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[Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos] [Música] Olá, minha gente. O se liga na profissão de hoje. Vai falar de uma profissão que recentemente se tornou reconhecida pelo Ministério do Trabalho. Essa profissão é a profissão de transista, mas não é sobre essa trança que nós vamos falar. A profissão de trancista que nós vamos falar vai muito além dessa trança convencional que eu fiz rapidinho aqui. É aquela trancista que resgata ancestralidade. Quem está comigo é a Nega Ju. Tudo bem, Ju? Tudo bom, Ju. Conta para mim como é que começou, né? Como as tranças chegaram em sua vida. Eu tranço desde pequena. Sou mais velha de oito irmãos. tinha quatro irmãs menores e eu tinha como responsabilidade de trançar o cabelo dela assim. Então, todo final de semana elas precisavam cantar na igreja e eu ficava responsável em fazer as tranças soltas nelas. E com 16 anos eu casei, vim para Campinas e com 19 anos a minha mãe faleceu. E aí eu fiquei responsável por cuidar dos menores e trouxe eles para Campinas também comigo. E aí veio a pandemia. E quando veio a pandemia eu tive que arrumar uma forma de conseguir aumentar a minha renda para que eu conseguisse dar conta do de sustentar a família. Foi quando eu abri o salão na sala da minha casa com uma cadeira, um espelho e uma cliente que acreditava em mim. Suelen que está aqui hoje trançando há 8 anos, já trança no estúdio Negaju. E aí ela foi falando pras pessoas: "Olha, agora a gente tem uma transcista no bairro que vai cuidar do cabelo de vocês. Olha como eu fiquei linda". E foi fazendo a divulgação boca a boca. E aí eu fui me conectando com outros projetos, o Agbara, que foi o fundo de mulheres que me ajudou muito, deu o impulso do meu negócio com Capital Semente, onde eu comprei materiais. Depois, eh, trouxe a escola de Sorocaba, que foi a escola que formou as minhas tias, minhas irmãs, para ensinar aqui no bairro também outras mulheres para trabalhar no estúdio e abrir o seu próprio salão. E logo após a gente lidar com com o crescimento, a gente lidar também com os desafios de gestão, de marketing, de lidar com pessoas, de contratação, de aprender novas técnicas. foi onde eu me conectei com o NAS, né, que hoje dá esse suporte técnico para mim, para que eu possa avançar. me ofereceram capital semite também, onde eu investi em outros outras técnicas e materiais pro meu estúdio e faço formação para as pessoas que querem entrar no ramo das tranças, querem ser transcistas, profissionalizar e a gente segue avançando, buscando oportunidades, buscando o meio de melhorar o nosso trabalho, de impactar outras pessoas, levar essa ancestralidade através das tranças e empoderar homens e mulheres da nossa comunidade. Ô Ju, e assim, essa essa questão de de proporcionar o curso, né, depois que você bebeu dessa fonte, né, e quis proporcionar esse curso para outras pessoas, você acha que também eh foi uma iniciativa não só profissional, mas também de vida mesmo, para poder contar mais vezes a história de vocês, mostrar a cultura de vocês, o estilo, né, que os negros têm, as pessoas de pele preta e porque assim, isso também, essa questão das tranças também trouxe vocês eh para um espaço mais iluminado, né, assim, deu um pouco mais de luz para vocês e deram um espaço, não é verdade? Sim. Hoje eu entendo que trançar cabelo não é algo que vem de mim, é algo que os meus ancestrais deixaram para eu dar continuidade. Então, quando a gente, quando eu levo nas escolas, faço palestras para falar sobre a história das tranças, né? A a as tranças vêm do bercho da humanidade, do Egito, Quemed e eles já usavam as tranças como forma de empoderamento de beleza, de autoestima, de comunicação, de representar qual era a tribo de cada um, de Então quando a gente vê na história, né, que o colonialismo trouxe essa repressão que já no ali naquele processo de trazer a gente no navio para cá, já tinha a raspagem dos cabelos justamente pra gente perder essa identidade, né? Então, foram e eram raspados os cabelos com vidros, né? Pegavam garrafas, quebravam e com aqueles cacos de vidros eles raspavam