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[Música] Olá, minha gente. Começamos mais um Se Liga na profissão e hoje nós vamos falar com um instrutor de equitação, o Caio Bonid. Caiu, conta pra gente como é que surgiu a ideia de você atuar nessa área, porque não é uma profissão muito comum, né? Sim. Eh, dentro da da de família, né? Meu pai a vida toda trabalhou com cavalo, eh, trabalhou sempre para pros outros, vamos dizer assim, e com o tempo ele conseguiu ter a escola dele, né? E eu, desde os meus 4 anos, desde pequeno, na verdade, né? Eu sempre gostei de cavalo. Aí com 4 anos eu comecei a fazer fazer o esporte e desde então nunca mais quis parar, né? E aí eu tô até hoje com 25 anos aí no meio. Você comentou que você tem aí 10 anos de carreira como professor de equitação, né? Mas você aprendeu criança, né? Eh, como é que você passa isso pro público, né? Porque tem muita gente que não tem noção que dá pr para se inserir nesse mercado, dá para aprender esse ofício desde criança, né? Sim. Eu falo para todo mundo, esse esporte, o ipismo, né? Ele não tem idade, não tem, vamos dizer assim, eh, muita gente fala que é um esporte caro, né? Sim, é um esporte caro, porém dá para dá pra gente trabalhar, dá pra gente conversar. E vamos dizer, quando a gente fala, né, sobre equitação, epismo, fica essa dúvida, né, esse esporte é equitação, é ipismo? Qual a diferença de um pro outro? A equitação, ela é a base, né? a base de tudo. Eh, você aprende montar o cavalo corretamente, ter postura, equilíbrio, saber saber virar o cavalo pra direita, virar pra esquerda, equilíbrio. E daí depois disso a pessoa opa, né? Tem o tambor, tem hoje chamada, é o esporte chamado Han Short, que é muita família. Eh, tem o Tim Penny também, né? Uhum. E eu desde pequeno, meu pai sempre trabalhou com com ipismo, então a gente optou pelo ipismo e é isso. Então a equitação ela é a base de tudo, vamos dizer, né? A gente escuta falar muito também sobre a questão da ecoterapia. Uhum. Quando vocês eh estão aqui nesse contato com o cavalo, seja montando ou seja você como um instrutor de equitação, vocês acabam eh praticando alguma dessas dessas técnicas de ecoterapia com o cavalo, porque ele também passa aqui por um esforço físico, né, o dia inteiro no sol. Sim, é o cavalo, vamos dizer, né? Ele tem as a vida dele, a saúde dele, né? A gente sempre preserva muito a isso. Eh, a gente não trabalha com ecoterapia, mas a gente trabalha um pouquinho com a cabeça deles, né? A gente tem que deixar eles felizes, porque querendo não é é um esporte que é muito exige muito do cavalo. Uhum. Porém, os cavalos você olha, eles trabalham 1 hora, duas horas seguidas. É meio que natural, né? Uhum. É, a gente trabalha pensando neles, pensando nos alunos para para não para não para não dizer que ah, tá sobrecarregando demais o cavalo. Ah, igual eu falo, faço muito, tenho bastante aluno, eu sempre troco de cavalo. Eh, esse cavalo faz uma aula agora, dá um descanso de uma hora, toma uma água, come uma maçã, uma cenoura, depois de uma hora descansou, faz outra aula, tem dia que faz duas, três aulas seguida, mas isso tem tudo um trabalho antes dele fazer isso. Tudo isso, a ecoterapia é um recurso terapêutico que utiliza o cavalo dentro das áreas da saúde, educação e equitação. Sim, o cavalo, através do seu movimento tridimensional, atua na facilitação neuromuscular e sensorial, contribuindo para o desenvolvimento das atividades motoras, cognitivas, psicológicas e também sociocomunicativas das pessoas com deficiência ou com necessidade especial. Para quem está fazendo essas aulas, né, para quem se interessa pelo curso de de equitação, essa pessoa precisa ter algum outro tipo de de preparo físico antes de vir aqui pr pra aula de equitação ou não? Não, não precisa. Tenho muita gente que chega aqui e fala: "Ah, cai, eu faço academia, eu vou dar conta, eh, eu sou forte e trabalha, trabalha muito músculo que trabalha na academia, porém é muito diferente." Sim. Então, a pessoa fala assim: "Ah, Caio, eu eu monto o cavalo faz 10 anos, porém faz dois anos que eu tô parado." Pr mim é indiferente se ela monta ou se ela não monta. Ela vai começar do zero. Uhum. Ela tem ela tem uma, uma equitação lá atrás. Sim. E porém tem que trabalhar o físico, né? Tem que voltar o corpo relembrar o o que vai precisar dele, né? Então não tem o que de de físico assim, você pega mais ou menos conforme as aulas vai indo pra frente, né? Uhum. É diferente então a pessoa que consegue montar a cavalo, de repente tem um sítio, tem ali um