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[Música] TV Câmara Campinas Boa tarde gente ai que gostoso ver todo mundo aqui todo mundo presente bom boa parte de vocês me conhece eu sou psicóloga do isbeth é um prazer ter vocês aqui hoje para a gente falar de um tema muito importante que é o mercado de trabalho empoderamento feminino e para essa palestra a gente conta hoje com a presença da Fernanda psicóloga também da Fran que é advogada e também da doutora Jaqueline que também é advogada elas são as nossas convidadas de hoje vão conversar com vocês sobre esse tema espero que vocês aproveitem muito para depois a gente levar um pouco mais lá para os Beth sobre esse lugar tão importante para a gente boa palestra para todo mundo menina sejam muito bem-vindas e muito obrigada pela participação de vocês Obrigada Vitória Boa tarde a todas e todos é muito importante realmente o tema que a vitória nos Pediu para conversar com vocês queria agradecer a disponibilidade de vocês estarem aqui com a gente nos ouvirem a gente tem uma um planejamento do que a gente gostaria falar mas eu queria começar fazendo uma pergunta para vocês que estão aqui com a gente vocês já tem alguma ideia de qual é a carreira profissional que vocês pretendem seguir tem quem fez assim com a cabeça pode me contar o que seria farmácia que mais direito que mais gastronomia nutrição veterinária bem variada Olha que legal que mais psicologia o couro da Psicologia que tá eu tô me sentindo até constrangida que mais e é normal também que com a idade de vocês a gente não tenha certeza de quais carreiras a gente vai seguir eu acho que vale a pena já que nem todo mundo falou para a gente né O que pretende fazer contar para vocês que eu não com a idade de vocês eu não tinha a mínima ideia do que eu faria quando eu terminei o ensino médio eu prestei vestibular para áreas completamente distintas eu prestei moda prestei artes cênicas prestei engenharia química e para ser química e virei advogada Então eu só comecei a faculdade com 21 anos eu precisei de toda essa reflexão desse tempo de amadurecimento para entender qual era a carreira profissional que eu queria seguir e quando eu escolho eu me deparei com algumas dificuldades principalmente por ser mulher e aí a gente tem hoje uma minoria masculina aqui mas é muito importante que esse assunto seja discutido também com os homens eles devem ser nossos parceiros aí nessa nessa tentativa de mudança desse cenário e eu vou fazer outra pergunta para vocês Vocês conseguem me dizer Vocês conseguem imaginar Quais são as dificuldades que vocês vão encontrar na carreira de vocês e aí uma pergunta para as meninas pelo fato de serem mulheres bem remunerada não ser bem remunerada que é mais por achar que uma mulher não consegue dar conta do próprio restaurante sozinha Qual mais Qual mais dificuldade vocês acham que vocês vão encontrar falta de reconhecimento mais alguma coisa bom eu vou começar dizendo para vocês que no Brasil realmente a gente tem uma diferença salarial entre homens e mulheres que é assustadora mulheres exercendo as mesmas atividades nas mesmas nos mesmos lugares nas mesmas condições com o mesmo tempo de contrato recebem em média 20% menos e isso é uma questão histórica Então para que a gente consiga falar para você sobre o mercado de trabalho empoderamento feminino é importante que a gente comece pela história quem é que gosta de história Alguém tem que gostar gente principalmente quem falou que vai fazer direito Então tá porque porque essa diferença salarial essa dificuldade de reconhecimento essa dificuldade de representatividade de ocupar espaços tem origem na nossa formação a gente tem uma formação social e cultural baseada no que a gente chama de patriarcado a gente vive uma sociedade impregnada pelo machismo estrutural e isso começa muito lá atrás quando a gente volta na história a gente fala por exemplo da era medieval a gente precisa se lembrar e eu vou trazer só para realidade do Brasil tá não vou tentar não falar do mundo mas no Brasil naquela época a gente tinha quem a gente tá falando dos indígenas né dos povos originários e o trabalho naquela época era dividido já de acordo com a idade o sexo biológico e eu tô falando sexo biológico porque naquela época a gente ainda não falava de gênero então por isso Só que essa distinção das atividades né do trabalho desenvolvido pelo pelas mulheres é percorreu década séculos até chegar o momento que a gente tá hoje na história é importante que a gente se lembre que a mulher para a mulher era reservado os ambientes privados então durante muito tempo a mulher ela era criada ela era ensinada que o trabalho que ela iria desenvolver era o trabalho doméstico então trabalho de cuidado cuidado com a família cuidado com os filhos cuidado