os cabelos justamente pra gente poder perder toda essa potência, né? Toda essa essa força que a gente traz através da estática capilar. Então, quando eu eu venho, né, dando continuidade nesse trabalho de ressignificar a nossa história e mostrar que o nosso cabelo é bonito, quem disse que o nosso cabelo não é bonito? Quem disse que só o liso é aceito, né? Quando a gente vê no nas empresas que as pessoas eh não aceitam o cabelo afrochê, porque não é assim, não aceita o cabelo trançado e aí a gente vem trazendo esse trabalho de dizer, não, pode sim um cabelo afro bem cuidado, pode sim uma trança cheirosa, bem feita, porque nossas tranças são cheirosas, são lavadas, tem produtos específicos, né? E então hoje trazer isso como uma forma de ressignificação da beleza e também de uma forma de empoderamento eh na parte de financeira traz um novo olhar, né? traz um novo olhar pra nossa comunidade, traz um novo olhar pra sociedade, traz um novo olhar paraa nossa profissão. Então, hoje nós somos mulheres transcistas empoderadas que levamos empoderamento, beleza e autina para outras pessoas. Ô, Ju, você comentou no início que eh não é só fazer a trança, né? Mas quando a gente vê um estúdio como esse seu e como tantos outros que têm surgido por aí, a gente percebe que vai realmente além da trança, porque você precisa saber recepcionar os seus clientes, você precisa entender o que a sua cliente quer, né? Qual é o gosto, qual o estilo dela? E isso tudo você ensina no seu curso? Sim, nós temos o um exame de anamnese que a gente faz na nossa cliente, porque às vezes ela vê uma foto no Instagram ou no Facebook e acha que ela pode fazer aquele modelo, mas para cada tipo de fio de cabelo tem um penteado correto. Então, se ela tem pouco, o cabelo é fina e ele tá pouco, tá passando por um processo de transição, a gente usa uma trança mais leve, uma um material mais leve e um material antibactericida que não vai dar alergia no couro cabeludo dela. Então, se é uma cliente que tem um cabelo mais grosso, mais cheio, a gente pode ousar mais, drincar mais, colocar um cacho juntos, porque aí não vai dar problema. Então não é só trançar, a gente também tem esse trabalho de identificar qual penteado vai dar certo pro tipo de cabelo dela e pra estética também facial, porque uma cliente que tem um rosto mais oval, mais redondo, a gente não vai fazer um um achanel curtíssimo, a gente já faz uma chanel com alongada, com bico alongado, que aí vai dar vai deixar ela mais alongada, mais bonita, né? Então tem todo esse esse trabalho que a gente precisa ser feito, diagnosticado antes. E eu ensino os alunos também a ter esse olhar diferenciado, conversar com a cliente para entender qual a necessidade dela. Então, se ela trabalha num ambiente que ela vai ter que usar ridinha, se ela trabalha no ambiente de cozinha, não dá para fazer uma trança muito volumosa. A gente deixa a trança com menos volume. A gente faz uma tiara na frente que aí diminui a quantidade de trânsito e deixa só solta atrás. Então tem toda essa conversa. Primeiro o cliente chega, a gente conversa, entende a demanda dele, qual a necessidade dele, qual a rotina dele para depois a gente aplicar, mostrar os modelos de trânsito que pode fazer. A profissão transcista também. A gente precisa considerar que quando nós falamos de um estúdio, nós falamos de uma empresa e toda empresa tem o lado administrativo. Quando a gente começa a empreender, a gente não imagina que a gente vai se deparar com tantos desafios, né? E um desses desafios foi a questão principalmente da gestão do negócio, de entender o fluxo de caixa, entender a questão do marketing, entender todas as demandas que faz com que o salão continue funcionando. Então, precificação é uma coisa que me pegou bastante, porque no início eu não tinha noção que ia dar certo, então eu fui pelo que eu achei que era correto. Hoje eu já entendo que para fazer uma precificação boa, que vai fazer com que eu continue dando continuidade no no meu trabalho, eu preciso não apenas colocar o valor do material, né? Eu preciso colocar o valor do meu aloguel, da minha água, da minha luz, do do material