Transcrição automática gerada por IA. Pode conter pequenas imprecisões e ainda não
passou por revisão humana. Use Ctrl+F para buscar termos dentro do texto.
[Música] Olá, minha gente. Mais um Se liga na profissão e dessa vez eu vou tentar mostrar para vocês aquela linguagem de sinais. Eu não sei o que fazer com os meus dedos, com as mãos na hora de falar com vocês, mas a Patrícia, que é intérprete de Limbras, ela sabe, né, Pat? Como é que a Libras entrou na sua vida? Bom, Carla, é um prazer estar aqui com vocês. Obrigada pela oportunidade. Por incrível que pareça, Carla, eu tive o primeiro contato com o surdo. Eu tinha 4 anos de idade. Na época nós morávamos no Rio de Janeiro. E antigamente, lá para 1990, 1995, 98, os surdos vendiam muito aqueles panfletinhos com alfabeto, né? E eu lembro que uma vez meu pai tava indo trabalhar e ele ia me deixar na escola e tinha um surdo no sinal e ele tava vendendo esse alfabeto. Eh, antigamente os surdos eles ficavam muito escondidos também, não tinha uma a visibilidade que nós estamos tendo hoje, né? Foram muitos anos de lutas e hoje é totalmente diferente. E eu lembro que eu peguei aquela cartelinha e eu fui fazer a da tilologia. do meu nome, né? E eu fui treinando sozinha, só vendo a cartelinha. E aí uma outra vez que o meu pai me levou novamente pra escola, esse surdo tava lá. E o meu pai não sabia a língua de sinais. Ele foi e chamou o surdo, chamou ele, falou assim: "Venha aqui ver". E aí eu fui fazendo o meu sinal. Aquele surdo reagiu de uma tal forma que eu fiquei até assustada porque eu falei assim: "Nossa, gente, que interessante, né? uma coisa tão simples e trouxe tanta alegria para uma pessoa. E aí ele na época eu não sabia, né? Ele me parabenizou e fez um monte de para mim naquela época eram gestos, né? Porque aí depois quando a gente vai se profissionalizando, a gente vai entendendo que é uma língua, que é uma cultura, que é uma comunidade. Então eu fui naquele momento, eu falei assim: "Nossa, quanto gestos!" E ele tava tão feliz para você, acho que acertei, né? E aí, passou um tempo, a gente começou a procurar a escola para para de Libras, né, só que não tinha na época para criança e não era tão difundido como hoje. E aí com 15 anos de idade nós achamos um curso e aí daí em diante eu comecei os cursos profissionalizantes. Agora, Pat, eh, essa questão envolve algumas linguagens que eu gostaria que você explicasse para nós o que é de fato real, o que não é, o que, porque assim, tem gente que fala: "Ah, é a linguagem do surdo mudo". Ou tem gente que fala assim: "Não, eh, a pessoa que faz essa linguagem, ela precisa, né, que vai aprender, ela precisa ter algum problema auditivo, algum grau, né, de deficiência auditiva ou alguém na família. Isso é relevante? É realmente assim que acontece? É, a gente tem a diferença porque assim, Carla, ainda existe esse tabu, né? Porque antigamente, no contexto histórico, era reconhecido como um surdo mudo. E na verdade eh existe a mudez, né? Só que são alguns tipos específicos com algum problema na corda vocal. A pessoa pode ter algum alguma defici, alguma deficiência, algum trauma, é um câncer, por exemplo. Aí sim ela ela tem a mudez, mas o surdo, na verdade, ele não tem a prática da fala. Mas se ele for, por exemplo, oralizado, porque tem todo um contexto histórico, eh, que, infelizmente nós ouvintes impusemos eles que eles tinham que falar, então muitos surdos tiveram um trauma com a a relação da fala, né? Mas existem eh vários tipos de identidade surda, política, híbrida, enfim. Ah, tem uma autora, a Perlin, que ela ela descreve esses sete tipos de identidade e esses surdos vão estar se enquadrando nessa identidade. E com isso a gente percebe que Libras não é uma linguagem e sim uma língua, porque a linguagem ela vai est eh em um contexto específico. Por exemplo, se nós entrarmos no hospital hoje e tiver aquela plaquinha com a enfermeira fazendo esse sinal, isso é uma linguagem. Você tá dentro de um hospital e você vê aquela imagem, você entende que ali não é para fazer barulho. Só que quando você traz isso para Libras e eu faço isso aqui, isso aqui pode ser silêncio. Isso aqui, ó, pode, presta atenção, ó, espera. Então, assim, ele tá dentro de um contexto onde tem uma cultura, uma identidade, uma uma língua. Então, a gente não usa o termo linguagem e não usa o termo surdo mudo. Nós usamos o termo surdo. E