitindo ao vivo pela TV Câmara e pelas redes sociais aqui da Câmara Municipal de Campinas. Eu vou passar a vereadora Guida para fazer uma saudação e depois eu já passo as nossas palestrantes aqui. Bom, boa tarde a todas e todos. Posso falar? quero cumprimentar o vereador Paulo Búfalo que é presidente da comissão de cultura comissão permanente de cultura dessa casa pedir licença para tirar a máscara cumprimentar o vereador Paulo Búfalo que é o presidente da comissão de cultura dessa casa eu não componho a comissão de cultura mas eu componho a comissão de educação e essa reunião ela é uma reunião conjunta virando das duas comissões parabenizar pela iniciativa de ambas as comissões para debater esse tema e por isso eu quero saudar principalmente essas mulheres que estão aqui que são educadoras que dedicam a sua vida numa agenda, numa pauta extremamente importante, que além de ser educadoras, também são educadoras muito especiais, porque ou estão inseridas na pauta antirracista, ou estão inseridas também na educação indígena. Na importância da gente tratar sobre esses temas nos espaços educacionais aqui da nossa cidade, porque nós estamos falando do parlamento municipal dentro de uma cidade que ainda tem tanta dificuldade de debater, de inserir esses temas. É algo que eu sempre não consigo deixar de falar. A gente tem uma rede municipal de educação tão rica, com profissionais tão comprometidos, Mas ainda a gente vê a dificuldade que se tem da gente tratar isso com seriedade Então isso não é uma questão individual de responsabilidade ou de responsabilização dos educadores Eu vejo isso muito mais como algo que a própria gestão da educação aqui no município não prioriza Nós estamos agora no período da discussão de orçamento, por exemplo e até ontem eu estava estudando o orçamento e teve um aumento significativo para a pasta da educação, por exemplo, mas o aumento não é em áreas ou ações ou metas que a gente entende que seria muito importante como esse tema que nós vamos debater aqui. O aumento, por exemplo, vereador Paulo Búfalo, do orçamento de 20% para a pasta de educação, vai para educação informática, vai para esse tipo de ação. Bom, a gente tem visitado as escolas A gente tem visto que as nossas escolas estão muito bem equipadas Assim, do ponto de vista de equipamentos eletrônicos, materiais telemáticos Tem, mas que não são muitas vezes utilizados Ou porque não está instalado adequadamente Ou porque os nossos educadores não têm informação para poder utilizar Então, só para dar um exemplo, que eu acabei me estendendo da saudação, é porque isso está me incomodando bastante, nós temos visto que as nossas escolas da rede, principalmente do ensino fundamental, praticamente todas já têm aquela chamada lousa digital, lousa interativa. E os professores não conseguem sequer utilizar, eu fiquei assim, maravilhada com os recursos que tem a lousa, maravilhada é algo assim de ponta mesmo maravilhoso o equipamento mas na própria instalação desses materiais quem instalou, a empresa que instalou não obedece os critérios de instalação e sequer o professor consegue utilizar aquele material é um baita de um recurso caríssimo, cada lousa daquela custa em torno de 17 mil que não está conseguindo ser utilizado. As salas que conseguem utilizar, porque a própria escola tem um professor ou outro ali que faz o reparo. Até a caixinha, a tomada de rede, a lousa, o cabeamento, não consegue chegar, aí estica, puxa, solta. A lousa fica sem utilidade. Então, quer dizer, é uma rede que tem recursos, Muitos recursos, a gente tem uma previsão orçamentária de aumento da arrecadação, mas é uma rede que não consegue destinar um financiamento sequer para uma agenda como essa, que é a educação, por exemplo, antirracista, educação indígena, enfim, não se tem essa priorização. Então, eu peço licença para falar sobre isso, porque é algo que está me angustiando bastante, porque essa é uma agenda muito cara para nós, né Mônica muito cara para nós, então por isso que a gente eu não consigo deixar de apontar esses elementos, recurso tem falta mesmo ter a priorização de uma educação de fato que venha aí atender as camadas dos nossos alunos que são da classe trabalhadora, que são alunos periféricos, que na ampla maioria são alunos negros mas infelizmente o município ainda não tem esse olhar então quero parabenizar vocês que estão aqui na mesa essas mulheres, essas educadoras que estão aqui, porque elas acabam fazendo da sua vida da sua luta individual uma militância para garantir minimamente que essa educação chegue nas nossas escolas. Parabéns parabéns vereador e que a gente possa ter uma boa reunião Bem, obrigado vereadora Guida, nós já combinamos uma ordem aqui, mas antes eu gostaria de anunciar também o Avamarete Pataxó, artesão e do coletivo Etno Cidade a ex-vereadora Marcela Moreira que é presidenta do PSOL Campinas e agradecer também o Carlão que está aqui representando o mandado do vereador Peta e a Josiane Búfalo, que é professora aposentada da Educação Infantil, da Rede Municipal de Educação. E aí tem que anunciar os demais aí também. Eu já passo a professora Ângela Soligo e na sequência professora Mônica. Foi, foi. Foi, obrigada. Bom, primeiro, boa tarde a todas as pessoas. Quero agradecer ao Paulo Búfalo pelo convite. Sempre, não é só importante, é necessário a discussão sobre as questões étnico-raciais, então é um convite que eu nunca vou recusar. E eu vou começar minha fala, eu vou contar meu tempo, senão eu falo muito Eu quero começar minha fala cumprimentando a toda a mesa E a Ana Carolina, estudante secundarista que está ali sentadinha É muito bom ter uma estudante aqui para ouvir a gente Para vocês que a gente trabalha E eu vou começar contando uma história Eu, anos atrás, eu fui para uma cidade do interior, do litoral, aqui do estado de São Paulo Para uma semana da consciência negra, fui fazer uma palestra E na volta eu vim com um motorista que veio conversando comigo Aí no meio da conversa ele me disse disse, sabe professora, eu fico pensando em como que esses portugueses foram raçudos, porque eles chegaram aqui e não tinha nada, e ainda fez assim com a mão, Não tinha nada e do nada eles construíram tudo. Bom, eu respirei fundo, muito fundo e disse, olha, não é bem assim, eles chegaram aqui e não é verdade que não tinha nada. Aqui havia povos indígenas, milhares de povos indígenas, com as suas culturas, as suas línguas, vivendo e cuidando dessa terra, construindo essa nação. E também não é verdade que foram os portugueses que construíram tudo, porque foram as mãos negras, sequestradas e escravizadas que construíram esse país. E aí ele ficou meio assim, meio assustado, mas falou, é, eu nunca tinha pensado nisso. Esse senhor, ele não é exceção. No nosso país, ele é a regra. E ele é a regra porque a nossa educação ainda é uma educação racista. É uma educação que esconde de nós, das nossas crianças, dos nossos jovens, a nossa história, que nos impõe a admirar como heróis aqueles que sequestraram, aqueles que invadiram as terras indígenas e continuam invadindo, não é? e aqueles que não produziram as nossas riquezas, ao contrário, se apropriaram delas e se apropriaram do trabalho das pessoas escravizadas. Eu chamo atenção para isso porque esta é uma questão, é um ponto que diz respeito à nossa educação, aquilo que ensinamos e aquilo que não ensinamos há uns poucos anos atrás por pedido dessa Câmara, da Comissão de Educação da Câmara, no mandato do vereador Carlão do PT nós, quando eu digo nós, foi fui eu pela Faculdade de Educação da Unicamp e a Caroline Jango pelo Instituto Federal de São Paulo, Caroline que deve estar chegando daqui a pouco nós fizemos uma pesquisa sobre como estava sendo a implantação, a consolidação da história da África no município de Campinas nas escolas municipais nós entregamos esse relatório em 2015 então 12 anos depois da aprovação da lei em 1639. Bom, o que nós vimos nessa pesquisa? Nós vimos que o assunto, o tema, história da África, africanidades e história indígena, estão presentes nos projetos pedagógicos das escolas. E isso é muito bom, porque é um avanço. No entanto, quando a gente vai olhar para os planos de aula dos professores, o assunto não está lá. Então, está nos projetos, mas não está em todos os planos. E além disso, mesmo que esteja em vários planos, quando a gente pergunta e pede para a pessoa descrever uma prática de educação das relações étnico-raciais, a prática não vem. Ou quando vem é só alguma coisinha referente ao 20 de novembro Mas não uma prática consistência Todos os anos, todos os dias Porque é isso, educação das relações étnico-raciais Não é no 20 de novembro só, é todos os dias E é isso que ainda não acontece Este ano aqui, em cidades do estado de São Paulo, em mais do que uma, nós vimos crianças serem incentivadas a fazer desenhos de pessoas negras com cabelo de bombril. Não está no passado isso, está no presente Então isto é uma questão necessária e urgente para essa cidade O que ainda não fazemos, por que ainda não fazemos E nessa lista de porquês, que eu demoraria um bom tempo para falar sobre elas Eu quero destacar o papel das universidades porque é lá que eu estou. Apesar de aposentada, gente, eu nunca trabalhei tanto, viu? É lá que eu estou. E uma das coisas que as professoras e gestoras escolares escreveram no nosso questionário, é que elas não tiveram conteúdos de história da África, história indígena, de africanidades, na sua formação, nem de graduação, nem de pós-graduação. Então, vejam que essa bola de neve vai ficando cada vez maior e mais destrutiva. Isso traz para nós, na universidade, a obrigação de pensar, de repensar o que estamos ensinando, o que não estamos ensinando. E se não estamos ensinando, o que nós estamos esperando para começar a ensinar? Por coincidência, a Unicamp agora, só agora, está propondo a criação de um núcleo de estudos afro-brasileiros. Eu faço parte do GT que está produzindo a proposta e fiz um levantamento do que já tem de estudos nossos, da Unicamp, sobre as questões étnico-raciais. Eu fiz um levantamento no sistema da Unicamp, de bibliotecas, E fui olhar o que tinha, artigos, capítulos de livros, TCCs, dissertações e teses. Ao todo, gente, tudo isso dá 543 estudos. estudos. Este percentual significa 0,5% de tudo o que se estuda na Unicamp. Para piorar, eu digo que é para piorar, mas eu vou atrás de piorar, eu peguei, isso eu usei várias palavras-chave, Racismo, étnico-raciais Várias palavras Preconceito, cotas Tudo isso dá um pouco mais de 500 estudos Aí eu peguei uma palavra-chave Que é política E joguei lá Dá mais de 10 mil estudos Com a palavra-chave política Aí escrevi Política de ação afirmativa 26 estudos da 0,2%. Então, isso é atual, é dessa semana. Então, vejam, nós ainda não reconhecemos como sociedade, como instituições, a questão das relações étnico-raciais como uma questão nossa. Isso se chama racismo institucional. E é nosso dever enfrentar isso, levar essa discussão para dentro das universidades e, a partir das universidades, fazer o diálogo com o sistema público de educação básica. Fazer o diálogo, gente, é produzir conteúdos É fazer pesquisa, é fazer extensão Mas é mais do que isso É fazer a escuta A universidade também precisa aprender Com quem está no chão da escola Com quem está nos movimentos sociais Nos movimentos de enfrentamento porque a nossa pesquisa precisa dialogar com essas realidades, se a gente quiser efetivamente provocar, produzir mudança, porque essa mudança não depende de um setor, de outro setor, não depende das pessoas negras só, e eu escuto muito isso, muita gente me pergunta, mas espera aí, você é branca? O que é que você está fazendo nessa discussão? Então eu queria pontuar e deixar muito marcado, é uma coisa que eu tenho repetido muito também, cada vez que me perguntam, A questão do racismo, a questão da violência racista, a questão desse racismo que é estrutural, faz parte da nossa história e de como a nossa sociedade se organiza, de como a nossa cultura se apresenta, como nossas instituições se organizam. Essa questão é de todas e de todos nós, não é dos negros, o racismo não é, como dizem por aí, um problema dos negros, o racismo é um problema da nossa sociedade. E nós, as pessoinhas brancas, fazemos parte disto, porque nós somos as pessoas que recebem os privilégios da branquitude, os privilégios que estão postos para nós que não sofremos a violência racista. e quero pontuar aqui gente que privilégio não é direito privilégio não é direito e se não é direito e eu sou alguém que me manifesto como cidadã romper privilégios é minha obrigação então eu acho que é importante que a gente que a gente faça esse diálogo que a gente faça esse intercâmbio entre a educação básica e o ensino superior, que a gente implemente, que a gente cobre, que a gente enfrente. não é fácil, não é fácil, porque as instituições continuam sendo racistas e quem é do chão da escola sabe quanto muitas vezes é difícil, mas é a nossa obrigação e se a gente quer de fato romper com esse sistema racista de privilégios e desigualdade, é agora e é todo mundo e eu vou fechar minha fala com uma frase da Carol que acabou de chegar ela disse isso numa banca porque a gente escuta muito pessoas brancas dizerem, temos que abrir mão dos nossos privilégios e a Carol disse não se pode abrir mão daquilo que não se possui nós não somos donos dos privilégios nós somos aqueles e aquelas pessoas brancas que temos as vantagens dessa desigualdade não é uma questão de abrir mão é uma questão de lutar contra, eu acho que é isso, eu estou à disposição, obrigado Obrigado Angela professora Angela já anunciou, a Carol chegou aqui, está à mesa Ela que é professora, doutora em educação E diretora do Instituto Federal de São Paulo Aqui no campus Hortolândia Então eu queria passar já a Mônica Para que ela faça a sua intervenção Foi? Ah, foi Bom, boa tarde. Obrigada, vereador, pelo convite, estar aqui mais uma vez, como ano passado nós estivemos também, conversando e falando um pouquinho sobre o programa do qual eu coordeno. Bom, meu nome é Mônica Queiroz, sou professora em educação infantil, afastada desde 2015, para assumir um programa que se chama Memória e Identidade na Promoção da Igualdade na Diversidade. É um programa que existe na rede desde 2004, ao qual eu, enquanto professora, enquanto estava na sala de aula, fiz muitos cursos, muitas formações através desse programa, que me ajudou muito na minha formação enquanto pessoa e enquanto profissional. Bom, vamos lá. Nós temos aqui uma equipe de educadores que trabalham dentro do programa, é uma equipe pequena, não é muito grande, são sete professoras articuladoras, são professoras que trabalham em um período e no