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[Música] Olá, minha gente. Começamos aqui com mais um Se liga na profissão. E essa profissão é aquela que a gente recorre normalmente antes de sair de casa para saber se vai chover, se vai fazer sol. Então, quem vai falar comigo sobre meteorologia é o meteorologista Bruno Baine. Bruno, conta pra gente sobre essa profissão que assim, acho que muitas pessoas, né, eu até até iniciei falando isso, né, as pessoas procuram saber, poxa, vai fazer sol, vai chover. Basicamente é isso, só que na verdade ela vai mais a fundo essa profissão, né? Olá. Sim, a meteorologia é uma carreira que pode ter muitos, muitas ramificações, muitos desmembramentos. embora o mais conhecido e mais tradicional e talvez foi por onde a meteorologia se consolidou como uma ciência à parte, foi de fato essa parte da previsão do tempo. Mas vai muito além disso. A gente poderia exemplificar a parte da agrometeorologia, a parte dos recursos energéticos, né, que a gente tem meteorologistas que fazem estudos técnicos. E na verdade é muito difícil a gente pensar em qualquer eh área da nossa vida, do nosso dia a dia, né? decisões, às vezes até pequenas ou decisões mais importantes, né, desde da hora de vestir até a decisão se um avião vai decolar ou vai pousar, eh, passam pela meteorologia, pela atmosfera, né? Então, a aí que se dá a relevância da meteorologia. E nesse mundo de mudanças climáticas, de extremos climáticos, eh, e de transição energética e de resiliência, a meteorologia ela vem ganhando um destaque, vem, vem ganhando um protagonismo, eh, e vem ganhando também mais possibilidades que, que antes nem eram pensadas. Uhum. Quando a gente fala sobre mudanças climáticas, que é algo que vem acontecendo, esse é um estudo, é uma dinâmica que vocês aqui já estavam vivendo há muitos anos, né? Ou seja, vocês pelos estudos, pelas pesquisas, perceberam isso e talvez eu acho que a gente pode até considerar que alguns eventos mais graves possam ser evitados a partir desses estudos. Com certeza. Exatamente. E essa é uma das principais atribuições da meteorologia eh e da meteorologia operacional, como é o o meu caso, né? Eu sou um meteorologista operacional. Então, o nosso principal desafio é eh antecipar condições, principalmente condições que possam apresentar algum risco à população, eh, e orientar, avisar para que as pessoas consigam tomar decisões conscientes frente a algum fenômeno adverso, sejam extremos de temperatura, sejam eh eventos de chuva eh expressiva, volumosa ou intensa, possibilidade, né, de de transtornos, eh, hidrogeometeorológicos. ou tempestades com vendavais e granizo. Então, esses são algumas das principais atribuições que um meteorologista operacional tem. Ele visa. A gente não consegue eh impedir que eventos extremos ocorram, mas a gente busca trabalhar para quê? eh para antecipar a ocorrência desses eventos e para que a cadeia de informações seja eficiente eh até a população final, até os tomadores de decisão, até os agentes públicos, né, que fazem toda essa gestão. Então esse é um dos nossos principais desafios nessa carreira da meteorologia operacional. E ela é muito importante também, a gente precisa considerar que nós estamos aqui, né, na região metropolitana de Campinas e o interior a gente tem muitos produtores, né, produtor rural e eles são bastante focados nessa área, né, importante o estudo de vocês para eles também entenderem como é que vai ser a plantação, como é que vai ser a colheita, né? Exatamente. A gente tem isso tanto a a curto, médio e longo prazo, né? a meteorologia se torna relevante nisso, eh seja para programar uma colheita ou uma aplicação de de algum tratamento fitosanitário, né? Isso pode passar pela decisão a partir de informações meteorológicas. Eh, então, se vai chover na época de colheita, se vai fazer seca ou na