com os animais cuidado com a casa essa essa manutenção da mulher no ambiente privado é um reflexo do machismo que entendia e entende até hoje por mais que a gente tente desconstruir isso e venha trabalhando para mudar esse cenário entende que o homem cabe o ambiente público ao homem cabe o espaço externo e por esse motivo os homens tiveram acesso mais rápido muitas das profissões que vocês inclusive citaram aqui na gastronomia por exemplo a gente vê uma maioria de homens na posição de chefe enquanto a partida os auxiliares as auxiliares de cozinha muitas vezes são as mulheres Então essa história da mulher no mercado de trabalho ela precisa ser conhecida por vocês para vocês entenderem porque nós chegamos aqui porque essas dificuldades ainda existem e para a gente começar a pensar como é que a gente vai romper Essas barreiras aqui ninguém de vocês falou por exemplo que gostaria de trabalhar com engenharia engenharias civil Enfim vou focar na engenharia civil a engenharia civil ainda é um ambiente de trabalho um mercado de trabalho dominado pelos homens assim como muitas profissões Mas eu posso falar pela minha no direito hoje a na advocacia as mulheres são mais de 50% dos profissionais atuando no Brasil no Estado de São Paulo também em Campinas também nós estamos ocupando os nossos espaços estamos alcançando essas posições mas a gente ainda fala de um país que tem salários diferentes para mulheres e homens e a gente não veio aqui né Fran para falar para vocês que nosso caminho vai ser muito difícil desistam não a gente veio contar para vocês que isso tudo aconteceu acontece e Continuará acontecendo porque a gente tem uma estatística que foi divulgada pela ONU na semana passada de que a gente só vai alcançar a igualdade de gênero daqui 300 anos então as nossas gerações não verão essa mudança mas alguém vai precisar ver essa mudança e a gente precisa plantá-la Então reconhecer as dificuldades que nós tivemos preocupar esses espaços é o primeiro passo para que a gente entenda por exemplo porque que hoje a gente tem políticas afirmativas Você sabe o que é isso por exemplo as cotas em universidades são políticas afirmativas são medidas que visam corrigir algo que foi que é errado né que na história foi foi causou algum prejuízo para determinada parcela da população então a gente precisa conhecer e aí eu vou contar para vocês uma coisa muito bacana porque eu não sei se vocês usam essa imagem que eu vou falar para vocês nas redes sociais ou em outras coisas mas quem é que já viu uma imagem que é uma mulher com braço assim com uma toquinha na cabeça no cabelo eu vou tentar mostrar para vocês eu tenho ela aqui ó essa imagem aqui quem já viu essa imagem vocês sabem o que ela significa ninguém sabe ninguém nunca usou essa imagem ninguém nunca repostou para vocês entenderem O que é o mercado de trabalho também eu preciso contar para vocês que essa imagem ela foi utilizada pela indústria automobilística durante a segunda guerra mundial o que que a gente teve lá naquele período as mulheres estavam aonde Trabalhando dentro das suas casas e durante a guerra os homens foram para guerra então a gente teve o quê os profissionais da indústria automobilística sendo retirados da indústria automobilística e quem ia continuar o trabalho a indústria automobilística Então fez uma campanha dizendo we can do it vocês podem fazer isso para atrair as mulheres para trabalharem nas indústrias e para que não parasse a produção o nome disso também é capitalismo né acontece que por mais que isso pareça super legal e a gente fala assim nossa as mulheres foram para o mercado de trabalho elas saíram de dentro das suas casas e Entraram na indústria a grande verdade é que quando a segunda guerra acabou o que que vocês acham que aconteceu as mulheres foram demitidas os homens voltaram e as mulheres voltaram para o ambiente privado então eu sempre falo dessa imagem é para a gente parar de usá-la como uma forma de demonstrar empoderamento feminino e para que a gente Pare de usar ela como se ela fosse um símbolo da nossa vitória e do nosso acesso ao mercado de trabalho porque na verdade ela é completamente oposto ela é o símbolo de que quando é necessário nós temos espaço Mas esses espaços são tirados da gente quando os homens voltam a ter essa possibilidade de ocupá-los E isso não mudou então eu acho que a gente pode começar a nossa conversa hoje trazendo essa essas histórias que eu contei e começar a falar um pouquinho então do mercado de trabalho agora Boa tarde pessoal como vocês estão tá todo mundo confortável aí Ah então tá bom pessoal eu sou psicóloga e lá no comecinho da minha carreira Eu me formei em 2012 então Façam as contas aí não da minha idade por favor mas eu em 2013 a 10 anos atrás eu trabalhei como a Vitória eu