período seguinte trabalham nove horas de HP, ganham nove horas de HP para trabalhar no programa MIPID e a OP Priscila e o José Rubens que está aqui também na plateia fazem parte também do programa então esse programa Vou falar um pouquinho das ações que aconteceram aqui na cidade O que está acontecendo Então vou apresentar, tentar ser bem breve aqui na apresentação Esse daqui é um caderno muito importante que foi lançado ano passado Que é as Relações Éticas Sociais Afro-Brasileiras, Subsídio e Ação Educativa Foi um trabalho construído por diversos profissionais da rede Foi lançado o ano passado E a gente está em processo de divulgação, de formação Frente a esse caderno Esse caderno está composto No seu primeiro capítulo 1 Falando dessa importância desse diálogo Sobre as relações éticas sociais Nas escolas e junto às famílias também Fala um pouco da história negra de Campinas que é uma história que a gente não conhece, e aí temos pesquisadores na rede que levantaram essas informações e sintetizaram aqui para todos nós podermos conhecer e trabalhar nas salas de aula. Tem a questão da problematização da educação, então aqui traz exemplos de trabalhos realizados Desde a educação infantil até o EJA II, personalidades negras, enfim, várias informações aqui que dão subsídio ao professor. E fechando, um lindo poema aqui da diretora Fátima, Eu Negra no Brasil. Então é bem bonito. Bom, nós temos aqui em curso dois cursos que estão acontecendo, estão terminando agora. Um com o Daniel Braga Campos, que o tema é Esse Ritmo Toca de Onde? É um curso de origem dos ritmos e ritos da cultura brasileira. E temos aqui também com a professora Lúcia Helena de Oliveira Silva, historiadora que fala sobre Campinas e a memória da população de origem africana e afrodescendente então esse daí é um curso que está sendo oferecido para os profissionais da rede que está terminando também agora nós estamos fazendo e fazemos parcerias as mais diversas possíveis vocês vão ver aqui nas apresentações Porque acreditamos que só nessas parcerias é que a gente vai crescendo, que a gente vai se fortalecendo e aprendendo cada vez mais. Uma delas foi esse curso do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Unicamp, o curso de extensão Quilombos e Mediações de Conhecimento, Educação e Esfera Pública. Então, foi oferecido 20 vagas aos profissionais da rede para fazerem essa formação. Nós também fizemos, tem uma ação formativa que acontece no Cefrotep, que se chama CSF na escola. Então, eles convidam, as escolas se inscrevem, e aí toda a equipe participa dessa formação, e o MIPID contribuiu nessa formação, no período da manhã e da tarde, para tentar atingir o maior número possível de educadores, com o tema Contribuição dos Jogos, Brincadeiras, Brinquedos e Éticos na Construção da Identidade das Crianças na Educação Infantil. Então, essa foi uma formação mais prática, que nós levamos, mas sempre trazendo também a questão da reflexão, a importância da implementação da lei, e que esse trabalho pode ser trabalhado desde as crianças bem pequenininhas até os maiores. Uma outra ação que está acontecendo E que eu acho que é importante a gente salientar Nem todas as ações formativas São, como posso dizer Incentivadas ou foram Elaboradas pelo programa As escolas têm autonomia Para fazer seus GTs os EGTs, que é o grupo de estudo, o grupo de trabalho, dentro das unidades. Aí nós temos um grupo de estudo antirracista, diálogos entre mestres e práticas descoloniais, foi de uma escola. E o Sankofa, que é uma outra escola, oportunidades para educação étnico-racial na escola. E tem esse terceiro, que é um grupo de trabalho, Canoas da Memória, que é um grupo de estudo indígenas, Como nós lançamos, no ano passado, o caderno sobre as questões negras, nós estamos elaborando também, com profissionais da rede, um outro caderno curricular temático sobre a questão indígena. Um outro ponto importante que nós acreditamos é a questão da formação dos gestores. Desde que eu assumi o programa, em 2015, em outubro de 2015, essa foi uma das ações que foram contínuas dentro do programa. E esse ano, o ano passado, todo ano a gente leva um profissional diferente para essa formação com gestores, e esse ano foi o professor Dagoberto José Fonseca, formação de gestores com tema, formação de gestores e supervisores para as leis 10.000 e 11.000 e a classificação para o enfrentamento ao racismo e suas formas correlatas. Preconceito, discriminação, ética no racial. Aí nós temos aqui, como que a gente fez isso? Elaboramos um formulário, um comunicado, um formulário que foi para as escolas, foi para o representante regional, desculpa, e nós realizamos essa formação dentro da reunião de trabalho dos representantes regionais. Que é essa reunião de trabalho semanal com os gestores, diretores e vices. Então, nós fazemos essas formações. Vocês podem ver aí, meio por alto, que teve uma variação de presença deles, aproximadamente os números que estão embaixo, de cada uma das naedes. E também trouxemos a questão cigana, também com o professor, o doutor Nicolas Ramanucci, a influência das etnias ciganas no processo de formação da cultura brasileira. Então, trouxemos também, dentro desse mesmo formato, dentro das reuniões de trabalho que acontecem semanalmente, aí nós também levamos essa formação. Não é só o programa MIPID que leva a formação nesse espaço, nós temos mais outros quatro programas que também levam formação para os gestores. E aqui a ação que aquelas professoras que eu apresentei primeiro, que fazem parte da equipe, elas realizam nas escolas. Então, como a gente se organizou lá no C4TEP? Como são cinco programas, são cinco naedes, então, nós estamos nos organizando em... Cada programa vai em uma naede, ou em um semestre, ou em dois, três meses, em cada uma das naedes. E a gente vai revezando para não sobrecarregar o próprio trabalho desses profissionais. Então, o MIPID, no segundo semestre do ano passado, se concentrou no NAED Leste, nesse primeiro semestre foi para o NAED Norte e Sul, e no segundo semestre, Noroeste e Sudoeste. Então, a gente conseguiu passar com essa palestra diálogos sobre as relações étnico-raciais nas unidades escolares em todas as NAEDs. Então, foram por volta de 229 tempos pedagógicos, porque as escolas têm o TDC, que é com os professores, tem o HFAM, que é monitores de agentes, e a gente vai atendendo todos esses tempos pedagógicos. No fundamental também, tem várias reuniões de trabalho, e a gente procura também fazer essa formação em todas elas. Há algumas que o número está mais baixo, nós vamos retomar essas ações nessa região para que o maior número possível de escolas possam estar sendo atendidas. Uma coisa que nós observamos também, que no seminário curricular municipal sobre a educação infantil, várias escolas apresentaram trabalho dentro da temática etno-racial. então nós temos aí tanto com a questão indígena quanto com a questão negra de escolas que apresentaram projetos que estão realizando ao longo do ano e que estão finalizando agora no final e que apresentaram dentro do seminário de educação infantil que é um seminário que foi para toda a rede que a gente trouxe alguns aqui Fazemos parcerias também com a sociedade civil Nesse caso aqui foi com a Armac Formatando esse material Sobre o enfrentamento ao racismo religioso Que tem leis e orientações Esse material foi A autoria é a Armac Que é uma associação de religiosos de matriz africana e a gente deixou disponível para todas as unidades escolares então está tanto no Educa que é o o site da educação, oficial da educação e também na página do MIPID então são parcerias e a gente procura se aproximar da sociedade civil porque entendemos que temos muito o que aprender com a sociedade civil, as escolas, a sociedade civil organizada. Estamos também elaborando um outro caderno com a Fazenda Roseira, que vai ser lançado agora, acho que mês que vem. Não coloquei ele aqui porque está ainda em elaboração. Procuramos incentivar e trazer compras de materiais para dar subsídio a esses professores. Então, hoje em dia, não dá para falar que não tem formação, que não tem material. Tem formação e tem bastante material, e material de qualidade chegando nas nossas unidades. Então, aqui é uma coleção Black Power, que traz personalidades negras. Compramos também com personalidades indígenas, também que está sendo entregue em toda a rede. Desde os pequenininhos, porque é importante que a criança pequena veja essa diversidade conheça essas personalidades lógico, o professor do berçário não vai pegar uma leitura dessa, falar da vida daquela pessoa, ler mas ele pode sintetizar e levar de uma maneira lúdica ou com ou só falando mesmo sobre a história ou levar através de fantoches Enfim, a criatividade do professor fica bem aberta. Mas o material está disponível para que ele possa trabalhar com seus alunos. Um outro material muito bom que chegou também, que a gente adquiriu, foi esse Atlas Geocultural da África, que traz a imagem da África, mas é uma desconstrução da imagem estereotipada da África. Então, aqui traz uma África como ela é, os países, as cidades africanas como ela é, com a sua modernidade, com as suas universidades, enfim. E dentro disso, abrimos aqui também formação para os profissionais. Teve o curso, que teve quatro etapas, quatro encontros dentro dessa temática. Nós temos lives que estão no canal do Me Pede. Nós temos um canal no YouTube, onde ficam armazenadas essas lives. E também falando sobre o uso e mostrando um pouco do material. Um material belíssimo, viu, gente? Vale a pena conhecer. Também dentro dessa parceria foi realizada uma mostra cultural afrofuturista, que está acontecendo ainda, ela termina agora... Não vou lembrar agora. Comecinho agora de dezembro, que ela termina. e foi uma parceria com a editora Eros, a editora Eros, que é do Atlas. Está acontecendo na Casa de Vidro, então, quem não foi, vale a pena estar indo. Está muito bonita essa exposição. E as escolas tiveram agendamento para ir. Nós tivemos uma surpresa muito boa, porque foi agendado de manhã, de tarde e à noite. Eles estão indo com as crianças pequenas, fundamental, enfim, estão indo mesmo e estão participando bastante. Outra parceria que nós temos também com a CAIAPI, que é uma parceria importante que estamos realizando, procurando trazer esses estudantes indígenas também para se aproximar das nossas escolas. Nós tivemos uma live aqui que falou um pouquinho sobre o Encontro Nacional dos Estudantes Indígenas, que aconteceu na Unicamp. Essa live também está no canal do YouTube, do Mipid. E a secretaria comprou 100 vagas nesse evento, Encontro Nacional de Estudantes Indígenas, para os profissionais da rede. Então, também foram, isso foi em julho, um evento muito bonito, que foi muito rico para todos nós que conseguimos ir e participamos. Foi um evento muito rico. E aí, também, temos nesse segundo semestre oficinas com a Lu, que está aqui conosco na mesa, que ela fez oficinas ao longo desse segundo semestre. Então, fez oficinas de brinquedos, de boneca, de maraca, culinária, e o peão também. Lu, eu não vou falar certinho aqui porque eu vou errar e aqui as fotos as ações com os professores o do peão foi feito também ela trouxe a questão do grafismo com os vasinhos esse dia foi com a boneca de cabaça para os profissionais aprenderem e também estarem realizando nas escolas. Aqui foi a com a maraca. Esses cursos tiveram tanto de manhã como a tarde. E esse foi o último, que foi sobre a culinária. Opa! Congelou aqui. como é que eu faço para voltar isso aqui ele ficou com duas não, ele está com não aqui parece que abriu uma outra estranho, também nunca vi por isso que Não sei, vamos lá E aqui, deixa eu ver se esse negócio aqui não vai Estranho, gente, eu nunca vi isso Tem, tem Vamos ver se dá para... É que vai ver meio truncadinho aqui. Entendeu? É como se tivesse congelado a parte de cima. Deixa eu ver se consigo aqui. É como se ele estivesse em duas telas, está vendo? Vamos ver. Ai, que bom. Mas está no final. Estamos finalizando aqui. Obrigada. Aqui nós fizemos também uma excursão com os professores, a princípio foram os professores do Canoas da Memória, que é aquele GT, e com os articuladores do programa a gente foi conhecer esse museu novo em São Paulo, Que é o Museu das Culturas Indígenas E tivemos algumas palestras Além de conhecer o que estava lá exposto Também tivemos palestras Foi um sábado Tivemos o dia inteiro de palestras Lá, exatamente também para A intenção nossa É estar levando os profissionais Para conhecer esse espaço Nós estamos Terminando Não, terminou já Um ciclo de palestras Educação etno-racial e cultura de matriz africana Na Casa de Cultura Fazenda Roseira Também uma parceria Aqui Com esses temas Que foram abordados aqui Cultura e educação Educação patrimonial como ferramenta de inclusão Da diversidade universalidades africanas universalidades africanas música, canto e dança e o roteiro afro e territórios e o seminário do MIPID que aconteceu no início de novembro esse seminário tem como a palestra de abertura foi com o professor Nicolas Ramanush E esse seminário tem como objetivo dar visibilidade ao profissional que trabalha as questões étnico-raciais. Então, esse é o grande objetivo do seminário. Então, a gente, os profissionais que trabalharam ao longo do ano, então, cada dia teve um grupo de profissionais que foram apresentando seus trabalhos. Ui, já estou finalzinha. Que foram apresentando seus trabalhos aí. Então, várias escolas foram apresentando. E uma coisa que nós sentimos foi um crescente número de escolas que foram intensificando suas ações pedagógicas com o tema das relações étnico-raciais. Eu gostaria de hoje, aqui, nesse momento, falar que todas as escolas da rede estão com o projeto e que não é um projeto de uma professora, ou de dois, ou de três, mas ainda não chegamos nisso. Espero um dia vir aqui e falar. Espero, tenho... Também torço para isso, a gente trabalha para isso. Mais do que torcer, a gente trabalha para que isso aconteça. Mas há um crescente e isso nos deixa muito felizes. E aí, as nossas redes sociais quiserem conhecer um pouco do trabalho dessas escolas esse seminário está no canal do Me Pide caso queiram conhecer e ouvir e é isso, agradeço tentei fazer o mais rapidinho possível obrigada gente Obrigado Mônica Agradeço a exposição já passo aqui a Lu Arami Eu trouxe uma pequena apresentação Mas para quem não me conhece, eu sou a Luarami E hoje eu agradeço Por ter essa mesa Eu acho que uma das coisas que a gente precisava É estar no nosso lugar de fala E isso é bastante difícil eu faço parte de um coletivo Etnocidade, quando eu cheguei aqui na cidade de Campinas isso vai fazer 5 anos eu me