época de plantil, isso é relevante. Uma projeção de mais médio prazo, né, que a gente chama sazonal. Eh, se a estação vai ser mais quente, mais fria, mais seca, mais chuvosa, isso pode viabilizar ou inviabilizar ou eh orientar o produtor a tomar decisões, a se precaver para futuros prováveis intemperes e também até mesmo a longo prazo, quando a gente fala aí das próximas décadas, né, em que as mudanças climáticas podem inviabilizar o cultivo, cultivos que são típicos de determinadas regiões por conta de aumento nas temperaturas ou mudança no regime de chuvas. Cultivos que são tradicionais de de determinadas regiões podem se tornar inviáveis daqui algumas décadas e isso requer todo um manejo, um planejamento. E como é o seu dia a dia? Você chega aqui no no Cepagre em Campinas e você já tem que ficar de olho nos mapas. É isso. Exatamente. Então, eh, o dia do meteorologista operacional sempre começa com a previsão do tempo. Então, no processo de previsão do tempo, a gente consulta dados eh meteorológicos observacionais de estações meteorológicas, de radares meteorológicos, eh escoamento atmosférico em diferentes níveis, imagens de satélite das últimas horas ou do último dia, pra gente fazer um balanço de como que foi a previsão, né, das últimas horas e entender, fazer um diagnóstico da atmosfera naquele momento em que a previsão tá sendo elaborada. A partir daí, quando a gente entende o que que tá em ação na atmosfera, a gente consulta o que a gente chama de modelos de previsão numérica do tempo, que são nada mais nada menos do que softwares que resolvem as equações que governam a atmosfera. Como a atmosfera é um meio físico, ela consegue, a gente consegue equacionar matematicamente esses processos que ocorrem, forças que atuam nas parcelas de ar, a parte da termodinâmica, balanço de radiação, forças de atrito e assim por diante. Então, esses modelos, eles nos dão eh quadros futuros, prognósticos da atmosfera para as próximas horas e próximos dias. E a gente consulta várias dessas bases de informação para fazer essas projeções do tempo, entender aquilo que é mais provável que ocorra e identificar o que que pode ser, se tiver, né, naquele momento, uma situação de risco que as pessoas precisem e ser chamadas a atenção. Que legal, Bruno. Muito obrigada. Bom, eu conversei com o Bruno, Bruno Baini, ele é meteorologista aqui no CPAGRI da Unicampinas. Se a gente vai entender um pouco mais essa profissão. Agora, a parte mais teórica. Vem comigo. [Música] Agora a gente vai entender um pouquinho da área de pesquisa meteorológica. Ana Ávil está aqui comigo, bastante experiente na área, né, Ana? já sabe bem como funciona essa área de meteorologia, mas tem uma área que tem se sobressaído também, que é essa área de pesquisar, né, entender as situações climáticas. A gente tem vivido grandes momentos, né, em relação às mudanças climáticas. O que que você pode falar pra gente sobre isso? Bom, eh, a gente tem um avanço e bastante importante, sobretudo nos últimos anos, com relação às pesquisas voltadas, por exemplo, para as mudanças climáticas. Então, por exemplo, o profissional da área de meteorologia, ele vem tendo uma assim um protagonismo e paralelo a isso, a gente tem a interação com diversas áreas. Então, a gente vê que esses essas as pesquisas hoje elas vêm eh cada vez mais eh inter multidisciplinares, né? Então, por exemplo, um profissional de meteorologia, ele interage com profissional da área eh da química, um eh um agrônomo, um fisiologista de plantas, né? Então tudo isso pra gente poder entender essa esse clima, né, em mudança, como é que isso vai impactar de forma geral todos os aspectos, desde o a questão dos oceanos, né, a questão das plantas, né, da da geografia agrícola. Então, tudo isso tem um impacto direto com relação ao clima e a gente vem trabalhando com isso de forma