trabalhei com jovens aprendizes e só que eu não sei como que a Vitória faz com vocês mas eu tava nos cursos de capacitação eu dava aula para os jovens aprendizes falava sobre postura ética sexualidade tudo que o MEC orienta que a gente fale para os aprendizes né e eu gostava muito de estar com vocês com esse público jovem porque eu acho que vocês têm uma energia muito boa eu aprendi muito tem uns aprendiz que estão na minha cola até hoje que são tipo meus amigos ficaram na minha vida então acho que vocês têm um potencial muito grande de mudança social Eu tenho algumas coisas para falar com vocês sobre mercado de trabalho e eu gostaria de perguntar para as meninas que estão aqui e pensando que não sei muito bem nesse dá para dizer que a gente vai ficar aqui no sigilo mas assim Alguma de vocês já vivenciou alguma situação desconfortável no ambiente de trabalho eu não vou pedir para vocês relatarem se não tivesse gravando nem nada Eu pediria Esse é um outro ponto né que a gente acaba passando nós mulheres temos uma grande questão não só questão salarial a questão dos cargos nós não temos muitas mulheres em cargos de poder cargos de liderança e dentro dessa corrida nós temos ainda menos mulheres pretas né dentro de uma assim de uma pirâmide social a mulher preta ela acaba ficando sempre em último lugar então quando a gente vê uma mulher preta ali ocupando um espaço que Originalmente sempre é negado a ela é uma grande vitória né é quantas de vocês às vezes são as primeiras a concluir o ensino médio a querer cursar uma faculdade na família né existem muitas histórias assim e fora isso existe dentro do ser mulher uma grande questão de que o nosso corpo é visto como objeto então muito cedo a gente pode passar por experiências assim dentro do mercado de trabalho então ser mulher muitas vezes é não ter um dia de paz né é na rua é no trabalho às vezes dentro das nossas próprias casas né E falar desses assuntos Pode parecer assim muito desanimador E aí a gente acaba trazendo esses dados e a gente acaba falando dessas coisas e parece que nossa a gente tá aqui desmotivando vocês não é isso conhecimento é poder então saber dessas coisas saber em que lugar nós estamos hoje é que traz e gera mudança e faz com que a gente possa mudar ainda mais o contexto social é o tema da palestra traz a palavra empoderamento quem é consegue me contar o que que é empoderamento que mais legal que mais os meninos também podem falar sabe Ah mas você tem uma cara de que fala muito bem seu amigo até te seu amigo até te olhou assim tipo Quem mais tem uma ideia assim do que seja empoderamento e quem tá aqui se sente empoderado ou empoderada alguém arrisca aí ergue a mão legal o empoderamento é como você chama não ela Verônica Eu gostei muito da definição que a Verônica trouxe né que é você dar ou devolver poder para algo né e é justamente isso empoderamento virou frase de camiseta né definição de camiseta né uma coisa assim e isso acaba acontecendo muito na sociedade que a gente vive hoje em que conceitos políticos eles são absorvidos pela sociedade capitalista e eles acabam virando conceitos assim de consumo né Então vira um conceitos muito banalizados mas a palavra empoderamento é uma palavra que não dá para ser banalizada dentro de um de um viés feminista a palavra empoderamento ela vem justamente dentro do que a Verônica falou para a gente é devolver o poder que foi retirado então falando sobre nós mulheres por exemplo lá atrás a gente vivia nos tempos mais primitivos em sociedades que eram matriciais ou seja ou seja eram sociedades que se organizavam baseadas a partir do feminino e aí as mulheres tinham muito mais poder de decisão tinha muito mais voz e ao longo dos anos esse poder foi retirado de nós veio todo esse sistema que a gente chama hoje de patriarcado e nós somos destituídas desse lugar então empoderar significa isso E aí conforme a gente vai tendo o contato com esses conceitos a gente vai se empoderando e a gente vai conseguindo falar sobre essas coisas a gente vai conseguindo militar a gente vai conseguindo se defender e tudo mais é um outro dado importante relacionando tudo isso que eu tô falando com o mercado de trabalho é que algumas profissões viraram meio que profissões exclusivas de mulheres tem uma psicóloga chamada Valesca zanello ela é pesquisadora da UnB e ela Pesquisa esse tema de gênero há bastante tempo e ela explica que nós mulheres somos direcionadas para o cuidado que que isso quer dizer aquilo que a Jaque tava falando né Nós durante muitos anos ficamos na vida privada e aí nós somos socializadas para o cuidado então nós temos muito esse olhar para o outro para proteger o homem para sermos mães para cuidar de todo mundo e a gente não tem um lugar dentro da nossa própria vida então o que que sobrou