dentro da comunidade surda, nós temos eh dentro da da pedagogia e da medicina as diferenças, né? Porque a medicina ela vem trazendo os graus de deficiência, de perdas auditivas. E a pedagogia, ela vem trazendo que todos esses graus a gente consegue passar um ensinamento para esse para essa pessoa surda e ela consegue se comunicar. O surdo, ele tem a sua primeira língua, que é Libras, não é o português. Por isso que muitos surdos, muit das vezes, não conseguem entender o português, porque é totalmente diferente. É uma outra língua, é uma outra comunidade. O artigo quarto mostra que o exercício da profissão de tradutor, intérprete e guia é privativo de primeiro diplomado em curso de educação profissional, técnica de nível médio em tradução e interpretação de Libras. Dois. Diplomado em curso superior de bacharelado em tradução e interpretação em Libras, língua portuguesa em letras, com habilitação em tradução e interpretação em Libras ou letras em Libras. Terceiro, o diplomado em outras áreas de conhecimento, desde que possua diploma de cursos de extensão, de formação continuada ou especialização, com carga mínima de 360 horas e que tenha sido aprovado em exame de proficiência, em tradução e interpretação em Libras, língua portuguesa. e trazendo pro seu dia a dia, né, pro seu trabalho, é bastante vasto o mercado, né, porque você, por exemplo, já comentou aqui, para quem não sabe, a Pat é intérprete de Libras aqui na TV Câmara de Campinas, mas faz também outros trabalhos, entre ele, entre eles, um trabalho belíssimo que foi a paixão de Cristo em Santa Bárbara. Então assim, você tanto está, eu não sei se o termo correto seria traduzir paraa linguagem de Libras, tanto ela faz isso nos produtos da TV Câmara de Campinas, mas pode fazer isso também numa peça teatral, num show. É bem vasto o mercado. Sim, ele é bem amplo, né? A tem a parte jurídica, parte acadêmica. Eh, já interpretei em cinemas também, então tem ali a a parte artística, ela é um pouco mais trabalhosa, porque faz parte da gramática de Libras a nossa expressão facial. Tem muita gente que pergunta: "Nossa, mas precisa esse tanto de careta?" Sim, precisa, porque tá na gramática de Libras, é a intensidade, é a força que dá, né? Porque, por exemplo, Carla, se eu falo assim: "Nossa, hoje tá calor". Então fala assim: "Ah, nossa, hoje tá calor". Agora você fala: "Nossa, hoje tá calor, eu vou dar intensidade, eu vou dar vida naquilo que eu tô falando". Então, a tradução e a interpretação tem essa diferença. Então, quando, por exemplo, eu tô num num show que vai ser de música, muita das vezes o ideal seria a gente ter o roteiro dessas músicas antes. Então, a gente vai estudar. Então, como que a gente vai vai estudar? a gente vai traduzir, vai pegar do português a gramática do português e vai passar pra gramática de Libras. E aí a gente vai interpretar o que a gente consegue pegar aquilo de Libras que nós traduzimos, nós vamos interpretar. Então, por exemplo, no português tem muito aquela dualidade, né? Então, eu tenho que entender qual é a intenção do autor que fez ali, o compositor que fez a música. O que que ele tá querendo dizer? Será que eu posso encaixar essa dualidade aqui? Não posso. Essa dualidade tá certa, não tá certa? E aí tem a responsabilidade também da interpretação, né, Carla? Porque assim, por exemplo, já aconteceu de de eu pegar um caso que foram alguns intérpretes que estavam no início e foram acompanhar alguns surdos na área médica e ele interpretou que essa pessoa tava com um diagnóstico muito pesado e quando eu cheguei lá era algo simples e o surdo se desesperou. Então, a gente também tem essa responsabilidade. A interpretação é algo muito sério, só que a gente também tá com uma demanda muito grande, porque tem muito serviço e poucos profissionais. E a gente precisa dessa qualificação porque a gente tem a ética profissional, a gente tem o sigilo. Por exemplo, se eu for numa consulta médica, eu não posso ficar falando o que aconteceu ali, porque tem sigilo médico paciente. Então a gente entra nesse nessa questão também, atendimentos psicológicos, às vezes a gente precisa atender, então eu também eu tenho que ter esse sigilo e é um mercado que tá abrangente, cada vez mais a gente precisa de intérpretes. E aí assim, para quem está em casa e se interessa em ser um em se tornar um intérprete, quais são as dicas que você dá? Qual