que eu vou ter que comprar novamente, essa cadeira que quebra e eu vou ter que repor ela. Então, a cada R$ 10, R$ 20 a mais que eu coloco no meu na minha trança, eu já tiro. E também contando que eu tenho tenabore, que às vezes a gente esquece que a gente tem que ter o nosso salário também, tem que tirar esse dinheiro pro nosso salário. Mas tudo isso eu só consegui por conta dos dos dos projetos do Sebrai, do Senac que estão aí disponíveis pra gente poder se aperfeiçoar e aprender. Então tem que dedicar tempo, né? Não é só aprender, não é só sobre a técnica, sobre aprender a trançar. Tem que saber receber a sua cliente, preparar o espaço, preparar uma água, um chá, prepar e limpeza dos produtos, dos materiais. Então, um pente usou numa cliente, lava para poder usar na outra, né? Então, todos esses detalhes faz com que o o negócio vá pra frente e continue crescendo. Ju, tem um ponto também que você comentou, achei muito interessante, porque assim, você começou aqui em Campinas, fez curso em Sorocaba e trouxe o curso para cá e de repente você começou a atender pessoas de outros países, né? Isso justamente assim, porque eh eles são da África, né? Não conheciam essa técnica, não tinha esse hábito e no fim tornou-se a profissão da pessoa também. Isso. Eh, tive dois casos de de pessoas que vieram da África para cá e em busca de de uma melhoria de vida. E aí eles informaram que quando chegaram eh em quando chegaram no Cras e associações pedindo ajudas, eles já falaram para ir no estúdio da Negjuaju ia poder ajudar. E aí eu ensinei a técnica, até me surpreendi porque não imaginava que eu ia ensinar africanos, né? sendo que a essa cultura vem justamente de lá e hoje eles têm o salão deles, um tá no Dick, o outro tá aqui bem próximo da gente, cidade de S, e estão arrasando com salão. Tem essa africana já está dando aula também, ela já aprendeu a técnica hoje, ela também dá aula. Então assim, é muito gratificante ver que essas pessoas se chegaram em busca de respostas, conseguiram achar essa resposta e essa oportunidade no estúdio e hoje estão podendo podendo se manter através dessa arte que é uma arte, né? E aí eu quero te fazer uma pergunta. É uma profissão promissora? Você acha que vale a pena investir? A pessoa que tá assistindo esse vídeo e se identificou com esse espaço, se interessa, gosta de mexer em cabelo, gosta de lidar com pessoas? Você acha que é uma oportunidade? Sim, é uma profissão que tem crescido muito a cada dia, porque as pessoas estão se reconhecendo pretas, né? Hoje no IBGE a gente tem o número crescente de pessoas que se declararam negras, pretas e com isso elas têm assumido a sua identidade, os seus cabelos reais, né? Muitas pessoas vêm é para fazer o BC, para sair da química e assumir os seus cabelos. E com isso nós precisamos de mais profissionais na área. Então, na verdade, pode ter um um salão lá em cada esquina que ainda vai faltar profissionais e capacitados para atendê-los, porque o nós temos um 30% da população de Campinas é negra e é um número grande, principalmente nas comunidades, porque ela essas pessoas estão nas comunidades precisando de cuidados, né, pros seus cabelos, porque junto com não é apenas trançar, a gente cuida desse cabelo, a a gente corta, a gente tira a química, a gente hidrata, né? É um cabelo que ele ele cresce junto com as tranças, mas ele cresce hidratado, cuidado. Legal, Ju. Então, qual a principal dica para quem está nos assistindo e se interessa ou por vir aqui fazer uma trança? já é de casa ou quem quer fazer o curso. Sim, aqui no estúdio Negju recebido, você vai sair com a autoestima lá em cima, vai saindo empoderada, se sentindo pronta para conquistar os seus objetivos. E para você que quer começar a trançar cabelo, acredite no seu sonho. Saiba por que você quer iniciar esse negócio. Eh, não faça apenas por dinheiro, faça por amor, faça por identidade, por gostar e corre atrás que você consegue. Perfeito, Ju. Eu agradeço sua atenção por abrir o seu espaço. Agradeço você também que nos acompanhou pelas celas. Esse foi mais um Se Liga na profissão. Transista. [Música] [Aplausos] [Música] [Aplausos] [Música]