para a gente profissões de cuidado alguém se arrisca que que são profissões de cuidado enfermagem que é mais sinto dizer psicóloga de vez em quando advogado é profissões da área da saúde principalmente né que são profissões de cuidado Então essas profissões que hoje em dia majoritariamente tem mulheres à frente o que que acabou acontecendo virar um profissões que as mulheres acabaram aderindo e foram profissões que foram sucateadas ou seja houve uma diminuição na remuneração porque viraram profissões de mulheres ao passo que profissões que são associadas a homens são profissões que continuam sendo valorizada E aí são profissões também que são marcadas pelo machismo então por exemplo medicina engenharia o próprio direito eu tenho alguns relatos de mulheres que fazem medicina e é um ambiente extremamente hostil para as mulheres algumas especialidades são muito complicadas os chefes são muito agressivos eles verbalizam assim para de ser mulherzinha que que você tá fazendo aqui e etc as meninas muitas vezes se sujeitam elas matam um leão por dia para estarem ali para conseguir de fato se formar e realizar o sonho ali de ter determinada profissão engenharia civil também um bom Exemplo né Eu já tive pessoas que eu atendi mulheres que mestre de obra não respeita os pedreiros não respeitam né E aí vem um homem fala uma vez e aí acabou então é bastante complicado então a Fernanda por conta disso eu tenho que desistir desse Campo de trabalho que eu quero e que ainda é dominado por homens a área da informática ti né também ainda uma área dominada por homens não muito pelo contrário as mulheres precisam ir ocupando cada vez mais esses espaços e mostrando que esses espaços também são nossos eu tenho uma jovem que eu atendo e ela tava me falando que ela gosta de escrever sobre si-fi ficção científica e fazer uns contos meios assim umas coisas assim e Ela tava falando que normalmente o que se vende são as coisas que vem dos Estados Unidos do Norte né e dos homens e aí eu falei para ela então mas se você não começar a ocupar esse espaço e não começar a fazer os seus contos a gente nunca vai ter uma mulher da América Latina no Brasil né E principalmente uma mulher falando sobre isso sobre esse tema então é direito seu ocupar esse espaço a gente precisa ter essa representatividade então eu não tô dizendo que vai ser fácil e que a gente vai pintar o mundo de cor-de-rosa e a gente né vai sonhar e vai ser possível mas vocês precisam e devem ocupar esses espaços contem com a gente nessa rede de apoio aí de vocês e vão atrás vão atrás porque a gente vem aqui trabalhando e batalhando muito para ir abrindo espaço para vocês e que vocês possam também abrir espaço para as gerações futuras eu acho que da minha parte sobre mercado de trabalho é isso não sei vocês tem algum comentário alguma dúvida querem compartilhar algo não já aqui Boa tarde tudo bem com vocês não cumprimentar aí em nome da Isbet né a Fernanda tem mais aqui a Jaqueline e Franciele três mulheres empoderadas uma psicóloga duas advogadas eu acho que nessa semana mês que a gente comemora e mês internacional da mulher falar para jovens aprendizes a importância do trabalho né do esforço que a mulher vem fazendo para conquistar seu espaço no mercado de trabalho e são exemplos reais e que isso é possível e cada uma deve ter a sua história sua trajetória enfrentaram cada uma da sua maneira e as dificuldades mas conseguiram Vencer é só um exemplo de que nada é impossível para quem quer realizar um sonho e é legal ver também nesse tema né mercado de trabalho empoderamento feminino a gente terminamos participando né É porque a gente precisa também desenvolver essa consciência nos homens é deixar de lado abandonar aquela cultura machista daquela sociedade patriarcal que muitos de nós vocês agora não né mas eu vivenciei muito foi educado disso e a gente precisa desconstruir isso nós somos uma sociedade independentemente do gênero todos têm que ter o direito de construir seu projeto de vida é para aquilo que é a sua vocação a sua aptidão o seu sonho eu acho que as mulheres têm ajudado muitos nós homens pela luta delas a gente também tá compreendendo melhor como é essa sociedade mais igualitária é compreender os desafios são importantes né Mas a partir de exemplos como esse que demonstra que é possível vencer certamente [Música] todo mundo tem Parabéns que vocês têm sonho porque são os nossos sonhos que dão motivação para gente são os nossos sonhos que dão sentido para o nosso viver é porque todo mundo tem um sonho vocês aí e nós continuamos sonhando que vocês acordam todo dia vai para escola depois vai para empresa no projeto jovem aprendiz vai buscar mais alguma qualificação mais alguma especialização sem perder de vista ou direito ao lazer a diversão né o relacionamento