tornei a coordenadora do coletivo em 2018 mas através de dois professores que buscaram pela lei 11.645 e aí foram descobrir que Campinas em 2010 era a terceira cidade do estado com o maior número de indígenas no contexto urbano isso no censo de 2010 1.043 indígenas se autodeclararam indígenas dentro da cidade de Campinas. E aí eles queriam descobrir onde que estavam esses indígenas para que pudesse trabalhar a lei 11.645. E infelizmente alcançaram poucos indígenas no momento dois. E em 2018 eu me tornei a coordenadora e a gente começou a agregar povos indígenas junto com a gente na etnocidade. A ideia da etnocidade é levar a nossa cultura, o nosso conhecimento, mas dentro do que nós conhecemos, que é o nosso povo. E aqui, em 2019, abriu as vagas da faculdade, a gente tem mais de 40 etnias dentro da cidade de Campinas, hoje dentro da faculdade, se tornando médicos, professores, advogados, e infelizmente ainda a gente vê que as pessoas não conhecem 5%, 1%, vamos dizer assim, dos povos originários, dos povos indígenas. Quando se diz de povos indígenas, as pessoas têm a ideia de um único povo indígena. Nós somos mais de 300 povos falando mais de 270 línguas diferentes dentro do nosso país. E infelizmente ainda se existe a invisibilidade dos povos indígenas. Infelizmente ainda acontece o preconceito, a discriminação até hoje, nesse século que nós estamos. As pessoas não entendem que nós estamos hoje dentro desse contexto e muitas vezes eu observo que as pessoas já me perguntaram assim, o que você faz aqui nesse contexto? Você poderia estar dentro da sua tecoada, da sua comunidade? E a minha resposta é que estou dentro de um contexto que me pertence, um contexto que em algum momento foram fazendo com que eu recuasse e estivesse dentro do meu território. Mas estou hoje aqui num contexto que me pertence. Eu trouxe uma pequena apresentação do que o Etnocidade faz. Quando eu assumi a direção do Etnocidade, a gente começou a levar essa educação para dentro das escolas. Porque o entendimento é, eu sei que existe nos livros, mas o que está nos livros foi o que foi contado de uma única parte, de um único lado, não foi contado a nossa história. Nunca foi perguntado para nós o que realmente aconteceu. Não está nos livros o massacre dos povos indígenas. Não está nos livros o sangue derramado do nosso povo. Então, infelizmente, foi contado um uniculado, romantizado o uniculado da pessoa branca que chegou num país que não existia ninguém e que ali ele fez a sua morada. Não se conta da pessoa invasor que chegou aqui, existia o nosso povo dentro de Pindorama e que foi invadido. Isso não conta. Então, a ideia do etnocidade é que o indígena esteja no seu lugar de fala. É que o indígena tenha esse direito de estar no seu lugar de fala. Não adianta as pessoas dizerem, eu aprendi nos livros, porque, infelizmente, o que você aprendeu nos livros, você não pode falar sobre os 300 povos que nós temos no Brasil. Você pode falar de um único povo. O que você aprendeu, e realmente, será que você aprendeu o que está nos livros é a verdade? não, eu digo para você que não é os povos indígenas trabalham estudam, orientam e se orientam dentro da sua comunidade por oralidade eu sei o meu passado eu sei meus antepassados eu conheço a minha história, a minha ancestralidade eu conheço o meu sagrado e assim, muitos de vocês hoje que estão aqui dentro desse contexto vocês não entendem hoje as pessoas se perguntam assim, o porquê que eu estou seguindo esse caminho E você não tem, você mesmo não tem essa resposta. O porquê não tem? Porque você não fez questão de conhecer o seu passado, de conhecer o seu povo. A gente não fez questão, e eu digo assim muitas vezes para as pessoas quando eu levo essas palestras nas escolas, em grupos, que nós temos uma única obrigação na existência, é conhecer o nosso passado, para que a gente possa entender o nosso presente e conhecer o nosso futuro. Se a gente não tiver respeito com a nossa ancestralidade, com tudo que nosso povo passou para que a gente pudesse, estar aqui hoje, você não trilhou nenhum caminho. A gente só vai trilhar o caminho, respeitar nossos antepassados quando a gente aprender a conhecer. Os povos indígenas é dessa forma. Muitas pessoas me falam assim, você fez faculdade para você falar sobre o seu povo? E aí eu pergunto para você, a faculdade que vocês fizeram fala do nosso povo? Conta a nossa história? Eu conto o que eu vivo. Eu falo o que eu vivo e eu falo o que meus anciões me passaram em roda de conversa. Então, assim, é muito importante hoje eu compor essa mesa. Apesar do Búfalo não me conhecer, estar conhecendo ele hoje, a vereadora também eu não conhecia. Conhecia somente o Gustavo e até puxei a orelha do Gustavo, que eu falei assim, como é que você faz e escreve e assina um seminário falando de afro-indígena e não nos fala? Você quer que outra pessoa fale em nosso nome? E aí ele falou para mim, poxa Lúcia, é tantas coisas que eu realmente deixei passar batido e peço desculpa. Mas assim, foi só uma brincadeira mesmo que eu sei da luta do Gustavo com a gente, da Marcela com a gente quando estava lá também. Aliás, o Gustavo foi o que fez com que mudasse hoje o currículo da história de Campinas, que, aliás, 19 de abril não nos representa. O 9 de agosto nos representa e o Gustavo fez com que isso fosse colocado dentro do currículo de Campinas. Para não se alongar muito, eu queria que você me ajudasse, Mônica, a passar algumas coisas que o Etnocidade faz. A gente traz muito da nossa cultura para dentro das escolas. E esse vídeo, ele fala de uma ancestralidade e de um agradecimento. Então, eu gostaria que vocês ouvissem um pouco. Essa música, ele traz um pouco do nosso sagrado E a gente sempre leva para as escolas Ela diz o seguinte, eu levo comigo a energia Que vocês hoje me passam E eu deixo um pouco da minha energia com vocês E eu agradeço o grande espírito por isso A gente tem algumas fotos Ali está escrito o seminário É uma coisa bem rápida Para vocês só terem um pouquinho do que a gente faz, do que a gente traz nas escolas com a educação que eu aprendi dentro da minha comunidade. Como eu disse, a ideia não é fazer uma educação formal, isso já existe aqui. A ideia é levar para as escolas a educação do nosso povo tradicional. E a nossa educação é oralidade, a nossa educação é conhecer quem somos. Então, eu trouxe um pouquinho aqui para vocês entenderem. O Etnocidade foi considerado um ponto de cultura. Pode ir passando, Mônica, por favor. Ele foi considerado um ponto de cultura já. Aqui eu me apresento. Meu esposo sempre está comigo. É o Ava Mibareté. Também está sempre com... Ele trilha esse caminho junto comigo. E aqui eu falo um pouquinho, claro, da Lei nº 11.645, porque foi através dessa lei que a gente chegou até aqui e foi através dessa lei que a gente leva para as escolas um pouquinho do que da nossa cultura. Aqui eu vou falar um pouquinho dos trabalhos desenvolvidos em Campinas e região. A formação dos professores. A ideia da formação dos professores é levar a nossa cultura um pouco mais ampla. É falar do sagrado, é falar dos nossos rituais, é falar dos nossos anciões, dos nossos ritos, cantos e danças. Então, é uma formação que dura em torno de três horas, mas a gente fala tudo o que nós podemos falar para os juruás. Para mim, na minha língua, os não indígenas. Então, essa é a formação que a gente leva para os professores. Na roda de conversa e nas oficinas que a gente traz para as crianças, a ideia é que a gente traga, da mesma forma que a gente faz, como eu disse, dentro da nossa comunidade. A criança tem que fabricar enquanto ela conversa. É assim que a gente faz na nossa comunidade. Nós estamos conversando, nós estamos aprendendo, mas a gente também está fabricando e está dividindo com outros. Então, quando a gente leva a roda de conversa para os alunos, a gente leva junto uma atividade. Então, enquanto ele fabrica, a gente conversa, a gente bate um bom papo, e aí depois é incrível você olhar para os olhos deles e perceber que eles colocaram a mão no objeto que eles estão fabricando. Perceber a felicidade deles de construir o seu brinquedo, de construir o seu colar, a sua pulseira, e eles aprenderam. Porque se eu pergunto o que eu disse, eles sabem o que eu disse, eles entenderam. Mas mesmo assim, eles fabricaram. Essa é a educação tradicional do nosso povo. aqui é a inclusão porque aqui vocês falam inclusão, para nós dentro da nossa comunidade são pessoas como nós, então mas falando um pouco da inclusão a gente também leva esse trabalho para ONGs, projetos, tudo que tem a inclusão e trabalhar com essas crianças é incrível porque para nós são crianças de grande sabedoria e que esse mundo não está preparado ainda para tanta sabedoria, então eles preferem guardar para eles mesmo as nossas palestras que é importante trazer, como eu disse o que é da nossa cultura os nossos cursos a gente está com curso a gente dá esses cursos no SESC na Unicamp cursos de grafismo, cursos da Maracá assim mesmo como no Mipid a gente faz essa parceria com esse pessoal que leva muito da cultura e é muito importante as pessoas entenderem. Esse é um curso de grafismo que a gente fez. Os nossos anciões, a gente também trabalha com os nossos anciões porque são pessoas de grande sabedoria, são pessoas que trazem uma ancestralidade muito grande e são pessoas que são muito sagradas para nós. Então, nunca nós vamos esquecer os anciões. Então, a gente também trabalha com eles. Aqui foi uma oficina que a gente fez de mitanhangá, que é a nossa boneca feita de cabaça. Levar e conhecer de nossa cultura, nosso sagrado, a arte, colidária, as danças, cantos e rito. Esse é o objetivo do Etnocidade, e na minha pessoa como a coordenadora desse coletivo. O aprendizado através da oralidade e atividade. troca de conhecimento, energia e o respeito entre todas as coisas, espaços, opiniões, orientações e existência. O que eu quis dizer com isso? Porque, na verdade, as pessoas falam muito do amor ao próximo. Só que isso virou uma frase de poema, de poesia. Porque não adianta a gente ter amor ao próximo, dizer que nós amamos o próximo, quando esse próximo realmente faz parte do nosso convívio. Isso é muito fácil. O resto, na verdade, é hipocrisia realmente, porque eu amar dentro de um contexto, dentro da minha comunidade, dentro do que me convém, dentro do meu espaço, é muito fácil. Eu quero ver você estar na rua e amar aquela pessoa, ou no mínimo, respeitar o negro que passa por você, respeitar o indígena que passa por você pintado, com seu grafismo no rosto, respeitar o homossexual que foi a orientação que ele quis. é um direito de todos nós escolhermos quem queremos ser quem nós somos então assim, é muito fácil falar de amor mas eu gostaria que as pessoas entendessem que sem o respeito a gente não tem o direito de ter um outro tipo de sentimento então, nossa comunidade foi assim que eu aprendi foi assim que os meus pais meus avós, meus bisavós me ensinaram que acima de tudo é o respeito com todas as coisas é o respeito com a nossa existência e a existência do outro O Iaguajeré Agora eu falo, Mônica É Iaguajeré Quer dizer, a cabaça que gira Ele é um brinquedo fabricado Pelas crianças Da nossa comunidade É um brinquedo totalmente dos povos indígenas E é um brinquedo que a gente leva Para as escolas, para as nossas oficinas Com as crianças Então é o que eu disse, a gente leva a oficina mas a gente leva também a roda de conversa. Mas o fabricar é importante. Hoje a gente percebe que tudo que se dá para uma criança já está pronto. Ela não tem noção do valor daquilo. Ela não tem entendimento do que se usa para fazer aquilo. Ela não tem entendimento de onde veio aquilo. Mas quando a gente leva somente as peças e ela fabrica, ela vai entender que ela colocou as mãos nela ali. Ela fabricou e ela vai brincar com algo que ela fez. É importante a gente trazer para nossas crianças que elas são capazes de fazer. Deixar de fazer com que nossas crianças sejam tão dependentes das pessoas. Dentro da nossa cultura, nossas crianças com 7 anos, elas fazem a sua primeira caça. Elas vão lá e fazem a sua primeira pesca. Elas começam daí a ter a transição da criança para o adolescente independente. Uma criança com 12 anos, que vocês chamam de criança aqui, eles estão construindo a sua primeira casa. E aí você fala, nossa, mas é somente uma criança. Só que quanto tempo vocês vão estar aqui para defender essa criança? Então, o entendimento dos povos indígenas é que eu preciso que meus filhos, meus netos sejam fortes. Eu não vou estar aqui para sempre e no dia que isso acontecer, eu preciso que ele caminhe sozinho. Mesmo que a comunidade inteira esteja ali para proteger ele. Mas ele vai caminhar sozinho, porque a existência é somente dele. Os erros e acertos vão ser somente dele. Então eu não posso deixar essa responsabilidade com uma outra pessoa, a não ser com ele mesmo. Então as nossas crianças, a partir dos sete anos, elas se tornam pessoas independentes. A mitanhangá A mitanhangá quer dizer pegar no colo É as nossas bonecas feitas com cabaça Também é o mesmo sistema É a gente trabalhar com as crianças Que eles entendam o que falamos Mas que eles também possam fabricar E um outro detalhe Dentro das nossas comunidades não existe É menino ou menina Não existe, a menina vai fazer a boneca e o menino vai fazer o peão Porque não existe isso, gente Quando a gente começa a colocar Você faz isso e você faz aquilo As pessoas não se respeitam Porque quando se pedir para fazer uma outra coisa Ela vai falar, não, eu não vou fazer Porque eu não faço isso Eu não faço aquilo Então assim, a gente tem que parar de colocar Regras nesse sentido Entender que todos somos iguais Todos somos iguais Eu posso trabalhar assim como o meu marido Se eu estou na minha comunidade Eu posso ir caçar e ele ficar em casa cuidando das crianças, ou cuidando da casa. O que seria diferente? Eu sou tão capaz quanto ele. E ele é tão capaz quanto eu de ir para o fogão, de cuidar dos filhos. E os meus filhos também são tão capazes de cuidar cada um de sua existência. Então, não existe o homem e mulher. Todos nós fazemos tudo. Isso é importante. essa foi realmente a última apresentação, eu quero mais uma vez agradecer essa oportunidade de falar um pouco sobre a nossa cultura sobre o meu povo e eu gostaria que vocês, no dia que tiver que falar do indígena que vocês dêem o espaço para o indígena falar sobre ele que o indígena seja respeitado dessa mesma forma sem ele ter que pedir para estar num espaço que é dele por direito a VTKTU eu agradeço a Lu Aramija eu só vou pedir licença para me retirar, porque eu ainda tenho dois compromissos hoje, tá bom? boa tarde eu agradeço a sua presença e disposição