multidisciplinar, sobretudo nas últimas décadas. O meteorologista é um curso que ele tem a duração de 4 anos. É um curso de bacharelado, né? E é um curso que parece que tem bastante disciplinas de exatas, né? É uma profissão que no dia a dia vocês precisam bastante de cálculos, estatísticas. Tem isso na prática? Sim. Eh, tem a nossa formação é basicamente dentro das ciências exatas, né? Então, a gente tem várias disciplinas da física, né? Eh, física aplicada, física teórica, a questão e de cálculos matemáticos, porque a gente precisa entender os fenômenos meteorológicos, né, como que eles eh se formam, né? Então, na verdade, a gente, digamos assim, projeta, né, matematicamente, fisicamente, tudo que a gente eh experiencia na na atmosfera, né, desde o ciclo hidrológico, por exemplo, da água, formação das gotas, como que essas chuvas se formam, como que elas interagem, por exemplo, com a com a química da atmosfera, com os elementos presentes na atmosfera, se é uma chuva mais intensa, se é granizo, o tipo de granizo. Então, tudo isso a gente consegue de uma forma geral eh eh experimentar e e projetar. Para essas pessoas que estão buscando, né, cursar meteorologia, qual a dinâmica que tem sido mais procurada, mais evidenciada no dia a dia da profissão atualmente? Olha, é bem diversificado, né? Porque, por exemplo, a gente dentro da área da meteorologia, a gente eh tem atuação, por exemplo, eh junto à meteorologia aeronáutica, junto a a meteorologia marítima, né? A gente tem, eh, a questão da própria, eh eh física mesmo, que é a parte da modelagem eh pura mesmo, né, da meteorologia. Então assim, depende muito eh eh tem muitos que preferem, por exemplo, a área mais aplicada, né, que são eh fenômenos, por exemplo, eh da meteorologia aplicados à agricultura, aplicados até à saúde humana, né? Hoje a gente sabe que os eventos extremos como ondas de calor impactam muito fortemente na saúde. Então nós precisamos entender isso, né? Então, eh, é, é bem diverso esse universo de opções dentro dessa área. É uma área que conversa bastante também, por exemplo, com com o meio ambiente, né, quando a gente eh se depara com situações extremas, né, seja o frio extremo, o calor extremo, situações de queimadas, por exemplo, que nós vivenciamos o ano passado, né, isso tudo envolve o trabalho do meteorologista também, né? Sim, exatamente. A questão de queimadas, um exemplo muito eh presente aqui, né, para nós. Então, a queimada ela é tem uma toda uma consequência, né, antes da da queimada ocorrer, que é o clima que favorece, por exemplo, o desenvolvimento de focos de queimada, quanto o impacto disso, né? Por exemplo, quando a gente tem muitas queimadas, isso tem um impacto de concentração de poluentes na atmosfera, tem um impacto na saúde, isso tem um impacto no solo, no na na no solo que vai ser eh ali a o o gerador, digamos assim, a fonte de alimentos para as agricultura, por exemplo, né? Então, a os próprios animais, a fauna, né, que vai sofrer o impacto dessas queimadas da da segurança alimentar. Então, é uma uma cadeia enorme que eh eh nos propicia essa essa multidisciplinaridade. Eu acho que é isso que é muito interessante. Então, você pode ver de várias formações, mas de forma geral é sempre eh eh digamos assim dentro dessa área eh tem que ter uma afinidade com as exatas por conta de modelagem, de muitos dados para trabalhar, né? Mas também tem a o que a gente tem observado mais recentemente, que é o impacto de tudo isso na nas questões sociais, né, nas políticas públicas e na forma com que as pessoas também estão se adaptando a tudo isso e podem se adaptar, né, a todas essas mudanças que a gente vem vivenciando. Tá bom, Ana? Eu agradeço sua participação. Agradeço você também das das telas, né, que acompanhou o Se Liga na profissão de hoje que falou sobre meteorologia. Até o próximo. Ciao [Música]