que a gente tem que construir eu acho que para o nosso futuro essa que a gente chama de networking né Essa nossa rede de relações é fundamental e a gente tem que começar também aprender a construir essas relações com quem podem ajudar na construção né e na concretização dos nossos sonhos depende de cada um mas tem muita gente que pode colaborar com a gente mas a gente pode atrapalhar também então a gente tem que estar atento a isso eu tenho certeza que vocês têm um futuro Fantástico e com esses exemplos e com esses toques que estão sendo dados aqui acho que isso vai ajudar vocês aí nessa nesse caminho Em Busca do Sonho de vocês e do sucesso legal sejam bem-vindos a câmara é muito gostoso viu mais uma vez aqui recebeu isbeth para esses temas eu acho que faz parte aqui a casa do Povo né a câmara o poder legislativo Municipal é a casa do Povo Na verdade vocês estão na sua casa e quanto mais vocês vierem aqui acompanharem entender como é que funciona esse espaço esse poder para que serve o vereador Para que serve a câmara eu acho que ajuda também a construir uma sociedade mais consciente mas exigente mas cobradora dos seus direitos Parabéns sejam sempre bem-vindos obrigado vereadora gostaria de agradecer as palavras e agradecer o espaço enquanto o senhor estava falando eu tava aqui planejando o que eu falaria na sequência eu ia dizer Exatamente isso a respeito da casa que é do Povo né a nossa a nossa casa Legislativa e antes de passar para Fran que ela vai falar uma coisa super importante eu queria entrar rapidamente na questão que é a participação política das mulheres Campinas pela primeira vez Tem quatro mulheres vereadoras mas esse é um número muito pequeno em comparação com as cadeiras que nós temos aqui no legislativo nacionalmente falando nós ocupamos pouquíssimos espaços e por mais que para vocês com essa idade pareça chato falar de política queria contar para vocês que lá no futuro vocês vão se lembrar dessa importância mas seria muito legal que nessa idade a gente já tomasse consciência de que primeiro política não é só política partidária cada ato da nossa vida política e quando a gente é mulher eu sempre digo isso Vereador tudo que a gente faz a política todas as nossas decisões são políticas Então se interessem pela política se interessem em compor e estar nos Espaços que são nossos do cidadãos se interessem se vocês não se interessam se vocês não têm ideia nunca pensaram na possibilidade de um cargo Eleitoral de ocupar um espaço legislativo ou no executivo entendam que o cidadão também tem deveres políticos e eu digo deveres porque a gente briga bastante por direito mas a gente precisa exercer os nossos deveres também tá bom e eu vou passar então para a Fran que ela vai falar uma coisa muito legal só aproveitar o seguinte sabe a pior coisa que pode acontecer para quem não gosta de política ser governado por quem gosta então sempre apertando a nossa vida parabéns eu peço licença que eu tenho outra reunião [Música] bom eu queria falar com vocês alguma algumas coisas que elas acontecem no nosso dia a dia e elas às vezes passam despercebido e a gente às vezes nem entende o porquê que aquilo acontece pegando o gancho da Fer falando que nós mulheres nós fomos criadas para cuidar dos maridos dos filhos dos companheiros e quando a gente entra no mercado de trabalho esse cuidado que foi nos imposto lá atrás a gente continua fazendo isso então a gente passa até uma jornada dupla a gente trabalha fora de casa a gente tem a nossa profissão igual a dos homens não ocupamos os mesmos lugares mas é junto com eles e aí em casa esse serviço é só e na maioria das vezes feito só pelas mulheres e o caminho inverso ele não vem acontecendo a mulher que trabalhava só em casa ela sai para ir para o mercado de trabalho para trabalhar igualmente o homem no mesmo horário que os homens e ela chega em casa e ele não divide esse trabalho com ela então eu estou saindo da minha casa trabalhando fora o homem também está trabalhando fora e quando a gente volta para casa só eu continuo trabalhando só eu continuo tendo essa jornada dupla e é uma coisa que agora a gente consegue ver uma evolução um pouco após os lentos né porque a gente já entende que nós não somos obrigadas a cuidar da casa a cuidar de ninguém e o contrário não acontece porque o machismo estrutural fez com que nós fossemos criados dessa forma e está enraizado inclusive na gente nós mulheres a gente se sente muito culpada quando a gente não consegue por exemplo levar um filho no médico e o marido ou o pai da criança tá no trabalho e ele não posso sair de jeito nenhum a maioria Quem vai levar é a mulher e se ela não faz isso ela se sente culpada e o contrário também não acontece se o pai não leva se o homem não leva ele não sente essa culpa