de estar aqui, viu, Ângela? E já passo aí a palavra à Carol, para que ela faça sua intervenção e fale do trabalho que vem desenvolvendo lá no campus do Instituto Federal. Também, né? Oi. Bom, boa tarde. É um prazer estar aqui novamente. não faz tanto tempo que a gente se reuniu que bom que a gente pode sempre avançar nas discussões então acho que essa comissão sempre dá essa oportunidade para a gente avançar nas discussões e mais que avançar publicizar as discussões acho que é extremamente importante fico feliz então em realmente compor de novo essa roda e agora com a Lu com a qual eu já conheço o trabalho e admiro, que a gente também já pôde contar com o compartilhamento das experiências dela no Instituto Federal. E eu acho que a gente vem traçando caminhos de pensar os avanços. E antes de vir para cá, eu estava pensando numa síntese de alguns elementos que acho que a gente deveria, Principalmente por estar em um espaço do poder legislativo A gente pensar alguns elementos, o que falta? A gente sempre pensa isso A Ângela, muito mais tempo que eu, mas eu que sou orientanda dela Já fazem 16 anos que estudo educação antirracista Então a gente tem uma ânsia de que as coisas aconteçam então quando eu ouço a Mônica falar, a pessoa também a qual eu acompanho há um tempão falar que bom, eu gostaria de vir aqui dizer que todas as escolas estão fazendo esse trabalho mas ainda não é isso, quando a gente consegue compilar os trabalhos que são feitos numa rede desse tamanho, é porque é pouco não adianta, sabe, quando a gente consegue e é importante a gente mostrar o trabalho, é importante a gente dizer mas quando a gente consegue ainda quantificar dizer o quanto e tal, é porque efetivamente a gente não espalhou o suficiente, não consolidou o suficiente o trabalho. E, obviamente, a responsabilidade não é só das pessoas que estão na liderança dessas ações há tanto tempo. Acho que o nosso problema é mais profundo. Então, em síntese, o que eu vim pensando também é que o que nos falta e o que nós precisamos, eu colocaria em três palavras, que seria orçamento, formação e fiscalização. Eu acho que a gente já tem um escopo legislativo consolidado para desenvolver as ações em todos os âmbitos da educação. Tendo a lei, eu já tenho condições de alterar o currículo escolar. Então, isso, a modificação, o pensamento em relação ao currículo escolar, que inclui a história e cultura africana, afro-brasileira e indígena, Ela já é um caminho respaldado, então, que demanda, obviamente, dos sistemas de ensino, das redes de ensino, dos gestores e da mobilização que isso pode ser feito, mas isso pode ser consolidado. E como exemplo, eu dou o Instituto Federal em termos de processo de documentação de currículo, a gente acaba de fazer um processo de construção dos currículos de referência do Instituto Federal, e aí foi um trabalho feito pelos núcleos de estudos afro-brasileiros e indígenas, o núcleo, pelo menos, do Instituto Federal de São Paulo, de garantir que o currículo realmente trouxe a história e cultura africana e afro-brasileira e indígena, e, na sequência, a reformulação dos cursos, que, novamente, a gente tem que ter o cuidado para que todos os cursos também façam. E, na sequência, a gente tem a formação, que é isso que a Mônica trouxe, o Instituto também desenvolve isso, mas eu entendo que, primeiro, existe essa necessidade posta, a legislação que respalda, e a gente precisa de uma fiscalização, uma fiscalização efetiva, que diga prazes, que inclusive responsabilize todos os gestores que não estão fazendo todas as redes que não estão fazendo os docentes que não estão fazendo porque é uma obrigatoriedade ou seja, quando a gente diz que em algumas instituições de ensino a história e cultura africana e afro-brasileira e indígena não está sendo desenvolvida é um flagrante descumprimento da lei da lei de diretrizes e bases da educação nacional A gente sempre cita 10.639 e 11.645, mas a gente está falando da LDB. E é isso. E aí, eu penso que a gente tem que começar a construir algumas estruturas, porque se a gente for olhar para a política de ação afirmativa, por exemplo, a gente tem uma política de ação afirmativa, na obrigatoriedade das vagas, E quando a gente olha e percebe que essas vagas, algumas delas, efetivamente não estão indo para a população negra e por conta da fraude, eu tenho o Ministério Público cobrando e eu tenho o Ministério Público exigindo as bancas de heteroidentificação. eu tenho as instituições criando as bancas e indo para um sistema que inclusive no Instituto Federal esse ano, a gente, todos os estudantes já vão passar pela banca de heteroidentificação e é uma maneira da gente garantir que a lei será efetivada que esses alunos vão adentrar a instituição e que a fraude será coibida, será freada e eu penso que para a gente conseguir avançar nos currículos nas formações e na consolidação da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena, nas escolas, nos currículos, a gente vai ter que ter a mesma postura. É a postura fiscalizatória, é a postura... Só que a fiscalização, a cobrança que deve acontecer, a gente sabe que ela também é uma dimensão do próprio serviço público. Ou seja, não é uma fiscalização... Porque quem faz isso hoje, quem cobra isso hoje é o movimento negro são alguns algumas pessoas que compõem as câmaras de vereadores alguns parlamentares que fazem isso mas a gente sabe que é o próprio serviço público que tem que construir mecanismos que nos dão esse retorno então eu acho que há uma complexidade mas a gente tem que chegar nesse ponto em que haja efetivamente esse controle maior mas para existir esse controle essa fiscalização a gente tem que dar as condições e por isso que eu falo no orçamento por quê? porque algo que está sendo negligenciado há tantos anos não vai passar a ser prioridade ou não vai passar a ser algo amplamente realizado feito no âmbito da escola, se não tiver investimento. Isso é um fato. Então, assim, eu dou o exemplo do Instituto Federal, mas é algo que a gente consegue estender. Então, assim, o que a gente olha? Quando a gente olha para as bibliotecas das instituições, a gente vê uma lacuna, ela está lá e não é de hoje. Então, no Instituto Federal, a gente fez uma análise em 2016 das nossas bibliotecas E a gente registrou que as bibliotecas não traziam as referências. Tinha uma ou outra, não é o suficiente, isso em 2016. E aí a gente, o NEABI, nesse papel de fiscalizar a própria instituição, fez uma orientação via ofício para todos os campos, com uma lista de livros que deveriam ser adquiridos em pelo menos dois anos. E aí esses livros foram adquiridos Alguns campos fizeram, outros não A gente retomou essa orientação E aí a gente percebeu que a gente tinha que ter uma ação mais efetiva E aí a gente passou a fazer a compra de livros Numa ação da reitoria Que necessariamente distribuía os livros O que provavelmente foi feito aqui em Campinas Na coleção Black Power e outras coleções Mas para pontuar que se não há um investimento A gente não consegue Então, dentro do currículo Existem lá os livros que são determinados Só que a gente precisa pontuar Que se esse investimento não é feito A gente não consegue chegar efetivamente ao resultado E tem outros elementos A compra, por exemplo, de livros Com a história indígena Também tinha mais uma camada de dificuldade Que era a aquisição desses livros escritos por escritores indígenas. Então, muitas vezes, as editoras que fazem parte dos pregões, às vezes, não têm essas publicações. Então, foi necessário um estudo da instituição e uma vontade política com orçamento para que esses livros e esses materiais chegassem até as bibliotecas. Então, eu entendo que o nosso avanço, ele necessariamente está ligado a isso, está ligado ao orçamento, ao investimento, não há como fazer isso sem. E quando eu falo do orçamento, é a compra de recursos, é a formação continuada. Então, eu vejo, de hoje, é um desafio gigantesco, porque a gente não está falando de uma formação, a gente está falando de todos esses profissionais da educação. O que é formar todos esses profissionais da educação? para avançar numa discussão. E numa discussão que, se a gente quiser fazer ela com a profundidade que ela precisa ser feita, a gente está falando de diversas áreas do conhecimento. Então, o que significa o desafio de formar os professores de educação infantil, mas formar os do ensino fundamental? Se a gente pensa no ensino fundamental 2, a gente tem um leque de áreas do conhecimento, da física, da química, da biologia. Se eu penso no ensino médio. Então, não é simples construir esse avanço. Essa experiência que a gente teve no Instituto Federal, que é com os livros, que são com as ações, a gente conseguiu, e foi isso que acho que trouxe para mim muito fortemente também essa necessidade do investimento. A gente conseguiu um projeto, eu até comentei isso da outra vez, a gente aprovou um projeto com fomento do CERT, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdade, para desenvolver um projeto no Instituto Federal. Foi o único, foram 600 projetos, o nosso foi um dos 15 aprovados no país, o único da região sudeste. Então, a gente recebeu 150 mil para desenvolver esse projeto durante 18 meses. Foi o suficiente para a gente fazer a aquisição. da coleção Feminismos Plurais, num quantitativo de livro de mais ou menos 14 para cada campus, em que a gente conseguiu comprar os recursos para o laboratório Maker, para produzir recursos de história e cultura africana e afro-brasileira, para a gente fazer o pagamento de formadores, para que eles pudessem fazer. Então, só estou dando um exemplo de uma ação que teve um fomento, e eu estou falando de 150 mil, é pouco? Não é muito dinheiro? É pouquíssimo dinheiro? Exatamente, com o efetivo de 20 pesquisadores do Instituto que estão se dedicando, que com certeza fazem, para além da sua carga horária, obviamente, é um trabalho que é acadêmico e é militante, para a gente conseguir desenvolver uma ação, que foi um diagnóstico da prática pedagógica dos professores, na sequência, uma formação, e, em uma terceira etapa, produzir recursos didáticos pedagógicos. Então, assim, mas, inclusive, ao final da ação, a gente produziu alguns recursos e a gente conseguiu levar um conjunto de mancalas produzidas em impressora 3D para uma escola estadual e fazer uma oficina. Então, estou falando de uma prática, só para exemplificar o que significa você ter essa possibilidade de um orçamento, de uma formação, e de uma fiscalização, de um acompanhamento, porque é um tipo de projeto, quando você submete um projeto dessa natureza e recebe 150 mil, eu prestei contas de cada real que eu investi em um projeto de equidade racial e de gênero, entende? Então, assim, e é isso que a gente precisa fazer. As ações, elas devem ser pensadas com metas e muito bem definidas, com resultados muito bem definidos, para a gente conseguir realmente mobilizar esses conhecimentos no âmbito de todos os níveis de ensino. Então, acho que a minha contribuição nesse sentido tem sido essa. Porque eu tenho pensado, e sempre no mês de novembro A gente amplia as nossas discussões E é muito ruim para nós termos que adentrar alguns espaços E ainda ter que explicar que o Brasil é um país racista A gente começa lá atrás, do genocídio dos povos originários A gente tem que começar lá atrás e sempre convencer as pessoas de uma determinada realidade que é uma realidade histórica que já está em todos os dados o último até chama a atenção para o último relatório que o Diese fez sobre as desigualdades no mundo do trabalho que saiu recentemente e se a gente busca os dados de educação e tudo mais, a gente tem todas essas informações ou seja, já temos todas as informações já temos o diagnóstico já temos os dados, temos a lei O que a gente precisa é de um orçamento que dê conta, que seja voltado a esse enfrentamento estrutural. Não há nada que a gente consiga enfrentar, não há um problema estrutural que pode ser enfrentado sem orçamento, sem política pública, porque a política pública não acontece sem orçamento, não acontece, a gente sabe. Então, sem um orçamento destinado a isso, sem instâncias de fiscalização dessa ação e a formação contínua de professores, de profissionais de educação, que não pode ser um ano só, não pode ser um dia só, elas têm que realmente ser consolidadas. Eu acho que a contribuição que eu posso ter nesse momento é essa. Obrigada. Eu que agradeço aí, Carol, a sua contribuição e passo então a Roberta Cristina de Paula, que é professora da Rede Pública Municipal aqui de Campinas, que a gente fez questão de convidar como companheira e pessoa que tem pesquisado e procurado vivenciar essas questões lá no chão da escola. Vamos lá, Roberta. Bem, boa tarde a todos e a todas presentes aqui, quem nos assiste. É um motivo de felicidade estar participando aqui pela primeira vez dessa comissão. Agradeço então a vereadora Guida, aos vereadores Gustavo Peta e Paulo Búfalo. É uma honra estar aqui dividindo essa mesa com vocês. Então, assim, é um motivo de felicidade também estar aqui na Casa do Legislativo. Então, isso não é pouca coisa para a gente, pensando que estamos às vésperas de comemorar 20 anos da promulgação da 10.639. Então, não é pouca coisa, gente. Então, por isso, realmente, a gente precisa se apegar a essas conquistas que, ao longo do tempo, a gente tem conseguido. Então, como o Paulo falou, eu sou professora aqui na rede municipal, professora do ensino fundamental 1, desde 2010, e geralmente trabalhando com turmas de alfabetização, ciclo 1. E para falar um pouquinho também, articular, acho que é importante eu falar da pesquisa, porque num texto do professor Marcos Ferreira Santos, da Faculdade de Educação da USP, ele diz que felizmente nós somos formados pelos diferentes contextos sociais dos quais a gente tem acesso. Então nós passamos por diferentes percursos formativos. E felizmente para nós, negros e negras, a gente muitas vezes tem oportunidade de passar por várias entidades do movimento negro. E isso aconteceu comigo e esse é um marco na minha trajetória. Então, quando eu chego na universidade, aí falando aqui mais especificamente da minha pesquisa de doutorado, não dá para desatrelar o meu objeto de pesquisa, a minha trajetória, a construção da minha identidade de mulher negra. E eu faço essa pesquisa, então, com crianças frequentadoras de uma escola de samba. Eu quis conhecer outras infâncias de crianças negras. Por que isso? Porque enquanto professora e também a minha trajetória acadêmica, as leituras, as pesquisas foram me mostrando o quanto essas infâncias de meninos e meninas são marcadas pela discriminação e preconceito racial. E aí a questão que me ficava é onde