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[música] Oi, gente. Começando mais um Se Liga na profissão. E essa é uma das profissões bastante importante em uma casa legislativa que é aqui o nosso ambiente. Quem vai falar comigo sobre essa profissão [música] que é técnico de descrição é a Audre, já está há um tempo aqui na área na casa legislativa de Campinas. Aldre, muito obrigada por me receber. Aldre, conta pra gente o técnico de transcrição, ele é aquele cara que fica ouvindo tudo que o presidente fala e anota ali no caderninho? Como é que funciona essa função? Quem anota no caderninho é [música] o taquígrafo. Nós aqui trabalhamos com degravação. Então a [música] gente escuta todas as reuniões, as audiências públicas que acontecem na casa, as audiências públicas que estão ligadas a projetos de lei. E a gente faz a degravação dessas audiências [música] para que elas possam então estar dentro dos processos que vão, por exemplo, pra prefeitura paraa aprovação desses projetos. Eu comecei falando da importância desse trabalho de vocês, porque como um órgão público, a [música] gente tem as prestações de contas, né? Então, muitas vezes é preciso coletar algumas informações [música] de determinada reunião, por exemplo, e é aí que entra esse trabalho de vocês, né, que é justamente para que as pessoas possam ter acesso ao que foi dito, o que foi explicado, o que foi apresentado em uma audiência, por exemplo. Sim. Eh, por exemplo, eh, reunião de prestação de contas da saúde, onde são apresentados os números, [música] eh, onde foi investido o dinheiro. Então, a gente faz essas transcrições, [música] ela participa, então, né, essa transcrição, [música] ela entra dentro da prestação de contas, da prestação de contas, por exemplo, [música] tem da saúde, reuniões, por exemplo, que a gente teve esses dias sobre projetos na área de urbanismo, também a gente faz a transcrição IPS [música] líteres, palavra por palavra, né? E tudo isso então fica [música] dentro anexo, né, nos nos projetos e nas prestações que vão paraa prefeitura. Eh, nós recebemos o áudio, a gente divide com todos os nossos colegas, nós somos em cinco aqui e cada um faz um pedacinho, a gente junta tudo para ter um texto completo. Normalmente [música] o técnico de transcrição, pensando aqui na realidade da Câmara de Campinas, você precisa, por exemplo, estar presente na audiência para poder coletar esse material ou não. é gravado separadamente pelo estúdio, por exemplo, e depois [música] você recebe esse material e então vai ouvir e transcrever. Como é que funciona essa parte? A gente costuma ter um colega que participa da reunião ali presencialmente e ele coleta os dados da reunião, o horário que começou, o horário que terminou, as pessoas que participaram da mesa, ã, o os munícipes, o público em geral que eh [música] se manifestou durante a reunião. Então, coleta os nomes dessas pessoas, as entidades que [música] eles representam, os horários que cada um falou, eh, e põe tudo isso numa espécie de planilha. A gente faz isso ou à mão ou no computador, mas enquanto a reunião acontece. E aí de posse desses dados, [música] fazendo depois toda a degravação e a transcrição, a gente coloca tudo isso num único arquivo com todas essas informações que a gente coletou presencialmente [música] eh durante a realização da da audiência ou por exemplo também de uma eh reunião ordinária que a gente faz as atas, mas no caso das reuniões eh ordinárias a gente acompanha depois [música] do término das reuniões. Aí não é uma transcrição palavra por palavra, [música] é uma reunião de projetos, de requerimentos, de moções. E aí a gente coloca se aquele projeto foi aprovado ou não, fazendo então uma ata, na verdade mais resumida. Esse documento que vocês fazem, você comentou sobre a ata, que é algo muito comum nas reuniões. [música] Ele pode ser substituído por uma ata ou no caso precisaria ter uma ata sobre a reunião e mais esse documento transcrito palavra por palavra. Na casa hoje a gente para as reuniões ordinárias faz [música] exclusivamente a ata, né? E aí qualquer outra informação que se queira ter, como tem [música] a TV e as reuniões eh são públicas, existe essa possibilidade de fazer essa pesquisa, [música] né? Mas em relação às outras reuniões que eu mencionei, que estão atreladas a projetos de lei, elas realmente precisam estar eh literalmente pra gente poder provar que houve uma publicidade, que houve uma discussão daquele projeto, das pessoas que estiveram presentes, aquilo que elas falaram na íntegra. Então é um trabalho diferente. Agora, Aldre, tem uma curiosidade porque você falou da da taquigrafia, né? Tem uma outra técnica também conhecida [música] e eu gostaria que você explicasse se ela está relacionada com o trabalho de vocês, que é o estenotipista. É uma função parecida, [música] se complementa? É uma função e diferente, [música] mas todos nós chegamos no mesmo objetivo que é transcrever eh um áudio palavra por palavra eesliteres, [música] né? No caso da estenotipia, a gente tem uma máquina pequena, ela tem um teclado que não tem marcas e nesse teclado você, por exemplo, batendo duas teclas, você pode ter uma terceira letra. E a ideia dessa maquininha bem compacta é que você escreva no tempo da fala. Uhum. de modo que eh você esteja presente naquela reunião, não necessariamente no mesmo local, mas ao mesmo tempo, e com o auxílio de uma segunda pessoa que vai eh estar no computador acompanhando a inserção desses dados que acontecem por essa máquina. Ela pode corrigir e ao final, ao término da reunião, você tem [música] um texto pronto e completamente corrigido