porque nós estamos ocupando esse lugar agora esse lugar de trabalho no ambiente de trabalho que antes não era nosso então a gente ainda está aprendendo a lidar com isso E aí o que que eu queria deixar para vocês é como a Fer disse a gente difícil não é fácil mas a gente precisa lutar e nós estamos todos todas juntas quando eu falo todas juntas é porque nós mulheres a gente consegue nesse lugar a gente se entende melhor não que os homens não possam nos ajudar a chegar nesse lugar que que é nosso por direito que nos foram tirado ou ceifados lá atrás então é esse lugar para elas é muito mais fácil entender que elas podem chegar onde elas querem quando elas olham aqui para frente e vem uma psicóloga duas advogadas que estão aqui tem todo uma história para chegar onde tá e que a gente luta por vocês a gente tá aqui falando sobre a mulher no ambiente de trabalho para que vocês possam daqui um tempo também tá ocupando esse lugar e falando para outras mulheres que elas podem sim ocupar o lugar que elas quiserem chegar onde elas quiserem e aquele trabalho formiguinha né aqui um vai passando para o outro vai passando para o outro até que um dia a gente consegue chegar nesse uns 300 anos que falta que seria esse esse Ambiente Ideal Tá bom acho que era isso eu tenho uma dificuldade com tecnologia vocês já idade olha vocês viram que ela tá fazendo bullying comigo e assim quando não tem público Ela diz que a diferença de idade entre a gente é pequena eu não tô entendendo Luana minhas costas tá ali me olhando ela fala não fala que é pouco tempo de diferença agora é a idade Fernanda Bom eu acho que talvez vocês esperassem da gente falando de mercado de trabalho falando assim como vocês fazem um currículo como vocês passam por uma entrevista a questão é que é muito mais complexo para que a gente que é mulher estar nesses espaços então a gente quis compartilhar um pouquinho da dificuldade mesmo porque a dificuldade que faz a gente olhar para tudo que vem acontecendo talvez com mais ânimo de fazer a mudança para vocês terem uma ideia esses 300 anos são novidades na nossa vida esses 300 anos que a ONU fala que são que é o período né que a gente vai demorar para alcançar a igualdade de gênero há quatro anos nós falávamos em 180 anos então em quatro anos a gente teve a capacidade enquanto sociedade de distanciar nos ainda mais dessa igualdade aonde a gente está falhando O que que a gente tá fazendo de errado como a gente conseguiu em quatro anos para vocês que são jovens 4 anos parece uma eternidade para gente bom essa semana completei 10 anos de advocacia Isso significa que faz 15 anos que eu pedi a primeira vez na sala da faculdade meu Deus Isso significa também que faz 15 anos com conhecer a Luana o que é chocante então é para vocês Pode parecer muito tempo mas a gente está falando de um período muito curto em que alguma coisa deu errado a gente desandou então se a gente conseguiu aumentar essa distância a gente também consegue diminuir Então a nossa participação hoje conversando com vocês é para sim motivá-las de que existe espaço para as mulheres em todos os lugares e para vocês meninos para dizer que vocês têm que ser nossos parceiros nessa luta não adianta a gente é assim eu costumo dizer que a gente vai conseguir sozinho tá vocês não quiserem ajudar a gente vai só vai ser um pouquinho mais difícil por enquanto a gente tá pedindo ajuda né então seria muito legal que é muito importante que vocês Ouçam também que vocês estejam aqui e vou contar para vocês que a gente tá fazendo eventos para profissionais já ao longo desse mês e tinha homens Franciele nos ouvindo falando exatamente desse tema Claro com recorte para advocacia nós não tínhamos homens nos ouvindo e a mudança começa então por vocês também então o nosso compromisso agora firmado entre nós é vamos reduzir esses 300 anos ocupando os espaços que vocês têm vontade de ocupar então nós veremos uma chefe nós veremos uma nutricionista nós veremos uma advogada eu esqueci astronomia veterinária uma veterinária nós veremos um psicólogo que vai falar disso quem sabe uma abordagem humanista com igual a Fernanda e a Vitória e falar disso para as pessoas e é isso pessoal era essa nossa contribuição não sei se vocês querem compartilhar alguma coisa perguntar alguma coisa Aproveita a gente tem ainda uns minutinhos aqui se vocês quiserem perguntar [Música] Foi por conta da pandemia da gente ter ficado mais tempo em casa e as mulheres terem aqui do que pegar a responsabilidade de serem dona de casa eu vou a Fran eu vou deixar a Fran vou deixar né tipo a pessoa mandou na mensagem separar mas é porque eu sei que ela vai falar disso a Fran vai falar para vocês um pouquinho sobre a questão do trabalho da mulher no período pandêmico mas só para esclarecer esse essa esses 