buscar outras narrativas dessas infâncias. E foi isso que me levou, então, a pesquisar uma ala de crianças na escola de samba do Camisa Verde e Branco, em São Paulo. Mas aqui, como a gente está principalmente focando na lei 10.639, Então, é importante reforçar que a tônica dessa lei é a luta contra a discriminação e o preconceito, então amplia a inclusão da história africana e afro-brasileira, indígena, afro-brasileira e africana e posteriormente indígena nos currículos, tem como base isso. É a luta contra a discriminação e o preconceito que estruturam a nossa sociedade há séculos. E, como eu disse, às vésperas de completar os 20 anos da lei, então temos aí, a gente sabe que tem um longo caminho a ser percorrido. E o que eu destaco hoje, apesar da felicidade de falar que no último dia 20 de novembro, A gente pôde ver quanta coisa aconteceu nessa cidade e eu, assim, ouvia tantos convites e vi tanta coisa sendo, eventos sendo publicizados, né? Está acontecendo aqui, ali, discussões, é um motivo, realmente, você fala como a coisa a cada ano tem tomado corpo e amplitude. Então essa data, o valor dessa data é importante enfatizar que ela então é decretada com a lei 10.639, mas isso tem um histórico muito anterior. E enfatizar então o papel do movimento negro, que a 10.639 nada mais é do que a amostra das lutas, das bandeiras que o movimento negro veio trazendo ao longo de mais de 100 anos, logo a partir do pós-abolição. Quantas e quantas entidades do movimento negro vieram pautando essas bandeiras aí, que ao longo das últimas décadas a gente tem conseguido, como a Carolina bem disse, oficializar através das leis. Mas, mesmo destacando, então, destaco que foi desde o 20 de novembro, é uma data que desde 1978, um coletivo chamado Grupo de Palmares do Sul, de Porto Alegre, ele já, foi numa reunião desse coletivo, eles já pautaram essa data, que essa era a nossa data, e não o 13 de maio. Então, para vocês verem como essas lutas vêm de longe, é importante sempre trazer essa memória e quem veio pautando isso. Então, sem desconsiderar a importância desse mês, dessa data, e não é à toa que hoje, 25 de novembro, nós estamos fazendo essa mesa, como bem a Carolina também destacou, é pensar que essa conquista histórica, quando a gente fala na lei, a gente tem que olhar para a escola e pensar assim, quanto esse mês, essa data, acaba sendo um momento de que muita coisa acontece, muita coisa acontece e é muito importante que muita coisa aconteça. Mas que a gente tem que desapegar, tem que ampliar isso, porque pautar a educação antirracista é o ano todo, é cotidianamente. E a educação antirracista, ela perpassa não só pela escola, pelo ambiente escolar, apesar de aqui estarmos falando desse lugar, mas ela perpassa toda a nossa vida, o nosso cotidiano, enquanto cidadãos e cidadãs. E, então, assim, falando mais especificamente da educação, do nosso lugar de fala, como a professora Ângela trouxe, falar da importância para nós, professores, profissionais da educação, falar da importância da formação inicial. Mas, e nós que já estamos lá, no chão da escola, como o Paulo disse A coisa está em curso, o processo educacional está em curso E que ações, então, a gente tem visto acontecer E que ações precisam acontecer para quem já está lá Que já estava trabalhando quando essa lei foi decretada Então, falando um pouquinho da experiência própria Que eu estou vivendo no SEMEFEJA Paulo Freire que é a unidade educacional que eu estou trabalhando esse ano, eu falo para vocês que eu tive a oportunidade, estou tendo a oportunidade de trabalhar com um grupo de formação nessa escola. Isso partindo do grupo de professores da escola, que trouxe essa necessidade de estudar a temática da educação antirracista. E no CMEFEJA, a maioria dos professores tem cargo horário integral. E compondo essa cargo horário integral, tem um tempo que é o TDF, é o Trabalho Docente de Formação. E nesse período, então, estou tendo, nesse tempo pedagógico, eu estou tendo a experiência de fazer um grupo de formação com esses professores, em que a gente discute a educação, então, numa perspectiva antirracista. E quando me propuseram, a gestão da escola me propôs esse desafio, eu fiquei, de certa forma, insegura, será que eu dou conta? Mas eu falei, eu não tenho direito de me perguntar se eu dou conta, eu tenho que ir. É um compromisso meu e de todos nós que somos profissionais da educação. E falando um pouquinho da proposta, então, desse curso, eu pensei, o que fazer, o que eu, se eu estivesse nesse grupo de professores e não estivesse aqui nesse papel de formadora, o que eu penso que seria importante discutir? Então, entre os temas que eu elenquei, foram temas, assuntos que eu penso que vêm antes da gente falar propriamente do currículo, de ações, de conteúdo, o que eu faço, que projeto que eu desenvolvo com os alunos. mas falar de questões que nos incomodam, porque discutir educação antirracista é um incômodo, não é fácil, é um desafio, é um desafio muito grande, que até mesmo para nós, negros e negras, perpassam essas questões. Eu digo que felizmente hoje nós estamos falando, mas nós passamos décadas com medo de falar. Falar era algo, mesmo que sabíamos o que estava acontecendo, a gente não falava E hoje a gente está falando E isso é uma grande vitória, gente Então, entre os temas, assuntos que eu pautei, me provoquei a trazer no grupo Discutir ações afirmativas, as cotas raciais, seja na educação como em concursos Conceitos que eu considero que são básicos para a gente falar sobre educação antirracista Falar sobre racismo, sobre discriminação racial, sobre preconceito racial, sobre identidade racial Sobre negro, preto Quando eu falo isso, quem é negro? Quem é preto? Porque muitas vezes nós, enquanto professoras e professores, a gente tem medo Tem medo, e isso eu vivi no cotidiano, no chão da escola de professoras chegarem e falar sabe aquele aluno? E passar a mão no braço, querendo se referir ao tom de pele dele. E não falar aquele... Poderia ter falado o nome, né? Eu acho que a gente avança quando a gente se refere ao nome. Porque é uma criança. Todos nós temos nome. Mas essa necessidade ainda de adjetivar nós, negros e negras. Porque nós continuamos sendo o outro ainda, o outro e a outra mas é importante, então já que a gente não consegue falar, a gente remete ainda esses termos de negro e preto, o que é negativo, um histórico de escravização e a gente não tem essa coragem, então é importante que a gente discuta quem é, quem somos então eu considerei importante trazer esses conceitos de racialização de branquitude também, de branquitude, porque se a gente fala em negritude, é necessário falar em branquitude, porque só nós fomos racializados e os brancos, a população branca não foi racializada. Também trazer o histórico do movimento negro, que é isso, eu acho que quando a gente fala em educação antirracista, nós falamos da lei 10.639, nós precisamos falar do movimento negro. Nós precisamos falar que fomos nós, que essa lei só existe porque nosso movimento pautou isso, historicamente na história da nossa sociedade. E falar sobre decolonialidade, que é um termo ainda estranho para alguns, mais familiar para outros, mas a gente falar em decolonialidade dos saberes, dos conhecimentos. Porque falar em escravização, o regime escravista só deu certo por causa do processo de colonização. Ou ao contrário, o processo de colonização foi pautado no regime escravista. Então, a gente precisa estar discutindo isso entre nós, profissionais. Nós precisamos saber, ter conhecimento disso. E também outros, Paulo se eu estiver me estendendo o tempo pode me falar Também trouxe, falando, articulando com essa noção de decolonialidade de conhecimento Eu apresentei o site do Campinas Afro, que foi uma feliz iniciativa Em parceria da Prefeitura Municipal de Campinas com a Unesco Que pontuou os 20 lugares de memória negra na nossa cidade Então foi criado esse site Foi elaborado um rico material de pesquisa E aí quem tiver interesse entra nesse site Eu acho que todos nós profissionais da educação e não só Temos que conhecer esse projeto, temos que estudar Temos que compartilhar isso na nossa escola entre nossos pares, com os nossos estudantes. Inclusive, aproveito a oportunidade aqui, que eu mandei recentemente um e-mail para a Secretaria de Cultura, porque esse site está fora do ar. Não sei o motivo, eu estou acompanhando, tem mais ou menos um mês, não sei porquê, e eu estava usando o site para fazer a formação na minha escola e está fazendo falta esse site fora do ar. Então, fica aqui. Então, mas foi um dos temas pautados. entre outros. Então, assim, mas... Outra coisa que é importante destacar, nesse processo de falar em educação antirracista, eu retomo a fala da Luana Mi, que é trazer... Quem fala por essas histórias? Porque nossas histórias foram invisibilizadas, negadas. Então, nós precisamos, sim, fazer diferentes pontes e discutir com diferentes sujeitos do movimento. Do mesmo jeito que a Lu traz aqui e fala, nós estamos indo na escola, porque nós somos protagonistas dessa história. E nós temos esse lugar de fala. Mesma coisa eu digo com relação às histórias afro-brasileiras e africanas. Nós precisamos trazer esses mestres e mestras, essas referências das diferentes entidades negras aqui do nosso município. trazer para dentro das nossas escolas, porque a educação antirracista, esse processo de decolonizar o conhecimento ele também está atrelado aos diferentes modos de fazer de pensar a educação a gente tem que quebrar com muito dessa educação colonizada que a gente, o jeito que a gente aprendeu a fazer e trazer essa cosmovisão africana e indígena que vai ensinar muito disso para a gente. Paulo, como que está o tempo? Três minutos? Ah, está bom. Então, assim, é tanta coisa para falar, mas acho que para terminar, se tiver um tempo depois de discussão, a gente pode aprofundar aí, mas para terminar, eu faria uma provocação aqui para vocês, porque uma das minhas professoras na Faculdade de Educação da Unicamp, a professora Ana Lúcia Goulart Faria, ela diz o seguinte, que muitas vezes nós não temos as respostas, mas que o movimento vem através das perguntas, das provocações. Então, quando eu faço essa provocação, eu estou fazendo não só para os meus pares, mas eu estou fazendo para eu mesma, para mim enquanto profissional. E antes de fazer a provocação, é também questionar o seguinte, que essa pauta, esse objetivo, ele tem que estar na agenda de não só de quem está dentro da escola, de professores, de professoras, de gestores, diretoras e vice, mas de todo o corpo que compõe a Secretaria de Educação. Desde o secretário, representantes regionais, supervisores e supervisoras, coordenadoras pedagógicas, orientadoras. Tem que estar na nossa pauta, tá? Um conjunto, isso tem que ser articulado, gente. Quem está dentro, quem está no chão da escola, quem está dentro da escola e também quem está pensando nas políticas, quem está vendo nossos planos, nossos PPs. Está olhando para esses PPs com carinho e vendo de que forma a gente está pautando essa discussão. De forma fragmentada? Porque muitas vezes continua entrando como um conteúdo fragmentado e apartado. E isso me incomoda bastante. Como eu falei para vocês, não que isso não seja validado. Mas é válido quando o novembro é um fechamento, por exemplo, de um projeto. Ou quando o novembro, ele tem a sua importância sim, mas quando essa discussão, ela é pautada cotidianamente. Quando eu, no início do ano, eu pego o meu plano de ensino e me proponho olhar se os conteúdos que eu estou pautando ali, se ele traz a diversidade, se ele representa a diversidade. E só para fechar mesmo, Paulo, a provocação que eu deixo aqui é por que as culturas africanas, afro-brasileiras e indígenas, elas continuam sendo as outras? Por que outras culturas são incorporadas sem a adjetivação? E aí eu vou usar exemplos, assim, gente, que isso é o que me incomoda, não que eu tenha resposta, né? Mas por que, por exemplo, eu acho que passa de forma tão naturalizada para a gente fazer a festa do Halloween na escola, ou mesmo agora no final do ano, eu acredito que se eu for visitar muitas escolas, a decoração de Natal está lá, bonitinha. Com a figura do Papai Noel, que se a gente for parar para pensar, o que essa figura representa na nossa cultura? Um homem branco, com uma roupa toda quente, enquanto a gente está aqui, na pindão da primavera, próximo ao verão, apesar que agora esse calendário já está obsoleto, mas como que isso a gente normatiza, naturaliza e continua implementando sem discussão? Já está ali, ninguém, não precisam mandar a gente fazer, já está absorvido isso. Enquanto nós falarmos das nossas culturas, dos nossos povos originários, da nossa ancestralidade, a gente está fazendo seminário. E ainda bem que a gente está fazendo o seminário. Tá bom? Mas é isso. Obrigada. Obrigado, Roberta. Então, nós vamos aqui abrir algumas intervenções para que a gente possa depois voltar para a mesa para uma complementação. De qualquer forma, o conteúdo dessa mesa, que é uma mesa essencialmente feminina, que veio trazer essas experiências. E é possível perceber, além da importância do tema, a diversidade, a amplitude que esse tema não só está dado nas experiências trazidas aqui, mas o quanto isso precisa ser incorporado. Eu quero relatar aqui, já falei outras vezes, as pessoas me ouvem repetindo isso, mas há 40 anos, além das minhas outras atividades, eu estudo, trabalho com uma área específica de tecnologia, que diz respeito à questão da, eu diria assim, da fabricação do aço. isso desde 82 e só recente nessa experiência que a professora Angela citou aqui da comissão de estudos presidida pelo então vereador Carlão do PT eu acompanhei essa comissão fui fazer alguns estudos e percebi assim que ao longo da minha história hoje me formei engenheiro nessa área pesquisei algumas áreas que foi que eu pude ter contato com conhecimento da base tecnológica da produção do aço que não tinha nada a ver com os livros europeus que eu estudei e que estão disponíveis até hoje acho que a Carol traz aqui para a mesa essa questão das bibliotecas é uma verdadeira guerra que é preciso travar para poder ter literaturas que tratem do tema e até a própria produção de literaturas nesse campo que de fato restabeleça as informações, as raízes desse conhecimento. Então, acho que essa é uma questão que está muito presente. E uma outra, que eu acho que vem nessa provocação que a Roberta nos traz, e também a Lu, de alguma maneira, fez essa provocação também, de como essa questão da educação afro-indígena ainda é tratada numa lateralidade tremenda. E quando é tentado no coletivo mais amplo, dos nossos colegas na escola, enfim, trazemos