cavalo, ela vai monta no fim de semana. Essa montagem, né, esse exercício que ela faz aos fins de semana é diferente da equitação, do ipismo. É uma outra realidade. Sim, você, vamos dizer assim, você tem cavalo na sua fazenda, você vai até o cavalo, monta nele, faz 20 minutos de passeio e acabou. A equitação não, né? A equitação aqui você faz o quê? Esse trabalho é equilíbrio, postura, domínio sobre o cavalo. Então é totalmente diferente. Equitação tem muitas outras realidades, vamos dizer, né? Uhum. E o que envolve o aprendizado aqui no curso de equitação? Porque eu vejo que que as meninas aqui, por exemplo, você fala a questão, né? Eh, levanta o braço, deixa o braço mais abaixado, lembra das pernas. Isso tudo são técnicas para elas poderem conversar com o cavalo. É isso. Isso. Exatamente. Por quê? Igual eu falo, né? Tem um peso nas costas dele, tem um bridão na boca dele. Então o cavalo tem que estar confortável, ele tem que se sentir bem, né? Eh, vamos dizer assim, você puxa a boca do cavalo de um jeito, o cavalo ele tem uma reação, você senta um pouco mais forte nas costas dele, ele tem uma reação também. Então a gente fala, alivia mais a mão para dar mais tranquilidade pro cavalo, encosta mais a perna, pro cavalo tá mais vivo com você. E aí é um conjunto, né? O cavalo é Amazônia e o cavaleiro, né? Eles tem que sempre estar unido um com o outro. Não adianta eh o cavalo tá bem, você tá mal e vocês não se entender, porque fica um batendo, é um conflito com o outro, porque o cavalo tem sentimento e a gente tem sentimento, a gente tá trabalhando com o ser vivo, né? Então a gente tem que sempre trabalhar para aprimorar tanto a perna como o braço. Muita gente tem muita força na perna e não tem no braço. Muita gente tem força no braço e não tem na perna. Então a gente tem que trabalhar isso de com cada aluno, né? Cada um tem o seu, suas qualidades, né? Uhum. Então, a questão de manejo do cavalo, isso você acaba ensinando também até por uma curiosidade para que as pessoas saibam como é, como funciona o animal que ela está ali trabalhando. Sim, sim. Eh, inclusive tenho bastante aluno que vem, vem para cá, vem pra nossa escola, né, que a gente fala que aqui é uma escola, mas é uma família, né, que eu falo que a pessoa não pode só vir aqui, montar no cavalo, acabou, ir embora. Não, você tem que ter o contato com ele, você tem que saber o que que ele tá passando, que o dia que você tá montado nele, você vai saber, ó, ele tá com tá bravo, não, ele tá com dor. Então eu ensino todos os meus alunos a tirar cela, a pôr cabeçada, a passar a ração, a passar o feno, dar uma cenoura, depois a dar um banho. Então, a gente fala que a gente, graças a Deus, eh, a nossa escola hoje é bem conhecida por conta disso. Muita gente fala: "Ah, lá no Caio é, depois que acaba a aula, a gente pode dar um banho, as crianças podem se interagir com o animal, porque hoje em dia o mundo tá muito celular, muito computador, né?" Sim. E tem muita gente que que quer que os filhos sai de casa, sai do apartamento e vem para cá. Então, vim aqui só para montar o cavalo embora, fez uma hora de hora embora pros pais não faz sentido. Às vezes eles não querem trazer o filho só para fazer a aula, eles querem que o filho tem abertura com com a natureza, né? E aí aqui, por exemplo, nós vimos três meninas, né, eh, montando, fazendo suas aulas. Essas três, elas sempre utilizam o mesmo cavalo ou você troca os cavalos entre as suas clientes, entre suas alunas? Sim, é outra é uma outra coisa que eu pego bastante no pé dos meus alunos. Por quê? Eh, como é uma escola, às vezes um cavalo fica doente, um cavalo machuca, então o meu aluno ele paga mensalmente para mim fazer aula. Uhum. Então vamos supor que o meu cavalo, ah, o cavalo Jasper, um exemplo, que é um que tá ali, ele machucou, ah, a Marina só monta no Jasper, então ela vai ficar esse mês todo sem fazer aula? Não. Então eu sempre vou fazendo rotação de cavalo para não acostumar só com o cavalo, até mesmo quem tem o seu cavalo. Eu aconselho é o quê? você comprar o seu cavalo, você montar o seu cavalo, mas se você tiver oportunidade de montar outro cavalo para você aprender com outro cavalo, para ter mais facilidade com o seu cavalo depois, é uma outra realidade também, né? O hipismo é uma prática esportiva que envolve adestramento de cavalos e habilidade de saltar e transpor obstáculos com o animal. Como esporte surgiu no século XIX e sua estreia nas Olimpíadas ocorreu em 1900, nos Jogos de Paris. Agora eu gostaria que você falasse um pouquinho sobre