300 anos ele se referem a igualdade de gênero como um todo então além do mercado de trabalho a gente tá falando de tudo na minha concepção a pandemia ajudou muito sim e aí na Esfera do mercado de trabalho a Fran vai falar mas por exemplo quando a gente fala de das dificuldades das mulheres a gente tem um agravante que se chama violência nós morremos porque nós somos mulheres e é isso não nós não teremos uma lei João do Morro porque a lemera da Penha ela é uma política afirmativa Como disse no começo é uma lei para corrigir o que temos de errado o que aconteceu e mulheres a maioria das mulheres vivem as violências dentro das suas casas então quando a gente enclausurou Mulheres nesse período nós estávamos deixando essas mulheres também é presas com seus agressores a maioria dos casos de violência física sexual é psicológica moral acontecem dentro de casa então isso também é um agravante para que a gente tem aumentado esse período porque eu não diria que as violências aumentaram tá porque para mim esse fenômeno da violência contra mulher ele é o mesmo ele sempre existiu A grande questão é que hoje nós temos voz nós conseguimos falar sobre isso a gente tem alterações na nossa lei que permitem que a gente busque ajuda então é por isso a gente fala mais mas o que a gente fez foi dificultar o acesso dessas mulheres ao Socorro Então essas mulheres não tinham a rede de apoio que é tão importante porque antes a gente procurar nesses casos de violência a polícia a gente precisa ter nossa rede de apoio Então essas mulheres presas no ambiente hostil agressivo com o seu violentador com o seu agressor impediu que elas tivessem acesso a tudo isso então esse essa também é uma na minha concepção uma das causas né de um dos agravantes para para a gente ter se distanciamento mas aí eu acho que com relação ao mercado de trabalho a Fran tem uma contribuição bem legal com relação a pandemia né quando a gente entra nessa fase de pandemia que funcionários foram demitidos teve redução de jornada edição de salário a maioria foram as mulheres todas as empresas empresas preferiram demitir as mulheres e aí elas foram em casa sem salário E aí tinha aquela jornada dupla que agora era tripla porque aí ela ficava com a criança porque também não tinha creche ela cozinhava ela passava limpava tudo e ainda sem nenhum salário e o que acontece quando a gente volta é começar normalizar contratar de novo as empresas também preferem contratar os homens que estavam desempregado Então a gente tem esses dois fatores as mulheres foram as mais demitidas e por trás disso tem o fato do que são as mulheres que levam os filhos no médico então eu vou demitir uma mulher as mulheres que engravidam é muito melhor Ou demitir a mulher porque ela não vai ter licença maternidade ela não vai ter gasto com isso ela não vai pedir para sair para pegar o filho é ela que vai cuidar do filho enquanto a creche tá fechada se eu demitir o homem é isso não faz sentido na cabeça da empresa Então essa esse fator é um dos fatores que contribuiu aumentar esse esse período e as poucas mulheres que continuavam trabalhando as que não foram demitidas e a gente pode falar que de jornada absurda porque ela trabalhava para empresa em casa então eu tô trabalhando aqui meu filho tá aqui é a roupa lavando é tudo ao mesmo tempo porque quando ela sai de casa para trabalhar ela tem um horário definido Trabalho das 8 às 18:00 vou chegar em casa vou fazer a janta vou fazer isso e fazer aquilo ainda também que tivesse errado mas quando vem a pandemia e ainda ela vai trabalhar no Home Office essa jornada toda se mistura ela não consegue definir quanto tempo ela ficou trabalhando para empresa quanto tempo ela tava trabalhando para casa quanto tempo ela ficou com o filho quanto tempo ela cuidou do marido Então isso é um fator gravíssimo que a gente vai demorar muito tempo para que todas essas mulheres que foram demitidas voltam para o mercado de trabalho e por conta disso esses anos é um dos fatores que contribui para aumentar esse número de anos pra gente chegar nessa condição igualitária e eu acho a Fer vai contribuir com essa pergunta também eu eu acho que tem um Outro fator também que é muito importante a gente não pode deixar de falar dele por mais polêmico que muitas vezes pode parecer que é nesse período a gente teve um aumento significativo do discurso dos discursos de ódio a gente viu um crescimento gigantesco do conservadorismo e quando a gente tá falando de quando a gente quando eu critico conservadorismo Estou trazendo para Jaqueline pessoa eu não estou dizendo que uma escolha pessoal uma escolha de uma mulher que decide que para ela o melhor caminho é ser esposa mãe e dona de casa não estou dizendo que está errado só que isso precisa ser uma escolha a partir do momento