para o centro do debate, o quanto isso é tratado como não. é uma grita aí que não está colocado no contexto, que nós não temos essa situação aqui na nossa escola, nós somos plurais, democráticos e tal, e segue ali na tecnologia, no conhecimento, na restrição dos temas no campo da história, da culinária, da pintura legal, enfim, essas coisas. Mas não vem no significado de fato o quanto isso, essa cultura, esse conhecimento, essa tecnologia, essa pintura carrega de ancestralidade, de resistência. Então, acho bom que a gente esteja, fomos felizes aqui novamente no tema, Porque a Carol falou, há pouco tempo nós discutimos isso. Uma mesa muito semelhante a essa, que agora temos convidadas novas, inclusive estamos ampliando. Mas nós tivemos um episódio recente que, convenhamos, gente, nós estamos voltando a respirar e a gente tem que recolocar as pautas com potência. Então, eu quero abrir aqui para que a gente possa fazer algumas falas e depois voltar aqui à mesa. A Jo quer fazer uma fala, o Carlão. Vereador Paulo, eu acho que só vou conseguir ouvir duas pessoas, e aí eu vou ter que me retirar, tá bom? Porque eu tenho também mais dois compromissos hoje ainda. Olá, boa tarde. Eu sou Josiane Búfalo, sou professora, Sou professora aposentada agora pela Prefeitura Municipal de Campinas. Professora de Educação Infantil, companheira de Guida, companheira de Roberta. Eu quero parabenizar a iniciativa dessas comissões e parabenizar a mesa, as falas brilhantes que me orgulham. Porque nem sempre eu tenho orgulho dessa casa legislativa. Quero deixar registrado isso, que muitas vezes a gente tem que vir aqui muitas votações que são difíceis e que vão contrária a essas posições aqui colocadas pela mesa, de avanços, de propostas de enfrentamento e combate às violências. E eu quero aqui lembrar que hoje é dia 25 de novembro, dia da luta contra a violência das mulheres latino-americanas e caribenhas. E acho que isso é muito importante, porque as maiores vítimas de violência são as mulheres negras nesse país. Então, acho que isso não podemos esquecer. E também quero aqui fazer uma afirmenagem a uma professora que foi morta ontem em Florianópolis, na entrada da creche, pelo seu ex-companheiro, ela já tinha medida protetiva, e mais uma vez isso se repete. Então, isso acontece com todas nós, servidoras públicas, trabalhadoras domésticas então a luta é de todos e de todas contra o combate à violência e eu queria fazer uma pergunta para a mesa quais são as principais dificuldades e resistências que vocês têm na formação junto às professoras e professores junto às equipes gestoras enfim, quais são as principais resistências que as pessoas falam, não, acho que isso não é importante, isso não é necessário, quais as justificativas que vocês enfrentam aí nas formações. Obrigada. Acho que o Carlão ali. Boa tarde a todos. Ao Paulo, que preside a Comissão de Cultura, e a Guida, a nossa vereadora aqui na cidade de Campinas. Em nome do mandato do vereador Gustavo Peta, eu queria agradecer, ele não pôde estar presente hoje, mas dizer da importância que tem as ações que essas duas comissões, a Guida e o Paulo são da Comissão de Educação, mas a de Cultura tem tido nesse último período, não só no tema em questão, mas em outros. e o tema aqui traz um pouco dessa responsabilidade de tratar a educação como um pilar de divulgação de orientação e de educação no sentido mais amplo da palavra no momento em que nós estamos vivendo uma ausência da democracia ou questionamentos ao processo democrático isso se reflete diretamente na escola e no último período a gente tem visto que esses temas têm sido questionados no currículo. Ou seja, para que discutir, por que discutir esses temas? E para nós tem sido um avanço nesse último período de discussões em torno da temática não só das questões raciais, mas também das questões de gênero, da questão do respeito à diversidade, do respeito à democracia, à cidadania. E nesse sentido, muito se questiona do papel do professor nesses temas. Então eu queria também deixar uma pergunta para a mesa, qual a importância dos professores fazerem, eu não diria o enfrentamento, mas colocarem nos seus currículos e na transversalidade das matérias, esses temas, porque muitas vezes são questionados, principalmente quando essas escolas são particulares, onde aqueles que vão até elas acham que pode ditar qual seria o temário do currículo. Então quando a gente encontra esse tema hoje que as comissões trazem, a gente sabe da importância que tem não só de estar no currículo, mas de aplicá-los, porque muitas vezes não adianta estar só no currículo, ele precisa ser aplicado no dia a dia das matérias, nas reuniões pedagógicas, E eu acho que o próprio MIPID trouxe isso aqui, como parte desse processo também da formação, da divulgação e da orientação das redes, dos gestores e de colocar isso em prática no dia a dia das escolas e das instituições federais e estaduais. É isso. E mais uma vez, parabéns pelo tema da reunião de hoje. Obrigado, Carlão. Mais alguém? então eu tenho mais uma mais uma fala ali obrigada boa tarde a todos, boa tarde a mesa eu agradeço muito por estar aqui é muito gratificante eu nunca tive essa oportunidade porque eu estou sempre na sala de aula eu sou a Delminda, sou professora PEB 1 Educação Básica 1 eu atuo na educação infantil e nos primeiros anos iniciais em outros municípios. A qual a realidade não é diferente da nossa. Necessita de muito enfrentamento na questão afro-cultural brasileira, indígena e africana, que é a nossa base histórica e ela se estende por todo o nosso território. No entanto, a gente vê que quando a gente debate a escola e a prática dela, Pouco se vê sair do muro de lá de dentro Vai lá pra dentro Mas não ganha as ruas Eu vou deixar aqui uma provocação Que eu não vejo meu trabalho nas ruas Eu não vejo as minhas crianças De zero ano De dois anos incompletos Três anos incompletos Fazendo estas leituras nas ruas E muito menos dentro do seu primeiro espaço social, que é a família. Vou perguntar para todos aqui presentes, eu não tive esse luxo de ter a minha história registrada em foto, devido a minha origem extremamente, extremamente carente. Aqui tem pessoas que sabem da minha constituição de vida E eu tive essa Essa composição Quando eu vim pra Campinas E me adentrei a uma família Que tinha um rito de reunir a família Mas aí nessa casa Eu vi fotos de família A gente não se vê mais fotos No papel Pra criança fazer a leitura Elas estão escondidas. Então, como eu vou trabalhar com uma criança que vai para um contexto escolar, muros, paredes, sendo que ela não faz a leitura aqui fora? Eu não gosto que me chamem de educadora. Eu sou professora. Toda a sociedade é educadora. eu não quero ser uma professora escondida atrás de educadora eu sou professora eu tenho que levar conhecimento transmitir conhecimento eu preciso de uma sociedade educada para aprender então essa educação já tem que estar com o indivíduo dentro da escola para ele saber aprender tem que estar com o professor para o professor aprender com aquele indivíduo que vai levar E ele sai de lá e faz a leitura. Não só Campinas, como todas as cidades, tem espaços inúmeros, longas, largas, compridas as avenidas. E o que essas avenidas nos mostram? Pichação, buraco, construções depredadas, semáforos vermelhos com ninguém respeitando. Mas não mostra arte, não mostra uma literatura. O que me adianta ter orçamento, fiscalização e algo mais que é de extrema importância, mas não ganha as ruas para fortalecer nenhum movimento? Qual criança, qual escola que um dia teve a coragem de falar, não, hoje os alunos da minha escola vão desfilar nos bairros mostrando os trabalhos que eles fizeram. Os trabalhos desta escola ganharão as ruas, serão expostas em praças, em postes, em paredes, em muros. A escola tem que levar a história para dentro dela, organizar, aprender, socializar, transmitir e devolver para as ruas. Eu lamento, não vai, vai ficar cada vez dentro de plenária e dentro do querer, da vontade de ver acontecer. O catolicismo ganha as ruas com procissão, artes belíssimas. Os índios tomam a aldeia com espetáculos em círculo, para mostrar sua cultura. E onde que a cultura do negro está sendo mostrada? Onde que a cultura do povo está sendo mostrada? Quando vai para o teatro? Quando faz evento numa praça? Jumboi do Lope, a maior avenida de Campinas. Qual exposição que teve lá, do início até o final, mostrando toda a história? A maldita Anhanguera. É, porque leva o nome de um bandeirante. Ninguém sabe quem ele era. Por que que não expõe ao longo dela? Mostrando por que que chamem a guerra e o que que esse homem fez. Francisco Glicério, é um doutor, doutor Francisco Glicério. Nós andamos, pisamos na história e a gente não sabe nem onde a gente está. Então eu proponho aqui, que em vez da gente falar que a escola tem que fazer, o que a escola tem que fazer, porque tem que fazer, e é fato, e é preciso, que saiam para as ruas para mostrar o que a escola faz. De todos os povos. Porque Campinas, São Paulo, Campinas, Cosmópolis, Vinhedo, Valinhos, tem italianos, tem poloneses, tem todos os povos. E se o negro ou outras culturas têm essa cultura, temos a nossa identidade, queremos ter, queremos mostrar, queremos trazer para essa provocação, tem que sair de dentro da escola. Essa plenária aqui, eu não vi ninguém Eu nunca vejo nas escolas que eu trabalho Mandar bilhete para os pais Ou enviar à prefeitura, publicar Que vai ter uma palestra riquíssima, riquíssima dessa para a família vir A família só vai em reunião A formação é só para o professor Mandei uma atividade do índio, recebi da mãe professora, a minha filha tem 3 anos ela não pode fazer essa atividade falei, você tem toda a razão não é pra ela, é pra vocês porque a atividade que eu vou dar depois, vocês pais tem que saber como os índios foram atacados com pestes, varíolas roupas contaminadas o que fizeram com eles pra você brincar com teu filho da brincadeira que eu vou passar a brincadeira veio dos povos indígenas não foi da minha avó então é pra vocês mesmo por isso que eu pus esse vídeo é pra vocês saberem, conhecer a história pra trabalhar atividade com o filho então é fato gente instrumentalizar e deixar todo mundo ter acesso a esses instrumentos é isso mais alguém? Rubenildo, por favor Bom, boa tarde a todos, todas eu sou o Benildo, faço parte do mandato do vereador Paulo Búfalo e também sou participo de uma ONG, de uma organização da sociedade civil da cidade de Campinas, chamada Ecos e nós fazemos essa discussão sobre a questão de ensino antirracista antidiscriminatório e além de fazermos a discussão e nos propomos a reflexão fazemos um trabalho aqui na cidade com uma biblioteca e fazemos um trabalho com crianças de educação de ensino, de cultura de leitura enfim e para nós é fundamental esse seminário e toda essa discussão, porque nós entendemos, assim como ela falou, que vai muito além da escola, porque como nós sabemos, o racismo e toda a nossa cultura é voltada em uma estrutura que foi formada em cima de uma cultura racista, preconceituosa e machista. E para vencermos essa estrutura, todos os agentes da sociedade têm que estar participando. O governo, através das escolas, os professores, os gestores, a sociedade civil, com as suas entidades, os governantes, os vereadores, enfim, todas as esferas da sociedade têm que estar trabalhando em prol de que nós possamos, de fato, modificar essa estrutura a que a gente se depara hoje. E aí eu coloco duas questões rapidamente à mesa. Uma que já foi falada, que é a questão da publicidade. Às vezes é muito falho, como foi demonstrado aqui, diversos trabalhos que vêm sendo realizados, que ocorrem nas escolas, mas poucas pessoas veem, poucas pessoas sabem que ocorre. Eu acho que há uma falha, às vezes, bastante importante dessas atividades, seja as próprias atividades nas escolas, como outras atividades culturais também da cidade de Campinas. Por exemplo, a gente tem diversas falhas. A gente tem uma atuação, uma parceria com o MIS, por exemplo, e é essa parte da publicidade, das atividades é bastante falha. E outra questão que a gente entende que é importante, que vocês já falaram um pouco, é as questões das parcerias, com essas organizações que existem na cidade, que já atuam e que fazem um trabalho bastante importante, como caminho essas parcerias, a Mônica já falou um pouco, mas seria é isso, queria só agradecer a todos que estão na mesa que nos brindaram aí com as suas falas e agradecer ao vereador a vereadora e todos os integrantes da comissão Obrigado Robenildo, nós vamos então retomar a mesa e nós vamos inverter, então a primeira a falar agora vai ser a Roberta, e aí Roberta eu vou pedir que você queira responder ou fazer as suas considerações e já também fazer as considerações finais, tá bom? Olha, fiquei, tentei anotar alguma coisa de todas as questões aqui, mas foi muita coisa, né? Então, eu vou tentar falar brevemente, pra não deixar assim, né, de responder. Então, Josi, quando você traz a questão sobre as principais resistências que temos com as formações, aí eu fiquei pensando assim, se você quis dizer, se nós, enquanto professoras, temos resistência por parte da gestão, quando a gente pede formação, a gente busca formação, é isso? Só um minuto, que as pessoas que estão assistindo ao vivo, querem ouvir também. Como que as pessoas, quando estão sendo formadas, resistem a essa temática? A não querer, ao enfrentamento a isso? então vou falar bem especificamente dessa experiência que eu estou tendo esse ano, é a primeira até como formadora nesse grupo da escola que eu relatei para vocês então nesse caso não está sendo opcional porque as professoras e os professores tem essa carga na composição do horário, que é o TDF o trabalho docente de formação então não foi algo opcional os professores as professoras participam, tem que cumprir essa carga. Então, a resistência, até talvez responda a essa pergunta sua, como fechamento do curso, eu trouxe a seguinte questão, para eles produzirem um texto em que eles destaquem quais os aspectos que foram tocados nessa formação que mais os incomodam, que traz incômodo, entendeu? Porque pensando o quê? Que aquilo que me traz incômodo é aquilo que eu preciso focar, partir meus estudos, aprofundar meus estudos. Discutir cotas traz incômodo para você? É algo que ainda não é uma coisa que é confortável, isso eu não consigo entender muito bem, eu não penso que cotas seja uma política válida, ou discutir sobre identidade racial é alguma coisa que... Afinal, somos todos os brasileiros, muita gente fala assim, não tem que discutir cor, a gente não tem que falar sobre isso. E a minha pretensão é que a partir desses textos, o