por essa segunda pessoa. Então, eu tenho um estenotipista na máquina e uma segunda pessoa que faz a correção simultânea. A gente tem vantagens nessa técnica quando existe uma urgência, por exemplo, de ao término de uma reunião, ela já está transcrita, porém você tem um único estereotipista numa máquina para uma reunião muito longa, então acaba se tornando, para aquela pessoa, as duas pessoas, né, que estão ali trabalhando, bastante cansativo, porque não há revzamento. Uhum. Quando há uma reunião bastante longa, [música] né? Então eu acho que são trabalhos que se aplicam para situações diferentes, [música] mas a gente acaba tendo o mesmo fim, que é uma transcrição, de absolutamente tudo que se fala. Olá, bom dia a todos. Estamos aqui para reticências quando não concluiu uma um pensamento, [música] então a gente tem o mesmo o mesmo fim. A profissional comenta que a transcrição é feita de forma fidedigna e da forma que foi falada. A gente escreve exatamente o que a pessoa diz, mas é bastante interessante essa maneira como as pessoas colocam a linguagem. Algumas pessoas têm mais clareza com aquilo que vão dizer, outras pessoas pensam durante o discurso. Então, transformar essa coisa falada num eh documento escrito exige do transcritor uma cautela no sentido de tentar fazer com que esse texto eh seja compreensível, né? [música] Então, eh, tem muito a ver com a questão humana que a máquina não consegue, eh, agir, não consegue [música] ter êxito nessa tarefa, né? eh o fato de perceber eh entonações, eh eventualmente uma certa ironia, eh alguma coisa que se quis dizer e conseguir trazer uma pontuação, uma divisão nesse texto de modo que ele seja claro para quem valer esse documento, né? [música] Então, a gente não faz alterações, mesmo que perceba que eh as alterações que a gente faz são mínimas, na verdade, mais uma questão de eh concordância, mas muito pequenas, pra gente também não descaracterizar o discurso daquela pessoa, né? Suponhamos que a pessoa diga sempre: "A gente, a gente, a gente". [música] Eu não vou mudar para nós. Fomos, nós somos. Entendi. Porque a gente sabe que aquele interlocutor não é, não tem aquela linguagem típica, né? Ele tem uma linguagem muito mais coloquial. Então qualquer pessoa que for olhar aquilo vai dizer: "Não, mas isso não não diz respeito àquela pessoa. Aquela pessoa não fala desse jeito". Então a gente procura realmente ser fiel para [música] deixar claro aquilo que se quis dizer e como aquele interlocutor realmente fala. Olha que interessante. É importante então manter a característica do do interlocutor. Uhum. Agora, como é que você eh julga a sua profissão, o seu ofício nos dias de hoje? Porque a gente tem cada vez mais avançado na tecnologia, né? Você acha que o mercado é promissor, que é uma área que vale a pena as pessoas investirem, estudar? Eu [música] acho que a a área eh na verdade assim, nós estamos falando sobre texto, sobre língua, né? Então eu acho que é muito importante as pessoas [música] terem cada vez mais familiaridade com a língua, com a escrita. A gente sabe que a máquina não vai substituir a pessoa, pelo menos uma coisa que eu acredito que eu já temi em algum momento, [música] né? Mas à medida que a gente vai lidando com ela, a gente percebe que a máquina não substitui. A máquina ajuda, ela não substitui o homem. Porém, em se tratando da linguagem, eu acho que é tão importante, porque as pessoas, a maior dificuldade das pessoas em lidarem umas com as outras é com a comunicação. Uhum. A comunicação não é clara. Nós estamos numa casa legislativa, né, onde as pessoas expõem os seus pensamentos, os seus projetos, aquilo que acredita. Se essa comunicação não for clara, ela não consegue ser bem recebida pelo eh eh por aquela pessoa que tá eh ouvindo. Sim. Então eu acho que é muito importante esse investimento na linguagem, na leitura, [música] né? E há sempre portas para e eh essa essa situação, né? Essa essa profissão. Nós tivemos agora um colega que entrou recentemente há um ano, né? Então, há [música] sempre eh eh portas abertas para quem quer trabalhar na parte da linguagem. [música] Que legal. E o seu dia a dia de trabalho, você diria que é um dia a dia mais cansativo, o trabalho é equilibrado? [música] Porque quando a gente pensa assim: "Nossa, eu preciso ouvir uma audiência pública, por exemplo, algumas são longas, né?" Sim, às vezes tem algumas bastante longas. E a gente também percebe [música] alguns parlamentares que eh também eh motivam bastante, né, esse tipo de trabalho. H, eu acho que no geral é um trabalho bastante equilibrado. Nós temos cinco colegas, nós somos em cinco pessoas, é um trabalho que é dividido em partes iguais. [música] Então, e também é uma coisa que a gente tá bastante habituado, né? Talvez para pessoas que não estejam pode eh eh se tornar uma coisa bastante diferente ou um pouco cansativa. A gente lida com inúmeros assuntos, mas em contrapartida também nós somos colegas que temos eh formações bastante diferentes. Então é também comum de alguém pedir ajuda pro outro quando é um assunto que a gente desconhece. Uhum. Mas no geral o trabalho é bastante equilibrado e a gente não vê hoje assim grandes dificuldades porque o nosso setor é um setor que tem bastante eh bastante estrutura, tá bastante estruturado, o trabalho é bem dividido, então é no geral é bem tranquilo, tá? Ótimo, Audre, eu agradeço por você compartilhar o seu ofício com a gente, compartilhar essa profissão tão curiosa. Obrigada. [música] Eu que agradeço. Obrigada a você que nos acompanhou pelas telas e hoje nós falamos sobre [música] o técnico de transcrição. Ciao [música] [música]