que a gente impõe que a mulher precisa fazer essa escolha já não é mais uma decisão dela então é durante esse período a gente também teve o crescimento desses movimentos vocês devem ter acompanhado nas redes sociais que você eu sou praticamente adolescente nas redes sociais só não tenho recebido Não pagos mas eu produz bastante conteúdo Mas vocês devem ter acompanhado os movimentos chamados masculinistas que na minha visão mas aí é um outro assunto muito muito complexo que na minha visão o nome tá errado mas vocês viram esses movimentos em que as mulheres são colocadas numa posição de inferioridade elas são classificadas para que ela se tornem atraentes para o mundo masculino né então eu acho que a gente também tem esse esse plus aí nesse para Esse aumento do período para a gente alcançar a igualdade e acho que uma última coisa que é importante falar eu gosto sempre de fazer esses recortes né tem o recorte de raça recorte de classe e aqui a gente está bastante no recorte de gênero mas é como esse tempo ele abrange como um todo a questão de gênero aí a gente precisa falar que as mulheres pretas e pobres foram as mais prejudicadas na pandemia né com essa questão da violência da perda de trabalho tem que ficar em casa com os filhos e etc Então acho que ainda mais o nosso país que é um país da América Latina né um país dito em desenvolvimento a gente tem muitos e muitos fatores para serem analisados a gente tem mais tempo para abrir para mais alguma pergunta a gente precisa aprender a lidar com o microfone para começar 5 minutinhos com vocês então se vocês tiverem mais alguma pergunta Quem mais ou alguma contribuição pode eu acho que a gente mulher a gente já nasce sofrendo porque quando assim no meu caso na minha vida eu nasci e a minha mãe ela era faxineira ela tinha dois empregos o meu pai não fazia nada chegava em casa bêbado já batia nela então tipo a gente nasceu numa criação eu nasci numa Criação em que a minha mãe era tinha que fazer tudo ela tinha que lutar pelas coisas ela tinha que lutar por Comida dentro de casa e eu nasci meu se eu não for igual ela eu não vou ter nada na vida então eu fui tendo essa criação depois ela faleceu eu fui morar com minha tia ela mesma coisa guerreira lutando lutando lutando eu falei eu não posso ser igual o meu pai eu não tenho ele como exemplo eu tenho a minha mãe e a minha tia Então acho que tipo assim olha a cor da nossa vida a gente já nasce assim nessa questão né lutar senão a gente não vai ser nada a gente precisa pelo dinheiro no caso ganhando espaço senão a gente ganha um salário mínimo que não dá nem para sustentar uma casa direito enquanto o homem trabalha e sustenta a casa dele e é questão de a gente ter saber o nosso lugar mesmo igual vocês falaram como você chama fala sincronicidade o nome disso Paula Paula Muito obrigada pelo seu relato e eu acho que tem uma romantização dessa mulher guerreira né que carrega o mundo todo mundo nas costas né mas eu acho que é muito importante a gente reconhecer também a força dessas mulheres né porque a gente tá aqui e viva e consegue tudo que consegue porque a gente tem a referência dessas mulheres né e eu tenho certeza que você vai conseguir ser chefe e lembra da gente para convidar a gente para o seu restaurante tá na inauguração por favor eu acho que a gente pode encerrando encaminhando para o final eu queria aproveitar que a Paula falou na minha conta cinco vezes a palavra luta para dizer para vocês que quando a vitória nos chamou né para conversar com vocês nesse mês assim como dezenas não sei Quantas dezenas de eventos a gente já fez e fará até o dia 31 desse mês o objetivo o intuito era que a gente falasse sobre mulheres para mulheres em decorrência do dia 8 de Março então eu vou fazer uma crítica essa data Mas é uma crítica construtiva para que a gente comece a olhar para ela da forma como ela deve ser olhada no ano que vem quando começar o mês de março e começarem né começar quando começarmos a falar sobre o Dia Internacional da Mulher eu gostaria que vocês lembrassem que essa data é uma data de luta ela tudo bem vou voltar a dizer isso são escolhas a gente gosta de ganhar presentes a gente gosta de parabenizações Mas a gente não pode se esquecer que essa data ela só existe porque mulheres morreram mulheres morreram queimadas numa indústria mulheres precisaram sair na rua pedindo pão pedindo paz mulheres estão até hoje lutando para que a gente tenha mais espaços a pouquíssimo tempo nós não teríamos três mulheres sentadas aqui na frente falando para mulheres então do ano que vem vamos nos lembrar que oito de Março é um dia de comemoração sim porque a gente tem a passos lentos como a fé costuma dizer ocupado nossos espaços mas o dia 8 de Março é um dia de luta Tá bom obrigada [Aplausos] [Música]