pessoal que participou me traga essas questões para eu poder dar uma devolutiva nesse sentido. Pensando que aquilo que mais te incomoda, que te provoca, ou causa um estranhamento, é aquilo que você... Eu digo assim, comece por aí, aprofunde os estudos nessa questão. Porque a gente precisa estudar, gente. Não dá para se pretender trabalhar a partir dessa perspectiva de educação antirracista sem estudar. Então, acho que é mais ou menos isso. E uma outra coisa que eu destaco também é, por exemplo, como a gestão não está, não faz parte desse grupo, Mas o que eu percebo, não só nessa minha experiência, mas em outras, por exemplo, às vezes quando você for TEP, aí eu vou falar de modo geral, proponho um curso. Aí o que eu vejo, até falando por mim mesma, no que bate, a demanda de trabalho. E aí como que eu caso isso, essas horas, porque eu tenho minha carga horária de trabalho. E esses cursos, no caso, fora esse que está sendo desenvolvido dentro da carga horária do professor, é uma demanda a mais. Especificamente da gestão, a gestão me fala assim, olha, não tenho como participar dessa formação porque eu estou cumprindo meu horário, eu tenho outras demandas. Então, eu acho que também é um elemento para a gente pensar. E Carlos, eu acho que quando você pergunta qual a importância dos professores fazerem a inclusão desses temas no currículo Eu acho que é mais ou menos essa a sua questão E aí eu tento retomar um pouquinho daquilo que eu falei, Carlos que mais do que... Eu acho que, num primeiro momento, a gente olha mesmo como algo... Eu acho que é meio que... É a forma que a gente tem de fazer. Incluir como... Incluir, olha, é contraditório, mas como algo apartado. Então, eu vou falar desses conteúdos relacionados à história afro-brasileira, africana e indígena. Mas aí eu penso o seguinte. eu proponho que a gente olhe de forma reflexiva para os nossos currículos para os nossos planos e como eu olho para isso e falo como que a partir disso que está aí eu trabalho isso de forma plural e diversa para não olhar de forma fragmentada será que é o que eu estou me fazendo entender? Porque eu acho que é aí que é decolonizar o conhecimento Esse pensamento decolonial, ele provoca a gente a pensar o seguinte, o que até agora a gente aprendeu é partir dessas verdades, desses conhecimentos que foram passados para a gente como os conhecimentos legítimos, que foram legitimados. E agora a gente está num movimento de questionar essas verdades. Essas verdades foram produzidas a partir de onde? Por quem? Então, assim, quando eu olho para esses conhecimentos e falo, mas esses conhecimentos foram produzidos a partir do colonizador. Dos dominadores. E como eu olho para esse mesmo conteúdo e eu trago a partir de outros olhares? Eu acho que é mais ou menos pensando no que a Carolina colocou, quando a gente olha para a biblioteca e o que está aí e o que não está. Muitos desses conhecimentos estão sendo produzidos ainda. Então, a gente está tendo que buscar, tem coisas que a gente já é acessível, a gente buscar a partir dessa perspectiva decolonial. eu gosto de enfatizar isso, porque a perspectiva decolonial é que vai trazer esses conhecimentos que tiveram a margem ao longo da nossa história. Então é isso, Carlos, mais do que eu também, eu incluir esses temas, mas eu olhar para o que já está aí e como eu desconstruo ou eu amplio. E eu questiono essas verdades que estão aí. Eu questiono. Isso vem de onde? Foi produzido a partir de onde? E como eu amplio isso? Eu acho que é mais ou menos isso. E a questão que a fala da professora, uma parceira e uma colega da REG, do Fundo de Um, como eu, é isso? Não? Infantil também. Então, eu penso assim, da sua fala, eu acho que é importante a gente pensar que a gente, enquanto profissionais da educação, não se pretender ousar dizer que a responsabilidade é só nossa nesse processo. A escola é um pilar da sociedade. Então, a gente está falando aqui enquanto esse lugar. Eu estou falando aqui enquanto a Roberta, mas enquanto profissional da educação, enquanto professora. Porque se a gente pensa assim, senão a gente fica muito angustiada Eu acho que vem essa sensação mesmo que não estamos conseguindo, que não estamos dando conta Mas a gente tem caminhado, tem caminhado e eu vejo muitas conquistas nesse processo E quando você fala de ganhar as ruas, mais uma vez eu falo que o movimento negro ao longo de décadas, a gente tem brigado, é nas ruas. O nosso espaço de militância é nas ruas. E só para dar um exemplo, a gente ganha as ruas quando a gente vai para a lavagem das escadarias da catedral, todo ano, que acontece aqui em Campinas, inclusive ontem, acho que o Paulo pode me ajudar nisso, mas que foi... Conhecida como patrimônio material. Isso, a lavagem das escadarias foi reconhecida como patrimônio material da nossa cidade. Então, isso também não é pouca coisa para a nossa história, para a história do povo negro, para a história da nossa cidade. A gente ganha as ruas quando a gente sai no 20 de novembro e a gente vai para a marcha, para a marcha de zumbi. E a gente ganha as ruas quando a gente... Mesmo que seja uma data, muito assim, que muitas pessoas vão falar, mas isso é uma data comercial, mas a gente ganha as ruas quando o carnaval acontece, quando as escolas de samba tomam, mesmo que sejam os sambódromos. E, infelizmente, a nossa cidade tinha uma tradição de carnaval muito forte aqui. Campinas foi referência ao longo de décadas e, infelizmente, o carnaval de rua não tem acontecido como acontecia décadas atrás e isso é perder espaço nas ruas e isso está ligado também com com políticas estou me estendendo demais só mais um minuto e só para falando da do comentário do Robenildo então é isso Robenildo essa educação ela vai muito além da escola concordo com você quando você fala na falha, na publicidade dos trabalhos, isso na comunicação, a gente tem que avançar muito nesse sentido e não só divulgar entre a gente entre os nossos grupos, mas tentar atingir as pessoas as outras pessoas e a importância das parcerias entre as entidades é fundamental Obrigada Valeu Roberta Já passo então a Carol Para suas considerações Bom, vamos lá Eu acho que eu vou Aproveitar a fala da Roberta Até para ter uma continuidade Aqui no nosso debate E vou trazer Essa perspectiva Da responsabilização da escola Pelas mazelas Acho que isso é muito comum e a gente tem que ter realmente uma cautela muito grande como a Roberta trouxe porque a educação ela é um pilar mas ela não pode se responsabilizar por exemplo pelo enfrentamento do racismo sozinho isso é muito importante então assim, isso responde um pouco das questões porque a educação e o professor tem papel fundamental no enfrentamento ao racismo Isso é um fato. Mas, sendo o racismo estrutural, as políticas públicas têm que pensar a economia, a política em si, têm que pensar a saúde, têm que pensar o mundo do trabalho. Então, a educação é um dos pilares e é uma das grandes forças de enfrentamento ao racismo. Então, uma educação antirracista é totalmente necessária para o enfrentamento do racismo na sociedade como um todo. E aí, é Paulo Freire, mas a escola sozinha não dá conta desse desafio. Então, isso acho que é uma coisa que tem que deixar pautada. E a importância, e aí dialogando com o colega que falou da importância dos professores e das professoras nesse enfrentamento, é que, quando a gente traz, inclusive, as diretrizes e a lei, o que está escrito? Qual é uma palavra-chave? A reeducação das relações étnico-raciais. Quem que reeduca a população? É a escola. Entende? Por mais que a gente pode ter movimentos numa perspectiva cultural, em outros espaços, mas a reeducação das relações étnico-raciais, ela perpassa pela escola, Porque é a escola que consegue construir uma representação social positiva do segmento negro, que é isso que a gente precisa. Uma representação social que é munida de uma história ancestral, de uma cultura ancestral, que foi negligenciada, que é a fala da Roberta. Então, quando a Roberta traz, olha, falar de um conhecimento decolonial é importante, é porque o que a gente tem hoje, a negligência que foi feita, obviamente, o projeto político que embranqueceu a nossa cultura, a nossa religiosidade, a nossa ciência, ele construiu uma representação do povo negro, da nossa história, que ela é ruim, que ela é pejorativa e que ela inferioriza essas pessoas. Então, a reeducação das relações étnico-raciais está ancorada na possibilidade da escola, do professor e do conhecimento trazer o resgate da memória, da história, da ciência africana, afrodescendente e indígena. numa perspectiva de novas cosmologias, numa perspectiva de protagonismo dessas comunidades. Então, quando a Lu fala, nada de nós sem nós, é isso, é o protagonismo daquele que está e daquele que construiu a história. Então, a importância reside nisso, a gente não reeduca as relações étnico-raciais sem construir novos conhecimentos, de se resgatar esses conhecimentos e, principalmente, institucionalizá-los de uma maneira formal. Então, esse conhecimento não pode ser só um conhecimento marginal, ele tem que estar no ambiente educativo. Se a instituição de ensino é aquela eleita, organizada para transmissão e compartilhamento do conhecimento formal, é aí que a história e cultura africana, afro-brasileira e indígena deve estar. E aí, com isso, as dificuldades e a resistência, elas passam por dois elementos muito básicos. Um é o componente racista da sociedade. Então, nós temos professores e professoras racistas. É isso, nós temos. E para um professor, uma professora racista, se deparar com a obrigatoriedade de transformar isso, é muito difícil. Então, a gente vai lidar com isso e com culturas institucionais extremamente discriminatórias. Isso a gente sabe. Mas não é só isso, obviamente. Então, tendo essa perspectiva, a gente tem toda essa dificuldade que é uma cultura racista, discriminatória, e a gente tem a dificuldade formativa das pessoas que não têm o repertório, não têm o respaldo, porque a gente não ensina o que a gente não sabe. e a gente não valoriza aquilo que a gente não conhece. É um ciclo vicioso. Então, a formação é totalmente necessária. E aí os professores vão dizer, eu não tenho formação para isso. Eu não tive formação inicial e muitas vezes eu não tenho formação continuada. E aí quando essa formação continuada é ofertada, muitas vezes ela é em menor intensidade. E aí tem outros, dentro dessas minúcias, tem outras justificativas. No Instituto Federal, por exemplo, é algo que o Paulo, inclusive, colocou, que é, eu dou aula de engenharia, eu dou aula de resistência dos materiais, eu dou aula de química, eu dou aula de física, e para mim esse conhecimento não faz sentido. Não faz porque não estudou o suficiente, não faz porque não teve na sua formação inicial, ou que não reconheceu a importância desses conhecimentos, porque também não reconheceu aquilo que a Angela estava falando, que são os privilégios. porque o conhecimento eurocentrado está amplamente divulgado. E aí, com isso, eu passo para a questão que a Delminda colocou, que inclusive é uma colega que eu tive o prazer de trabalhar em Paulínia, que é, no fim, quando eu olho para as avenidas, para as ruas e tudo mais, eu vejo muito da perspectiva eurocêntrica. Então, a gente fala assim, tem cultura? Não tem? Não, mas tem, está ali, eurocêntrica. porque as ruas, as avenidas e o modo como ela está estruturada não está na perspectiva indígena porque não está cuidando do meio ambiente não tem conhecimento ancestral então ela é a nossa urbanização, as nossas ruas as nossas avenidas elas tem muito da cultura eurocentrada e muito pouco das africanidades e da cultura indígena e não é fácil mudar porque se a gente está se debatendo na educação, vai tentar fazer isso na mobilidade urbana. Trazer os conhecimentos ancestrais para esses espaços. Então, eu acho que é isso. Eu acho que é muito difícil. Mas, eu penso que a universidade e as instituições de ensino técnicas e tecnológicas, elas têm avançado um pouco na perspectiva da extensão. Que a extensão é essa troca de conhecimentos necessárias entre as instituições de ensino e a comunidade. que é o reconhecimento desses saberes. Então, isso tem acontecido, é um movimento, e não é um movimento pequeno, porque no nosso país, no ano passado, a gente instituiu uma legislação que é a curricularização da extensão. Então, os currículos do ensino superior, obrigatoriamente, 10% desses currículos, tem que trazer uma perspectiva extensionista. E não há extensão sem a comunidade. É uma forma de a gente conseguir transitar nesse conhecimento entre as instituições de ensino e a escola. A Delminda está visando, inclusive, pensar a educação infantil, o ensino fundamental, o ensino médio, com esse formato. E aí eu digo que tem realmente uma razão de ser, porque é muito difícil fazer esse trabalho sozinho. Um trabalho de educação antirracista sem as famílias, ele está fadado ao fracasso. Porque o que acontece? No Instituto Federal, a gente tem um coletivo de música afroífe. E tem mães que pedem para os alunos saírem do coletivo quando eles começam a cantar música dentro de uma perspectiva do Ijexá. Quando eles trazem referência a um orixá. Então, eles pedem para os alunos saírem do coletivo. E isso é uma realidade. Então, se a gente não dialogar com as famílias e não dialogar com a comunidade, a gente não consegue avançar nessa perspectiva. Eu penso que, como instituição de ensino, eu sei que eu não vou receber esse estudante, são diversas configurações familiares, que vão adentrar o ambiente educativo. Agora, de posse dessa diversidade que é a instituição de ensino, se a gente se lançar a envolver as famílias e a comunidade naquilo que a gente desenvolve, eu acho que é um ganho imenso. Mas, para isso, é preciso intencionalidade, planejamento, orçamento, como eu já falei, para que a gente consiga avançar nessas discussões. Então, eu concordo com essa perspectiva, mas digo, é algo complexo, não é simples, acho que é algo complexo, e que a gente tem avançado sim. E aí, reitero a fala da Roberta, que isso é possível pelo movimento negro. Inclusive, sugiro, uma das leituras, que é o Movimento Negro Educador, que é da professora Nilma Lino Gomes, que ela vai falar, inclusive, isso, que é um movimento que educou, que é das ruas e que adentrou a universidade e que ainda é a nossa ponte de ligação com os movimentos, com o hip-hop, com todas as manifestações que são periféricas. E a Nilma fala da extensão, porque é uma ponte que a gente tem dentro dos ambientes educativos e que, enfim, acho que é uma saída que a gente tem. Eu não sei como a gente traz isso para a educação infantil, para o ensino fundamental, talvez é um desafio, mas