qual o cuidado? Você já falou, né, desse cuidado aí, por exemplo, na área médica, mas quais são os cuidados que ele precisa ter no dia a dia? Bom, para ele se tornar um profissional, eu sempre indico para começar um curso profissionalizante, né? Hoje em dia é vasto as opções de cursos. Eh, quanto mais consolidado esse professor for, melhor. O contato com a comunidade surda também é essencial, porque é diferente eu eu sendo ouvinte, eu estar numa comunidade ouvinte, eu estar numa comunidade surda. É, é aquela o exemplo que nós estávamos falando do inglês. Quanto mais imerso eu estiver numa comunidade, mais imersa e fluente naquela língua você. Depois disso, para ele se tornar um um intérprete de Libras, o ideal é ele fazer a faculdade de Letras Libras. Hoje já tem vários cursos com Letras Libras. Antigamente era muito difícil, nós só tínhamos o Pro Libras. Tanto é nos concursos, nos trabalhos, exige-se Prolibras. Se você não tem prolibras, você pode ter a faculdade de letras Libras. ser isso que te consolida como intérprete. Então, eh, só que isso não significa que só porque eu fiz a faculdade ou eu tenho Prolibras, eu não precise me atualizar. Eu preciso sempre ter esse contato com surdo e sempre tá fazendo um curso profissionalizante. E a minha dica é, não tenha medo, a gente precisa sempre se arriscar. Eu lembro que quando eu comecei, eu tava no início mesmo, tava terminando um intermediário já uma uma a diretora do curso que eu fazia lá em Piccaba, ela já me indicou um serviço como intérprete de Libras de uma faculdade do curso de ciências da computação. Foi meu primeiro emprego como intérprete de Libras. Então assim, eu fui na cara e na coragem. Depois eu comecei a minha faculdade de direito, eu comecei a estagiar na faculdade como intérprete jurídica e e daí em diante eu comecei, aí foi para shows, foi para teatros e hoje tô aqui na TV Câmara Campinas. Ô Pat, uma curiosidade que todo mundo tem quando vai decidir por uma profissão, as pessoas querem saber, né? inevitável. É uma profissão promissora? É um mercado que vale a pena investir porque vai dar um bom retorno. Com certeza, Carla. Com certeza, porque depende muito da área que você tá. Eh, a área escolar, ela tem muita muita vaga e às vezes precisa desse intérprete porque ele precisa estar numa sala de aula. às vezes d uma faculdade, às vezes dando numa pós-graduação, teatros, porque aquilo que a gente estava falando, depois da lei, essa acessibilidade ela ela é garantida, ela precisa acontecer. Então, os eventos públicos eles precisam ter intérpretes de Libras. Então, a demanda é muito grande porque tem todo um contexto do governo que eles precisam fazer entretenimento, shows e assim por diante. E a nossa luta continua para que outros lugares tenham também os cinemas, por exemplo, são poucos que têm teatros, são poucos que lembram que precisam de Libras, né? Então, quanto mais acessibilidade tem, mais a comunidade surda se achega e mais essa profissão ela vai se acendendo. E sim, nós estamos precisando de muitos profissionais na área. A nova legislação número 14.704 704 de 2023 regulamenta a profissão de tradutor, intérprete e guia intérprete de língua brasileira de sinais, Libras, estabelecendo normas para o exercício profissional e as condições de trabalho. A lei atualiza a lei número 12.319 319 de 2010 e define requisitos de formação, ética e carga horária de trabalho. Uma curiosidade, eu acredito que seja quase sempre assim, quando vocês vão fazer a as interpretações, vocês estão com uma roupa preta. Por quê? A gente fala, Carla, porque nós temos a nossa o nosso nossos estatutos, digamos assim, né? Eh, por exemplo, a minha pele é mais clara, então na hora da interpretação ela vai eh ressaltar. Então, o ideal é que sempre a nossa blusa seja de de contraposto da nossa pele. Então, por exemplo, uma pessoa com a pele escura, ela vai usar um azul royal, um caramelo, para que a mão dela se destaque, porque o que precisa de essência na interpretação são as mãos e o rosto. Por isso que nós normalmente estamos sempre eh ou sem a a a acessórios, né, maquiagem mais leve, porque esse surdo ele precisa ter uma visualização nossa perfeita. Então quanto mais neutro, melhor. Tá ótimo, Pátio. Eu agradeço a sua participação. Parabéns pelo seu trabalho e agradeço você também que nos acompanhou pelas telas. [Aplausos] [Música] [Aplausos] [Música] Oh.