a sua profissão, não como professor de equitação, mas como equitador. Você até comentou que eh muito em breve vai ter aí uma disputa, né, um campeonato que você vai participar, possivelmente leva os alunos. Como é que funciona esses campeonatos? Porque o Brasil quando ouve falar sobre esportes, imediatamente pensa em futebol, no máximo vôlei, qualquer outra modalidade olímpica. Uhum. Mas a parte da equitação e pismo a gente esquece um pouco, né? Então vamos lá. Eh, pessoas que só vai pra competição, tem o foco só de competir, né? Eles, vamos dizer, é um treinamento igual você falou de futebol, né? Porém tem tem o tanto a gente como o animal também. Então você tem que você tem que tá focado no seu cavalo, tem que colocar ele no dia a dia, trabalhando, tem que dar uma, duas folgas para ele, porque se você compete direto, você tem que tá no no meio. Normalmente a pessoa que vai competir, por exemplo, você já competiu, né? Quando você vai para uma competição, você é responsável por levar o seu cavalo ou você vai chegar lá e vai montar em qualquer cavalo? Como é que funciona essa dinâmica? Não é o cavalo, é meu cavalo, né? É o seu cavalo. Isso é o meu cavalo. É como eu treino com ele, eu tenho eh o os meus cavalos de cliente, vamos dizer, né? As pessoas colocam crédito na gente, deixa o cavalo pra gente trabalhar. Então a gente tem tudo o trabalho por trás de só a competição, né? Uhum. Você tem, você tem, ah, tem que organizar o caminhão que leva o cavalo pra competição, tem que organizar de pagar a inscrição, você tem que tem que ter, vamos dizer assim, uma equipe que fica por fora para você só ter o a cabeça com o animal ali, né? Uhum. O valor das aulas de equitação podem variar de 500 a R$ 800 com uma aula por semana. Para começar a praticar o ipismo, é preciso usar uma bota de couro cano longo com meias de cano longo. A calça culote que é específica para a montaria porque já tem o corte da cela, uma blusa polo e os itens de segurança que não podem faltar são o capacete, o colete de segurança e as luvas. No começo da entrevista você até comentou e é realmente algo que as pessoas falam muito, né? Poxa, mas ipismo, equitação, são profissões, ofícios para quem tem um poder aquisitivo melhor. O que que você diria dessa profissão? Você acha que é isso mesmo? Quanto costuma valer mais ou menos eh cada aula? Depende, depende muito, né? Depende muito. Eu eu mesmo sou contra falar isso. Muito, igual eu falo, muita gente vem aqui, ah, mas é um esporte caro, mas a pessoa não dá abertura pra gente dizer o nosso trabalho, o valor do nosso trabalho. É um esporte caro. Se você parar para pensar, porque é um cavalo, tem tudo uma estrutura, é uma vida, né? É uma vida, tem o cavalo, então você trabalha em pró dele. Uhum. Entendeu? Então, a sua a profissão de instrutor, de trabalhar como instrutor, você fala, muita gente fala assim: "Ah, o instrutor ganha muito dinheiro". construtor tem muito dinheiro, não. Consutor tá ali, ele tem uma uma carreira antes para chegar até ali, para ter uma profissão boa. Então, eu acho que é meio relativo, vamos dizer assim, né? E você acha que é um mercado de trabalho interessante que que as pessoas podem investir, que conseguem receber um bom retorno? Depende muito. Não dá para chegar qualquer pessoa e falar: "Eu vou virar o instrutor, vou virar o professor". Hoje em dia tem muito, né? Hoje em dia, hoje em dia tem muito, que acaba sendo perigoso, né? Porque é um esporte muito perigoso, é um esporte de risco, né? Então eu acho que para você virar um instrutor, você tem que ter uma uma boa escola, um bom fundamento lá atrás, né? Tem que ter uma bagagem. É, tem que ter uma bagagem, porque senão se você não tiver um caminho lá atrás pr você trilhar e manter nele pra frente, é muito difícil você pegar no meio do caminho e continuar. E o que você não passou, como você vai passar pro seu aluno? Eu mesmo gosto de montar os meus cavalos, os cavalos da escola, por eu sei que meus alunos tá passando ali, então eu consigo explicar para eles o que tá acontecendo do chão, para eles em cima ficarem mais tranquilo, ter mais paciência, ter mais calma, porque querendo não, se se você não souber o que você tá passando pro seu aluno, seu aluno chega ali e ele se mata, né? Legal, Caio. Eu agradeço a sua participação. Muito obrigada por contar um pouquinho de como funciona a equitação. Obrigada a você também que nos acompanhou pelas telas. Esse foi o Se liga na profissão, instrutor de equitação. Até a próxima. [Música] [Música] [Aplausos] [Música] Oh.