a gente já tem ancorado isso em algumas instituições que acho que também nos permite avançar. Obrigado, Carol. Então, passo à Lu Arami. Obrigada. Estou aqui pensando, só estou ouvindo, E assim, nada tira do capitalismo, do materialismo, tudo se gira em torno do dinheiro. Na verdade, é tão diferente dentro das nossas comunidades. Eu senti aqui, em cada palavra da professora, a dor da forma que ela falou de como é difícil ser educador, ser professor dentro desse país. E assim, foi muito chocante para mim sentir essa dor dela aqui. Porque dentro das nossas comunidades, é tão importante que as nossas crianças sejam educadas em casa. E isso a gente percebe a diferença. Porque hoje, quando você está em uma escola, apesar de eu não ser professora, eu trabalho o maior tempo da minha existência hoje dentro das escolas, a gente percebe que a família entrega responsabilidade para o professor na educação dos seus filhos. Não entende que o professor está ali como orientador e que ele vai levar aquela criança para o seu futuro, para a sua existência. A educação, que eu quis dizer, é a educação que vem dentro de uma família. Então, a falta do respeito já começa, infelizmente, dentro da própria família. E a gente percebe isso. enquanto as pessoas olharem as outras pessoas e ligarem aquelas pessoas, sempre separando as coisas, eu não consigo entender como é que se separa tanto as coisas, se separa por religião, se separa por opinião, se separa por orientação, nunca se tem o respeito entre o espaço das pessoas, Nunca se tem o respeito porque eu considero o meu grande espírito, o meu Nyanderutupan, o meu ser ali, assim como o católico considera Deus, o de matriz africana é o Oxalá, é Buda, enfim. Enquanto não se existir o entendimento que são um só e que a gente tem que caminhar junto numa união, não vejo mudança, eu não vejo mudança. Enquanto não se entender que dentro de política pública as pessoas têm que conhecer a sua comunidade, entender a dor de cada um também não vai existir. Enquanto se houver o capitalismo, o materialismo, o consumismo dentro desse sistema, não vai haver mudança. E eu vou colocar assim para vocês aqui hoje somente uma reflexão. A minha aldeia foi construída em 1940. Em 1940, nós construímos a nossa aldeia, foi construída pelos meus antepassados, pelos meus avós, ao lado de um rio que deu origem à nossa aldeia, Rio Silveiras. Dessa cachoeira, nós tiramos nosso alimento, nós tiramos a nossa água, nós tiramos a irrigação dos nossos produtos. Por quê? Porque o indígena ainda trabalha com a sustentabilidade dentro das suas aldeias. A gente ainda trabalha com o respeito entre o nosso solo. E aí meu pai diz, em 1950 eu descia o pico do Jaraguá com meu povo e eu pescava no rio Tietê Hoje eu ainda tiro o alimento da minha aldeia, do meu rio E o que se tira do rio Tietê? É esse caminho mesmo? Essa é a evolução? Então enquanto não se pensar dessa forma que você tem que cuidar do que é seu, do chão que você pisa Do ar que você respira Isso não é evolução, gente Isso não é evolução Não vai mudar em nada Gratidão mais uma vez por esse convite Muito obrigada mesmo a VT Cato Obrigado, Lu Passo então a Mônica Bom Ligou? Ah, ligou Bom, a primeira pergunta a questão do profissional é a negação do racismo. Ele, acho que o que é mais difícil é ele entender que existe o racismo e que ele tem que ter um posicionamento frente a isso. Então, a maioria deles, não a maioria, as pessoas que são resistentes, a sua grande maioria é essa negação do racismo. Então, eles acreditam que não é bem assim, ou tal do mimimi, ou a questão de que somos todos seres humanos, né? Então, são esses os argumentos que colocam. E aí, fala, não, mas por que eu vou tratar apenas da questão indígena, da questão negra, sendo que nós temos que tratar de todos, né? Então, nós temos que trazer aí o asiático, nós temos que trazer aí o europeu, nós temos que trazer aí todas as culturas, todos os povos. Então, são muitos nessa linha de argumentação, que aí você vai estar privilegiando um determinado grupo. Então, o que a gente às vezes tem mais dificuldade é nisso. E, logicamente, nisso está atrelada a questão do privilégio branco, que não quer perder, a questão de que não quer desconstruir o seu racismo. Então, tem a resistência de desconstruir o racismo. Isso, como foi bem dito aí, o racismo está posto. Mas tem muita gente que nega isso. Nega e coloca a culpa toda na população indígena e na população negra Então se eles não estudam, se eles não conseguem isso ou não conseguem aquilo É porque não se esforçaram A meritocracia Então são pessoas que pensam desse jeito E essas pessoas eu acho que é o grupo mais difícil de quebrar Mesmo que você traga Informação, que você traga Relato, que você traga A vivência É aquele grupinho que é Cabecinha fechada E aí é o mais difícil E aí eu concordo na questão da fiscalização Se for o caso Porque tem que ter alguém que vai falar Escuta meu filho, você pode acreditar Que a batata Nasce na árvore Mas você vai ter que fazer isso, isso e isso então, às vezes é isso que tem que ser feito com esse grupo eu acredito na educação eu acredito que a educação transforma eu acredito que a educação mas tem pessoas que realmente são dificílimas então, que não sei, só obrigando talvez a questão da comunicação É um ponto também que nós estamos pensando bastante e é fato que é necessário ter uma integração, inclusive dentro da prefeitura, das secretarias, porque muitas vezes acontece uma ação cultural que é importante a educação saber. É importante passar para os alunos. É importante que toda a comunidade conheça. Então, essa questão da comunicação entre as secretarias, que é um... Quer dizer, dentro da Secretaria de Educação, já dá um... já é difícil, às vezes. Porque as coisas acontecem, às vezes, dentro, e você, às vezes, não fica sabendo. Então, a comunicação é um fato aí que impede muitas coisas, né? que precisamos melhorar. Como vamos melhorar, de qual maneira, não sei ainda, não posso te dizer. Mas que é algo que a gente já percebeu que precisa ser mudado, essa questão da comunicação, melhorado e ampliado. Com certeza. Porque daí, sim, a gente consegue trazer a família, a um número maior de pessoas para estar vendo e vivenciando algumas experiências culturais ou não. Algumas palestras, algumas vivências. Aí você consegue trazer mais gente. Mas eu acredito também que a escola, quando ela traz a família, quando ela trabalha junto com a família, ela também está ampliando a sua ação para além dos muros da escola. Então, à medida que você está conversando com aquela criança, está tendo um trabalho sendo realizado dentro daquela sala de aula, ela vai levar isso para a casa dela. A hora que a gente chama esses pais para uma atividade, por exemplo, conversário, que você como foi a Vivi, foi com a turma dela, por exemplo, fazendo a roseira com os pequenininhos e os pais, é uma forma que eles estão também aprendizados ali, gente. Estão também tendo aquela vivência. Então, também a escola consegue sair dos seus muros e ampliar um pouco mais essas ações. Ou mesmo, igual hoje, que teve aqui a passeata no Parque Azuliel, que eles saem para as ruas, fazem a marcha. Então, dependendo de como é, como também tem escolas que são extremamente fechadas, que você bate na porta e tem que ter permissão de entrar, sendo que você é um cidadão. Você poderia, pelo menos, entrar. Tudo bem, você não vai adentrar a escola, qualquer um vai entrar, Mas do portão para dentro, você deve, pelo menos assim que eu acredito, como um espaço público, você entra do portão para dentro sem ter que ficar pedindo licença para Deus e para o mundo. Eu acredito nisso, não sei. mas agora a pergunta que mais sobre o educador que realiza esse trabalho ele faz toda a diferença na vida de um jovem de uma criança, de um jovem de um adulto ele faz toda a diferença é um outro olhar, uma construção uma identidade positiva as crianças não negras e não indígenas valorizando e conhecendo e tendo acesso a conhecimentos que lhe foram legados então aquele profissional aquele que realmente implementa a lei faz ações ao longo do ano valorizando ele constrói um fortalecimento nesses jovens e nessas crianças que marca eles para sempre. Para sempre. Então, assim, é de fundamental, faz toda a diferença para esses jovens e para essas crianças. Por isso que a gente bate tanto nessa tecla, nas formações, e também batemos na questão de que, Gente, nós somos formadores, nós precisamos estudar. Não dá para falar assim, tudo bem, eu não tenho o programa Me Pide, que é um programa que fez toda a diferença também na minha vida, tudo bem. Mas o meu conhecimento veio de fora do Me Pide. Eu tive que estudar. E como todo educador deve estudar. Então, todos eles Desde lá do monitor Professor, monitor, agente Professor OP, todos tem que estudar Se está lá na LDB Não está na LDB Nós não estamos sujeitos a isso como educadores Como professores, monitores Ou orientadores pedagógicos Diretores Não estamos sujeitos a isso Não é a lei máxima nossa da educação Então nós temos que estudar independente do poder público. Eu sei que eu estou falando a fala contrária aqui, mas é que eu não conformo com algumas pessoas que simplesmente falam assim, ah, eu não sei, eu não sei trabalhar com essas questões, porque a minha vontade é de falar assim, então, vá estudar. E hoje em dia, na minha época lá atrás, era mais difícil estudar essas questões, Tinha menos produções científicas e tudo mais Agora Agora você abre o seu computador Você consegue ter esses belíssimos Estudar de reflexão Você consegue ver exemplos de atividades Então É responsabilidade de cada um de nós Independente do setor que você está Do cargo que você está É de responsabilidade estudar e se aprofundar dessas questões e estar dentro da sua função vigilante e de olho se essas questões estão sendo abordadas dentro das salas de aula. Então, se é o OP que está diretamente ligado ao professor, ele tem que ter esse olhar. Se é o supervisor que está de olho nessa escola, ele tem que ter esse olhar. cada um dentro da sua função. Então, é isso que eu acho que todos os educadores, hoje em dia, não têm mais desculpa. Acesso à informação, à formação, tem. Tem. Tem o MIPID? Tem o MIPID. Estamos aqui, abertos, disponíveis para todo tipo de orientação que a gente puder. Também não sabemos todos, não, Mas estamos abertos Mas hoje em dia A gente consegue Um seminário Localizar um seminário Ver um seminário Uma fala, um palestrante Enfim, não tem desculpa Para mim não tem desculpa Então obrigada Paulo, pela oportunidade Obrigada por essa mesa, por essa tarde maravilhosa De reflexão E é isso Bem, agradeço aí a Mônica, então. Nós estamos chegando aqui ao final desse seminário, organizado em conjunto pela Comissão de Educação e Esportes aqui da Câmara Municipal de Campinas e a Comissão Permanente de Cultura. Acho que fica questões ainda a serem debatidas. A própria Carol traz aqui alguns desafios reflexivos. a mesa toda, mas ainda nós queríamos até ter alguém da rede estadual, de educação básica aqui, alguém também da rede particular, para que a gente pudesse falar um pouco de outras experiências, mas nós vamos ter essas oportunidades, as nossas comissões estão preocupadas e farão isso em outros momentos. então o seminário ensino da cultura afroindígena nas escolas como política efetiva para a superação do racismo vai chegando ao final poderia aqui comentar vários aspectos levantados aqui mas para aqueles que estão chegando agora inclusive aqui nas transmissões da TV Câmara, nas nossas redes sociais enfim, esse material vai ficar disponível Eu quero aqui dar noção da qualidade dessa mesa, pelo currículo, breve currículo, dessas mulheres que falaram aqui. Então, nós já tivemos aqui a presença da vereadora Guida Calisto, que também compõe as duas comissões aqui conosco. Nós temos uma representação do vereador Gustavo Petra, que é presidente da comissão de educação da casa, mas a mesa foi composta pela professora Ângela Soligo, que é docente colaboradora da faculdade de educação da Unicamp, pela Caroline Felipe Jango da Silva a Carol que é pedagoga, doutora em educação pela Unicamp, diretora do Instituto Federal do Campus Hortolândia a Roberta, Cristina de Paula, que é professora da educação básica, doutora em educação também, membro de grupos de pesquisa tanto da USP como aqui da Unicamp, integrante do grupo de teatro e danças populares Urucungos Puitas e Quingengues e dançarina popular a Lu Arami que é coordenadora da Etnocidade, que é um coletivo e ponto de cultura que atua em Campinas e na região, dando visibilidade às culturas indígenas e a Mônica Aparecida Queiroz que é pedagoga, professora articuladora da Central, do Programa Memória e Identidade da Promoção da Igualdade Racial e da Diversidade, o MIPID, aqui da cidade de Campinas. Todas elas intelectuais orgânicas, conforme os pensamentos do Gramsci, e também militantes das políticas públicas e da educação afro-indígena como instrumento de combate, como instrumento antirracista. Por isso quero agradecer demais a presença de vocês e com isso dar uma noção para você que nos acompanhou da importância desse debate promovido aqui pelas comissões de cultura e de educação da Câmara Municipal de Campinas. E com isso agradecer a presença de todas, todos e todos que estiveram aqui, que nos acompanharam e declarar encerrado aqui o nosso seminário. A gente conversa agora com o vereador Paulo Búfalo, ele que conduziu aqui o seminário. Vereador, uma tarde rica com muito debate, muitas discussões. Que balanço o senhor faz desse encontro? Bom, balanço positivo e acho que para a Câmara Municipal de Campinas que nesse mês de novembro se lançou a essa atividade de tanto ouvir nos parlamentares, mas também da ampla publicidade a luta do combate ao racismo e antirracistas na cidade, ela ganha maior importância ainda porque trouxeram elementos aqui plurais, diversos, daquilo que deve compor uma política pública de combate ao racismo e de efetivação da educação afro-indígena nas escolas públicas. E daqui, como hoje, por exemplo, dá para surgir várias políticas públicas propostas? Não, sem dúvida. Esse material vai ficar disponível e vai servir aos educadores e educadoras que queiram propor isso nas escolas, bem como a informação dos canais aqui, onde podem buscar tanto questões referentes à cultura afro-afro-brasileira e indígena. Vereador, muito obrigado pela entrevista. Eu que agradeço aí vocês da TV Câmara pela cobertura. Valeu. Encerramos aqui a transmissão ao vivo do seminário. Logo mais, retornaremos ao vivo também com audiência pública. Então, continue com a gente acompanhando a programação aqui da TV Câmara Campinas. Legenda Adriana Zanotto